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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... Dois anos depois de deixar a capital senegalesa no final do seu segu...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

ARTIGO DE FERNANDO TEIXEIRA: O HOMEM QUE FOI UM CLAMOR.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



(O LEGADO DO GUILLAUME THIERIOT)

“Guineenses bô tem ku ossa!”
Guillaume Thieriot , 26 de Julho de 2013

ALGO QUE FICOU, PASSANDO…
Hoje, dia cinco de Agosto, o Sr. Guillaume Thieriot partiu de vez do nosso país. Possivelmente partiu alguns corações, provavelmente deixará saudades e algumas lágrimas recolhidas a pressa, como diria o poeta. Cinco dias antes, Quarta-feira, 31 de Julho, na biblioteca do Centro Cultural Franco Guineense de Bissau, resolvi começar a escrever este texto sobre ele ainda “sob” ele, pois dentro de dias deixaria de ser o “nosso” Director, do “nosso” Centro Cultural Francês de Bissau. Escrever sobre ele, nessa sala de leitura, enquanto ainda era o director do Centro, mesmo que por apenas mais alguns dias, era uma espécie de solitária homenagem que lhes prestava. Uma homenagem, silenciosa e íntima (pois só conhecida por mim) ao homem simples mas especial que é Guillaume Thieriot.
Essa atitude, que agora na quietude desta outra sala, parece-me pueril, veio a ter outros significados que não apenas os que motivaram o meu objetivo inicial (escrever sobre as suas realizações, para que no futuro algo ficasse “escrito na pedra”, e não apenas nas recordações esparsas de cada um e apenas lembradas nas “passadas” futuras dos contemporâneos que com o tempo caem no esquecimento colectivo).
Não sei se a proximidade da separação pode não aguçar o engenho, mas repousa os sentires e permite um olhar, se não diferente, pelo menos mais equidistante e quiçá mais justo; mas também, pela frescura da memória, permite um contar mais autêntico. Devo escrever agora, nos ecos da despedida, na profusão das homenagens, todas merecidas, que este Senhor da Cultura teve, por ocasião da sua partida. Mas encontrar para esta minha, algo “mais”, algo de perene, algo que não se dissipa com as últimas bolhas da última garrafa de champagne.
Mas como abordar este homem social e culturalmente multifacetado de forma correta e autêntica, de modo a não influenciar o leitor com as nossas pretensas afinidades, criando uma simpatia artificial por uma personagem ideal (que não os há) que teria vivido entre nós numa determinada altura? Mas como uma homenagem é sempre uma homenagem, correremos sempre esse risco, mas quando não o ignorarmos, mas pelo contrário seja um dos pressupostos da nossa análise, em vez de um problema, torna-se uma mais-valia.
Não sei como “chegarei” ao Guillaume Thieriot, e como dali o levarei a vós, e se serei bem-sucedido, mas independentemente do que daqui “sair”, como esta é também a minha despedida, para elucidar os meus sentimentos, direi simplesmente como ele disse no seu discurso de despedida na embaixada de França “(…) Continuo até com muitas interrogações. Mas talvez um papel me venha, ou melhor dizer, não um papel, mas um líquido. Aquele líquido onde se mergulha um papel para revelar uma fotografia. (…)”
Estas frases, metafóricas, como ele as caracteriza, talvez me sirvam também nesta tentativa de “revelar” - mesmo que apenas um pouco, mesmo que apenas “a preto e branco”, na falta de um rolo colorido ainda - algo sobre ele, e principalmente sobre o seu legado, que ainda não foi dito ou apreendido. Por isso começo assim, sem pressas de mansinho, pois como disse o saudoso Amílcar Cabral “porque tenho pressa é que vou devagar”.
Mas quando numa compulsão quase Descartiana, decidi assim proceder, não esperava que essa inusitada decisão levar-me-ia tão profundamente ao meu passado; a recordar coisas que tinha sepultado, há muitos anos, naquele cemitério de recordações mortas, que carregamos toda a vida, mas onde cuidadosamente evitamos entrar; a lembrar coisas que não escrevi quando devia, no seu tempo, no calor dos acontecimentos, e hoje estou deveras arrependido. Por isso entendi que é este o momento de escrever sobre algo, feito de homens e actos, que mais do que passou… ficando, ficou passando. Pois se “nada acontece até ser contada” como disse Virgínia Woolf, aqui nestes tempos, algo “aconteceu” e mesmo que não fosse contada, mereceria sê-lo.

O INVENTOR DA CRIOLOFONIA
Em Bissau, nos tempos que correm, raramente nos aparecem individualidades tão marcantes, seres humanos tão relevantes, como ele, pela sólida cultura, pela competência e vontade de fazer, alem de uma enorme simpatia. Resumindo, o Guillaume Thieriot era um conhecido com quem poucas vezes (muito menos do que quereria) conversei sobre o nosso país, literatura, música, politica ou seja lá o que for, que obviamente eram do meu interesse, mas que também, pelos seus actos e realizações, notoriamente dele. Cruzávamos muitas vezes pelo all do Centro Cultural Francês. Encontrávamos nas vernissages, estreias de filmes, lançamento de livros, espetáculos musicais, seminários, encontros e outros eventos e cerimónias, que através da sua pessoa, o Centro realizava.
Há uns meses, num artigo, em que falava da “crioulofónia” - palavra patenteada por ele, que é o mais novo vocábulo da língua crioula -, (texto esse publicado na fecebook na página da “Terceira Via Guineense”), acabei falando deste senhor, nestes termos: “(…) Nas artes plásticas, na música, cinema e agora em prol da nossa língua nacional de comunicação, o seu legado é enorme e será certamente lembrado por muitos bons anos. Uma pessoa que por acaso do destino reúne num só individuo culturas diferentes como o Francês, o Brasileiro, o Guineense e seguramente outros que não sei. Cosmopolita por excelência, conhecedor da realidade Guineense, falante do Crioulo, amante da cultura Guineense, proporcionou-nos a todos durante estes últimos tempos um verdadeiro reencontro com a nossa própria cultura. Dele pode-se dizer, sem risco de errar, que “se mais não fez, mais não pôde.”
Estas palavras soam a um panegirico, mas não o são; são apenas uma constatação que centenas de pessoas podem repetir sem nenhum problema de erarem. Por isso falar dele, por quem já disse o anteriormente dito, não deveria ser difícil; era apenas, numa questão de justiça, baseando nesse texto, escrever por exemplo “tudo o que disse atrs é verdade, mas pequei por modéstia; é necessário dizer que tudo isso é verdadeiro, mas numa dimensão três vezes mais, etc., etc., ...”
Brincadeiras aparte (Guillaume gostava muito de brincar), mas na verdade, como o texto frisa, como “ser humano” , Guillaume Thieriot era “grande”; naquela acepção de grandeza que tem como base a “bondade de realizar” que uma vez frisei (sem ser entendido cabalmente) na caracterização da personalidade de Amílcar Cabral.
No dia da sua despedida na embaixada francesa, juntou, às três partes formais, constituintes de um discurso, três línguas dos presentes, mas não disse que falando em crioulo, português e francês, juntou estas três línguas a três outras dimensões de uma maneira magnífica: respeito por nós, falantes do crioulo, respeito pela língua do seu país, o francês e como não podia deixar de ser (sendo um diplomata) respeito pela língua oficial do nosso país. E isto não tem ligação com a “língua” mas com “dignidade”. Ou então não seria ele a dizer: « L’une de mes plus belles images au centre culturel, si je dois en garder une, cela aura été la clôture, la kabantada de la sumana di kriolofunia. Avec cette forêt aérienne de textes suspendus (…) cette littérature de corde, cette petite jungle de papier et de mots jetés en créole, et surtout tous ces visages heureux, tellement heureux, peut-être tout simplement de se voir reconnus dans leur dignité linguistique.
A maioria das pessoas tem dificuldade em respeitar algo, que sem ser abstracto, dificilmente é uma categoria mensurável ou mesmo “real” no seu pensamento, como a língua, embora a usem todos os momentos. Pois se o nosso respeito pela língua não tem a ver estritamente com a grandeza da “pátria” dessa língua, então vem do quê? Do respeito pela cultura (literária ou não) dessa pátria? Ou do respeito que temos pelos falantes dessa língua? Ou do respeito que temos por nós próprios, então que falantes dessa língua? Tudo isto não está ainda resolvido em mim.
Discuti estas categorias com o director Thieriot no seguimento de uma intervenção minha na comemoração de aniversário de um banco comercial, no Centro Cultural Francês, em que o chairman era ele. Nessa comemoração, a qui fiz menção atrás, critiquei o facto de um orador convidado falar em francês sem nenhum tradutor como se estivesse num país francófono. Mas pode ser que alguém pensou que era por não gostar de francês, mas falava apenas do respeito que os países e cidadãos de cada país devem ter uns pelos outros pertencendo ou não a uma organização transnacional. Sempre gostei da língua francesa de forma especial e tratei de a aprender nesse mesmo Centro cultural quando ainda no Liceu e depois da faculdade.
Mas criticando o facto do orador se ter exprimido na sua língua, “sem respeito” pelos falantes de português, não retirava o profundo respeito pela língua de Victor Hugo e Balzac, que adoro mais do que respeito a cultura francesa, por tudo que deu ao mundo. Entendo mesmo que nunca, no campo da cultura - se excetuarmos Hélade - outro país deu tanto ao mundo como a França. Quando digo “tudo” quero mesmo dizer “tudo”, no sentido que é tanto que nenhum outro vocábulo pode abarca-lo senão “tudo”. Mas também uso o “tudo” no sentido que “tudo” foi válido, mesmo o “terror” Jacobino da Revolução, que de uma forma enviesada, veio basear-se e legitimar-se na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão já proclamada.

Mas só volto a isto porque entendo que neste discurso de despedida – de que vos apresento fragmentos, para que possam entender quem foi o Guillaume Thieriot - ele, inadvertidamente, de certa maneira, dava respostas às minhas questões: “(…) Reconnaître une culture, reconnaître une langue, c’est reconnaître une personne, dans ses origines et donc dans son devenir, dans un même mouvement continu, des origines au devenir, comme celui qui va de la semence à la moisson. Entre les deux, c’est une affaire de confiance. Mais que l’on peut aider à gagner, par la reconnaissance d’un regard, d’une histoire, d’une langue… (…)"

Falei das línguas que Thieriot dominava, escrevendo nelas e comunicando com elas. Não sei se “pensava” nelas. Só falamos realmente uma língua quando “pensamos” nela antes de falar “com ela”. O crioulo tem um “problema” pois muitos seus falantes embora não “pensem com ela” , falam-na lindamente. por isso os suecos, espanhóis e outros falam-na lindamente e na perfeição, embora pensem primeiro na sua língua materna e depois traduzem para crioulo, com tanta rapidez que nem notam o que estão fazendo. Ele presta-se também a esta “rapidez”, pois pela sua natureza podemos traduzir palavra por palavra, sem ser preciso primeiro traduzir frases inteiras, como nas outras línguas.
No Guillaume, percebi que interiormente, consubstanciava-se a dimensão respeito por ele mesmo, o homem - sem ser o único que nessa sala falava essas três línguas - que tinha com cada uma delas uma relação particular que ultrapassava de longe a simples utilização que a maioria faz delas, simples ferramentas de comunicação. Mas sabemos que nunca é apenas um instrumento de comunicação e interação, porque cada povo é aquilo que é porque a sua língua é aquela que usa; e inversamente a língua de cada povo é “essa” e não outra porque é determinada pela idiossincrasia do povo que o cria todos os dias da sua existência. Embora isto é muito mais complexo do que estas duas linhas possam exprimir. Mas se basicamente o “falar” crioulo pressupõe a priori pensar “em crioulo” , e este assenta numa aculturação crioula, um sentir “crioulo” comum.
Não sei como era com Guillaume, se alguma vez pensou em crioulo, mas falava crioulo na perfeição e usava-a também com lisura. se “pensava em crioulo” antes de falar crioulo ou se traduzia do francês (ou português) , mas sei que “pensava no futuro e presente do crioulo”. Há dias vi escrito na porta da casa de banho do centro a seguinte frase: “kasa de banio i di nós tudo, pabia di kila, bu dibi di usal…”, bom nunca vi em nenhum outro sítio em Bissau, um tal uso do crioulo parecido. Se um homem é a língua que fala, então, tout court, Guillaume também era “o crioulo” que falava maravilhosamente bem; até com uma “perfeição gramatical” que acho surrealista. Basta ir ao Centro Cultural Francês ver os dizeres em crioulo que lá estão colados. Na verdade poderia chama-lo também, sem errar, de “o homem que foi a língua crioula” em analogia ao titulo deste texto.

GUI DE BOLAMA, GUILLAUME DE BISSAU, DIRECTOR THIERIOT E UM CERTO GUILHERME, QUATRO HETERÓNIMOS DE UMA EXISTÊNCIA
Duas semanas antes do “dia da compulsão”, fui assistir a festa de despedida de Guillaume Thieriot feita por artistas Guineenses. Foi, creio, a melhor de todas; uma profusão de cores, grupos de “mandjuandade”, de teatro, actuações de dezenas de músicos e cantores, leitura de poesia, cocktail, discursos, danças, etc., etc. Esta era a segunda despedida dele que assistia, entre tantas outras que foram feitas em sua honra. Mas desta falarei a frente, por agora, pela pressa e método este, de “ir devagar”, falarei da primeira que assisti na embaixada Francesa, feita, portanto, pelos seus compatriotas franceses e colegas diplomatas.
Num sóbrio cocktail, o discurso do Embaixador Encarregado de Negócios, também foi sóbrio, embora simpático e elevados, como é de praxe nestas cerimónias. Mas o que me leva a esse dia é o inusitado (pela forma e conteúdo) discurso de agradecimento do homenageado, a que já fiz referência, uma verdadeira peça de oratória, da altura de um Rui Barbosa (seu também compatriota). Mas o importante para mim, foi que nesse discurso de agradecimento encontrei o cerne do seu pensamento no que tange a Guiné. Um agradecimento que agradece e retribui num despreendimento de alma que levanta um pouco o véu sobre a seu pensar, a sua concepção do mundo em que vive, e particularmente sobre este mundo guineense, crioulo, que em breve deixará.
Mas como este texto não é uma pequena biografia mas a tentativa de dar um vislumbre do seu pensamento sobre nós, resolvi que quero ir para além do que o que ele próprio disse, sobre si (e sobre nós), nesse seu “discurso do método” (do de se ser um homem digno), de despedida. Por isso, embora este texto não seja um “texto sobre outro texto”, esse discurso vai-me ajudar a explicar o “director” Thieriot , o “pauvre homme ” Guillaume e o “nosso compatriota” Gui de Bolama. Mas não só; esse discurso, vai-me permitir falar de nós guineenses, neste particular momento político em que vivemos.
Simples, mas emotivo, foi um discurso onde ressoava não a vacuidade de um conhecimento poliglota enfatuado, mas o respeito pelas línguas em que expressava. Trilingue (plurilingue?), de uma perfeição e beleza notáveis, numa profusão de vocábulos em três idiomas a vez, mas por onde perpassava um sentimento profundo de ligação a esta terra e de genuíno interesse pelos destinos deste povo. Esse magnífico discurso, que dividido em três partes, respeitando assim as regras do discurso, que organiza o texto em três partes principais a saber “apresentação”, “explanação” e “conclusão”, é também outra vez dividido em três partes linguísticas, se assim posso elucidar, pois começa em crioulo e termina em português, separado pelo francês.
Entrando e saindo destas línguas em velocidade de cruzeiro, mas em mudança automática, sem contradições, ligando-as e completando-as numa simbiose de vocábulos e interjeições apreendido por todos, mesmo aqueles que só falavam uma das línguas. Por agora vamos ouvir o director Thieriot que nos leva a um passeio pelas suas reminiscências e vivências, seu percurso académico e profissional, com as suas “sortes e azares” pelo meio, que nunca dependem de nós; ficamos a saber muitas coisas, mas mesmo assim poucas, pois é uma rica vivência que quase parece que não foi aqui. Ficamos a conhecer Michel Flesch (…. qui m’a accueilli avec bienveillance, et soutenu mes pas de débutant dans le réseau français de coopération et d’action culturelle…), a saber de Jean-Claude Buyck (alors premier conseiller, nous avons travaillé en confiance et dans le respect des rôles de chacun...) e de Jacques Courbin (… qui a été de bref passage ici, et cependant décisif …). O anfitrião escutava atentamente, e como nós, veio a saber que ele foi « …celui qui a été le plus présent au centre culturel, et qui a montré le plus grand intérêt pour la société civile guinéenne, et singulièrement celle des artistes et des intellectuels qui ont une deuxième adresse à Praça, au CCFBG. … Leur soutien – et avec eux celui de tous les services de l’ambassade –, a été total, donc précieux… »
Por fim, exausto, sem querer, vai pouco a pouco, abrir-nos a alma do pauvre homme Guillaume, que assim, sofrendo, entra pelas nossas almas adentro, sem pedir licença, cônscio que está que tem todas as licenças… “(…)Ma ami i ka so Blamensi i diretor di centru francis... Ami tambi i papé di dus mininu, 2 fidju brancu n’pelele ki misti presença di si papé pertu delis. (…)
As nossas almas, emperdinadas que são, habituadas a todos os sofrimentos possíveis numa existência, não deixam de se condoer com esta tirada que nos fala da realidade nossa que não lhe permite ficar, embora fosse o seu mais intimo desejo “(…) Enton, n’na bai pa otru terra mas mindjor pa elis. Ku mas estabilidadi. Ma dantes, n’misti fala bos obrigadu di fundu di nha korson. (…)”
Condoemos, mesmo que apenas por que também tivemos filha que não vimos crescer e que se um dia, como ele, nos tivessem dado a escolher, também teríamos ido para outra terra melhor para ela…
Assim embrenhado nos meus pensamentos, nos meus sofrimentos “possíveis numa existência” oiço-o a falar com carinho desta terra e povo. Mitiga a alma, ouvindo-o a citar nomes de pintores, compositores e poetas que trata respeitosa e carinhosamente de elefantes. Ao menos isso, na falta de tudo, de tudo o que perdemos, numa existência em que as perdas são maiores que a própria existência.
Por fim, o homenageado director do Centro Cultural, para controlar a emoção que se apodera de todos nós, toma a palavra ao pauvre homme Guillaume e diz: “Vou terminar em português. Que é a língua de uma certa forma que me trouxe aqui, mesmo se, rapidamente, compreendi a importância do crioulo guineense.”
Na verdade não vai cumprir o prometido e terminará em crioulo.
O Gui de Bolama, esse esta quieto, sabe que nasceu a tão pouco tempo, que talvez não deva dizer nada. Afinal está en terras estranhas, em Bissau, numa localidade que nunca ouviu falar em Bolama, que se chama Penha, onde se situa esta imponente embaixada. Como um heterónimo de Fernando Pessoa, navega em águas que não são suas; sim seguramente não são águas de Bolama. E como bom Guineense aproveita para misturar-se com os convidados, quer provar de tudo, acepipes franceses, tão raros em Bissau. Em Dacar sim, diz-se que eles estão em cada esquina, como os nossos "donetes" aqui. Mistura-se com os convidados e mistura as palavras do orador com o que sabe e não sabe, em suma o que imagina; e parado num grupo de artistas no meio da sala, diz deste seu heterónimo, pauvre homme Guillaume (que de todas as formas conhece melhor que nós), que aos quarenta anos, de potencial político, candidato a eleições, depois de ter sido chefe de Gabinete de um autarca e conhecer as lides políticas, resolve dar o mais ariscado passo da sua vida, abandonar tudo, a França eterna, a boémia Montmartre, as cálidas águas de Côte D`Azur, as visitas semanais ao Louvre, os passeios dominicais nos Champs-Élysées, e ir atirar-se para o desconhecido; ir para um país, que os seus amigos nem conseguiam encontrar no mapa-mundo.
E eis que não acontece a agradável surpresa de ali vir a encontrar uma cidade chamada Bolama, onde um certo Francis Drake, tetravó dele passou um dia há mil anos a caminho do Brasil, e lá se apaixonar por uma índia, para - como o Pedro Álvares Cabral (segundo a Banda Eva?) - a levar numa caravela para as maravilhosas costas da Bretanha, a beber champagne na província de “La Champagne” (dizem que a índia fez um muxoxo quando provou mas depois adorou, naquele tal de “primeiro estranha-se, depois entranha-se”). Ali onde depois de muitos invernos frios e primaveras radiosas , das praias de Brest partiram (com uma revista de Astérix para ler pelo caminho) de volta as terras de Vera Cruz aonde viria ao mundo o nosso Guilherme. Guilherme? Quem é? Pergunta uma senhorita, Desculpem, responde ele, gingando o corpo como só os marítimos fazem, é que Gui, em Bolama, é diminutivo de Guilherme… no Brasil tambem diz está, toda entendida.
É salvo in extremis pelo pauvre homme Guillaume, que nesse momento tomando a palavra ao director , faz todo o mundo prestar atenção; tinha chegado a fase final do discurso, da conclusão. Na emoção do momento, esquece a promessa feita a Portugal, pelo director Thieriot, de terminar a oração com lusitanas estrofes, e deslembrando também da diplomacia, diz: Vou terminar como comecei. Dizendo simplesmente obrigado di fundu di nha korson.
Bem, como “di fundu di nha korson…” parece mais com o crioulo do que com o português, tanto nos vocábulos como na beleza, por issso disse que acabou em crioulo.
O Gui de Bolama, sem entender nada, olhou para o pauvre homme Gullaume e deu os ombros; a este que aproximou-se interrogativamente, disse baixinho: “outra vez em crioulo…" este faz-se de desentendido e pergunta-lhe em português “o que?” Este responde responde com dificuldade (estava deglutindo pela primeira vez na sua vida uma porção foie gras regado com um fresco moet chandon) com a boca cheia: na krioul mas um bias dê!!!
O pauvre homme Guillaume, sem saber o que dizer, partiu ao encontro dos convidados abraçando uns e outros, agradecendo, sabendo que, provavelmente, em breve todos eles serão espuma do tempo, recordações de um sultanato perdido na floresta, um Zamunda, algures na imensidão da Africa. E como um Príncipe Akeem, ao contrário, que não parte de Nova Iorque para África com a sua amada na garupa, mas apenas da Africa Atlântica para a África do Indico, que sendo uma mesma grande Africa é a única de todos nós, dele, de mim e de ti.
Ao lembrar disto, o pauvre homme Guilaume volta para junto do Gui de Bolama, a tempo de servir-se do ultimo pastel da travessa, que este fazia tenção de não deixar desamparado, e lhe disse, fazendo “tchin-tchin” com ele: “você deturpou as minhas palavras, o que realmente disse, foi o seguinte: “… Dona di nha dona di nha dona, um alemao ku tchama Müller, ora ki bai ba pa Brazil, i para ba na djiu di Bolama, nunde ki fica ba um bocadu ku nha dona fémia di nha dona fémia di nha dona fémia, si kombossa, mamé di nha dona di nha dona di nha dona ki bai ba pa Brazil ku alemao ku tchama Müller.”
Bem, agora já não sei se o Gui di Bolama que ouviu mal ou se fui eu (eu estava naquela roda de artistas), mas como quem esta a escrever é que tem responsabilidades (acrescidas, como se diz por aqui) aceito que fui eu, na ânsia de escrever um texto bonito. “Bo obi diritu ?” bem estas ultimas palavras em crioulo são emprestadas ao Guillaume pauvre homme .

UM ILUSTRE DESCONHECIDO
Como Gui di Bolama já falou dos brasões familiares do Guillaume Thieriot, resta-me voltar as palavras dele, agradecendo a nossa presença e o gesto em sua honra. Pois foi neste dia que fiquei a conhecer um pouco mais do percurso de vida deste cavaleiro. Durante a sua emotiva intervenção, Guillaume Thieriot acabou descerrando um pouco o véu sobre a sua vida privada (origens familiares) e profissional, e como veio a chegar a esta martirizada terra.
Nesse momento compreendi que pouca coisa conhecia da vida pessoal, para não dizer privada, deste homem afável e pausado. Mas como ele não é meu amigo isso era normal. nunca tomamos um copo juntos ou coincidido sair numa campainha comum, embora Bissau seja muito pequeno. Nem o número do telemóvel dele alguma vez tive no meu.
Nunca o conheci na intimidade, salvo uma vez, que o vi sentado no “café” Benfica, rodeado da esposa e os dois filhos, que vieram de visita, creio. Pela proximidade e exiguidade do espaço, mais do que pela educação, não pôde deixar de o cumprimentar (e já agora, não me apresentou a esposa, pois como disse, não eramos amigos. Mas como disse , não eramos amigos, nem sei se alguma vez fomos camaradas (“Cau pera sabura pa cunsi camarada. Sabura sucuro pa cunsi camarada”, bu lembra Guilherme?).
Friso isto por ser verdade e por uma outra razão; temos que começar a ser criteriosos no uso das palavras; toda gente, aqui, diz que ele era um amigo e vice versa. Discursam dizendo “o meu amigo Gui” e depois, isto ou aquilo. E muitas vezes esse tratamento não correspondia manifestamente a verdade).
Mas gostaria de ter sido seu amigo e o digo isto aqui sem nenhum pudor (se devemos ser rigorosos com as palavras, muito mais com os sentimentos) pois raramente em minha vida “quis”, conscientemente, “ser amigo” de alguém. Por isso possivelmente este texto é escrito também desta maneira como o escrevi, com algum sentimentalismo, mas sem vergonha do mesmo, pois como o G. K. Chesterton disse há tantos e tantos anos atrás, "O miserável receio de ser sentimental é o mais vil de todos os receios modernos." Por isso que Deus me ajude de não albergar esse “miserável” sentimento na minha alma quando falo deste outro senhor.
Mas “não ser amigo” é apenas uma condição necessária, mas não determinante, para o que dizemos. Quando digo que não somos amigos, quero que também entendam que por essa razão não o conheço, tudo o que viu, fez e ou mudou nesta terra. Por isso pouco posso dizer, mas mesmo assim, ainda há algo a dizer por mim. Assim, deste “não amigo”, deste “ilustre desconhecido”, qual um Cyrano de Bergerac Guineense, posso falar com tranquilidade e distanciamento.
Entendi algures que ele não quereria mais uma homenagem depois de tantas que lhe foram prestadas, mas realizações. Ou diria que a homenagem que mais lhe agradaria seria a realização dos seus sonhos para nós que são tão grandiosos como simples: “(…) se acreditarem na sua língua, na sua cultura, em vocês mesmos, poderão fazer coisas maiores (…)”
Daqui parto para essa dimensão mais humana dele. Como disse não quereria que dele falasse, elogia-se e dissesse coisas bonitas, por mais merecidas que fossem, apenas por dizer. Mas aqui, através do Guillaume, devo falar de uma outra dimensão, a dimensão dos que ele influenciou consciente ou inconscientemente. Como exemplo dou o de um grupo musical Guineense (da qual nunca tinha ouvido antes falar sequer), chamado estranhamente de “Exercito de Já”, que irrompeu pelo palco do Centro Cultural sexta passado a cantar música Reggae. O vocalista, uma cópia jovem do grande Bob Marley, mas com todos os maneirismos deste, brindou-nos no fim com umas eloquentes palavras em inglês, português, crioulo (e uma tentativa pouco conseguida em Francês); basicamente disse que agradecia ao Guillaume por ter sido o primeiro que neles confiou neste país e o primeiro a lhes dar uma oportunidade de poderem apresentar-se ao publico tocando a sua música. O primeiro a acreditar neles (podia ter sido o último em não acreditar, ou mais um apenas, que não acreditou)? Aceitam que para estes jovens esta dimensão é diferente de tudo a que estão habituados neste país? Bem, falei destes, que conheci, mas quantos outros haverá que só Guilherme conhecerá porventura? E porque ele e não nós?
Entendo que a “mudança de pensamento” na direção de valorização da cultura, nunca deve ser um fim em si, mas apenas um caminho para a valorização de homens como um todo, como um “conjunto de homens” unidos por um destino comum, que muitos teimam em não ver. . Em outro lugar afirmei que “não se salva um povo pela economia, mas pela cultura” , querendo com isso dizer que se a economia é a base sem a qual nada é sustentável, a cultura é a superstrutura sem a qual não existe e não existirá a nação.
II
Há frente vos falarei da cidade de Moscovo e a sua ligação (!) com Guillaume Thieriot, atrarves de mim; ou a minha ligação com essa cidade através dele; Já nem sei a quaantas ando, mas por agora quero vos contar uma pequena história que veio dar o título a este texto. Pouco depois de ter concluído a faculdade, um dia em Moscovo, tendo levado a minha esposa e filha ao aeroporto de Sheremetievo a fim de viajarem para Lisboa, na volta conheço um velho latino americano, que já vivia há muitos anos em Moscovo. Como o metro é tão grande como essa cidade de 12 milhões de habitantes, demoramos quase uma hora a chegar ao centro. Pelo caminho falamos de muita coisa, desde Mayakovski ao Balet Russos, passando pelas lutas de libertação, Cuba, Angola, perestroika (que estava no seu auge), Gorbatchov e de outras coisas também importantes, como da beleza das mulheres. Moscovo é uma cidade de mulheres bonitas que entram e saem das carruagens do metro numa profusão tal que era impossível apreciar cada uma delas mais do que três minutos inteiros. Na altura, capital de um gigantesco estado multinacional e transcontinental, nessa cidade havia todos os tipos de mulheres que existiam neste mundo; desde caucasianas, asiáticas, orientais, indianas, chinesas, mongolianas, e de todas as variações possíveis dentro desses grandes grupos. Loiras, ruivas e morenas (todas as tonalidades imagináveis de loiro, ruivo e moreno) de olhos azuis, verdes, negros, e tantas outras impossíveis de quantificar. Era tanta beleza em cada carruagem que era impossível catalogar. A tentação de olhar para todas, de por um minuto ter nos nossos olhos essas maravilhas da natureza, era grande, mas os olhos eram apenas dois e de nenhuma maneira era possível. Abatido pelo cansaço, acabei desistindo , e o velho que apreciava os meus olhares, enquanto respondia as suas perguntas, disse meio sério, meio a brincar, algo que até agora não esqueci, embora que passados vinte anos: “Fernando, no se puede tener a todas las mujeres del mundo, pero tenemos que hacer lo posible”, ou qualquer coisa de muito semelhante; isso me fez rir tanto, como ainda rio agora ao relembrar. Mas só conto isto, porque com apenas quinze anos, sem ainda conhecer nem Dacar e muito menos Moscovo, resolvi ler toda a biblioteca nacional, em apenas três meses (férias grandes). Nessa altura, depois da minha frustrada tentativa (também abatido pelo cansaço, dececionado comigo mesmo, quando as ferias findaram), continuei com a minha decisão; mesmo no período escolar sempre que podia a ir a essa biblioteca. Embora já tinha percebido que a decisão tomada era irrealizável. Mas a analogia que encontrei entre as duas situações me fez pensar que então, a dificuldade já era a mesma, por isso a decisão, embora inconsciente, deveria ter sido igual: “não se pode ler todos os livros do mundo mas devemos fazer os possíveis”.
Mas nem tudo foi perdido, nessa minha tentativa, pois conheci escritores que nem imaginava existirem. Mas para este texto só falarei de um que tinha escrito livros com títulos estranhos, como “O HOMEM QUE ERA QUINTA FEIRA”, “NAPOLEAO DE NOTINGHAM HILL “, e outros tão estranhos como estes; chamava-se Gilbert Keith Chesterton. É inspirado nele que vou buscar o meu título para este texto e uma descrição para o meu homenageado: O HOMEM QUE ERA UM CLAMOR.
Assim chamei Guillaume de “Um Clamor” ; de facto foi um clamor na noite escura da cultura Guineense. Pois um clamor mais que uma luz, chega a todos. Uma luz só é vista por quem olha em sua direcção, mas um clamor é espalha-se por todas as direcções; acorda-nos mesmo se estivermos a dormir. Sendo como ele, um homem temerário nas palavras, chamo-o como deve ser chamado. Que dizer mais dele? Ou por outro, o que não deve ser dito, o que é pouco relevante, o que pode ser deixado de lado da vasta obra do Sr. Thieriot? Se não estamos a escrever uma biografia , como medir a importância deste vulto para o nosso país? Desse que se orgulha de nós, as vezes mais do que nós próprios? Nas suas emotivas palavras “N’ta sinti orgulhu kada bias ki n’tene ki fala di Guiné Bissau la fora.”
Eu sinto orgulho de ouvir você dizer que sente orgulho de nós Guillaume, porque sei que é desinteressado, é apenas, produto da amizade e vivência comum. Prevejo que esta vivencia venha a dar frutos e coroar mudanças que já despoletou, prevejo profundas mudanças na nossa maneira de relacionar-mos com a nossa cultura

A CORAGEM DE COMPRAR UM CAIXÃO
Como prometi vou agora para a segunda festa de despedida, a dos artistas, feita no Centro Cultural francês de que já falei em cima, onde, numa intervenção emotiva, forte, derradeira, o Guilherme disse uma frase memorável:
Guineenses bô tem ku ossa!
Como já disse, foi a melhor de todas as homenagens que assisti em sua honra. Juntaram-se músicos, pintores, dançarinos, cantores, escritores, poetas, sem esquecer gente simples e anónima, como eu, que também estavam presentes para o homenagear. O formato era mais ou menos previsível: falaram os funcionários do centro que com ele trabalharam, os professores, o Encarregado de Negócios da França no País, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Director Geral da Cultura, possivelmente mais pessoas que não me recordo aqui.
E por fim Guillaume Thieriot que num improviso calculado e contido (por algumas notas que tinha nas mãos) fez a melhor intervenção da noite e (julgo) do seu tempo em Bissau. Repetiu a frase acima umas cinco vezes, com variantes diversas (que só o crioulo permite), mas a mensagem clara e não sublimada por nenhuma censura, diplomacia ou cuidados, era que “nós, os Guineenses, temos que ter coragem”. “Começar a ter coragem”. Naquele momento ele não era um estrangeiro, era um guineense como qualquer um de nós, nem mais nem menos. A sua alma e coração eram iguais aos nossos e batiam no mesmo compasso, ansiavam pela mesma justiça, pela mesma liberdade.
Consciente, sentia-se Guineense, corporizava os nosso sentimentos de dor, vergonha, humilhação e incapacidade de ousar. Sim, há que dize-lo com todas as letras, ele percebeu a cobardia em nós. Por isso falou dos direitos humanos pisados, do vilipêndio do povo, dos assassinados, da transformação do país nas bocas do mundo inteiro em sinonimo de estado pária, de narcotraficantes. E nós calados sempre...
- “Bó tem cu ossaaaaaa!”
Têm que ousaaaaaar….
Temos que ter a ousadia de ousar primeiro, antes mesmo de ousar. Pois nos falta não apenas a coragem de mudar, mas a ousadia de ter coragem. A ousadia de ousar.
Esse clamor na noite, instilando-nos coragem, apelando para os nossos sentimentos mais profundos, para a nossa dignidade, para que possamos por fim mudar as nossas existências, era algo digno de se ver e escutar. O olhar, os gestos, a voz, tudo nele era espírito; espírito que “deu um passo à frente, superou a sua forma concreta anterior e adquire uma nova.” Estas palavras de Hegel, da “Fenomenologia do Espirito” definiam melhor que todas as minhas, o espirito inovador de Guillaume Thieriot, que nessa noite tomava a forma humana. E quero crer que o exemplo dele ajudará para que um dia “todo o conjunto de ideias e conceitos que vigorou até agora, as próprias relações do mundo, se dissolvem e desmoronam como num sonho.” E assim, como àquele de Hegel, o mundo guineense será outro, novo e poderoso. Resta dizer, numa analogia com o grande pensador Alemão, que se “Napoleão era "o espírito universal a cavalo", este seu compatriota, nessa noite, era a personificação do espírito guineense, cavalgando, mesmo que ainda sem cavalo...
Os ecos da sua voz ainda ressoam nestas paredes, por isso quis começar este texto aqui mesmo, a sombra desse eco e acaba-lo na cidade, algures, levando esse eco comigo, no meu coração. Mas vai ressoar durante muito mais tempo ainda no coração daqueles jovens a que ali estavam a ouvi-lo, é esta mudança que ele despoletou neles. Quando digo que ele sentiu-se Guineense como nós, nem mais nem menos. E sei do que falo; o ser humano pode interiorizar um sentimento de pertença comum com um povo e viver as suas dores como se ele fosse filho desse povo. As vezes, essa interiorização e comunhão são tão grandes que é igual ou maior do que aquela que sentimos pelo nosso povo. E muitas vezes é maior do que de muitos filhos desse povo, pelo seu próprio povo e comunidade popular.
Conheço este sentimento por mim próprio e vou-vos falar dele para entenderem as razões da dor e revolta do Sr. Director perante o descalabro que ele encontrou quando chegou a este país. Parecem ser coisas que nada tem uma com outra, separadas que estão no tempo e geografia; um há vinte anos atras na Europa, mas por fios invisíveis, feito do destino de milhares de mortos e vivos, estão ligados. Pois nós nos ligamos a Rússia muito cedo e a sua desgraça também. A primeira ligação (a de Cabral) serviu para nos libertar, a segunda (a de ninguém) serviu para o que sabemos. Contribuiu também (mal aproveitada e pessimamente entendida) para o nosso viver actual.
Ao ouvir o Guillaume Thieriot gritando “Bo tem ku ossa”, o sentimento que se apoderou de mim era igual a aquele que nesse dia quando soube dos Golpe de Estado a Gorbatchov. E nesse hall do Centro Cultural, envolvido pelo ensurdecedor barulho da tempestade que desabava lá fora, lembrei-me dos últimos dias da União Soviética, quando o grande império, o maior em contiguidade e também o mais poderoso de sempre, tombava para nunca mais levantar.
Jovem recém-licenciado, estava em plena Praça Vermelha em Moscovo, no meio de um mar de gente, vendo a queda com estes mesmos olhos que ainda não envelheceram o suficiente para lhes dar descanso merecido; pois contemplaram o o passado, o presente e o futuro nesse mesmo dia.
Ao ouvir a notícia do Golpe na rádio de um táxi onde me encontrava na cidade de Minsk, dirigi-me imediatamente para o aeroporto para apanhar o primeiro avião que pôde, para aterrar num Sheremetievo (aeroporto de Moscovo) rodeado de tanques. Boquiaberto, consegui sair a custo, e apanhar um táxi; e quando o Chofer perguntou a direção respondi sem hesitar: Praça Vermelha. Nem pensei em ir para casa primeiro; não podia perder por nada deste mundo esse acontecimento maior da história neste Século. Setenta anos antes Lenine com a Revolução de Outubro tinha mudado o mundo e a história do homem e nesse dia, era o dia do fim desse mundo tal como o conhecemos durante sete décadas. Dentro desse táxi deslizando velozmente pelas ruas desertas dessa Moscovo ainda a despertar, entendi tão diafanamente que nesse momento estava-se a fazer historia e isso era imperdível. Mas eu e o meu táxi, infelizmente, não conseguimos passar ao “Bolshoi” (Grande Teatro) toda o triângulo central de Moscovo estava ocupado por soldados, forças de intervenção rápida, policias, paramilitares, numa profusão de uniformes e escudos anti balas e capacetes de aço reluzente e kalashnikovs prontos a disparar. A praça do Manege, a Pushkinskaia, a de Yuri Dolgaruki , todas completamente tomadas pela população em fúria. A frente da estátua do fundador de Moscovo havia uma multidão enorme caminhando para a Camara de Moscovo; era algo de extraordinário, as ruas e os passeios estavam cheios e caminhei com a Multidão até ao Kremlin. Os boatos eram muitos, havia quem dissesse que o Gorbatchov tinha sido morto na noite anterior e que como a setenta anos atrás depois da morte do Imperador, também ia haver Guerra Civil. No meio dessa turbamulta, os sentimentos eram iguais, o nosso ódio era imenso, a nossa indignação incomensurável, o nosso sentido de dignidade ultrapassava tudo que havia lido ou pensado algum dia.
Nesses frenéticos dias de incerteza, raiva e desespero de todo um povo, nem por um instante me passou pela cabeça que aquele era um problema era dos Russos e não meu. Disse o “nosso” ódio e a “nossa” indignação, porque eu, como eles, sofria da mesma maneira. No meio de moscovitas, caminhando sem saber para onde, quase que sentia a respiração John Reed, marchando na multidão, ao nosso lado, escutando os sons da sua maquina de escrever, contando página a página, a queda de um outro império, setenta anos antes, no seu famosíssimo “Os Dez dias que abalaram o mundo”. A queda do Imperio Russo que levou a ascensão ao poder dos Bolcheviques conduziu-nos a este dia em que marchávamos lada a lado, desconhecidos na multidão mas irmãos na vontade.
Quando a multidão chegou por fim a Praça Vermelha, com o perigo de disparos, as mulheres do povo pediam aos soldados para não atirarem contra o Povo. Depois de breves momentos de indecisão organizamo-nos de novo e num movimento indefinido a multidão partiu em direcção a Casa Branca (Parlamento Russo). Os boatos eram muitos, havia quem dizia que o Gorbatchov tinha sido morto na noite anterior e que como ha setenta anos atrás depois da morte do Imperador, também ia haver Guerra Civil. Dizia-se que Eltsin (o presidente do Parlamento, que viria a ser o primeiro Presidente eleito da Rússia) encontrava-se lá e, como em Smolnin, setenta anos antes, lá seria o Estado-maior da Revolução. Muita gente estava ao lado dos legalistas e contra os golpistas. Eu, como não podia deixar de ser, fui atrás deles, tão fervoroso como eles, nessa minha “revolução”; naquela multidão compacta, onde bastava cair para ser pisado, quase podia jurar que eu era o único negro. Barraram-nos o caminho logo depois, antes de desembocarmos na praça defronte ao Parlamento. A esse mar de gente um coronel da polícia antimotim mandou recuar. O parlamento estava cercado. Havia tanques e atiradores de elite por todo o lado. Sem saber o que fazer, sem lideranças claras, o povo ia dispersando. Ali, neste imenso mundo, encontrei Ariel, um estudante do Panamá, do meu Instituto fazendo fotos… e fiz alguns para a posteridade ao lado de um tanque de grandes lagartas. Depois com o frio a fazer sentir voltei para trás e na Rua dos 40 Comissários consegui ligar para a minha esposa que estava em Lisboa nesse momento com a nossa filhinha. Não posso contar todos os sucessos desses dias memoráveis que vivi, vim a saber, por exemplo, que quando a policia nos barrava a passagem, o B. Eltsin subia num tanque, e proclamava que o golpe não passaria e que a Nova Rússia tinha nascido nesse dia. A noite, três jovens morreram onde estive nessa tarde, a frente dos tanques, defendendo a liberdade. Por fim o Povo conseguiu ganhar. O golpe falhou e Gorbatchov foi libertado. E B. Eltsin, discursando, chorou pedindo desculpas por não ter podido salvar esses meninos que foram mortos pelos tanques… o resto é história. Mas eu, que estive lá, nessas horas de aflição e glória, caminhando com a História, empurrando as suas rodas, jamais esquecerei. Nesses dias que o mundo inteiro conteve a respiração por semanas sem saber o seu próprio destino, pois ninguém sabia quem controlava as armas nucleares que podiam destruir o planeta dez vezes, a sorte da humanidade também estava a ser decidido por nós nessas ruas com mais de mil anos. Por isso sempre que vou a Rússia não deixo de ir a Praça Vermelha, olhar os velhos muros do Kremelin, os maciços e vetustos prédios da Rua Gorki e lembrar esses frenéticos dias. E sempre subo a Rua Outubro até a praça Pushkin e depois sem parar até estátua do Yuri Dolgaruki, numa silenciosa saudação a ele que como há mil anos atrás quando fundou essa cidade, continuava em cima do seu cavalo. O então embaixador Guineense em Moscovo nunca entendia essa minha “fixação” e nunca lhe contei, pois achei que ele não iria entender… ou achar pueril.
Caro Gillaume, desculpa lhe levar a Moscovo e trazer de novo a Bissau, mas “se você não contar a verdade sobre si mesmo, não pode contar a verdade sobre as outras pessoas” como nos dizia a Virginia Woolf. Mas além disso você é o culpado destas reminiscências, pois se tivesse sido meu amigo um dia teria contando-lhe esta história, que só conto aos “meus amigos mais amigos” (mais chegados, em português, mas estou a pensar em crioulo e a escrever em português).

III
No concerto a seguir ao discurso do Guillaume Thieriot , um famoso artista da nossa praça, Justino Delgado, antes de iniciar a sua atuação, disse que ao ouvi-lo, deu-lhe que pensar, pois neste país “kim ku ossa ossa!” (quem tiver a ousadia de ousar) tem primeiro que encomendar o seu caixão. E disse mais, “se ele, Justino, hoje está vivo, foi graças ao facto de o terem achado insignificante, naquela altura quando foi preso; doutra forma não estaria nesse palco connosco. Sentado no escuro da sala escuto esse senhor da música guineense, homem da minha geração, colega no ciclo preparatório, e lembro inquieto da música hoje quase esquecida do Zé Manel Fortes “Si n`bim disparsi” e procuro o Guillaume Thieriot com os olhos para telepaticamente perguntar, como Gui de Bolama, “Guilherme, sabias disto e daquela música esquecida?”
Pode ser que quem tenha coragem na Guiné, precisa comprar primeiro um caixão… mas nesse instante o que J. Delgado disse tinha uma certa analogia com uma frase do romancista Inglês G. K. Chesterton, de que já falei: "A coragem significa um forte desejo de viver, sob a forma de disposição para morrer."
Comprar o nosso caixão significa de facto “disposição para morrer” mas demonstra também um forte desejo de viver em liberdade. Uma vez, nos Sete Instantes de uma Primavera, escrevi o seguinte: “(…) a vontade só vence a realidade quando não se tem medo da morte. É esse o combustível da vontade: a coragem de morrer pelo que acreditamos. (…)”. Nisso acredito piamente; temos que ter a disposição para morrer sempre. Não dizia Franz Fanon que a “morte sempre nos acompanha e nós não somos nada sobre a terra, se não somos, desde logo, cativos de uma causa, a dos povos, da justiça e da liberdade." ?
Mas nem todos os homens estão predispostos a morrer, isso entendo, mas podiam ao menos não se vender, não serem escória, pois isso não entendo. Pois devemos estar pelo menos predispostos a pobreza, se queremos que algo valha a pena, em nós e nos vindouros. Guillaume, você disse e bem que “ (…) A vida não é nada fácil na Guiné Bissau. Os sobressaltos político militares e as incertezas económicas, a dureza do cotidiano sem água nem luz sempre, a fragilidade do futuro, vocês aqui mostram cada dia sua coragem, sua paciência (que é a ciência da paz) sua alegria e sua generosidade. Isto também me serviu de lição para a vida.(…)”

Sim e devia servir de lição para nós também, e não servir de desculpa para toda a baixeza que pode caber num ser humano. Uma vez, logo a seguir ao último Golpe de Estado, de comentando com um amigo a situação do país, falei da hipótese de que numa futura mudança, os que apoiaram a situação actual poderiam vir a ter problemas com outros que viriam a seguir; mas ele mais avisado e talvez mais conhecedor da alma humana, disse-me que estava enganado; pois aqueles que andam sempre atrás de todo o Poder que aparece são sempre os primeiros a mudar de campo. E que quando isto mudar de novo não vão se dar mal. Pois, “quando isto mudar tu é que vais-te dar mal de novo, pois enquanto estiveres a pensar se mudou para melhor ou para pior e poderes agir em consonância com a tua consciência, eles que não têm esses princípios, já estarão outra vez com o novo Poder. E serão eles que te receberão (perdão, rejeitarão) e quando lá chegares …”
Por isso misturando o crioulo com o português, como você, peço-te: “Pistam pô di curpo”. Esta frase crioula foi usada por um cantor Guineense, Carlos “Neta” Robalo, há muito pouco tempo, com muita mestria, numa canção de amor. Pistam pô di curpo Guilherme, mas “i ka pa n`rola nel” como dizia Z. M. F em “Testemunhos di Aonte”. Para que quando “Bardadis di Aós” chegarem, pela voz forte dele, ainda estar vivo para cantar e dançar. Não quero dizer “sim bim disparsi” como ele no seu tempo, quero apenas viver a minha existência, no meu tempo, no meu curto tempo de vida.
Pois se infelizmente há uma nacional ausência de coragem neste país, que você constatou e muitos outros antes de você, também há os que pugnam por uma mudança e lutam por isso com as armas que têm. E essa mudança não é dirigida contra pessoas, mas contra a nefasta ordem social que temos que nada permite desenvolver e nem o desabrochar de um mundo novo.
Pois há homens que, embora sendo políticos, não lhes interessa só o bem material ou a admiração de seus pares mas o sentido da vida. Pois por mais ricos que sejamos, por mais mulheres lindas que possuirmos, por mais cultos que possamos ser, chega uma altura das nossas vidas em que, solitários na multidão, a nossa inquietude de homem nos faz pensar que há algo mais, para além do material, que precisa de uma resposta; que precisa ser respondido para se entender o sentido cabal da vida. Pois sem este entendimento último todo o resto não vale nada.
Por isso peço ao Guillaume que me empreste o seu corpo, para com esse corpo levantar outros corpos que estão ainda sentados, debruçados, deitados.
“Pistam bu curpo”, Gui di Bolama, apenas “pam firmantal” diante deste meu texto, como um escudo protector, pois sei que não estamos em nenhuma primavera árabe; apenas na primavera dos “baridures di padja”. Pistam pô di curpo” Guilherme , mas não apenas do corpo, mas da voz também, para poder gritar como você na noite escura do nosso povo:
Guineenses bô tem ku ossa!

A MENINA DE CALÇAS VERMELHAS E BRINCOS DA COR DO SOL
Este texto não é panegirico de Guillaume Thieriot, antigo Directeur du Centre Culturel Franco-Bissau-Guinéen (CCFBG), antigo Directeur de Cabinet du Président de la Région Provence-Alpes-Côte d'Azur, antigo Conseiller du Président de la Région Provence Alpes Côte d'Azur, antigo… nem ele gostaria disso. Mas é sobre algo que tem a ver com o seu legado. Um legado de longo prazo que ele deixa neste país. Um legado de esperança e de mudança. Um novo movimento cultural e social, do qual ele disse: “Não deixem fechar as portas abertas nem parar o movimento iniciado ou acelerado. Que abrimos e iniciamos juntos. Um começo de alguma coisa...”
Indubitavelmente este país mudou este homem, mas ele o mudou também “nin si um bocadinho” também. A sua vivência com filhos deste povo deu-lhe bases para uma nova compreensão do mundo que porventura não trazia ao aterrar em Bissalanca. Mas como o Kant postulava, tudo o que nos chega não encontra apenas uma tabua rasa, passiva onde se realiza, mas encontra já uma natureza predisposta, que o molda segundo a sua própria estrutura interna. E assim, a alma guineense encontrou nesta alma inquieta, interessada no seu tempo e no seu mundo, um espirito analítico, com um alto sentido de justiça inerente a sua personalidade, para quem aa dignidade humana, não é apenas um lugar-comum, que se realiza apenas no respeito pelos direitos humanos, mas na sua elevação cívica, moral e finalmente cultural. Este choque permitiu a este homem mudar indubitavelmente também este país, mesmo que apenas um bocadinho. E como os “bocadinhos” de uma mudança cultural não são mensuráveis, o bocadinho que nos mudou pode ser a semente para uma esmagadora mudança que todos esperamos e que um dia chegará. Mudou a mente de muita gente, naquela antiga mas actual compreensão de Malcolm X., de que "as únicas pessoas que realmente mudaram a história foram os que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos”.

Mas para nossa sorte mudou a mente de fazedores de opinião, de artistas, de músicos, de gente que tem maior capacidade de mudar um povo do que outros como nós arquitectos, engenheiros, médicos ou juristas. Mesmo que estes ainda não tenham entendido essa mudança. Falo de mudanças que despoletou, conscientemente uns, e inconscientemente outras, como creio, nesta sociedade, num grupo de fazedores de opinião, num conjunto vasto de artistas de todos os quadrantes. Mudanças que perdurarão para além dele e de todos nós. Pois acredito que as mudanças culturais podem ser mais subtis do que fazer uma ponte sobre de João Landim, mas são mais permanentes, pois depois de despoletas realizam o seu caminho sozinhos, despoletando outras mudanças e forças ocultas. Acordando gerações adormecidas. Uma ponte pode ser até destruída por cataclismos ou bomba, mas como uma mente que depois de aberta a novas ideias, nunca mais volta ao tamanho anterior, as mudanças culturais são imparáveis e impossíveis de contradizer.
Felizmente, Guillaume, compreendeu isto de uma forma magistral, pois ainda oiço as suas límpidas palavras: “(…) Car s’il y a une chose qu’un peu naïvement j’ai découverte ici, c’est finalement l’importance de l’action culturelle en matière de développement. Dans une vie antérieure, je m’étais occupé de grands programmes d’investissements, d’infrastructures et d’aménagements. Arrivé ici, avec d’abord simplement le sentiment d’accomplir, non sans conviction, une sorte de mission de service public culturel et éducatif, j’ai compris que quelque chose se passe dans la tête, qui ne se règle pas par des ports ou des aéroports. Mais avec la culture, oui. On peut redonner un sentiment de fierté. De dignité. De la foi, j’ose le mot, malgré son caractère religieux. Mais de fait, à un moment donné, il faut y croire. (…) ".

O grito libertador de Guillaume Thieriot, nessa noite de temporal, se for mal compreendida, terá apenas que ver com a coragem de uma revolta social ou política, mas ela na verdade tem mais a ver com uma coragem maior, a coragem de realizar. Assim deixo-lhe falar, outra vez, nesse memorável dia em Penha: “A quem me pergunta o que vai acontecer depois da minha estadia aqui respondo sempre: depende de vocês. Se acharem que tudo depende de uma pessoa, nada vai mudar, ou só por breves momentos. Agora se acreditarem na sua língua, na sua cultura, em vocês mesmos, poderão fazer coisas maiores ainda (…) o que na verdade é vocês que deviam fazer. Então que o façam. Ora ! Façam-no !”

Nesse dia, em Moscovo, comtemplando a História a realizar-se, com os meus olhos nus, senti, mais do que compreendi, que nesse momento estava exatamente onde devia estar, em todo o mundo e em toda a minha vida. Guillaume Thieriot, de Setembro de 20011 a Agosto de 2013 esteve onde deveria estar em todo o mundo em toda a sua vida, na nossa Guiné. E acho que ele compreendeu isso mais do que todos nós, mais profundamente pelo menos…
Estar e fazer- estar e realizar mesmo que no nosso lugar, mesmo que no lugar dos que deviam e não fazem… - não querendo dizer isso para não magoar, afinal “(…) N’gosta thchiu di bos tudu…”, diz com simplicidade , “…Foi o Atchutchi, o Elefanti garandi, Atchutchi, que me sugeriu esta metáfora, me dizendo com amizade que eu havia mostrado o que na verdade é vocês que deviam fazer.”
Sim, hoje, ao questionar-me sobre o “porquê” da decisão de escrever sobre Thieriot, percebi que na verdade há coisas, que nem de propósito, acabam despoletando outras que mais dolorosas e nos obrigam a olhar profundamente para dentro de nós para tentar saber quem é afinal “esse” que somos nós. E “desse” que somos chegar a “outros” que são… as vezes como nós, outras vezes não.
Ele não era como nós, mas ao ouvi-lo clamando na noite, como um João Baptista no deserto, lembrei-me do episódio moscovita, que decidi contar aqui, para que um dia alguém venha a saber o que vivi nesse dia.
Mas, mais do que a comparação, sei que aqueles sucessos que narrei, foram o corolário de um viver indigno de mais de setenta anos. Um modus vivendi errado, demagógico, irresponsável, ideologicamente arrasador e só podia terminar assim, numa Götterdämmerung de ferro e fogo. Mas não era diferente, salvo as respectivas proporções, a este nosso, de quarenta anos. Pois os nossos foram baseados de certa forma naqueles. O resto é história e está escrita de forma indelével nas nossas vidas.
Pois quando aceitamos nesciamente, sem entender, um modo de vida similar, baseado numa compreensão da vida, da sociedade e numa economia similar o resultado não poderia ser outra, pois infelizmente para nós o que sobrava ali de riqueza e meios aqui faltavam clamorosamente. Mas isso é assunto para outro texto específico, só f alo nisso porque a justiça e a dignidade humana, foram vilipendiados da mesma maneira.

Ao escutar as vibrantes palavras de Thieriot, fazendo tremer as paredes, calando a tempestade que desabava, ameaçando levantar o Centro do chão, entendi com a certeza absoluta que o sentimento que se apoderou dele nesse dia era idêntico ao meu, nesse longínquo dia quando era ainda um estudante.
E é esse entendimento que fazia o Director clamar na noite pela mudança. Por isso voltei no tempo vinte anos para entenderem de que estamos a falar quando falamos do sentimento único de cobrir-se com o manto de um povo, chorar as suas dores e parir os seus filhos. Em cada despedida cobriam o Director com panos e mais panos, sem saber que o cobriam com as nossas dores, o nosso atraso, a nossa fome, a mossa vergonha, a nossa cobardia de mudar os nossos destinos.

É necessário dizer, com todas as letras, que neste momento precisamos de uma nova perspectiva política, nunca antes pensada, pois só assim é possível chegar a uma solução inovadora para este alquebrado contexto nacional feito de uma manta de retalhos de sensibilidades de várias ordens. Mas acima de tudo, precisamos de uma nova maneira de actuar na política, nunca antes tentada, pela ousadia, diferença e inconformismo.

II
Muitas vezes quando escrevemos algo sobre “algo” ou “alguém” dizemos que é para preservar isso para uma memória coletiva futura. Porque como os Romanos diziam “Verba volant, scripta manent” (as palavras vão os escritos permanecem), e é verdade por isso ainda hoje lemos Platão e Sócrates não. Ou por outro, lemos este através daquele, para dar apenas um exemplo. Mas se for verdade, a partir de textos como este, espero que um dia, no fim deste primeiro quarto de Século, quando alguém falar de Guillaume Thieriot nas Ruas de Bissau, não se diga, olhando para o Ceu, “parece que foi um pintor paisagista ou caçador francês que aqui esteve…”, ou qualquer coisa ainda mais desconchavada.
Mas se isso é apenas uma desculpa, para quando nos perguntarem “porque é que escreve?”, seria ainda mais pueril do que a minha “compulsão” já descrita. Mas se mais seriamente perguntarem “porque escreve coisas que ninguém há-de realizar?” Aí, eu responderia que é pelas mesmas razões que Guillaume Thieriot falava aos Guineenses: esperando que um dia mudem.
Se tal não vier a suceder, pela nossa cobardia e pusilanimidade, mesmos assim temos o dever de deixar para a posteridade o nosso viver (e morrer) actual, em suma a (podridão da) nossa existência, para que os vindouros saibam de onde provieram e de que tipos de homens descendem. Só assim entenderão porque são assim e não como deveriam ser.

Por isso hoje, neste quente Agosto de 2025, na esquina de uma Praça que foi “de Honório Barreto”, depois “de Ernesto Che Guevara” para de novo ser “de Honório Barreto”, aqueço os meus velhos ossos, com o sol que faz brilhar os meus cabelos brancos. Encostado num candeeiro, vou lembrando do passado, as alegrias e as tristezas (mais estas do que aquelas), enxergar o passado e saber como determinou o presente… chamo aquela linda garota de reluzentes calças vermelhas e brincos da cor Sol, que passa no meio do jardim, para perguntar distraidamente (mas com um ar formal suficiente para me prestar atenção):
- Sabe dizer-me quem foi Guillaume Thieriot?
Ela por respeito aos meus cabelos brancos para por uns instantes; franze o cenho, como que a pensar profundamente, e ao fazer-se luz no seu cérebro, com olhos brilhantes de “quem sabe sabe e quem não sabe fica triste”, responde:
-Foi o homem que era um clamor!
E eu, com os olhos já baços, mas ainda brilhantes de satisfação, com vontade de “mostrar” que sabia mais do que “quem sabe sabe…” retorqui:
- Incorreto: “Era o homem que foi um clamor”!
Mas ela do alto dos seus saltos, com olhos que já não brilham, mas queimam, rindo do meu trocadilho, demostrando que tinha ainda uma palavra a dizer (afinal é universitária) retorque:
- Eu sei do que falo porque li esse texto… o que tinha esse título. E desse texto, a parte mais gostei, por ser a mais bonita foi a frase que ele proferiu no dia da despedida:
- “Na bardadi, n’ka misti bai. N’ka misti dicha Guiné Bissau. N’gosta thchiu des terra i di bos tudu, pubis di Guiné… “

Agora, olha para além de mim, semicerra os olhos e vendo que quero dizer algo, levanta a mão, pedindo que espere:
- Espere; há uma coisa ainda: “… Muitas pessoas me agradecem pelo que fiz. Mas sou eu que agradeço. Enquanto fiz o papel do líquido que revela alguma coisa, fui aprendendo, fui enriquecendo a minha alma. Caminhando com todos os talentos jovens e confirmados que encontrei aqui, e que são muitos mesmo. … “
Tento de novo dizer alguma coisa, mas ele levanta a mão de novo, contendo o meu ímpeto; ainda não tinha terminado a frase; continua aos pedaços fazendo-me ouvir de novo, depois de tantos anos, a voz límpida de Guillaume:
- “…Testemunhando da sua coragem, que me deixa muito humilde … Isto também me serviu de lição para a vida. E me fez procurar enegrecer o meu sangue, para passar a ser mulato. A mistura das cores, arte máxima que tem o nosso grande pintor Botodjo, acho que é uma conclusão natural para quem gosta de repetir a cada dia, adivinhem o quê?
No sta, no sta...? No sta djuntu...”
Afinal ela conhecia o texto quase de cor. Afinal ela era boa. Acertei logo a primeira ou outros jovens também sabiam? Se houve a “mudança” preconizada pelo Thieriot…
De repente, a vaidade falou mais alto, esqueci Thieriot por uns momentos, faltava uma coisa:
- E o texto era de quem? - Pergunto ansioso, querendo saber se ela conhecia o autor também. Ela de novo hesita por instantes, olha para o Céu (e eu espero qualquer coisa desconchavada) mas por fim, num sorriso “menina e moça”, vitorioso (afinal é uma universitária) responde:

- Fernando Teixeira!!

Bissau, 7 de Agosto de 2013

Mali: Keita é o novo Presidente do Mali.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Keita anunciou que vai dar prioridade à negociação com os rebeldes tuaregues JOE PENNEY/REUTERS

Adversário do ex-primeiro-ministro na segunda volta antecipou-se aos resultados oficiais e reconheceu a derrota. A forma como decorreram as eleições são um bom presságio para o país, após ano e meio de convulsões. 

Ibrahim Boubacar Keita, antigo primeiro-ministro e figura dominante da política nacional, é o novo Presidente do Mali, país que no último ano e meio assistiu a uma rebelião armada, um golpe de Estado, cidades tomadas por grupos jihadistas e a uma intervenção militar estrangeira. As eleições, isentas de violência, foram um bom presságio para a reconciliação nacional, o principal desafio que espera IBK, como é conhecido no país. O desfecho da corrida eleitoral chegou mais cedo do que o previsto. Soumaila Cissé, o ex-ministro das Finanças que enfrentou Keita na segunda volta das presidenciais, reconheceu a derrota na segunda-feira à noite, pouco mais de 24 horas depois do fecho das urnas. Os resultados oficiais só eram esperados na sexta-feira e a surpresa foi ainda maior porque, horas antes, os seus apoiantes tinham denunciado publicamente a existência de fraudes. “A hora não é de polémicas”, disse à AFP o candidato derrotado, explicando que acabava de regressar da casa de Keita, onde fora com a família para “o felicitar e desejar-lhe boa sorte”, “à boa maneira da tradição do Mali”. Um conselheiro explicou à Reuters que ex-ministro decidiu reconhecer a derrota face à grande vantagem de Keita na contagem de votos – terá mesmo vencido em Gao, principal cidade do Norte de onde Cissé é natural. Já nesta terça-feira, o candidato derrotado explicou que não iria contestar os resultados, porque a “fragilidade do país” aconselha todos a terem “um comportamento virtuoso”. Keita não veio ainda a público reclamar vitória, nem reagiu ao gesto do adversário. Mas em Paris, o Presidente François Hollande, revelou ter conversado com ele ao telefone para “o felicitar pela vitória” e garantir que a França “vai continuar ao lado do Mali”. A forma como as eleições se desenrolaram – sem violência nem fraudes maciças – é uma dupla vitória para Hollande que, depois de em Janeiro ter enviado as suas forças para combater os extremistas islâmicos que ameaçavam avançar sobre Bamako, fez grande pressão sobre o governo de transição para que as presidenciais acontecessem o quanto antes. “Tudo o que aconteceu desde a intervenção francesa de 11 de Janeiro, em nome da comunidade internacional, até à eleição de um novo Presidente foi um sucesso para a paz e a democracia”, lê-se num comunicado do Eliseu, divulgado na mesma altura em que fontes próximas de Hollande garantiam à AFP que ele irá a Bamako para tomada de posse de Keita. Na longa lista de afazeres do novo Presidente está a reactivação da economia, a reorganização de um Exército que em Março de 2012 derrubou o anterior Presidente – acusando Amadou Touré de incapacidade na luta contra os rebeldes tuaregues, para logo a seguir ser derrotado por esses mesmos rebeldes – ou o combate à corrupção endémica. Mas nenhuma prioridade é tão grande como a reconciliação nacional. A revolta dos tuaregues fez mais do que dividir o país entre Norte (na mão dos rebeldes, mais tarde suplantados pelos jihadistas) e o Sul (controlado pelo Exército). Agravou as tensões entre as comunidades tuaregues, árabes e negras e provocou o êxodo de milhares de pessoas das suas zonas de origem. Durante a campanha, Keita prometeu formar um Governo o mais abrangente possível e anunciou que dará prioridade a um acordo de paz com os rebeldes, embora rejeite conceder autonomia ao Azawad, como os tuaregues se referem à região que consideram a sua pátria. Um acordo preliminar, assinado em Junho, previa o início de negociações 60 dias após a tomada de posse de um governo, mas o seu desfecho é incerto. Do seu lado, o novo Presidente terá os 12 mil soldados africanos da missão de paz das Nações Unidas e os 3200 milhões de euros prometidos pela comunidade internacional.

fontr: publico.pt

Moçambique: Renamo diz ter matado 36 elementos das forças do Governo.

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Autoridades da Frelimo não confirmam mortes, que teriam ocorrido em confrontos durante o fim-de semana em Muxúnguè.

Afonso Dhlakama (aqui em camanha em Matola, em 2009), quando regressou ao mato no ano anterior GRANT LEE NEUENBURG/REUTERS. 
A antiga guerrilha da Renamo, hoje o principal partido da oposição em Moçambique, anunciou nesta terça-feira ter matado 36 elementos das forças de segurança durante o fim-de-semana. As autoridades não confirmam este balanço. Segundo um comunicado da Renamo, as mortes terão ocorrido em dois ataques separados na província central de Sofala. Mas um porta-voz da polícia nacional, Pedro Cossa, não confirmou os confrontos e limitou-se a dizer que as autoridades vão “aguardar para ver que argumento é que a Renamo vai dar para justificar a presença dos seus homens armados nesta zona” do país. “As forças de segurança da Renamo responderam prontamente ao fogo das FADM (Forças Armadas de Moçambique) e da FIR (Força de Intervenção Rápida da polícia) fazendo 29 mortos e ferindo 37 pessoas”, refere o comunicado da Renamo enviado à AFP, explicando que este confronto ocorreu no sábado perto da aldeia de Panje. A Renamo acrescenta que, no dia seguinte (domingo) os seus homens mataram mais sete membros das forças de segurança de Moçambique. “No dia 11 de Agosto houve outro ataque das forças do governo Frelimo ao qual nós respondemos rapidamente, matando sete filhos deste país, incluindo um sargento das FADM e um comandante das FIR.”A Renamo sublinhou ainda que actuou em legítima defesa. “A Renamo reafirma  que não quer a guerra”, refere no mesmo comunicado.Na segunda-feira, o jornal Medi afax, citando “fontes ligadas às Forças Armadas” deu conta de dois mortos e confirmou a ocorrência de confrontos na região de Muxúnguè no dia de sábado. Estes incidentes ocorreram na mesma zona que tem sido palco de vários confrontos desde o início do ano e que fizeram reavivar o fantasma da guerra civil em Moçambique. Mais de um milhão de pessoas morreram no conflito que opôs o governo da Frelimo (na altura pró-soviético) e os rebeldes da Renamo (anti-comunistas), entre 1975 e 1992. A Renamo critica de forma cada vez mais violenta a condução do país pela Frelimo, acusando o partido de acumular o poder e as riquezas naturais de Moçambique. O seu líder histórico Afonso Dhlakama regressou ao mato no ano passado e no dia 19 de Junho anunciou “uma ofensiva” – para “enfraquecer a logística daqueles que fazem sofrer os moçambicanos – contra a principal estrada nacional do país, que atravessa a província de Sofala, e uma linha de caminhos-de-ferro que é indispensável à exportação do carvão.

fonte: publico.pt

 


Zimbábue: " Vão se pendurar" Mugabe diz que o inimigo de Zimbabué está derrotado.

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Zimbabwe's president and then Zanu PF presidential candidate Robert Mugabe speaks at a press briefing at the State House in Harare on July 30, 2013/AFP
O presidente do Zimbabwe, também Presidente do Partido Zanu PF e candidato presidencial, Robert Mugabe fala em uma coletiva de imprensa na Residência Presidencial em Harare, em 30 de julho de 2013/AFP

HARARE 12 Ago - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe disse nesta segunda-feira que aqueles que ficaram chateados com a sua esmagadora vitória eleitoral disputada poderiam "ir se pendurar".
De 89 anos de idade jurou nunca deixar de confiar na sua vitória contra o seu adversário, Morgan Tsvangirai, que apresentou uma petição no tribunal desafiando o resultado da eleição.

"Aqueles que foram feridos pela derrota podem ir se pendurar se assim o desejarem", Mugabe disse aos milhares em um comício de honra aos heróis das guerras de libertação do país.

"Nunca vamos nos voltar contra a nossa vitória", disse ele em seu primeiro discurso público no dia 31 de julho-quando da votação.

Mugabe foi declarado vencedor com 61 por cento dos votos, contra 34 por cento de Tsvangirai.

fonte: capitalfm

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O "kit de casamento" das esposas Ruandenses.

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Le «kit de mariage» des épouses rwandaises











Foto de casamento, em 2012 / REUTERS

Uma bicicleta, colchões e utensílios de cozinha: isto não é uma lista de compras, mas os dotes que as jovens ruandenses devem reunir para se casar.

Em Ruanda, a tradição é que o homem gasta prodigamente para o dote da mulher que ele quer se casar. Mas no distrito de Nyamasheke sudoeste do país, em Nyabitekeri, Cidade Nyabitekeri parece se aplicar às tradições ao inverso, relata Radio Netherlands Worldwide.

A noiva deve fazer um dote muito mais substancial do valor pago pelo homem, até quatro vezes mais do que o valor acordado pelo futuro esposo, diz o site. Segundo o artigo, o conjunto se comporta de utensílios de cozinha, móveis, equipamentos para o lar conjugal, uma bicicleta para o marido dela ... e muitas vezes um colchão novo adiciona à lista longa de requisitos.

Um duplo custos de colchão de gama média custando por volta de 40 mil francos ruandeses (cerca de 50 euros), disse o site que esse é o salário mensal de um professor. Para as mulheres independentes, este colchão é cheio de problemas. Elas sangram para vender produtos ao mercado ou às vezes são ajudadas por seus pais que vendem seu gado ou a sua terra para angariar o dinheiro, diz o artigo.

Na ausência de colchões ou outros itens necessários para dote, a família do marido pode se livrar da noiva. Algumas mulheres entrevistadas pela Radio Netherlands Worldwide recusam-se a cumprir esses requisitos, que consideram indignos ao casamento:

"Sangue, suor e água para ter um marido? (...) Eu estou pronta para suar com ele depois de nosso casamento, mas não antes ", exclamou uma delas.


Mas o celibato é desaprovado na região católica, diz o artigo. Os pais, portanto, resolvem pagar a "qualquer preço" para suas filhas se casarem e evitar a desonra de celibato, diz o site.

fonte: Slate Afrique com  Radio Netherlands Worldwide.

Angola: Até Tu, Lopo!

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A trajectória de Lopo do Nascimento, actual deputado do MPLA na Assembleia Nacional, como a voz moderada, credível e crítica do regime, é digna de um livro. Durante muitos anos, vários sectores da sociedade, quer no seio do regime quer no seio da oposição e da sociedade civil, alimentaram a esperança de que Lopo do Nascimento seria o candidato presidencial ideal para congregá-los. Viam nele uma reserva moral da política nacional. No entanto, também se reconhecia em Lopo do Nascimento, que já ocupou os cargos de primeiro-ministro e secretário-geral do MPLA, falta de coragem para enfrentar abertamente o presidente José Eduardo dos Santos e o seu círculo de poder pessoal.
 
A respeitabilidade política cultivada por Lopo do Nascimento passou a ser questionável quando, em 2011, assumiu o cargo de presidente do Conselho-Geral e de Supervisão da Coba, uma das maiores empresas portuguesas de consultoria em engenharia civil e ambiental.
 
Em 2010, Lopo do Nascimento formou um consórcio empresarial com a empresa pública Sonangol, que adquiriu 49 porcento da Coba, ao mesmo tempo que era deputado na Assembleia Nacional.
 
Lopo do Nascimento, continua a exercer, cumulativamente, as funções de deputado e de presidente da Coba, baseada em Portugal.
 
Segundo a Constituição, o mandato de deputado é incompatível, entre outros, com “o exercício de funções de administração e gerência ou de qualquer cargo social em sociedades comerciais e demais instituições que prossigam fins lucrativos”. A Constituição estabelece, também, como incompatível, “o exercício de relações jurídico-laborais subordinadas com empresas estrangeiras ou organizações internacionais”.
 
Já a Lei da Probidade define como acto de enriquecimento ilícito a obtenção de vantagem económica “para intermediar a disponibilização ou a aplicação de verba pública de qualquer natureza”.
 
Por altura da conclusão do negócio, em 2011, o presidenta da Coba, Ricardo Oliveira, disse aoDiário Económico que “há cerca de um ano, o grupo de Lopo de Nascimento propôs-nos fazer esta parceria, um processo que está agora concluído”. Na altura, ninguém questionou, como a Sonangol, empresa pública, pode ter feito parte do grupo empresarial constituído pelo deputado do MPLA, para o efeito.
 
Em entrevista ao Público, na altura, Ricardo Oliveira explicou a estrutura accionista da Primagest, a empresa angolana que ficou com a Coba: “Já referi que o líder do consórcio é a Sonangol, e o líder da Sonangol é o engenheiro Manuel Vicente. Ao ser o líder tem a maioria do capital. Outra pessoa fundamental para nós é o doutor Lopo do Nascimento, que é parte desse consórcio e que já é nosso parceiro em Angola. Há também um banco angolano, e não preciso saber mais. Se houver mais alguém, será alguém que tem uma posição minoritária”.
 
Não há qualquer informação pública sobre o montante investido pelo consórcio angolano ou sobre a contribuição financeira do Estado angolano, através da Sonangol, para a referida empreitada. O relatório e contas da Sonangol, de 2011, não faz qualquer referência ao seu investimento na Coba, assim como não a inclui entre as suas associadas.
 
Por ocasião do 50° aniversário da Coba, celebrado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Lopo do Nascimento discursou perante uma audiência de 700 convidados, na sua qualidade de accionista de referência e presidente do Conselho-Geral e de Supervisão da Coba.
 
“No próximo ano iremos a Argélia e juntamente com a Sonangol contamos entrar em três novos países africanos. Estes movimentos deverão ser realizados em perspectiva idêntica à que utilizámos em Angola, no âmbito de parcerias com empresários locais”, disse Lopo do Nascimento na ocasião.
 
Conclui-se então que a Sonangol dá para tudo.
 
No entanto, a questão fundamental mantém-se: porquê e para quê o país precisa de leis, mesmo quando os representantes eleitos do povo e as suas reservas morais não as respeitam?
 
A Constituição é clara quanto às incompatibilidades de Lopo do Nascimento, ao acumular funções de deputado com um cargo social de uma sociedade comercial. Ademais, o deputado do MPLA mantém uma relação jurídico-laboral com uma empresa estrangeira. Como presidente do Conselho-Geral e de Supervisão, o deputado tem responsabilidades legais para com a Coba, contrariando o disposto na Constituição da sua pátria.
 
Na realidade, são vários os deputados do MPLA engajados na prática de acumulação de funções incompatíveis. Em abono da verdade, já há deputados da oposição que também seguem a mesma prática, com a mesma convicção de impunidade. Caso paradigmático é o do antigo secretário-geral da UNITA e actual deputado à Assembleia Nacional, Lukamba Paulo “Gato”, que preside, cumulativamente, ao conselho de administração da Yoka, uma empresa de empreendimentos e investimentos.
 
Dada a frequência destas prácticas e a impunidade com que são abertamente mantidas, a Assembleia Nacional bem pode rasgar a Constituição e declarar Angola um Estado de Anarquia.
 
fonte: makaangola

Abidjan: Após a sua recente libertação - Affi prepara seu retorno à política.

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Politique:
© Abidjan.net por Atteby
Política: O FPI acolhe seus militantes após sua libertação provisória.
Terça-feira, 6 de agosto de 2013. Riviera Attoban. Os Ex-detentos que beneficiam de liberdade provisória foram brindados com uma recepção calorosa por ativistas e simpatizantes da Frente Popular Marfinense (FPI). Foto: Affi N `Guessan.

Visitas, audiências, conclaves ... A vida não é fácil para o presidente da Frente Popular Marfinense. Desde sua libertação da prisão, segunda, 5 de agosto, Pascal Affi N'Guessan, sem ter ainda tomado posse, está trabalhando. Em preparação para seu próximo retorno à cena política, depois de dois anos e meio de ausência. No último sábado, uma equipe do Grupo Nossa Voz marcou a passagem da metade de um dia com ele em um local que serve de residência temporária.
São 9 h 45 min. Estamos nas proximidades de sua residência temporária na companhia de alguns líderes do Grupo Nossa Voz.  Estiveram presente o diretor geral, César Etou, o diretor das Edições, Abdoulaye Sanogo Villard, editor chefe, Augustin Kouyo e o responsável de serviços técnicos, Toure Kifuima. César Etou entra em contato com a residência e recebe luz verde do Presidente. Nossa equipe de reportagem entra em cena, bem como funcionários do jornal. Calorosos apertos de mão, abraços e, em seguida, começa a entrevista. Por quase 45 minutos, entra o presidente Affi e os reponsáveis de Nossa Voz estão em posições trocadas. Às 10h 30min, é a grande família de Affi que chega. Pode-se ver a presença dos irmãos, Kouamé Kouamé Oi, o mais velho, tias, tios, mas também filhos, netos, sobrinhos e sobrinhas. Ambiente descontraído, risos, aplausos, é a alegria do reencontro. Visita da família durou mais de uma hora. Antes de sair, cada família pousou com o presidente da FPI.
10 minutos mais tarde, o ex-secretário federal de Soubré Teófilo Gogi, chegou. Ele saudou calorosamente o Presidente Affi N'Guessan a quem deu parabéns. A audiência será menor do que as anteriores. Ela vai durar cerca de 30 minutos. Apenas Gogi Teófilo partir, o ex-deputado de Port-Bouet, Toure Masseni, surge. É sempre o mesmo fervor dos reencontros. Cada empolgação, e acolhimentos. Frente-a-frente dura cerca de 20 minutos. O Sr. Alexis Gnakoury ex-membro do gabinete Simone Gbagbo, também, conheceu Pascal Affi N'Guessan. Durante meia hora, eles trocaram carinhos. Às 13h 15min, Kouakou Krah, Secretário Nacional de Solidariedade, e Kambou Difilé o ex-assessor econômico e social, chegaram à residência. Eles vão se reunir com o presidente até por volta dàs 14h.
Às 16 h, quando o time saiu de cena, Justin Kua, o Secretário Nacional da Juventude da Frente Popular Marfinense (JFPI) deverá, por sua vez, ser recebido. Nada filtrou os diferentes encontros, mas é claro que contam as expectativas, Pascal Affi N'Guessan prepara seu retorno à cena política.

Por: César Ebroki

fonte: abidjan.net

Senegal: Teranga Gold Corporation pagou 8,8 bilhões de francos CFA para o Estado.

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A sociedade mineira canadense Teranga Gold Corporation realizou em 2012, os pagamentos no montante total de 17,6 milhões dólares. Ela pagou cerca de 8,8 bilhões de francos CFA em relação aos royalties, impostos sobre o trabalho e pagamentos de impostos para o governo, diz um relatório da empresa.

O documento afirma que este valor aumentou para 42% em relação ao que foi pago por 15 meses imediatamente anteriores a 31 de dezembro de 2011. Ela indica que o valor "não inclui a soma de 804.587 dólares (cerca de 402 milhões de francos CFA) dedicado ao Fundo Social Teranga Gold Mining [do Senegal] através de doações e atividades de patrocínio com o apoio institucional local e apoio institucional do Ministério [Senegal] de Minas ". Este segundo relatório sobre a responsabilidade social corporativa (CSR) de Teranga Gold Corporation apresenta o desempenho da empresa e de suas operações e de exploração em subsidiárias de Senegal, indica uma nota de apresentação. A empresa canadense de mineração de ouro conseguiu em 2012 um volume de negócios de 350,520 milhões de dólares (cerca de 175 mil milhões de francos CFA), contra 187,141 milhões de dólares (cerca de 93,5 bilhões de francos CFA) em 2011.

Teranga Gold Corporation relata que a produção aumentou de 131.461 onças para 214,310 onça, de 2011 a 2012, com a conclusão da expansão de sua fábrica em Sabodala no sudeste do Senegal, onde atua. O documento observa que a mineradora foi fundada em novembro de 2010, a fim de "adquirir a mina de ouro de Sabodala e uma grande área de exploração regional, localizado no Senegal". A mina de ouro Sabodala é a única mina de ouro industrial em operação no Senegal e a segunda riqueza industrial do país, depois que a mina de fosfato foi construída na década de 1960, disse o relatório. Em 5 de junho, o ministro de Minas e Energia, Ngouille Aly Ndiaye, disse que a empresa Teranga Gold Corporation pagou mais de cinco biliões de francos CFA ao Tesouro senegalês em 2012, sob os royalties de mineração relacionados com a sua atividades. "Sabodala iniciou suas operações em 2009, tudo está indo muito bem. Desde então, várias taxas foram pagas ", disse ele durante um debate na Assembleia Nacional, onde ele respondeu a uma pergunta do ao membro do partido MP, Demba Diop. Segundo ele, Teranga Gold Corporation concordou em elevar de 3 para 5% dos royalties da mineração para o restante da concessão.

Manter a produção de 200 mil onças

Em seu relatório, a empresa diz que, em 2012, ela começou a entrar em contacto com as escolas do Senegal, para identificar o "alto potencial de estudantes e ajudá-los a compreender melhor as várias habilidades necessárias para trabalhar em uma empresa como a Teranga Gold Corporation". No mesmo ano, a empresa "tem-se centrado no reforço do diálogo com as partes interessadas (autoridades locais, estaduais ...), desenvolvendo e melhorando os canais de comunicação." Entre as iniciativas desenvolvidas incluem um novo mecanismo formal para registrar queixas e comunicações com os jornalistas, ONGs e o governo para "promover a nossa visão da Rse expor gastos no contexto do nosso programa social", refere o documento. De acordo com o relatório, Teranga Gold Corporation quer " manter uma base de produção de 200.000 onça [por ano], com seus atuais objetivos de concessão de mineração." A empresa afirma empregar cerca de 950 funcionários que trabalham no local da mina de ouro de Sabodala, além de cerca de 200 funcionários de seus parceiros comerciais de Sabodala. "Cerca de 90% dessa força de trabalho é senegalesa", diz o documento. Teranga Gold Corporation, com a sua filial em Sabodala, a Gold Mauritius Ltd., é dona de 90% das operações de Sabodala gold operations (Sgo), a entidade operacional senegalesa de mina de ouro de Sabodala, de acordo com o relatório. O resto do Sgo (10%) pertence ao Estado do Senegal, diz o relatório.

(EPA)

fonte: lesoleil.sn

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Martin Luther King: 1963, um ano perigoso para se ser afro-americano.

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Acesse o Link abaixo e leia as histórias maravilhosas desse homem que ajudou a mudar o pensamento americano pela positiva.

Martin Luther King há 50 anos.


fonte: publico.pt

Golfo da Guiné grato a Angola.

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Fotografia: JA

Os Chefes de Estado e de Governo da Comissão do Golfo da Guiné apresentaram em Malabo uma moção de agradecimento ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O facto vem expresso no comunicado final do encontro dos líderes.
Os Chefes de Estado e de Governo, de acordo com o documento, encorajaram a necessidade da harmonização das legislações dos estados membros em matéria de segurança marítima.
O comunicado sublinha ainda que os Chefes de Estado apelaram aos Estados membros a cumprirem com as suas obrigações no concernente às contribuições para o orçamento da instituição e acolheram, com satisfação, a vontade de adesão à Comissão do Golfo da Guiné dos países da África do Oeste, designadamente o Gana, a Costa do Marfim e Libéria. Os chefes de Estado e de Governo exprimiram o seu reconhecimento ao Chefe de Estado anfitrião, Teodoro Obiang Nguema, actualmente presidente da organização, pelo acolhimento aos Chefes de Estado e de Governo da Comissão do Golfo da Guiné.
A consolidação da paz e segurança na região é um dos objectivos dos líderes da Comissão do Golfo da Guine, almejando promover a cooperação e não agressão entre os Estados, a defesa comum e a coexistência pacífica. Uma das questões que também preocupa os líderes da comissão prende-se com a insegurança marítima, resultante da pirataria, roubo à mão armada e outros actos ilícitos praticados no mar.

Chikoti passa presidência

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chokoti, afirmou que a reestruturação do secretariado executivo da Comissão do Golfo da Guiné se deve ao agravamento da insegurança marítima na região.
Georges Chokoti passou a presidência do Conselho de Ministros da organização ao homólogo da Guiné Equatorial. Sobre o alargamento disse que a medida vem dar resposta ao papel da Comissão do Golfo da Guiné na aplicação das resoluções 2018 (2011) e 2039 (2012) do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o acompanhamento das decisões da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CEEAC, CEDEAO e da CGG, realizada em Junho de 2013, em Yaoundé, Camarões.
Na cimeira foi também assinado um memorando de entendimento entre as três organizações, sobre segurança no espaço marítimo da África Central e Ocidental. Georges Chikoti defendeu a necessidade de serem examinados de maneira construtiva os objectivos e estratégias relevantes da organização, para encontrar os eixos essenciais da sua actividade e continuar a contribuir para o reforço do comprometimento comum dos Estados membros, na paz e segurança do Golfo da Guiné.
A paz e segurança, a protecção do ambiente marinho da região, a harmonização das políticas dos Estados membros relativas à exploração dos recursos naturais no mar comum, foram apontados pelo ministro das Relações Exteriores como sendo a razão principal da existência da Comissão do Golfo da Guiné.
O ministro disse que Angola quando, há 12 anos, decidiu juntar-se aos Estados que se dispuseram a estabelecer a Comissão do Golfo da Guiné, assinando o seu Tratado constitutivo, fê-lo com perfeita consciência da particularidade que representava a região na África  Central e Austral. Georges Chikoti disse que as grandes preocupações dos Estados membros da Comissão do Golfo da Guiné são a pirataria, o roubo à mão armada no espaço marítimo da organização e outros actos ilícitos praticados no mar. O Golfo da Guiné compreende a zona da costa atlântica da África Central e Ocidental e estende-se para o norte, para além dos limites territoriais dos Estados membros da Comissão Golfo da Guiné.
Os Estados membros abordaram, entre outras questões, o alargamento da organização, a reestruturação do secretariado executivo, a defesa e segurança da região, a determinação de aspectos prioritários, como a defesa, paz e segurança na região do Golfo da Guiné. Foram ainda examinadas as decisões da Cimeira de Yaoundé, sobre a segurança marítima no Golfo da Guiné, realizada em 24 e 25 de Junho, em que ficou decidido que a sede do Centro Inter-Regional de Coordenação fica nos Camarões, no âmbito do Memorando de Entendimento entre a CEEAC, a CEDEAO e a Comissão do Golfo da Guiné sobre a segurança no espaço marítimo da África Central e da África Ocidental.
Sobre o alargamento da Comissão do Golfo da Guiné, o Tratado da organização define as condições de adesão e de admissão de novos membros. A adesão dos países que compartilham o espaço geográfico do Golfo da Guiné e que desejam juntar-se à Comissão do Golfo da Guiné, consolidam a sua vocação de uma organização inter-regional, que alberga no seu seio os Estados pertencentes a várias comunidades de integração regional: CEEAC, CEDEAO e SADC.
Os Estados membros consideram indispensável e urgente a criação de um comité especial, encarregado das questões de defesa e segurança, no seio do secretariado, sob a autoridade do secretário executivo.Quanto à determinação de aspectos prioritários, os Estados membros definiram a defesa, paz e segurança, o combate à pirataria e outros actos ilícitos no mar, a protecção do ambiente marítimo, as comunicações marítimas, a prevenção, gestão e resolução de conflitos, a cooperação e harmonização das políticas, em termos de exploração dos recursos marinhos, a delimitação das Zonas Económicas Exclusivas.
Ao passar a presidência do Conselho de Ministros, Georges Chikoti reiterou a determinação de Angola em manter a sua vocação de ser um factor de paz, estabilidade e desenvolvimento no continente, através das organizações regionais a que pertence, entre as quais a Comissão do Golfo da Guiné.
A Comissão do Golfo da Guiné, estabelecida em 1999, é integrada por Angola, Congo Democrático, República do Congo, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Gabão, Camarões, e Guiné Equatorial.
fonte: jornaldeangola

Benin: O novo Governo, sem Primeiro-Ministro, nomeado pelo Presidente Thomas Boni Yayi.

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Boni Yayi à Bruxelles, le 15 mai 2013.
Boni Yayi em Bruxelas, 15 de maio de 2013. © AFP


O Chefe de Estado do Benin, Thomas Boni Yayi, anunciou domingo, 11 de agosto à noite, a formação de seu novo governo. Três dias antes, ele tinha colocado um fim abrupto para as funções de toda a primeira equipe de seu segundo mandato. Três cargos desapareceram e o do primeiro-ministro não foi substituído.
26 membros, do governo anterior, mas não o primeiro-ministro: a composição do novo governo que constitui a presidência beninense na noite de 11 de agosto. Três dias depois, ele demitiu a equipe de governo inteiro, Boni Yayi forma uma nova equipe renovada pela metade.

"Discordâncias que opõem o Presidente Boni Yayi ao primeiro-ministro", disse um assessor do chefe de Estado à AFP. Pascal Irene Koupaki não é mais membro da nova equipe. O escritório do primeiro-ministro não está listado na Constituição do Benin.

13 membros do governo anterior foram renovados e 13 novos são introduzidos, incluindo cinco mulheres e um novo ministro para chefiar o Ministério da Defesa, até agora liderado pelo próprio presidente.

"Este é um governo de homens e mulheres da confiança do presidente, todos os membros da maioria presidencial", disse Irene Agossa, membro dos partidos políticos que apóiam o presidente.

Três pesos pesados ​​disseram adeus

Três figuras importantes do regime (Pascal Koupaki, Kogi e N'Douro Reckya Madougou) foram agraciados. "Este é um forte sinal para os outros", informou à AFP de fonte próxima ao Presidente Boni Yayi.

Pascal Koupaki e Reckya Madougou se presume que são parentes do empresário Patrice Talon, acusado de tentar envenená-lo e derrubar o chefe de Estado.

O caso da conspiração e de envenenamento, lançado em outubro, abalou o país há meses. Patrice Talon está atualmente na França, onde o juiz deve decidir sobre sua possível extradição.

>>>> A lista de novo governo
Ministro de Estado encarregado do Ensino Superior e da Investigação Científica: François Adebayo ABIOLA
Ministro do Desenvolvimento, Análise Econômica e da Perspectiva: Sr Alain Marcel de Souza
Ministros da Economia e Finanças: Sr. Jonas GBIAN
Ministro da Defesa Nacional: o Sr. Ali Yerima
Ministro do Interior, da Segurança Pública e dos Assuntos Religiosos: Sr. François HOUESSOU
Ministro da Justiça, Legislação e Direitos Humanos: o Sr. Valentin DJENONTIN
Ministro dos Negócios Estrangeiros, Integração Africana, da Francofonia e de beninense no exterior: Sr. Bako Nassirou Arifari
Ministro das Obras Públicas e Transportes: Sr. AKE NATONDE
Ministro do Ensino Secundário, Formação Técnica e Profissional, reciclagem e Integração da Juventude: Sr. Alassane Soumanou
Ministro de Ensino Maternal e Primário: Sr. Eric Kouagou N'Da
Ministro da Saúde: Ss. Dorothy Akoko kinde Gazard
O Ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca: Sra. Fatuma DJIBRIL
Ministro do Trabalho e Serviço Público, da reforma administrativa institucional e para o diálogo social: Sr. Marcial SOUTON
Ministro Responsável pela Gestão de Mudanças Climáticas, Reflorestamento e Proteção de Recursos Naturais e Florestais: Sr. Raphael Edou
Ministro do Meio Ambiente, Saneamento, Planejamento Urbano e Habitação: Sr. Christian SOSSOUHOUNTO
Ministro da Energia, Petróleo e Pesquisa de Mineração, Água e Desenvolvimento de Energia Renovável: Sr. Bartholomew Dahoga KASSA
O ministro da Cultura, Educação, Artesanato e Turismo: Sr. Michel Abimbola
Ministro Responsável pela Avaliação de Políticas Públicas e Programas de desnacionalização: Sr. Antonin Dossou
Ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação e Comunicação: Sr. Komi Koutche
Ministro encarregado de Microfinanças,  de emprego de jovens e mulheres: Sr. Françoise Assogba
Ministra da Juventude, Esporte e Recreação: Sra. Naomie Azaria
Ministro da Indústria, Comércio, Pequenas e Médias Empresas: Sr. AFFO IDRISSOU Safiou
Ministra da Família, dos Assuntos Sociais, Solidariedade Nacional, as pessoas com deficiência e terceira idade: Sra. Marie-Laurence SRANON Sossou
Ministro da Administração Local, do Governo Local, Administração e Planejamento: Sr. Isidoro GNONLONFOUN
Ministro encarregado das relações com as instituições: Sr. Bio Toro Orou GUIWA
Ministro da Economia Marítima e Portuária Infra-estrutura: Sr. Martine DOSSA Adjouavi Françoise

fonte: jeuneafrique.com

domingo, 11 de agosto de 2013

O Príncipe Harry em Angola para inspecionar os trabalhos de desminagem.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Le Prince Harry le 2 août 2013 à Plymouth.
Príncipe Harry em 02 de agosto de 2013 em Plymouth. © AFP

O Príncipe Harry em "visita privada" a Angola para inspecionar o trabalho de desminagem, e seguindo os passos de sua mãe, Diana, que tinha sido uma de suas grandes lutas, soube-se domingo de uma ONG britânica .
"Príncipe Harry fará visitas a várias equipas de desminagem na região. Ele vai inspecionar os campos de minas e reencontrar as pessoas que beneficiam do nosso trabalho", relatou Guy Willoughby, presidente da Halo Trust, uma ONG britânica especializada em desminagem .
O Palácio Real confirmou a notícia, mas se recusou a dar detalhes sobre o itinerário e as atividades do príncipe, dizendo que era uma "visita privada".
Sua mãe Diana estava profundamente envolvida em termos humanitários em Angola, um dos países com mais minas do mundo, após 27 anos de guerra civil que durou até 2002. Ela foi lá para apoiar o Halo Trust e atender vítimas de minas terrestres em 1997, pouco antes de morrer no mesmo ano em um acidente de carro em Paris. Fotos de Lady Di em roupas de proteção, tinham sido divulgadas em todo o mundo e ajudou a sensibilizar para a causa.
O Príncipe Harry visitou a ONG britânica em Moçambique, em Junho de 2010, aprendendo a encontrar e neutralizar as minas, segundo Halo Trust trabalha em Angola desde 1994. A guerra civil neste país fez meio milhão de mortes entre 1975 e 2002, e causou o deslocamento de quatro milhões de pessoas.
O número exato de vítimas de minas é impossível de estabelecer. É estimado entre 23 mil a 80 mil pelo Observatório Internacional de Minas e bombas de fragmentação, disse que em 2012, cerca de 2,4 milhões de pessoas, ou 17% da população, viviam em uma área de risco.

fonte:(AFP)


Costa do Marfim: As mulheres líderes convidadas a ter uma visão comum de desenvolvimento.

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Journée
© Abidjan.net por Atapointe
Jornada em homenagem as mulheres recém-eleitas, Prefeitos e presidentes do Conselho Regional. Sábado, 10 de agosto de 2013 em Caistab. Sob a égide da Sra. Anne Ouloto, Ministra da Solidariedade, da família, mulheres e crianças, uma cerimônia para homenagear mulheres líderes e que reuniu várias mulheres.

Abidjan - A ministra da Solidariedade, Família, Mulheres e Crianças, Anne Desiree Ouloto, homenagea nete sábado em Abidjan, as mulheres líderes da Costa do Marfim, convidando-as a ter uma visão compartilhada para participação mais ativa no desenvolvimento do país.

"Esta reunião hoje entre as mulheres da Costa do Marfim destaca seus méritos e pontos fortes. (...) Agora, as mulheres de todos os setores, de toda a diversidade política, étnica e religiosa, devem ter uma visão comum para a nossa grande participação mais ativa no desenvolvimento do nosso país ", disse ela.

A ministra agradeceu, a passagem, os convidados de honra por seu apoio à promoção do gênero, a chefe da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (UNOCI), Aichatou Mindaoudou, e a Diretora de Operações do Banco Mundial, Madani Tall.

Anne Ouloto também chamou suas "irmãs" para lutar, como mulheres solitárias, para aumentar a quota de candidatos nas eleições municipais, regionais e até presidencial, que virá. Ela parabenizou as 11 mulheres prefeitas, incluindo a Sra. Hortense Aka-Anghui que totaliza mais de 30 anos à frente da prefeitura de Port-Bouet, bem como uma das mais jovem chefe da prefeitura de Odienné, a Sra. Touré Diané Nasseneba.

A Ministra da Solidariedade também acrescentou que "esta é uma oportunidade para as mulheres que têm o presidente Alassane Ouattara ao seu lado", porque ela sabe o compromisso de promover a igualdade de gênero, refletida na nova lei sobre casamento que ela passou.

Portanto, a Sra Ouloto chama as "irmãs" para lutar em conjunto para que, no futuro, haja mais de cinco mulheres ministras no governo e mais mulheres em posições-chave de tomada de decisão e responsabilidade.

A Ministra de Educação e do Ensino Técnico, a única mulher general do exército, a primeira vice-presidente da Assembleia Nacional, a jornalista Agnès Kraidy, presidente de cooperativas de alimentos, entre outras, reforçam pela sua presença a cerimônia de homenagem as mulheres líderes e balançando a Costa do Marfim.

fonte: abidjan.net


Aplicativos iTeachers em Malawi: Transferência ou é a desatualização da educação?

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O que você faz quando existem 80 alunos por turma e não existem professores suficientes para todos? Uma opção seria: baixar um aplicativo?


Em Escola Primária de Biwi na capital Lilongwe do Malaui, o Centro de Aprendizagem do "Libertar Talentos" está em construção. Ele está sendo preparado para um projeto de avaliação muito importante neste outono, quando vai sediar uma série de acadêmicos britânicos que examinará uma abordagem nova e potencialmente revolucionária para a aprendizagem no ensino primário.

A iniciativa sob os holofotes será um aplicativo chamado 'Masamu', que significa Matemática em um número de línguas da África Austral. Criado por EuroTalk, uma editora da aprendizagem de línguas, que está envolvido em um projeto sem fins lucrativos no Malawi durante oito anos, o aplicativo, que pode ser usado em tablets eletrônicos, é projetado para ajudar a melhorar a aritmética entre as crianças nos primeiros dois anos do ensino primário.

O software foi traduzido para a língua local, chichewa e a interação colorida do aplicativo proporciona às crianças diversão envolvente em maneiras de aprender processos numéricos simples. Além disso, a fim de que os alunos não são retidos pela habilidade de leitura limitada, o "professor" que aparece na tela fornece instruções e feedback por via oral. O bom trabalho é recompensado com os carrapatos e as estrelas, com um certificado no final de cada teste bem sucedido.

O software também funciona off-line, algo de EuroTalk que o diretor Andrew Ashe acredita que é crucial. "Isso é importante não apenas por causa da má banda em lugares como Malawi", diz ele, "mas também porque as crianças on-line migram para o menor denominador comum - eles vão fazer Pássaro Faminto durante todo o dia, se é acessível".

Desde 2010, o Governo escocês tem financiado o projeto de EuroTalk com o Ministério da Educação Malawiano para pilotar esta tecnologia em tablet em 30 escolas primárias. Quando visitou o projeto em Lilongwe no início deste ano, o Secretário de Educação escocês Michael Russell disse que tinham-se "excedido as expectativas".

Emissões primárias em Malawi
Desafios educacionais do Malawi são monumentais. Alcançar a meta de alcançar a educação primária universal até 2015 de Desenvolvimento do Milênio está procurando o improvável. O número de matrículas estão ficando cada vez melhor - passando de 78% para 83% entre 2005 e 2009 -, mas as taxas de abandono permanecem elevadas. A proporção fica para os alunos que completam a escola primária aos 13 anos que ainda é apenas de 53% para os meninos e 45% para as meninas.

Quando a educação primária foi feita de modo livre em 1994, a participação cresceu, somando mais de um milhão de alunos no sistema de ensino em um ano. Mas o sistema escolar era mal equipado para lidar com o afluxo repentino e, quase 20 anos mais tarde, os professores e salas de aula ainda estão desesperadamente em falta. Tamanhos médios de classe são mais que o dobro da Campanha Global para a recomendação de 40 alunos por sala em Educação, e muitos são muito maiores. Algumas escolas têm crescido rapidamente em tamanho, com números muito maiores dos 33 mil alunos do país.

Até agora, o setor de ajuda tende a responder às dificuldades do sector da educação do Malawi com as soluções tradicionais, tais como o fornecimento de mais livros texto, mudando currículos, turmas decrescentes e infra-estrutura em construção. Mas isso pode estar a começar a mudar.

Somas simples
Alguns críticos de iniciativas educacionais que utilizam aplicativos eletrônicos e tablets dizem que é ruinoso e caro para promover projetos de alta tecnologia em países onde livros e até mesmo de papel e canetas podem ser indisponíveis. Mas os defensores dizem que os compomissos podem fornecer uma maneira mais eficaz e confiável de fornecimento da informação; que pode facilmente levar as informações de livros didáticos, bem como aplicativos sob medida, e que muitas vezes funcionam com energia solar.

Além disso, enquanto os tablets ainda são caros, os novos tablets que custam apenas US $ 20 - os de $ 50 já estão sendo feitas na Índia. Outros benefícios de custo destacados incluem o custo relativamente baixo de ampliação de projetos e a possibilidade de utilização de tablets em situações fora da sala de aula.

Nicola Pitchford, um psicólogo da Universidade de Nottingham, que está realizando a avaliação dos Masamu, diz que o sucesso da introdução da tecnologia de tablet poderia revolucionar a educação em países como o Malawi, onde os modelos tradicionais de educação estão entregues ao falhanço. "Esta pode ser uma maneira real de proporcionar uma educação de qualidade", diz ela. "Isto pode ser inovador em termos de como a tecnologia comprimida pode ser usado para espalhar a aprendizagem".

Professores Virtuais
Outra crítica por tais sistemas é que eles estão tentando substituir os professores pelas máquinas. Os céticos argumentam que sem um professor a orientar o processo não pode haver verdadeira aprendizagem. Mas respostas de Ashe é que o objetivo não é substituir os professores, mas para trazer oportunidades de aprendizagem para as crianças que, nas actuais circunstâncias, não têm acesso à educação.

"Com um programa bem concebido, a criança goza o equivalente a um-para-um ensino interativo, mesmo em uma sala de aula lotada", diz ele. As aulas são de qualidade consistente, as crianças definem o seu próprio ritmo e o progresso é facilmente rastreado.

Pitchford concorda que tais programas podem aumentar em vez de substituir ambientes de aprendizagem tradicionais. "Os comprimidos podem realmente apoiar a aprendizagem centrada na criança. A chave é ter um bom software que captura a imaginação de uma criança. Tempo do professor pode, então, ser usado de maneira muito mais eficaz ", diz ela.

O governo do Malawí já incluiu a iniciativa de uso de tablet em seu Plano Nacional no Sector da Educação, mas muito ainda está parado nos resultados da avaliação, em outubro. Caso o resultado seja bem sucedido, uma nova avaliação será realizada para descobrir como ampliar o projeto, não só para o resto de 5000 escolas primárias do país, mas também para os locais onde os professores não estão presentes, tais como igrejas, hospitais ou em casa.

E enquanto as reservas Ashe se dá o direito de mudar de direção, se os resultados da avaliação não forem animadoras, conta Flickr da EuroTalk "um bilhão de crianças" fornecem uma meta ambiciosa de quantas crianças ele acredita que a tecnologia pode um dia chegar.

fonte: http://thinkafricapress.com

República Centro Africana: O presidente deposto Bozizé está na França.

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O presidente deposto François Bozizé da República Centro Africana, disse neste sábado na França, que ele quer recuperar o poder no país "se a oportunidade se apresentar", em uma entrevista à RFI.

François Bozizé, que foi derrubado em março pela rebelião Seleka disse que se encontra em França "para visitar (sua) família (y) que reside sempre aqui."

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores francês, disse à AFP, que o Sr. Bozizé tem um visto que foi emitido em 2012.

O presidente deposto anunciou a criação de uma "estrutura" chamada "Frente para o regresso à ordem constitucional na RCA (Frocca)."

"O objetivo de nossa organização está em acompanhar de perto o relato de tudo que acontece no país para informar a comunidade internacional que parece ainda não estar penetrado na grave crise, drama que constitui a República Centro Africana ", disse ele.

Questionado sobre seu desejo de voltar ao poder, ele respondeu: "Sim desejo retornar ao poder se surgir a oportunidade, eu voltarei.".

Ele assegurou que quer fazer com "meios políticos como o caminho das armas que só é percorrido quando uma solução política não é encontrada."

Bozizé comentou que foi o Chad o responsável pela derrota de seu exército em Bangui, em 23 de março.

Rebelião "tomou o poder, porque ela foi ajudada por um poder externo (...) Este poder é o Chad", disse ele.

"Eu não acho que eu tenho um problema com o Chade e Deby. Fiquei surpreso ao ver que são as forças de seu país que vieram apoiar a ação completa dos rebeldes", disse ele.

Bozizé Estima que a França poderia desempenhar um papel importante em ajudar a resolver a crise em seu país. A França "tem estado sempre conosco (...) A França está em melhor posição para ser capaz de resolver o problema com a contribuição da União Africana", disse ele.

O Secretário-geral Ban Ki-moon apelou à comunidade internacional para se " preocupar com urgência" com a situação na República Centro Africana, referiu em um relatório que será examinado nesta quarta-feira pelo Conselho de Segurança.

Ban Ki-moon disse que é "inaceitável (...) a ausência total da lei estadual" no país desde que foi apoderado pela ex coalizão rebelde e espera que sejam consideradas opções apropriadas, incluindo a adopção de sanções ou a criação de uma comissão de especialistas para garantir que não haja impunidade para os responsáveis ​​por graves violações dos direitos humanos ".

O presidente deposto disse a RFI de não ter encontrado os líderes franceses desde a sua chegada na França devido aos feriados, mas "há compromissos à vista", assegurou. "Vamos ver como as coisas se desenrolam", acrescentou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que "nenhum compromisso está marcado e nenhum contato é esperado" entre Bozizé e as autoridades francesas.

fonte: Slate Afrique

sábado, 10 de agosto de 2013

Política: Os Liberais de África harmonizam as suas políticas de Comunicação em Gaborone, Botswana.

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Politique:
© Partidos Políticos por DR
Política: Os Liberais da África harmonizam as suas políticas de Comunicação em Gaborone, Botswana
A convite da Rede Liberal Africana, em colaboração com a Fundação Westminster para a Democracia e o Partido Liberal Inglês, os liberais da África estão no conclave na capital do Botswana, de 9 de a 10 de agosto de 2013.

Gaborone - A convite da Rede Liberal África, em colaboração com a Fundação Westminster para a Democracia e o Partido Liberal Inglês, os liberais estão na África no conclave na capital do Botswana, de 9 a 10 de agosto de 2013, em Cresta Lodge. Esta reunião tem como objectivo ajudar a harmonizar as políticas e a campanha dos partidos membros da rede de comunicação que ocorre sob a liderança do Sr. Simon Hughes, Partido MP Inglês e vice-presidente do Partido Liberal e Victoria Inglês Marson o Gerente de Campanha e de Operações em locais estratégicos.

A Direcção da RDR, membro fundador da Rede, são representados nesta reunião pelo Diretor-Geral do partido no Reino Unido, Tatenda Konaté, que também se juntou ao Ministério da Integração Africana e marfinenses no Exterior.

Segundo os participantes, estes dois dias de discussões permitiram descobrir novas técnicas em matéria de Comunicação Política e de preparar estratégias inovadoras nas relações e negociações com base em uma aproximação adequada dos potenciais militantes.

A fundação Liberal Alemã Friedrich Naumann também está presente e faz uma contribuição importante para o trabalho, bem como o Partido Liberal Sul-Africano da DA (Aliança Democrática), quem conhece um aumento considerável de militantes na província do Cabo.

Note-se que o presidente Alassane Ouattara também foi vice-presidente da Internacional Liberal durante vários anos.

Esta reunião será concluída neste sábado, às 17h, GMT.

O departamento de comunicação

fonte: abidjan.net

Gâmbia: Yahya Jammeh perdoa três prisioneiros senegaleses.

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O Presidente gambiano, Yahya Jammeh, libertou os prisioneiros senegaleses, Ibrahima Coly, Sidate Diadhiou e Babacar Doucouré anunciou o embaixador do Senegal em Banjul, Babacar Diagne.

"Entre os prisioneiros libertados pelo Presidente Yahya Jammeh por ocasião da festa da Korité figuram três senegaleses. A notícia foi-me comunicada esta manhã. Eu Liguei para a prisão de Mile Two e foi dito que foram libertados ontem (quinta-feira) à noite. Vou entrar em contato com eles na segunda-feira ", disse Diagne em entrevista por telefone. Falando de seus compatriotas que receberam a graça do Presidente Jammeh por ocasião do Eid el-Fitr celebrado quinta-feira na Gâmbia, ele acrescentou, "eles estão saudáveis ​​e em boa forma."

Segundo Babacar Ibrahima Diagne Coly, Sidate Diadhiou e Babacar Doucouré a liberação foi anunciada sexta-feira em um comunicado divulgado pelo presidente da Gâmbia. Sua libertação "é um passo nas boas relações" entre Dakar e Banjul, disse ele, colocando a decisão da Presidência gambiana, em nome da "reunião de Comissão Mista Senegal-Gâmbia que foi bem desenrolada" em julho, em Banjul. A libertação da prisão de três cidadãos senegaleses "é um sinal de boas relações entre Senegal e Gâmbia", disse o embaixador, na esperança de ter mais detalhes sobre as razões e tempo de permanência na prisão de seus compatriotas. Na noite de 26 a 27 de agosto de 2012, nove pessoas foram condenadas à morte, dois senegalês Djibril Ba e Tabara Samb, foram executados na Gâmbia. O presidente senegalês, Macky Sall, tinha apelado, mas "as autoridades gambianas não atenderam a apelação."

Um outro senegalês a ser libertado, Saliou Niang, que foi condenado à morte por assassinato, ainda está preso na Gâmbia. Em maio último, Babacar Diagne tinha reencontrado o pescador originário de St. Louis. Sr. Niang está detido no célebre presídio de Mile Two em Banjul.

Fonte: (EPA)

Winnie Mandela publica o jornal de sua detenção sob o apartheid.

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A ex-mulher de Nelson Mandela, Winnie, publicou na quinta-feira um livro sobre sua prisão sob o regime do apartheid ", o período mais negro da sua vida."

O livro intitulado "491 dias: número de prisioneiro 1323-1369" foi escrito a partir do diário que ela manteve quando foi presa em Pretória pelo regime racista sul-Africano, entre 1969 e 1970.

Winnie Madikizela-Mandela teve vontade de reproduzir trechos de seu diário e também incluir cartas trocadas com seu marido Nelson Mandela, já preso por sete anos na época.

"Eu pensei que eu deveria contar essa história para as gerações futuras, para que essa situação não volte a acontecer", disse ela no lançamento do livro, em Joanesburgo.

Preso em 12 de maio de 1969 como ativista anti-apartheid, foi mantida em confinamento solitário na prisão central de Pretória, até sua libertação a 14 de setembro de 1970.

"O confinamento solitário é pior do que o trabalho forçado", diz ela. "Quando você estende seus braços tocando as paredes, você está reduzida a menos do que nada."

Esta é a viúva de um de seus advogados, que tinham guardado o jornal e que o retribuiu ela após 41 anos mais tarde.

Para Winnie Madikizela-Mandela, ler esse texto foi uma experiência angustiante, trazendo à sua memória o sofrimento que sua família sofreu, inclusive suas duas filhas, então crianças, Zindzi e Zenani.

"Eu não poderia ler um único parágrafo, se dissesse o contrário estaria mentindo", diz ela. "As palavras não podem descrever os sentimentos e dores, especialmente neste momento em que seu pai está no hospital."

Nelson Mandela, de 95 anos, começou quinta-feira o seu terceiro mês de internação.

Winnie e ele se divorciou em 1996, dois anos depois ele se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul.

fonte: Slate Afrique

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