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sexta-feira, 14 de agosto de 2026
O Iémen está à beira de uma "guerra em grande escala", alerta a ONU.
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O Iémen enfrenta o risco mais grave de recaída num conflito generalizado desde o cessar-fogo de 2022. Perante o Conselho de Segurança da ONU, os diplomatas alertaram para a escalada militar e para uma crise humanitária que roça a fome.
“Quatro anos de calma podem ser perdidos em poucas semanas de escalada”, advertiu Hans Grundberg, Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para o Iémen. Segundo o mesmo, o retomar das hostilidades ameaça diretamente os frágeis avanços políticos alcançados nos últimos anos.
No terreno, os sinais de alerta multiplicam-se. Os combates intensificaram-se ao longo das linhas da frente, particularmente em Marib, Hadramawt e Mokha, resultando em numerosas baixas civis e militares.
Entretanto, os rebeldes Houthi (o movimento Ansar Allah), que controlam a capital Sana’a, bem como o norte e o oeste do país, intensificaram as suas operações marítimas:
Ataques no Mar Vermelho: Retomada dos ataques contra embarcações comerciais no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, incluindo um ataque mortal com mísseis contra um navio mercante.
Confusão Regional: O enviado da ONU teme que o Iémen possa ser arrastado para um confronto regional mais amplo, uma vez que o comércio global e os fluxos de energia já estão a sofrer as repercussões das tensões no Estreito de Ormuz.
Perante este perigo, Hans Grundberg insta as partes a regressarem à mesa das negociações. Apelou a uma desescalada imediata, a um cessar-fogo sólido, à suspensão dos ataques marítimos e à reativação do mecanismo de coordenação militar da ONU.
“A mediação não pode substituir a vontade política”, enfatizou o enviado especial.
A Economia como Nova Linha da Frente
Além das armas, a guerra é agora travada na frente financeira. Hans Grundberg sublinha que a economia iemenita se politizou, impactando diretamente os salários, a moeda e o comércio.
Para estabilizar o país, a ONU recomenda medidas de emergência:
A retoma imediata das exportações de petróleo.
A reabertura dos voos comerciais de e para o aeroporto de Sana'a.
A manutenção do acesso marítimo aos portos vitais do país.
Um acordo duradouro sobre o pagamento dos funcionários públicos e a restauração dos serviços básicos.
Emergência Humanitária: Fome e Colapso do Sistema de Saúde
O quadro pintado pelo Coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, é dramático: “A fome está a aumentar, os serviços de saúde estão a entrar em colapso e as famílias esgotaram os seus últimos recursos de sobrevivência.”
O sofrimento das mulheres e das raparigas
O sistema de saúde devastado está a atingir as populações mais vulneráveis com particular intensidade. Quase 11 milhões de mulheres e raparigas necessitam urgentemente de assistência humanitária, incluindo 750 mil grávidas.
O acesso à saúde tornou-se um luxo:
Apenas uma em cada cinco unidades de saúde consegue oferecer cuidados maternos.
Oitenta por cento das mulheres não têm acesso a serviços essenciais de saúde reprodutiva. Para a ONU, esta situação tem consequências graves. Segundo a organização, três mulheres morrem todos os dias no Iémen devido a complicações relacionadas com a gravidez que poderiam ter sido evitadas.
fonte:guinee360.com
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Samuel