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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Mali: As eleições legislativas poderão ter lugar nas datas de 24 de novembro e 15 de dezembro.

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Le Premier ministre malien Oumar Tatam Ly, le 6 septembre 2013 à Bamako.
O Primeiro ministro maliano Oumar Tatam Ly, em 6 setembro de 2013 em Bamako. © AFP

Em uma reunião com os líderes dos partidos políticos do Mali, o primeiro-ministro Oumar Ly Tatam, avançou a data de 24 de novembro e 15 de dezembro para a organização das eleições. Datas consideradas prematuras por alguns e ainda a ser confirmadas pelo Conselho de Ministros.
Tatam Oumar Ly, o recém-nomeado primeiro-ministro pelo presidente Ibrahim Boubacar Keita, reuniu-se na segunda-feira 16 de setembro, em Bamako, com líderes de uma dezena de partidos políticos representados na Assembleia Nacional sobre várias questões. Neste encontro, notadamente ele discutiu a organização de eleições legislativas.
De acordo com fontes confiáveis, o primeiro-ministro informou aos seus interlocutores o desejo de Bamako que é de organizar o primeiro turno das eleições em 24 de novembro e a segundo em 15 de dezembro. Ele também observou que esse cronograma deverá ser apresentado em breve ao Conselho de Ministros.
Segundo um dos responsáveis políticos recebidos por Tatam Oumar Ly, alguns representantes expressaram reservas sobre o calendário, dizendo que primeiro deveria-se a partida tirar lições da organizada presidencial em dois turnos - 28 de julho e 11 de agosto - antes de fixar as novas datas de eleições.

FDR "preocupado"
Em um comunicado divulgado terça-feira, a Frente Unida para a salvaguarda da democracia e da República (FDR coalizão de partidos e movimentos que se opuseram ao golpe de Estado de 22 de março de 2012) afirma que o primeiro-ministro recebeu segunda-feira, os partidos representados na Assembleia Nacional" para informá-los que o governo vai estabelecer, em sua reunião na quarta-feira 18 de setembro, quando será a próxima legislativa. "
Neste artigo assinado pelo seu Vice- Presidente, Youssouf Traore, o FDR disse que estava " preocupado" por essa decisão de fixar unilateralmente" a data das legislativas sem nenhuma consulta à classe política". Ele "ficou surpreso com o novo governo, recém-empossado, que decidiu ignorar as conclusões" de uma reunião realizada em 22 de agosto pelos partidos políticos, que, em seguida, e de acordo com ele, " solicitados por unanimidade, que as datas das leis sejam fixadas após avaliação completa da eleição presidencial. "
A eleição presidencial era originalmente para ser realizada em conjunto com a legislativa por parte das autoridades de transição instaladas após o golpe militar de 22 de março de 2012 contra Amadou Toumani Toure. A idéia de uma cédula acoplado foi então abandonada, sem uma nova data para as eleições parlamentares.
Para a eleição presidencial, cerca de 6,9 ​​milhões de eleitores foram chamados a votar , que acabaram elegendo o Ibrahim Boubacar Keita ( IBK ), que foi empossado em 4 de setembro último.

( Com AFP)



terça-feira, 17 de setembro de 2013

Jovens angolanos vão protestar apesar do não da polícia.

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Polícia de Luanda proibiu manifestação marcada para dia 19 de setembro contra José Eduardo dos Santos. Ainda assim, jovens garantem que vão sair à rua. Autoridades ameaçam "tomar medidas necessárias".

Uma manifestação em março de 2012, em Benguela, também contra o governo do MPLA

Numa inédita reunião, no início da noite de segunda-feira (16.09), a polícia de Luanda chamou o grupo de jovens que pretende sair à rua esta semana em protesto contra o presidente de Angola para anunciar o seguinte: “Já não há manifestação e, se houver, a polícia vai tomar as medidas necessárias”.

As palavras não convenceram os jovens que afirmaram à DW que, mesmo assim, com intimidações, vão levar a cabo a marcha. Entretanto, continua na cadeia um jovem manifestante de 17 anos anos acusado pela polícia de incitamento à guerra.
Jovens prometem: "Vamos elevar níveis de luta"

O comandante provincial da polícia nacional, Comissário António Maria Sita, disse a oito membros do Movimento Revolucionário que, por ordens superiores, a manifestação está cancelada. Os motivos são "a não legalização dos promotores, a hora e o local da sua realização".
Ação policial em manifestação em Benguela, em 2012, também contra José Eduardo dos Santos
No fim deste encontro, em que a imprensa foi convidada a retirar-se, um dos membros do movimento, Gaspar Luamba, disse à DW que a solução é enveredar por vias alternativas. Ou seja, manifestações constantes, durante este mês de setembro, mesmo sem autorização oficial. "O aspeto principal da nossa luta é a injustiça que há no nosso país", explica Luamba. "E vamos seguir por outras vias. De certeza que vamos elevar os níveis de luta", garante.

As reivindicações são as mesmas, mas alguns dos atores são diferentes. Segundo a organização, a manifestação será pacífica e muitos dos intervenientes pretendem levar inclusivé as suas crianças. Uma carta será publicada, cujo destinatário é o presidente José Eduardo dos Santos.
Os seus 34 anos no poder, a serem completados no próximo dia 21, a alegada corrupção, falta de apoio às vítimas da seca, a repressão policial e muito mais fazem parte do rol de preocupações.
Caça aos membros do Movimento Revolucionário

Numa conferência de imprensa, ainda antes da reunião com a polícia, os manifestantes afirmaram que há uma autêntica “caça às bruxas” nos bairros periféricos de Luanda. Alguns deles estão a ser vigiados por elementos à paisana e outros terão recebido algumas chamadas à Direcção Nacional de Investigação Criminal para prestarem declarações, num clima de autêntico medo em Luanda.

"O regime de José Eduardo dos Santos, com a cumplicidade do ministro do Interior, está a agilizar um plano macabro - que já começou, com a detenção do Nito Alves - de sequestrar alguns membros do Movimento Revolucionário, três dias antes da realização da manifestação", afirma Gaspar Luamba, acrescentando que "também se vai cadastrar, perseguir e criar obstáculos a jornalistas que fizerem a cobertura do protesto".

A manifestação prevista para o dia 19 de Setembro tem ainda como base o lançar de um alerta ao mundo, sobre as situações que Angola vive, nomeadamente a pobreza, numa altura em que milhões de dólares são gastos para a competição.
Tortura e negação de advogado no caso Nito Alves
Membros da Juventude Patriótica de Angola protestam contra irregularidades no processo eleitoral, em 2012
Num desenvolvimento paralelo, continua sob custódia policial o menor de 17 anos detido sexta-feira (13.09) por ter mandado imprimir duas camisolas que seriam utilizadas na manifestação do dia 19 de Setembro contra o presidente da Republica, José Eduardo dos Santos. Nas camisolas brancas podia ler-se “Quando a guerra é necessária e urgente” e “Ditador nojento”. A DW apurou que o rapaz, conhecido por NIto Alves, sofreu maus-tratos no fim-de-semana. Esta segunda-feira, foi-lhe negada qualquer visita de um advogado.

O porta-voz da polícia nacional, Comissário Aristófanes dos Santos, disse à imprensa pública que os dizeres são imperdoáveis, pois visam promover a guerra em Angola, considerando que "uma pessoa que utiliza estes dizeres que atentam contra o mais alto magistrado da nação, é uma pessoa que comete atos de delinquência".
fonte: DW


Senegal: O Presidente Macky Sall apresenta a bandeira aos "Leões" - "Vocês têm todas as qualidades para vencer o Afrobasket".

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Partindo para 23º Afrobasket feminino, a equipe nacional de basquete recebeu ontem, a bandeira nacional das mãos do presidente Macky Sall. Uma oportunidade para os " Leões " se comprometerem a defender dignamente as cores do Senegal em Maputo, Moçambique.

É o mesmo protocolo para cada campanha africana das equipes nacional de basquete do Senegal. Das mãos do Presidente da República, o " Liões" receberam ontem, a bandeira nacional para exibição em Maputo. O compromisso é o mesmo, isto é, "defender até a última energia a bandeira do Senegal ". Um compromisso solene com o capitão Aya Traore em nome de seus companheiros que também disseram que " é com grande orgulho e honra que recebem a bandeira nacional das mãos do Presidente da República. " Para esta campanha, a 27 ª edição do Afrobasket feminino em ( Maputo, Moçambique, de 20 a 29 de Setembro), o presidente Macky Sall pediu aos " Leões " para " prevalecer o rigor, disciplina e solidariedade que são virtudes cardeais de qualquer atleta de alto nível . " " Tenho certeza de que vocês tem todas as habilidades técnicas, táticas, mas também uma experiência vital que pode ajudá-los a conquistar o título continental. Exorto-vos a se concentrar em seu único objetivo que é ganhar o troféu continental outra vez ", disse o chefe de Estado. " No panteão da glória do desporto senegalês o basquete ocupa um lugar de destaque. Vossos antecessores, caros " Leões " estarão eles a jogar  sua bela competição nesta grande abertura. Essa geração tem a vantagem de manter a tocha deixada por seus anciãos. Vocês já nos habituaram a vitória. Portanto, a final perdida contra Angola em 2011 em Bamako é considerada um acidente. Nesta nobre missão, tenham a certeza que terão o meu total apoio, do governo e de todos os senegaleses ", referiu o presidente. Assim, além de colocar à vossa disposição o comandante da aeronave para o rali Maputo, o Presidente decidiu fornecer suporte para todos os custos associados a esta experiência. O Chefe de Estado disse sobretudo aos " Leões ", a sua  esperança de "receber de suas mãos o troféu simbolizando a nossa supremacia no basquete Africano".

ENCORAJAMENTO  AOS "LEÕES" DO BASQUETEBOL E DO FUTEBOL

Durante a cerimônia , o presidente Macky Sall encorajou os atletas senegaleses que dignamente defenderam as cores do nosso país através dos vários teatros de operações em África e em todo o mundo. Ele observou, em primeiro lugar, o desempenho do time de basquete nacional dos nossos homens no último Afrobasket em Abidjan, onde ele ficou em terceiro .

O presidente também expressou seu apoio e incentivo para a equipe nacional de futebol que se prepara a fase final das eliminatórias da Copa do Mundo de futebol e da praia, que começará a partir de amanhã, quinta-feira, a Copa do Mundo no Tahiti. Na melhoria do esporte, Macky Sall acredita que o seu compromisso a este nível não sofre nenhuma ambigüidade. "Acontece que eu sou a favor de um processo pensativo, consistente, planejado para mobilizar recursos para o esporte.

Nesta perspectiva, tenho instado o governo a levar a discussão e tomar todas as iniciativas que possam levar ao desenvolvimento e implementação de mecanismos adequados para o financiamento do desporto no nosso país ", disse ele. O presidente também ofereceu, como um apoio, 20 milhões de francos CFA aos " Leões ", e 10 milhões aos suportes de GAINDE 12.

RAMATA DAOU TEM SEU PASSEPORTE SENEGALÊS.

Ramata Daou, a origária do Mali, que queria jogar para a equipe do Senegal, conseguiu a luz verde de presidente da República. Ele assinou o decreto de naturalização, ontem, após a cerimônia da bandeira. Daou foi capaz de receber um passaporte e deve viajar com a equipe nacional. Agora Resta ao treinador Moussa Touré deslocar um jogador para que Ramata Daou de Slbc tenha um lugar no plantel.

Por: O. Ndiaye

fonte: lesoleil.sn

OPINIÃO: REDUNDÂNCIAS…

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II

NÓS, AFRICANOS, NÃO LUTAMOS PELA DEMOCRACIA

“A História está do lado dos bravos africanos - que lutam pela democracia - não dos que usam golpes ou mudam constituições para subir ao poder.
Barack Obama


O PODER DAS PALAVRAS

Não idolatro as palavras mas reverencio o seu valor real quando usadas no momento certo no lugar certo. As palavras podem matar, podem destruir, como também podem criar vida, mesmo no deserto mais árido. O poder da palavra é imenso no despoletar da esperança mesmo nos tempos de maior desespero.

É minha profunda convicção que nem a idolatria dos textos, nem a das frases é salutar. Mas há aforismos e pronunciamentos que de facto mudaram o mundo. Podemos interrogar-nos sobre o porquê de certas frases ou pronunciamentos, imateriais portanto, sem possuírem força de exércitos, terem o condão de mudar a realidade material de tal forma, que depois de terem sido pronunciadas, nada ficou como dantes num determinado país ou quiçá no mundo inteiro.

Não recuarei até a antiguidade, para lembrar frases famosas que provocaram verdadeiros milagres ou cataclismos. O famoso pronunciamento de Leónidas “almocem aqui, e jantem no inferno” que os motivou os Gregos a resistirem aos Persas até ao derradeiro soldado é um exemplo disso.

Decididamente as frases fazem milagres quando boas, ditas na hora certa pela pessoa certa. Há frases, ainda recentes e lembradas por homens (alguns ainda vivos que as escutaram um dia), até hoje, com admiração e veneração. Por exemplo o “Never Surrender” de Winston Churchil (se este discurso não foi o que fez a Inglaterra ganhar a Segunda Guerra Mundial, fez muito para isso). Creio que esta frase, também, fez com que a Rainha não abandonasse Londres (embora aconselhada por todos) mesmo quando as bombas caiam em cima do Palácio de Buckingham. Pois quem depois de ter ouvido o Winston Churchill fazendo o inigualável discurso na Câmara dos Comuns, proclamando “We shall never surrender”, poderia algum dia deixar de cumprir o seu dever frente ao inimigo, seja homem, mulher ou criança? Mesmo se para isso tivesse que dar a vida. Se os Londrinos não fugiram da sua cidade, em chamas, com medo dos bombardeamentos (como os Parisienses, que em pânico abandonaram Paris, até em caroças de buros), creio que este discurso, foi uma das coisas que os deteve, como um dique, para morrerem com honra, se preciso for, debaixo da metralha e das bombas. Pois entre outras razões não menos nobres, se esse extraordinário homem ficava em Londres para defender a honra da pátria e suas honras pessoais, eles também deviam ficar.
Nessa altura os Ingleses, isolados e sem aliados, depois da queda da Checoslováquia, Polonia, Bélgica e França, estavam na situação mais desesperada de toda a sua milenar História. O exército que tinham estacionado em França (A Força Expedicionária) foi derrotada em Dunquerque, e os sobreviventes fugiram atravessando o canal de Mancha em tal debandada que utilizaram todos o tipo de embarcações, jangadas, botes de recreio, coisas inimagináveis (até em banheiras de casa de banho, segundo os detractores). O “império onde o Sol nunca se põe”, corria o risco de derruir para sempre. Então Churchill percebeu que tinha que fazer um pronunciamento de tal magnitude que galvaniza-se o povo, o erguesse do desânimo e o pusesse de novo em pé. Assim pensou, assim resolveu, assim fez. E o disse mais calmamente que podia, talvez para não parecer pouco sério, dadas as circunstancias; para não parecer apenas um arrebatamento, fruto do desespero. Essas palavras durarão para sempre enquanto Inglaterra existir, com ou sem império:
“ (…) Nós iremos até o fim, nós lutaremos na França, Nós lutaremos nos mares e oceanos, nós lutaremos com crescente confiança e crescente força no ar, nós defenderemos nossa ilha, não importa a que custo, Nós lutaremos nas praias,
Nós lutaremos nas pistas de pouso, Nós lutaremos nos campos e ruas,
Nós lutaremos nas colinas, nós nunca vamos nos render!"

Essas palavras imateriais ajudaram a vencer a Guerra tanto, quanto, os navios, aviões e tanques, feitos de ferro e aço. Cada povo teve as suas palavras de ouro, no momento de maior desespero, no momento em que tudo parecia perdido e a própria nação e o povo corriam o risco de desaparecer. As vezes no momento em que o destino de todo um povo vai ser decidido, como na batalha de Moscovo, ou quando as incertezas são mais do que as certezas, quanto aos destinos da nação, como em Gettysburg, quando Lincoln deu a mais bela definição da democracia que conheço: “Resolvemos solenemente que estes mortos não caíram em vão; que esta nação, com a graça de Deus, terá nova aurora de liberdade; e que o governo do povo para o povo, não desaparecerá da Terra.”

O Brasil, nosso país irmão, teve as suas palavras de libertação que figuram no seu panteão de heroísmo com com o fortíssimo “independência ou morte” de D. Pedro, que motivou os Brasileiros para a luta pela Independência. Mas há um lindo momento da sua História, no episódio de Itororó: durante a Guerra do Paraguai, quando Luís Alves de Lima na hora de maior desespero gritou: “sigam-me os que forem Brasileiros”. Ao som dessas palavras ditas no momento certo, quando já nada havia para recorrer, os soldados transfiguraram-se e venceram o inimigo (perdeu 45 oficiais, ao todo 1864 homens mas venceu a batalha já quase perdida).

Em outro canto da Europa, na Segunda Guerra Mundial, defronte ao implacável inimigo Nazi, foi pronunciado a frase que aos nossos ouvidos soa estranho, mas era um cântico para outros: “Moskva za nami, ni chag nazad” (Moscovo está atrás de nós! Nem um passo atras!). Esta foi uma das frases famosas que fizeram com que milhões de pessoas, resistissem e morressem enfrentando o mais poderoso exército alguma vez lançado num ataque, na história da humanidade. Foi o folego de Deus, que susteve o exército Hitleriano, de milhares de tanques blindados, aviões e soldados imbuídos de uma ideologia dos infernos, jamais pensada pelo homem, nos arredores da grande cidade, quando lhes faltava escassos quilómetros para conquistar o Kremlin. “Moscovo está atrás de nós!” Foi o último grito, decisivo, que mudou a sorte de “um quarto da Humanidade”.
Esse grito veio no momento certo mais do que nunca; Os comunistas, no poder, já estavam desacreditados com todos os massacres cometidos, milhões de mortos nos “Gulags”, terror instituído em regime politico, e poucos estavam dispostos a lutar por esse regime que aprisionava toda uma nação, mas pela Pátria, pela sua Capital eterna, pela cidade com mil anos que os seus antepassados ergueram do nada para lhes legar, sim. Milhões morreram, mas essa certeza, de que “Moscovo está atrás de nós! Nem um passo atras!” e ninguém tem o direito de ficar vivo, sendo ela conquistada. Outros morreram a frente de Napoleão, eles morreriam a frente de Hitler, mas Moscovo, essa, viveria para sempre. A magia dessa frase providencial, saído da imaginação de alguém, mudou o curso da história.

II

FOMOS ESCRAVIZADOS, COLONIZADOS E ULTRAJADOS

Este passeio pela História foi para voltar ao presente com mais argumentos, para “enfrentar” a frase do Presidente Obama, naquele sentido que frisei: mesmo as verdades inegáveis não são indiscutíveis. A frase do Presidente Americano também foi dito no momento certo, no sítio certo e pelo homem certo. As frases emblemáticas, fortes, com magnitude suficiente para mudar a dura e desesperadora realidade, devem reunir estas três condições sine qua non. Basta uma não estar reunida para que o efeito, esperado ou não, não se realize.

Desta frase e suas repercussões possíveis, farei dois tipos de análise (ou uma única, em duas diferentes dimensões), a primeira lerá logo a seguir, e a segunda, no terceiro capítulo destas “Redundâncias”, assim esperando não ser redundante.

E esta frase do Obama, que quero analisar, sem emoção, mas com profundidade suficiente, tem a particularidade (como as outras de outros de que falei atrás) de nos apontar o caminho do heroísmo, do perigo para la chegar, e do dever que temos na sua realização. Além de implicitamente conter a nossa condenação moral se não agirmos em conformidade; mas uma condenação profundamente nossa, íntima, emitida pelo Tribunal da nossa consciência individual. Por isso muitos preferem morrer a vergonha de se olharem ao espelho, sabendo que não foram homens o suficiente, como a moral manda. É daqui que parto para dizer que contem certas noções que importa interpretar e esclarecer, para só depois falar de “realizações” a que nos impele.

No capítulo anterior (Redundâncias I) - dizia que “esta frase tem o seu quê de profundo e necessário (…) no seu sentido filosófico mais profundo” - teci algumas considerações e varias interrogações sobre como preservar a liberdade conquistada, lutar pela democracia e ao mesmo tempo construir instituições fortes em Africa.

A primeira parte da mesma, “A História está do lado dos bravos africanos (que lutam pela democracia), não dos que usam golpes ou mudam constituições para subir ao poder”, é algo de que vai a buscar legitimação para actos actuais na própria “História”; a História surge como alentadora e legitimadora de acções que se crêem necessárias. Diz-se muitas vezes que esta é uma noção marxista que advém da compreensão materialista (marxista) da História. Mas Obama, que nem de longe é Marxista, usa-o, creio, a partir da interpretação de Hegel feita por A. Kojève, como F. Fukuyama, no seu tempo, no seu famosíssimo “Fim da História e o Último Homem”.  

Quando diz, de forma metafórica, que a “História” esta do lado dos que lutam pela democracia, disso depreende-se que a justeza do acto é inatacável, (pois até a “Historia” legitima a democracia, por isso está do lado dos que a realizam. Aliás é uma legitimação dupla: aos Lutadores e ao objecto da sua luta). E a condenação dos outros (dos que a “História” desconsidera), que contrariamente, que em vez de lutarem para serem eleitos democraticamente, usam golpes (baixos?) para chegar ao poder. A condenação é implícita, mas de forma muito explícita. Pois, para quem leu Hegel, Marx, Fukuyama (a partir de Kojève) se a História não está do nosso lado, pressupõem-se que estamos errados a longo prazo, mesmo que momentaneamente estejamos certos.

Mas com a História do nosso lado ou não, é necessário dizer ao mundo (e ao Presidente Obama) que nós, os Africanos, não lutamos pela Democracia. Não lutamos pela democracia simplesmente porque qualquer Luta tem o seu momento histórico, e condições reais para o seu desencadeamento; nunca é antes ou depois, pois estaria condenado ao fracasso; seja a Luta libertação dos povos africanos, seja a Revolução Francesa ou de Outubro, sejam as actuais Revoluções Árabes. Se há algum determinismo na História, a única luta que escapa a ela, é a Luta pela Sobrevivência. É a única luta que não tem momento histórico; é de todos os dias, de toda a hora.

Infelizmente, nós, os Africanos, ainda não chegamos a fase de lutar “por” coisas, mas de lutar “contra” coisas. Contra a ditadura, contra a corrupção, contra as matanças, contra os golpes, contra o analfabetismo, contra o tribalismo, contra tudo que faz a vida do homem ser um inferno neste continente. E se no fim desta luta chegarmos a Democracia seria interessante. Depois de lutarmos “contra”, e vencermos, passaremos a lutar “pela”. Pela democracia, pelo desenvolvimento, hospitais, estradas, emprego, electricidade, saneamento básico… e por ai. Para já, a luta pela sobrevivência, pelo desenvolvimento, construção das nossas nações e futuro melhor para os nossos filhos. Primeiro o “programa mínimo”, depois o “maior”, fazendo analogia a doutrina filosófica do nosso Amílcar Cabral.

Mas se a “democracia” é a única estrada que nos leva para lá, obviamente vamos construi-la, para esse efeito. Mas nunca será uma estrada que percorreremos numa só via, e só depois de terminada. Será construída, ao mesmo tempo que a percorremos, mesmo que os engenheiros da democracia nos digam que tal é impossível. Mas nunca devemos tomar a causa pelo efeito; pois a “democracia” não significa fazer eleições de vez em quando. Estas são um dos pressupostos da outra; eu diria que as eleições são a “prova” de que a democracia existe num país, mas longe de serem a única prova. Mas que ninguém se engane, não são a realização periódica de eleições que fazem um país ser democrático. É o contrário, a democracia é que faz com que se realizem eleições nuns pais. Portanto antes de fazermos eleições, e para os fazermos, primeiro temos que ser democratas. Aquelas são consequências desta e não o contrario. Pois só em Democracias Constitucionais (países democráticas) que existem eleições. Mas não são as eleições que os fazem Democracias Constitucionais.

Infelizmente, a luta maior do Africano, ainda é esta da sobrevivência; que lhe deixa pouco tempo para as outras honrosas lutas. Esperemos que a História nos compreenda e que esteja do nosso lado. Marx (ainda Hegeliano?) já pressentia este momento Africano quando dizia na sua obra conjunta com Engels, a “Sagrada Família” que “ (…) Pela primeira vez erigia-se a história sobre sua verdadeira base; o fato palpável, mas totalmente despercebido até então, de que o homem precisa em primeiro lugar comer, beber, ter um tecto e vestir-se e, portanto, trabalhar antes de poder lutar pelo poder, de fazer política, religião, filosofia, etc.; esse fato palpável passava a ocupar, enfim, o lugar histórico que naturalmente lhe cabia. (…) ” Ele assim, por fim, compreendeu o mundo, do qual, ainda “Jovem Hegeliano de Esquerda”, nos dizia (na sua décima-primeira tese sobre Feuerbach), que “os filósofos limitaram-se até agora a interpretar o mundo de diferentes modos; do que se trata é de o transformar.”

Gosto mais da última frase, pois nos motiva para a luta, mas primeiro devemos compreender o mundo verdadeiramente, como Fukuyama, e não “limitar-se a interpretar o mundo de diferentes modos” como os filósofos nos tempos antes de Marx. Por isso quando o “último homem” de Fukuyama chegar ao fim da História, será da “sua História”; pois nós estamos apenas iniciando a nossa. E contrariamente a Marx, começamos com o seu pensamento adulto, e só depois realizaremos o que na juventude disse. Marx dizia que a dialéctica de Hegel estava “de cabeça para baixo e pés no ar” e ele teve o mérito de o assentar com os pés no chão. Nós achamos que o que ele disse na velhice devia ter dito na juventude, por isso na velhice, era mais jovem do que na juventude. Mas voltando ao Fukuyama, que conhece Marx mais do que eu algum dia conhecerei, o nosso primeiro homem, aquele que realizará a nossa História (não apenas escreve-la), estará nascendo das cinzas daquele último. O último homem de Fukuyama, o real, de carne e osso, fruto do “triunfo definitivo do liberalismo ocidental” em todo o Planeta, é o próprio Barack Hussein Obama II. Não há e não haverá, jamais, alguém que personifica o “último homem” da História de Fukuyama como ele. Mas paradoxalmente, o nosso primeiro homem, que nascerá das usas cinzas, - fruto de todas as nossas inquietações, divagações, guerras e lutas, escravidão e libertação, democracias e ditaduras, de tudo que ainda não somos, mas de que somos promessa - é Barack Hussein Obama II.

É esta a verdadeira quadratura do círculo. Por isso se ainda não lutamos pela democracia, não é porque isso não está na nossa génese, caracter ou formação, pois também amamos a liberdade como todos os outros povos do mundo; até mais, pois quinhentos anos fomos escravos, e só quem conheceu a escravatura pode dar justo valor a liberdade. Conheço a ditadura toda a nossa existência, antes e depois da escravatura; e só quem conhece a ditadura verdadeira pode dar verdadeiro valor a democracia. Depois da escravatura conhecemos o colonialismo, e depois da noite colonial que se estendeu por seculos, conhecemos a ditadura e o ultraje, depois da Independência, que durou meio seculo, e ainda hoje continua em muitos sítios da Africa. Por isso, se há gente, que potencialmente, tem condições anímicas e todas outras, para prezar a liberdade e adorar a democracia somos nós. Por termos razões acrescidas para dar mais valor a liberdade e a democracia, do que todos os bons samaritanos que há dezena de anos, periodicamente, vêm para este nosso Continente nos ensinar a ser democratas e amantes da liberdade. Não sabem o que sofremos e ainda sofremos física e intelectualmente, impotentes, sempre em perigo de morte, sendo governados pelos piores desgraçados que o Céu lembrou de trazer a este planeta.

III

MOHAMED BOUAZIZI

É necessário dizer que eleições livres e justas só podem ter lugar em sociedades democráticas. E estas não se constroem por força daquelas. Só assim não cairemos na contradição do Santo Anselmo de Cantuária, e nunca aceitar que “a essência é algo que precede a existência” ou por outro, como ele, aferir a existência de Deus pelo Seu necessitarismo. Deus é necessário portanto existe. E entender que a democracia é necessária por isso deve existir; mesmo que imperfeita, mesmo tribalizada, brutalizada, fundamentalizada ou mesmo fundamentalista, ou pura e simplesmente roubada. Mesmo sendo a forma perfeita de perpetuar dinossauros no poder, como Robert Mugabe e campainha. Pois todo o ditador que consegue manter o seu povo no obscurantismo, analfabetismo, apartado de toda a civilização e desenvolvimento, de todo o conhecimento científico, pode dormir tranquilo, pois a “democracia” será sempre o melhor instrumento que tem nas suas mãos. Será sempre eleito por esses mesmo brutalizado povo.

Sobre este particular, no caso particular da Guiné, há um teólogo Italiano que me escreveu (na sequência do meu texto “Aos Políticos Guineenses com todo o meu respeito e toda a minha indignação”) a dizer o seguinte: “Caro Fernando, como Guineense você tem direito de protestar, porque a Guiné é acusada de ser um Estado-traficante de drogas, porque os cidadãos não têm nada a ver com isso directamente. Mas, pelo menos indirectamente, eles tem, porque eles escolheram a classe dominante do povo.”

Mas como poderiam ter escolhido melhor? Se lhes mantêm na ignorância há quarenta anos? Que discernimentos poderão ter nas escolhas que fazem? A iniquidade das Governações pós Independências, originou nos nossos países uma espécie de “síndrome de Estocolmo” (aquele que faz a vítima gostar do seu raptor depois de muito tempo a viverem em conjunto) e assim caminhamos nesta nova fase de “democracia”.

Há uns anos atrás, houve um escritor que conseguiu demonstrar, de maneira irrefutável, que todos os países que tinham a palavra “democracia” no nome eram ditaduras; como na altura Republica Democrática do Congo, de São Tomé e Príncipe, de Laos, da Argélia, do Nepal, da Correia, (não havia ainda a República Democrática do Timor Leste ou República Árabe Saaráui Democrática Árabe não era reconhecido pelas N. U.) e outros que aqui não cabem ou que mudaram de denominação. Mas o que fazia os dirigentes desses estados porem a palavra “democracia” no nome desses países? Penso que era a ideia errada de que por ter esse nome transformar-se-iam automaticamente países democráticos; é a mesma preocupação que hoje move os dirigentes de muitos países africanos, que entendem que por realizarem eleições tornam-se por obra e graça de Deus, democráticos, de um dia para o outro.

Mas o mais caricato é que muitos países ocidentais (analistas e políticos) parecem acreditar nesse milagre também. E por força de seu acreditar, estes que faziam eleições apenas para cumprir uma “das modas actuais” (como um politico Africano disse) para se conseguir ajudas externas, acabam acreditando também que agora (depois do acto eleitoral) passaram a ser países democráticos.

Mas quando a realidade vem ao de cimo - como nos últimos tempos nos países árabes -, percebe-se que nunca houve democracias nesses países. Apenas “demonstrações” formais de democracia que eram elogiados pelo Ocidente nos seus relatórios que invariavelmente consideram as eleições “livres e justas”.
Estavam invariavelmente erradas, pois observavam e analisavam o fenómeno e não a essência das coisas; tomavam a forma pelo conteúdo, a causa pelo efeito, Por isso a explosão popular foi tão violenta que surpreendeu tudo e todos.

 Os dirigentes nacionais desses países, os Governos ocidentais, as elites corruptas penduradas num poder que julgavam eternos, e o próprio povo, votante imperturbável, durante anos, de democracia “faz de conta”. Digo que o próprio povo ficou surpreendido, porque ele não planeou nenhuma revolução e nem tinha um “Partido revolucionário” de massas a coordena-lo; o que aconteceu foi, em cada um desses países diferentemente, uma catarse colectiva em que o povo sofredor em revolta cega, sem método, direcção ou uma ideologia clara que sustasse o descontrolo, de modo a não prejudicar-se a si próprio enquanto povo e herdeiro da sua revolução e pátria, destruiu tudo. As instituições, os partidos, os governos, as montras, os carros (nas revoluções o difícil é salvar a porcelana, não é Georges Clemenceau?). No fim foi o povo, em cada um desses países, lutando por si finalmente, quem mais prejudicou a si próprio, e mais perdeu com a sua revolução.

Pergunto a Clemenceau porque assim também foi o Maio de 1968 em França; até porque muitos desses países árabes em revolta falavam francês. E não raro, quando os manifestantes eram entrevistados por mídias ocidentais, falavam em francês para explicar o inexplicável. O único que nunca falou foi aquele jovem Tunisino que despoletou tudo, ao morrer imolando-se pelo fogo, quando percebeu que não tinha o direito nem de ganhar a vida trabalhando honestamente na sua pátria. Escrevi algures, sobre ele o seguinte: As revoluções (e revoltas) que estamos a assistir um pouco por todo o lado, com maior incidência no mundo árabe (por agora), começaram quando um simples cidadão tunisino, vendedor ambulante, resolveu imolar-se pelo fogo, a 17 de Dezembro último. Este acto foi um desesperado protesto isolado, a catar-se, de um homem digno e corajoso, que ao perceber que o seu governo lhe negava o elementar direito a subsistência, que resolveu perpetrar. Morreu, infelizmente, sem assistir a queda desse governo (uma coisa excluía a outra - são assim as revoluções -, tinha que morrer para mudar o seu país. mas não a melhor morte que esta: morrer para o bem do povo), mas pode-se dizer com justiça, que este corajoso Mohamed Bouazizi, de apenas 26 anos, simples cidadão, um “Zé-ninguém” (…) , quase mudou o mundo sozinho. Pois a sua decisão foi tão forte que fez (o presidente fugir do país) despoletar a revolução Tunisina que por sua vez contagiou o Egipto.

Portanto a culpa não é só dos dirigentes corruptos desses países, como as médias internacionais nos dizem. O Ocidente, ao se embalar no canto de sereia, de actos eleitorais fictícios quase, ao sancionar, credibilizar e homologar essas eleições com todos os observadores da OCDC, União Europeia, e todas as ONGs internacionais que “observam” (as vezes fiscalizam) as eleições, acabam sendo também, de uma maneira ou de outra, causadores de problemas que acabam destruindo a vida de milhões de inocentes seres humanos inocentes, nesse gigantesco faz de conta mundial.

Quanto ao “canto de sereia” que permitiu este logro planetário, não sei bem quem é o flautista e quem é encantado. Se o Ocidente ou os N.P.D. (Novos Países Democráticos) como lhes chamo. Pois numa interacção de causa e efeito, tomando um pelo outro, creio que a flauta de Hamelin trocou de mãos várias vezes.

Já escrevi sobre os riscos enormes que pesam sobre as democracias africanas (vide o texto “Miseráveis mas Democratas”) e não quero repeti-las aqui. Mas o que faz Obama dizer que “A história está do lado dos bravos africanos - que lutam pela democracia (…) ” é uma certa compreensão anglo-saxónica da democracia. Quase platónica do mesmo, alicerçados em máximas e frases que vêm dos Gregos. Uma das mais badaladas é a famosa frase do incomparável Winston Churchill “:"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras que foram experimentadas."

Termino aqui estas segundas “Redundâncias” dizendo que há ainda um ponto interessante na frase do presidente Obama que trataremos no nosso terceiro texto. Pois se atentarem na parte final da frase verão a questão constitucional, ou a questão da “mudança de constituições” para acesso ao poder: “A história está do lado dos bravos africanos - que lutam pela democracia - não dos que usam golpes ou mudam constituições para subir ao poder.

Aqui era necessário saber em que caso isso é condenável. Ou por outro, que tipo de Constituição que não deve ser mudado. Por exemplo, numa determinada altura, a constituição Guineense, feita ou aprovada por indivíduos, imbuídos de certos complexos, proibiam certos cidadãos de participarem na vida política do país. De serem elegíveis para certos cargos. Essa constituição proibia inclusive, se fosse vivo, a Amílcar Cabral, pai da nacionalidade, de ser Presidente da República por não ser “puro-sangue” (como certos cavalos). Mas não creio que constituições deste tipo que o Presidente Obama referia. Entendo que se a Americana permite uma pessoa, como ele, ser Presidente, todas as outras deveriam permitir o mesmo. Mas continuaremos para semana, esperando que a História esteja do nosso lado.

Fernando Teixeira


Bissau, 15 de Setembro de 2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Obama no caminho do sucesso na Síria.

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Acordo sobre armas químicas melhora posição americana em relação ao conflito e indica clareza na política externa.


AP

Qualquer que seja este difícil caminho, cuidadosamente planejado ou acidental, o governo Obama conseguiu melhorar sua posição na questão da Síria, o que era impossível imaginar dias atrás. O presidente agiu sabiamente ao aceitar e testar a proposta russa de retirar, e possivelmente destruir, o arsenal de armas químicas da Síria. Na realidade, a proposta permitiu que o público percebesse alguma clareza na política externa americana, às vezes um tanto confusa. Mas para que Obama transforme esta situação num sucesso, terá de manter esta clareza.
Há três justificativas distintas no que diz respeito à intervenção na Síria, e elas às vezes se misturam nos apelos à ação. A primeira é a mudança de regime, que exigiria a ajuda direta aos rebeldes para a derrubada do governo de Bashar Assad. A segunda é de caráter humanitário: acabar com o enorme sofrimento daquele país. A terceira consiste em reforçar e implementar a lei internacional contra o uso de armas químicas.
Obama se comprometeu somente com o terceiro objetivo. Em seu discurso de terça-feira, ele rejeitou o primeiro, explicando que os Estados Unidos "não podem querer resolver a guerra civil de outro país pela força, particularmente depois de dez anos de guerra no Iraque e no Afeganistão". Segundo observou, sua proposta de ação militar previa inclusive uma intervenção numa escala menor do que os ataques na Líbia, portanto, seria improvável que conseguisse alterar consideravelmente o equilíbrio de poder na Síria.
As propostas de Obama dificilmente abrandariam a crise humanitária. E até mesmo as propostas mais agressivas - os ataques aéreos e a ajuda aos rebeldes - possivelmente intensificariam o conflito e aumentariam o número de mortos ou refugiados. Quase todas as mortes ocorridas na Síria foram provocadas por armas convencionais.
Portanto, o objetivo de Obama consiste unicamente em dar mais peso a uma lei internacional. A este respeito, ele já conseguiu algo importante. Mobilizou a atenção mundial, e agora existe uma chance, embora pequena, de que possa pôr em marcha um processo de monitoração e até mesmo de destruição das armas químicas sírias. É quase certo que ele consiga garantir que estas armas não sejam novamente usadas pelo regime de Assad. Isto é mais do que ele poderia realizar com ataques aéreos - que provavelmente não destruiriam estas armas. É um sucesso significativo.
Mas para preservar este sucesso, o governo terá de ser claro, garantindo que não buscará outro objetivo, pelo menos por enquanto. Washington terá de conviver com Assad como parceiro nas negociações e avalista dos acordos. Se as inspeções internacionais começarem, será difícil ameaçar com o uso da força porque os inspetores estarão na Síria - entre dois fogos. Lembremos que os inspetores da ONU tiveram de ser retirados do Iraque antes dos bombardeios de 1998, na Operação Raposa do Deserto; o resultado foi o fim das investigações.
O governo Obama está certo em buscar com empenho a via diplomática - ainda que seja difícil. Embora a Síria e a Rússia tenham optado por este caminho a fim de evitar um ataque, será uma satisfação também ao presidente russo Vladimir Putin saber que as armas de Assad estão trancadas ou foram destruídas. Na realidade, é possível que esta jogada tenha sido uma manobra da Rússia para alcançar seus verdadeiros objetivos na Síria: nem mudança de regime nem armas químicas.
Se o governo Obama acredita que a proibição destas armas realmente está prevista numa lei internacional que corre o risco de ser ignorada, e que a ameaça de um ataque militar é a única maneira de fortalecê-la, terá de angariar algum apoio do Congresso, do Conselho de Segurança da ONU, da OTAN, da União Europeia, da Liga Árabe ou de outros grupos do gênero. Lembremos que o governo Bush, às vésperas do ataque contra o Iraque, obteve a autorização do Congresso; como argumento para agir, ele poderia alegar as 16 resoluções do Conselho de Segurança da ONU que o Iraque teria infringido. Depois da invasão, 38 países decidiram enviar suas tropas. É irônico que o único objetivo de Washington seja a defesa de uma lei internacional, e no entanto enfrente a oposição da maioria dos países e da opinião pública internacional. Na realidade, as negociações servirão para ganhar tempo no caso da Síria, mas também no do governo Obama.
*Fareed Zakaria é colunista.
fonte: ESTADÃO

Ex agente da CIA diz que a agência fabricou evidência.

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Ex-agente da CIA diz que a agência fabricou evidência para EUA entrar em guerra contra a Síria
WASHINGTON/EUA - O material de inteligência reunido para provar a culpa do governo sírio pelo suposto uso de armas químicas foi fabricado por membros da comunidade de espionagem americana para enganar o presidente Barack Obama e convencê-lo a tomar medida de punição, segundo Ray McGovern, um veterano da própria CIA (Agência Central de Inteligência), disse em entrevista à agência de notícias russa RT.
Por ANTONIO CARLOS LACERDA

McGovern foi um dos signatários de uma carta de funcionários veteranos de inteligência entregue a Obama, alertando o mandatário que Bashar al-Assad não é o responsável pelo suposto ataque com armas químicas, e que "o diretor da CIA, John Brennan, está cometendo a mesma fraude pré-Iraque sobre os membros do Congresso, a mídia e o público".
O veterano disse que o problema é conseguir acesso ao que chamam de grande mídia. Segundo McGovern, a imprensa está apoiando a guerra e por isso não quer ouvir que a evidência é muito frágil. "Eles não querem ouvir que pessoas dentro da CIA, com grande acesso a informações, dizem que não há evidência conclusiva de que Assad ordenou aqueles ataques químicos. Você não assume aquelas coisas, você precisa prová-las", disse.
A razão para que os Estados Unidos não apresentem a prova contra o regime sírio é porque não poderia ser suportada diante de um tribunal, e não passaria por um exame minucioso - isso aconteceu antes do Iraque, afirmou McGovern, que acrescentou que o governo americano precisa divulgar a suposta mensagem interceptada que provaria a culpa de Assad para calar os críticos.
O ex-analista declarou que o secretário de Estado John Kerry demonstrou estar sob influência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu - o único Estado que se beneficiaria de uma guerra na Síria, e que pessoas com influência e conselheiros da Casa Branca tentam convencer Obama a tomar uma medida.
Para McGovern, a mudança de postura de Washington ao recuar sobre a possibilidade iminente de um ataque na Síria foi uma conversa de Obama com os militares, que afirmaram que uma ação militar não poderia ser justificada tão cedo, e que as pessoas e setores que apoiam a intervenção militar não têm ideia do que é uma guerra.
Ray McGovern foi analista da CIA durante 27 anos e trabalhou com sete presidentes, sendo responsável, durante a década de 80, de preparar os relatórios diários matinais com o material reunido pela agência ao chefe do governo. McGovern foi um crítico feroz da guerra do Iraque liderada pelo presidente George W. Bush em 2003. Mais recentemente, também criticou a atuação do governo no episódio envolvendo o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, responsável pelo vazamento de documentos secretos. Ele chegou a afirmar na época que o único crime de Assange fora "divulgar a verdade".
Soldados dos EUA estão usando a rede social Facebook para protestar contra a ofensiva bélico-militar que o presidente Barack Obama pretende desferir contra a Síria. Com informações das agências internacionais de notícias.
ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU
fonte: pravda.ru

Prefeito gay inicia mandato em perigosa cidade mexicana.

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Cidade mexicana assolada por cartéis tem novo prefeito, que assumiu homossexualidade Foto: Facebook / Reprodução
Cidade mexicana assolada por cartéis tem novo prefeito, que assumiu homossexualidade
Foto: Facebook / Reprodução.

Não é fácil se homossexual no México. O país é o segundo no ranking dos crimes de motivação homofóbica na América Latina - o primeiro é o Brasil. Também não é fácil ser prefeito em alguns Estados do norte, como Zacatecas, objeto de uma furiosa disputa por parte dos Zetas e do Cartel do Golfo.
E que tal ser as duas coisas de uma só vez? Foi isso que aconteceu neste domingo com Benjamín Medrano Quezada, que se tornou o primeiro prefeito abertamente gay de Fresnillo, o município mais importante de Zacatecas.
Menino artista
Falando por um telefone celular de um carro em movimento, Medrano Quezada conta à BBC Mundo os feitos de uma vida colorida. Relata que em 1972, aos seis anos de idade, viajou com o irmão de sua cidade natal em Zacatecas para os Estados Unidos, onde se integraram a uma caravana artística.
"Éramos os assistentes dos artistas e depois pedíamos dinheiro ao público", disse. Dessa forma, os irmãos viveram três anos e meio, enviando dinheiro para o sustento de sua família. "Não havia telefone, nos comunicávamos por uma carta que demorava 30 dias para chegar. E nessa carta mandávamos US$ 60 por mês".
Essa experiência marcaria para sempre sua existência: "viver sozinho, sem meus pais, com muitas necessidades, mas em cidades onde as pessoas pensam diferente, onde têm uma forma de vida diferente da que temos no México, principalmente falando de respeito. E não apenas em relação à sexualidade, mas ao ambiente, ao não fumar, ao não jogar lixo. Creio que isso foi parte da minha formação".
Ele voltou ao México onde terminou seus estudos básicos e logo cursou direito. Ao mesmo tempo continuou sua carreria de cantor - "animando bares e festas" - e se integrou ao sindicato dos artistas. Lá, ao se transformar em secretário, se lançou na política.
Todo esse tempo ele viveu sua sexualidade livremente, mas sem torná-la assunto público.
Homofobia
No México - assim como quase em todo mundo - as estatísticas de crimes homofóbicos não são claras. Em maio, no Dia Internacional contra Homofobia e Transfobia, o diretor de uma ONG indicou que o número de assassinatos cometidos contra homossexuais entre 1995 e março de 2013 era de 798.
Um deputado de esquerda, por sua vez, disse que os crimes cometidos entre 1995 e 2007 eram 627. Mas no que todos parecem estar de acordo é que o México ocupa o segundo lugar, depois do Brasil, no ranking desse tipo de crime na América Latina: só em 2012, uma organização ligada ao governo brasileiro registrou 336 crimes considerados homofóbicos no Brasil.
Os números mexicanos não englobam todos os Estados. Segundo analistas, poderiam ser o triplo. E debaixo dos números visíveis de assassiantos se esconde, como um iceberg, uma realidade cotidiana de descriminação e abusos. Foi essa realidade que fez Benjamín Medrano "sair do armário".
Campanha negra
Uma parada. A chamada telefônica caiu justo no momento em que o novo prefeito de Fresnillo contava sobre a violência que sentiu na própria pele. Como, durante a campanha eleitoral, começaram a circular rumores de que havia abusado de menores de idade.
Na nova chamada, ele retoma a conversação com a BBC Mundo. "Invenções irresponsáveis sobre o mau que poderia ser feito a um povo ser governado por uma pessoa de minha orientação sexual. Disseram isso publicamente e contrataram uma empresa de telemarketing para telefonar todos os dias para as casas das pessoas de Fresnillo para falar mal".
Essa campanha negra fez Medrano Quezada assumir sua sexualidade de maneira pública. E para a surpresa de muitos, em uma área com reputação de ser conservadora e machista, o candidato que aceitou publicamente ser gay ganhou por uma margem ampla a prefeitura para o Partido institucional Revolucionário (PRI), no qual milita.
"Para as pessoas o que menos importa é com quem você dorme ou o que faz de sua vida privada. O que eles precisam é de resultados de seus governantes, pessoas que não fiquem ricas. Eu creio que a orientação sexual, apesar de ser o que provoca mais curiosidade mórbida, é o de menos".
Sem agenda gay
O que mais Benjamín Medrano ressalta em cada uma de suas entrevistas é que não possui uma agenda marcada por sua sexualidade. "Minha agenda é baseada no desenvolvimento social e humano de todos que vivemos em Fresnillo, independente de sua orientação sexual", afirma.
Paradoxalmente, alguns dos ataques e críticas pós-eleitorais sugiram de pessoas que dizem acreditar que ele não está suficientemente comprometido com a causa gay. Uma de suas declarações causou polêmica ao ser interpretada como contrária ao casamento homossexual.
"O que eu disse é que não depende de um prefeito promover ou não o casamento gay. Essa é uma tarefa exclusiva dos deputado, especialmente dos federais. Nunca disse que não sou favorável, serei um promotor dos direitos que temos, mas não serei o impulsor (do casamento gay), porque eu não o faria em Fresnillo", disse. "Inclusive eu disse que não me casaria."
Guerra de cartéis
Mas em Fresnillo, município com população de 230 mil habitantes, há temas mais urgentes. Nenhum deles é maior que a segurança.
Há alguns anos, o Estado de Zacatecas se converteu em um objeto de disputa entre os Zetas e o Cartel do Golfo, já que é uma das principais rotas de tráfico de drogas entre a costa do Pacífico e o nordeste do país.
E Fresnillo está no centro das linhas de disputa. Homicídios, extorsões e desaparecimentos estão aumentando. Em fevereiro deste ano cerca de dois mil pessoas realizaram uma marcha pela paz nas ruas do município. Muitos dos participantes tinham uma história dolorosa para contar.
Diante desse panorama, o que pode fazer o novo prefeito de Fresnillo? "Naturalmente não é fácil. O que prentemos fazer é, primeiro, equipar a nossa polícia, certificá-la. Fazer com que a polícia passe por controles de qualidade e dar a ela melhores salários para evitar que sejam cúmplices dos grupos armados".
Desde 15 de setembro o debate sobre sua sexualidade deve deixar de prevalecer no cotidiano de Quezada e será substituído por um outro, sobre a efetividade de sua gestão. Durante a entrevista com a BBC Mundo surgem muitas palavras sobre o que pode ocorrer daqui por diante: pressão, expectativas, temor, transparência.


Nem uma vez foi mencionada a palavra medo.

domingo, 15 de setembro de 2013

Aminata Touré, a “Dama de Ferro” do Senegal quer acabar com a corrupção.

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A luta contra a corrupção no Senegal leva o nome de Aminata Touré, a nova primeira-ministra do país africano que era titular do Ministério da Justiça: uma “Dama de Ferro” que usou todos os mecanismos ao seu alcance para acabar com a impunidade.
“Recuperamos cerca de 30 bilhões de francos CFA (US$ 60 milhões de dólares) para o tesouro público”, assinalou Touré, em uma declaração de intenções do que está por chegar no Senegal.
“Há uma nova cultura (contra a corrupção) que pegou desprevenidos alguns políticos, e também uma mensagem para os que estão agora no governo”, comentou a primeira-ministra em um recente encontro com a imprensa internacional em Dacar.
O empenho desta economista de 50 anos, a segunda mulher a chegar à chefia do governo no Senegal, contra a corrupção custou várias inimizades, mas também infinitas simpatias.
Para Omar Ba, técnico agrícola de 40 anos, “Touré está desempenhando um papel muito relevante e, durante seu tempo como ministra da Justiça, cumpriu com as aspirações dos senegaleses de viver em um estado de direito que não garanta impunidade a ninguém”.
“A vejo muito bem como a primeira-ministra que vai promover as mudanças anunciadas pelo presidente, Macky Sall”, acrescentou Ba. As metas de Sall são estabelecer a autoridade do Estado, fortalecer o estado de direito e garantir os direitos humanos.
Mas o governo de Touré não é consenso, como mostra a opinião – muito comum entre membros e simpatizantes do governo anterior – de Oumy Ndiaye, funcionária do Ministério das Finanças de 41 anos.
“Ela atua como uma dama de forca e faca, e o faz com uma atitude soberba e intransigente, que contrasta com a tradição de tolerância e diálogo que sempre caracterizou o ‘homo senegalensis’”, critica.
Contra o que pensam seus críticos, Touré defende que sua cruzada não é uma caça as bruxas: a primeira ministra adverte que irá até o fim para acabar com a corrupção, mas garante que os acusados terão “um julgamento justo e equitativo”.
Com este pensamento, a veterana ativista a favor dos direitos humanos lida com os processos contra o antigo ministro Karim Wade, filho do ex-presidente Abdoulaye Wade e detido por desvio de fundos públicos, e também do ex-ditador do Chade, Hissen Habré, que se refugiou no Senegal após ser derrubado em 1990.
O chamado “Pinochet africano” gozava até agora de uma vida tranquila na capital senegalesa, enquanto organizações humanitárias pediam justiça para os cerca de 40 mil mortos sob seu regime.
Agora Habré está detido desde 30 de junho por supostos crimes de lesa-humanidade, e um tribunal especial criado em Dacar o julgará pelos fatos durante seu mandato, entre 1982 e 1990.
Nem ele nem seus advogados parecem dispostos a colaborar no processo, algo que não perturba Touré: “Não há nada de excepcional na atitude de Habré. O mais importante é que haja um processo justo e equitativo, e o tribunal o garantirá para o ex-presidente chadiano”.
Aminata Touré navega em uma onda crescente de simpatia e popularidade entre a opinião pública, especialmente entre as senegalesas, que a consideram um modelo, um símbolo vivo da nova geração de mulheres.
Em Mbour, cidade a 80 quilômetros de Dacar, vários jovens iniciaram o chamado “Movimento Aminata Touré, a Dama de Ferro” para apoiar suas ações.
A nova primeira-ministra tem três filhos e é divorciada de Oumar Sarr, ministro do corrupto regime de Abdoulaye Wade.
Formada, pós-graduada e doutora por universidades francesas e americanas, ex-militante de esquerda e com uma carreira de mais de uma década fora do país como funcionária do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Touré era mal conhecida na própria nação.
Com EFE.

Indignado com racismo, Balotelli afirma: ‘Se acontecer de novo, deixo os campos’.

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Após os incidentes no clássico contra a Roma, no qual o jogador de futebol Mario Balotelli e o seu companheiro do Milan, Boateng, foram chamados de “macacos” em cantos racistas da torcida adversária, ele afirmou que não irá mais permanecer em campo caso os fatos voltem a se repetir. O clube foi punido pela federação italiana.
Durante a partida, que acabou empatada em 0 a 0, o árbitro foi obrigado a paralisar o jogo por conta das ofensas proferidas pelo público. O atacante já foi alvo de preconceito outras vezes. “Sempre disse que se isso acontecesse no estádio, eu agiria como se ninguém estivesse cantando nada e eu não ligasse. Mas agora acho que mudei de ideia um pouco. Se isso acontecer de novo, então vou deixar o campo, porque é muito estúpido”, disse a CNN.
O atacante completou: “Falei com Prince (Boateng). Eu estava prestes a deixar o campo no domingo, mas então eles pensaram que eu estava saindo porque tivemos alguma dificuldade com o jogo, e (me convenceram) que ganharíamos de 3 a 0. Eu disse não, é melhor nós jogarmos e eu vou falar. Se não fosse por isso eu teria deixa o gramado”, declarou.
fonte: revistaafro

sábado, 14 de setembro de 2013

Costa do Marfim candidato a Organização do CAN em 2019 ou 2021.

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Un supporteur ivoirien, lors de la Coupe du monde 2010.
Torcedor marfinense durante a Copa do Mundo de 2010. © AFP

A Costa do Marfim vai apresentar a sua candidatura para sediar o Campeonato Africano das Nações (CAN) em 2019 ou 2021. O governo concordou com a Federação Marfinense de Futebol (FIF).
O anúncio foi feito nesta quinta-feira 12 de setembro, o governo autorizou a Federação Marfinense de Futebol (FIF) para apresentar esta pretensão, numa comunicação adoptada pelo Conselho de Ministros.
O governo da Costa do Marfim "visa criar as condições para a organização da competição continental, melhorando a infra-estrutura", diz o texto. Os marfinenses já organizaram a competição em 1984. Eles também tentaram obter a organização em 2006, apesar do estado de crise sócio-política no país.
(Com AFP)

fonte: jeuneafrique


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