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quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Repressão dos protestos e detenções de manifestantes no país de Tshisekedi: a RDC está a dançar sobre um vulcão.
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A pedido da coligação C64, cidadãos congoleses saíram às ruas em várias cidades da República Democrática do Congo (RDC), incluindo Kinshasa, no dia 15 de Setembro, para manifestar a sua oposição ao terceiro mandato do Presidente Félix Tshisekedi. Mas, como era de esperar, a manifestação foi violentamente reprimida e numerosos manifestantes foram detidos. Isto ilustra a crescente tensão social no país de Félix Tshisekedi. Mas, como se costuma dizer, quebrar o termómetro não fará baixar a febre. Prova disso reside no facto de, apesar da intimidação, os manifestantes terem mantido as autoridades a dormir. Isto demonstra a determinação do povo congolês em bloquear o caminho para um terceiro mandato do ocupante do Palácio Presidencial.
A oposição está a demonstrar responsabilidade ao não fazer justiça pelas próprias mãos.
Ele também parece determinado a levar isto até ao fim. Em todo o caso, nem a oposição nem o governo de Kinshasa parecem dispostos a recuar. Por conseguinte, há receios de que os próximos dias sejam ainda mais sangrentos na RDC. De facto, tudo indica que a situação corre o risco de se agravar ainda mais. Em vez de dialogar, o governo parece optar pela repressão sistemática das manifestações, perante uma oposição que também endurece a sua posição. Isto torna-se ainda mais provável tendo em conta que a coligação C64 promete levar o caso a tribunais nacionais e internacionais para responsabilizar Tshisekedi e o seu governo pelas suas acções, especificamente pela violência perpetrada pelas forças de segurança contra os manifestantes. Será que terão sucesso? Duvidamos muito. O nosso cepticismo é ainda maior porque, na nossa região, raramente vimos um tribunal nacional pronunciar-se contra o poder vigente. E não é na RDC, onde o poder judicial é acusado de estar ao serviço do regime de Tshisekedi, que haverá qualquer excepção. Mesmo que, por alguma circunstância extraordinária, um tribunal internacional se pronuncie a seu favor, com que meios a oposição faria valer a decisão? Por outras palavras, Martin Fayulu e os seus colegas estão a travar uma batalha perdida. Contudo, a oposição não pode ser culpada por escolher o caminho republicano para se fazer ouvir. Pelo contrário, deve ser elogiada, pois demonstra responsabilidade ao não fazer justiça pelas próprias mãos. Posto isto, até onde irá o impasse entre o governo e a oposição? Seria preciso muita perspicácia para responder a esta questão. Entretanto, é seguro dizer que a RDC está à beira do desastre, dado o aumento da tensão. Sem querer ser pessimista, questiona-se se o futuro do diálogo nacional, destinado a reconciliar o povo congolês, não estará por um fio. Ainda assim, a deterioração do clima social não inspira optimismo irrestrito. Dado que o M23/AFC (Aliança do Rio Congo) já está excluído deste diálogo, se a oposição, que está a sofrer o impacto dos ataques do governo, decidir boicotá-lo, com quem irá, afinal, Félix Tshisekedi dialogar?
fonte: lepays.bf
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Samuel