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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

sábado, 9 de junho de 2012

ARTIGO DE OPINIÃO: A INDIFERENÇA DE UM POVO PELOS SEUS LÍDERES..

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

O Povo da Guiné-Bissau, de tão civilizado do ponto de vista da sua tolerância, à má liderança dos seus líderes, tem mantido um comportamento cívico exemplar, de um lutador que nunca lança a toalha ao chão. Sempre que é chamado às urnas, interrompe a vida para respirar a “liberdade” e sua justiça nas escolhas, exercendo humildemente o poder do voto, como um povo maduro, resistente, forte, capaz, independente, revolucionário, livre, corajoso, respeitador, ordeiro, tolerante e de brandos costumes, para mais uma vez, ver frustradas as suas expectativas, adiadas as suas escolhas, sempre pelos mesmos fracos da política nacional, que provaram não ter capacidades para levantar o País do estado em que se encontra física, cultural e socialmente. Um Povo que normalmente tem participado nas eleições livres, mas que logo a seguir vê frustradas e a morrer, toda uma esperança de mudança para uma vida melhor e mais digna, uma realidade muito triste, que persiste colada aos destinos dos Guineenses, desde a independência política do País.
Um povo sóbrio que sabe bem o que quer, sabe também até onde pode confiar ou desconfiar dos seus lideres, mas estando nas mãos de fracos cuidadores dos destinos da Nação, e por isso já espera quase nada destes homens, que apenas sabem tratar de si próprios, crescerem à custa do Povo. Há décadas à frente dos destinos do País, estes líderes mostraram muito pouco sucesso nas governações até hoje, com poucos resultados práticos. Temos um Povo cansado, frustrado, que se foi distanciando e procurando tomar conta de si, no quotidiano do trabalho duro. Um Povo que vive com desprezo quase total pelos líderes, que não se orgulha dos políticos que tem, mas que labuta de sol a sol para matar a fome com a dignidade possível, num País transformado num fracasso, pelas más políticas, corrupção, impunidade e desconfiança acentuada nas Instituições. Guiné-Bissau, Terra de Sabura (boa), hoje transformada num território afectivo onde encontramos algumas tristezas e lutos de difícil resolução, mas que com esperança, acreditamos ainda, que não há mal que não acabe, haverá sempre caminho novo, uma esperança nova, como também pessoas novas e renovadas para continuar este País dos antigos (dos nossos avós) sem pestanejar e com fé no progresso e nas vitórias.
Tantas vezes que o País esperou, desesperou, tem tantas frustrações acumuladas, que hoje não sabe em quem confiar, olha com indiferença para alguns líderes políticos e militares. Compreende, mas não aceita, de tanta desgraça derivada da má política e dos sucessivos conflitos entre a classe militar e a política, adoptou uma postura curiosa, como quem olha para uma montra e, com dinheiro no bolso, não quer comprar. Assim olha para alguns políticos e militares, sem os apreciar positivamente no que fazem ou projectam para o País. Não se importava de meter alguns no mesmo barco e mandá-los para “Angola” ou para outro sito qualquer. Está cansadíssimo de enganos propositados, corrupção e mentiras, por isso hoje já vive como se não prestasse atenção ao que se passa no País e sua política. O que é sinceramente uma pena, esta falta de qualidade humana e intelectual constatada na classe política, uma falta de carisma e competência dos escolhidos por influência tendenciosa para liderar, que se repetem na elite do poder, sendo constantemente preteridos os melhores, por culpa desta realidade mafiosa desgastante, persistente obstáculo que veio para durar, mas que pelos vistos parece já tem os dias contados, para o bem de todos nós.   
Por estas e por outras razões se instalou a desconfiança em relação aos líderes, vamos reconhecendo um Povo que faz a sua vida sem olhar para o lado ou à espera de ajuda que seria bem-vinda, porque perdeu a esperança e não acredita mais em promessas dos políticos. Hoje, mais do que nunca, habituado a “desenrascar” pela vida, como se os líderes e suas “ordens” não existissem mais, pois este Povo está farto de ver repetirem-se os mesmo erros de palmatória, por isso, como última alternativa segue o seu destino trazido na ponta da língua ou na da palma da mão, confia nas suas pernas e braços, não confia mais em fantasmas vindo da boca de políticos, que mais parecem perder o juízo cada vez que abrem a boca com promessas. Muitas vezes foram enganados, já não esperam mais e sabem de cor o destino natural dos percursos de vida a tomar, para não morrer à fome, pensamos ser este um dos motivos na luta da sobrevivência deste Povo, que conduziu ao descrédito vivido hoje em relação aos líderes Guineenses.
No dia a dia segue um trajecto como programa para matar a fome, cada dia que passa acredita menos nos políticos e militares Guineenses. Nas suas cabeças a revolução morreu ontem, só os “reaccionários” estão no velório a fingir que choram pelos símbolos de outrora com significados vitais da luta, como um Povo habituado a vencer sempre, hoje quase pedinte de tudo, tudo esperam que venha de fora para dentro, mas porquê, perguntámos.
Quem somos afinal, porque querem transformar o Povo numa massa de gente desacreditada no mundo. Não pode ser e é preciso um corte radical com os maus, estarmos ligados à esperança, com projectos credíveis, com resultados objectivos diante dos olhos. Vamos tratar de vida porque ninguém vive duzentos anos, vamos acreditar que vencemos toda esta crise com raízes profundas no tempo, passou da infância para um estado adulto de fracassos acumulados e frustrações, são mais de trinta anos de pára arranca, na casa das “máquinas” não se vê uma viva alma para explicar porque falhamos sempre, e porquê, se fomos sempre um Povo lutador e senhor do seu nariz, alguém acredita nisto como sendo nosso destino, penso que ninguém de bom senso acredita nesta morte anunciada, havemos de provar com persistência e firmeza que somos capazes.·
Somos um Povo em vias de desenvolvimento tecnológico, sabemos bem deste nosso “rótulo”, porque os políticos, de tantas vezes que falharam não inspiram confiança, e este povo convenceu-se que consegue viver sem maus lideres, porque estes não fazem falta, dizendo de boca cheia que  para chatear, já basta uma vida difícil de suportar, o que quer é viver, trabalhar em paz, porque sabe que são como crianças abandonadas, manipulados por oportunistas nacionais e estrangeiros, entregues à sua sorte.
Somos um Povo que quase dispensa grande parte dos seus líderes, acredito que se pudesse, hoje metia-os quase todos no mesmo barco e exportava-os para um “curso” de formação intensivo numa "tribo” de verdadeiros nativos da terra, quem sabe num lugar com função terapêutica a partir de regras para estimular amor e respeito à Mãe-Terra. Um curso com um programa especial a começar pelo celibato, ausência de dinheiro vivo e de cartões de crédito, proibição de roupas de marca, manutenção da vida feita pelos próprios, sem ar condicionado nas “casotas”, sem nada de topo de gama, onde fosse proibido falar qualquer língua viva, somente permitido o uso de mímica e expressão gestual, e assim, talvez aprendessem a parar para pensar e aprendam a pôr-se na pele do Povo, daqueles que dizem saber representar e, só os “lixam”, talvez os "recuperados" da obsessão pelo poder ou dos vícios de vida e dinheiro fácil, fosse visível depois num bom resultado final esperado. Um resultado que traduzisse a consciência do profundo respeito pela vida humana, seus valores universais que se deve ter consciente quando se é líder e não só, o que parece não distinguirem alguns trapalhões desta elite de governantes desde a independência.
Neste “estágio” fantástico, os que conseguissem chegar ao fim do “curso”, eram os renovados filhos da terra, estariam de regresso à casa, depois de um juramento em que se comprometem de facto a permanecer "alérgicos" às riquezas do Povo e nunca mais ser líder diante dos nossos destinos. Só depois seguiam viagem, penso e sem me rir tanto, que era capaz de valer a pena este esforço para ajudar alguns maus lideres no País, e sem comentários, há, há, há, e esta hem!
Mas temos um Povo grandioso que se habituou a golpes e contra-golpes de Estado, vai fazendo a sua vida pensando na família, no seu sustento do dia a dia. Esta gente rija que se levanta com o sol e trabalha o dia inteiro ganha a vida com suor e trabalho. Merecia maior respeito e protecção, porque tudo que tem é honesto e digno, fruto do suor que lhe sai do corpo, enquanto alguns, do poder, roubam, esbanjam, transferem para suas contas pessoais no estrangeiro, e se vendem aos senhores mais ricos, com preços de saldo em quase tudo, sem olhar o rosto da Mãe-Terra que é constantemente prejudicada.
Hoje e infelizmente, bateu-nos à porta mais uma desgraça, o País em situação de conflito político/militar. Uma teimosia compulsiva que assume o pior diagnóstico de situação vivida no País e no estrangeiro, mais uma vez uma repetição que afasta a nossa imagem do modelo progressista das sociedades modernas, independentemente dos motivos ou razões apresentadas, uma vez que presume-se num diálogo racional que nada pode levar a um desfecho desta natureza Institucional (golpe de estado).
Devemos acreditar em nós, melhorar a auto-estima a partir dos melhores exemplos na nossa sociedade, porque temos mulheres e homens com carisma e bom comportamento, pessoas de bem e capazes de fazer melhor, temos alguns exemplos espalhados no mundo e dentro do território nacional. Aqui deixo um belo exemplo de um Homem bom, que nos deixou há bem pouco tempo, subindo um degrau acima de nós todos.
O nosso falecido Presidente Malam Bacai Sanha, distinguido com o Prémio da Fundação Chrans Montana, atribuído em Março deste ano. O seu nome figurando entre personalidades como Yasér Araffat, Nelson Mandela, e outros, é uma prova provada e mais do que evidente, óbvia, perante qualquer sentido de interpretação humana possível, reconhecemos sempre um Homem de Paz.
Estamos perante um símbolo gigante, de que poucos deram conta aquando da sua passagem terrena, apenas alguns o sabiam, sentiram, o quanto o nosso falecido Presidente Malam Bacai Sanha, que Deus tem, afinal lutou com todos os "fantasmas" da mentalidade malvada do guineense, para evitar confrontos desnecessários, "guerrinhas" pelo poder e outras manobras menos dignas para a nossa imagem de Estado de Direito.
Enquanto que com o seu "peso" e estatura de grande Combatente da Liberdade da Pátria, honrando princípios de carácter, que dignificaram o nosso bom-nome. E logo que tombou toda a gente reparou, que rapidamente emergiu o que afinal sempre “calcou” debaixo dos pés.
Afinal, tudo o que era tão mau, lhe coube debaixo dos pés. Este homem conseguiu em silêncio quase absoluto, travar, desviar a podridão de algumas mentes, enquanto assumiu como prioridade o avanço do desenvolvimento do País, para posteriormente passarmos a cobranças difíceis em cede própria, mas com o grande comboio sempre em andamento.
Ninguém tem dúvidas desta grandeza de alma e coração de um estadista, que em plena "rua" envergava sempre que preciso, palavras de reconciliação, no meio da discórdia e com um único objectivo, Paz para a Guiné-Bissau.
Somente um homem com conhecimento dos verdadeiros princípios de orientação de Amílcar Cabral, permanecem firmes e fiéis aos seus objectivos traçados desde a luta de libertação e, Malam Bacai Sanha foi um deles, lutou até ao último segundo de combate pela Vida/Guiné-Bissau (somos todos testemunhas disso).
Este prémio não é mais do que uma certeza de que temos valores que ecoam além fronteira, apreciados pelos vizinhos e internacionalmente. Temos aqui uma referência que fez história, é verdade que somos capazes e quem não pensa assim, não sabe sequer o que sabe acerca da Guiné-Bissau.
Chegou a hora de pararmos com inveja mesquinha, chegou a hora de pararmos com o culto da mediocridade, e de nivelar por baixo, chegou a hora de pararmos este ciclo de escolhas e preferência alienadas e reaccionárias. Devemos pautar por uma nova conduta, optar pela Meritocracia na Sociedade Guineense, implementar no terreno um desenvolvimento sustentado, assumir de uma vez por todas pelo uso de liberdade de expressão sem represálias, mas com responsabilidade dos seus actores, justiça e reconciliação entre os Guineenses, Justiça e prática do perdão entre nós, objectivamente cultivarmos a unidade como padrão positivo na luta pelo progresso social, acabando com os complexos e alienação cultural ou outros pré-conceitos igualmente maus.
Todos juntos devemos cultivar uma postura flexível no meio de nós. Uma solidariedade positiva e capaz de isolar uma inter-dependência que leva normalmente a que não haja progressos colectivos ou a que não se cultive uma capacidade de escolher com isenção o melhor para nós.
Há um mês atrás publiquei neste site – www.didinho.com – um artigo de opinião com o título: “Uma reposição obsessiva, é simplesmente impossível”, hoje devo acrescentar que em Dialéctica nada permanece inalterável, estático, eterno ou permanente no seu estado (mental ou físico) de origem. A natureza humana é na sua essência uma estrutura permanente e dinâmica, que mantém um movimento dialéctico e vital. Presume-se não fazer sentido pormos a hipótese de voltar à "estaca" zero, neste processo que levou ao golpe de Estado na Guiné-Bissau. Um "filme" que não sendo possível mais fazê-lo retroceder na sua fita de origem, a única possibilidade inteligente é tentarmos saltar para o comboio em andamento e, não tentar travar ou empurrar no sentido contrário em que se encontra posicionado a cabeça em relação à sua cauda...
Repare que é muito mais fácil neste momento apanharmos este comboio no ponto a que já chegou, na estação nova da presente conjuntura e situação do País, do que, querer ver o comboio voltar para trás, para parar no sítio de onde foi "desviado" do seu destino anterior, acarretando todas as consequências de uma possível resistência militar por parte das nossas forças armadas, que poderá provocar um banho de sangue sem vitórias absolutas para nenhuma das partes em conflito, guerra é guerra não é festa.
Neste xadrez, há quem não tenha nada a perder, porque o próprio está centrado apenas na "recuperação " dos seus bens materiais na Guiné-Bissau. Pouco lhe importa o que pode vir a acontecer de muito mau se houver uma guerra, isto é, só pensam em recuperar tudo o que até aqui juntaram, embora estando alguns desses bens materiais sendo postos em causa neste momento e de viva voz na praça de Bissau.
Para alguns é uma situação de vida ou de morte (político, económico, ou até fisicamente), mas, há que lembrar que nem todos trazem a corda ao pescoço ou nos pés, para estes inocentes, não é uma situação de vida ou de morte. Porque não temos todos que assumir um mesmo destino, ou partilhar este em particular, só.
Daí que volto a repetir-me, "Uma Reposição Obsessiva, é Simplesmente Impossível" e, convido o leitor a reler as palavras gastas deste artigo de opinião, que com muito gosto, deixo um enorme abraço Guineense e de reflexão por minhas palavras.
Penso que a situação que se vive na Guiné-Bissau, é em si muito perigosa, requer cuidados redobrados, embora tendo que anotar o valor subjectivo do hábito de reacção deste Povo, habituado a golpes de Estado, uma realidade que pode influenciar a percepção de um observador pouco experimentado na sua conclusão. A título de exemplo, imaginemos um golpe de Estado pela primeira vez num País, o ambiente que se iria viver era completamente imprevisível, com a variável do medo, pânico, agitação que seria naturalmente superior (elevado), comparado com um País como a Guiné-Bissau (com uma experiência elevada nesta matéria) que já viveu esta realidade mais do que uma vez.
Por isso para evitarmos um falso diagnóstico desta situação de ansiedade que se vive no meio ambiente, devemos manter no terreno observadores experimentados do ponto de vista de conhecimento do meio social e cultural Guineense, evitando assim um falso diagnóstico da situação concreta vivida pela população, com o objectivo profiláctico mais adequado a situação e suas diferenças.
Tendo em conta que certos índices de ansiedade ou de perigo típicos evidenciados numa situação de golpe de Estado, variam nas suas reacções, tendo em conta o número de vezes que o País em causa se vê perante este confronto, podendo ser confundida a descontracção observada no quotidiano das populações, chama atenção esta variável que deve ser isolada e considerada, numa análise global da reacção da sociedade guineense numa situação pós Golpe de Estado, uma vez que as populações já convivem com esta situação como peixe na água, podemos confundir a sua descontracção com uma ausência de perigo no meio ambiente.  
Num País como o nosso, podemos esperar uma reacção de pânico muito inferior àquela que registaríamos numa população que nunca viveu uma experiência do género. Países que nunca viveram esta realidade, não seriam comparáveis à Guiné-Bissau que já viveu muitas situações idênticas de golpe de Estado, digamos que já está “calonisado”, daí que o Povo quase que reage com naturalidade, e normalmente no dia seguinte já se vêem pessoas a tratar de vida como se nada fosse, vivendo com “descontracção”, cada um fazendo a sua vida sem receios evidentes ou à “vista” desarmada, mas, quem conhece a sociedade Guineense, saberá tirar elações fiéis ao seu estado de espírito íntimo e real. Não basta só dizer que tudo já passou, não há mais o perigo de voltar a acontecer, há que pensar, investigar e analisar todos os focos de instabilidade social no País.

Portanto, a aparente calma no País pode não corresponder a uma ausência de “perigos” no ambiente social, principalmente em Bissau, um palco inevitável dos confrontos em todas as vezes que houve golpe de Estado no País.

No mundo actual assistimos a guerras que nos provam da nossa incapacidade de resolução por via da palavra (racionalidade), olhamos à volta e registamos cenários tristes com incontáveis cadáveres de civis inocentes vitimas dos “senhores” da guerra. Há e com muita evidencia na comunicação social, imagens que provam a crueldade, agressividade, violência, medos, terrorismo, criminalidade, abuso de direito, crimes e mau senso, situações descontrolados entre lideres que supostamente deveriam ter capacidades especiais dum ser humano equilibrado, gente com formação cultural e política suficientes para dirigir com justiça e isenção os destinos do Povo, mas, que muitas vezes temos alguns psicopatas no poder, os piores filhos, de mau carácter a mandar em gente boa e são na maior parte das vezes e, sacrificando o Povo.
Temos acompanhado a situação na Síria, um povo selvaticamente sacrificado com toda a crueldade que se possa imaginar, velhos, crianças, gente inocente a morrerem. Vemos estas imagens chocantes na comunicação social e, como se não bastasse, pouco utilizamos esta realidade actual, para reflectir, evitando o semelhante no nosso País.

Não podemos continuar a pensar que o que é mau só acontece aos outros, não, trata-se daquilo que somos capazes de fazer uns aos outros, por isso é frontal para nós a guerra que se vive em certos pontos do planeta, com seres humanos barbaramente assassinadas, uma realidade obviamente cruel, fatal e profundamente injusta como acontecimento social no mundo. Mas nós na Guiné-Bissau conhecemos uma certa realidade no que concerne aos crimes cometidos e que continuam impunes no País, e mais, a nossa experiência de golpes de Estado, devemos saber prevenir e bem, evitando o pior.
Por isso há que evitar uma paz podre, afastar políticos menos bem preparados ou sem sensibilidade para apreender das necessidades do colectivo (Povo) os elementos essenciais para uma análise eficaz das suas conclusões tiradas.
Queremos políticos que não estão centrados só no seu umbigo, no seu egocentrismo maquiavélico e "barato", os maus políticos à frente dos nossos destinos, exercendo mal o poder sobre todos nós, queremos os melhores na linha da frente, com gente capaz e com provas dadas.
Porque havendo um perfil criminoso num líder, os riscos que se correm são sempre de uma imprevisibilidade muito grande, podendo verificar nos patamares da vida social, como um crime económico contra o Estado, contra a vida humana, com corrupção ou tráfico de influência que acaba sempre por perverter o aparelho de Estado.
Sendo que devemos abrir bem os olhos, estar atentos, fazendo uma profilaxia e funcionando como um sistema de prevenção primária nos crimes desta natureza e, outros que neste momento é urgente um controle na Guiné-Bissau, no sentido de evitarmos mais conflitos (para não avançarmos inconscientemente para uma guerra), corrupção e tudo que for mau para este Povo.
É preciso isolar a loucura e com a "outra" parte de nós, a melhor parte, pensarmos positivo, ter auto-controle nas nossas decisões, assumirmos os erros e avançar com menor probabilidade de repetir os mesmos erros, só.
Sobretudo substituir os lideres quando não dão conta do “recado”, não permitir a sua continuidade no cargo que ocupam, dar a oportunidade a outros, e assim sucessivamente até se confirmar um que seja de facto melhor, bom no exercício da sua liderança e produção profissional. Este Povo sofredor merece melhor destino, um bom amparo e protecção dos seus líderes e não uma falsa orientação sem proveito próprio das suas próprias riquezas materiais.

Vamos aprendendo a distinguir as pessoas pela sua competência, sensibilidade, amor-próprio e conhecimento científico e sabedoria. Ainda temos um bom exemplo para reavaliação no terreno, desta interacção triangular entre os nossos militares, a missão Angolana e o Parlamento da G-B. Aguardamos todos por um final feliz no futuro próximo das relações entre os dois Países. Devemos continuar em estreita colaboração nas várias áreas do desenvolvimento científico e tecnológico, torna-se necessário uma ultrapassagem rápida de certos obstáculos entre Países soberanos, as diplomacias têm muito trabalho a fazer e, acabar com certos complexos mafiosos em certos líderes ou pré-conceitos que não servem os interesses superiores dos nossos dois Estados.

O último defeito de alguns líderes angolanos na sua visão ou "Angolanidade" é quererem ser maiores do que a própria Angola do Povo, eventualmente inspirados num sentir megalómano a partir do seu poder económico e financeiro evidente ou em potência. Mas, esquecendo que o dinheiro foi feito para contar, que não compra tudo, sobretudo o que não está a venda.

Este enorme País irmão da Guiné-Bissau, Angola, um imenso território físico com uma riqueza cultural e material incomensurável, melhor dito, é maior do que o próprio pensamento, sendo que, os dois Países irmãos merecem cuidados a triplicar, tanto na ponta dos lápis dos seus lideres, como na capacidade de reflexão e dos comportamentos políticos com que visam traçar, projectar, administrar os destinos do Povo enquanto legítimos herdeiros das suas riquezas naturais do solo e subsolo (os donos da terra).

Contudo, é bom que políticos como o Dr. Jorge Chicoty, não subestimem Países pequenos no “tamanho”, mas de uma grandiosidade como realidade histórica, cultural e política, igualmente gigantes no contexto nacional e internacional, porque à partida não se devem comparar “coisas” diferentes, porque estaremos a praticar uma descriminação, o que naturalmente fica muito mal numa visão global e portanto deve ser evitado, só.

É preciso parar e repensar certas políticas, abandonar imaginação “elástica” que chegou a poisar em terreno alheio (Guiné-Bissau), trazendo nos bolsos "recados" de padrinhos, régua e esquadro para uma nova "medição" em terreno alheio, na casa dos outros, naquilo que é do Povo Guineense. Não pode ser, haja respeito e pudor, estes políticos de ambos os lados, que tomem muito cuidado porque prestam um mau serviço muitas vezes, pensando que só eles sabem dos seus próprios esquemas mafiosos. É preciso usar a experiência com conhecimento de certas condutas intrínsecas a cada País, sem “branquear” na essência uma realidade histórica, dos usos e costumes de um Povo.
Os que preferiram mascarar ajudando padrinhos mal intencionados em relação a nossa Terra, usando “cores” a não condizer com os rostos  nativos, mas com cara destapada mais parecem, lobos com pêlo de cordeiro, que fiquem sabendo que o Povo sabe quem é amigo e está atento.
Sabemos distinguir entre feios, porcos e maus, o bom filho da Guiné, honesto e sério, embora vítimas desta nova emboscada para tirarem o que é por direito natural, do Povo.

Aconselhamos que fiquem longe todos aqueles que não são amigos da Guiné-Bissau. Avisamos os “alienados” que estes dois Povos unidos há séculos por laços culturais e materiais, jamais se separam por políticas tendenciosas dos seus actores, aqueles que servem os interesses capitalistas e neocolonizadoras, levadas a cabo para servirem os seus patrões que sobrevoam como aves de rapina em tudo o que é nosso.

Avisamos os políticos para não saírem para a rua com a lição de casa mal estudada, porque outros nem sequer dão conta quando pisam em terreno alheio, na casa dos outros ou como convidados.
Também nós fazemos as nossas regras que são igualmente para se cumprirem, regras de boas maneiras, pedimos que sejam convidados com respeito e de boas maneiras, porque senão, a porta da rua é serventia da casa meus senhores.
Têm de limpar os pés antes de entrar, comportar como gente “civilizada” e não tratando os outro com uma falsa e alienada superioridade.
Nem as super potências alguma vez nos trataram mal com a sua diplomacia, quanto mais, estes políticos da última hora e feitos à pressa, digo: “é preciso ter calma, não dar o corpo pela alma…” (Pedro Abrunhosa)!

Angola é linda, tu como político Angolano deves imitar essa beleza e orgulhar-te do teu povo, não entres na terra dos outros para arranjar confusão, sarilhos, Angola é vossa, a Guiné-Bissau é nossa, e os dois Países são irmãos, cuidado que traz dois enormes corações para cuidar, seja racional e com bons sentimentos, é uma ordem do Povo. Pense nisto Sr. Dr. Jorge Chicoty.

Alguns políticos precisam de estudar melhor a história dos dois Países, porque esta Angola não tem memória curta, é uma relação muito antiga que está em causa, o sangue Guineense derramado no solo Angolano, pode até ter secado, desaparecido por conveniência é que não, e nunca, está na memória dos bons filhos da Guiné e de Angola, os resultados das más políticas não hão-de separar os laços históricos que unem os nossos Povos. A Instituição fica, e os homens passam (infelizmente alguns só muito tarde), é esta uma das esperanças do Povo
Perguntamos, estas mentes ditos “politizados”, estão a favor de quem ou de que interesses, alguém sabe? Eu não meus amigos…

Nós desconfiamos que submersos neste mar salgado, já cheirou a Crude, e também um suor que nos provoca nojo, reconhecemos alguns que vêm atrás deste fóssil (crude) que de onde sai deixa sempre um imenso buraco negro, que nunca ninguém pensou nos prejuízos para a natureza enquanto hipnotizados pelos resultados do grande capital, e mais, alguns parecem dispostos a matar para roubar este sangue-negro, será?

Cuidado porque este perfume pode virar “isca”, todo o seu odor, de repente cheirar a sangue é muito mau sinal entre famílias, e não deve acontecer porque irá manchar um relacionamento de irmandade entre Povos, o que devemos evitar com toda a sabedoria e acção consertada entre dois Países soberanos.

Haja maturidade histórica e cultural na ponta da língua, na ponta do lápis, na cabeça fria, com sapiência dos seus actores políticos em defesa do Povo, queremos ser liderados por melhores políticos, e não fracos políticos narcisistas por baixo de roupagens de “estilos” que não têm que ver com os nossos “trajes” de interesses da Nação. Não, em primeiro e último lugar defendemos o nosso património, a cada momento que o País precise, sempre e com toda a competência técnica e humana possíveis.

Chegou a hora de não adiarmos mais os destinos da evolução e do desenvolvimento científico e tecnológico sustentados, chegou a hora de isolar os erros, analisar e evitar repetir os mesmos fracassos que nos conduziram a este impasse no desenvolvimento do Estado.
Viva a Guiné-Bissau livre, democrático e progressista.
Djarama. Filomeno Pina.


Mutilação genital feminina é prática clandestina na Europa.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Mutilação genital feminina é prática clandestina na Europa

Segundo a ONG Amnistia Internacional, na Europa cerca de 500 mil mulheres e raparigas sofrem os efeitos nefastos das mutilações genitais.
Na Alemanha, apesar de ser proibida, a excisão é ainda praticada discretamente no seio das comunidades africanas. Com o objetivo de combater melhor esta prática na Europa, pedagogos, médicos e juristas estiveram reunidos, recentemente, na cidade de Düsseldorf, no oeste da Alemanha, para analisar o problema.

Jawahir Cumar, da Somália, foi excisada ainda muito jovem, aliás como muitas outras meninas do seu país. Para que outras raparigas escapassem aos sofrimentos de que foi vítima, Cumar criou, em 1996, em Düsseldorf, a organização "Stop Mutilação".

Cumar conhece bem o sofrimento das raparigas que foram excisadas e que hoje nem sequer ousam abordar o assunto. Chegam ao ponto de terem medo de ir a uma consulta médica. Na maioria dos casos, as que desejam ser submetidas a uma cirurgia são obrigadas a assumir todas as despesas pois “o seguro de doença recusa, algumas vezes, assumir este tipo de cirurgia” como explica Cumar.
A organização "Stop Mutilação", na cidade alemã de Düsseldorf, luta contra a mutilação genital feminina
A organização "Stop Mutilação", na cidade alemã de Düsseldorf, luta contra a mutilação genital feminina
Segundo Jawahir Cumar, muitas “mulheres foram mutiladas quando tinham 3 ou 4 anos e agora devem ter 35 anos e desejam abrir novamente o seu clítoris, que permaneceu costurado durante todo esse tempo”.

Mas por vezes surgem dúvidas, muitas mulheres questionam-se “porque devemos fazer isso agora? Elas permaneceram durante todo esse tempo assim e nunca houve problema. Aliás, muitas pensam que isso não é mais do que uma operação de estética, de beleza. É preciso explicar às pessoas que se trata sim de uma operação vital”, sublinha a ativista somali.

Mil meninas vítimas de mutilação genital na Alemanha

Existem várias formas de excisões como o corte da parte superior do órgão ou a completa eliminação do clítoris. Muitas vezes, as raparigas são submetidas a esta prática sem anestesia e no corte são utilizadas lâminas e facas não esterilizadas. E, como consequência, surgem infecções e dores que essas mulheres devem suportar praticamente durante toda a vida.
Para além das mulheres que foram vítimas dessa prática nos seus países de origem, quando eram muito jovens, na Alemanha cerca de mil jovens estão, atualmente, ameaçadas. Para muitas famílias africanas, a excisão é, antes de tudo, uma tradição que lhes permite permanecer muito ligadas ao seu país de origem. Elas aceitam a excisão nas suas filhas, de forma ilegal e escondida na Alemanha ou então enviam as crianças de férias para os seus países para serem submetidas a este ritual de excisão.
Campanha contra mutilação genital feminina na Guiné-Bissau
Campanha contra mutilação genital feminina na Guiné-Bissau
Quanto à penalização criminal desta prática, Dirk Wüstenberg, jurista e ativista contra a mutilação genital feminina, explica que os responsáveis pelo crime, quando praticado pela primeira vez, “podem ser condenados de três a quatro anos de prisão. Penso, nomeadamente, nos pais que são condenados por esses atos”.

O jurista adianta ainda que “em contrapartida, as pessoas que praticam a excisão (de forma recorrente) podem ser penalizadas até oito anos de prisão. Aliás, estão em curso, atualmente, discussões no Bundestag, a Câmara Baixa do Parlamento alemão, visando aumentar esta pena”.

Ativistas como Jawahir Cumar vêm com uma certa inveja o que se passa na França quando o assunto diz respeito à mutilação genital feminina. Naquele país, os pais que autorizam esta prática podem ser condenados a penas de prisão que vão dos dez aos 30 anos.

Nana Câmara, oriunda do Mali, trabalha na França como assistente social e explica que neste país “foi necessário muito tempo para que as sanções fossem aplicadas contra as pessoas que praticavam a excisão. Mas com a nossa experiência podemos encurtar esta fase na Holanda e na Alemanha”.

Em Düsseldorf, durante o encontro que juntou profissionais de diversas áreas para discutir sobre aquela prática, Nana Camara explicou que o número de vítimas da excisão não diminuiu somente em França mas também no seu país, o Mali, e em toda a região oeste africano. Na Alemanha pode-se também utilizar a mesma legislação para proteger as raparigas desta prática horrível.

Autor: Abebe Lidet / António Rocha
Edição: Glória Sousa / Nádia Issufo
fonte:  DW

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Angola, Guiné-Bissau e Moçambique desrespeitam direitos humanos.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...
Protestos em Benguela

Uso de força excessiva por parte da polícia, ameaças à liberdade de expressão e impunidade são alguns dos abusos observados em 2011 pela Amnistia Internacional (AI) nestes três países africanos de expressão portuguesa.
O mais recente relatório da AI sobre o estado dos direitos humanos, referente a 2011 e que este ano se concentra no impacto dos protestos ocorridos em todo o mundo e as mudanças que trouxeram, descreve a situação em 155 países, inclusive em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.
No ano passado, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para protestar, não apenas no Norte de África e no Médio Oriente, mas também a sul do Saara, onde muitas pessoas reivindicaram o direito à livre opinião e protestaram contra regimes autoritários. No entanto, segundo a Amnistia, estes protestos não tiveram os mesmos resultados e as manifestações foram reprimidas, muitas vezes com violência excessiva, como foi o caso de Angola.
O jornalista angolano William Tonet, do jornal “Folha 8”, foi julgado e condenado por difamação
O jornalista angolano William Tonet, do jornal “Folha 8”, foi julgado e condenado por difamação
Uso excessivo de força em Angola
Mais preocupante para a organização de defesa dos direitos humanos, em 2011, foi o desrespeito das autoridades angolanas pelo direito à liberdade de reunião e pelo direito de manifestação que se traduziu em prisões e detenções arbitrárias, acusações criminais e uso excessivo da força por parte da polícia, que resultou mesmo em mortes.
Segundo Muluka-Anne Mit, investigadora da AI para os países africanos de expressão portuguesa, em alguns casos, a polícia usou armas e cães contra manifestantes anti-governo. Mas, a maior preocupação da AI eram “grupos que se infiltraram nas manifestações e usaram muita violência contra as pessoas que se estavam a manifestar pacificamente e a polícia não reagiu”, disse à DW África. A organização critica também as detenções arbitrárias de que foram alvo alguns desses manifestantes e lembra que, até ao momento, estes ainda não foram compensados.
Também os jornalistas angolanos tiveram de enfrentar mais violência e mais restrições. Armando Chicoca, da rádio Voz da América, e William Tonet, do jornal “Folha 8”, foram julgados e condenados por difamação por escreverem artigos críticos, como é referido no relatório de 2012 da Amnisitia.
Pelo pelo menos 55 mil imigrantes congoleses foram expulsos de Angola em 2011
Pelo pelo menos 55 mil imigrantes congoleses foram expulsos de Angola em 2011
Imigrantes congoleses entre as vítimas
Os direitos humanos de imigrantes congoleses continuaram igualmente a ser violados. Segundo a investigadora da AI, que cita a organização não governamental Comité Internacional pelo Desenvolvimento dos Povos, pelo menos 55 mil pessoas da República Democrática do Congo (RDC) foram expulsas de Angola. E entre estas 55 mil, pelo menos seis mil pessoas foram abusadas sexualmente pelas autoridades em Angola.
Os desalojamentos forçados e a demolição de casas em Angola também preocupam há muitos anos a AI, que critica o governo de Luanda por ainda não ter honrado a promessa, feita no ano passado, de realojar 450 famílias que tinham sido anteriormente despejadas.
Em Moçambique, há relatos de maus-tratos a imigrantes, sobretudo da Somália e da Etiópia
Em Moçambique, há relatos de maus-tratos a imigrantes, sobretudo da Somália e da Etiópia
Instabilidade na Guiné-Bissau
A Guiné-Bissau também continua na lista de preocupações da organização de defesa dos direitos humanos, sobretudo a tensão entre os militares que já em 2011 era vista como fonte de instabilidade. O relatório faz referência a “relatos da tentativa de golpe de Estado no final de dezembro” passado.
As críticas da AI estendem-se à falta de progressos na investigação sobre os assassinatos de figuras políticas e militares em 2009, que levaram milhares de pessoas às ruas para exigir o fim da impunidade. “Também nos preocupamos com a impunidade em relação à morte do presidente Nino Vieira e à morte do general Tagme Na Waie”, diz Muluka-Anne Mit, lembrando que não houve ainda uma investigação, nem um julgamento por causa destas mortes. “E agora estamos a ver que esta tensão entre militares e governo continua”, acrescenta.
A liberdade de expressão na Guiné-Bissau também foi ameaçada quando o jornal “Última Hora” foi obrigado a fechar, depois de ter implicado um oficial militar na morte do ex-presidente do país.
No ano passado, a tensão entre os militares guineenses já era vista pela AI como fonte de instabilidade
No ano passado, a tensão entre os militares guineenses já era vista pela AI como fonte de instabilidade
Impunidade em Moçambique
Moçambique é o terceiro País Africano de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) mencionado no relatório. Foram registados vários casos do uso ilegal da força pela polícia, alguns dos quais resultaram em morte e a impunidade continua a ser um problema. “Ainda há muitos casos de abusos e de mortes pela polícia que ainda não foram julgados”, sublinha a investigadora da Amnistia.
Outra das preocupações da AI é em relação a imigrantes, refugiados e requerentes de asilo. “Recebemos informação sobre maus-tratos a imigrantes, principalmente imigrantes da Somália e da Etiópia por agentes da fronteira e da polícia em Moçambique”, conta Muluka-Anne Mit. Tortura e outros maus-tratos nas prisões também continuaram a ser relatados.
Autora: Madalena Sampaio
Edição: Helena Ferro de Gouveia
fonte: DW

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Verdades e rumores sobre a presença de chineses na África.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Pequenos empresários chineses na África; na foto, Lagos (Nigéria)


"Chineses exploram recursos naturais, roubam postos de trabalho, pagam mal". Simpósio da Associação para os Estudos Africanos em Colónia tentou responder o que é verdade e o que é rumor sobre chineses na África.
Ismail Mrisho tem boas experiências com os chineses. Há sete anos, o tanzaniano trabalha para uma pequena empresa que importa alho da China, passando a exportar o produto para outros países africanos.

Quando Mrisho, de 35 anos, conta do trabalho aos amigos, ouve muitas críticas. Por exemplo: "Claro, em vez de vender o nosso próprio alho aqui da Tanzânia, os chineses importam o produto".
Walter Pon dentro do próprio supermercado na África do Sul, um dos sobreviventes da "Chinatown" de Joanesburgo
Walter Pon dentro do próprio supermercado na África do Sul, um dos sobreviventes da "Chinatown" de Joanesburgo
Mas Ismail Mrisho vê a situação com outros olhos. O alho da China é maior que o da Tanzânia – e mais querido entre os clientes, diz o comerciante. Se os tanzanianos não reagem a essa demanda, a culpa é deles mesmos se outros aproveitam a chance: "A maior parte dos africanos reclama do comportamento dos chineses e da forma como eles administram as suas empresas. Dizem que os chineses são indiferentes aos africanos. Mas meu chefe é boa pessoa", relata Mrisho, que chega a sair com o patrão.

Este "paga bem, e quando eu tenho um problema ele tenta me entender. Mas ouvi o contrário de muitos conhecidos, eles têm uma opinião muito ruim dos chineses. Pensam que os chineses só vão à África para ter lucros e voltar ao próprio país", diz o comerciante.

Fracasso com a língua

Essa impressão é confirmada pela pesquisadora chinesa Katy Lam, da Universidade de Lausanne, na Suíça: "Muitos têm a impressão de que os chineses foram enviados à África pelo governo. Mas isso não é verdade. Os chineses não são nem apoiados pelo governo, dependem apenas deles mesmos", afirma a pesquisadora, que durante vários meses falou com chineses e com a população local do Gana e do Benin.
A pesquisadora chinesa Katy Lam
A pesquisadora chinesa Katy Lam
"Não é fácil para eles. Precisam se adaptar às formas de vida locais – mas, muitas vezes, já fracassam porque não conhecem bem a língua local", descreve Katy Lam.

Especialmente os empresários chineses parecem passar dificuldades na África. Muitas ideias de negócios fracassam. A política, segundo a DW África apurou, também toma medidas protecionistas por causa da desconfiança em relação aos empresários chineses.

Um outro exemplo apurado pela DW África é que, no ano 2000, na capital do Benin, Cotonou, existiam 40 lojas de têxteis num dos maiores mercados da África ocidental, o Dantokpa. Em 2010, apenas três lojas de têxteis sobraram, o resto perdeu as licenças de funcionamento.
Assistentes de uma loja chinesa em Dacar esperam por clientes
Assistentes de uma loja chinesa em Dacar esperam por clientes
Africanos beneficiam da presença chinesa

Por outro lado, muitos africanos também tiram proveito da presença dos chineses, diz Laurence Marfaing, do instituto de Pesquisas GIGA, em Hamburgo. Laurence estuda a interação de pequenos comerciantes chineses com os comerciantes locais no Senegal e no Gana.

Ao lado dos africanos diretamente empregados por chineses, muitos comerciantes de rua africanos conseguiram ficar independentes porque compram produtos de grandes comerciantes chineses. Segundo a pesquisadora Laurence Marfaing, isso também tem uma influência positiva sobre a imigração ilegal para a Europa porque os africanos que conseguem a independência "são pessoas que, há alguns anos, eram candidatos à imigração. Para eles, foi realmente sorte trabalhar com os chineses. Eles conseguiram a oportunidade de ganhar dinheiro e de sustentar as famílias, sem ter de partir".

Autor: Adrian Kriesch / Renate Krieger
Edição: António Rocha
fonte: DW

Emília Pires "Há alguns anos atrás tudo era negativo sobre nós, agora a comunidade internacional usa-nos como exemplo para outros".

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Como é que acha que a comunidade internacional olha para Timor apôs as últimas eleições presidenciais em que ganhou Matan Ruak?
Sim, temos o mundo a olhar para nós, porque as eleições são como uma marca, um indicador que todos usam para ver se Timor sairá, ou não, desta fragilidade, dos conflitos que foi tendo nesta década.
Embora nos últimos quatro anos não tenhamos sofrido crises. Mas muitos estudos dizem que nações de pós-conflito voltam a viver conflitos depois de cinco anos. Nós já desde 2008 que não temos qualquer crise, mas continuamos com os dedos cruzados, no sentido que temos que continuar a trabalhar fortemente para não voltarmos outra vez para a crise. As eleições são um bom
indicador. Até hoje correu tudo bem com as eleições presidenciais.
Como vê o futuro, a acção do Governo em termos de investimentos… que estratégias para a sua área que é a económica?
Tivemos uma mudança na presidência, mas a figura presidencial é mais simbólica do que executiva. Agora, no dia 7 de Julho teremos eleições para o Parlamento e daí vai sair um novo Governo. Haverá 24 partidos a concorrer para o Parlamento, o que torna difícil fazer previsões agora. Mas Timor está ainda numa fase em que, e foi recentemente, em 2008, que lançamos o nosso Plano Estratégico de Desenvolvimento, onde temos traçado o nosso caminho, se nos quisermos desenvolver. Portanto, do meu ponto de vista, Timor Leste tem gozado de um crescimento económico de dois dígitos e temos também reduzido a pobreza, o que nos coloca no caminho certo.
Acredito que quem quer que for que venha a governar quererá continuar a implementar uma estratégia que tenha resultados similares. Se assim for, daqui a vinte anos poderemos deixar de ser um país com rendimento pobre para sermos um país de rendimento médio-alto.
A descoberta do petrólio vem tam- bém impulsionar estas esperanças e está todo o mundo com os olhos postos no país, para negócios. Como está o papel de Timor na sua região? … está perto da Austrália, há a Chi- na… como é que acha que o país se deve posicionar entre estes actores?
 Nós olhamos para isso como factores positivos e até agora temos estado a gerir isto. Na área do petróleo compartilhamos com a Austrália, por exemplo, embora agora, cada vez mais, vamos adquirindo a capacidade para negociar e começar a lutar pelos nossos direitos. E quanto mais conhecimentos adquirirmos melhor poderemos negociar. Timor Leste está nesta fase. E depois, em
termos de comércio com os grandes vizinhos ao lado … nós sozinhos não temos mercado, somo apenas cerca de um milhão de pessoas, mas temos potencialidades em alguns nichos. E como temos um vizinho que é a Indonésia, com cerca de 200 milhões de pessoas, se soubermos desenvolver aquilo que eles querem, poderemos ter aí um bom mercado.
Por outro lado, também temos a Austrália, com cerca de 20 milhões, temos de saber identificar o que é que a Austrália precisa. A China, uma economia grande, na verdade produz tudo, mas deve haver algumas coisas que eles podem precisar. Ainda não estamos nesta fase da identificação das áreas de comércio, mas estamos a desenvolver as relações de amizade.
No presente eles ajudam-nos mais que nós a eles, mas tarde ou cedo poderemos alterar isto e teremos coisas que eles possam querer.
Falou de alterar este cenário, falou, há pouco, de negociar gradualmente para atingir direitos. De que direitos é que está a falar, o que acha que é preciso conseguir ainda?
Bem, nós queremos o que é justo, o que é nosso. Normalmente, em qualquer área de negociação, se você tem conhecimento profundo então está em melhores condições para negociar. Isto não apenas na área de óleo e gás, mas para qualquer outra coisa. Quanto mais conhecimento você tem do mundo, em melhor posição você está, mais forte você é. Por exemplo, agora
Timor Leste está a liderar este grupo 7G+ que é constituído por 19 países considerados frágeis e muitos deles em conflito ou em pós-conflito. Timor Leste está a liderar porque foi eleito, mas também elegeram-nos porque acharam que nós estávamos em melhor posição para liderar este grupo de estados, porque pudemos demonstrar que tudo o que queremos implementar para sairmos rapidamente da situação de fragilidade pode dar certo. Então, com isto, há lições para os outros.
E podemos influenciar também a política global dos nossos parceiros de desenvolvimento para mudarem a sua maneira de engajar países frágeis como o nosso. Porque até agora eles têm andado a fazer de forma tradicional, em que eles decidem tudo. Eles analisam, eles fazem o diagnóstico e depois criam as políticas, criam os programas e os projectos. Agora nós estamos a dizer que não se pode fazer isso, porque o facto de um estado ser frágil não quer dizer que não tem gente capaz de diagnosticar a sua própria fraqueza. Já demos um primeiro passo ao conseguirmos um novo acordo que foi lançado em Busan, onde, agora, mais de quarenta instituições, incluindo algumas nações doadoras que assinaram para aderirem a este novo acordo, onde traz princípio em como mudar comportamentos, não só dos doadores como também dos países que recebem ajuda externa.
Timor Leste, com este processo, tem melhorado a sua imagem no plano internacional. Há alguns anos atrás tudo era negativo sobre nós, agora a comunidade internacional usa-nos como exemplo para outros, isso é interessante.
Num momento éramos uma má nação, num outro momento usam-nos para dizer ok, este é um exemplo que podem seguir, etc. Mas nós, do nosso lado, só queremos aquilo que trabalha para nós e
estamos numa posição de podermos compreender as nações que estão a passar por aquilo que nós passamos.
Então, tudo aquilo que aprendemos, tudo aquilo que dá sucesso, imediatamente compartilhamos com os nossos pares. E mesmo aquilo em que não obtemos sucessos, para evitar que outros vão por aí? Para não se repetirem os erros.
‘ESTAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES FORAM ASSEGURADAS POR NÓS QUASE EM EXCLUSIVO’
“As Nações Unidas ainda estão lá, mas mais como conselheiros, já não fazem nada, porque os timorenses é que estão a fazer. Isto nas eleições. Na área da saúde eles estão a trabalhar connosco na área da nutrição, por exemplo. Mas, em Timor, o trabalho deles está já a mudar para a fase de desenvolvimento”.
O que espera das Nações Unidas depois da saída da sua missão em Timor?
 Quando eles saírem teremos uma transição pacífica. Já estamos a trabalhar com eles para ver quem vai receber e continuar com o trabalho que ainda está por concluir. Mas já há muita coisa assumida pelo Governo. A polícia, por exemplo, já a assumimos. Estas últimas eleições foram asseguradas por nós quase em exclusivo, inclusivamente o secretariado eleitoral. As Nações Unidas ainda estão lá, mas mais como conselheiros, já não fazem nada, porque os timorenses é que estão a fazer. Isto nas eleições. Na área da saúde eles estão a trabalhar connosco na área da nutrição, por exemplo. Mas, em Timor, o trabalho deles está já a mudar para a fase de desenvolvimento.
E neste desenvolvimento estão alguns pontos como o português. Há pouco tempo aprovou-se uma lei que exige, como requisito para os governantes, que falem a língua portuguesa. Que impacto é que acha que esta decisão teve?
O Ministério da Educação tenta implementar estas regras, porque uma das nossas línguas oficiais é o português. A outra é o Tetum. E depois temos as línguas de trabalho que são o inglês e o indonésio. Estamos a tentar implementar, o máximo possível, dentro das capacidades existentes.
Porque aquilo não é um caso de dinheiro, é um caso da capacidade humana de absorver o conhecimento para depois o passar aos outros. Mesmo que tivéssemos muito dinheiro para pôr neste sector, não poderíamos acelerá-lo, porque depende da capacidade humana.
E, neste âmbito, já se pensou em contar com a CPLP, com países como Portugal e Brasil para o envio de pessoal para apoiar neste processo?
Eu acho que o ministro já tem celebrado acordos com os países que mencionou, mas continuamos a voltar para o facto de que terão de ser os timorenses a aprender para depois ensinarem aos outros, senão não será sustentável no futuro. É o que está a ser feito. Por outro lado, estamos conscientes de onde estamos. O português, por si, pode ser um elemento positivo, mas mais no plano de desenvolvimento do nosso sector do turismo. Timor Leste pode ser a pequenita Europa dentro da Ásia. Há pontos vantajosos, para depois, mais tarde, explorarmos no turismo, que é um dos nossos sectores estratégicos para o futuro. Tem também o lado negativo, que vai levar um pouco de tempo para as pessoas adoptarem a língua. Para as crianças é muito mais fácil, mas para os mais velhos é mais difícil. Além disso temos também a língua inglesa que está que se está a afirmar. Também queremos aderir à ASIAN, e aí a língua oficial é a inglesa. Portanto, vamos ter também de aprender o inglês e lidar com os nossos vizinhos.
A Guiné Bissau é um país do G7+, mas o que espera da cooperação com os outros países da CPLP?
Nós também somos parte da CPLP. Se não me engano, já estivemos em uma ou duas reuniões dos ministros das Finanças. As reuniões acontecem de dois em dois anos, creio que a próxima será em 2013. Mas sei que os outros ministros, noutros sectores, têm maior dinâmica. A Saúde e a Educação têm mais encontros, estão mais ligados, talvez porque precisam uns dos outros, mas na minha área, a das Finanças, não há assim tanto. Estamos a falar de finanças públicas, onde há regras internacionais que
todos adoptam. A ligação é mais com o FMI que com quaisquer outros. Mas esperamos, por outro lado, um incremento no comércio com os países da CPLP. Faz pouco tempo que o ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros esteve em Timor e queria conhecer melhor como estávamos a gerir o nosso Fundo do Petróleo e como estávamos a explorar os nossos recursos naturais. Há áreas em que nós podemos ajudar, compartilhando informações.
Quer explicar-nos melhor o G7+,  este acordo dos países frágeis, uma estratégia que Timor Leste está a liderar?
Este acordo é importante, e por isso haver muita gente interessada, porque fala de confiança, de objectivos e das metas para a construção da paz e construção do Estado. O que é interessante nisso tudo é que a liderança é dos próprios países frágeis. São países que estão a tomar nas próprias mãos os seus destinos. Por exemplo, o vice-ministro das Finanças da Somália disse na ONU – Nós não estamos aqui para pedir mais dinheiro, estamos aqui para aprendermos uns com os outros experiências positivas e para aprendermos as experiências negativas e não as repetirmos. Por outro lado, todo este processo é um processo para mudar a nossa mentalidade, não apenas a nossa, mas também a dos nossos parceiros. O mundo financeiro não está lá muito bom, então,quanto mais nos cuidarmos, quanto mais fizermos para que o dinheiro que se gasta se gaste melhor, mais se beneficiam as duas partes: o que recebe e o que dá.

fonte: OPAIS

Avião se choca contra prédio na maior cidade da Nigéria.

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Pessoas sobem em parte de avião que caiu em Lagos, na Nigéria.



O diretor-geral da Autoridades da Aviação Civil da Nigéria, Harold Demuren, disse que todos os passageiros e tripulantes morreram na queda. Pelo menos quatro chineses estão entre os mortos, de acordo com a agência estatal chinesa, a Xinhua.
A causa do acidente com o avião da Dana Air, um Boeing MD83, são desconhecidas. Pouco antes do acidente, que aconteceu próximo ao aeroporto, o piloto comunicou um problema no motor, segundo um militar que não quis ser identificado.
O avião, que decolou em Abuja, a capital, em direção a Lagos, colidiu com vários prédios, arrancou pedaços de telhados e bateu em uma árvore.
Três horas depois do acidente, bombeiros ainda tentavam controlar o fogo, lutando contra a falta d’água.
Um morador da região, Praise Richard, disse que estava assistindo a um filme quando ouviu uma forte explosão que parecia a de uma bomba.
Quando saiu de sua casa, viu uma enorme quantidade de fumaça. “Não acho que alguém sobreviveu”, afirmou. “Seria preciso um milagre.”
O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, decretou três dias de luto nacional por causa do acidente. Em comunicado, ele disse que cancelou todos os compromissos públicos previstos para a segunda-feira e ordenou uma investigação completa.
Jonathan acrescentou que “rezará para que Deus dê coragem às famílias das vítimas para que consigam aguentar essa perda irreparável”.
O aeroporto internacional de Lagos, de onde o avião decolou, é um dos mais importantes da África. Em 2009, quando a última estatística foi feita, 2,3 milhões de passageiros passaram por ele, de acordo com o governo.
O acidente deste domingo é o pior desde setembro de 1992, quando um avião militar caiu pouco depois do pouso em Lagos, deixando 163 mortos.


fonte: ig.com.br

sábado, 2 de junho de 2012

E se, em vez de ir à escola, o seu filho estudar em casa?

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E se, em vez de ir à escola, o seu filho estudar em casa?
De ano para ano, por esta altura, cresce o número de matrículas para o ensino doméstico. De hipótese bafienta a tendência alternativa, agrada sobretudo a famílias com rendimentos e estudos superiores. Conheça alguns exemplos, saiba como funciona, e quais os  perigos. E DÊ A SUA OPINIÃO.

O topo da enorme tenda teepee avista-se à distância, guiando os forasteiros que chegam ao Oeste até à Quinta da Pedra, nos arredores da Ericeira. A propriedade já serviu de abrigo a muitos "índios" mas os ateliês pedagógicos que ali se realizavam foram desativados há dois anos. Hoje, a tenda nativo-americana e o forte dos cowboys, tal como o escorrega e os baloiços, estão por conta dos três filhos de Nuno Cardoso e Cláudia Sousa, de 42 e 40 anos, respetivamente. O gestor e a psicóloga viviam num apartamento dos subúrbios de Lisboa quando tiveram o primeiro filho, Pedro, hoje com 14 anos e a frequentar o 8º ano. Hugo nasceu  três anos depois e foi quando Ana vinha a caminho, dois anos mais tarde, que se mudaram para este refúgio no campo com cheiro a maresia.
Cláudia ficou em casa com os filhos até estes fazeres cinco anos. "Achava que depois tinham mesmo de ir para a escola", conta, revivendo a resignação de outros tempos. Foi com a filha mais nova que descobriu o ensino doméstico. Ana aprendeu o bê-á-bá numa pequena primária antiga, mas essa escola foi fechada. No 2º ano, num grande centro escolar e com uma carga horária pesada, começou a dar sinais de tristeza. Repetiam-se as dores de barriga, as febres baixas e a mesma pergunta: "Se eu tiver febre não vou à escola, pois não?"
A família procurava uma saída quando a mãe de uma criança que Cláudia acompanhava lhe falou nesta solução. "Nem sabia que era legal no nosso país", confessa. Foi assim que há, dois anos, Ana foi estudar para casa - uma opção que começa a fazer escola em Portugal.
Eram apenas meia dúzia de alunos no ano letivo 2006/2007, segundo dados do Ministério da Educação. Em 2008/2009, o número subiu para 11 e em 2009/2010 matricularam-se 84 crianças em ensino doméstico. Sem disponibilizarem dados oficiais dos últimos dois anos, as direções regionais de Educação referem que os inscritos se têm multiplicado rapidamente, ultrapassando já as duas centenas, na zona de Lisboa e Vale do Tejo.
Um inquérito online realizado este ano pela investigadora Cláudia Almeida, 35 anos, no âmbito de um mestrado no ISCTE, apurou 67 respostas de famílias em ensino doméstico, em 18 dias. Trinta por cento declararam ser este o primeiro ano em que o fazem. "É algo que parece estar a emergir com todas as forças", diz a investigadora, ela própria mãe de um menino de 3 anos que planeia vir a educar em casa. No seu estudo, destaca-se o facto de cerca de 70% dos inquiridos terem concluído um curso superior. Sobre as razões que motivaram esta opção, 87% mencionam a "liberdade de aprendizagem, 23% referem a "carga horária excessiva" nas escolas e 20% apontam o "bullying e violência escolar".
Uma outra pesquisa, conduzida por Álvaro Ribeiro, 38 anos, no mestrado de Ciências da Educação da Universidade do Minho, indica que "a maioria destas famílias situa-se entre os 30 e os 45 anos de idade, vivendo em regime biparental, academicamente bem qualificadas e com um estatuto e papel profissional que lhes permitem despender grande quantidade de tempo e recursos para este projeto".
O investigador salienta a importância dada pelos pais à "liberdade curricular", concluindo que "os programas de aprendizagem são flexíveis e altamente individualizados", havendo a tendência para seguir "um currículo já experimentado e consistente" nos primeiros dois anos de ensino doméstico. Depois, a maioria das famílias opta pela construção de um programa próprio.
Cláudia Sousa, que além da licenciatura em Psicologia concluiu também o curso de professora do 1º ciclo do ensino básico, optou por educar a filha mais nova seguindo o programa do Ministério da Educação. Mas com "respeito pelos ritmos próprios de aprendizagem e de desenvolvimento", valorizando "a troca de saberes e de experiências". Ana, que sonha ser pintora e pediatra, está a concluir o 4º ano e desenhou toda a história da primeira dinastia. Foi entre pincéis e aguarelas que a mãe lhe ensinou os nomes dos reis e o contexto em que nasceu o amor de Pedro e Inês. "Acaba por aprender-se de forma mais criativa, sem ser necessário passar oito horas entre quatro paredes", explica, referindo que não se senta muito tempo com Ana. Todas as atividades do dia-a-dia são pretextos para aprender mais um pouco: "Sempre fazemos um bolo aplicamos conceitos da área da Matemática, da Língua Portuguesa, do Estudo do Meio." E sobra tempo para a menina se aventurar em muitas outras coisas: além do inglês, está a aprender alemão e japonês, faz surf, vela, judo, equitação, natação e, tal como os irmãos, é escoteira.
Também os filhos de Carlos e Catarina Mendes, de 35 e 32 anos, têm agora mais tempo para se dedicarem a atividades de que gostam, como o hóquei em patins ou o xadrez. O técnico informático e a professora do ensino especial optaram por educar em casa o filho Rafael, de 7 anos, no início do ano passado, e Flor, de 5 anos, seguirá agora os passos do irmão. Francisco, de 4 anos, Lua, de um ano e meio, mantêm-se em casa com eles e, em breve, juntar-se-á a todos um quinto bebé.
"Não é fácil gerir tudo", concede Catarina, com um sorriso. A família mudou-se há cinco anos da zona de Loures para uma aldeia da Lourinhã, proporcionando aos filhos o crescimento entre os gatos, cães e galinhas, em vez de carros. Ainda assim, quando se mudaram para o campo traziam os hábitos da vida na cidade. Carlos estava a trabalhar em Angola, Catarina foi colocada numa escola no Cadaval e não parava. "De manhã era uma correria para vestir os três e despachá-los. Depois ia buscá-los ao fim do dia, outra vez a correr, dava-lhes o banho, jantar e iam para a cama. Quase não estava com eles e comecei a sentir que não os conhecia... Só pensava: 'Mas o que ando a fazer?'" Quando ficou grávida de Lua veio para casa e não voltou a trabalhar. "Enquanto conseguirmos manter a situação, financeiramente... é o que sentimos ser certo."
QUEIXAS NAS COMISSÃO DE MENORES 
Longe do estereótipo das famílias que educam os filhos em casa por motivos religiosos (em Portugal há adventistas do sétimo dia o fazem, em ensino individual), estes pais procuram, sobretudo, acompanhar mais o crescimento das crianças. Para Álvaro Ribeiro, o ensino doméstico que se realiza no nosso país "assenta numa estratégia de classes sociais elevadas", tendo surgido como "uma forma de protesto contra a escola convencional, como instituição e organização", e representando "a emergência, paulatina e impercetível de uma contracultura".
Com maior tradição nos EUA e em Inglaterra, os estudos realizados nestes países indicam várias vantagens em termos dos resultados académicos, segurança emocional e autoestima das crianças. Mas também desvantagens. Nem todos os pais estarão preparados para acompanhar os filhos academicamente e existe até uma corrente que defende o não-ensino, entendendo que as crianças aprendem por si próprias aquilo de que necessitam. Em Espanha, por exemplo, estes comportamentos levaram recentemente à proibição do ensino doméstico, depois de terem surgido adolescentes que não sabiam ler e escrever.
Em Portugal, o ensino é obrigatório até aos 18 anos, pelo que os alunos têm de realizar exames em cada final de ciclo (ver caixa). Contudo, a primeira lei relativa ao ensino doméstico data de 1948, com várias adendas ao longo dos anos, o que tem levado a diferentes interpretações e intervenções da Proteção de Menores. Se uma criança não for matriculada ou se faltar a um exame, é movido um processo por negligência. Foi o que sucedeu na zona de Castelo Branco, onde uma menina de 9 anos ia ser retirada aos pais porque estes decidiram matriculá-la numa escola francesa, não reconhecida pelo Ministério da Educação, recusando realizar os exames do 4º ano. A família alegou motivos religiosos numa primeira audição mas quando o tribunal avançou com o processo... "Fugiram para outro país", confirmou à VISÃO o advogado oficioso da menor.
Este tipo de casos tem vindo a multiplicar-se, com frequência por desconhecimento da lei, e é um dos motivos que levaram à criação do MEL - Movimento Educação Livre. A sua atual presidente é Cláudia Sousa. "O grande objetivo é termos uma voz mais coesa e ativa na defesa da educação em Portugal, e do ensino doméstico em particular", explica.
A SOMBRA DA SOCIALIZAÇÃO
Questões legais à parte, a grande crítica ao ensino doméstico resume-se numa palavra: socialização. Teresa Paula Marques, 40 anos, psicóloga especialista em comportamento infantil e a concluir um doutoramento na área educacional, considera o ingresso na escola "extremamente importante" para que "a criança possa estar com pessoas fora do seu círculo familiar restrito". Essa convivência, diz, "permite-lhe aprender a conviver com as diferenças culturais e sociais". Além disso, "se no seio da família a criança entende as regras como uma imposição dos pais, na escola vai perceber a sua utilidade em termos de convivência e adequação social". Aprenderá, por exemplo, "que se não respeitar certas regras, poderá perder a amizade de um colega, enquanto em casa nada disso acontece. Por muito que os irmãos briguem, o grau de parentesco impede a rutura", afirma a psicóloga.
Cláudia Sousa não aceita, de todo, essa ideia: "O ensino doméstico promove partilhas geracionais de qualidade, aprofunda relações de vizinhança, permite tempo e criatividade para explorar caminhos diferenciados e evidencia-se na noção de pertença a um lugar, à família e à própria comunidade." A família Mendes também não sente que os filhos estejam isolados do resto do mundo. "Têm os vizinhos ou os amigos do hóquei", aponta Catarina, lembrando também que duas vezes por mês viajam até Lisboa, onde se juntam a outras crianças em ensino doméstico, visitando exposições e museus.
"Acredito que há mais vantagens que desvantagens", reforça Cláudia Sousa, que, no próximo ano, também irá ensinar o filho do meio, Hugo, em casa. A presidente do MEL convida a um exercício: "Imagine-se que o Estado decidia criar uma rede de cantinas públicas e decretava que todas as crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos teriam, obrigatoriamente, que frequentá-las, seguindo os menus definidos, pois só assim estaria garantida uma nutrição adequada... Seria razoável? Agora substitua-se as palavras 'cantinas' por 'escolas','menus' por 'currículos' e 'nutrição' por 'educação'. Abdicar-se-ia, sem questionar, da liberdade de escolha? E seria melhor frequentar a "cantina pública" ou confecionar as refeições em casa, decidindo os menus, os ingredientes, os horários das refeições?"
Cláudia olha para Ana, agora tão diferente da menina tímida e insegura de há dois anos, e não tem dúvidas. A família prefere colher os legumes na horta biológica, misturando-os numa colorida e nutritiva sopa - que depois comerão todos juntos, à conversa na sua tende teepee.
fonte: visao.pt




SITUAÇÃO DA CRIANÇA EM CABO VERDE É “EXEMPLO” PARA ÁFRICA.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Cidade da Praia, 01 jun (Lusa) - A presidente do Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Marilena Baessa, afirmou hoje que, apesar de alguns constrangimentos, a situação da criança em Cabo Verde "é um exemplo" para outros países da África.

Em declarações à agência Inforpress, por ocasião do Dia Internacional da Criança, que se assinala hoje, Marilena Baessa acrescentou que, tendo como base o relatório sobre a situação da criança em Cabo Verde, apresentado em novembro de 2011 pela Unicef e pelo ICCA, pode "classificar-se de boa" a situação da infância no país.

"De um modo geral, podemos dizer que Cabo Verde é um exemplo para África. Temos ainda muito caminho a percorrer, como trabalhar nalgumas camadas da sociedade, principalmente com as crianças menos favorecidas, que não têm registo de nascimento ou acesso ao jardim infantil, que precisam de uma atenção especial por estarem em situação de rua ou de risco e crianças que não têm convivência com as famílias", disse.

A presidente do ICCA garantiu que o Governo cabo-verdiano e as instituições que lidam com as crianças estão a trabalhar em conjunto para responder a todas as demandas do setor da infância.

"Defendo que nenhuma situação da criança poderá melhorar se não haver um apoio da família, a célula principal de uma sociedade. Temos de, cada vez mais, reforçar a família cabo-verdiana, para que seja reforçada a proteção da criança, pois é com este apoio que poderemos ter cenários cada vez melhores", argumentou.

É nesse sentido que Marilena Baessa reiterou o trabalho que o ICCA tem estado a desenvolver para a proteção da infância, pois acolhe atualmente cerca de 860 crianças nos 16 centros de proteção social espalhados pelo arquipélago.

"A situação da criança de rua ainda existe, mas não é por falta de opções, dado que existem várias outras instituições que fazem um trabalho específico, identificando as crianças na rua e levando-as para os nossos centros", afirmou.

Apesar disso, Marilena Baessa reconheceu que não sabe se é possível, em algum momento, combater por completo a situação da criança na rua, tendo em conta que os fenómenos sociais acontecem e, dependendo da situação da família, pode aumentar ou diminuir, mas não acabar.

fonte: JSD - Lusa

Presidente angolano defende intolerância para golpes de estado no continente.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Lusa

Luanda, 01 jun (Lusa) - O Presidente de Angola e em exercício da Comunidade de Desenvolvimento de Países da África Austral (SADC), José Eduardo dos Santos, defendeu hoje em Luanda que "não pode ser tolerado o ressurgimento dos golpes de estado em África".

José Eduardo dos Santos discursava na abertura da cimeira extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da SADC, que hoje decorre em Luanda para análise da situação política da região e da integração económica regional.

De acordo como Presidente angolano, o continente necessita de exemplos concretos que confirmem que África pretende "virar firmemente uma página do passado de uma história em comum", marcado pela existência de "governos autoritários ou autocráticos, para dar lugar a sociedades e instituições democráticas".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Afeganistão: Um homem corta a língua da mulher após discussão.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

No Afeganistão, um homem de 22 anos foi preso por ter cortado a língua da sua mulher depois de uma discussão (imagem de arquivo)
Números recentes de vítimas de violência doméstica estão a chocar o Afeganistão. Mesmo depois do fim do regime talibã, esta semana, um homem de 22 anos foi preso por ter cortado a língua da sua mulher depois de uma discussão.



Como se não bastasse, após esta bárbara agressão, a mulher de apenas 20 anos sofreu um aborto – estava grávida de sete meses. O crime ocorreu na casa do casal, na vila de Jangory, no norte do país. A vítima foi rapidamente encaminhada para o hospital da região de Balkh, onde lhe foi reimplantada a língua. Contudo, fica por saber para já se ela conseguirá voltar a falar.
Numa conferência de imprensa em que a vítima apareceu ao lado da sua mãe, ainda sem poder sequer falar, quis apenas “mostrar a sua repugnância”, segundo relata a imprensa local. A mãe da jovem disse que Saleh, o agressor, era muitas vezes violento com a sua filha durante os 12 meses de casamento. “Ele até chegou a incendiar o quarto dela”, disse. Garantiu que a filha já tinha sido agredida mais vezes mas que “os mais velhos, entretanto, diziam que se tratava de uma típica briga de casal e que não deveriam interferir".
fonte: www.correiodamanha.pt

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