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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Entrevista oferecida pelo comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz à imprensa nacional depois de votar, em 3 de fevereiro de 2013, “Ano 55 da Revolução”.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Entrevista oferecida pelo comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz à imprensa nacional depois de votar, em 3 de fevereiro de 2013, “Ano 55 da Revolução”
Revista e atualizada pelo entrevistado
(Tradução das versões estenográficas do Conselho de Estado)
(O comandante-em-chefe Fidel Castro cumprimenta os presentes, dialoga com alguns eleitores e com os membros da mesa eleitoral e depois procede a exercer seu direito ao voto.)
Jornalista Ana T. Badía.— Que contente estou de vê-lo, comandante! Em verdade, dissemos isso de coração.
Comandante-em-chefe Fidel Castro.— E eu estou empolgado e muito contente de conversar.
Jornalista Ana T. Badía.— Aqui estamos como sempre, comandante. Muita saúde.
Fidel Castro. — Vocês são os jornalistas?
Ivia Pérez Reyes.— Sim, jornalistas todos, do Granma, doTrabajadores...
Fidel Castro. — De Cuba?
Ivia Pérez Reyes. — Todos cubanos.
Jornalista Fabiola López. — E da Telesur.
Ivia Pérez Reyes. — Ah, Fabiola, que está aqui.
Fidel Castro.— Quem está disparando?
Pioneiro.— As câmeras.
Fidel Castro.— Sim, eu sei, mas pareciam metralhadoras.
Jornalista Ana T. Badía.— Não lhe perguntamos por quem votou porque isso é secreto.
Fidel Castro.— Eu estou muito satisfeito pela lista de candidatos.
Jornalista Ana T. Badía.— Comandante, o senhor tem acompanhado o processo durante toda a jornada, em todo o país? O que o senhor acha disso?
Fidel Castro.— Sim, estou acompanhando as notícias.
Disseram-me que tinham feito mais uma entrada. Aqui acho que havia uma escada.
Jornalista Ana T. Badía.— Mudaram a entrada, colocaram agora a entrada por aqui.
Fidel Castro.— Foi uma boa ideia.
Jornalista Gladys Rubio.— Claro, porque é mais confortável, já não há escadas.
Soube alguma coisa do presidente Hugo Chávez?
Fidel Castro.— De Chávez? Sim, todos os dias. Está recuperando-se, segundo o último laudo médico que recebi hoje domingo, 3 de fevereiro, ao meio-dia.
Jornalista Gladys Rubio.— Melhorando.
Fidel Castro.— Sim, embora tenham sido dias difíceis e fortes. Nossos médicos se consagram a essa tarefa, é o que posso dizer-lhes, já que a informação é um direito que cabe ao governo bolivariano e aos seus familiares.
Jornalista Ana T. Badía.— E a votação esteve um pouquinho..., porque choveu; mas depois parece que as pessoas saíram e há muitas..., está bem avançada a votação, hoje.
Fidel Castro.— Ah, falou-me um médico que ele tinha estado em seu colégio há um tempinho e faltavam apenas quatro por votar. Aqui, quantos votaram?
Jornalista Ana T. Badía.— Trezentos e tantos. Há já como 90% que votaram aqui.
Fidel Castro.— E os outros não votaram?
Jornalista Ana T. Badía.— Não, porque há muitas pessoas trabalhando, esteve explicando-me a presidenta da mesa que estão trabalhando, ou estão no exterior.
Fidel Castro.— Ah, bom, no exterior, mas não podem votar.
Jornalista Ana T. Badía.— Sim, podem votar.
Fidel Castro.— Ah, no exterior?
Jornalista Ana T. Badía.— Não, eu não sei se poderão votar no exterior, mas os que estão trabalhando em Cuba podem votar noutro colégio.
Fidel Castro.— Não, não, eu acho que uma pessoa pode votar noutro colégio, se pede licença.
Jornalista Ana T. Badía.— Ah. Mas nós votamos aqui.
Fidel Castro.— Aqui mesmo?
Jornalista Gladys Rubio.— Sim.
Fidel Castro.— E eu por um triz não as vejo (Risos).
Jornalista Gladys Rubio.— Ah, viu!
Fidel Castro.— Estamos tão organizados que não sabia.
Jornalista Gladys Rubio.— Sim. Desde cedo.
Sim, porque como os deputados são nacionais, nós podemos votar.
Fidel Castro.— Não, e vocês são jornalistas.
Jornalista Gladys Rubio.— Sim, jornalista puro.
Fidel Castro.— Têm direito a votar onde estiverem.
Jornalista Gladys Rubio.— Uh-hu, onde estiverem.
Fidel Castro.— E quais reportagens têm agora?
Jornalista Gladys Rubio.— Bom, estávamos esperando pelo senhor o dia todo, porque queríamos ver se vinha, se enviava a cédula; mas entrevistamos muitas pessoas aqui, entre eles jovens e crianças.
Fidel Castro.— Tinham construído um pequeno corredor para as eleições de outubro, mas não me disseram nem uma palavra.
Jornalista Gladys Rubio.— E como tomou a decisão de vir, então?
Fidel Castro.— Porque o vocal do colégio me convenceu.
Eu tinha perguntado a vários companheiros que trabalham comigo o número de degraus e a altura das escadas da entrada. Afirmaram-me que eram oito degraus altos, o qual era certo. Meu joelho fragmentado pela queda em Santa Clara, no mês de outubro do ano 2004, a quase dois anos de adoecer, em julho de 2006, cobrava também seu preço.
Jornalista Ana T. Badía.— Há muitas mulheres, comandante, no Parlamento, o que o senhor acha disso?
Fidel Castro.— Bom, acho muito bom, e deram-me a oportunidade de..., bom, não posso dizer, porque é secreto (Risos), havia três mulheres entre os candidatos.
Jornalista Ana T. Badía.— Com certeza o senhor votou pelas mulheres.
Fidel Castro.— Será? O que você acha?
Jornalista Ana T. Badía.— Eu acho que sim (Risos). Quase 50% do Parlamento são mulheres.
Fidel Castro.— E não violo nenhuma lei?
Jornalista Ana T. Badía.— Não, se o senhor diz não viola nada.
Fidel Castro.— Pois é.
Jornalista Ana T. Badía.— Viu!, o senhor votou pelas mulheres.
Fidel Castro.— Sim, e para que não se sentissem discriminados, votei também por um homem que ia de candidato... (Risos).
Jornalista Ana T. Badía.— Muito obrigada.
Fidel Castro.— Se fosse julgado por isto, vou chamá-las (Risos).
Jornalista Ana T. Badía.— Sim, sim.
Fidel Castro.— Eu fico contente, aqui também as mulheres jornalistas têm maioria.
Jornalista Ana T. Badía.— Sim, somos maioria.
Fidel Castro.— Deixe ver. Ah, e essa engenhoca?
Jornalista Ana T. Badía.— É um gravador, comandante.
Fidel Castro.— Um gravador.
E estão muito baratos agora ou estão muito caros? E as pilhas, quanto custam?
Jornalista Ana T. Badía.— As pilhas são um pouquinho mais caras, as baterias um pouquinho mais caras, também são recargáveis, agora se recarga tudo com eletricidade.
Fidel Castro.— Sim. E isso, o que é, por exemplo... (Assinala).
Jornalista Amaury del Valle.— Isto é um telefone que faz a função de gravador, comandante.
Fidel Castro.— Sim? Eu tenho que usar bastantes engenhocas dessa classe, mas os companheiros me ajudam.
Quem é ela? (Refere-se a uma pioneira que está ao lado duma urna)
María Antonia Puertas.— Essa pioneira está desde as 6h da manhã aqui, comandante.
Fidel Castro.— ... Não trouxeram almoço para ela?
María Antonia Puertas.— Sim, ela almoçou, mas está desde cedo aqui.
Jornalista Gladys Rubio.— Sim, todos almoçaram.
Fidel Castro.— Quantos erros se podem cometer por falta de informação!
Jornalista Gladys Rubio.— Bom, mas já sabe para a próxima.
Fidel Castro.— Quando penso..., bom, terei que agradecer toda a vida a Santiaguito (Risos).
Jornalista Gladys Rubio.— Sim. Santiaguito lhe avisou.
Fidel Castro.— Assim se chama o vocal; ele me disse: “sim, é só um passo”, eu achava que ele estava encurtando as escadas; não sabia nada da entrada nova.
Jornalista Gladys Rubio.— Veja só! Desde outubro arranjaram tudo isto.
Fidel Castro.— Sim, a presidenta do Colégio me disse isso quando cheguei.
Jornalista Gladys Rubio.— Bom, já sabe.
Fidel Castro.— O povo dizia na eleição de outubro para eleger os delegados municipais: “Por que Fidel não veio votar?” Ignorava o que se fez, que não é o mesmo. Horroriza-me pensar que por um triz não venho e teria deixado a todos esperando-me outra vez.
Jornalista Gladys Rubio.— Mas veio.
Fidel Castro.— Desfruto desafiar as escadas.
Jornalista Ana T. Badía.— Que bom, comandante!
Mas, também, comandante, aqui se une muita história hoje.
Fidel Castro.— Que mais?
Jornalista Ana T. Badía.— Não, que eu lhe dizia que aqui se une muita história, comandante. Aqui desde que se iniciaram as eleições no país, habitualmente o senhor tem vindo votar. Há, reafirmou, muita história reunida neste lugar e muito mais durante este dia.
Fidel Castro.— Dediquei bastante tempo à questão eleitoral, adquiriu-se experiência e fico muito contente, porque apesar das bobagens que alguns afirmam no mundo, eu penso que é um processo eleitoral de verdade; são eleições em que não apenas são os deputados à Assembleia Nacional e os delegados à Assembleias Provinciais, mas também os candidatos a esses cargos são eleitos pelo povo, sem a intervenção do Estado ou do Partido. Antes não tinha tanto tempo, agora vejo assembleias nos bairros, o povo discute quem devem ser seus candidatos: ocorre assim nos países capitalistas? Quantos votam nos Estados Unidos, esse país tão democrático? Nem sequer 50%.
Jornalista Ana T. Badía.— Aliás, as eleições são feitas num dia útil nos Estados Unidos.
Fidel Castro.— Sim, porque se é um dia útil, não deixam votar os trabalhadores, muitos grandes empresários fazem isso.
Jornalista Ana T. Badía.— E os deputados são profissionais, aqui não.
Fidel Castro.— Onde?
Jornalista Ana T. Badía.— Nos Estados Unidos e noutros países os do Parlamento não trabalham, aqui têm que continuar trabalhando de professores, de médicos, de operários.
Fidel Castro.— Muitos deles naqueles países são especialistas em elevar os salários a si próprios.
Jornalista Gladys Rubio.— E o da Celac de Cuba foi lindo, Cuba, e em 28 de janeiro, comandante.
Fidel Castro.— Sim, com certeza. Pude presenciar tudo através da televisão.
Jornalista Gladys Rubio.— E não está escrevendo?
Fidel Castro.— Vou lhe responder com prazer, mas antes permita-me expor minha opinião sobre um fato que acho de interesse. Hoje li o despacho de uma agência de notícias onde se afirma que nos Pirineus da Espanha apareceram restos do Homem de Neandertal, de há 200 mil anos, numa caverna desse território. Também se afirma que era mais inteligente que o Homo Sapiens. Em despachos anteriores afirmaram que uma terceira espécie também fez parte do homem atual. Os cientistas discutem e discordam sobre esses temas.
Outros despachos, de consequências mais imediatas, são relacionados com a colonização dos planetas e asteroides. Uma empresa privada holandesa está planejando a colonização de Marte. A mesma recruta jovens para treiná-los. Eles acreditam que seria como vir a este hemisfério da Espanha. Contudo, os indivíduos devem viajar com o compromisso de não retornar, permanecer na colonização de Marte, que tem órbita e gravidade diferentes, densidade do ar insuficiente, e, que bonito!, a empresa recruta jovens. Há quem vai tranquilamente. São notícias das quais fala cada vez mais a imprensa, as quais assinalam a perspectiva incerta da aventura humana.
Há outras notícias cada vez mais realistas derivadas de cálculos precisos e irrebatíveis. A população mundial está crescendo, a um ritmo jamais imaginado, ao longo de centenas de milhares de anos. Tardou o longo período de mais de 1.500 séculos para chegar a quase 1 bilhão de habitantes, no ano 1800; um século depois, em 1900, atingiu a quantidade de 1,65 bilhão; 50 anos mais tarde, em 1950, o número a aumentou para 2,518 bilhões; em 1975, para 4,088 bilhões; para 6,070 bilhões, em 2000; e para 7 bilhões, em 2011. A população mundial cresce já mais de 100 milhões de pessoas por ano. Esse número incrível continuará aumentando. Existe uma grande ignorância sobre o mundo em que estamos vivendo. Um número considerável de pessoas ignora esses temas.
Por outro lado, nunca na história humana puderam evitar-se as guerras.
As armas se desenvolvem a ritmo acelerado. Projéteis de canhões impulsionados por ondas eletromagnéticas atingem distâncias superiores a 200 quilômetros. Os países mais desenvolvidos informam sobre insuspeitos avanços da ciência e a tecnologia a serviço da destruição e da morte.
Jornalista Ana T. Badía.— O senhor falava precisamente do fim da espécie humana, e fez alertas importantes ao mundo acerca dessa possibilidade.
Fidel Castro.— A última guerra mundial deu lugar às bombas lançadas sobre a população civil em Hiroshima e Nagasaki, que mataram centenas de milhares de pessoas e irradiaram um número superior.
O “inverno nuclear”, inconciliável com a sobrevivência humana, seria a consequência do uso duma reduzida percentagem das armas nucleares acumuladas pelas potências que as possuem. Também a gente pensa nestes problemas porque tem tempo. Quando está na vida diária, não dispõe de tanto.
Jornalista Ana T. Badía.— E o mundo pode evitar isso, o homem pode evitar a guerra, se quiser, comandante.
Fidel Castro.— Penso que o Homo Sapiens não evoluiu o suficiente como para evitar a guerra; infelizmente, os instintos e os egoísmos prevalecem em suas relações.
Jornalista Ana T. Badía.— E os drones.
Fidel Castro.— O imperialismo e seus aliados converteram a indústria militar no setor mais próspero e privilegiado de sua economia. Cada dia se publica alguma notícia sobre os artefatos mais incríveis para destruir e matar; elaboram-se códigos para seu uso; os direitos da pessoa, elaborados durante séculos, foram varridos. Matar e destruir, sem limite algum, é sua filosofia. Como é lógico, tal atitude provoca a reação dos países adversários com suficiente desenvolvimento técnico e científico para fabricar as armas capazes de contestar e, inclusive, superar tais armas.
O que vai acontecer no Japão, com essas ilhas que arrebataram à China? O que vão ganhar os ianques protegendo o Japão nesse tema?, porque até agora, segundo tenho entendido, esse ponto estava fora do acordo de proteção. Agora que o governo dos Estados Unidos declara que estão, provoca-se uma grande tensão na área. Alguns jornais opinam que os chineses estão preparando-se para defender-se de qualquer provocação intolerável por parte de seus tradicionais adversários. Sobre esses problemas, se a gente tem tempo, informa-se e os estuda.
Evitaram-se alguma vez na história as guerras? E a Crise dos Mísseis?, bem perto estivemos de converter-nos em campo de batalha nuclear então, e depois no sul da África, quando defendíamos Angola das tropas racistas sul-africanas? Ali estavam... 50 mil homens, entre soldados cubanos e angolanos. Duas vezes estivemos em perigo de guerra frente às armas nucleares.
Vocês me estiveram falando da reunião do Chile.
Jornalista Ana T. Badía.— A Celac.
Fidel Castro.— A Celac foi um avanço. Esse avanço é devido, em boa parte, à Venezuela, especialmente ao esforço do presidente Hugo Chávez. Chávez é uma das pessoas que mais tem feito pela liberdade e pela união deste continente. Primeiro Bolívar. Se a senhora analisa poderá ver que Bolívar e Martí têm as mesmas idéias... como explicou Raúl, quando falou dos pronunciamentos de Martí sobre Bolívar. Havia uma irmandade muito grande entre eles.
A senhora conhece as campanhas que fazem contra Chávez na Venezuela, uma coisa horrível.
Os venezuelanos e os cubanos sempre temos estado muito perto; a burguesia daqui foi embora para Miami ou para a Venezuela, que era um país com mais recursos que nós. Chávez ganhou muito prestígio. O povo respondeu, e não só é uma questão de lema, porque digam: “esse transporte agora é de nós, agora tenho uma casa que jamais tive, porque tenho um emprego que jamais tive”. Chávez fez tudo por seu povo.
Quando estava em plena batalha se esqueceu da saúde e se consagrou à luta. É um bom exemplo, inspirado em Bolívar e na história heróica de seu povo. Bolívar levou suas idéias de independência e seus soldados desde as fronteiras do Mar Caribe até as fronteiras com a Argentina. Isso significa Ayacucho, onde o espinhaço do império colonial espanhol foi quebrado. Mais de metade da população morreu. É o único das grandes figuras da história que ganhou sua fama libertando povos; os outros, foi conquistando fama e riquezas: desde Alexandre Magno até Napoleão Bonaparte.
Napoleão, de revolucionário, virou imperador da França. Invadiu a Rússia. Talvez vocês assistiram o filme A guerra e a paz, também puderam ver Libertação. Essas são obras que ensinam muito.
Mas, então, quando são as próximas eleições? (explicam-lhe que ainda falta, que estas são as gerais). Bom, tenho que lembrar-me que vocês estão aqui desde muito cedo, e peço-lhes desculpas pela minha ignorância.
Jornalista Gladys Rubio.— Não, o povo vai estar muito contente de vê-lo e saber que o senhor veio aqui.
Fidel Castro.— E eu ignorando, porque imaginem, a gente tem coisas que fazer, não importa quantos dias, meses, ou anos dispõe, não é algo que me preocupe; mas me interessa muito aproveitar o tempo, e atendê-los a vocês é a melhor forma de empregar meu tempo. Agora, digam-me e perguntem o que desejem.
Jornalista Gladys Rubio.— Bom, imagine, impactados. Para nós foi muito agradável encontrar o senhor hoje aqui.
Pensávamos que vinha o companheiro Santiago com as cédulas eleitorais.
Fidel Castro.— Sim, ele vinha...
Jornalista Gladys Rubio.— Pensávamos que vinha Santiago e quando vimos o senhor, dissemos: “Meu deus”. Além disso, tem sido uma chance única.
Fidel Castro.— Bom, isso para mim significa boa sorte. Eu teria uma enorme pena e, ainda pior, perderia uma chance de falar livremente com vocês sobre os temas que lhes interessa.
Então, digam-me, o que sabem vocês da situação no resto do país?
Jornalista Ana T. Badia.— Até agora tudo corre bem, mais de 77% tinha votado no último parte, que foi perto das 16h00.
Jornalista Gladys Rubio.— Na informação parcial das 14h00, 77% dos eleitores já tinha votado.
Fidel Castro.— Sim.
Jornalista Gladys Rubio.— É preciso levarmos em conta que choveu, mas acho que 77% está bem.
Fidel Castro.— Mas não foi o furacão Flora.
Jornalita Gadys Rubio.— Não, não, somente uma pequena chuva.
Fidel Castro.— Um pouquinho de água fria.
Jornalista Gladys Rubio.— Mas 77% é bastante para as 14h00, não acha?
Fidel Castro.— Quanto foi noutros tempos? Vocês é que levam as estatísticas.
Jornalista Gladys Rubio.— Acho que para as 14h00 está bem, outras vezes tem sido mais de 95%, no final do dia, mas ainda não sabemos; acho que para essa hora está bem.
Fidel Castro.— Será que nos converteremos numa sociedade como a de outrora, onde as pessoas não votavam?
Jornalista Gladys Rubio.— De maneira nenhuma! Há um povo que responde muito, comandante, um povo que o quer, e a Raúl também.
Fidel Castro.— Eu tenho certeza disso; eu estou certo de que o povo é um povo revolucionário e que tem feito muitos sacrifícios, isso não tenho que demonstrá-lo, foi a história que demonstrou, 50 anos de bloqueio e não conseguiram nem poderão vencermos. Como disse Antonio Maceo: ‘Aquele que tente apoderar-se de Cuba, somente colherá o pó de seu solo alagado em sangue’, creio que isso foi mais ou menos o que ele disse. E acho que é assim, as pessoas vivem melhor sendo livres, mas é preciso aprender a ser livres, e as pessoas são revolucionárias quando podem melhorar constantemente a experiência e quando se fazem melhor as coisas. E, às vezes, todos nós temos responsabilidades, porque partimos duma ignorância total, que é a que existe ainda no mundo. As pessoas não encontram uma solução, porque não é uma, são centenas de soluções, segundo a cultura, as crenças, a geografia de cada país.
Não só pode prevalecer o interesse, o egoísmo, os instintos, a natureza nos dá instintos e a capacidade de raciocinar nos deve dar uma ética.
Jornalista Fabiola López.— Comandante, o que acha das mudanças em andamento em Cuba?
Fidel Castro.— A senhora diz as mudanças, mas a maior mudança foi a Revolução, a quais mudanças a senhora se refere?
Jornalista Fabiola López.— Não, eu falo sobre as mudanças a partir das Diretrizes do Congresso do Partido e tudo o que está acontecendo para atualizar o socialismo.
Fidel Castro.— Acho que, em geral, é um dever atualizá-lo e superá-lo, mas esta é uma etapa onde é imprescindível avançarmos com muito cuidado, não devemos cometer erros. Partimos duma época difícil e muito complexa da história, a vida durante estes 50 anos nos ensinou muito. O país que mais se aproximou duma revolução profunda, tão perto do império, tem sido Cuba. Nem tudo foi perfeito, mas constitui uma obrigação inadiável aperfeiçoar e superar o que temos feito.
Quando lhes digo que em nossa sociedade o jornalista tem grande responsabilidade, e que por isso devem estudar muito, lhes estou dizendo uma verdade objetiva e fraternal, não é uma crítica.
Logicamente, acho que minha conduta se ajustou ao que devo fazer estritamente. Não sou dos que pensam que tudo vai sair bem, que tudo é perfeito, que essa é a última palavra sobre organização social.
Não é possível que agora cada província aspire a dispor de instituições similares às de maior desenvolvimento, em momentos em que o país deve consagrar seus maiores esforços na produção de alimentos, devido aos problemas que o mundo vai ter que enfrentar.
Em dias recentes, tive uma reunião com alguns companheiros que trabalham na pecuária, para trocar impressões sobre a produção de alimentos essenciais, um tema sobre o qual recentemente tenho pensado muito.
Quem controla o crescimento impetuoso da população mundial? Poderia dizer-se que nós temos esse problema ao avesso, porque os Estados Unidos, apoiando-se nos elevados salários dum país desenvolvido e rico, nos levou muita força de trabalho jovem e qualificada, graduados universitários, nos levou, por exemplo, médicos, não os melhores, sei onde estão os melhores, estão aqui e estão em todas as partes, cumprindo seu dever sagrado. No aço do espírito da nova Cuba não poderão bater.
Vocês, que já estiveram por outros países reunindo experiência... Bom, Gladys eu soube o que lhe aconteceu, lá, acho que no Equador, para informar sobre o trabalho dos nossos cooperadores.
Jornalista Gladys Rubio.— Vai falar sobre as botas.
Fidel Castro.— Sobre as botas e os caminhões carregados, a embarcação que não cruzava o rio e que, por pouco, os restos chegam ao Atlântico, na foz do rio Amazonas. Conhecem também o problema do continente, por isso tem muita importância a reunião da Celac, isso foi um passo de avanço. Há que estar mais de dez minutos — bom em dez minutos não se escuta um discurso — 10 horas e 20 discursos para saber como pensa cada qual. Até pela face, se observa o rosto dos participantes, sabe como pensa o caribenho, como pensa o boliviano, como pensa o outro.
A reunião da Celac foi com os líderes da América Latina e do Caribe e com os líderes da União Europeia. 
Às vezes, converso com alguns dos visitantes, com muitos deles, pelo interesse que a gente tem.
Eu não sei quando dormem ou quando vão para sua casa os líderes políticos da Europa.
Angela Merkel, quando descansa? Porque eu sempre a vejo nalguma reunião, jamais está na Alemanha. Depois, os ingleses, que agora querem se integrar, quando lhes têm ido muito bem sabotando essa moeda, quem os entende? Por outro lado, por acaso tem solução o índice de 26% de desemprego da Espanha? Será que o suborno tem solução? Todos esses países estão cheios de problemas, quem paga tudo isso, a fome dos demais, a pobreza?
Sobre nossa Revolução, devo dizer que Karl Marx, que não gostava muito dos discursos e das profecias, nos disse em sua famosa ‘Crítica do Programa de Gotha’, em 1875, que na revolução social, na primeira etapa, a riqueza seria distribuída segundo o princípio “De cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual, segundo seu trabalho”. Numa segunda etapa, a fórmula seria: “De cada qual, segundo suas capacidades, a cada qual, segundo suas necessidades”. É o que quero responder da tua pergunta, Fabiola.
Quando a gente tem tempo para pensar, é mais fácil para quem esta pensando.
Quero contribuir o mais possível para a unidade, para o raciocínio, sempre serei contra a autossuficiência, porque o ser humano tende muito à autossuficiência.
Espero que vocês não se desanimem, isto que lhes digo não é para isso.
Quando vai ser a próxima eleição?
Jornalista Gladys Rubio.— Acho que dentro de cinco anos.
Fidel Castro.— Imagine, me parece demasiado (Risos).
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— Bom, dois anos para as parciais.
Dois anos as parciais e em cinco anos a geral.
Fidel Castro.— Bom, terei que participar dum congresso dos pioneiros.
Jornalista Ana T. Badia.— Não, e de jornalistas também, porque agora proximamente será nosso Congresso, e o estamos convidando.
O senhor é jornalista, pode participar do Congresso.
Fidel Castro.— Quando é o congresso dos jornalistas?
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— Em 14 de julho, o estamos convidando, comandante.
Fidel Castro.— Ah, em 14 de julho. Quando foi a tomada da Bastilha?
Jornalista Amaury Del Valle.— Exatamente. O senhor tem uma... Nessa mesma data.
Fidel Castro.— Que bom!
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— E esta sendo convidado.
Fidel Castro.— Quando você mencionou o 14 de julho lembrei a Revolução francesa. Na época de Robespierre, o que teria acontecido se as pessoas dispusessem da televisão?
Jornalista Gladys Rubio.— Imagine, isso teria sido...
Fidel Castro.— Imaginem aquela que assassinou Robespierre. A Robespierre não, a este o executaram quando a Revolução francesa começou a recuar, após um excessivo extremismo. Você pode desatar as idéias, mas não as pode controlar, tente guiar-se o menos possível pelo instinto, e o mais possível pelo conhecimento.
Eu estou disposto a ir, se posso. Há que subir escadas?
Jornalista Gladys Rubio.— Não, não, de maneira nenhuma.
Fidel Castro.— Onde vão fazer o Congresso?
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— Em Cojímar, na escola de capacitação de Cojímar. Lá não há degraus.
Fidel Castro.— Lá foi onde iniciamos a preparação dos alunos de Timor Leste, já deve ter-se graduado a maioria dos médicos que Timor necessitava. E quando haverá um sentimento mundial?
Jornalista Gladys Rubio.— Faz muita falta.
Fidel Castro.— Porque ninguém pode dizer: “sou dono da luz”, “sou dono do ar”; ainda prevalece o conceito de propriedade sobre os meios essenciais da vida. Quando a humanidade poderá ver-se como uma só família?
Bom, se eu posso, com muito prazer, estarei nesse congresso.
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— De qualquer forma, qualquer outro convite para dialogar sobre esses temas e sobre a importância da imprensa que o senhor tem referido, está feito, estamos à sua disposição, dispostos a falar sobre esse tema.
Fidel Castro.— Agora temos jornalistas muito bons, porque aqui o jornalismo não é um negócio sujo, como vocês podem apreciar, o jornal fascista da Espanha ataca todos os dias a Venezuela com insultos.
O primeiro que leio todos os dias são 20 ou 30 notícias, selecionadas por um grupo de companheiros familiarizados com essa tarefa, que se associam às que se podem receber por diversas vias.
São cada vez mais interessantes as notícias que chegam da China. Agora, vai ser realizada uma reunião, que durará várias semanas, sobre a eleição da direção central do Partido Comunista da China.
Conheci Xi Jinping quando visitou nosso país, há alguns meses. Conversei muito com ele, nomeadamente sobre a necessidade vital de produzir alimentos. Sem dúvida, é um homem muito capaz. Tive o privilégio de conhecer Hu Jintao, e Jiang Zemin.
A China é um país assombroso, com um povo trabalhador e muito inteligente. Eis a lenda de que os chineses não pronunciam o erre quando aprendem espanhol, falando com vizinhos de fala hispânica; quando o fazem numa escola de idiomas, aprendem o espanhol melhor que qualquer um de nós. O difícil e complexo idioma chinês, com milhares de sinais, é, segundo minha opinião, um fator que contribui para o desenvolvimento de sua inteligência.
Realmente, o homem é a única espécie conhecida cuja inteligência continua crescendo um tempo depois de nascido.
Bom, para não estendermos com vocês, vou pensar seriamente na possibilidade de reunirmo-nos.
Quantos dias vai durar o Congresso de vocês?
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— Dois dias.
Fidel Castro.— E penso que o vão publicar.
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— Com certeza.
Fidel Castro.— Se não, a Telesur vai encarregar-se de fazê-lo.
Jornalista Ivia Pérez Reyes.— Com certeza, todos os meios.
Fidel Castro.— Vocês me perdoam, porque eu selecionei aqui uns porta-vozes.
Jornalista Gladys Rubio.— Não se preocupe.
Fidel Castro.— Vocês admitirão que são pessoas preparadas e que podem influir muito, isto não quer dizer subestimação.
Jornalista Gladys Rubio.— De maneira nenhuma.
Fidel Castro.— Embora as mulheres estejam ganhando poder, cada vez mais, é pela força social de que dispõem mais que nós, mas não me digam que são mais revolucionárias.
Jornalista Gladys Rubio.— Porém mais fortes.
Fidel Castro.— As mulheres sim, não estou falando das de Cuba, estou falando das mulheres em geral.
Jornalista Gladys Rubio.— Somos o terceiro país com mais mulheres no Parlamento.
Fidel Castro.— Penso que os ingleses nos venceram. A rainha da Inglaterra completou 60 anos de reinado e lhe presentearam 500 mil quilômetros quadrados, sabem onde?, na Antártida.
Jornalista Ana T. Badia.— Olha só!
Fidel Castro.— Nisso há reclamações. O pólo sul foi distribuído entre um grupo de nações. Não fica outra alternativa, é preciso nomear a rainha soberana do polo (Risos). Perfeito.
Jornalista Gladys Rubio.— Muito obrigada por tudo. Por estar perto de nós. Estamos muito felizes por isso.
Em coro.— Muito obrigado, comandante.
Jornalista Gladys Rubio.— Todos estamos muito felizes, e o povo também vai estar feliz por isto.
Fidel Castro.— Querem que lhes diga uma coisa? Livrei-me da amargura que me teria dado tudo isso.
 Jornalista Gladys Rubio.—Tenha muito boa tarde, comandante.
 Fidel Castro.— Bem não, e vocês o quê?
 Jornalista Amaury del Valle.— Nós aqui.
 Fidel Castro.— Que jornal representam vocês?
 Jornalista Amaury del Valle.— Eu, o Juventud Rebelde, comandante.
 Fidel Castro.— Escuta, e tem melhor papel.
 Jornalista.— Sim.
 Fidel Castro.— Granma não se pode ler, às vezes, tem uma letrinha pequenina.
 Jornalista.—E o senhor consegue ver sem óculos, Comandante?
 Fidel Castro.— Sim, até números vejo; contudo, na televisão, as legendas essas, custa trabalho ler e a mudança de luzes me incomoda a vista.
 Jornalista Amaury del Valle.— Repare para que veja que estas letras estão colocadas ao azar. Percebe que não têm um nome.
 Fidel Castro.— Uma apareceu por aqui, de que jornal?
 Jornalista.— Eu? Da Rádio Metropolitana. Rádio Metropolitana, a rádio da cidade.
 Fidel Castro.— A rádio de Havana?
 Jornalista.— A rádio de Havana.
 Fidel Castro.— Quais são os que falam de agricultura?
 Jornalista.— De agricultura? Havana não fala muito de agricultura.
 Fidel Castro.— Espera. Disseram-me que há um.
 Jornalista.— Rádio Cadena Havana, que é a rádio das províncias Mayabeque e Artemisa.
 Fidel Castro.— Ah.
 Jornalista.— Chama-se Rádio Cadena Habana.
 Fidel Castro.— Quem a dirige?
 Jornalista Amaury del Valle.— Não, não saberia dizer-lhe o nome do diretor.
 Fidel Castro.— Qual é? Não sabem quem fala de agricultura?
 Jornalista.— Não, quem dirige a emissora, ele diz que não sabemos o nome da diretora ou do diretor da emissora. Mas essa emissora fala muito de agricultura, Rádio Cadena Habana.
 Ivia Pérez Reyes.—Yolanda París. Yolanda París chama-se a diretora da emissora Rádio Cadena Havana. E também está Rádio Mayabeque, e Rádio Artemisa, que também falam muito de agricultura, porque são as emissoras das novas províncias.
 Fidel Castro.— Eu tinha contato com (Orlando) Lugo e ainda tenho. Lugo conhece os melhores agricultores, o Lazarito, do Bejucal; o outro é o de Cienfuegos, que produz leite de cabra, Regino, é um tremendo produtor camponês. Eu lhe pergunto: E os abigeatários, como lida com eles? Bem, disse-me, "somos vários produtores e nos revezamos. E eu, por exemplo, agora tenho ordenha mecânica".
Regino ordenhava manualmente 148 cabras diárias. Um filho mais velho o apóia e o outro filho, que está na escola e tem 8 ou 10 anos, ordenhava 40 cabras. "Fui afetado, porque depois que apareceu a ordenha mecânica fiquei sem treino", reclama o rapaz... agora teve que dedicar mais tempo ao estudo.
Lugo conhece os melhores camponeses e membros das cooperativas. Colaborou na distribuição de sementes. Há algumas plantas das que se podem semear já milhões, o problema é conhecer as possibilidades, o valor e o custo da produção. É complexo, mas muito promissório.
 Jornalista Miguel Mauri.—Também está a AIN.
 Fidel Castro.— Manda-lhe dizer que também gostaria de conversar com ela. (Refere-se à diretora da Rádio Cadena Habana).
Tenho notícias das principais fazendas. O búfalo produz o dobro de carne por dia no cevadouro, e com menos gordura. Isso me contou Alfredo, um camponês de Alquízar, inteligente e sério.
Em Cuba não existia esse valioso animal. No ano 1983 (o presidente) Torrijos nos ofereceu 25 fêmeas e dois machos da raça Bufalypso, conhecido como búfalo de rio. Entre 1983 e 1986 Cuba adquiriu 241 fêmeas e 31 machos da mesma raça; e entre 1987 e 1989, nosso país comprou 2.648 fêmeas e 57 machos da raça Carabao, conhecido como búfalo do pantanal. O animal quando não tem pastagem, derriba cercas e busca alimentos.
Contudo, é o único animal que pode viver em zonas alagadiças e inóspitas. Em poucos anos se multiplicaram; não padeceram o uso excessivo da inseminação artificial, o elevado número de fêmeas que não se gestava, nem a alta percentagem de vitelos que morriam por desnutrição. Em cada uma das províncias tinham sido criadas pequenas leiterias em lugares visíveis do caminho principal, que produziam leite e queijo de mansas búfalas. Esse animal, que constitui a fonte fundamental de leite e carne em países como o Vietnã e outros da Ásia, havia sido descartado. O país lutará por dispor de todas as fontes possíveis de leite e carne de gado bovino, caprino, bufalino, suíno, avícola e cunícola.
Na produção de alimentos de origem animal ou vegetal é preciso aplicar princípios rígidos e invariáveis no aspecto sanitário, que nossa Pátria está em condições de levar a cabo.
Qual é, por exemplo, o país que mais alimento produz? China produz e consome centenas de milhões de porcos ao ano. Não pode dispor da carne bovina do Canadá, Estados Unidos, Brasil, Argentina e a Austrália, que dispõem de quatro vezes mais território com menos de metade da população chinesa, ou talvez mais, porque muito do território chinês a norte e a leste do país é desértico o montanhoso.
Nossos institutos, especialistas e cientistas devem conhecer a fundo todas as doenças que afetem animais e plantas.
A gente não esquece o atentado ao navio La Coubre, quando nós compramos armas, lá na Bélgica, para não dar pretextos políticos do que fizeram contra Cuba. O navio vai, carrega e depois faz escala em um porto francês, ali introduziram os explosivos. Duas explosões se produziram. Depois que explodiu a primeira carga, quando as caixas estavam sendo descarregadas, e quando inúmeras vítimas estavam sendo atendidas ou lutavam contra o fogo, se produziu uma segunda explosão. Mais de cem trabalhadores morreram e centenas de pessoas foram feridas.
O problema que temos com a inseminação artificial em massa é que a média de gestação atinge apenas 50%. Nesse tema é preciso buscar uma solução. Muitas vezes quando o touro reprodutor descobre a fêmea no cio, o inseminador está descansando ou fazendo outra cosa indispensável, se perdem muitos cios e se gastam mais recursos.
É preciso utilizar métodos que promovam mais gestações e menos custos, reservando a técnica mais sofisticada para os rebanhos melhor atendidos e a reprodução natural onde não existam as condições adequadas.
Outro problema está relacionado com os vitelos, muitas vezes submetidos a um regime absurdo de alimentação insuficiente e de baixa qualidade antes de serem levados ao curral, onde devem buscar a pastagem de baixa qualidade, onde ainda 30 em cada centena morre, e demoram o dobro do tempo para iniciar a produção.
Torna-se imprescindível semear pastagens de qualidade conhecida, tanto gramíneas como outras de elevado teor de aminoácidos e proteínas, as quais têm sido desenvolvidas por especialistas. Entre as inúmeras medidas, estas são as mais urgentes.
Não falaria disso se não tivesse a mais profunda convicção de que está totalmente nas mãos dos nossos trabalhadores desse setor resolvê-las com urgência, o qual desejam, devido à importância de uma alimentação sadia e protéica, durar o que durar a vida em nosso planeta. Tais princípios são, em geral, aplicáveis a toda a produção agrícola.
Eu espero ver vocês. Podem perguntar-me tudo o que quiserem. Busquem livros e façam as perguntas que desejem, quando eu não saiba algo, digo-o com toda franqueza.
 Jornalista Gladys Rubio.— E o problema da água.
 Fidel Castro.— Bem, agora tenho muita esperança, e esse é outro prêmio de ter tido a sorte de vir. Vocês são os porta-vozes da Revolução.
 Jornalista Ana T. Badia.— Por último, Comandante, a Rádio Rebelde está prestes a completar seu 55º aniversário, no próximo dia 24, que mensagem tem?
 Fidel Castro.— Ah!, é a velha Rádio Rebelde.
 Jornalista.— Fundada, como você lembrará, na serra Maestra, por vocês.
 Fidel Castro.— E como a procuravam os aviões! Mas deixem-me dizer-lhes que hoje não se poderia ter, porque basta um rádio ligado e disparam um míssil direitinho, e tudo acabou. Seria preciso inventar a forma de contestar essa técnica. Nossa guerrilha, antes de dispor da Rádio Rebelde, travou inúmeros combates vitoriosos. Nossa pequena emissora informando rigorosamente a verdade potencializou nossa força e acelerou a vitória.
Bem, uma felicitação calorosa para eles e a alegria de pensar que souberam cumprir seu dever durante tantos anos.
 Jornalista Amaury del Valle.— Comandante, uma mensagem para os jovens através do jornal Juventud Rebelde.
 Fidel Castro.— Que sinto muita inveja deles (Risos).
 Jornalista.— E para o povo todo, comandante, diga algo agora neste dia de votação grande, para seu povo que tanto o quer.
 Fidel Castro.— Bem, de verdade devo dizer que para mim o povo é tudo. Sem o povo não somos nada, sem o povo não haveria Revolução, com o povo forjaremos o caminho digno da Pátria, defenderemos o país e, se for preciso morrer, morreremos.
 Jornalista.— Obrigado, comandante!
 Comandante, muito obrigado por vocês ter vindo.
 Jornalista Ana T. Badia.— Faltam cinco meses para o congresso dos jornalistas.
 Fidel Castro.— Já não faz fazem nenhuma reunião?
 Jornalista Ana T. Badia.— As que temos efetuado na base, mas vamos esperar o senhor de braços abertos.
 Fidel Castro.— Quem vai ao Congresso do país todo, quantos vão reunir-se?
 Jornalista Ana T. Badia.— Não muitos desta vez, certo?
 Ivia Pérez Reyes.— Duzentos e cinquenta, chefe, vão reunir-se do país todo, não muitos. Mas se o senhor quer reunir-se antes com um grupinho, pode-se reunir, nos convida, e aí estamos.
 Fidel Castro.— E vocês são os que escolhem?
 Ivia Pérez Reyes.— Bem, os podemos escolher.
 Jornalista Gladys Rubio.— O senhor lembra o que fizemos num dia 26 de julho? Exato. E falamos de ciência e falamos de meio ambiente, de agricultura, do mundo e do que o senhor quiser.
 Fidel Castro.— E em todo o caso isso não impediria...
 Ivia Pérez Reyes.— Que o senhor possa participar depois do Congresso.
 Jornalista Ana T. Badia.— Para nós é uma honra estar com o senhor no Congresso.
 Jornalista.— Depois o senhor vai ao Congresso, e fazemos dois.
 Fidel Castro.— E quem arcará com a responsabilidade? Vamos falar com a companheira, que trabalhou muito, a que eu lhes disse, e ela se compromete a convidá-los a vocês e a alguns mais do setor que estejam interessados, e já vocês não têm a responsabilidade, e então...
 Ivia Pérez Reyes.— Nós podemos falar com Alfonso Borges, que é quem atende a toda a imprensa, Alfonso Borges, que você conhece perfeitamente.
 Fidel Castro.— Sim, pois é. Hoje me mandou uns quantos papéis. E o Arcángel — ele tem um grupo — nessa reunião que eu tive com os camponeses estava ele. Ficou muito boa.
 Ivia Pérez Reyes.— Bem comandante, descanse.
 Fidel Castro.— Tenho trabalho, mas o fato de liberar vocês me obriga a...
 Jornalista Gladys Rubio.— Para nós tem sido um momento muito especial.
 Jornalista Ana T. Badia.— Estamos muito felizes.
 Jornalista Gladys Rubio.— Obrigado por ter vindo. Muito obrigado.
 Fidel Castro.— De que jornal é ele?
 Jornalista Amaury del Valle.— Esse é meu gravador, comandante.
 Jornalista Evelio Telleria.— Do jornal Trabajadores.
 Fidel Castro.— Ah, uma vez na semana. Ontem o vi.
 Jornalista Evelio Telleria.— Saimos nas segundas-feiras.
 Jornalista Amaury del Valle.— Hoje sai o Juventud Rebelde, comandante.
 Fidel Castro.— Quantos exemplares vocês imprimem?
 Jornalista Amaury del Valle.— Nós, 250 000 exemplares, comandante.
 Fidel Castro.— O Granma quantos?
 Jornalista.— O Granma mais ou menos esse número, um pouquinho mais.
 Ivia Pérez Reyes.— Não, o Granma, 510 mil, porque 10 mil são entregues ao turismo, e 500 mil para a população, entidades, etecétera. Juventud Rebelde os domingos 250 mil e diariamente 200 mil.
 Fidel Castro.— Menos aos domingos? Não me diga isso.
 Ivia Pérez Reyes.—Sim, diariamente e aos domingos 250 mil.
 Jornalista Amaury del Valle.— Acontece que aos domingos são 16 páginas em vez de oito, com alguns trabalhos mais de leitura, pesquisa, se publicam os trabalhos sobre a agricultura, esses de que o senhor falou; os desafios que tem pela frente a agricultura nos últimos tempos e, sobretudo, mais focalizado para os jovens.
 Fidel Castro.— Pois agradeço imenso o que tenho aprendido hoje e a esperança de falar amplamente com vocês.
Até logo. Um abraço.
 (Dão vivas ao comandante-em-chefe).
 (Fidel pergunta acerca das crianças que custodiam as urnas)
 Fidel Castro.— Escute, você não me disse que haviam retirado a escada.
 Niurka Prada.— Eu o informei mesmo. Assim que eu soube que o senhor não podia subir escadas eu preparei condições.
 Fidel Castro.— É que ninguém me disse nada. Diga-me para não votar pelo culpado nas próximas eleições.
 Niurka Prada.— Bem, pois nada, nas próximas eleições tenho uma poltrona aqui, porque estava nervosa, por causa do senhor, parado tanto tempo...
 Fidel Castro.—... Ninguém também não me disse que você estava por aqui...
 Niurka Prada.— Não faz mal, não faz mal, eu sempre estou aqui para quando você precisar de mim.
 Fidel Castro.— Que está fazendo?
 Niurka Prada.— O mesmo que o senhor me deixou fazendo, ainda não tenho cumprido.
 Fidel Castro.— ...
 Niurka Prada.— Eu estou na equipe sua. Portanto, tem que me proteger, que estou com o senhor.
 Fidel Castro.—... Niña Bonita.
 Niurka Prada.—Ah, sim, eu atendo diretamente à Niña Bonita, o Siboney e todas essas coisas todas.
 Fidel Castro.— ...e tenho coisas novas.
 Niurka Prada.— Conto-lhe uma história? Passei dois anos pedindo para arrumarem o... da Niña Bonita. O senhor passou numa carrinha pela porta e no outro dia, quando eu cheguei, já tinha sido arrumado, portanto deveria passar por lá de vez em quando.
 Fidel Castro.— A gente se vê em breve.
 Niurka Prada. — Ok.
 É uma grande alegria vê-lo, comandante.
 (Exclamações de: "Fidel, Fidel, Fidel!")

fonte: granma.cu

PAIGC quer fazer parte do Governo de Transição.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...





África Ocidental: futuro político da Guiné-Bissau

O partido da independência abdicou da presidência da ANP, a “única instituição” que fez progredir o período de transição e que não foi ouvida quanto a grandes decisões do governo de transição.
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), maior partido da Guiné-Bissau, quer fazer parte de um governo de transição no país e defende que as eleições devem ser ainda este ano. “Deve haver um esforço no sentido de não se ultrapassar 2013 para as eleições”, disse esta quinta-feira em conferência de imprensa o porta-voz do partido, Óscar Barbosa, que apelou à celeridade do processo.
O partido quer também, na sequência da assinatura do Pacto de Transição (instrumento de regulação do período de transição que se seguiu ao golpe de Estado de 12 de Abril de 2012), participar mais activamente nos destinos do país. “Consideramos que a adesão do PAIGC (ao Pacto) tem de ter repercussões num governo de base alargada e de consenso”, frisou.
No entanto, o PAIGC não concorda com a criação de uma Comissão Partidária Social de Transição, como foi proposto na quarta-feira por diversos partidos e organizações da sociedade civil, por considerar que tal entidade iria assumir poderes que outros órgãos de soberania já têm, nomeadamente a Assembleia Nacional Popular (ANP).
O PAIGC quer antes “a promoção de um diálogo inclusivo, capaz de levantar consensos, reforçando o papel das instituições da República”, participar activamente “nos debates de uma agenda política nacional” sobre a transição, que haja harmonização de posições da comunidade internacional quanto à Guiné-Bissau e diálogo entre as autoridades guineenses e a comunidade internacional, disse Óscar Barbosa. “Neste âmbito, o PAIGC está disposto a partilhar os esforços nacionais no sentido de fazermos o país sair desta situação paralisante”, acrescentou.
Enumerando exaustivamente todas as acções do maior partido desde o golpe de Estado, no sentido de “facilitar iniciativas de diálogo” e “contribuir para a normalidade constitucional”, Óscar Barbosa salientou que “o PAIGC recuou sempre”, não por medo ou por outros interesses que não fosse o “da defesa dos superiores interesses do povo guineense”.
O PAIGC, afirmou, abdicou da presidência da ANP, a “única instituição” que fez progredir o período de transição e que não foi ouvida quanto a grandes decisões do governo de transição.
“Nenhum programa de governo nem o orçamento geral do Estado rectificativo foram submetidos para aprovação do parlamento”, salientou, acrescentando que o governo de transição também não conseguiu cumprir os principais objectivos traçados pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), a agenda eleitoral e a reforma do sistema político em geral, e do sector de segurança e defesa, em particular.
Apesar do apoio financeiro da CEDEAO, disse o porta-voz, nem o recenseamento eleitoral sequer começou e também a Comissão Nacional de Eleições continua sem presidente. Por outro lado, acentuou-se a pobreza e a degradação das condições de vida das populações, afirmou. “O actual governo não funciona” e “não presta contas a ninguém”, disse o responsável do PAIGC, que responsabiliza as autoridades de transição pelo não cumprimento da sua principal meta, as eleições no mês de Abril.

fonte: opais.co.mz



sábado, 16 de fevereiro de 2013

ARTIGO DE OPINIÃO: DIÁSPORA-FOBIA PROGRESSIVA NA GUINÉ-BISSAU.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...





A revolta recalcada e a separação da Diáspora Guineense dum regime político vigente no País natal nos anos/70 teve o seu início a partir da independência do regime colonial Português. Esta separação vista como fenómeno físico e psicológico de inibição e afastamento do País, teve os seus argumentos de acordo com a natureza e motivos implícitos/explícitos vivenciados por grande número de famílias guineenses, que perderam a sua estabilidade psicológica, material e social durante o período de readaptação ao regime pós-25de Abril. Um facto social resultante da defesa do indivíduo perante a situação complexa em que se encontrava no ambiente da política que se vivia na época.
Muitos cidadãos abandonaram, por opção, o seu País para irem viver longe da Terra que os viu nascer, não resistindo às novas exigências “ideológicas”, às condições de vida impostas pelo regime novo regressado da Luta de Libertação Nacional e, sobretudo, pelo medo da mudança como fenómeno desconhecido que gera até falsas interpretações.

Note-se no entanto este aspecto paradoxal, de alguém que vai a “fugir” daquilo que gosta mais, ou seja, do seu próprio País, para sobreviver longe, com mais dignidade, não tendo que se rebaixar, ser subserviente ao poder político instalado, consentir abusos perante ameaças e represálias, por ter vivido no País com o regime colonial, estando rotulado com preconceitos xenófobos e tribalistas, por vezes, sendo vitima de baixa política, que não garantiu justiça social num sistema de regime político partidário de si altamente “blindado”, porque insensível, para a sociedade encontrada com a independência e sobretudo os Bissau-Guineense, neste regime frio e insensível às diferenças encontradas no Povo circundante, não aceitou todos, pois escolheu e separou filhos da mesma Mãe, numa altura que o Partido deveria demonstrar uma “maternidade” exemplar. Não aconteceu, os filhos rebeldes e feios, foram maltratados, presos, torturados, e ninguém ficou com dúvidas de que este “Pai”, regressado da luta, afinal vinha de certo modo perturbado emocional e politicamente, pronto para um ajuste de contas com um certo número de pessoas, era agressivo e mau. A esperança de uma mudança de comportamento morreu na praia, durante décadas, ninguém percebeu este diagnóstico, desta nossa sorte fatal de quarenta anos lutarmos apenas uns contra os outros, o que provocou um abandono progressivo do País.

Toda esta metamorfose crítica e de crises constantes, mal interpretadas pelo poder político, complicou ainda mais a pouca confiança existente no novo regime. Muita coisa era mal percebida no seio do Povo (por exemplo os fuzilamentos em que a comunidade local era obrigada a assistir), uma sociedade exposta perante um poder que manipulou e perseguiu politicamente tudo e todos, os potenciais adversários e não simpatizantes do regime de partido único na época. Um certo número desta sociedade que viu suas vidas declinar ética, social, moral e materialmente em pouco tempo, instalando-se o medo, gradualmente foi-se perdendo “confiança” politica no novo regime, i. é, pouco tempo depois da independência, rotulados que estavam pelo regime, muitos partiram para sempre.
Situação relevante a anotar foi esta descriminação implantada pelo método selectivo de divisão entre os Guineenses com a conotação (revolucionário/simpatizante ou reaccionário/alienado) de bons e maus, em vez de trabalharmos todos juntos com determinação positiva para unir Guineenses, sem excepção, preferiram implantar manhas e manias políticas para dividir, com benefícios para uma minoria que conseguiu ascender despida, por vezes, de toda a afectividade de origem como pessoa, em substituição da família natural pela família “política” como prova de “amor” à ideologia do partido único. Veja-se hoje como muitos filhos da Guiné-Bissau passaram de promessas esperançadas num País novo e independente, para vítimas inocentes do mesmo regime político, ao qual juraram promessas, e pergunto porquê?

Alguns na sua grande maioria da “classe” media e média-alta guineenses, gente de bem e trabalhadora, com responsabilidades na manutenção e funcionamento do aparelho de Estado, foram levados a abandonar o barco, “fugiram”por pressões políticas tendenciosas, discriminatórias ou com ameaças por pressão psicológica, o que socialmente trouxe receio de uma convivência livre e espontânea que era habitual, fez muita gente que ama o seu País se separar dele, movida por um “divórcio” atípico (contra a vontade), induzidos à emigração forçada, para evitar o tratamento politico instalado.

Este sentimento discriminatório projectado na emigração é injusto e pré-conceituoso. Até hoje ainda se registam sinais de desconfiança, de parte a parte, entre Guineenses radicados no País em relação à Diáspora.
Quem reside no País não vê com bons olhos quem vive e trabalha fora, dando a ideia de se sentir “ameaçado”, existe uma preocupação velada quando o emigrante visita o seu País, em saber se é um regresso definitivo ou se é só para passar férias, o que causa um desconforto, parecendo que alguém quer ver o outro pelas costas, sendo um potencial “rival”, mais um na concorrência, talvez.
Certamente que não é generalizada, esta atitude, na sociedade Guineense, mas este ressentimento ganha notoriedade, mais nas fronteiras do campo profissional, e isto é muito mau, mau, porque estamos perante um complexo de rivalidade intelectual entre Guineenses, que afecta muito o nosso ritmo de desenvolvimento, na Guiné-Bissau, facto à vista de todos, pelo estado a que chegamos, sem uma política de reagrupamento de quadros Guineenses, o que levanta suspeitas, porque quem pode determinar esta acção politica são os que estão dentro e no poder, até hoje, nunca se mexeu nisto. Por isso há que investigar e analisar a retaguarda profissional fora do País. Afinal quem gosta disto no estado em que estamos? O Povo é que não camarada!

É bom lembrar que há uma perda gradual na quantidade de profissionais qualificados desde os anos /70 até hoje, este défice qualitativo e quantitativo registado a partir do abandono do País, por vários motivos, marcou definitivamente o atraso que se verifica hoje, portanto, estamos perante uma variável constante, derivada de condições materiais que potenciam e sublinham diferenças, pela negativa, na sociedade, que foram sublinhando este preconceito em relação ao Guineense que vive e trabalha fora do seu País, mas que é preciso mudar e todos juntos, reassumirmos uma Guinendade positiva.

Vitimas desta descriminação, transportam sequelas por reacção a este tratamento injusto e tendencioso, dado pelo regime político na altura, mantidos na linha limite que separa a Diáspora do País de origem e ainda, tratados como se fossem um zero à esquerda. Esta discriminação com efeito à distância, tem maltratado o estatuto do emigrante, até hoje, visto como um problema em vez de uma solução. Quando na realidade dos factos é, na verdade, uma solução positiva, embora secundarizada pela descriminação de que são vítimas. Há um complexo de separação irracional mantido até agora, embora hoje se verifique com menor incidência, por quem vive dentro do País. Hoje, já se respeita mais a imagem do emigrante, tanto do ponto de vista material, como social e cultural. É uma referência na sua família e não só, visto como um apoio vivo e participativo no plano da gestão e negócios da família, sobretudo em tempos de crise e na pobreza em que se encontram várias famílias, os que têm emigrantes sempre sentem as suas vidas apoiadas materialmente, como sabemos.

Há injustiças cometidas na interpretação do fenómeno da emigração, o emigrante, por vezes, não é compreendido, mas rotulado no seu próprio País por pré-conceitos contra a sua imagem material ou como Guineense que vive fora.
Por ironia da sorte, isto também acontece no País de emigração que o acolhe (por ex: se no estrangeiro Ele tira lugar aos nacionais de origem, no seu País natal, é porque regressou para tirar lugar ao irmão) causando sempre reacção menos boa da parte do emigrante, parecendo que o seu regresso ou chegada ao País de acolhimento está sempre carregado de suspeição. O que vem, por outro lado, confirmar a existência de um factor psicológico nesta “rejeição”, tanto no País natal como no de acolhimento, afinal todos olham com desconfiança para o emigrante, esse “contentor” de experiências humanas que nunca esquece os degraus que pisou para sair ou entrar do seu Pais ainda mais forte.

Não é fácil lidar com este fenómeno, antes pelo contrário, por isso emigrar é para os fortes, os determinados, com coragem, os que conseguem suplantar a solidão, a angústia de abdicar da família de origem, “comer o pão que o diabo amassou”, lutando para atingir os seus objectivos e colocar-se à frente, para conquistar um lugar ao sol com a sua competência, capacidade material, num País estrangeiro mas de acolhimento, para trabalhar, evoluir e prosperar com dignidade merecida, coisa que no próprio País não seria possível e, por isso saiu, é hoje emigrante com os olhos postos na Terra que deixou para trás.

Esta realidade discriminatória comportamental tem vindo a isolar a Diáspora Guineense, há décadas, do merecimento qualitativo por parte de um poder político, que nunca deu mostras objectivas de se preocupar com unir os filhos da Guiné-Bissau a partir de um pacote de medidas como projecto político, há nada neste contexto.
Senão vejamos, qualquer Presidente da Republica quando visita um País da sua relação diplomática, normalmente se reúne com a sua Comunidade na Diáspora, para se inteirar da sua situação social e de acolhimento, procurando saber se a relação institucional de cooperação entre Países neste âmbito está sendo cumprida. Pois então, no caso da Guiné-Bissau, nunca nada disso aconteceu, nunca nenhum Presidente Guineense honrou este contacto com a Diáspora, durante as centenas de visitas, ao longo de quarenta anos, e porquê perguntamos (há ou não há complexos, conflitos e descriminações entre uns e outros, não?), está até hoje sem resposta este capítulo da relação com o emigrante, desde a independência, os Camaradas Presidentes: Luís Cabral; Nino Vieira; Kumba Yála; Henrique Rosa; e, só não tenho a certeza se também, Camarada Presidente Malam Bacai Sanha, se alguma vez reuniu com a Diáspora Guineense nos Países que visitou, se aconteceu foi, por assim dizer, o único Chefe de Estado da República da Guiné-Bissau que o fez, como excepção à regra, com certeza. Isto faz acreditar na tese de rejeição aqui apontada, consciente ou inconscientemente, ela existe e é preciso eliminar este obstáculo na nossa sociedade.

Ainda por cima, por parte de um País que tem toda a necessidade de reunir a “prata” da Casa, não o conseguiu e nem conseguirá, sem primeiro acabar com este complexo de separação e descriminação dos filhos da Guiné-Bissau (dentro/fora).
Pense nisto, futuro Presidente da Guiné-Bissau, qualquer Ministério dos Negócios Estrangeiros tem trabalho “original” a fazer e de raiz, junto da Comunidade Guineense espalhada pelo mundo fora, penso. Não nos podemos dar ao luxo de menosprezar, ser mesquinhos, com a prata da Casa que se encontra espalhada pelo mundo. Primeiro de tudo, devemos colocar as pessoas (Guineenses) em primeiro plano, criando condições materiais com políticas objectivas para animizar situações de dificuldades de compreensão e entendimento nesta matéria, é tempo de ganharmos estatuto com a experiencia do emigrante, que detém um vasto conhecimento cientifico e tecnológico da sua experiência, sabedoria política e cultural, que transporta e detém como ferramenta de uso na emigração e, filtrarmos o que nos interessa. Não podemos perder mais tempo, hoje mais do que nunca, o País precisa de todos sem excepção. Precisamos de uma política clara, objectiva e aberta ao diálogo neste campo e noutros igualmente necessários, sem demagogias e outros complexos políticos desnecessários, é preciso olhar para todos os filhos da Guiné-Bissau com o mesmo OLHO, até prova em contrário.

Nostalgia e solidão fazem parte da memória avulsa centrada na Terra, recheada de crimes de sangue, abusos cometidos com total impunidade, quando se trata de “camaradas” do Partido como agressor, normalmente escapam à justiça, há dois pesos e duas medidas, mas também temos boas recordações, como a felicidade vivida com amor que ficou da Terra deixada para trás, que nunca esquece o emigrante. Esta separação angustiada da Diáspora, é uma realidade que se foi tornando cada vez mais complexa, exigente do ponto de vista sentimental, e difícil de resolver, perante dificuldade de adaptação sentimental do emigrante. Há outro obstáculo, o poder político e militar desde a independência, situações que exigiam especial sensibilidade humana, uma tolerância e engajamento gradual sem ferir a filosofia de base social Guineense, supostamente alicerçada na unidade nacional, unidade do Povo e suas aspirações de progresso e bem estar social, que deixou de existir, com muita pena, mas, se o homem pode por que não mudar o que está mal? Pergunto.
Há falta de tranquilidade social e de políticas objectivas para segurança dos cidadãos, é preciso identificar factos e factores que têm causado divergência entre guineenses (fora/dentro) e resolvê-los, para que possamos todos viver juntos numa Guinendade positiva.

É velho e careca o que vou repetir, refiro políticos do núcleo duro do regime do PAIGC na época, eles não conseguiram navegar nestas águas turvas do pós-independencia, na falta de ferramentas do reconhecimento social delicado, interpretaram menos bem alguns fenómenos sociais exigentes, para adaptação/readaptação perante mudanças que se impunham em quase tudo na época e, dos dois lados (Povo libertado e os libertadores) logo após a independência nacional. Contudo, qualquer independência trouxe sempre problemas, a nossa não foi excepção, mas é tempo de não continuarmos a chorar pelo leite derramado, avançarmos sem pestanejar, pois o Guineense é forte e corajoso, a história deste Povo o confirma, só haverá vitórias no futuro, acredito!

GUINEENSES; UNI-VOS!

Infelizmente, como resposta, constatamos que muita coisa correu mal e assistimos a derrotas internas entre políticos e militares sem o desejarmos, deu-se o nascimento de fantasmas, medos, perseguições e mortes (prisões, torturas e fuzilamentos) de figuras da sociedade civil, líderes da elite na comunidade. Pois não foi fácil para muitas famílias, que viram, no entanto, na emigração a única alternativa condigna para uma vida com Paz social, uma vida digna, mas noutra parte do mundo, que não a sua terra natal, abandonando o próprio país e deixando para trás o resto da família, Deus assim quis, “onde te sentires bem, é lá a tua terra” e assim tem sido na história da humanidade.

Com a independência, deu-se então o início da debandada progressiva de quadros técnicos Guineenses, que por arrastamento se alastrou às suas famílias, à medida que reuniam condições materiais, no País de acolhimento.
O País foi ficando sem uma quantidade significativa de “peças” fundamentais para reactivação e funcionamento normal do aparelho de Estado (tanto em qualidade como em quantidade), exigida para o desenvolvimento em curso no País. Esta realidade prejudicou muito o início do arranque da independência e continuou até hoje, sobretudo porque aqueles que asseguravam a máquina abandonaram, a substituição não se verificou por falta de pessoal qualificado, no exercício profissional.
Verificamos aqui com clareza esta evidência dos factos citados atrás, razão pela qual a doença do subdesenvolvimento vitimou o nosso País, a ponto do aparelho de Estado entrar em coma profundo, i. é, perante a fuga de quadros de modo progressivo, contudo,  também não adiantou nada no sentido de mudança de rumo nas políticas, os líderes trataram “friamente” e com total desprezo esta situação real, em vez de criarem condições políticas de vinculação socioprofissional, menosprezaram quem saiu e continuou tudo na mesma, como se não fosse de extrema importância estudar a situação, na altura devida, analisar e adequar novas medidas e políticas de reequilíbrio/equilíbrio da gestão do pessoal administrativo, no sentido de travar uma morte-lenta  na administração do Estado, afectando toda a sua dinâmica de desenvolvimento global do País.
Parece até que ninguém viu nada disto ainda, se ouviu ou falou-se parece mentira, mas nunca de um modo oficial viu-se na preocupação do Estado, percebemos então alguma leitura da elite política sobre este assunto óbvio e desgastante, se pensam não dizem ou não fazem nada para mudar as mentalidades, nesta matéria.

Tudo isto é realidade de factos passados no terreno, que conjugados, fundamentam a importância negativa deste afastamento compulsivo de Guineenses do País, em busca de vida e de felicidade possível pelas razões atrás citadas.
Razões essas, mais materiais do que políticas ou baseadas numa reacção a eventual comportamento militar negativo, na sociedade civil. Fazendo crer que, não obstante a derivação da má gestão politica deste regime político “jovem”, inexperiente em matéria governativa e institucional do aparelho de Estado, tudo junto, fez estagnar o País décadas mais tarde (um caldo entornado neste momento), encalhados na corrupção e políticas a nivelar por baixo, estamos todos metidos nisto, portanto, é salvar o único barco, Guineenses.

Penso que de facto o nosso grande problema na estagnação do País é ADMINISTRATIVO, é urgente uma reforma administrativa reparadora do aparelho de Estado da República da Guiné-Bissau, penso ainda que seja de facto o único método capaz de devolver uma relação de cultura institucional normalizada, devolver tranquilidade na relação de trabalho entre funcionários públicos e privados, para o País avançar.

Num período de seis anos, a partir de 1975/76, houve emigração significativa do pessoal técnico qualificado, que fez com que o País começasse a “mancar”, como já foi referido, adaptado a um ritmo mais lento, mas andando, embora com dificuldades, sobretudo nas áreas do funcionalismo público e tecnológico, na saúde e na educação, por falta de pessoal técnico com experiência no ramo, assistimos impotentes sem reconhecer este facto evidente, fingimos como se nada fosse e não podemos continuar, fingindo.

Só muito tarde se apercebeu desta proliferação e desgaste lento nesta matéria, invadindo o núcleo do Estado, na falta de competência técnica. Poucas possibilidades de manutenção do motor, dificuldade crucial, e cada vez mais difícil manter o Estado na rota acertada com os projectos do País, até que os “bons” se tornam escassos e, uma vez sem “ovos”, difícil é servir omeletas. Daí que, qualquer coisa como imitação é logo uma referência, muitos postos de elevada importância para o Estado foram geridos com pouco conhecimento, sobretudo na especialidade.
Sabemos bem que quando tiramos muitas vezes uma cópia a partir de fotocópias, com o desgaste natural deste “estímulo”, chegamos ao ponto de sacar uma folha em branco como cópia, é o exemplo disto, o impasse do nosso País no que concerne o seu projecto de desenvolvimento. Vemos um motor “parado” que anda e pára ciclicamente, até que apresenta um diagnóstico de debilidade, por ausência de estímulo positivo, uma inoperacionalidade resultante da desunião entre a “prata” da Casa a que chegamos, como coisas nossas, marcando passo com políticas a nivelar por baixo, só.

Difícil é recuperar este tempo perdido, mas é POSSÍVEL projectarmos para sair desta crise, voltar a rever os “originais” modelos de desenvolvimento sem complexos, enaltecendo tudo de bom que se fez até aqui, nestes quarenta anos de independência, tirarmos elações numa profunda reflexão, com a maturidade de quem apreendeu com os erros cometidos e está disposto a evitá-los, com consciência adquirida a partir de factos estudados e analisados.

O primeiro regime político de partido único penalizou forte e feio todo País, lidando mal com o convívio das ideias diferentes, na época, descriminou grupos com ideias diferentes das ideologias inspiradas na política de esquerda (Marxismos). Cedo conotaram como reaccionários aqueles que mais faziam lembrar os “tugas”, por dificuldades de adaptação à situação nova. Como também, e não tardou, viram nos Guineenses radicados fora do País, uma ameaça social e política para o normal funcionamento da sociedade Guineense.
Contra a Diáspora cultivaram (PAIGC) sentimentos de rejeição a partir deste conflito que trouxe desconfiança, retaliação, inveja deslocada e subjacentemente assumida na postura de Estado, pela agressividade gratuita explícita constatada no seu modo de actuação, com pouco fundamento racional e objectivo, que apenas baseado na crença política partidária ou “ideologia” do partido, o quero posso e mando vigorou como ”lei” sem obstáculos.
A “farda” de militância no PAIGC trouxe imediatamente o primeiro ciclo de oportunistas que manifestaram a sua simpatia pelo PAIGC, com muita dose de “graxa”, para serem aceites. Um ambiente que serviu para cimentar o carácter ou a falta dele, sobretudo na nossa juventude nos anos /70. Altura em que começaram a considerar também o emigrante dos anos/70, um potencial reaccionário e perigoso, na medida em que mais tarde traria de fora para dentro do País, os maus hábitos da ideologia imperialista, habituados que estariam no Ocidente Europeu e outros, a outras “liberdades” pouco recomendadas para a época que se vivia na Guiné-Bissau.

Este preconceito foi determinante, do ponto de vista selectivo (saber quem é quem) para se restabelecerem regras de aproximação/afastamento, registou com maior evidência e acentuação um poder insólito desta elite politica governamental do PAIGC, que ao mesmo tempo, provocou profundas roturas na sociedade, descriminações e injustiças, levadas a cabo na comunidade pelos Senhores do poder instituído, que normalmente impunes, continuavam, perante a crítica social.
Com forte influência no aparelho administrativo em todo o território nacional, sentimos desde a independência da Republica da Guiné-Bissau até hoje, e ainda existe, embora muito menos nos últimos anos, esta praga chamada “desconfiança” nos que vêm de fora para dentro do País, o emigrante.
Uma descriminação “forçada” que persiste em não valorizar o EMIGRANTE Guineense, uma desconfiança e receio que predomina dentro do País, mas que no entanto aceitando o seu dinheiro, entrar na Terra, nas participações comerciais e empresariais. Aproveito lembrar que até hoje O EMIGRANTE NÃO VOTA nas eleições, não participa na escolha dos líderes eleitos no seu País.
Talvez uma ameaça para alguns bem instalados da “classe” média alta ou mais acima…, os que têm condição material que permite um nível de vida de excelente qualidade material sem limitações, para muitos destes, talvez alguns, querem esta fatia significativa de irmão emigrante a permanecer ausente, até no “papel” (voto).

O grande Povo vai tendo um familiar fora, alguns vão podendo manter uma janela aberta para o exterior, na esperança de verem chegar algo de que precisam, como produtos de primeira necessidade, medicamentos, mesadas/dinheiro vivo, etc.

O emigrante, no seu estatuto natural de autêntico bombeiro voluntário, salva vidas da família carenciada radicada no País natal, porque estando fora, é sempre aquele que mais pode, material e financeiramente, um pouco mais, uma esperança de muitos Guineenses, cansados e carenciados, dentro do território nacional, que vão vendo uma luz no fundo do túnel, contornando a lei da vida. Ele ajuda a manter pequenos negócios, para subsistência de milhares de famílias. Temos como exemplo as empresas rodoviárias (Táxis, Toca-toca e outros transportes de passageiros, etc.), criadas a partir de negócio de emigrantes e não só, e com sucesso no País.
É preciso acabar com certos e determinados complexos em relação aos emigrantes Guineenses no seu próprio País. Reconhecer a sua importância (material, financeira, técnica e cientifica) na sociedade Guineense no seu todo.
Unir os Guineenses sem excepção, em torno das suas capacidades intelectuais, culturais, sociais e políticas, espalhadas no mundo, avançar rumo ao progresso definitivo.

Este conflito deficitário teve a sua raiz fundamental como “veneno”, criando fantasma do medo inter-pessoal gerado, que por consequência, perverteu a cultura administrativa vigente na época, e herdada do regime colonial que tecnicamente foi mergulhando numa imparável inércia.  
Na base de medo pessoal do confronto de ideias, de competências, da disputa material, intelectual, competências técnicas especializadas e outros, fomos promovendo uma cultura de receio do alargamento de condições de liberdades na sociedade. Cultivou-se a ideia de que os mais inteligentes são os que concordam connosco (o que é falso), logo se sou um líder, os meus amigos serão os mais parecidos com o “poder” institucional que represento, neste caso, na época, seriam os simpatizantes/militantes do PAIGC partido único, que progressivamente veio a instalar o caos em que o País se encontra, porque se confundiu militância com meritocracia nas escolhas e preferências para ocupação de cargos públicos (isto é apenas como um dos motivos, há mais).

Os lugares de chefia na sua totalidade passaram a ser determinantes, o estatuto de confiança política, isto, como é óbvio, descriminou muita gente por excesso de zelo, na determinação do grau de aproximação/afastamento do Partido. Bons quadros, gente competente, tecnocratas, funcionários com muita cultura administrativa, pessoas necessárias como peças fundamentais do aparelho de Estado, foram deixadas ao abandono, ao sol e à chuva, por “chefes” que não estavam preparados para a condução de um carro automático. Uma das razões porque hoje somos forçados a andar de “carro” com menor competência mecânica, sem capacidades para competir numa pista de auto-estrada de desenvolvimento sustentado que a Guiné-Bissau se propõe.

Situação triste é esta que conhecemos e já bateu no fundo, a Guiné-Bissau, que só deitados a um nível abaixo do chão e levantados de seguida, com o País no peito, com uma energia para além das nossas forças, é que podemos retomar com vantagem o tempo perdido, com motivação renovada, recuperar rapidamente as peças necessárias e arrancar com tudo o que de bem e do bom se fez até hoje no território nacional.
Com coragem, fronte erguida e rosto sereno, enfrentarmos unidos, as novas batalhas, sem perder tempo com vinganças, ajustes de contas, corrupção passiva/activa, injustiças oportunistas, cobranças difíceis ou crimes selectivos. Pensarmos positivamente na recuperação de estados de espírito das pessoas desmotivadas, para juntos e unidos acreditarmos como Guineenses capazes de unir tudo e todos, num enorme cordão do tamanho da Guiné-Bissau e avançarmos rumo a bom porto, resgatando as conquistas da Luta de Libertação Nacional, este legado de diamante em estado bruto ainda, e lapidar a partir de melhores projectos para servir o Povo. Sem vender no entanto a Mãe, trabalharmos o corpo com a delicadeza de um filho que ama o que é seu e de todos nós, a Mãe-Terra.

O sistema administrativo no futuro (hoje já vem tarde) exige uma reforma urgente e altamente selectiva no aparelho administrativo do Estado. Porque ao contrário do que se pensa, o problema principal da Guiné-Bissau, não são os militares ou os políticos, como os únicos a dar que falar. A meu ver é mais um problema disfuncional actuante através do modo de interacção institucional deficiente que temos no País, por influência negativa da corrupção que afectou o Estado e grande parte do seu aparelho administrativo, trata-se de um défice Administrativo e Democrático no País.

Posto isto, é de realçar que estamos perante um espaço focal da doença, onde reside o “cancro”, que ainda é tratável, penso e digo isto com convicção e fé, nada mais.
Uma das terapêuticas assenta na promoção da meritocracia na sociedade Guineense como prioridade, um modelo de selecção técnico e profissional, reconhecido como motor actualizado nas sociedades modernas e progressistas, onde a igualdade de direito entre os cidadãos não pode ser descorada, beliscada, por complexos nenhuns (de compadrio, cunhas e o recurso a mover influência de apelidos sonantes, etc.), devendo ser logo “destruídos”, para evitarmos novos focos da mesma doença, prolongar-se o atraso e a discriminação do homem pelo homem, na Guiné-Bissau.

Muitos sectores e instituições vão ter que fazer o mesmo, urgentemente, reformar, reassumir novos estados de desenvolvimento para não estagnar ou regredir. Não há que ter medo da mudança, ninguém morrerá por isso, ninguém vai ser abandonado em “combate”, como também ninguém com menos agilidade e competência na actualidade, podemos permitir “envelhecer” num lugar isolado, sentado à frente de um”volante”de um carro que conduz mal, por falta de actualização da sua capacidade de condução, nisto temos de mudar e todos concordamos.

Ninguém uma vez substituído vai ser abandonado na “estrada” do desenvolvimento, nunca, continuará dentro, junto com o novo motorista e no mesmo carro (sociedade), merecendo ser transportado sem vexames, descriminações ou outras formas de abuso de direito.

Damos o mérito a quem fez o que pôde e da maneira como bem sabia fazer, sem poupar esforços.
Dizia um poeta anónimo “ os velhos sabem e não podem, os novos podem mas não sabem”, Eu aqui, proponho cruzarmos experiências de conhecimentos, para juntos continuarmos este longo caminho sem isolar os nossos “pais” dos “filhos” de forma descriminada, reunidos num mundo para “idosos” ou para os menos capazes e um outro, para o ditos “normais”, nunca faremos semelhante descriminação, penso, seremos capazes de cuidar dos nossos mais velhos com sempre nos ensinaram, acreditamos por isso apostamos na mudança e ponto final parágrafo.  

Este respeito a que nos referimos não significa reconciliar por reconciliar e com o que está mal (o efeito paz podre), não é adoptarmos posturas hipócritas ou de bajulação perante o poder político, não é fingirmos não-ver ou ser “engraxadores”, também não é perdoar o imperdoável, não é consentir o retrocesso perante uma possibilidade contrária de evoluirmos positivamente, não é temos vergonha ou medo de dizer a verdade, doa a quem doer, não é branquear aspectos negativos da nossa cultura, não é ser ladrão em terra de cegos, não é ser bandido e defensor da corrupção no País, não é ser “polícia” política vivendo às custas da mentira e de esquemas da máfia instalada no poder, não é prestando mau serviço ao Povo, mas sim o inverso, é de facto, um assumir consciente do papel do cidadão na sociedade Guineense, como bom filho da Terra, prontos para o servir sem equivoco no exercício da cidadania, servir o Estado como pessoa de bem e nada mais, servir, só.
Aqui o respeito ou acto de respeitar, são o que vai permitir descobrir o melhor para nós (Povo), para o benefício de todos nós, respeitando as leis, a relação democrática e as instituições do Estado, sublinhar a liberdade de expressão e responsabilidade social do cidadão, tudo isto, como forma de melhorarmos a nossa conduta pessoal enquanto Guineenses e servidores do Estado, preservar pela imagem do País, dentro e fora do seu território nacional.

Posto isto, tenho a dizer e para terminar, que somos todos Guineenses, não vale a pena escolher onde não se deve, não é justo que o façam por oportunismo político ou outro, acabando por lesar o País, separando uns dos outros, que certamente beneficiaria com todos os seus filhos no mesmo colo “criativo” e de desenvolvimento sustentado, que tanto desejamos.
Aqui vos deixo mais um artigo de opinião/reflexão, num assunto sério que tem sido contornado evitando pôr o “dedo na ferida”…, mesmo que não o citem com referência do seu autor, ao menos, leiam analisando ponto por ponto, o interesse é comum e nosso, há vontade Guineense em ver tudo terminar com final feliz e unidos, nesta luta pela causa que é a Guiné-Bissau.

Djarama. Filomeno Pina.

Ministro da Defesa vai deixar executivo de Cabo Verde.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Jorge Tolentino Araújo, ministro da Defesa de Cabo Verde
Jorge Tolentino Araújo, ministro da Defesa de Cabo Verde
www.defesa.gov.cv/


Jorge Tolentino, Ministro da Defesa de Cabo Verde, anunciou ter solicitado ao primeiro-ministro, José Maria Neves, para deixar o cargo. Jorge Tolentino diz-se cansaço das suas funções, e quer agora mais tempo para a sua verdadeira paixão, a literatura.

O anúncio de Jorge Tolentino foi feito à saída da cerimónia de promoção de Coronéis a Major-General e Brigadeiro. Algo inédito em Cabo Verde, como nos explica Odair Santos, correspondente na Cidade da Praia.

Click no Link e escute

fonte: RFI

Angola: Activista pede intervenção de Eduardo dos Santos no caso "Diamantes de Sangue".

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Capa do livro "Diamantes de Sangue", de Rafael Marques

Rafael Marques jornalista e activista angolano entregou na manhã desta sexta-feira um pedido de intervenção do Presidente da República José Eduardo do Santos  no caso das Lundas envolvendo nove generais.

Click no Link e escute.

Os generais foram acusados pelo activista de estarem envolvidos em diversos crimes através das suas ligações com companhias que exploram diamantes naquelas províncias.

Um queixa-crime apresentada por Rafael Marques foi rejeitada pela Procuradoria da República angolana

Rafael MarquesRafael Marques
​​​​Segundo o activista esgotados que estão  os mecanismos juntos das instâncias judiciais de Angola cabe ao mais alto magistrado da nação ordenar a reabertura do processo.

Os detalhes das acusações de Rafael Marques estão contidos num livro recentemente publicado e que levou os generais a intentarem uma acção crime junto das autoridades portuguesas.

A acção, iniciada também contra a editora portuguesa do livro “Diamantes de Sangue”, foi rejeitada pela procuradoria  portuguesa.

fonte: VOA


A declaração de bens dos funcionários eleitos e membros do governo: Entre iscas, suave e brilho - O medo de PDT é que Macky Sall seja responsabilizado amanhã.

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O discurso do chefe de Estado, que insiste na declaração de bens, é uma maneira simples de seus ministros e representantes eleitos demonstrarem a sua responsabilidade por qualquer má gestão.
Desde a sua eleição para a presidência, Macky Sall vem tentando construir a declaração da riqueza como um ritual republicano. Apresentado pela Constituição desta obrigação, como todo presidente na borda de seu mandato, ele deu uma declaração ao Patrimônio do Conselho Constitucional, publicado no Jornal Oficial. No último Conselho de Ministros, ele pediu aos ministros e governantes eleitos para sacrificarem o princípio da transparência para alcançar a governança talvez virtuosa de defensores democráticos que se registra desde a sua eleição. Hoje, sabe-se que todos os membros do governo ainda arrastam os pés e / ou estão tentando fazer ouvidos de mercador para ignorar a declaração de bens, uma vez que tentam estabelecer o caráter de sua gestão para chefe do país. Vendo que alguns querem fazer andar para trás, ele se distância através de pequenos gestos e pequenas frases cheios de significados.
Esta dose de reforço de Macky Sall, que obriga os funcionários eleitos e ministros para levantar parte do véu sobre os seus rendimentos anteriores, esconde uma certa decepção. Nos bastidores, ele fala de "grandes problemas" em relação à gestão de alguns de seus parentes que perigosamente estão perto de fundos públicos. Informado de algum "desvio" em alguns departamentos, anteriormente ocupados por funcionários do seu partido, ele avisou que a gestão dos assuntos públicos pode ser uma fonte de enriquecimento. Intransigente sobre estas questões, ele ainda está pronto para enfrentar as frustrações de seu campo reclamando de estar muito longe de gestão pública. Fez chamadas de alguns membros do seu partido para assumirem mais responsabilidade para "deixarem as indiferenças." E ele disse a alguns deles que estavam reclamando. Gato escaldado tem medo de água fria. Em transmissões, o Chefe de Estado é o campeão da "governança virtuosa", o que levou a audiências de hoje e até prisão a dignitários do antigo regime. Ele lembrou que ela pode criar as ações e condições para amanhã contra si mesmo por má gestão. Para  Macky Sall, no final de seu mandato, ele continuará a ser o "único a ser responsabilizado." Assim, não importa "para assumir a aresta". Esta também é a preocupação que motivou a sua lembrança para os funcionários do governo local e do dever de apresentar o seu património e torná-lo público.

fonte: lequotidien.sn




Costa do Marfim confirma sua adesão ao TPI ( Tribunal Penal Internacional ).

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© Reuters por DR
Nações Unidas Sr.Youssouf Bamba, o novo embaixador da Costa do Marfim entregou suas credenciais ao Ban Ki-moon.
O embaixador da Costa do Marfim novo para as Nações Unidas, Youssoufou Bamba, fala com a mídia em 29 de dezembro de 2010, na sede da ONU em Nova York. Bamba Representa o governo de Alassane Ouattara presidente eleito.


NOVA YORK (Nações Unidas) - Costa do Marfim confirmou sexta-feira a sua adesão ao Estatuto de Roma que criou o Tribunal Penal Internacional (TPI), tornando-se o parte do Estado Nº 122 a este estatuto.

Embaixador da Costa do Marfim para ONU Youssoufou Bamba em representação ao departamento de tratados das Nações Unidas, em Nova York, cujo instrumentos de ratificação do presente diploma, que define as regras de funcionamento do TPI, e foi aprovada em 17 de julho de 1998, Roma, Itália.

O TPI é responsável pelo julgamento do ex-Presidente ivoiriense Laurent Gbagbo transferido para Haia em novembro de 2011 sob a acusação de crimes contra a humanidade durante a crise de 2010-2011.

O TPI também lançou em novembro um mandado de prisão pelos mesmos crimes contra sua esposa Simone Gbagbo e pediu sua transferência para Haia.

O governo da Costa do Marfim "vai decidir em breve" sobre a aplicação, disse o embaixador à AFP.

"Este é o princípio da subsidiariedade, disse ele. Se o governo acha que não temos os meios para julgar a Sra. Gbagbo, nós aceitaremos. Caso contrário, transfere-se ao TPI."

Mr. Bamba disse, então, à imprensa que o mesmo princípio será aplicado a subsidiário Charles Ble Goude, o ex-ministro da Juventude Lawrence.

Gbagbo preso em janeiro e acusado de crimes de guerra.

"A partir do momento  que a Costa do Marfim ratificou (...), o TPI pode remeter o caso (...), mas se o tribunal decidir a Costa do Marfim fará o julgamento de Charles Ble Goude e será assim" , disse Bamba.

"Pode ser que Charles Ble Goude pode ser trazido perante o TPI (..), o governo está estudando o assunto e entregá-lo a tempo", acrescentou.

O embaixador disse que o depósito dos instrumentos de ratificação ", reforçou a posição do governo de (Costa do Marfim), que agora é de pleno direito do partido de Estado", e que "reflete seu compromisso de lutar contra a impunidade" e assumir seus compromissos internacionais de respeitar os direitos humanos.

Costa do Marfim assinou o Estatuto de Roma, em Novembro de 1998, mas não tinha ratificado. Portanto, a defesa de Laurent Gbagbo havia questionado a competência do TPI.

Mas os juízes do TPI decidiram em agosto que o Tribunal tinha jurisdição para julgá-lo. Eles se basearam em especial sobre uma declaração assinada pelo Mamadou Bamba, Ministro das Relações Exteriores de Laurent Gbagbo, em abril de 2003, na qual ele reconheceu a jurisdição do TPI.

Violência pós-eleitoral de Dezembro de 2010-Abril de 2011, a Costa do Marfim perdeu cerca de 3.000 pessoas.

AVZ / ARE

fonte: abidjan.net

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