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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

terça-feira, 28 de junho de 2016

«ENTREVISTA» ARISTIDES PEREIRA : UM CONTURBADO DEPOIMENTO - 08-06-2016.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

«ENTREVISTA» ARISTIDES PEREIRA : UM CONTURBADO DEPOIMENTO - 08-06-2016



[i] Aristides Pereira, Minha vida, nossa história, de José Vicente Lopes, Edições Spleen, 2012 (2a edição)

No seu Minha vida, nossa história[i], o ex-Presidente da República de Cabo-Verde confirma o perfil de alguém que à priori nada predestinava a endossar os altos cargos que finalmente  acabou por ocupar. Secretário-Geral do PAIGC por obrigação, Presidente da República à força, sem a ambição que engloba necessariamente tais desafios, o homem foi arrastado pelos ventos hesitando sempre entre os seus mais profundos desejos e o que a história o reservou.

Puxado pela língua, na mesa do jornalista cabo-verdiano José Vicente Lopes (JVL), Aristides revela, de maneira aparentemente inócua,  um montão de atributos: o caso de dirigentes do PAIGC que participaram na orquestração do complot onde Amílcar Cabral perdeu a vida e que depois, para se cobrirem, liquidaram os inocentes que eles próprios tinham mobilizado ; da grave quebra de confiança que se seguiu entre guineenses e cabo-verdianos ; dos constantes erros de Nino Vieira e do Osvaldo ; da conduta refractária de Luís Cabral de nunca o ter reconhecido no seu posto hierárquico ; da frustração e desespero de Chico Té ; do projeto da unidade  Guiné e Cabo-Verde, escavado por dentro ;  e do golpe de Estado de 1980 que acabou por esmagar o Partido de Cabral.

José Vicente Lopes

No tocante à Guiné, eis alguns extractos da entrevista (o melhor seria ler esta fantástica obra de José Vicente Lopes).

DA FUNDAÇÃO » DO PAIGC  (p. 95).
… a data de 19 de Setembro de 1956 foi escolhida por nós – Amílcar, eu e o Luís -,  já em Conakry, para apaziguar o Senghor, que nos via com muita desconfiança. Achava que nós éramos  um ramo guineense do PAI que havia no Senegal, criado em 1957;
(…) também decidimos que o ano da nossa fundação tinha sido 1956, por coincidir com uma das passagens do Amílcar por Bissau para ver a mãe. Nessa tal reunião, (…) apenas estiveram presentes quatro pessoas e não seis : o Amílcar, o Fortes, o Luís e eu.

SG ADJUNTO DO PAIGC (p. 147-148)
Mas também estive na China em 1964. Até foi nessa altura que apareceu o cargo de secretário-geral adjunto porque os chineses queriam, à toda a força, que Cabral fosse lá. Mas eu não sei porquê, havia qualquer coisa e ele não podia. Como os chineses insistiam muito, ele decidiu : « Nâo posso ir, mas pode ir um próximo meu ». Mas havia uma questão : os chineses são muito meticulosos nestas coisas. « que nível é que ele tem na nomenklatura ? », quiseram saber. E eu só podioa ir como membro do Bureau Político. (…) Portanto é nessa altura que aparece o lugar de secretário-geral adjunto. (…) « … põe lá que és o secretário-geral adjunto e pronto. »

A MORTE DE AMÍLCAR CABRAL - O dedo de Spínola (p.157-164)
JVL : « (…) a conspiração ganha tal dimensão sem que os cabo-verdianos se tivessem apercebido daquilo » (p. 158).
… havia uma patrícia nossa que nessa altura vivia maritalmente com o Cruz Pinto, e o Cruz Pinto também «complotou» - tinha grandes ligações com o Momo Turé e os outros implicados. (…) Pelo seu comportamento, estimulava aquilo e as reuniões dele com o Momo eram na casa dele, Cruz Pinto.

JVL : « O Oramas diz que ficou com a impressão de ter visto o Osvaldo nos matagais ou atrás de umas árvores » (p.177)
Isso, não nego, é possível. O que recuso é que o Osvaldo estivesse a comandar fosse o que fosse.  Já não tinha essa faculdade. (…) O Osvaldo estava com o Otto. O Otto, diante do que aconteceu, procurou pôr-se à distância, mas ele estava ligado ao Osvaldo. São coisas que nunca mais foram esclarecidas. Houve a barafunda toda, fui para Moscovo, houve « julgamentos », em que se procurou  liquidar toda a gente que pudesse falar e ficou tudo assim. (…)

Quer o Nino, quer o Osvaldo – eu não disse que eles estivessem implicados em matar – sabiam do que se estava a passar. Sabiam do descontentamento que existia em relação a uma série de assuntos, que, do ponto de vista deles, estava errado. Moviam-se no sentido de levar Cabral a ceder perante eles.  Essa gente –o Inocêncio Kani e outros-, não se mexeria sem falar primeiro com o Osvaldo, …. O Kani teve uma convivência forte com o Osvaldo durante anos na Frente Norte, depois esteve com o Nino também no Sul. (…) De maneira que gente como Nino, Osvaldo e outros sabiam do problema, chegado o momento, o que fizeram foi não se envolver directamente. (…) Acontecendo, poderiam sempre alegar a sua inocência, e se possível retirar proveito disso.

(…) Havia gente, também, interessada em ceifar uns tantos pra não falarem. Como disse, o Osvaldo, o Nino… sabiam do que se estava a tramar. O próprio Chico também sabia, tanto é assim que ele tinha rebates de consciência. Outro que sabia é o Carlos Correia, que se deu por doido naquela altura. Isso devia dar-lhes um certo peso na consciência porque eles sabiam da conspiração e nada fizeram para travá-la (p. 181).

… o Fidélis foi o homem que dirigiu o inquérito, apresentou o relatório das investigações, mas um relatório fraquíssimo, em que não se explica quase nada. (…)  … ninguém estava verdadeiramente interessado no que realmente aconteceu. O grau de implicação dos guineenses era grande (p. 182).

(…) Inslusive, o Víctor Saúde Maria, que fez parte do inquérito, também sabia do que se estava a tramar, mas ele estava interessado em « cortar » uns tantos que sabiam que ele sabia. Foi nessa base que se liquidou  muita gente logo a seguir ao 20 de janeiro, que nem havia razão para liquidar. (…) Os homens já estavam todos mortos, não podiam falar… (p. 183).

O Vítor Saúde Maria deve ter morrido com este peso na consciência. Porque houve gente que ele mesmo mobilizou nesse processo e que ele mesmo condenou à morte. (p. 177)

JVL :… ao fim e ao cabo não se podia desenterrar muita coisa… (p. 183)
… senão a coisa desconjuntava-se. Se tivéssemos que ir para as denúncias, isso seria o fim de tudo. (…) De todo o modo, a cofiança entre nós, guineenses e caboverdianos, nunca mais foi a mesma.

EN DEFESA DE SEKOU TURÉ  (p.160)
AP : (…) Eu não posso afirmar de forma categórica, que ele não estivesse. No entanto, dentro duma certa lógica, e dos próprios interesses do Sékou, não vejo porque razão haveria ele de estar interessado que Cabral desaparecesse. Na altura em que o Amílcar foi morto, a imagem do Sékou, estava em franco declínio e um dos elementos que ainda lhe dava algum prestígio era ter, como retaguarda segura, um movimento de libertação, considerado brilhante em África, o PAIGC. Portanto, não estou a ver o Sékou a ser tão estúpido para acabar com essa réstia de credulidade que ainda conservava. Aliás, é justamente nessa altura que notei nele muto mais atenção a nós. Viu que éramos uma mais-valia para ele. Graças a nós podia continuar a arvorar-se em defensor da causa africana, projetando a sua imagem em todo o continente.

A ANGUSTIA DE SUBSTITUIR CABRAL (p. 175-176)
Eu via os colegas da direcção do partido – o Luís Cabral, o Chico Mendes, o Osvaldo Vieira, o Nino, o Pires, os principais membros do CEL. Eu via que difícilmente qualquer um deles iria reunir consenso, sobretuto, da parte dos guineenses. Naquela altura tínhamos que ter em conta os guineenses, sobretudo os combatentes, que estavam todos revoltados com o assassinato de Cabral,…

Da parte cabo-verdiana, principalmente aqueles que estavam em Conakry e que sofreram vexames, humilhações etc, … eu também não via como é que eles iriam suportar bem um guineense como secretário-geral.

Porque eu, desde o início – sempre assumi a posição que eu era cabo-verdiano. (…) mostrando sempre que eu não estava interessado no poder, principalmente na Guiné. Portanto, neste aspecto, os guineenses estavam claros a meu respeito. (…) De maneira que eu via a possibilidade, de facto, de os guineenses derem mais assentimento a mim do que ao Luís, por exemplo, para liderar o PAIGC. Ao contrário de mim, o Luís sempre foi considerado guineense, porque nasceu na Guiné e apresentava-se como sendo cem por cento guineense. Mas, é claro, há a questão da cor, que contradiz tudo, e o guineense é sensível a isso ainda hoje.

Além disso, eu tinha uma vantagem suplementar : eu estava em permanência ligado ao Amílcar.

JVL : Mas o grupo que o Fidélis tentou mobilizar ? (p.178)
O grupo de Fidélis… só se manifesta no congresso… mas ele não fez campanha…
Chegou a circular antes do congresso, em surdina, essa conversa :
« É preciso cuidado, não vamos cair na asneira de escolher um cabo-verdiano, porque vimos que não dá certo, portanto vamos colocar um guineense, não importa quem, mesmo que haja cabo-verdianos capazes por trás para suportá-lo. »

E tanto assim que foi ele (o Fidélis) que apresentou a candidatura do Nino no congresso e que não passou. Até porque o Nino na altura não queria saber de coisa nenhuma.
JVL : Em Madina do Boé, é eleita uma nova direcção do PAIGC, tendo-o na frente do Luís Cabral agora como o seu adjunto. Tendo havido todo aquele problema com o Amílcar, voltava-se, ao fim e ao cabo, a repetir o mesmo esquema.  O senhor como cabo-verdiano, o Luís um guineense que não era assumido por todos. Não era repetir o erro ?(p. 186)
(…) A questão é a seguinte : havia uma certa hierarquia antiga entre nós e alterá-la não era fácil, até porque se o Luís não ficasse em segundo lugar quem ficaria ?

JVL : Um guineense assumido.
Mas quem ?
JVL : O Chico Té…
Não, o próprio Chico não ía lá.
JVL : O Nino …
Também não. Nenhum deles.
JVL : O Fidélis, muito menos ?
Muito menos.

ARISTIDES RECUSA SER PR DA GUINE (p. 186)
JVL : (…) Chegou-se a colocar a questão de ser o senhor o chefe de Estado da Guiné ?
… em conversa com o Luís, ele pôs-me a questão. Apenas nós dois. E eu respondi-lhe : « Nem pensar ! » « Como é que eu agora vou ser presidente da Guiné ?! O que estou a fazer é por Cabo-Verde ! » Fui claro. (…) Diante da minha resposta, ele disse-me : « Se tu não avanças, então tenho eu de avançar ». Isto porque nós dois éramos fundadores do PAIGC.

INDEPENDÊNCIA DE CABO-VERDE (p. 223)
AP : O consenso a que chegamos é que havia que preservar o cargo de SG do partido. Havia a conveniência que o partido, para que continuasse a ter a força que tinha, a pessoa que estivesse a dirigi-lo pudesse de facto exercer influência nos dois países, era preciso não estar à frente nem num nem noutro Estado, embora residisse num deles.
A reviravolta ficou a dever-se a uma razão muito simples. (…) O Luís soube da posição que ia ser levada de Cabo-Verde, isto é, eu ficar SG do partido, o Pires o PR de Cabo-Verde, e depois se iria ver quem seria o primeiro-ministro e tudo o resto. No entanto, o Luís não aceitava isso, sem eu saber. Ele nunca me disse abertamente, que era contra. Às tantas, quando a decisão estava à beira de ser tomada, eu recebi mensagem dele por interposta pessoa.. (…)
… o Araújo…
« Deves lembrar-te, vocês é que são os fundadores do partido, ele está como presidente da Guinié e se o Pires aparece como presidente de Cabo-Verde, automáticamente, o Luís torna-se colega do Pires. Isso não é razoável. Pelo contrário, o Luís acha que tu é que deves ser o primeiro presidente de Cabo-Verde. »
(…) Houve mais gente que me veio falar…Não, não foi o Nino… O Chico Té…
Sim, ele (o Chico Té) foi um dos que foi falar comigo. « Camarada Aristides, veja bem… Vocês é que são os fundadores que estão aí. Está também o Abílio, mas ele sabemos qual é a situação dele neste momento. De maneira que a única solução é você aceitar que fique como presidente de Cabo-Verde e isso não lhe impede de ser o secretátio-geral. »

E eu, também levado por uma certa relutância em, sendo cabo-verdiano, parecer que não queria protagonismo em Cabo-Verde, preferindo em vez disso ficar na Guiné, país na altura com muito mais peso internacional que Cabo-Verde, possívelmente, tomei esta posição : « Vou deixar isso andar. Vamos ao CSL[ii], vem o projeto e decide-se pelo melhor ». Mas é claro, no CSL havia uma esmagadora maioria de guineenses, que foram todos mobilizados pelo Luís. E o resultado só podia ser o que foi.

Para mim o melhor era não estar nem numa coisa nem noutra. Ou seja nem SG nem PR. Só que aparece a questâo e eu acabei por ter que mudar de ideia.

A DESGRAÇA DO PAIGC – O princípio do fim  (p. 259-260)
Eu ia périódicamente à Guiné…era nessas reuniões que normalmente havia oportunidade de estar mais perto das coisas e das pessoas… Nessa altura eu tinha não só os relatórios escritos , mas também os relatórios directos que eu podia pedir aos diversos responsáveis, para ter uma ideia de como a situação andava. Mas, na Guiné,… o Luís Cabral sempre teve uma posição independente em relação ao secretário-geral. Ele era o presidente da Guiné-Bissau e dava-me a entender que o SG não tinha nada que se meter pelo meio. Procurou sempre demonstrar isso. (…)
De maneira que, às tantas, passei também a me marimbar, tenho de o admitir. (p.259)
De todo o modo, em relação à Guiné, a minha única esperança era, na altura das reuniões binacionais, que a malta guineense falasse e se procurasse, em conjunto, o remédio para o que estava mal. (…) Mas justamente esse era o mal dos guineenses : … podiam ir contar-me tudo, mas chegávamos a uma reunião e ficavam calados, mesmo que eu dissesse : « Você tem que contar as coisas que me disse em privado ».
Ainda por cima, … não havia a cooperação do Luís.

JVL : Havia uma paz podre, então no PAIGC ?

Com certeza. Aliás, isso dá-se em quase todos os partidos únicos, quando a coisa se prolonga por muito tempo…. como por exemplo neste caso, é o fim.

JVL : Isso prova… que o PAIGC estava armadilhado pela sua própria história.
Com certeza. Mas isso poderia ser ultrapassado se o Luís tivesse uma outra atitude, mais aberta e colaborante comigo.

A FRUSTRAÇÃO DE CHICO TE… (p.267-268)
Por exemplo, na altura da formaçâo do primeiro governo da Guiné – embora nessa altura, (…) o Nino não tivesse grandes ambições – o Chico foi escolhido pelo Luís paran comissário-prinicipal. Em vez de fazer uma consulta ampla, a nível dos primeiros responsáveis guineenses, sobre quem devia ficar à frente do governo, o Luís resolveu sózinho o assunto e perverteu, já aí, a situação de quem era realmente o chefe de governo. Passou ele a ser o chefe do governo e o Chico nada. (…) O Chico era um fulano sóbrio, esclarecido, eu tive sempre melhor impressão dele. Às tantas, ele passou a sentir-se frustrado.
O Chico, que era também um indivíduo que tinha sido levado um bocado pela bebida com o Osvaldo…, só que ao contrário do Osvaldo, o Chico tinha a tendência de pôr a bebida de parte e fazer a sua vida como deve ser. Era um indivíduo extremamente estudioso. O divertimento dele era ler. O Chico, … a partir duma dada altura, passa a beber, mas beber, beber, para cair.

JVL : Antes ou depois da independência ?
Depois da independência. Porquê ? A frustração que ele tinha. Aliás, é nessa altura que o Luís surgiu com essa tirada, quando confrontado com a questão de o Chico  ser o comissário-principal e, portanto, ele é que tinha que ser o  chefe do governo : « Não, não, isso é como os ministros ; ele é o primeiro dos ministros ». Portanto, «  é o primeiro dos ministros mas sem ser primeiro-ministro ». O Chico, talvez pour uma questão de feitio, parecia não querer contestar isso, mas sofria e bebia.

NINO VIEIRA, COMISSARIO-PRINCIPAL (p. 271)
Em relação ao Nino, procurei sempre tirar partido do relacionamento que estableleci com ele quando trabalhamos juntos na Frente Sul. Mas, depois que passa a comissário-principal, ele retraiu-se, evitava encontratr-se comigo. Eu só sabia dele por terceiras pessoas. (…) Quando ía a Bissau… via-o à chegada no aeroporto… Se eu o mandasse chamar, difícilmente aparecia.

Eu era dos dirigentes com quem o Nino se abria um pouco mais. Eu sabia das suas limitações, por isso sempre procurei incutir nele que era preciso aumentar o seu nível de instrução e ter mais conhecimentos para que aquilo que a Guiné ainda esperava dele. (…) De facto ele arranjou explicadores. Mas as preocupações dele eram outras.

Mal chegamos, dos primeiros problemas que tivemos foi a questão das casas. Por exemplo. O Juvêncio Gomes, que nós tínhamos mandado à frente, trabalhou com Carlos Fabião. O Fabião arranjou-lhe uma casa, que era a antiga casa do presidente da Câmara Municipal de Bissau. Chegando a Bissau, das primeiras coisas que o Nino reclamou foi a casa do Juvêncio. (…) O Nino pôs o problema de tal forma, tanto pressionou, que o Luís teve de ceder. Desalojou o Juvêncio, mandando-o para outro sítio, para o Nino ir para lá.
O grande mal de Nino, sempre, foi a acumulação de erros e erros em relação àquilo que ele já estava prevenido. (…) O José Sanhá estava preso e tinha uma moça, (…). Afinal, o Nino já tomara conta da moça do Sanhá. Cabral quase ia caindo de costas. « Mas como é possível ? »(p. 266)

Por causa da sua conduta, o Nino estava sempre a receber observações por parte de Cabral e atribuía isso ao Luís, quando, na maior parte das vezes, nem era isso. Era por causa da póípria conduta dele.

Muitas vezes, a nível da cúpula, apresentavam-se problemas que o que apetecia fazer era mudar tudo. Houve situações em que quer o Nino quer o Osvaldo, principalmente, pelas coisas que fizeram, era para serem expulsos ou então deixarem de pertencer ao nível de responsabilidade que tinham.

O Nino sempre persistiu nessa via. Aliás, até depois, como chefe de Estado, ele fez coisas incríveis e o resultado só podia ser o que acabou por ser.

Eu sabia que o Luís estava a governar à vontadae porque o Nino não ligava para as suas responsabilidades. (…) Fazia de conta que não era nada com ele.

JVL : Apenas tirava benefícios do cargo.
Com certeza. E depois, com o golpe, veio pôr os problemas do lado exactamente contrário.

GOLPE DE ESTADO DE NINO VIEIRA (p.265)
A minha primeira impressão é que estava a acontecer aquilo que eu já tinha previsto. E havia também a maneira como as coisas estavam a ser conduzidas. (…) Sendo o Nino a dar o golpe, parti do princípio que era uma revanche dele em relação ao Luís. A questão entre eles não começa depois da independência mas muito antes. (…).

Aquilo era uma situação terrível, principalmente para o Luís que tinha de gerir o problema, sabendo que nem todos aceitavam a autoridade dele, a começar pelo Nino. Só se relatavam os desatinos que o Nino cometia em relação a mulheres e outras coisas do género.

Decidiu-se atribuir patentes altas a uma série de gente – Úmaro e outros – que tinham trabalhado sempre debaixo das ordens do Nino.
Houve a cerimónia, no interior da Guiné, em que ele chorou até, mas não foi por causa do Pires. O problema dele era o Tchutcho, o Úmaru… O Nino não admitia que o Úmaro tivesse a mesma patente que ele naquela altura, pelo menos. (…)

A situação chegou a um ponto em que toda a gente dizia que « o melhor é ver se o Nino vai estudar », e ele próprio, às tantas, convenceu-se disso também, felizmente. (…) Para ser oficial superior, ele tinha que estudar, e é assim que ele foi estudar em Cuba.
JVL : O certo é que depois do golpe, (…) O Nino disse que o mandaram estudar a Cuba quase como um castigo ou desterro.
Isso são conversas.

A minha esperança fixava-se mais na possibilidade de eu falar directamente com o Nino e propus-lhe isso através do Silvino. Ficou assente que ele viria ao Sal, mas depois ele nega-se a vir. (p. 272)

JVL : Algum dia chegou a sentar-se a sós com o Nino para discutirem esses problemas todos ? (p.284)
Ele fugiu sempre a isso. Mesmo em Maputo tentou-se avançar para essa via, mas ele pôs-se a repetir as mesmas coisas que tinham sido ditas durante o golpe. (…) Ele apenas dizia que havia uma situação que poderia dar em guerra civil, Luís estava a arranjar o seu grupo… Eu disse-lhe : « Tínhamos os orgãos do partido, onde podias denunciar isso. Por que não o fizeste ? » E ele : Eu já sabia que se o fizesse eu  seria abafado. »

UNIDADE ADIADA (p. 280-282)
… a unidade era um processo longo, e que antes de falar na unidade política tinha de haver interesses, principalmente do ponto de vista económico, de mentalidades etc., e foi o que procurámos fazer.
Mas é preciso verificar que as iniciativas nesse sentido foram todas de Cabo-Verde. Da parte da Guiné nunca surgiu uma palha. Mas tudo o que fazíamos era mal interpretado. Por exemplo, quando a gente procurou fazer uma companhia mista de navegação marítima (Naguicave) e outras coisas mais, partiu-se do princípio que, sendo mais pobre, Cabo-Verde estava a procurar o encosto na Guiné, para subir. Todas as iniciativas foram nossas, mesmo o Conselho da Unidade, que se devia reunir, discutir as coisas, etc.
Mantinha-se no espírito dos dirigentes guineenses de que a luta tinha sido feito lá, a maior parte dos combatentes eram guineenses, portanto, tinham de ter uma certa preponderância, que nisso Cabo-Verde era a cauda. (…)
Por exemplo, estando a Guiné independente, evidentemente que havia responsáveis nossos que viajavam com passaporte diplomático guineense mas, com a independência de Cabo-Verde, esses passaportes foram postos de parte e emitimos os nossos. Os guineenses zangaram-se. (…) Com a criação da nossa moeda estranharam o facto dela continuar a chamar-se escudo em vez de peso como era na Guiné. E outras coisas mais que, para nós eram normais, para eles eram incomodativas.

Tudo que implicasse a unidade os guineenses diziam « sim senhor, sim senhor », mas não passava disso. »

Hoje, quando todos os países procuram unir-se, na Europa, na América e na África, vê-se melhor que, afinal, a unidade entre Cabo-Verde e Guiné não era nenhum absurdo.

MAPUTO : REECONTRO COM NINO (p. 283)
Quando o Samora apareceu com o seu gesto (…) no nosso encontro em Maputo, você não imagina as barbaridades que não ouvi do Nino. O que ele disse a meu respeito era de um inimigo figadal.

Ele classificou-me de tudo, traidor, que confiou em mim e que eu lhe dei as costas a favor do cabo-verdiano Luís Cabral, enfim aquela coisa de sempre contra os cabo-verdianos. Samora ficou a olhar atónito para nós com o que estava a ouvir, como a não querer acreditar.

COMO EGAS MONIZ (p. 275)
JVL :… há quem ache que se tivesse havido uma liderança forte sua, tanto em Cabo Verde como na Guiné, não teria havido o 14 de Novembro…
… admito que a minha liderança fosse fraca… Também reconheço que não tenho as características de uma autoridade forte. (…) … houve falhas, porque a minha capacidade não chegava ao nível que seria de desejar, mas que culpa tenho eu ? 
Sentia-me uma espécie de Egas Moniz com a família.  É como se Cabral estivesse vivo e eu tivesse que lhe dizer : « Olha, afinal, fiquei com isto mas vê lá a situação a que chegámos. Mas eu não podia fazer muito mais ». 
Fin de citação.

Cada um vai certamente apreender as revelações de Aristides Pereira, à sua maneira. Quanto a mim : Creio que a verdadeira desgraça começou na distorção da hierarquia do Partido, com a escolha de Aristides Pereira para o cargo de presidente de Cabo-Verde. Desta feita, embora conservasse o cargo de SG,  a impulsão que tal responsabilidade necessitava no momento, escapou-se-lhe naturalmente. É claro que naquela posiição, era para ele impossível ser árbitro, simplemente porque resolveu vestir a camisola de jogador.
-       Aristides Pereira alinhavou o seu alibi como pode, encontrando no seu colega, Luís Cabral, a ode apropriada. No entanto, não é uma justificação que se pode aceitar com equanimidade. O que estava em jogo eram os interesses superiores do partido. Creio que ao ficar de pés atrás e esperar que os guineenses se espairassem à volta da unidade, faltou-lhe tomates.. 
-       E resolveu marimbar ! Fantástica dialética numa mísera aplicação.  Trocar as rédeas de Presidente da República pelas migalhas de um Secretário-Geral, acrescido do risco de continuar a não ser respeitado, não deve ser apanágio do comum dos mortais. Mesmo o « santo » Aristides, não escapou à regra. Enfim, tant mieux por ele et tant pis pelo resto.
-       Aprende-se no livro que, afinal, o cargo de secretário-geral adjunto do PAIGC, não obedeceu a uma consulta prévia no seio do partido mas sim duma décisão pessoal de Amílcar Cabral, sómente para tirar os chineses da sola. Hoje, nada passaria dessa forma. Mas hoje é hoje e ontem … era Cabral !  (p.148)

-       Em relação ao vasto complot que vitimou Amílcar Cabral, longe de insinuar que o Spínola fosse inteiramente alheio ao caso, compreende-se no entanto as razões porque os dirigents do PAIGC tudo fizeram para transformar o general português num ogro à defaut de poder desvendar o ogro que existia no próprio Partido. Eu ainda acredito que, algures no fundo, asfixiada sob montões de secretismos, a verdade existe. E Portugal deve tornar público as circunstâncias do assassinato de mais um dos seus. Na mesma linha que o general Humberto Delgado, Amílcar Cabral, nacionalista, morreu como português, não é ?

-       Dispostos a ferir mas ainda relutantes em golpear,  no 2° Congresso, a inércia dos guineenses tornara-se insensata. Ou os cabo-verdianos foram ingénuos ao acreditarem nesse fazer de contas que não quer dos guineenses ou estes foram mais inteligentes para mais tarde virem a justificar o que  iria acontecer numa sexta-feira de Novembro de 1980. Pire, os guineenses mostraram de novo uma centelha de compaixão por um deles, o Luís Cabral, tornando-o Presidente da República… da Guiné-Bissau. Hipócritamente,  para « compensar » a morte do irmão, - como uma vez me disse um alto dirigente do Partido, de passagem por Genève. E de novo os dirigentes cabo-verdianos engoliram a isca.

-       Com todos os riquisitos que o Aristides o atribui, Chico Té não reunia condições para o cargo de SG ; e por não corresponder à hierarquia do Partido, nem tãopouco o do SG Adjunto. Daí a ser Comissário Principal e a não ter tido a responsabilidade de governar, vai um passo…
-       Não sou a pessoa mais indicada para transformar o tigre em avestruz…mas a César o que é de César ! Pela força das circunstâncias, Nino era um mito. Na tese da atribuição das altas patentes militares, utilizaram-se fontes niilistas para apagar o mito. Infelizmente, as consequências deste acto viriam a marcar uma outra desgraça para os guineenses, que foi o golpe de Estado do 14 de Novembro de 1980, camuflada em concórdia nacional !
-       Afinal, faltava um « capítulo » na história da fundação do PAI-GC. A saber que foram quatro as pessoas que estiveram presentes na reunião do 19 de Setembro de 1956, que foi recuperada posteriormente para servir de farol à fundação do movimento. Pode-se concluir, entre-linhas, que o acto própriamente dito, da fundação do PAI-GC, nunca existiu enquanto tal. Tomando esse Setembro como referência (de qualquer maneira não há outra !) eis os fundadores do PAI-GC : Amílcar Cabral, Fernando Fortes, Luís Cabral e Aristides Pereira. Ponto final.

-       Vê-se que, desde a morte de Cabral, o Partido não conseguiu encontrar um rumo novo. Forçados a avançar juntos, guineenses e cabo-verdianos criaram entre si a tal paz podre, dormindo, cada um do seu lado, com um olho aberto. O lado que acabou por pagar e paga ainda hoje, é a Guiné. Entre o Nino que sempre adotou uma atitude sintomática de indolente desinteresse pela questão pública, o Chico Té jogando com a sua capacidade libatória,  o Luís Cabral anelando a independência de acção face ao SG, e esse mesmo à se marimbar, o ritual da destruição não podia deixar de se cumprir. Basta também ver a « rapidez » com que os cabo-verdianos criaram o PAICV…
-       E, assim, enqunto  Cabo-Verde escrevia o seu futuro em letras de forma, na Guiné apostava-se mais nas azedas divisões  e na sede de sangue.

Hoje, volvidos mais de trinta anos, o país enfrenta um bom desafio : optar por um regime presidencialista ou inclinar-se ao parlamentarismo. Em todo o caso, para sobreviver, já não tem outra escolha do que avançar nas novas direcções que a experiência da actual crise permite desbravar para finalmente alargar a sua cintura, erguendo a cidadania como dever e a República como necessidade.
Enquanto há vida …há esperança !

Fonte:http://www.gaznot.com/?link=details_actu&id=1367&titre#.V26PL8IBBqE.facebook

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Marrocos: o Presidente de Portugal recebido por Mohammed VI com um Contexto de fundo nas relações com os países de língua portuguesa - os PALOPs.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



O Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa Duarte, está no hotel do rei de Marrocos nesta segunda-feira. Uma visita de amizade que discutirá problemas económicos importantes.

Uma semana depois da visita do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, ao Marrocos, o rei Mohammed VI recebeu, nesta segunda-feira, 27 de junho, o Presidente Português Marcelo Duarte Rebelo de Sousa.

O chefe do Estado Português chegou a Casablanca às 15 horas locais, de acordo com seu assessor Paulo Magalhães, junto a Jeune Afrique. Ele será recebido pelo Rei de Marrocos, que lhe concederá uma visita ao Wissam Mohammadi, a mais alta honra do reino. Mohammed VI por sua vez vai ser condecorado com Grande Colar da Ordem de Santiago, a mais alta distinção Portuguesa, que já foi concedida ao seu pai Hassan II.

A visita de boa vontade, mas não só ...

À frente de uma delegação de vinte pessoas, Marcelo Rebelo de Sousa Duarte visita Marrocos "sem especial motivação política". "O Marrocos é o nosso vizinho do sul com o qual partilhamos uma longa história de amizade. Não precisa de qualquer razão para visitar o Marrocos ", disse Magalhães. Depois de um tête-à-tête com o rei Mohammed VI, o presidente Português vai manter conversações com Abdelilah Benkirane e os dois presidentes do Parlamento marroquino, antes de sair de Marrocos à meia-noite.

Em Portugal, o presidente não tem poder executivo. Mas sua visita ocorre em um momento crucial nas relações entre os dois países. principal parceiro comercial de Portugal no mundo árabe, Marrocos pretende reforçar os seus laços com seu vizinho ibérico por duas razões principais.

A primeira é criar com Portugal e Espanha, um centro regional de energia. em 8 de junho Rabat e Lisboa lançaram um estudo de viabilidade para um projeto de interconexão elétrica de 1.000 MW. Com a Espanha, Marrocos já tem uma ligação através de um cabo submarino de 1.400 MW que opera desde 1997.

Cooperação triangular

A segunda razão por trás da aproximação entre Marrocos e Portugal é para servir na sua política de influência Africana. Nos últimos meses, Rabat está de olho nos países de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, com quem ela quer quebrar o gelo. Tradicionalmente, e na verdade, esses dois países são favoráveis ao Polisario. É dentro desse objectivo de fortalecer os laços econômicos com Luanda e Maputo que Marrocos aposta na criação de uma cooperação triangular envolvendo seus ex-colonizador - Portugal.

#jeuneafrique.com

Guiné-Bissau: Opinião - Crónica de Bons Malandros de Bissau.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

João de Barros | Editor & Director, Diário de Bissau

“…ficámos a aprender algo com esta crise: a má, desleal e suja propaganda, excessiva e tóxica, satura no ouvido do povo, produzindo efeitos contrários junto das massas. Foi o que aconteceu com a quadrilha de bons malandros de Bissau! Esta quadrilha exibiu, nesta crise, uma enfadonha malcriadez; usaram e abusaram de insultos, a violência, ameaças contra tudo e contra todos; vandalizaram instituições da República e fecharam, de forma abusiva e obstinada, as portas da Assembleia Nacional Popular. Um ato de puro terrorismo político”.

Por João de Barros | Editor & Director do jornal “Diário de Bissau”
Depois de terminado o período da fratricida guerra de 1998, desde essa época que o país foi sacudido por diversos conflitos político-militares, salpicados com golpes de Estado militar e matanças indiscriminadas. O último golpe militar ocorreu no 12 de abril de 2012, tendo os militares golpistas sido sancionados a nível internacional. Dois anos depois do golpe, a comunidade internacional disponibilizou-se a financiar novas eleições gerais. Alguns partidos tinham direções caducas e realizaram congressos eletivos para legitimar os seus novos representantes, como manda a lei, rumo às eleições legislativas.
O PAIGC, partido que libertou a nação do jugo colonial, organizou o seu congresso na terra que foi, no passado, o principal centro de negócios de escravos de toda a África.
O congresso, que se previa durar três dias, prolongou-se por duas semanas, com cenas de narração indescritíveis, muito dinheiro a circular entre aglomerados de congressistas, todo o dia e toda a noite até ao amanhecer.  A votação não foi electrónica, mas usou-se outro invento tecnológico, o telemóvel! Depois, foi a guerra dos telemóveis. Desliga! Não desligo!
Apesar de tudo, os congressistas conseguiram eleger o presidente do partido.
O evento eletivo ficou denominado de Congresso de Cacheu. De regresso à capital e ainda aquela reunião magna não tinha acabado, já havia  troca de acusações que se mantiveram até ao presente.
Entretanto havia ainda tarefas importantes por concluir, destinadas a definir todo o processo eleitoral que se avizinhava rumo às eleições gerais.
A dinâmica da liderança dos vencedores parecia  um relógio suíço na perfeição, deixando sempre sem respiração os vencidos do Congresso de Cacheu.
Chegou, então, a hora de escolher os deputados da nação. Os vencidos ficaram com 16 deputados eleitos. Entre os deputados da ala  vencedora foram privilegiados alguns delfins com contas na justiça, com o objetivo de beneficiarem de imunidade no campo judicial como  representantes do povo.
Na escolha do candidato à Presidência da República, o presidente do partido mais votado tinha preferência por outra figura fora da sua área partidária e foi desarmado por uma coesão dos  “in memoriam”.
A escolha desse candidato presidencial não foi tarefa fácil, prolongando-se por dezenas de horas até ser encontrado o candidato, já raiava o sol do dia seguinte.
Os libertadores venceram as eleições gerais com maioria absoluta somando 57 deputados, tendo o seu candidato às presidenciais  saído vencedor com mais de 60 por cento.
Após os deputados terem tomado posse, o Presidente da República foi empossado e, posteriormente, o Governo assumiu funções.
Na sequência da retoma da normalidade constitucional, a comunidade internacional brindou a Guiné-Bissau numa mesa-redonda de doadores que resultou numa oferta de um bilião e quinhentos mil USD.
Bruxelas: Mesa Redonda da Guiné-Bissau com os doadores
Bruxelas: Mesa Redonda da Guiné-Bissau com os doadores
Entretanto, antes e depois da mesa-redonda, uma espécie de djirus di praça, com muita experiência de vivência de saques financeiros e patrimoniais do Estado, montaram uma quadrilha com um código genético identificativo, decidindo assaltar as finanças públicas e tudo que havia para roubar e sacar.
Formado que foi o grupo de bons malandros da nossa praça, fazendo-se passar por doutores, economistas e engenheiros que nunca provaram o domínio das suas reclamadas académicas e profissões, porque nunca se notabilizaram em nada na vida, para além da refinada trapaça  burlesca, amantes de meninas de programa, viagens, Rubanes, Dakar e Nova York…. terrenos e casas ampagai.
Os bons malandros de Bissau mamaram logo as primeiras remessas vindas da mesa-redonda, criando uma certa robustez para os próximos crimes, com reuniões e encontros de luxúria e orgia sexuais. História desta quadrilha de bons malandros de Bissau, quase se confundem com a história da Guiné-Bissau e dos seus sucessivos fracassos. Pretendiam montar uma ação golpista nunca antes imaginada, com lucros suficientes para divisão entre todos os membros da quadrilha. Esta oportunidade criminosa, de lesa-pátria, seria o golpe maior da vida deles. O último golpe, pois não precisavam de roubar mais. A partir daí, passariam a dominar a sociedade numa espécie brutal de ditadura de luvas sangrentas.
Mas, depois de alguns saques no Tesouro Público, com algum sucesso, deixaram os cofres vazios e tentaram, a seguir, um audacioso golpe, que lhes tiraria da vida do crime e se transformavam em ditadores endinheirados. E quem quisesse sobreviver teria de vergar, obrigatoriamente, perante o reino da quadrilha.
A meio do percurso, O Banco Mundial e o FMI manifestaram grande preocupação sobre a deriva das finanças públicas.
Mas eis que, do alto do Palácio da República, alguém gritou: “Aqui-d’el-rei”, parem com corrupção e nepotismo, e perguntava-se do paradeiro de 160 milhões de dólares.
Começou a grande batalha contra o rei, loucura da quadrilha atingiu o clímax, com dinheiro roubado e algum que veio das instituições internacionais, foram aos tribunais e perderam, corrompendo advogados e juristas, jornalistas, comentadores, músicos, intelectuais, escritores e poetas, UE-PAN, Casa dos Direitos Humanos, sociedade civil, ONG, RTP África, RDP África, RFI, Voz da América, todas as rádios e jornais, correspondentes internacionais, figuras emblemáticos da comunicação social do tempo do partido único com muita experiência na manipulação da opinião na ditadura, todos a bombear a favor da quadrilha.
Criaram associações de todo o género e feitio. Organizaram conferências, dividiram a classe empresarial, os partidos políticos, expulsaram altos dirigentes do partido, afastaram deputados da nação considerados indesejáveis e sobreviventes do Congresso de Cacheu, utilizando a máxima de dividir para reinar…com o uso de muito dinheiro, claro!…
No entanto, ficámos a aprender algo com esta crise: a má, desleal e suja propaganda, excessiva e tóxica, satura no ouvido do povo, produzindo efeitos contrários junto das massas. Foi o que aconteceu com a quadrilha de bons malandros de Bissau!
Esta quadrilha exibiu, nesta crise, uma enfadonha malcriadez; usaram e abusaram de insultos, a violência, ameaças contra tudo e contra todos; vandalizaram instituições da República e fecharam, de forma abusiva e obstinada, as portas da Assembleia Nacional Popular. Um ato de puro terrorismo político.
Lá do alto do Palácio sai, um decreto! Foi o fim da macacada, foi o principio do fim o fim da quadrilha, que prometeu remover a Guiné-Bissau do seu lugar ao declarar guerra civil total e a morte do rei.
Tentaram comprar a consciência dos militares e fracassaram nesse intento. Ao mesmo tempo, o povo e os militantes  começaram a desmobilizar-se das arruaçadas na Praça dos Heróis Nacionais.
Mas o rei resiste e,  sabendo dos desmandos da quadrilha e do crime que planeavam contra o tesouro público, tira o segundo decreto e zás… a demissão do cota consumava-se!
Tentativa de incendiar o Palácio da República da Guiné-Bissau | Foto:  Diário de Bissau
A Tentativa de incendiar o Palácio da República da Guiné-Bissau | Foto: Diário de Bissau
quadrilha perde a cabeça e ameaça conduzir o exército para expulsar o rei do palácio, caso não fosse nomeado um dos seus homens para o cargo da chefia do Governo do reino. Ameaça, até, matar do rei caso isso não se verificasse.
Esta foi o fim, de vez, da macacada, macacões e macaquinhas.
Uma das características intrínsecas da quadrilha é a violência verbal, inaudita, nunca antes praticada ao longo dos 22 anos de democracia. Ameaças e tentativas de atos criminosos públicos, prometendo um novo 7 de junho. A quadrilha de bons malandros de Bissau sofre de amnésia aguda, esquecendo-se que sofreu há 18 anos de uma estrondosa derrota militar no conflito de triste memória, “ 7 de junho de 1998”.
A quadrilha mandou o seu exército avançar para a destruição do palácio da República, convencida de que tinham agentes fardados suficientes para o efeito, apesar da estranha tolerância das forças da ordem pública de mais de 30 minutos, em que tentaram invadir e incendiar o palácio; tok é unhi bunda.Depois, irromperam pela Praça dos Heróis Nacionais as gloriosas forças armadas que distribuíram umas pancadinhas no “exército dos libertadores”, que abandonou a manifestação e foi refugiar-se na sede do partido, onde o coronel proclamou: a Guiné-Bissau, a partir de hoje, terá dois Presidentes da República e dois primeiros-ministros.
 Mas ku foronta qui é passa na mon di tropa, é curi, é fussi é enrea porta principal da sede do p-a-i, é camba quintal de sede  i é bai ocupa ou refugia palácio di governo ainda ku curpo kinti.
Cuma é na sai na palácio de Governo só hora que rei riba trás…
Ocupação do Palácio do Governo| Foto:  Diário de Bissau
Ocupação do Palácio do Governo| Foto: Diário de Bissau


Ao fim de 15 dias, cansados, esfomeados e isolados, sem o esperado apoio popular, saíram pacificamente depois de uma encenação de mediação que nunca existiu, pois uma mediação pressupõe a existência de dois contendores à mesa de umas negociações.
É o fim triste de todos aqueles que tentam banalizar este país, não respeitando as instituições da República e prejudicando fortemente a imagem do Estado.
Moral de toda esta história da quadrilha de os bons malandros de Bissau: o país perdeu mais de 200 milhões de euros suma mon di sal na água, num espaço de cerca de dois anos em que, infelizmente, com o ensino parado e hospitais sem condições de funcionar e vazio de pacientes. Entretanto neste espaço de tempo registou-se mais a pobreza colectiva, para além da famigerada expressão “dinheru cá tém”!
O momento, é de ponderação, e, cada um que assuma as suas responsabilidades, sem se esconder atrás da moldura humana, retóricas inúteis ou manobras dilatórias inconsequentes!
João de Barros | Editor & Director do jornal “Diário de Bissau”

Momento de abandono no Palácio do Governo com o autocarro do PAIGC | Foto:  Diário de Bissau Tentativa de Carlos Correia entrar no Palácio do Governo | Foto:  Diário de BissauBarricados no Palácio do Governo | Foto:  Diário de Bissau
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Críticas ao Governo angolano em encontro solidário com ativistas e vítimas de intolerância.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Os “revús” e as vítimas de intolerância política foram, no último sábado (25.06.) homenageados em Luanda. Vários participantes afirmam que a libertação dos jovens presos políticos depende apenas do Presidente angolano.
Prozess gegen Aktivisten in Angola Proteste
Num encontro realizado pelo jornalista e ativista, Rafael Marques, em parceria com a Rádio Despertar, ouviram-se os testemunhos dos familiares dos “revús”, condenados a 28 de Março a penas entre dois a oito anos de prisão, assim como de outras vítimas de atos de intolerância politica em Angola.
A solidariedade enquadrou-se no âmbito das reflexões sobre o “Dia da Libertação”. A 20 de Junho de 2015 quinze ativistas foram detidos em Luanda quando debatiam o livro “Da Ditadura à Democracia” do norte-americano, Gene Sharp.
Segundo o ativista Pedrowski Teca a libertação dos 17 “depende da palavra final do Presidente José Eduardo dos Santos”, por existir interferência do poder político no sistema judicial: “É um caso que depende muito do Presidente da República, o senhor José Eduardo dos Santos. É ele que tem que dizer algo, é ele que tem a palavra final disso. O sistema judiciário não é independente, infelizmente. Eles estão a depender do chefe do executivo. É por isso, que está haver estas manobras”, salientou Teca.
Familiares e advogados apelam à competência dos tribunais
Angola Jose Eduardo dos Santos in Camama
José Eduardo dos Santos: a liberdade dos "revús" depende dele?
Estas manobras, acrescenta Teca, não vão reduzir a pressão sobre os tribunais até que se responda favoravelmente ao "habeas corpus" e ao recurso interposto pela defesa. Na última quinta-feira, 23.06, os familiares dos presos foram ao Tribunal Constitucional.
“Nós, os familiares fomos ao Tribunal Supremo e ao Constitucional. O que nós encontrámos foram burocracias e manobras de diversão, não se falou nada de jeito. São manobras para não podermos fazer pressão e para nos cansarmos. Mas nós vamos continuar”, afirmou um dos familiares.
Casos repetidos de intolerância política
Recorde-se que neste mês de junho a intolerância política resultou na morte de uma pessoa, em Quimbele,
O jornalista Rafael Marques: um dos organizadores do encontro
província do Uíge, num confronto entre militantes do MPLA e da UNITA. Em Maio um ataque à caravana dos deputados do “Galo Negro”, em Benguela, fez três vitimas mortais.
Mihaela Weba, deputada da UNITA, diz que os actos que se registam em Angola não são admissíveis num “regime democrático”: “Há ainda uma ideia, infelizmente, de partido único, de vontade única, de uma sociedade a uma única voz, o que não é admissível num regime democrático”.
Casos de compadrio em debate
A transferência de poderes de pais para filhos ganha terreno nos Estados africanos. Na Guiné Equatorial, por exemplo, Teodoro Obiang Nguema, nomeou seu filho para o cargo de vice-presidente do país, uma realidade que segundo analistas pode chegar à Angola.
Rafael Marques comenta: “A Isabel dos Santos já é copresidente de Angola, não precisa do título oficial de vice-presidente. Os filhos do presidente mandam mais do qualquer ministro, precisam mais de título para quê? Isto já é uma dinastia!"
#dw.de

FMI defende auditoria internacional e independente às dívidas avalizadas pelo Estado moçambicano

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Missão do FMI concluiu a sua visita a Moçambique e considerou ser necessária uma auditoria internacional e independente às dívidas avalizadas pelo Estado a favor de três empresas.
Uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se encontrava em Moçambique para avaliar o impacto das chamadas dívidas escondidas, concluiu esta sexta feira (24.06.) a sua visita e considerou ser necessária uma auditoria internacional e independente às dívidas avalizadas pelo Estado a favor de três empresas em 2013 e 2014 que não foram, na altura, reveladas.

A missão do FMI e as autoridades moçambicanas acordaram que a atual situação da dívida exige um pacote urgente e decisivo de medidas de política para evitar uma deterioração do desempenho da economia do país.

Um comunicado de imprensa do FMI, indica que as duas partes realizaram bons progressos na identificação de um pacote de medidas com vista ao reforço da transparência, melhoria da governação e garantia da responsabilização e, para tanto quanto possível, evitar o recurso a dívida não revelada.

Passos importantes para a restauração da confiança

A missão concordou que as iniciativas recentes por parte da Procuradoria-Geral da República e de uma Comissão parlamentar de inquérito para investigar a divida anteriormente não revelada constituem passos importantes para restaurar a confiança.
Parlamento moçambicano
No entanto, sublinhou a necessidade de medidas adicionais nomeadamente a realização de uma auditoria internacional e independente às empresas EMATUM, Proindicus e Moçambique Asset Management, sendo as últimas as empresas que receberam financiamento dos empréstimos anteriormente não revelados.
A Procuradora-Geral da República, Beatriz Buchili, disse esta quinta feira (23.06.) no parlamento que a sua instituição está a levar a cabo uma investigação relacionada com os empréstimos avalizados pelo anterior Governo a favor das três empresas, num valor estimado em dois mil milhões de dólares.
“As diligências em curso nos autos incluem audição de pessoas determinadas e recolha de todos os elementos inerentes a legalização da constituição das três empresas, o destino dado aos valores das dívidas contraídas, os prejuízos causados ao Estado e a consequente determinação da responsabilidade criminal, civil e administrativa”.

A Procuradora-Geral da República disse que estão igualmente em curso outras ações com vista a obtenção de informação em poder dos bancos, dos fornecedores e outros, mas acrescentou que ainda não foram constituídos arguidos.
“Os processos estão em instrução preparatória, não tendo até ao momento arguidos constituídos."

Moçambique enfrenta vários desafios
O Fundo Monetário Internacional refere no seu comunicado que Moçambique enfrenta desafios económicos difíceis. Espera-se que o crescimento económico passe de 6.6% em 2015 para 4.5% em 2016.
A inflação tem vindo a subir rapidamente tendo atingido 16% em maio. A política fiscal em 2015 e na primeira metade do ano foi excessivamente expansionista e a moeda nacional desvalorizou-se em cerca de 28 % desde o início do ano e as reservas internacionais continuam a declinar.

Além disso, a descoberta em abril de mil e quatrocentos milhões de dólares de créditos anteriormente não revelados lançou o stock da dívida no final de 2015 para 86% do PIB. A dívida pública tem agora a probabilidade de ter atingido um nível de risco elevado de sobreeendividamento.
Perante este cenário, acrescenta a missão do FMI, o desempenho ao abrigo do programa de crédito stand-by foi dececionante, tendo sido falhada a maior parte dos critérios de avaliação e de desempenho ou metas indicativas para o fim de dezembro de 2015 e fim de março de 2016.
#dw.de

Senegal se recuperou de $ 150.000.000: Informou o Ministro da Justiça.

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Senegal recuperou-se de cerca de $ 150.000.000, do dinheiro saqueado.

O ministro da Justiça do país, Sidika Kaba, fez o anúncio após o lançamento da libertação do filho do ex-presidente, Karim Wade na última sexta-feira.

"O rastreamento de riqueza infundada vai continuar", afirmou Kaba.

A resposta do ministro segue críticas contra o governo sobre a libertação do Sr. Wade.

A libertação do filho do ex-presidente foi lançado na sequência de um perdão presidencial depois de três anos de prisão dos seis indivíduos, ele foi condenado por mais tempo devido a fundos roubados e de valor estimados em US $ 300 milhões.

Quase uma dúzia de outros ex-altos funcionários do governo ainda estão sendo perseguidos por crimes semelhantes cometidos durante 12 anos da presidência do ex-presidente Abdoulaye Wade, que terminou em 2012.

Respondendo ainda às críticas da oposição, em particular, Sidika Kaba disse que o governo tem mantido sua promessa de acabar com a impunidade com o julgamento e prisão do Sr. Wade.

Ele explicou que o Sr. Wade, que também é líder da oposição, foi intimado exclusivamente por motivos humanitários e não devido à pressão dos interesses estrangeiros, como se comenta.

O filho do ex-presidente voou imediatamente para Doha ao lado do procurador-geral ao país árabe a bordo de um jato particular.

#africareview.com

«DUS CURPU UN CORÇON - GUINÉ CU CABO VERDE» JÁ EM LISBOA, ESTA TARDE, PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU ESTEVE REUNIDO COM O SEU HOMÓLOGO CABOVERDIANO DR. JOSÉ CARLOS ALMEIDA FONSECA.

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Dr. José Mário Vaz e Dr. José Carlos Almeida Fonseca


Já em Lisboa, esta tarde, o Presidente da República da Guiné-Bissau esteve num encontro 'di ermondadi' com o seu homólogo Caboverdiano Dr. José Carlos Almeida Fonseca.

O Presidente da Guiné-Bissau disse que, o encontro foi bastante produtivo, tiveram oportunidade de passar em revista o estado da cooperação entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde. 

"Cuma Jomav tisi kaldo di djebém di Bissau, hy tambi, Presidente di Cabo Verde tici Cachupa di Praia é cumé djuntu...cada quim purba di si cumpanher." 

"Mistiba bida só mosca...na quil momentu, pan obiba quê qui é na ruma ba la kkkkkk"

Conosaba

sexta-feira, 24 de junho de 2016

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI), INFORMOU AO GOVERNO GUINEENSE QUE OS PRINCIPAIS PARCEIROS FINANCEIROS VÃO CONGELAR O APOIO AO NOSSO PAÍS.

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Fotos de Dr. Baciro Dja

Aquele responsável adiantou, no entanto, que agora o mais importante “é fechar o buraco orçamental através de cortes nas despesas e captação de mais receitas", facto que, para ele, pode provocar"uma situação fiscal complicada" para o Governo.

Um dos principais pontos da agenda dos especialistas do FMI é o contrato de resgate aos bancos comerciais feito e anulado pelo anterior Governo e que esteve na base da decisão da suspensão do pagamento de novas tranches do programa de ajuda orçamental do Fundo à Guiné-Bissau.




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Costa do Marfim: uma petição para exigir a libertação de Laurent Gbagbo.

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Laurent Gbagbo ex-presidente da Costa do Marfim

Por iniciativa do escritor marfinense Bernard Dadi e ex-primeiro-ministro togolês Joseph Kokou Koffigoh, uma petição foi lançada na quarta-feira para exigir a libertação de Laurent Gbagbo, preso desde 2011 em Haia, onde ele é acusado por TPI por crimes contra a humanidade.

Esta é uma petição que visa recolher mais de 20 milhões de assinaturas em apoio a Laurent Gbagbo, o ex-presidente da Costa do Marfim com processo em andamento no Tribunal Penal Internacional (TPI). Uma ambiciosa iniciativa lançada em 22 de junho pelo escritor marfinense Bernard Dadi, que recentemente fez seus 100 anos, e o ex-primeiro-ministro togolês Joseph Kokou Koffigoh.

"Para apoiar este amplo movimento de resistência à farsa, é um dever de consciência perante a história (...), os signatários exigiram a libertação de Laurent Gbagbo", disse Bernard Dadi durante a cerimónia de lançamento da petição em um grande hotel em Abidjan, capital da Costa do Marfim.

Campanha de três meses

A campanha, que deve se estender ao longo de três meses, destina-se a "mostrar ao mundo que, o lugar de Laurent Gbagbo não é no TPI, mas com sua família em seu país", disse o escritor.

Laurent Gbagbo e seu co-acusado Charles Ble Goude, ex-Ministro da Juventude, são processados ​​pelo TPI por seus supostos papel na crise resultante da recusa do ex-presidente em ceder o poder a Alassane Ouattara com base no resultado presidencial de 2010.

#jeuneafrique.com

Senegal: Revisão do registo eleitoral - nas costas do governo.

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O governo retirou o projecto de lei sobre a revisão parcial do registo eleitoral. O texto foi discutido em comissão e teve que ir ao plenário para aprovação. O executivo anunciou sua pedalada em um comunicado.
E continuarão as discussões entre o ministro do Interior e os partidos políticos sobre o registo eleitoral. Ele havia sido suspenso na sequência do boicote aos grupos de oposição e os "não-alinhados" para protestar contra a apresentação do projeto de lei quando a troca no arquivo estava em curso.

#seneweb.com

GUINÉ EQUATORIAL: PRESIDENTE OBIANG PROMOVE SEU FILHO AO CARGO DE VICE-PRESIDENTE.

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Teodoro Nguema Obiang, Filho mais velho do Presidente da Guiné Equatorial

'Malabo - O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, promoveu esta quarta-feira, em Malabo, o seu filho Teodoro Nguema Obiang, ao cargo de "vice-presidente da República encarregue da defesa e segurança", segundo um decreto lido esta quarta-feira na televisão estatal, noticiou a AFP.

"Em conformidade com à Lei fundamental da Guiné Equatorial, nomeio sua excelência Teodoro Nguema Obiang Mangue, vice-presidente da República", indica o decreto do presidente Obiang, reeleito em Abril último com 93,7% dos votos nesse país petrolífero de cerca de 750 mil habitantes, abrangido por uma parte continental e outra insular.

Teodoro Nguema Obiang, 47 anos, possível sucessor de seu pai no poder desde 1979 (decano dos chefes de Estado pela longevidade), ocupava antes o posto de segundo vice-presidente.

O filho do presidente equato-guineense é perseguido em França nos assuntos dito de "bens mal adquiridos".

O presidente Obiang procedeu a outras nomeações (Ignacio Milam Ntang, primeiro vice-presidente da República, e Vicente Ehate Tomi, ex-Primeiro ministro, nomeados conselheiros).

Essas nomeações surgem na sequência da dissolução da equipa governamental de 17 de Junho, após a eleição presidencial de 24 de Abril, tal como prevê a Constituição.

A lista do resto dos membros do novo governo deverá ser conhecida no decorrer desta semana.

Presidente Teodoro Obiang Nguema


angop.ao/Conosaba

GOVERNO DA GUINÉ-BISSAU SUBMETE PROGRAMA AO PARLAMENTO E GARANTE QUE SERÁ APROVADO.

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Aristides Ocante da Silva, ministro da Presidência do Conselho de Ministros da Guiné-Bissau

Ministro da Presidência do Conselho de Ministros diz ser programa de continuidade.

O Governo da Guiné-Bissau pediu à Assembleia Nacional Popular o agendamento de uma sessão para discussão e aprovação do seu programa, assente no projecto Tera Ranka, lançado pelo Executivo deDomingos Simões Pereira, em 2015, com o apoio de todos os partidos.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros garante que o Executivo tem os votos necessários para a sua aprovação no Parlamento.

O Executivo de Baciro Djá já está instalado no Palácio do Governo, depois que os membros do anterior Executivo e apoiantes terem deixado o local, diz-se pronto para que o Parlamento discuta o seu programa, assente em três eixos principais.

“Promoção da boa governação, política externa e integração regional, promoção do crescimento económico para a criação de riqueza e promoção do desenvolvimento através do reforço do capital humano e valorização da qualidade”, são, segundo O ministro Aristides Ocante da Silva, os eixos do programa.

Neste novo arranque o ministro da Presidência do Conselho de Ministros considera ser importante conhecer “todos os processos em curso”.

Neste momento, diz Silva, “estamos a ver os contratos e engajamentos assumidos pelos governos que nos precederam e avançar com as reformas que permitam à Guiné-Bissau retomar o seu desenvolvimento”.

Na conversa com a VOA, Aristides Ocante da Silva revela que o Governo está, neste momento, empenhado em resolver o diferendo com o Fundo Monetário Internacional que pode por em causa o financiamento do Orçamento Geral do Estado.

Questionado se o programa do Governo é de continuidade, o segundo homem mais importante do Executivo guineense respondeu afirmativamente “porque é de continuidade porque baseia-se na necessidade de concretização dos princípios e das estratégias definidas no plano estratégia operacional Tera Ranka que toda a Guiné-Bissau abraçou e no qual participaram todas as forças vivas da Nações”,

Enquanto aguarda pelo agendamento do debate para discussão e aprovação do programa, o Governo de Baciro Djá avança com os primeiros contactos, por considerar, de acordo com ministro da Presidência do Conselho de Ministros “ser de base alargada no Parlamento e, portanto, com sustentabilidade para ver aprovado o documento”.

Voa com Conosaba

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