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Kinshasa: 50 camiões de bombeiros anunciados para reforçar o combate aos incêndios.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

As forças que disputam o Brasil.

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A ignorância política é dos mais desejados objetivos dos poderes, em relação à população que dominam. Graças à ignorância política o cidadão abre mão da sua cidadania, pois desconhece seus direitos como pessoa humana e como pertencente a um Estado, isto é, à estrutura de poder que tem obrigações com ele. 

São inúmeros os artifícios, fraudes, falácias de que se valem os poderes para que esta ignorância política seja a mais ampla e entranhada, firme e duradouramente, na mente das pessoas. E que não se misture com as habilidades operacionais, ou seja, o ignorante político é capaz de resolver complexos problemas técnicos, em qualquer área de conhecimento. 

Isto constitui verdadeiro presente para os veículos de comunicação de massa, que saem entrevistando em centros de pesquisa, hospitais, universidades e divulgam de doutores, cientistas, professores platitudes, banalidades de corar de vergonha um analfabeto mandarete de vila perdida no interior do país. 

Exemplo desta doutrinação, hoje, no início da terceira década do século XXI, é dizer que o maior perigo para o Brasil é o comunismo. E quantos dizem, repetem e afirmam com convicção esta sandice! 

Procuremos entender quais as forças que disputam o poder no mundo e no Brasil, e de quais recursos elas dispõem e poderemos então nos posicionar em favor de nós mesmos: brasileiros trabalhadores, ou seja, desta maioria absolutamente expressiva, quase a totalidade nacional, que vive do seu trabalho e necessita estar apto para executá-lo e que a economia esteja necessitando desta contribuição permanentemente. 

Até pouco mais da metade do século passado, anos 1960-1970, as forças que disputavam o mundo e o Brasil eram distintas das que nos pressionam agora. 

O mundo viveu um período de expansão, de crescimento, desde o fim da II Grande Guerra. Três correntes procuravam conduzir este desenvolvimento socioeconômico: a capitalista, que tinha seu exemplo e orientação nos Estados Unidos da América (EUA), a socialista que tinha suporte nas ações da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a terceira força, dispersa pela sua própria característica nacional, que tentara na Conferência de Bandung, na Indonésia, entre os dias 18 a 24 de abril de 1955, numa reunião de dirigentes e líderes asiáticos e africanos, articular a opção aos dois sistemas em aparente conflito.  

Efetivamente não eram tão esquematizadas e simples as questões. Havia dentro do capitalismo dois grupos poderosos: o financeiro e o industrial. Do lado socialista havia as interpretações do socialismo, que buscavam na apropriação da ortodoxia marxista suas justificativas. Porém havia também soluções políticas que equilibravam o capitalismo com o fortalecimento dos trabalhadores, surgindo a socialdemocracia, a democracia cristã e outras correntes. 

Como é óbvio, a bipolaridade ajudava aos EUA e à URSS e, consequentemente, tratavam de torpedear qualquer resultado positivo de Bandung e dos governos que procuravam a terceira via. 

Hoje a situação é bastante diferente 

As finanças, dentro do ideário político capitalista, foram vencedoras. Desde 1990 vem assumindo instituições internacionais, países e organismos multinacionais. Sua ideologia é o “mercado”. 

Ao “mercado” se opõe o poder nacional, que procura defender os habitantes de um país da sujeição a leis gerais, para as quais nada contribuíram ou não podem modificar. 

Esta dualidade ficou absolutamente clara quando o megaespeculador Georges Soros, verdadeiro porta voz do “mercado”, declarou que seu maior inimigo era o “nacionalismo”. 

Tratemos de aprofundar um pouco o que é “mercado” e o que significa “nacionalismo”. 

O “mercado” tem sua lei. Ela foi denominada “Consenso de Washington”; consenso de uma só pessoa, que sumarizou no decálogo as necessidades para tornar as finanças dona do mundo. 

E passou a ser a verdade universal, abrangente, ilimitada, eclética e polivalente. Ou seja, para todos, o que não tem aplicação em lugar algum. 

Consenso de Washington

Consenso de Washington - O economista inglês John Williamson (1937-2021) desde 1968 trabalhou para as finanças inglesas. Nesta condição atuou no Fundo Monetário Internacional (1972-1974), no Banco Mundial (1996-1999) e lecionou em diversas universidades propagandeando o liberalismo financeiro. Com as desregulações dos anos 1980, as finanças entenderam que se deveria elaborar um conjunto de medidas para dar efetividade à “globalização”. J. Williamson foi a pessoa de confiança que, ardilosamente, denominou Consenso de Washington, como se resultasse de um acordo, fruto de discussões que jamais ocorreram Todos estavam em Washington para receber o “Decálogo”, divulga-lo e defende-lo. 

Já “nacionalismo” se direciona a quem está ao abrigo de uma nação, da mesma cultura, valores, história, que dá coesão aos habitantes, que se denominam cidadãos. 

Temos, assim, de um lado apátridas, de outro cidadãos. 

Estas são as opções do século XXI. Porém tão grande clareza não deixaria espaço para o poder do dinheiro. Então as finanças fazem o que sempre souberam fazer: corrompem e deturpam os fatos. 

Corrompem o idioma, tirando o significado das palavras, prejudicando as comunicações, corrompem os valores fazendo do dinheiro o bem maior das pessoas, corrompem o trabalho tirando dele toda dignidade, toda a contribuição para sociedade, corrompem as famílias e as amizades fazendo de cada um o inimigo do outro, a competitividade sobrepondo as relações com o irmão, o colega, o vizinho, o amigo. 

Corrompem a administração da justiça, como se vê nas decisões contraditórias e desvinculadas da própria legislação. 

E dominam todas as mídias para construir uma realidade que não se vê, que se distancia do real e faz surgir o ambiente paranoico, hostil, que se constata no dia a dia de todas as sociedades. 

Acaso é razoável entender, como ação normal, as pessoas entrarem nas agências bancárias, nos fins de semana, para inutilizarem os caixas eletrônicos? Independentemente da avaliação que se tenha da espoliação que os bancos, atores do sistema financeiro, apliquem nos clientes e usuários, são as pessoas comuns, que usam os caixas eletrônicos e não os bancos que são prejudicadas. 

O domínio das finanças tem degradado a vida humana em todos os locais, em todas as camadas econômicas, sociais, culturais, e atingindo o psicossocial das pessoas. É o mundo artificial de um dinheiro que nem existe.  

Podemos distinguir três categorias de ativos. 

Ativos Reais. O Produto Interno Bruto (PIB) dos países que em 2020 foi estimado em 85 trilhões de dólares estadunidenses (USD).  São imóveis, veículos, equipamentos domésticos, grãos, minérios, petróleo. 

Ativos Financeiros. Deveriam representar ativos reais, mas são papeis de dívidas e representativos de bens estimados pelos aplicadores em mercados especulativos. As ações de empresas têm uma parte de seu preço fixado por critérios arbitrários como liquidez negocial, rendimento, demanda do papel etc. Na mesma base monetária dos Ativos Reais, estes seriam avaliados em USD 390 trilhões.  

Derivativos. Papéis que derivam de outros papéis, como hipoteca de hipoteca, milésimo saco de milho ou barril de petróleo de um único efetivamente produzido. Estima-se haver 25 mais papéis derivativos do que bens efetivos. Ou seja, nas mesmas condições anteriores ter-se-iam USD 2.125 trilhões. 

Estes valores só não são maiores pelo controle que a Federação Russa, países nacionalistas, como Cuba, Venezuela, Vietnã, Coreia do Norte, impõe a suas moedas, e pelas reservas da República Popular Chinesa. 

Porém sempre haverá incerteza, a inquietação do dia seguinte, desde o trabalhador, que pode não mais encontrar trabalho, ao rentista que vê desaparecer suas aplicações de um dia para outro. 

Não se enganem com as opções da mídia que repetem os interesses das finanças: o mal que efetivamente assombra a Nação vem das finanças, do capital sem pátria, depositado em não países, ou paraísos fiscais. 

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado. 

fonte: pravda.ru

Alpha Condé nos Emirados para tratamento: o que sabemos.

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Nas últimas horas, circularam na web informações sobre uma viagem aos Emirados Árabes Unidos do ex-presidente guineense Alpha Condé. O ex-presidente deposto foi lá por razões médicas, soubemos de fontes geralmente bem apresentadas.

Confirma-se a informação que circula há algumas horas. Alpha Condé não está mais na Guiné depois de ter sido derrubado pela junta militar há alguns meses. Um vídeo que o mostra embarcando em um avião foi revelado nas redes sociais. Antes de embarcar, o ex-estadista disse algumas palavras. “É urgente que eu vá para o tratamento, essa é a minha preocupação”, disse o ex-presidente. A viagem da ex-presidente ocorre poucos dias depois que Doumbouya o autorizou a buscar tratamento no exterior.

fonte: lanouvelletribune.info

Blinken exorta Putin a optar por via pacífica.

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Durante uma visita de solidariedade à Ucrânia, secretário de Estado dos EUA diz esperar que presidente Vladimir Putin opte pela diplomacia na crise com o país vizinho.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conclamou nesta quarta-feira (19/01) a Rússia a optar pela via pacífica na atual crise ucraniana, durante uma visita a Kiev para reforçar o apoio americano à Ucrânia.

"Firmemente espero que possamos nos manter numa via pacífica e diplomática, mas, em última instância, a decisão cabe ao presidente Putin", declarou Blinken na embaixada dos Estados Unidos em Kiev.

Da Ucrânia, Blinken segue para Berlim, onde vai se reunir com representantes de Reino Unido, França e Alemanha para debater a situação ucraniana. Na quinta-feira, tem um encontro marcado com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, em Genebra.

Em Berlim, os aliados discutirão "esforços conjuntos para impedir novas agressões russas à Ucrânia, incluindo a prontidão dos aliados e parceiros para impor consequências massivas e custos econômicos significativos à Rússia", segundo o Departamento de Estado.

Apoio da Otan

Paralelamente, nesta terça-feira, a Otan decidiu reforçar as patrulhas aéreas sobre os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia, ex-repúblicas soviéticas e atuais membros da organização militar) com mais quatro caças dinamarqueses, num contexto de escalada de tensões com a Rússia devido ao reforço militar deste país junto às fronteiras da Ucrânia.

Na véspera da visita a Kiev, Blinken já havia defendido a via diplomática para encerrar a crise entre a Rússia e a Ucrânia, durante um telefonema com Lavrov.

Os Estados Unidos também anunciaram uma ajuda suplementar de 200 milhões de dólares à Ucrânia, nas áreas de defesa e segurança, no âmbito da ameaça de uma potencial ofensiva russa. 

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais acusam a Rússia de uma grande concentração de tropas junto à fronteira comum com a perspectiva de uma eventual invasão. A Rússia tem desmentido qualquer intenção bélica, mas formulou diversas exigências, que se destinam a "garantir a sua própria segurança".

as/lf (Lusa, AFP)

[Retrato] Ibrahim Boubacar Keïta: O triste fim do gaullista-maliano!

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O ex-presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta (Ibk), morreu em Bamako no domingo, 16 de janeiro de 2022, aos 76 anos. Chegando ao poder em agosto de 2013, Ibk cristalizou as esperanças de um povo dilacerado pela ameaça terrorista e pela rebelião tuaregue no norte. Mas a descida ao inferno que nada previa, especialmente após uma reeleição em 2018 com 67% dos votos, foi brutal. Um olhar para trás na ascensão e declínio meteóricos deste estadista.

"O homem do momento"! É com esta qualificação ao estilo James Bond que a candidatura de Ibrahim Boubacar Keïta (Ibk) (em 2013) foi vendida aos malianos que compraram sem pechinchar o seu projeto de “Refundação” da República. Aos 68 anos na época, o ex-primeiro-ministro (4 de fevereiro de 1994-14 de fevereiro de 2000) carregado de diplomas, já carrega uma reputação muito boa, uma formação em gestão administrativa e experiência eleitoral (foi derrotado em 2002 e em 2007 pela ATT). Resumindo... Estava bem talhada para o cargo de Presidente da República e estava um passo à frente dos demais candidatos.

O Sorbonnard, amante das letras, com fama de gaullista, que repetiu ao longo da campanha (2013) as famosas frases do famoso general francês, foi apresentado por seus detratores como o “candidato da França”. “Sou o candidato do meu povo”, retruca para se destacar do paternalismo francês. Elevado ao auge no final do segundo turno das eleições presidenciais de 11 de agosto de 2013 com 77% dos votos à frente de seu rival ao longo da vida, Soumaïla Cissé, "IBK, o kankélentiki" ("O homem de sua palavra" em Bambara) como carinhosamente o chamávamos tinha uma “certa ideia do Mali”. E o roteiro do adorado novo presidente, que herdou um país em frangalhos, era muito claro: pôr fim ao caos no norte, restaurar “a honra do Mali” e devolver “a felicidade aos malianos”.

A tarefa não era nada fácil e ele esperava isso desde o início. “Será necessário desagradar, tomar decisões rápidas e ousadas. É uma missão de reconstrução total”, já lançava com toda lucidez. Para o Ibk, para conseguir essa renovação, “não há como negociar com os jihadistas”. Com começos bastante promissores, "o homem do momento" estava, é preciso admitir, no caminho certo para o retorno da paz no norte do Mali. Com efeito, menos de dois anos após a sua ascensão à magistratura suprema, o ex-presidente da Assembleia Nacional do Mali (2002-2007) deu um golpe de mestre ao conseguir acalmar as coisas com os rebeldes tuaregues do norte agrupados em torno da coordenação de Azawad movimentos (Cma).

Começos promissores

Primeira vitória! Ibk está exultante: “Na época da minha eleição, em agosto de 2013, o país não estava bem em uma situação normal. Não havia mais um estado. Não tínhamos mais exército e, sem o lançamento pela França da Operação Serval [em janeiro de 2013], eu não estaria hoje diante de vocês e o Mali teria deixado de existir. O tempo para restabelecer a ordem é longo e um inventário teve que ser feito. Sabia que nos esperavam na questão da governação e gestão do Estado, portanto da descentralização, da qual estou convicto da necessidade", sublinha numa entrevista concedida ao jornal Le Monde na véspera da sua reeleição em 2018.

Ele acrescenta: “Eu agi e, digam o que dizem, a situação atual não tem nada que se compare com o que era quando cheguei. Os jihadistas não controlam mais grandes áreas. Quanto à questão do Extremo Norte, transferi as negociações entre o Mali de Ouagadougou para Argel, onde chegamos a um acordo”. Mas, ele se apressa a reconhecer, esse acordo “certamente não é perfeito, mas cria uma estrutura para negociação. Rubricamos porque garante, em particular, a laicidade e a integridade territorial do Mali”.

A descida ao inferno

Desde a sua ratificação, este acordo permaneceu letra morta devido a várias disputas. Foi apenas 5 anos depois, em fevereiro de 2021, que o comitê de monitoramento realizará sua primeira reunião em Kidal, bastião dos ex-rebeldes separatistas. A estas dificuldades na implementação deste acordo -enquanto a violência terrorista mal cessou-, juntaram-se outras ligadas à gestão do poder maliano, ao sentimento antifrancês (Ibk foi acusado de ser cúmplice da França na gestão da crise no norte) e a incapacidade do Estado maliano de lidar com a insegurança. Um coquetel bastante explosivo que acabará consumindo o Ibk, porém reeleito em grande estilo em 2018 com 67% dos votos.

O velho mochileiro político, líder do Rally do Mali (criado em 2001 após renunciar ao seu partido), dificilmente esperava um cenário tão impressionante, ainda mais a dois anos de uma reeleição. Após vários meses de manifestações do M5-RFP (liderado pelo Imam Dicko, que uma vez apoiou Ib.

fonte: seneweb.com

Taleban pede que países muçulmanos reconheçam seu governo.

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Os talibãs afegãos querem que os países muçulmanos sejam "precursores" e pedem que reconheçam "oficialmente" seu governo, anunciou o primeiro-ministro na quarta-feira.
"Peço aos países muçulmanos que sejam pioneiros e nos reconheçam oficialmente. Espero que possamos nos desenvolver rapidamente", disse Mohammad Hassan Akhund em entrevista coletiva sobre a grande crise econômica que atinge o país desde que o Talibã chegou ao poder. em agosto e a cessação da ajuda internacional ao país.

fonte: seneweb.com

Sanções da CEDEAO: plano de resposta do Mali

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Convocação de instituições bancárias pelo governo, enviando uma delegação à Guiné e Mauritânia, Bamako multiplica iniciativas para contornar as sanções da CEDEAO.

Mali não pretende ficar de braços cruzados. Assimi Goïta havia afirmado isso. "A CEDEAO e a UEMOA assumiram-se, faremos o mesmo", declarou o homem forte da junta numa mensagem à nação no dia seguinte às sanções consideradas ilegais e desumanas. Desde então, o Mali multiplicou as iniciativas.

Internamente, Bamako está tentando controlar a situação financeira. Segundo Jeune Afrique, as autoridades militares indicaram aos estabelecimentos bancários a proibição "formal" de congelar as contas do Estado. Estas instituições bancárias “reunidas no seio da Associação Profissional de Bancos e Instituições Financeiras (APBEF-Mali), foram convocadas a 10 de janeiro pelo Ministro da Economia e Finanças, Alousséni Sanou” para os informar da posição de Bamako.

Externamente, uma delegação composta entre outros pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e seus homólogos da Economia, Comércio e Transportes deslocou-se segunda-feira à Guiné onde foi recebida pelo Coronel Mamady Doumbouya.

Uma composição que indica claramente que viajar é acima de tudo econômico. Além disso, no final do encontro, Conakry indicou em comunicado de imprensa que “as questões relacionadas, entre outras coisas, à segurança, à circulação de pessoas e mercadorias, bem como ao fortalecimento da parceria estratégica duradoura objeto de intercâmbio. »

Esta mesma delegação seguiu então para a Mauritânia onde deverá ser recebida pelo Presidente Mohamed Ould Ghazouani. Esta será uma oportunidade para trazer Nouakchott, que havia fechado suas fronteiras seguindo os países da CEDEAO, a reconsiderar sua posição.

O Mali procura alternativas ao porto de Dakar (65% das importações do Mali) e ao de Abidjan (20%) para garantir o seu abastecimento. Até agora, o comércio entre o Mali e a Mauritânia tem sido bastante fraco. Esta é, portanto, uma oportunidade para dinamizá-los e diversificar as ofertas do lado do Mali, um país sem litoral mas que faz fronteira com 7 países, dois dos quais não são da CEDEAO (Mauritânia e Argélia) e um Estado (Conacri) suspenso do órgão regional.

Convidado para a Rádio Democracia da África Ocidental (Wadr), o operador económico Cheikh Oumar Sakho recorda que os malianos estavam habituados ao porto de Abidjan. Quando houve a crise na Costa do Marfim, voltaram-se para o porto de Dakar. “Se houver um embargo que nos impeça de ir ao porto do Senegal, vamos recorrer ao porto de Conacri”, promete.

Admite, no entanto, que há uma diferença entre o porto de Dakar e o de Conacri, devido a “muitas montanhas” na estrada na Guiné. "Mas assim que nos acostumarmos com essas montanhas, o problema será resolvido", tempera.

De acordo com Sakho, os operadores malianos que transportaram mercadorias para o porto de Dakar e Abidjan estão a estudar como fretá-las para os portos de Conacri, Nouakchott e Argel. “A partir de agora, todas as encomendas que vamos fazer passarão pelos portos da Guiné, Argélia e Mauritânia”, assegura-nos.

fonte: seneweb.com

ANGOLA: A CULPA NÃO É DA CHUVA.

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O novo comandante-geral da Polícia Nacional (do MPLA), Arnaldo Manuel Carlos, aponta a elevação do sentimento de segurança das populações como uma das prioridades. Mal seria se apontasse algo diferente. O problema não está no diagnóstico, está – há 46 anos – na medicação. Quando chove dentro de casa, o problema não é a chuva…

Ao falar à Imprensa (sem perguntas previamente enviadas) depois de ser empossado nas funções, pelo Presidente da República, João Lourenço, Arnaldo Carlos disse que a concretização desse desiderato vai passar por fazer, primeiro, uma breve avaliação, para determinar as preocupações, situações e oportunidades que favoreçam o combate ao crime.

“A nossa missão será combater o crime, no sentido de elevar a segurança das populações”, prometeu, referindo que o diagnóstico vai ajudar a determinar onde reside a maior incidência do problema. Ou seja, vai fazer o que até agora bestial Comandante, Paulo de Almeida, não fez, seja por incapacidade própria ou por ordens superiores.

O novo comandante-geral da Polícia Nacional ressaltou que o asseguramento das eleições faz, igualmente, parte da lista das prioridades. “Pois, como sabemos, o calendário político indica que este ano teremos eleições e a Polícia estará empenhada com os órgãos afins, no sentido de garantir que todos os actos que constem do calendário político sejam exitosamente realizados”, frisou.

O Presidente da República assegurou apoio ao novo comandante-geral da Polícia Nacional, para a concretização das metas traçadas. “Garantimos que estaremos ao seu lado e vamos lhe prestar toda a ajuda necessária, para que possa cumprir, com sucesso, a sua missão”, salientou João Lourenço.

Embora não se conheça a opinião do Presidente do MPLA nem do Titular do Poder Executivo sobre esta matéria, é de crer que corroboram as garantias de João Lourenço.

João Lourenço afirmou que espera de Arnaldo Manuel Carlos o cumprimento da missão, que o despacho e o acto de posse lhe conferem, com brio, profissionalismo e de forma competente. Lembrou, na ocasião, que cabe ao Estado (no caso ao MPLA) a responsabilidade de garantir que os cidadãos exerçam, em liberdade, os direitos que a Constituição e a lei lhes confere, mas sublinhou, também, que cabe ao mesmo Estado a responsabilidade de garantir a ordem pública e a tranquilidade.

“E, para isso, concorrem diferentes órgãos, entre os quais a Polícia Nacional”, aclarou João Lourenço, não fosse Arnaldo Carlos ser tentado a pensar que o Estado é uma coisa e o MPLA outra.

“ASSALTOS VIOLENTOS” (E IMPUNES) À IGREJA CATÓLICA

A Igreja Católica angolana tem registado, de “modo dramático, assaltos violentos” às suas instituições, nos últimos meses, lamentando a “ausência de resposta” das autoridades policiais que, no seu entender, “encoraja os assaltantes”, noticiou o Folha 8 no dia 20 de Dezembro. Provavelmente, parafraseando João Lourenço, a “ausência de resposta” da Polícia é… relativa.

A preocupação foi manifestada pelo arcebispo de Luanda, Filomeno Vieira Dias, que em declarações à Rádio Ecclesia – Emissora Católica de Angola -, denunciou dois assaltos ocorridos em duas instituições católicas da província de Malanje, em que as religiosas foram agredidas.

A Paróquia da Nossa Senhora de Guadalupe e a Casa das Madres da Congregação das Irmãs de São João Baptista, ambas na província de Malanje, foram assaltadas nos dias 14 e 18 de Dezembro, respectivamente.

“O que nos preocupa é o suceder contínuo de assaltos às casas religiosas, não obstante as nossas denúncias, os denunciados sentem-se estimulados, sentem-se encorajados a prosseguir nas suas práticas, como que vingando-se ou desforrando-se das denúncias que fomos fazendo”, afirmou o arcebispo à rádio católica angolana.

Antes, a 7 de Outubro, os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestaram preocupação com o alto nível de criminalidade e de insegurança no país, que atingiu no último ano mais de 60 instituições da Igreja Católica. A inquietação foi expressa por Filomeno Vieira Dias, à data presidente da CEAST.

“Nos últimos meses, após os nossos pronunciamentos, em Outubro, voltámos a registar de modo dramático assaltos violentos a casas religiosas”, disse Filomeno Vieira Dias, arcebispo metropolita de Luanda, lamentando a falta de resposta policial.

“Registámos aqui em Luanda, na Casa das Médicas de Maria, em Viana, registámos na Casa dos Missionários do Verbo Divino, onde um padre foi baleado e outros foram torturados e agora temos um novo caso em Malanje com as missionárias de São João Baptista, no bairro da Carreira do Tiro”, notou.

Segundo o prelado católico, em Malanje, as freiras foram “amarradas e depois ameaçadas que lhes seriam cortados os dedos com uma catana, caso não entregassem os pertences: É-nos de facto bastante confrangedor ver que isto tudo acontece”.

“E faz-se recurso às autoridades, aos serviços de ordem e segurança e não há respostas, parece que essas pessoas são até animadas, estimuladas à prosseguirem nessa direcção, como que dizendo agora hão-de sentir, isto é de todo lamentável e de todo condenável”, referiu.

A Polícia angolana regista “escassez de recursos humanos e técnicos” para dar resposta às preocupações de segurança pública nas 18 províncias do país, reconheceu o então comandante-geral da Polícia Nacional de Angola (PNA), Paulo de Almeida, referindo que a corporação contava com cerca de 100 mil efectivos, um número que esperava ver duplicado até 2025.

Agora, certamente com mais tempo disponível, Paulo de Almeida continuará a escrever o seu “best-seller” onde compila as suas emblemáticas anedotas. No passado dia 6 de Outubro garantiu que, apesar de algumas ocorrências criminais registadas e mediatizadas na comunicação social, “Angola é um país seguro para todos os cidadãos”.

Falando na reabertura do ano lectivo 2021/2022, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais, Osvaldo Serra Van-Dúnem, o então comandante Paulo de Almeida referiu que a Polícia Nacional registou nos últimos tempos a preocupação de vários cidadãos sobre as condições de segurança pública no país, pelo facto de se terem realizado “duas ou três acções” protagonizadas por marginais, que foram mediatizadas nos órgãos de comunicação social.

Paulo de Almeida considerou que, apesar dessas ocorrências, as cifras criminais não abalaram a estabilidade do país, na medida em que todas as instituições públicas e privadas funcionam com normalidade, existindo livre circulação de pessoas e bens, assim como estão garantidos os direitos e liberdades dos cidadãos.

Segundo Paulo de Almeida, o mau uso das redes sociais tem levado alguns cidadãos “de má-fé” (provavelmente ligados à Oposição) a divulgarem mensagens com a intenção de descredibilizar o estado de segurança do país, criando sentimento de insegurança e desencorajamento do investimento estrangeiro em Angola.

Deve ter sido por isso que, em comunicado de imprensa, apresentado pelo bispo de Cabinda e porta-voz da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé), Belmiro Chissengueti, os bispos manifestaram-se preocupados com o “aumento dos níveis de insegurança um pouco por todo o país”, onde as instituições religiosas “não são poupadas”.

Em relação aos assaltos, disse, o país vive nas cidades, “sobretudo em Luanda, situações de segurança bastante graves, os assaltos multiplicaram-se”.

“E claro que essa multiplicação de assaltos obriga-nos a tomar uma palavra, até porque duas das nossas instituições foram assaltadas durante a nossa plenária. Portanto, o que pedimos é que a polícia tenha capacidade de mobilidade para poder fazer a cobertura naquilo que toca à sua responsabilidade”, referiu Belmiro Chissengueti.

Quanto ao histriónico comediante e ex-comandante-geral da Polícia Nacional disse que a corporação está determinada em prevenir e combater o crime e não vai tolerar actos de desordem e desrespeito aos símbolos nacionais, vandalismo de bens públicos ou privados.

Lembrou que nenhum país tem um sistema de segurança plena, absoluta, total e omnipotente, “daí a necessidade dos cidadãos, instituições e organismos participarem nas questões de segurança nacional, começando com a prevenção nas famílias, na comunidade, escolas e igrejas”.

fonte: folha8

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Angola: PRESIDENTE, “LIVRE-SE DOS BAJULADOES”.

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Vez por outra, surgem aqui nas redes sociais vozes que sugerem que falar do Presidente João Lourenço deveriam ser um direito exclusivo deles – eles, os bajuladores profissionais. Sou cidadão angolano, no uso de todos os meus direitos constitucionalmente consagrados. Por isso, assiste-me, também, o direito de falar sobre e do Presidente do meu país.

Por Graça Campos (*)

Goste-se ou não dele, o cidadão João Lourenço é o Presidente deste país e não chegou ao posto por via de golpe de Estado ou de outro expediente menos recomendável.

Como cidadão consciente, sinto-me incomodado que o Presidente do meu país se torne alvo da chacota popular; não me sinto à vontade que o Q.I. do presidente do meu país seja equiparado a determinada quantidade de kilobytes.

Mas sinto-me ainda mais incomodado quando um chefe de Estado estrangeiro vaja ao nosso a bordo de um voo comercial de uma aeronave da nossa companhia aérea de bandeira.

Incomoda-me que, com esse gesto, o Presidente Marcelo de Sousa Rebelo esteja a “dizer” ao Presidente João Lourenço que ninguém apanha sarna por viajar num avião da TAAG.

Incomoda-me que um Chefe de Estado estrangeiro “diga” ao nosso Presidente que chegou a Luanda são e salvo transportado pela companhia aérea nacional.

Como cidadão atento, estou a par de informações que atribuem ao Presidente João Lourenço alguma intolerância à opinião contrária; como cidadão avisado deste país vejo reacções algo rudes do Presidente da República a algumas críticas.

Como cidadão atento deste país, registo que o Presidente da República já engavetou compromissos como o de combater a bajulação e que já sucumbiu “às delícias” do elogio interesseiro.

Como cidadão deste país registo, com crescente preocupação, que o Presidente João Lourenço cada vez mais se afunda no mesmo ardil que coisificou o seu antecessor, fazendo dele propriedade de uns poucos.

Como cidadão, é com crescente inquietação que registo o crescente distanciamento do Presidente da República do cidadão comum.

Como cidadão que tem os olhos bem abertos, vejo que o Presidente João Lourenço está a deixar-se conduzir pelos mesmos caminhos de endeusamento e que convenceram o seu antecessor de que sabedoria, clarividência e outras eram virtudes exclusivas suas.

Como cidadão atento, admito que o Presidente João Lourenço não esteja a fazer o suficiente para se distanciar dos aduladores profissionais. Que não esteja a fazer o bastante para reprimir a tentação para a arrogância de que começa a dar sinais preocupantes.

Como cidadão avisado que sou, sei que nem todos os “pecados” em que o Presidente está a incorrer, com cada vez mais frequência, decorrem, apenas, da sua pouca tolerância para com ideias contrárias ou do seu deslumbramento com o (excessivo) poder.

O Presidente da República está rodeado de auxiliares que lhe cavam a cova à vista de todos.

Por exemplo, contemplar no Orçamento Geral de Estado ao Projecto Nascer para Brilhar verba infinitamente superior ao programa de luta contra a malária e a malnutrição dá ao Presidente da República a imagem de alguém que desconhece, em absoluto, a realidade do país. Além de que dá do Presidente da República a imagem de um fervoroso adepto e praticante do nepotismo.

O Projecto Nascer para Brilhar, vale a pena lembrar, é encabeçado pela esposa do Presidente da República.

Quem teve a “brilhante” ideia de sobrepor as necessidades financeiras do Nascer para Brilhar às dos programas de luta contra a malária e a malnutrição prestou mau serviço ao Presidente da República.

Quem convence o Presidente da República de que ir ao Kwanza Norte por estrada implica risco de vida presta-lhe muito mau serviço. A viagem de avião impede o Presidente da República do contacto com (esburacadas) estradas por que circulam os seus concidadãos.

A viagem de avião tira do ministro da Construção e Obras Públicas a pressão que sentiria se o Presidente da República tomasse contacto directo com as crateras por onde se contorcem os cidadãos.

Avisar com meses de antecedência governadores provinciais sobre as visitas do Presidente da República impede que ele tome contacto com a realidade. Permite que os governadores anfitriões maquilhem a realidade.

A nomeação de pessoas falecidas ou de arguidos em processos judiciais não pode ser apenas atribuído a uma qualquer casmurrice do Presidente da República. Isso resulta de falhas dos seus auxiliares.

É “trabalho” de gente para quem é mais cómodo deixar que o Presidente se espatife por completo do que alertá-lo para a iminência do choque.

Pensam exclusivamente nos seus interesses, na manutenção dos seus tachos, aqueles que, estando ao lado do Presidente, são incapazes de lhe dizer, por exemplo, que é prova de má governação a sucessiva adjudicação, sem concurso, de empreitadas públicas a um mesmo grupo empresarial.

Como cidadão, intriga-me que o Presidente do meu país viaje ao estrangeiro em luxuosas aeronaves alugadas, quando a TAAG tem aeronaves a “apodrecerem de ócio”.

Como cidadão, intriga-me que o Presidente do meu país ainda não se tenha dado conta que está rodeado de muitos amigos da onça.

Como cidadão, intriga-me que o Presidente da República, praticante de xadrez, se deixe manietar, ao ponto de hoje ser praticamente refém de um pequeno grupo de pessoas que, como no passado recente, depois de condicionarem José Eduardo dos Santos, privatizaram o Estado em seu benefício.

Intriga-me que o Presidente João Lourenço se comova com a cantoria de candidato único, ele que prometeu reformas para quebrar hábitos e costumes de velhos partidos comunistas.

Intriga-me que o Presidente dê crédito a escritos laudatórios num momento em que não há rumo a encorajar ou vitórias a celebrar.

O Presidente deveria duvidar da honestidade daqueles que lhe gabam a condução num momento em que a nau está completamente desgovernada.

Aqueles que, seja no Ministério das Finanças, seja no Ministério da Saúde articularam para que fosse atribuído ao projecto da primeira-dama verba superior à do Governo destinada a combater a malária e a malnutrição agiram no interesse próprio. Essa opção nada tem de engrandecedor para o Titular do Poder Executivo.

Aqueles auxiliares que disseram ao Presidente da República que seria péssima ideia autorizar o poiso, ontem, em Luanda, de uma aeronave que, seguramente, tinha a bordo angolanos que regressavam ao seu país, deram de João Lourenço a imagem de um monstro insensível.
Doravante, o Presidente de Angola será visto no mundo e, sobretudo na África Austral, como um homem que virou costas a seus próprios compatriotas.

No dia em que, como ensina Barack Obama, João Lourenço livrar-se dos bajuladores e chamar para junto de si pessoas que lhe avisem quando erra, seguramente Angola ganhará um outro Presidente da República.

(*) In Correio Angolenses

Imagem: Folha 8

ANGOLA: “A REGRA DA NÃO-LEI”.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


O início do julgamento do empresário luso-angolano Carlos de São Vicente, que – segundo os seus advogados – “se encontra ainda preso em Angola após ultrapassados todos os prazos legais para a sua prisão preventiva”, foi finalmente marcado para o próximo dia 26 de Janeiro, na 3ª Seção Criminal do Tribunal da Comarca de Luanda.

Vejamos, na íntegra, a argumentação dos seus advogados, sob o título “O caso de Carlos São Vicente : A Regra da Não-Lei”:

«Não há Estado Democrático de Direito sem respeito pelos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos; naufraga o Estado Democrático de Direito quando a primazia da Lei se curva perante interesses estranhos à realização da justiça; presenciamos o Estado de não-Direito quando as instituições jurisdicionais são subservientes ao poder político.

O caso em que é arguido Carlos São Vicente, é o epítome do aviltamento das garantias constitucionais dos arguidos.

Carlos São Vicente é inocente; criou riqueza com o exercício de uma actividade que exerceu legalmente; todas as aquisições, proveitos, custos e resultados estão comprovados nas Contas Auditadas por auditores idóneos ao longo de 20 anos; está documentalmente comprovado; o seu caso é a crónica kafkiana de uma condenação anunciada.

Ilustram-se aqui somente algumas das irregularidades legais que no processo contra Carlos São Vicente vêm ocorrendo.

Prisão preventiva sem fundamentação

O despacho de indiciação, que determinou a prisão preventiva de Carlos São Vicente em 22 de Setembro de 2020, não busca fundamento em factos concretos, como a lei exige, mas em abstracções e enganosas conclusões.

Não menos importante é que a prisão preventiva foi decretada pela PGR, a mesma entidade que cerca de mês e meio antes, no final de intensiva investigação, concluiu e comunicou às autoridades suíças que Carlos São Vicente não havia cometido qualquer crime. Entre essa investigação e o decretamento da prisão preventiva, não houve nenhuma nova investigação.

Desprezo pela saúde e risco de vida do arguido

Carlos São Vicente tem mais de 60 anos de idade e é portador de várias doenças crónicas que requerem especiais cuidados e o coloca-a em alto risco de Covid-19. Desde o início da sua prisão preventiva teve várias crises hipertensivas (tensão arterial superior a 180/110) com elevado risco de morte ou de AVC. Nunca foi medicamente assistido durante essas crises. Nunca recebeu assistência médica adequada durante essas crises.

O respeito pela saúde e pela vida sobrepõe-se à conveniência da prisão preventiva de um qualquer arguido. Mesmo assim, os tribunais, nas diferentes instâncias, sempre se mostraram indiferentes ao seu grave estado de saúde.

Intimidação?

No dia 6 de Outubro de 2020, ou seja, duas semanas após a sua prisão, Carlos São Vicente recebeu a inesperada visita, na cadeia, de dois procuradores do Serviço Nacional de Recuperação de Activos. Os seus advogados não tinham sido notificados e por isso não podiam estar presentes. É absolutamente proibido, e é extremamente grave, que sejam praticados actos desta natureza sem que o arguido tenha a possibilidade de estar acompanhado pelo seu advogado.

Qual o motivo da visita, de surpresa e sem advogados presentes?

Nessa visita Carlos São Vicente recusou entregar os seus bens ao Serviços Nacional de Recuperação de Activos. Essa será certamente a razão de ainda estar preso e de tantas ilegalidades contra ele terem sido cometidas.

Excesso de prisão preventiva

O prazo legal de prisão preventiva até ao julgamento é de 12 meses; pode ser prorrogado por mais 2 meses, quando se trate de processo de excepcional complexidade. E foi, de facto, prorrogado por esses dois meses, não obstante a investigação ter sido rudimentar e não justificar a prorrogação. Contados esses 14 meses, o prazo de prisão preventiva terminou em 22 de Novembro de 2021. Nos termos da lei, a sua libertação imediata era absolutamente imperativa, mas não ocorreu, mesmo tendo havido vários requerimentos nesse sentido apresentados logo no dia 23 de Novembro.

Além disso, os tribunais de jurisdição comum que estavam obrigados a pronunciar-se sobre esses pedidos, simplesmente os ignoraram, em clara denegação e obstrução da justiça.

Pelo menos até final do ano, decorridas cerca de seis semanas de excesso de prisão preventiva, permanece o silêncio daqueles tribunais.

Campanha mediática promovida contra o arguido

No dia 22 de Setembro de 2020, o despacho de prisão preventiva foi dado a conhecer pela PGR a órgãos de comunicação social, que a divulgaram imediatamente, ainda antes de notificado a Carlos São Vicente e aos seus advogados (os advogados tomaram conhecimento através dessas notícias).

Nas semanas e meses seguintes o seu caso foi objecto de intensa propaganda nos órgãos de comunicação social de capitais públicos; o processo contra Carlos São Vicente entrou no grupo de crimes praticados pelos denominados “marimbondos”; um canal da televisão pública dedicou-lhe um programa em que pretensamente apresentava prova dos seus crimes. O único jornal público com tiragem diária publicou uma lista de bens “recuperados” pelo Estado, incluindo os bens que se encontravam apreendidos neste processo.

Vários procuradores e o próprio Procurador Geral da República, fizeram declarações públicas no sentido da atribuição ao arguido dos crimes de que estava indiciado.

Confisco dos bens sem julgamento (antecipação da condenação)

Como é do conhecimento público, muitos imóveis de Carlos São Vicente ou de sociedades suas foram apreendidos; pouco depois começaram a ser distribuídos, a título definitivo, mediante instruções da PGR, por vários Ministérios e outros órgãos do Estado. Esta distribuição pressupõe uma condenação prévia. Como ainda não se realizou o julgamento, essa distribuição significa que já foi tomada a decisão de condenação. Está em causa o princípio da presunção da inocência dos arguidos, garantia com assento constitucional e nos tratados internacionais, chocantemente violado.

O mesmo se passou com acções de uma sociedade pertencentes a Carlos São Vicente: após a sua apreensão, o depositário nomeado apressou-se a tornar público o destino definitivo dessas acções, assumindo que já pertenciam ao Estado.

A apropriação ilícita do uso de bens apreendidos constitui crime

As instruções para esse fim foram dadas pela PGR, mesmo quando o processo se encontrava já sob a alçada de um tribunal, ou seja, sem competência para esse efeito. Entretanto, o tribunal competente decidiu ignorar as ilegalidades que vêm sendo cometidas relativamente ao património de Carlos São Vicente apreendido, deixando de exercer as suas próprias competências. Afinal, como poderia o tribunal justificar a apropriação desses bens pelo Estado, sem desfeitear o próprio Estado?

Destruição de património

O fiel depositário dos imóveis apreendidos tinha (e tem) como único dever e responsabilidade zelar pela sua conservação. O que nunca fez, tendo-os deixado abandonados durante meses. Entretanto, preocupou-se, nos termos de instruções recebidas da PGR, em distribuir esse património.

A maior rede hoteleira do país com unidades em todas as províncias, constituída pelos hotéis IU e IKA, na qual Carlos de São Vicente, através de uma das suas sociedades, fez um colossal investimento, começou a definhar. Os fornecedores deixaram de ser pagos, as unidades hoteleiras deixaram de prestar os serviços normais, levando a que muitas delas tivessem encerrado e outras continuado a trabalhar somente em serviços mínimos, com avultadas perdas de exploração.

Muitos das centenas de trabalhadores dessa rede hoteleira já não eram pagos e perderam o emprego, deixando muitas famílias na miséria.

A voracidade do Estado esteve concentrada somente na ocupação de imóveis pelo próprio Estado.

Uso de prova proibida

Uma simples leitura da acusação contra Carlos São Vicente permite constatar que ela se baseia fortemente num alegado relatório que tece considerações e conclusões, falsas e inconsistentes, desfavoráveis a Carlos São Vicente. Pois bem, esse relatório não tem data, não tem nome do autor nem qualquer assinatura. É um documento anónimo. Como tal, estatui a lei que o seu uso é proibido; nunca deveria sequer constar no processo e, se passou a constar, deveria ter sido removido.

Sucede que sem esse documento anónimo tão pouco haveria acusação uma vez que ele é a única fonte de muitas inverdades e falsidades relatadas nessa peça.

Em diferentes instâncias os tribunais reconheceram que o documento é anónimo (não haveria como não o reconhecer…) mas, pasme-se, continuam a admiti-lo como prova, esperançados em que alguém venha ainda a assumir a sua autoria (ou, talvez, seja designado para tal…). Qualquer eventual autoria desse documento que possa vir a ser alegada seria uma manobra de branqueamento de prova ilegal.

A verdade é que foi ilegalmente feito uso desse documento anónimo e sem esse uso, não haveria acusação nem julgamento. E Carlos São Vicente não estaria preso.

Limitação grave do direito de defesa

O advogado principal da defesa de Carlos São Vicente foi impedido pelo tribunal de o representar no processo. Razão para isso?

Antes de mais, quaisquer que fossem as razões, o tribunal não tem competência para limitar a escolha do arguido. Em segundo lugar, os factos invocados pelo tribunal constituem actos próprios de advocacia praticados (há quase 20 anos!!) pelo advogado em questão, conforme já reconheceu o Conselho Provincial de Luanda da Ordem dos Advogados de Angola.

O recurso interposto dessa decisão não foi apreciado imediatamente, tendo o tribunal de recurso remetido essa decisão para o final do processo. Ou seja, todo o processo decorrerá sem o advogado escolhido em primeira linha por Carlos São Vicente, viciando todo o seu decurso e impedindo-o de se defender pela forma que pretende.

Privação de meios de subsistência e de assistência

Num Estado Democrático de Direito não se recusam aos arguidos os meios próprios necessários para fazerem face às necessidades pessoais e do seu agregado familiar, como sejam despesas domésticas (alimentação, energia, água) e de saúde (no caso presente houve já necessidade de custear despesas de internamento do arguido e de uma pessoa do seu agregado familiar). Por outro lado, deve ser assegurado ao arguido o uso dos recursos próprios na medida do necessário para custear a sua própria defesa, designadamente os honorários de advogados e outros custos associados. O arguido teve já que recorrer a empréstimos para suprir algumas dessas necessidades.

Recusar o acesso a fundos próprios para custear gastos da natureza dos descritos significa não só recusar o direito à dignidade e sobrevivência do arguido, como implica privá-lo de se defender pela forma que considera melhor para si.

A esta lista de violações flagrantes da lei e da Constituição da República de Angola poder-se-ia juntar muitas outras: a acusação por crimes prescritos e por crimes amnistiados, a aplicação retroactiva de leis, a falta de fundamentação de despachos e até mesmo a falta de despacho sobre vários requerimentos, entre outras.

Nunca, na história de Angola, foi a lei tão vilipendiada num processo judicial; não por acaso, acontece numa época de grave crise social e económica, em que o poder está fragilizado pela contestação da sociedade civil; não por acaso, acontece quando se avizinham eleições em que o governo estará sujeito ao escrutínio público e necessita de “troféus” para aumentar a sua popularidade junto dos martirizados cidadãos.

A condenação de Carlos São Vicente foi anunciada ao serviços de que interesses?

Cui bono?»

folha8

"Mali continua aberto ao diálogo com a CEDEAO".

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Sanções impostas pela CEDEAO já se fazem sentir no Mali. Presidente de transição, Assimi Goïta, lamenta a "natureza ilegítima de certas decisões", mas garante que continua disponível para dialogar.

Esta segunda-feira (10.01), companhias aéreas dos países vizinhos, incluindo a Costa do Marfim e o Senegal, cancelaram voos para o Mali, após o bloco regional ter decretado o encerramento das fronteiras malianas aos países-membros. Fora da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Air France também já anunciou que não poderá garantir voos para Bamako "devido a tensões geopolíticas regionais".

As sanções foram impostas no domingo na sequência do prolongamento da transição política, proposto pela junta militar no poder. Incluem ainda a suspensão da ajuda financeira ao Mali, bem como a sua retirada dos mercados financeiros regionais e do comércio de bens não-essenciais, e o congelamento de ativos malianos nos bancos centrais dos Estados-membros.

Chegada de comitiva de coronel Assimi Goïta ao aeroporto de Bamako, em maio de 2021

Em menos de um ano, o Mali foi palco de dois golpes militares

Ainda assim, num discurso à nação transmitido na televisão estatal, o Presidente de transição, coronel Assimi Goïta, mostrou-se disponível para continuar a dialogar.

"Mesmo que lamentemos a natureza ilegítima, ilegal e desumana de certas decisões, o Mali continua aberto ao diálogo com a CEDEAO para encontrar um consenso entre os interesses superiores do povo maliano e o respeito pelos princípios fundamentais da organização", afirmou Goïta.

O líder militar não anunciou quaisquer medidas de retaliação, mas também não apresentou novas propostas para pôr fim à crise política: "Peço-vos que permaneçam calmos e serenos porque fizemos a escolha de forjar o nosso próprio caminho. A CEDEAO assumiu as suas responsabilidades, nós faremos o mesmo".

Críticas à CEDEAO

As novas sanções são uma resposta à intenção do Governo do Mali de prolongar o período de transição até cinco anos, o que significa adiar a data das eleições acordadas entre o poder em Bamako e a organização regional africana para o próximo mês de fevereiro, consideradas um marco na recuperação da legitimidade constitucional após os dois golpes militares em agosto de 2020 e maio de 2021.

O Governo maliano prometeu que vai tentar garantir o fornecimento normal de bens ao público, mas as sanções deverão abalar a economia deste que é um dos países mais pobres do mundo.

Conselho de Segurança das Nações Unidas

Conselho de Segurança da ONU deverá debater a situação no Mali esta terça-feira

Nos mercados de Bamako, no entanto, comerciantes ouvidos pela DW não estão preocupados: "Não tenho quaisquer receios sobre as sanções. Não vejo por que nos devemos preocupar, se os nossos bens podem passar pela Argélia ou Mauritânia. Penso que é agora ou nunca para o Mali deixar a CEDEAO para sempre", afirmou um vendedor.

As críticas à organização regional multiplicam-se: "Criámos a CEDEAO para a compreensão, para uma comunidade homogénea, mas ela age como um clube que trabalha contra o povo da África Ocidental. Não concordamos com estas decisões", disse um residente da capital maliana.

"São sanções muito duras. Isto não nos ajuda a sair da crise", frisou outro.

Esta terça-feira (11.01), a situação no Mali deverá ser debatida no Conselho de Segurança da ONU. O enviado das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel, Mahamat Saleh Annadif, já "felicitou a CEDEAO pelo seu envolvimento ativo" na crise.

França, por sua vez, manifestou na ONU o seu total apoio às sanções impostas no domingo, enquanto a Rússia pediu compreensão para a junta militar no poder em Bamako.

fonte: DW África

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