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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Drogas, na Guiné-Bissau e na Europa.

 

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A morte do presidente Malam Bacai Sanha levanta preocupação de aumento do narcotráfico para a Europa.

BRUXELAS, Bélgica - A segunda-feira a morte do Presidente Malam Bacai Sanhá passou despercebido na Europa.
Seu país, Guiné-Bissau, é pequeno, desesperadamente pobre e remota, uma terra de pântano e mangue apego à costa extremo oeste da África.
Demise Sanha em um hospital de Paris poderia, no entanto, ter graves implicações para a Europa, porque Guiné-Bissau é importante ponto de trânsito para a cocaína sul-americana. A perspectiva de mais instabilidade no país que foi assolado por violência política durante anos poderia dar margem de manobra dos traficantes ainda maior para operar lá.
A agência de drogas da ONU estima que mais de um quarto ou toda a cocaína vendida na Europa transita pela África Ocidental. Geografia de Bissau, economia e política tornam uma excelente escolha para os traficantes.
O país possui inúmeras ilhas e canais estreitos que são esconderijos perfeitos. Uma das nações mais pobres do mundo, seus serviços de segurança são notoriamente vulneráveis ​​a narcóticos movidos a corrupção. Desde os anos 1990, o país tem sido assolado por guerras civis e golpes de Estado por poderosos líderes militares, muitos dos quais têm sido associados ao tráfico de drogas.
"A questão é mais profunda sobre drogas na Guiné-Bissau. É estrutural ", disse Vincent Foucher, analista senior de África Ocidental com o International Crisis Group. "Diplomatas e jornalistas locais dizem que o sistema é profundamente enraizado entre os altos oficiais militares."
O Predecessor Sanha do João Bernardo Vieira foi assassinado durante uma tentativa de golpe em 2009. Em 26 de dezembro, com Sanhá já hospitalizado, agitação resultou na prisão do chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, que os EUA têm marcado como um traficante. As autoridades denunciaram uma tentativa de golpe, mas alguns observadores viram a prisão como resultado de rivalidades entre oficiais militares.
Apesar da Guiné-Bissau jogar um papel no movimento de drogas, o país não se situa no topo das prioridades da Europa. A União Europeia criou uma comissão por dois anos para treinar as forças de segurança do país em 2010, dizendo que é uma comunidade de exército, mas as tensões desse ano fez com que não fosse possível prorrogar o mandato. A UE também suspendeu grande parte de seu programa de ajuda ao desenvolvimento em resposta ao motim.
O índice de desenvolvimento humano da ONU classifica Guiné-Bissau em 176 de 187 países, com uma expectativa de vida de 48 anos e renda anual per capita de US $ 994. Autoridades da ONU estimam que o valor de cocaína em trânsito pelo país em mais de US $ 1 bilhão por ano.

fonte: Global Post 

Guiné-Bissau: Nenhum Presidente eleito cumpre mandato até ao fim.

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Foto: (AFP)
LUSA

Nenhum Presidente eleito na Guiné-Bissau cumpre mandato até ao fim

Dois golpes de Estado (Nino Vieira em 1998 e Kumba Ialá em 2003), um assassínio (Nino Vieira em 2009) e uma morte devido a doença (Malam Bacai Sanhá, na segunda-feira) são o "saldo" das eleições presidenciais guineenses após a abertura ao multipartidarismo, em 1991.

O cargo de Presidente da República na Guiné-Bissau arrasta com ele a "maldição" de uma personalidade política eleita democraticamente nunca chegar ao fim do respetivo mandato.

Dois golpes de Estado ("Nino" Vieira em 1998 e Kumba Ialá em 2003), um assassínio ("Nino" Vieira em 2009) e uma morte devido a doença (Malam Bacai Sanhá, na segunda-feira) são o "saldo" das eleições presidenciais guineenses após a abertura ao multipartidarismo, em 1991.

Depois de o ter feito em 2009, logo após o assassínio de "Nino" Vieira, o presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento), Raimundo Pereira, é, assim, chamado novamente para preparar, no prazo de 60 dias, a votação presidencial, assumindo a chefia de Estado interina.

12 Presidentes mas só quatro eleitos

Desde a proclamação unilateral da independência da então província portuguesa da Guiné, a 24 de setembro de 1973, altura em que passaria a designar-se República da Guiné-Bissau, o país teve 12 Presidentes, mas apenas em quatro ocasiões contou com um chefe de Estado eleito diretamente por eleições pluralistas.

Nunca uma presidência ganha em eleições pluralistas chegou ao fim. "Nino" Vieira venceu as presidenciais de 1994 e foi derrubado no conflito militar de 1998/99, Kumba Ialá as de 2000 e foi afastado três anos depois e, novamente, o "comandante Kabi Na Fantchama", eleito em 2005, após seis anos de exílio em Portugal, morto em 2009.

Além do mais, o grosso do total de presidentes da Guiné-Bissau assumiu o cargo de forma interina.

O primeiro Presidente da Guiné-Bissau foi Luís Cabral, cuja presidência foi interrompida a 14 de novembro de 1980, num golpe militar, liderado por "Nino" Vieira, então comissário principal, cargo equivalente a primeiro-ministro, e localmente chamado "Movimento Reajustador".

O ciclo Nino Vieira

Até maio de 1984, "Nino" Vieira chefiou o país, cedendo temporariamente, por dois dias, o cargo à dirigente "histórica" do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Cármen Pereira, na ocasião presidente do Parlamento, tendo retomado funções a 16 de maio desse mesmo ano.

"Nino" Vieira continuou como Presidente até à rebelião que durou entre 7 de junho de 1998 e 7 de maio de 1999, liderada pelo até então recém-demitido chefe do Estado-Maior General das Forças, general Ansumane Mané.

A partir de 7 de maio, Ansumane Mané, na qualidade de comandante da junta militar, chefiou interinamente o país durante apenas uma semana, uma vez que cumpriu as regras constitucionais e delegou o cargo no, então, presidente do Parlamento, Malam Bacai Sanhá.

Bacai Sanhá presidiu o país até à realização da segunda volta das eleições presidenciais, realizada em janeiro de 2000, e que deram a vitória a Kumba Ialá, então líder da maior força da oposição, o Partido da Renovação Social (PRS), empossado no cargo a 17 de fevereiro desse ano.

A 14 de setembro de 2003, através de mais um golpe de Estado, protagonizado pelo autoproclamado presidente do Comité Militar para a Restituição da Ordem Constitucional e Democrática, general Veríssimo Correia Seabra, Kumba Ialá foi deposto.

Cumprindo também os requisitos constitucionais, Correia Seabra delegou, 14 dias mais tarde, em Henrique Pereira Rosa, empresário e um ativo membro da sociedade civil, a chefia da transição que se seguiu até às presidenciais de junho de 2005.

A vez de Malam Bacai Sanhá

Seis anos após o exílio em Portugal, "Nino" Vieira regressou ao país, inscreveu-se como eleitor, candidatou-se às presidenciais e venceu-as, à segunda volta também, derrotando Bacai Sanhá, tendo sido empossado a 1 de outubro de 2005.

A 3 de março de 2009, dois dias após o assassínio de "Nino" Vieira, e tal como Bacai Sanhá e Henrique Rosa, Raimundo Pereira assumiu interinamente o cargo de chefe de Estado.

Em junho de 2009, Raimundo Pereira regressou à chefia do Parlamento, após a eleição de Bacai Sanhá para a Presidência, retomando, agora, idênticas funções até à realização de novas presidenciais.

Fonte: Lusa

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