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segunda-feira, 12 de julho de 2021

Ribeiro Telles deixa CPLP com "sementes" para acordo de mobilidade.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Acordo sobre mobilidade que abre portas para "maior liberdade de circulação" na CPLP será assinado na cimeira de Luanda, disse à DW o secretário executivo, Francisco Ribeiro Telles, cujo mandato está prestes a terminar.


"Está tudo preparado" para a realização em Angola da cimeira ao mais alto nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dá conta o secretário executivo da organização, em entrevista exclusiva à DW. O encontro de chefes de Estado e do Governo da CPLP tem lugar em Luanda, a 16 e 17 de julho, e marca os 25 anos da organização.

Francisco Ribeiro Telles, cujo mandato está prestes a terminar, diz que será assinado, em Luanda, um acordo sobre mobilidade, dossier trabalhado pela Presidência cabo-verdiana, que abre portas para "uma maior liberdade de circulação dos cidadãos" lusófonos. A cimeira de Luanda "é bastante importante para a própria história da CPLP", sublinha.

DW África: Quais as perspetivas sobre a cimeira de Luanda e o que espera da presidência angolana?

Francisco Ribeiro Telles (FRT): Vamos ter também o reforço da componente económica e empresarial da CPLP. Isto é, Angola vai apresentar um programa que tem sobretudo a ver com questões económicas e comerciais, questões de desenvolvimento sustentável. Portanto, vamos reforçar esse pendor da CPLP. Isso também é importante, porque temos constatado que a CPLP, cada vez mais, começa a interessar outros países também como um espaço económico.

Depois vamos também ter a entrada de novos países observadores para a CPLP. São à volta de dez, o que faz com que a CPLP, no final da cimeira de Luanda, tenha mais de 30 países observadores e organizações. São países muito relevantes que vão entrar.  Da América do Norte, de referir os Estados Unidos e o Canadá; da Ásia vai entrar a Índia; de África, a Costa do Marfim; da América Latina, o Peru. Da Europa, países como a Espanha, a Roménia e a Grécia. De forma que a CPLP está cada vez a despertar um interesse crescente junto da comunidade internacional. Países que querem, no fim de contas, participar também nas atividades da organização. 

Francisco Ribeiro Telles

Última entrevista de Ribeiro Telles à DW como secretário executivo da CPLP

DW África: Constituem por isso uma mais-valia para os objetivos da CPLP? 

FRT: Sim, constituem uma mais-valia. Eu acho que a CPLP, com esses países, ganha escala. Isto é, é uma organização atípica, não é uma organização regional. Nenhum Estado-membro da CPLP faz fronteira com o outro. Apenas há fronteiras marítimas, são Estados ribeirinhos, são Estados nos quatro cantos do mundo, portanto com uma descontinuidade geográfica muito acentuada, com níveis de desenvolvimento económico muito diferenciados, mas de qualquer forma os Estados-membros estão muito próximos uns dos outros. E é isso que faz a força da organização e é isso que faz a força da língua portuguesa.

DW África: Tendo em conta o número de observadores associados, que já ultrapassa em larga escala o número dos países membros, isso implica rever o respetivo regulamento na cimeira de Luanda?

FRT: Sim, implica. Porque, de facto, em 2014, tínhamos três países observadores. Agora teremos mais de uma trintena. De forma que [é necessário] adaptar o regulamento àquilo que é fenómeno de uma importância crescente da CPLP. De maneira que ainda estamos num processo de discussão desse regulamento, mas a ideia de facto é operacionalizar de uma forma bastante concreta a entrada desses países na CPLP. Isto é, até que ponto a CPLP pode ser útil a esses países e esses países possam vir a ser úteis para a CPLP. Há várias ideias, ainda não temos um documento consolidado, mas lá chegaremos.

DW África: Os parlamentares dos países de língua portuguesa insistem de que é preciso avançar com a livre circulação de pessoas, mas também de bens. É um aspeto que ainda está para além dos esforços da presidência cabo-verdiana?

FRT: Eu acho que a presidência cabo-verdiana fez um trabalho notável nesse sentido. E como tenho dito, a questão da promoção e difusão da língua portuguesa funciona bem na CPLP – o português é uma língua cada vez mais falada no mundo e as projeções das Nações Unidas apontam que se neste momento há 260 milhões de falantes, no final do século serão 500 milhões muito pelo crescimento demográfico de Angola e Moçambique.

Jorge Carlos Fonseca

Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde

Outro aspeto que funciona bem na CPLP é a concertação político-diplomática. Os grupos CPLP são grupos que, quando estão nas organizações internacionais, conseguem fazer lobby para eleger altos representantes dos Estados membros a cargos internacionais. Há uma questão que, de certa forma, tem de ser agora mais bem trabalhada, que é o sentimento de pertença do cidadão comum à CPLP. Isto é: para que é que serve a CPLP? Eu, como diplomata, percebo muito bem a importância da organização, mas um cidadão comum pode não entender. E a questão da mobilidade é precisamente isso, é criar condições para que as pessoas passem a identificar-se com a CPLP. Isso passa obviamente pela liberdade de circulação. 

DW África: Nesta matéria, há países que estão a avançar no plano bilateral. O que é preciso fazer mais para se sentir que a mobilidade é um facto. Há um horizonte temporal definido? 

FRT: Não há um horizonte temporal, mas digamos que passa a haver um quadro definido para que haja uma maior flexibilização no que diz respeito a vistos, no que diz respeito também a vistos de residência. Claro que não se podem abrir as fronteiras de um momento para o outro, mas a ideia é que, numa primeira fase, determinadas categorias profissionais – como sejam empresários, estudantes, investigadores ou artistas – podem ver a sua circulação facilitada no espaço da CPLP. E este acordo que vamos assinar [em Luanda] abre caminho a essa possibilidade. 

DW África: No plano económico, é preciso explorar ainda mais as capacidades e as potencialidades dos países-membros? 

FRT: O potencial da CPLP é enorme. Os Estados todos juntos representam 4 por cento do PIB mundial. As reservas de petróleo e de gás são imensas no espaço da CPLP. A CPLP tem 18% das reservas de água doce a nível global. De forma que é um pouco encontrarmos plataformas comuns para pôr todo este potencial ao dispor da CPLP.

DW África: Mas, até então, isso não passou de mera intenção ou perspetiva apenas expressas nos discursos? 

FRT: Daí que temos dito também não pensar que conseguimos tudo de uma só vez, mas ter uma política de passos concretos. E a ideia é que, de facto, esta componente económica empresarial possa, por um lado, atender àquilo que são as preocupações, por exemplo, dos estudantes e empresários de circulação no espaço da CPLP. A questão dos vistos, acordos tributários, tudo isso. Digamos, é um primeiro passo para que passe a haver uma maior abertura nessas camadas da população que são muito importantes para o próprio desenvolvimento económico da CPLP. É preciso facilitar a circulação de empresários, dos estudantes, de artistas. 

Francisco Ribeiro Telles

"A CPLP é uma organização atípica: Nenhum Estado-membro da CPLP faz fronteira com o outro."

DW África: Encontrar financiamento junto de parceiros internacionais também é crucial? 

FRT: Sim. Uma das questões que no início do meu mandato quis fazer foi, de facto, uma maior aproximação da CPLP com outras organizações internacionais. A pandemia, de certa forma, prejudicou-me um pouco nesse desiderato. Mas, de qualquer forma, consegui ir a Bruxelas e estabelecer um programa de trabalho com a União Europeia para ver até que ponto a UE pode ajudar a CPLP nesse domínio. Também fiz contactos com a Organização de África, Caraíbas e Pacífico aproveitando o facto do seu secretário-geral agora ser um cidadão lusófono, ex-ministro das Relações Exteriores de Angola, Jorge Chicoti. Contactos que estabeleci também com a própria Conferência Ibero-Americana, precisamente para poder colocar a CPLP no mapa das organizações internacionais e podermos beneficiar com tudo aquilo que essas organizações nos podem oferecer. 

DW África: No plano político diplomático, há dois pontos fraturantes que marcaram o seu mandato: a incapacidade de intervenção da CPLP face à situação em Cabo Delgado, Moçambique, e o incumprimento da moratória para a abolição da pena de morte na Guiné Equatorial. Concorda? 

FRT: Em relação a Cabo Delgado, a CPLP, desde o início, pôs-se à disposição de Moçambique enquanto Estado membro fundador para tudo aquilo que necessitasse e que estivesse ao alcance da CPLP fazê-lo. E o que nos foi transmitido na altura foi: "O que nós gostaríamos é que a CPLP pudesse sensibilizar outras organizações internacionais para a terrível situação em Cabo Delgado; a situação humanitária, os ataques terroristas, etc.”. Eu fiz contactos com a União Europeia, com a União Africana, com a SADC e também com as Nações Unidas a sensibilizá-las para uma atuação rápida. Isso foi feito. Depois, também se constatou – e desde o início me foi dito isso – que a melhor intervenção em Cabo Delgado seria uma intervenção a nível regional, através de uma força própria da SADC, que eu acho que está em marcha, e é o que faz sentido. 

Volume 90%
 
Assistir ao vídeo03:41

"CPLP não pode sancionar nenhum Estado-membro"

Em relação à outra questão, eu acho que pela primeira vez temos um programa consistente de apoio à integração da Guiné Equatorial na CPLP. Temos um programa calendarizado e orçamentado, que vai durar dois anos e ao fim desses dois anos os Estados membros farão uma avaliação dos progressos que foram feitos nesse domínio.  Em relação à questão da moratória, o que me dizem as autoridades equato-guineenses é que essa moratória está a ser cumprida. Não mais ninguém foi condenado ou executado desde que o Presidente Obiang decretou essa moratória. Não existe ainda consagrada no Código Penal a abolição da pena de morte, mas o que as autoridades da Guiné Equatorial me garantiram foi de que não houve mais nenhuma execução. 

DW África: No meio de tudo o que marcou a vida da organização, é de considerar que o surto de Covid-19 acabou por afetar o avanço de vários projetos de cooperação entre os Estados-membros? 

FRT: Sim, de certa forma, porque nós tínhamos programado uma série de reuniões importantes. Até mesmo na véspera da eclosão da pandemia tínhamos programado, precisamente para preparar a componente económica e empresarial da CPLP, uma série de reuniões a nível tripartido dos ministros da Economia, Comércio e das Finanças que acabou por ser adiada e também das agências de investimento. De forma que num primeiro momento ficamos um pouco atordoados e rapidamente nos adaptamos à plataforma virtual. Recomeçamos as reuniões precisamente a esse nível. E acho que nos adaptamos bem.  

DW África: A cimeira de Luanda será feita concertação para uma ação mais articulada para fazer face àquilo que são as consequências da pandemia? 

FRT: Penso que os chefes de Estado irão discutir isso e concerteza que depois tomarão as decisões devidas em relação a isso.

Mosambik CPLP sendet Mission an Cabo Delgado - P1240043

Integram a CPLP Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Timor-Leste, Brasil e Portugal.

DW África: Os chefes de Estados também vão avaliar o seu mandato. Deixa o cargo com sentido de missão cumprida? O que gostaria de ter realizado e não foi possível concretizar?

FRT: A CPLP é uma organização jovem, é um projeto inacabado. Se nós compararmos com as organizações congéneres, a Commonwealth que tem mais de 70 anos, a Franfoconia tem 60 anos, a CPLP vai fazer 25 anos. Portanto, há muita coisa ainda por fazer, mas eu direi que os maiores desafios foi nós lançarmos as sementes para um acordo de mobilidade. Agora outro grande desafio vai ser operacionalizar esse acordo, de forma a que os cidadãos dos Estados membros sintam que esse acordo é útil para eles. Também a questão da componente económica e empresarial também caberá a Angola, nos dois anos do seu mandato, criar os instrumentos e os mecanismos para que essa cooperação venha a ser efetiva. E, por último, pormos os países observadores ao serviço da CPLP. Também vai ser um desafio. Cada país que entra para a CPLP como observador tem um caderno de encargos e compromete-se a promover e a difundir a língua portuguesa, mas é preciso ir para além disso e, possivelmente, integrar os países observadores em projetos de cooperação no espaço da CPLP.

DW África: São aspetos que já discutiu ou vai discutir com o seu sucessor, o timorense Zaracias da Costa? 

FRT: Já discuti. Tenho mantido um diálogo permanente, de forma a que haja uma transição o mais cómodo possível, digamos assim. 

fonte: DW África

GOLA: De cócoras no reino da CPLP.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Portugal vai estar representado na XIII Cimeira da CPLP, em Luanda, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. E que tal incluir os restantes sipaios partidários que até dariam o mataco e cinco tostões para estar presentes?

Por Orlando Castro

A Presidência da República portuguesa confirma que Marcelo Rebelo de Sousa vai participar na XIII Conferência de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre 16 e 17 de Julho em Luanda, que assinala a celebração do 25º aniversário de uma organização que, no dizer de Vasco Graça Moura, é uma espécie de organização fantasma, “que não serve para rigorosamente nada”, a não ser “ocupar gente desocupada”.

De acordo com a nota da Presidência, “o Presidente da República tem previstos encontros bilaterais com alguns dos seus homólogos de outros Estados-membros da CPLP”, não especificados, à margem desta conferência.

A Cimeira de Luanda é dedicada ao tema “Fortalecer e Promover a Cooperação Económica e Empresarial em Tempos de Pandemia, em prol do Desenvolvimento Sustentável dos Países da CPLP”.

A XIII Conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que marca a passagem da presidência rotativa desta “coisa” de Cabo Verde para Angola, decorrerá em formato presencial. Quando visitou a Guiné-Bissau, em Maio passado, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que a sua ida a Bissau contribuísse para uma Cimeira da CPLP com todos os chefes de Estado presentes em Luanda, referindo que isso não tem acontecido.

Portugal tem-se feito representar ao mais alto nível nas cimeiras da CPLP, por regra, com a presença conjunta do Presidente da República e do primeiro-ministro.

Criada há 25 anos, a CPLP tem actualmente nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial – cuja adesão, em 2014, criou polémica.

Teoricamente a CPLP tem como objectivos prioritários a concertação político-diplomática entre os seus estados membros, nomeadamente para o reforço da sua presença no cenário internacional; a cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa, agricultura, administração pública, comunicações, justiça, segurança pública, cultura, desporto e comunicação social; A materialização de projectos de promoção e difusão da língua portuguesa.

Mas será que existe uma estratégia comum em matéria, por exemplo, de educação? Não. Não existe. Será que existe uma estratégia comum em matéria, por exemplo, de saúde? Não. Não existe. Será que existe uma estratégia comum em matéria, por exemplo, de ciência e tecnologia? Não. Não existe. Será que existe uma estratégia comum em matéria, por exemplo, de defesa? Não. Não existe.

Não vale a pena continuar a pôr estas perguntas porque, de facto não existe nenhuma estratégia comum, seja em que matéria for. Comum a todos, comum como se existisse uma verdadeira comunidade. Existem casos pontuais, entre alguns dos estados-membros, mas nada em sentido comunitário.

Três países lusófonos – Guiné-Bissau, Angola e Moçambique – estavam entre os que têm a pior taxa de mortalidade infantil, de acordo com o relatório sobre a Situação da População Mundial relativo a 2011. Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), em cada 1.000 nascidos vivos, morrem 192,6 na Guiné-Bissau (só ultrapassada pelo Afeganistão e pelo Chade), 160,5 em Angola e 141,9 em Moçambique.

Entre os países de língua portuguesa, seguem-se São Tomé e Príncipe, com 77,8 crianças, e Timor-Leste, com 56,4. Mais abaixo, surgem Cabo Verde, com 27,5, e Brasil, com 20,6. Portugal apresenta uma taxa de 3,7.

Ainda no capítulo da saúde materno-infantil, 1.000 em cada 100.000 mulheres na Guiné-Bissau morrem no parto (pior registo só no Afeganistão e no Chade).

Com números acima das 500 mortes estavam Angola (610) e Moçambique (550). O relatório não apresenta dados sobre São Tomé e Príncipe, enquanto em Timor-Leste 370 em 100.000 mulheres morrem no parto. Os números descem em Cabo Verde (94), no Brasil (58) e em Portugal (7).

No que diz respeito à taxa de partos entre adolescentes (15 a 19 anos), é Moçambique que lidera, com 185 (em cada 1.000), 170 na Guiné-Bissau, 165 em Angola, 92 em Cabo Verde, 91 em São Tomé e Príncipe, 59 em Timor-Leste, 58 no Brasil e 17 em Portugal.

Os indicadores faziam ainda referência à percentagem de “partos atendidos por pessoal qualificado em saúde”, sendo esta menor, entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Timor-Leste (18), inferior apenas no Afeganistão, Chade e Etiópia.

Na Guiné-Bissau (39) e Angola (47) menos de metade das mulheres beneficiaram deste atendimento especializado. Acima dos 50 por cento surgem Moçambique (55), Cabo Verde (78), São Tomé (82) e Brasil (97).

Na saúde sexual e reprodutiva, é em Angola que as mulheres entre os 15 e os 49 anos menos usam contraceptivos, seja através de que método for. Apenas 6% o fazem, seguidas por 10% das guineenses e 17% das moçambicanas.

Em Timor-Leste, 22% das mulheres usam contraceptivos, taxa que aumenta para 38% em São Tomé e Príncipe, 61% em Cabo Verde, 80% no Brasil e 87% em Portugal.

Apenas quatro dos países da CPLP apresentam dados sobre a taxa de prevalência do vírus VIH/SIDA entre a população dos 15 aos 24 anos, com Moçambique a distanciar-se pela negativa, com percentagens de 3,1% nos homens e de 8,6% nas mulheres (apenas menor do que em países como Botswana, Lesotho, África do Sul, Swazilândia e Zâmbia).

Na Guiné-Bissau, o vírus VIH/SIDA afecta 0,8% de homens e 2% de mulheres, em Angola, 0,6% de homens e 1,6% de mulheres e, em Portugal, 0,3% de homens e 0,2% de mulheres.

Nos indicadores relativos à educação, a taxa de alfabetização da população entre os 15 e os 24 anos é de 78% nos rapazes e 62% nas raparigas tanto na Guiné-Bissau como em Moçambique, e de 81% e 65% em Angola.

Taxas de alfabetização totais ou quase totais verificam-se em São Tomé e Príncipe (95% dos rapazes e 96% das raparigas), no Brasil e em Cabo Verde, com os mesmos números para rapazes e raparigas (97 e 99%), e em Portugal (100% para os dois sexos).

Não havia dados sobre a alfabetização em Timor-Leste, mas o relatório indica que 79% dos rapazes e 76% das raparigas em idade escolar estão matriculados no “ensino fundamental”.

Esta é, apesar de pálida, a realidade dos países da CPLP. Estes dados têm dez anos. No entanto, de substancial para melhor nada se passou desde então. Basta, por exemplo, ver que em Angola, para uma população de 31 milhões de cidadãos, tem mais de 20 milhões de pobres.

Durante anos o argumento da guerra serviu às mil maravilhas para que esse “elefante branco” que dá pelo nome de CPLP, enquanto organização que congrega os países lusófonos, dissesse que só podia – quando podia – mandar algum peixe. Para ensinar a pescar era imprescindível a paz. Angola está em paz (ausência de tiros) há 19 anos…

E agora? Há muito que existe paz, nomeadamente em Angola e mais ou menos na Guiné-Bissau. Será que as canas de pesca são mais caras que as Kalashnikov? Será que os angolanos só vão ter direito à cana de pesca quando o rio Kwanza nascer na foz?

Segundo declarações de José Eduardo dos Santos, feitas em 2008, existia a esperança de que “a vontade política que norteia a CPLP, bem como as excelentes relações entre os seus membros dêem lugar a programas concretos que fomentem o crescimento económico, a erradicação da pobreza e a integração social, para que a médio/largo prazo pudéssemos estar todos no mesmo patamar de desenvolvimento”. Isto foi dito há 13 anos.

E acrescentava: “deve-se, por isso, pensar muito a sério na criação de facilidades financeiras para a promoção recíproca do investimento e da cooperação económica”.

Todos estão de acordo. Só que… continua a não fazer sentido pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres. Em vez de se preocupar com o povo que não pode tomar antibióticos (e não pode porque eles, quando existem, são para tomar depois de uma coisa que o povo não tem: refeições), a CPLP mostra-se mais virada para questões políticas, para o suposto aprofundamento da democracia.

Que adiantará ter uma democracia quando se tem a barriga vazia? Valerá a pena pedir, ou exigir, que se respeite a legitimidade democrática se o povo apenas quer deixar de morrer à fome?

Ainda não foi desta, e seguramente nunca será, que a CPLP – organização que voltará agora a ser presidida por um país lusófono cujo presidente nunca foi nominalmente eleito e cujo partido (o MPLA) está no poder há 45 anos, vai perceber a porcaria que anda a fazer em muitos países lusófonos.

De facto, a dita CPLP é uma treta, e a Lusofonia é uma miragem de meia dúzia de sonhadores. O melhor é mesmo encerrar para sempre a ideia de que a língua (entre outras coisas) nos pode ajudar a ter uma pátria comum espalhada pelos cantos do mundo.

E quando se tiver coragem para oficializar o fim do que se pensou poder ser uma comunidade lusófona, então já não custará tanto ajudar os filhos do vizinho com aquilo que deveríamos dar aos nossos próprios filhos.

É claro que na lusofonia existem muitos seres humanos que continuam a ser gerados com fome, nascem com fome e morrem, pouco depois, com fome. Mas, é claro, morrem em… português… o que, se calhar, significa um êxito para a CPLP.

Alguém na CPLP quer saber que no país que vai presidir à organização, 68% da população é afectada pela pobreza, que a taxa de mortalidade infantil é das mais alta do mundo? Não, ninguém quer saber.

Alguém na CPLP quer saber que apenas 38% da população tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico?

Alguém na CPLP quer saber que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade?

Alguém na CPLP quer saber que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos?

Alguém na CPLP quer saber que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação que é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino?

Alguém na CPLP quer saber que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?

Alguém na CPLP quer saber que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo regime para amordaçar os angolanos?

Alguém na CPLP quer saber que 80% do Produto Interno Bruto angolano é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população; que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda?

Alguém na CPLP quer saber que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?

Não. O silêncio (ou cobardia) são de ouro para todos aqueles que existem para se servir e não para servir. E quando não têm justificação para tamanha cobardia, lá aparecem a inaugurar uma nova sede…

Cremos que o moçambicano Tomaz Salomão, na qualidade de secretário executivo da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), foi quem melhor definiu a realidade africana, definição essa que também se aplica à CPLP. Quando confrontado com a presença de muitos regimes ditatoriais disse: “São ditadores, mas pronto, paciência… são as pessoas que estão lá. E os critérios da liderança da organização não obrigam à realização de eleições democráticas”.

fonte: folha8

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Pravda: A ode e o ódio ao Lula

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




A Ode e o ódio ao Lula

por Raul Longo(*)


O ódio ao Lula vai além do Lula. É muito anterior.

O ódio ao Lula é um ódio aos próprios ancestrais dos odientos.

Ódio aos seus próprios avós e bisavós que vieram fugidos de misérias e fome. Vieram na desesperança de Europas e Ásias, fugidos da marginalidade de uma realidade que hoje os netos fantasiam em castelos e nobrezas, reis e rainhas. Imaginam-se valetes ou bobos da corte. Menestréis ou saltimbancos mambembes. Aristocratas de uma Europa que na Europa deixou de existir.

O ódio ao Lula é ódio à própria opção pela servidão de que antepassados fugiram em busca por melhor sorte e dignidade.

Dessa dignidade é a ode ao Lula. Ode à esperança que resiste desde o século passado, retrasado. Ode à ausência do medo de bruxas e dragões. Ode à esperança na oportunidade, na igualdade de condições. Às conquistas pelos esforços de cada um, de quem está e quem chega. De todos os que chegam vindos pelo aumento da produção, do implemento de indústrias retomadas do nada, recursos onde era negação e risco. Ode ao desenvolvimento que ainda hoje ecoa por toda parte, por toda a nação que foi primeira da América Latina entre a economia internacional.

O ódio ao Lula é antigo. Vêm do tempo das senzalas. Dos Negreiros a trazer  mistérios em culturas e deuses de vingança em macumbas e quimbandas pelo látego e o pelouro. Sangue e suor. Gente de lágrimas e carnes vivas. Carnes de provocações, tentações em peitos, bundas e coxas. Carnes de estupros. Vergonha da inércia, lassidão e preguiça branca. Ódio à tristeza por si, à melancolia branca realçada na alegria do batuque, na dança, na festa a sobrepor a crueldade questionando falsa civilização e devoção em crença cristã. A dúvida dos infernos na incerteza da reza por perdão de atrocidades de senhores nos eitos e maldades de sinhazinhas na casa grande a brincar de fadas em paraísos do Senhor sem aceitar igualdades perante o Senhor. Arrependimentos por excessos aos quais sempre querem retrocesso.

Também aí a ode ao Lula pelo filho na escola se fazendo doutor. À igualdade de acesso à luz, teto e moradia. À água e alimento, médicos e saúde, oportunidade a talentos e vocações de cada um. Aos versos do poeta, às prosas do escritor. Às descobertas em laboratórios, ao acesso livre às universidades e a todas as ciências e artes, a todas as técnicas profissionalizantes e à tecnologia. Acesso aos saberes e experiências de todos os mestres, até mesmo os do exterior.

O ódio ao Lula tem diversas faces, inclusive regionais. É o ódio à percepção da dependência da espoliação nordestina para construção das maravilhas sulinas. Ódio à mão de obra barata para subir chaminés e descer metrôs. Unir com pontes e viadutos por mão e obra que o ódio separa em favelas e periferias. Prédios e edifícios por mão e obra que o ódio relega ao abandono e amontoa em presídios. Ódio às falas socadas, duras, sem o arrastar itálico, sem a verborragia de neologismos, sem a elegância dos anglicanismos. Ódio contra a cultura e por uma cultura que se mente ter.

Mente-se cultura de uma Europa que europeu não quer e busca no Nordeste o que aqui se menoscaba numa coceira de vira-latas.

A cultura de um Nordeste pelo qual o turista entoa ode ao Lula admirando transformação de cidades e transposição de águas dignificando sobrevivência no sertão, resultando em redução de migração, da superpopulação e violência. Reduzindo ocupação e destruição de meio ambiente. Ode ao Lula por empresários e visitantes de toda parte. Ode às melhorias de infraestrutura, qualidade e confiabilidade em prestação de serviços. Ode às melhores estradas e logradouros, portos para se comerciar, produção para se negociar.

Mas o ódio ao Lula é também o velho ódio de sempre. Aquele sempre ódio ao pobre e ao que trabalha. É o ódio que aponta egoísmos e hipocrisia em falsas crenças, falsa promessas, engodo pelo voto, pelo golpe. A realidade do que trabalha e quem trabalha tem suor. E suor fede. A realidade de quem não tem trabalho e, se não há trabalho, tem fome. E fome fede. A realidade de quem, se não trabalha, é por vício e, se trabalha, que use a entrada de serviço.

Se não trabalha, de nada serve e, se trabalha, reclama e requer direitos. Direitos ao pobre dá ódio, porque trabalho é exclusivo aos privilégios de patrão, não por direitos e compensação. Todos os direitos ao patrão; e ao trabalhador execução da justiça dos donos da reforma trabalhista.

A volta do trabalhar para não lamber a chibata do feitor, mantida na arrogância dos cães de guarda dos privilégios do dono.

O retorno do trabalhar para existir e continuar trabalhando.

Reivindicação de direitos atrapalha o sono do dono e a quem não trabalha: eliminação. Trabalhador com emprego é empregado sem direitos, e em trabalhador sem emprego se emprega bala, cela e polícia para virar notícia e parecer que há segurança para o sono do patrão e do feitor.

Mas a ode ao Lula é pelo direito humano a médicos, ensino e escola. É ode às oportunidades e não à esmola. Ode ao poder de aquisição do mínimo até mesmo - por que não? - viagem de avião. Ode ao Lula é pelo direito a casa e mobília, cerveja com amigos e churrasco em final de semana.

A ode ao Lula é à indústria naval, ao Pré Sal e à ferrovia. Ódio à autonomia nacional, à estabilidade da moeda e do preço do litro de combustível. Diesel e gasolina. E cada um decidindo a própria sina.

A ode ao Lula é pelo resgate da miséria e pobreza, pela redução do abismo social, à ascensão de 40 milhões, à retirada do Mapa Mundial da Fome.

É a ode ao pleno emprego e ao Brasil protagonizando entre nações preconizando participação na superação da crise internacional.

Porém, no fundo, o ódio ao Lula é também existencial. É o ódio de cada um pela decepcionante incompetência daqueles em quem se acreditou.

Não é ódio por mortos e desaparecidos nem pelas tantas torturas, mas pela inutilidade de tudo que se acreditou e não levou o Brasil a nada, além de analfabetismo e violência, pobreza e doença. Levou o Brasil por tortuosos e torturantes caminhos que nunca chegaram a lugar nenhum.

Tanta imposição, tanta impostação e, aos olhos do mundo, resta apenas a decepção de mais uma ditadura de República das Bananas.

O ódio ao Lula é à própria inadvertência em eleger produto da mídia que só fez média e, de tão inútil, se teve de tirar. O ódio ao Lula é à inapetência de empoados que se elegeu só para servirem de capacho e tirar sapato. Ódio ao Lula é ao menoscabo aos aposentados xingados de vagabundos em outras eras, quando se mantinha o congelamento de salários ao nível de insignificantes poderes aquisitivos, obtinham a triplicação da dívida e entregavam o patrimônio público.

Ódio ao Lula é por se ter elegido o que terminou em descrédito mundial e apagão. É o escuro ódio ao próprio fracasso, à frustração por si mesmo.

Quem nunca elegeu um governo ao qual possa entoar ode por algum feito, como poderá entender multidões em ode ao Lula? Como pode entender a ode do mundo e do Brasil de fundo? Como pode querer o Brasil que é, se não aceita o próprio ser o que é querendo ser o que nunca foi? Mentindo-se a própria realidade?

Ódio ao Lula não é por seus feitos, mas ao nada feito antes de Lula. Ao nada a se contar e cantar. Apenas silêncio e constrangimento por um Brasil falido com vergonha perante a comunidade das nações.

Como entender títulos e honrarias, respeito e admiração internacional ao que apenas resta o negar? Como aceitar ode ao Lula quem não tem motivo para compor ode à ninguém.

Ode à quem? Por quê? Sobre o quê? O que há? Que houve para ode ao antes? Ao agora dos que latejam ódio ao Lula por medo e incertezas, nenhuma perspectiva de quando se terá o prometido para o agora o que já se teve antes. Ódio ao Lula é ao não saber o que se terá amanhã. Não saber quando se tornará o que se teve antes. À evidência do que não se terá amanhã. À inexorabilidade do amanhã.

Ódio ao Lula se revela na ausência de argumento, no mero xingamento, na repetição de pobres trocadilhos. E se desvela na irritação ao estribilho internacional apontando o golpe. Se desvela na vergonha da vaia e no ridículo do que afirma pôr o Brasil nos trilhos quando tudo degrada, desaba, desmonta, decai. Tudo descarrilha em carência, violência e encontros escusos, corrupções e despencar de delações, perdoar de sonegações, descredito em previsões que se ajustam, apertam, tiram dos que não têm, para fechar contas que corrigem em bilhões.

Ódio ao Lula é o ódio às próprias deficiências. É transferência do ódio à própria displicência desde a escola, no diploma comprado, na imerecida conquista pelo "quem indicou?", consciência da ausência de qualquer talento e merecimento. Ódio ao Lula é ódio ao reconhecimento de glória roubada pelo feito por outro, da omissão aos feitos de outros.

É o jeitinho dado para se iludir com o próprio sem-jeito. 

 

Transferência da própria incompetência.

Mas não é ódio às fraudulentas falências financiadas pelos PRÓ ERerários públicos desfalcados. Não é ódio às farsas de bolinhas de papel e boladas de negociatas. Às evasões e inversões. Não é ódio aos superfaturamentos, aos flagrantes de tráfico e extorsão, às toneladas de carreiras em helicópteros, às denúncias e impunidades, à corrupção e homicídios. Não é ódio ao tanto do tudo que se comprova e até mesmo se admite em própria voz na revelação de gravações imprevistas, ao tudo do que se cala na ameaça aos alguém "que a gente mate"(1)

Ódio ao Lula já nem mesmo é pelo Brasil não ser Europa ou porque, para Europa, Brasil nem ser mais América Latina. Mas "de outro mundo"(2)

Ódio ao Lula e seus companheiros é pelo se ter de imputá-los sem haver provas. Por se ter de condená-los inventando fantasiosas literaturas sem nenhum realismo. É o fantástico da condenação ao que o juiz reconhece não ser real e assume não ter ocorrido o crime acusado. O fantástico da premiação ao que juiz reconhece ser crime real, efetuado e efetivado, provado e comprovado, assumido e confessado.

O ódio ao Lula é reincidente porque reincide juiz, crime, criminoso e impunidade. O ódio ao Lula é a evidente e escancarada verdade que ecoa e se responde em ode mundial ao Lula.

É o ódio por ter de "estancar a sangria" (3) de tudo o que se comprova a cada prova do que são os que o acusam e condenam Lula.

É ódio enorme e infindo que vai muito além de Lula, muito depois de Lula. Ódio que se levará ao túmulo porque em qualquer tempo futuro se contará a história de quando o Brasil foi deste mundo. Onde for, de toda parte do mundo futuro, ao se contar a história do Brasil se cantará ode ao Lula.

Ódio ao Lula é à ode ao Lula entoada quanto maior o ódio ao Lula. Ódio a correr consciência de quem não tem memória de nada a contar daqueles de que nem mais lembram haver eleito, tentado eleger,apoiado a se impor por golpe à vontade democrática, por golpe ao Estado de Direito.

E quando lembram, preferem fingir haver esquecido.

Mas o ódio ao Lula nunca será esquecido pelos que odeiam, porque que não há como se esquecer de si mesmo por mais que se culpe o que se teve pela perda do que não mais se terá. Por mais que se culpe o que teve e se perdeu, o ódio ao Lula não calará a ode latejando em maior ódio na lembrança por vergonha silenciada.

Sobre Lula nunca haverá silêncio, porque Lula é história. Enquanto houver Brasil e história se ouvirá ode ao Lula e no futuro não se poderá compreender o ódio que germina na ode ao Lula.   

Um ódio de matar. Mas se esse ódio matasse o Lula, a ode viraria hino em todo o mundo, ensurdecendo o "outro mundo"   

1) "Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação" - Aécio Neves, senador e presidente do PSDB candidato da mídia à presidência em 2014, líder e coo-promotor (com o ex-presidente FHC) dos tumultos de rua dos anos de 2013, 2014 e 2015; ao combinar recebimento de dinheiro de corrupção.

2) "Brasil é outro mundo" - Herta Däubler-Gmelin, Ministra da Justiça da Alemanha em entrevista realizada em julho de 2017 e traduzida para 30 idiomas.

3) "Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria" - Romero Jucá, senador do PMDB e líder posto no Congresso do governo im; ao propor pacto entre parlamentares para a execução do golpe político de 2016. 

 


(*)Raul Longo, jornalista, poeta, escritor e pousadeiro. 
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC 

SENEGAL: Tabaski - A ovelha (quase) intocável.

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Poucos dias antes do festival Tabaski, ainda não é hora de comprar ovelhas. E por uma boa razão, os carneiros custam da cabeça aos pés.

A reportagem é de Rewmi Quotidien que informa que os pontos de venda, reconhecidamente esparsos, estão abertos por toda parte nas artérias dos subúrbios.

No cruzamento denominado Béthio, na localidade de Golf Sud, pela saliência, em direção a Hamo 3, todos estes recantos estão inundados de animais.

"100.000 francos é o preço mínimo, 150.000 francos o preço médio, 1.000.000 francos CFA o preço máximo", informa o jornal. O suficiente para deixar o pobre "goorgoorlus" (faminto) tonto, ainda lutando para arrastar as ovelhas.

No Golf Sud, o trabalho do Bus transit rapid (BRT) criou uma grande desordem. Impossível para os "téfankés" (vendedores de ovelhas) encontrar um local para expor seus animais. E, os raros clientes que põem os pés lá deploram o alto custo dos animais.

“Eu estava em um ponto de venda, mas impossível ter uma ovelha por menos de 80.000 francos. Não entendo tal situação”, explica um cliente encontrado no local. “No momento está inacessível porque é muito caro. Ainda estou esperando, talvez na véspera”, acrescenta.

Do lado do vendedor, esse alto preço estaria atrelado ao alto custo da ração do gado, sem falar da água e do apoio aos acompanhantes.

fonte: seneweb.com

SENEGAL: Gendarmerie - Por que Macky ainda não nomeou um segundo em comando.

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O Chefe de Estado nem sempre encontrou um substituto para o General Moussa Fall no posto de Alto Comandante no Segundo da Gendarmaria.

Este último, que ocupava o cargo, foi promovido a Alto Comandante da Gendarmaria e Diretor da Justiça Militar.

O motivo desse atraso? De acordo com a Fonte A, o Presidente da República deve primeiro elevar um ou mais coronéis ao posto de general, de modo que se o General Thiaka Thiaw for impulsionado ao posto de Alto Segundo em Comando, seu assento muito estratégico na Gendarmaria Móvel o fará não ser deixado vago.

Nas próximas semanas, indica o jornal, Macky Sall deve promover um ou mais coronéis ao posto de general e ao mesmo tempo nomear o sucessor de Moussa Fall.

fonte: seneweb.com

Assassinado o Presidente do Haiti, Jovenel Moïse.

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Foto de arquivo: Presidente do Haiti, Jovenel Moïse numa entrevista em sua casa em Petion-Ville, um subúrbio de Port-au-Prince, Haiti.

Moïse, de 53 anos, governou por decreto por mais de dois anos

O Presidente haitiano Jovenel Moïse foi assassinado num ataque à sua residência particular, disse o primeiro-ministro interino do país em comunicado na quarta-feira, 7 de Julho, chamando-o de "acto odioso, desumano e bárbaro".

A primeira-dama Martine Moïse foi hospitalizada após o ataque nocturno, disse o primeiro-ministro interino Claude Joseph.

"A situação de segurança do país está sob o controle da Polícia Nacional do Haiti e das Forças Armadas do Haiti", disse Joseph em nota do seu gabinete. "A democracia e a República vencerão."

Nas primeiras horas da manhã de quarta-feira, as ruas estavam quase vazias em Port-au-Prince, capital do país caribenho, mas algumas pessoas saquearam empresas.

Joseph disse que a polícia foi deslocada para o Palácio Nacional e para a comunidade de luxo de Pétion-Ville e será enviada para outras áreas.

Joseph condenou o assassinato como um "acto odioso, desumano e bárbaro." Ele disse que alguns dos agressores falavam em espanhol, mas não ofereceu mais explicações.

Os problemas económicos, políticos e sociais do Haiti aprofundaram-se recentemente, com a violência dos gangues a aumentar fortemente na capital Port-au-Prince, a inflação a crescer e alimentos e combustível a ficar cada vez mais escassos num país onde 60% da população ganha menos de 2 dólares por dia. Esses problemas acontecem enquanto o Haiti ainda tenta se recuperar do devastador terramoto de 2010 e do furacão Matthew que atingiu em 2016.

Moïse, de 53 anos, governou por decreto por mais de dois anos, quando o país não realizou eleições, o que levou à dissolução do Parlamento. Os líderes da oposição acusaram-no de sede de poder, depois da aprovação de um decreto que limitava os poderes de um tribunal que audita contratos governamentais e outro que criou uma agência de inteligência que responde apenas ao Presidente.

Nos últimos meses, os líderes da oposição exigiram a sua renúncia, argumentando que o seu mandato terminou legalmente em Fevereiro de 2021.

Moïse e os seus apoiantes afirmaram que o seu mandato começou quando ele assumiu o cargo no início de 2017, após uma eleição caótica que forçou a nomeação de um Presidente provisório para servir durante um período de um ano.

O Haiti deve realizar eleições gerais ainda este ano.


fonte: VOA

terça-feira, 6 de julho de 2021

Guiné-Senegal: mais um passo para a reabertura da fronteira.

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Enquanto a fronteira entre os dois países está fechada há nove meses, a Assembleia Nacional guineense reuniu-se em plenário no dia 4 de julho para ratificar o Acordo de Cooperação Militar com o Senegal assinado em 19 de junho em Acra.

Na rodoviária guineense Bambéto, de onde parte a maioria dos viajantes com destino aos países da sub-região, sindicalistas e transportadores da linha Conakry-Manda agitam o dedo. No entanto, é difícil discutir com eles o encerramento da fronteira entre a Guiné e o Senegal. O assunto é tabu. “Não há viagem ao Senegal. A gente se limita a levar os passageiros até Koundara ”, desliza o motorista, exigindo anonimato. Desta aldeia do norte do país, a cerca de vinte quilómetros da fronteira, «os viajantes seguem depois em moto-táxi para atravessar para o Senegal com a cumplicidade de certos agentes de segurança e alfandegários», explica.

"Os preços dobraram"

O encerramento das fronteiras com o Senegal e a Guiné-Bissau, em setembro passado, oficialmente por motivos de segurança, teve consequências importantes para a economia do norte do país. Grande parte da produção agrícola guineense destinada à exportação passava anteriormente pelo Senegal. “Este ano, algumas mangas e laranjas apodreceram”, lamenta Alhassane Baldé.

Koundara, localizada no eixo que conecta Conakry a Dakar, foi particularmente afetada. “A maior parte da nossa atividade está focada no Senegal. Em circunstâncias normais, os caminhões, incluindo grandes transportadores, podem fazer até oito viagens por mês entre Koundara e o Senegal, explica Alhassane Baldé, presidente da Câmara de Comércio da Prefeitura de Koundara. Por outro lado, você não pode exceder quatro viagens mensais para Conakry, pois a cidade fica mais longe e a estrada está em más condições. "

Antes do fechamento, a proximidade com o Senegal também oferecia aos comerciantes de Koundara acesso privilegiado a uma série de produtos a preços muito competitivos. “O preço de um saco de cimento de 50 kg nunca ultrapassou os 60.000 francos guineenses aqui. Hoje, é vendido por cerca de 85.000 francos ”, explica Alhassane Baldé. Desde setembro passado, “os preços dos produtos importados do Senegal ou da Gâmbia dobraram, às vezes até triplicaram”, diz o presidente da Câmara de Comércio, que denuncia a especulação de alguns comerciantes. “Quem comprou ações antes do fechamento aproveitou para vender pelo preço que queria. "

Alpha Condé - Macky Sall: o impasse

As más relações entre o presidente guineense Alpha Condé e o seu homólogo senegalês Macky Sall não são recentes. Mas nos meses que antecederam a eleição presidencial de outubro de 2020, o impasse cresceu. Em setembro, Conakry decidiu fechar a fronteira com o Senegal, onde residem um a dois milhões de guineenses, destacando razões de “segurança nacional”. Em causa, segundo as autoridades guineenses, a presença do outro lado da fronteira de militantes da Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC), qualificada como um “movimento insurrecional”, e em particular de dois dos seus dirigentes - Ibrahima Diallo e Sekou Koundouno - que foram objecto de um mandado de detenção expedido pela justiça guineense.

"Já faz algum tempo que, como na altura em que Senghor e Sékou Touré se enfrentavam, todas as tentativas de desestabilizar a Guiné partiam do Senegal", declarou Alpha Condé em março passado em entrevista a Jeune Afrique. Guinean então afirmou ter proposto a Macky Sall "organizar patrulhas mistas na fronteira para evitar a infiltração de elementos hostis", mas lamentou que "isso não tenha acontecido".

Ratificação dupla

No dia 19 de junho, à margem da cúpula de chefes de estado e de governo da CEDEAO em Accra, os ministros da defesa e das forças armadas guineenses e senegaleses chegaram finalmente a um acordo sobre um acordo de cooperação militar e técnica. O texto prevê, em particular, a organização de patrulhas mistas pelos dois estados ao longo de sua fronteira comum. Mas este é apenas um primeiro passo para a efetiva reabertura da fronteira. A implementação do acordo depende, de facto, da sua ratificação pelos parlamentos senegalês e guineense.

    “O Senegal deve acompanhar o ritmo da Guiné

E neste ponto, foi Conakry que assumiu a liderança. A ponto de surpreender os observadores: a Assembleia Nacional, que suspende os trabalhos segunda-feira e retoma no próximo mês de outubro, colocou o tema na ordem do dia de um plenário convocado para domingo. Mohamed Diané, o ministro da Defesa, compareceu aos deputados para defender o texto. Ele assegurou notavelmente que, uma vez que o texto tenha sido ratificado por ambos os lados, uma "estrutura para consulta e diálogo será estabelecido para verificar como o acordo será implementado. "
“O lado senegalês deve acompanhar o ritmo da Guiné”, defende, afirmando que o seu ministério está “totalmente empenhado em acelerar o processo”.

“Está tudo bloqueado! "

“Nunca será cedo para finalmente restabelecer o trânsito, cada dia que passa perde-se milhões para os operadores económicos e é a população que sofre”, reage Chérif Mohamed Abdallah, presidente do Grupo Organizado de Empresários (Goha), que regularmente viaja para a fronteira. Se assegura que "85% dos operadores económicos afectados pelo tráfego fronteiriço são guineenses", insiste no impacto do encerramento na actividade de toda a sub-região, desde a Gâmbia ao Senegal passando pela Guiné. -Bissau e até à Mauritânia.

“O encerramento perturba toda a cadeia: marfinenses que produzem cola, serra-leoneses e o seu óleo de palma, guineenses e vegetais produzidos em particular na Guiné Central… Está tudo bloqueado! "Ele se arrepende. E para apontar um dedo acusador à CEDEAO: “Estive na semana passada em Diaobé [cidade senegalesa na fronteira com a Guiné]. Todos reclamam do assédio da alfândega. Já não deveria ser a Ecowas de Chefes de Estado, mas a dos povos, com a livre circulação de pessoas e bens para ser eficaz. "
Tags: GuineaSenegalCondeMacky
Autor: Jeune-Afrique - Seneweb.com


Para manter Messi, o Barça terá que vender vários jogadores.

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Para registrar seus novos recrutas e manter Lionel Messi, o Barça terá que reduzir significativamente sua folha de pagamento. Explicações.
A liga espanhola impõe regras muito rígidas em relação à folha de pagamento do clube. Confrontado com os enormes contratos de suas estrelas, o Barça solicitou uma isenção especial da La Liga. Apesar das discussões com o presidente Javier Tebas, a Liga Espanhola de Futebol é inflexível: não.

Por enquanto, a folha de pagamento Blaugrana é de cerca de 347 milhões, mas deve ser reduzida para ... 160 milhões. Você deve ter contado, o Barcelona deve, portanto, reduzir sua folha de pagamento em ... 187 milhões de euros. Uma economia gigantesca.

De acordo com a rádio catalã RAC, se o Barça deseja aprovar oficialmente as assinaturas de seus novos recrutas, ou seja, Agüero, Memphis, Eric Garcia e Emerson, ele terá que cortar drasticamente sua folha de pagamento.

Sem escolha, portanto, para Joan Laporta, o novo presidente do Barça: será necessário vender e se livrar de vários grandes contratos. Depois das vendas de Todibo em Nice (8,5 milhões de euros e bônus) e Konrad de la Fuente na OM (entre 3 e 4 milhões de euros), o Barça também gostaria de se separar de nomes como os de Pjanic, Coutinho ou Umtiti, que pesa pesadamente nas finanças do clube.

Trincao foi emprestado com opção de compra de Wolverhampton, Firpo oficialmente ingressou no Leeds por € 15 milhões. Braithwaite, ainda em disputa com a Dinamarca pelo euro, também pode ser vendido. E para prorrogar Lionel Messi, sem contrato desde 1º de julho, pode até ser necessário deixar uma estrela como Dembélé ou Griezmann sair, sob pena de não conseguir reduzir suficientemente a folha de pagamento. Além disso, outros jogadores, como Busquets, verão seus contratos cortados.

Em suma, é provável que haja muito movimento no Barça durante esta janela de transferências de verão.

fonte: seneweb.com

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