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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Brasil: Médico buscava qualidade de vida, tornou-se empresário e hoje fatura mais de R$ 100 milhões.

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Hermes Bezerra/AE
Sebastião Rosa criou com a mulher a loja Imaginarium, que já fatura mais de R$ 100 milhões por ano.
 Sebastião Rosa, hoje com 61 anos, buscava qualidade de vida quando decidiu – na década de 90 – largar a carreira de médico e mudar-se com a família para Florianópolis. Rosa deixa transparecer, hoje em dia, que encontrou o que procurava. E talvez muito mais: como meio de vida, ele criou com a mulher, Karin Rosa, a Imaginarium.

Vinte anos depois da inauguração, a loja na capital catarinense transformou-se no Grupo Imaginarium. São 97 lojas, 19 quiosques e faturamento, em 2011, de R$ 110 milhões – alta de 22% em relação ao ano anterior. “Era uma loja de objetos com café e floricultura”, lembra o empresário mencionando o início da empreitada, uma variação do ateliê já administrado por Karin e onde ela desenhava enfeites natalinos. O empreendimento fez sucesso e Rosa decidiu apostar em seu desenvolvimento. Foi buscar capacitação e conhecimento.



“Mergulhei nisso, estudei comportamento de consumo, marketing e botei na cabeça que criaria uma marca nacional.” E ele conseguiu, mas não sem antes trabalhar muito. O primeiro passo foi alterar o tamanho da loja original, que deveria ser menor para adaptar-se às exigências dos shoppings. Em seguida, Rosa e a mulher usaram como alicerce da marca o fundesign – um objeto (bolsa, luminária, porta-retrato, etc) é concebido para (também) ser divertido. A explicação fica melhor nas palavras do próprio Sebastião Rosa: “O paliteiro não era só paliteiro, tinha sempre essa pegada divertida”.

Trabalhar de maneira eficiente um nicho específico de mercado, porém, não bastava ao empreendedor e Karin. Por isso, o casal apostou em inovação, algo tão presente na identidade da empresa que hoje a Imaginarium lança em média 400 produtos por ano. O desafio de construir uma marca nacional ainda levou Rosa até a China, país cujas indústrias produzem muitos dos utensílios disponíveis nas prateleiras da Imaginarium.

O empresário lembra que, na época, poderia enxergar a presença dos chineses como um problema dos mais sérios. Nada disso.“A China foi uma oportunidade porque mudou o mercado tecnológico e de desenvolvimento de produtos. Por causa dela fomos para o segmento eletrônico, o que jamais imaginamos que poderia acontecer.”

Seis anos atrás, Sebastião Rosa e a mulher afastaram-se do comando da empresa e contrataram um gestor profissional, que administra o empreendimento desde então. As filhas do casal ajudam nesta tarefa. Nanina, formada em arquitetura, é responsável pelo marketing. Cecília cuida das áreas de criação e desenvolvimento de produto. “Eu e minha esposa fomos viajar, desfrutar a vida”. Karin faleceu um ano e meio atrás, vítima de câncer. Contudo, ela ainda parece presente. Na vida e empresa de Rosa. “O importante foi o sonho de um casal romântico de meia idade que estava em crise e que fez uma empresa com o coração.”

O que acertei
De acordo com Sebastião Rosa, o principal acerto da Imaginarium foi apostar no fundesign e, dessa forma, torna-se referência em um nicho específico de mercado. O empresário também menciona a capacidade de adaptação do negócio, que não enxergou como um problema a concorrência chinesa.

O que errei
Durante um período curto de tempo, a empresa perdeu o foco e aventurou-se em outros segmentos. “Investimos em bem-estar, qualidade de vida e na época não estávamos preparados, o mercado não estava preparado”, conta o empresário. Curiosamente, Rosa diz enxergar hoje em dia novas oportunidades no setor.

Uma dica
Segundo o empreendedor, é fundamental fazer o que se gosta. “Eu era um bom médico, tive formação fora do País, mas não tinha arquitetura emocional para ser médico”, admite. Para Rosa, hoje as pessoas estão cada vez mais envolvidas com suas atribuições e, por isso mesmo, estar insatisfeito com o trabalho é ficar descontente com a própria vida.



fonte: estadao.com.br



Brasil: A USP é a melhor universidade da América Latina.

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USP é a melhor universidade da América Latina

A Universidade de São Paulo (USP) foi eleita a melhor universidade da América Latina, segundo ranking divulgado pelo grupo britânico Quacquarelli Symonds. A instituição paulista recebeu a nota máxima - 100 - de acordo com os critérios de avaliação adotados e encabeça a lista, que avalia as 200 melhores faculdades latino-americanas.
O Brasil tem mais oito representantes entre as 25 melhores. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aparece na 3ª posição, seguida das federais do Rio de Janeiro (UFRJ), a 8ª, Minas Gerais (UFMG), a 13ª, do Rio Grande do Sul (UFRGS), a 14ª, e de São Paulo (Unifesp), a 15ª.
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aparece na 16ª colocação, logo à frente da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), a instituição particular mais bem colocada entre as brasileiras. A Universidade de Brasília (UnB), na 25ª posição, encerra a relação das nacionais no topo da lista.
Para Fernando Costa, reitor da Unicamp, o desempenho reflete a internacionalização promovida nos últimos anos. "O reconhecimento nos mostra que a busca por profissionais estrangeiros é o caminho a ser seguido", diz. Segundo o reitor, entre 10% e 15% dos docentes atuais não são brasileiros.
Altos e baixos
As sete primeiras universidades mantiveram as posições do ranking de 2011, o primeiro do QS exclusivo para a América Latina. A 8ª colocação, antes ocupada pela Universidade de Buenos Aires, passou para a UFRJ, que saltou do 19ª lugar no ano passado para o top 10.
A Unifesp subiu 16 posições e passou a figurar entre as 25 primeiras. Em 2011, era apenas a 31ª.
As demais instituições apresentaram queda. A UFMG passou de 11º lugar para o 13º, a PUC-Rio foi do 15º para o 18º e a Unesp caiu uma posição, indo da 16ª para a 17ª. A UnB foi a universidade que mais caiu - foi da 12ª ára a 25ª colocação. A UFRGS manteve-se como a 14ª melhor.
Ainda entre as 25, figuram universidades de outros quatro países apenas - Chile (4), México (5), Argentina (4) e Colômbia (3).
A avaliação do QS leva em consideração a reputação acadêmica das instituições e de seus funcionários, assim como o número de trabalhos publicados e citados, o tamanho da universidade e quantos alunos recebe e a relevância das pesquisas na internet.
fonte: estadao.com.br

terça-feira, 12 de junho de 2012

SE A HIPOCRISIA GERASSE EMPREGOS…

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Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Os chefes de Estado de Portugal e Cabo Verde mostraram-se hoje preocupados com a degradação da situação económica e social na Guiné-Bissau, reafirmando a sua oposição a qualquer solução que legitime golpes de Estado.

Que Jorge Carlos Fonseca, que apenas está no cargo há nove meses, só agora tenha acordado, ainda vá que não vá. Mas Cavaco Silva, que foi primeiro-ministro de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, que venceu as eleições presidenciais de 22 de Janeiro de 2006 e foi reeleito a 23 de Janeiro de 2011, manifesta assim um colossal acto de hipocrisia.

Pelos vistos, tanto Jorge Carlos Fonseca como Cavaco Silva só agora terão reparado que na Guiné-Bissau nenhum candidato, nenhum presidente, acabou o seu mandato e que em 17 anos o país já teve sete presidentes.

Embora não tenham sido originais, os autores do mais recente (outros haverá, infelizmente) golpe de Estado parecem ser os bodes expiatórios ideais para a ONU, CPLP, Cabo Verde, Angola e Portugal. “Nino” Vieira e tantos outros dirigentes não foram assassinados agora, mas só agora é que a comunidade internacional deu fé de que isso tinha acontecido.

Dir-se-á que mais vale tarde do que nunca. Talvez. Pois é. Foi necessário os militares guineenses dizerem que não estão para ser protectorado de Angola para que, humilhada no seu sentimento de potência regional e dona de Portugal, Luanda puxasse dos galões e desse ordens ao reino português para papaguear uma série de asneiras.

Enquanto os militares guineenses foram fazendo o jogo do regime angolano, mesmo matando presidentes, candidatos, e chefes militares, tudo esteve bem. Quando resolveram pôr em questão o poder de Angola… estragaram tudo.

Luanda mandou, Portugal pôs-se de cócoras (posição também ela nada original) e a CPLP disse que sim ao dono do reino angolano. Juntaram-se e lá foram para Nova Iorque dizer que só agora é que descobriram que os direitos civis, políticos e humanitários estavam a ser violados.

A declaração da ONU, que vem ao encontro do que tem vindo a ser pedido por várias organizações internacionais e Estados que condenaram o golpe, entre as quais a CPLP e o Governo português por ordem de Angola, refere os compromissos que exigem a reposição da ordem no país.

Reposição da ordem no país? Pois é. Agora é preciso repor a ordem. Quando o primeiro-presidente da Guiné-Bissau, Luís Cabral, foi deposto por um golpe de Estado liderado por “Nino” Vieira, em 1980, onde andavam todos estes arautos da legalidade e da reposição da ordem?

Um ano antes de morrer, em 9 de Julho de 2008, Luís de Almeida Cabral considerou que a existência de tráfico de droga no seu país natal constitui uma "vergonha", apelando às autoridades de Bissau para combaterem o fenómeno: "É uma situação muito má. Desejo que as autoridades e o povo guineenses possam combater esta vergonha que não traz nada de bom".

Pois é. Mas nessa altura, também nessa altura, tudo ficou na mesma. E ficou assim, calculo, porque ainda não existiam a ONU, a CPLP, Portugal, Angola ou Cavaco Silva.

Alguém ainda se lembra que, em 18 de Maio de 2009, o Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Luís Manuel Cabral, disse que a instituição estava sem dinheiro para continuar o processo de investigação aos assassínios do Presidente 'Nino' Vieira e do general Tagmé Na Waié?

Será que Kumba Ialá tinha razão quando, em 17 de Junho de 2009, acusou o PAIGC de ser responsável pela morte de Amílcar Cabral, "Nino" Vieira, Tagmé Na Waié, Hélder Proença e Baciro Dabó?

"Carlos Gomes Júnior tem que responder no Tribunal Penal Internacional pelas atrocidades que está a cometer", no país, defendeu nesse dia Kumba Ialá, acrescentando que "há pessoas a quererem vender a Guiné-Bissau", mas esclarecendo que "serão responsáveis pelas turbulências que terão lugar no futuro".

Cavaco Silva e companhia estão preocupados com Carlos Gomes Júnior, exigindo o regresso à normalidade institucional. Quando os EUA, por exemplo, avisaram as autoridades da Guiné-Bissau que o novo chefe das Forças Armadas não poderia estar implicado nos acontecimentos de 1 de Abril (2010), como era o caso do major-general António Indjai, o que fez Gomes Júnior?

Escolheu (e o presidente Balam Bacai Sanhá aceitou) para chefiar as Forças Armadas, nem mais nem menos do que... António Indjai.

Recorde-se que Indjai foi o protagonista dos acontecimentos militares de 1 de Abril e que chegou (embora depois tenha pedido desculpa) a ameaçar de morte o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.

Cavaco Silva já condenara (13 de Abril) "veementemente o golpe de Estado na Guiné-Bissau”, apelando a uma posição "firme e determinada" da comunidade internacional. Depois passou a dormir descansado e a fazer as contas para saber se a sua reforma dá para pagar as despesas.

O discurso de Cavaco Silva para felicitar Carlos Gomes Júnior como novo presidente da Guiné-Bissau já estava escrito. Se calhar teria apenas alterar o nome. Aliás o texto é sempre o mesmo. Primeiro foi o de “Nino” Vieira, depois o de Malam Bacai Sanhá.

"Tendo tomado conhecimento das suas novas funções como presidente da República da Guiné-Bissau, é com satisfação que endereço a Vossa Excelência, em nome do Povo português e em meu próprio, as mais sinceras felicitações e votos de sucesso no desempenho das altas funções que, de forma tão expressiva, foi chamado a desempenhar, pelo Povo irmão da Guiné-Bissau", dirá certamente a mensagem enviada de Belém a quem vier a ser o dono da Guiné-Bissau.

Neste parágrafo até não foi necessário acrescentar nada. O Vossa Excelência que serviu para "Nino" dá para qualquer um, seja Carlos Gomes Júnior, Kumba Ialá ou António Indjai.

Cavaco Silva sabe (ou não fosse ele um pobre reformado) que civismo e democracia não se conjugam com a barriga vazia, mas esse é um problema dos outros...

"Estou seguro de que o mandato de Vossa Excelência será pautado pela defesa do processo de reforma e consolidação das instituições da Guiné-Bissau, que conta com o firme apoio de Portugal e que constitui uma condição indispensável para assegurar o futuro de paz e de desenvolvimento económico e social a que o Povo da Guiné-Bissau tem direito", escreveu, escreve e escreverá o Presidente português, seja qual for o dono do país.

O Chefe de Estado português irá de novo, sem pinta de originalidade, sublinhar a importância que atribui "aos laços históricos de profunda amizade que unem os dois países e ao reforço continuado da cooperação entre Portugal e a Guiné-Bissau, quer no plano bilateral, quer no quadro multilateral, muito em particular no âmbito da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)".

Pois. Portugal não está (ou pelo menos não parece estar) interessado em ensinar os guineenses a pescar. Vai, no entanto, mandando para lá umas sardinhas. E mesmo estas começam a fazer falta em Portugal, país onde os cidadãos de segunda – a esmagadora maioria – já incluem o farelo na sua dieta alimentar.

"Reiterando-lhe as minhas felicitações, peço-lhe que aceite os votos que formulo pelo bem-estar pessoal de Vossa Excelência assim como pela prosperidade e progresso do Povo irmão da Guiné-Bissau", finalizará o Presidente português.

É isso aí. Votos de prosperidade e progresso de um Povo irmão que continua a ser gerado com fome, a nascer com fome e a morrer pouco depois... com fome (dois em cada três guineenses vivem na pobreza absoluta e uma em cada quatro crianças morre antes dos cinco anos de idade).

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

fonte: paginaglobal


Parlamento Europeu condena papel da CEDEAO na crise da Guiné-Bissau.

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Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu irá, esta quarta-feira (13.06) aprovar uma resolução sobre a situação política na Guiné-Bissau. O Eurodeputado português Paulo Rangel, um dos autores do documento, mostrou-se crítico da CEDEAO.
A resolução vai pedir a reposição imediata da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral guineense, interrompido com o golpe de Estado de 12 de abril. Os eurodeputados apelam ao respeito pela integridade física de todos os funcionários públicos e cidadãos sob alçada dos militares autores do golpe.
O eurodeputado Paulo Rangel, um dos autores do documento, reconhece que a resolução do Parlamento Europeu não chega para solucionar o problema, mas constitui um passo porque legitima um mandato para outras ações.

DW África: O que é que se pode esperar desta tomada de posição formal do Parlamento Europeu?

Paulo Rangel (PR): 
O que se pode esperar, no fundo, é uma coerência total entre as instituições internacionais quanto à atual situação de ilegitimidade política que se vive na Guiné-Bissau.
Eurodeputados exigem o restabelecimento da ordem constitucional na Guiné-Bissau
Eurodeputados exigem o restabelecimento da ordem constitucional na Guiné-Bissau
Nós já sabíamos que a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a própria União Europeia (UE), através da Comissão, tinham tido um papel muito importante na definição de uma situação de ilegalidade, uma espécie de golpe de Estado constitucional que interrompeu um processo eleitoral e interrompeu uma trajetória, que foi uma trajetória extraordinária de recuperação a que assistimos, no último ano e meio, na Guiné-Bissau. Quer o trabalho político quer o trabalho de desenvolvimento económico e social foram interrompidos. E portanto, há que denunciar isto.
Por outro lado, há aqui um aspecto que também é muito importante, que é o de condenar, criticar o papel que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) tem tido aqui. Para além deste convite a que a CEDEAO possa, ela própria, ter um papel de restauração da legalidade democrática, porque tem sido, apesar de tudo, um pouco complacente com a situação), é  fundamental  restaurar do apoio humanitário e do apoio ao desenvolvimento à Guiné-Bissau.
Devemos fazer uma grande pressão internacional para repor a legilimidade, para que este golpe de Estado seja, no fundo, afastado e para que os candidatos que estavam a concorrer à presidência e o primeiro-ministro e Presidente interinos voltem, de novo, ao território da Guiné e à governação. Mas isso não deve interferir com a capacidade de ajuda e de apoio à população porque a população está a sofrer imenso.
O eurodeputado Paulo Rangel, no apoio do Partido Social Democrata durante a campanha eleitoral das eleições legislativas de 2009
O eurodeputado Paulo Rangel, no apoio do Partido Social Democrata durante a campanha eleitoral das eleições legislativas de 2009
DW África: Referiu a uma coerência total, mas há uma disparidade de avaliações nomeadamente entre a CEDEAO e outros parceiros como a CPLP, a ONU ou a União Africana (UA). Será suficiente fazer-se o convite à CEDEAO para que não legitime um governo e as autoridades que sairam de um golpe de Estado ou será preciso fazer mais?
PR: A adoção pura e simples de resoluções internacionais é sempre essencial para dar um quadro legal de atuação às instituições. Ou seja, é importante que o Conselho de Segurança da ONU, que a UA, que a CPLP, que a UE tomem decisões e que as tomem por escrito sob a forma de resolução para terem, no fundo, um mandato para atuar. Mas depois não podem as consciências ficar descansadas com a aprovação da resolução. O que vamos fazer a 13 de junho, é apenas um primeiro passo. É fundamental que os países da CPLP, nomeadamente Portugal, Angola e o Brasil tenham um papel de pressão sobre os países da África Ocidental. Assim como a UE e o próprio Conselho de Segurança da ONU, designadamente através de alguns dos seus membros mais relevantes (como os Estados Unidos e a China que tem hoje um papel relativamente importante em alguns países africanos) possam usar os seus bons ofícios e a sua capacidade de pressão e de influência internacional para levar a CEDEAO a mudar o seu caminho. Isso é essencial.
Carlos Gomes Júnior foi o candidato mais votado da primeira volta das eleições presidenciais, que foram interrompidas antes do segundo turno pelo golpe de Estado
Não basta haver resoluções. Mas sem resolução também não há mandato para as instituições atuarem. E, portanto, a resolução é extremamente importante no sentido da definição de uma posição da comunidade internacional.
DW África: E ao nível bilateral, o que é que pode um país como Portugal fazer para ajudar a Guiné-Bissau a sair deste impasse?
PR: Eu creio que, particamente, aqui há dois países que têm uma posição ímpar: Portugal e Angola, porque Angola tinha a Missang, que estava com uma missão de assistência técnico-militar [na Guiné-Bissau], com um papel muito relevante. Aliás um papel que se refletia neste progresso, porque o que aqui é verdadeiramente extraordinário é que a Guiné-Bissaau, para além de estar a desenvolver um quadro democrático, pela primeira vez estava, de fato, com índices económicos e sociais em melhoria absolutamente visível. E este processo, com certeza com este golpe, vai ficar parado. E isso é que é trágico neste contexto.
O Parlamento Europeu pretende que o processo eleitoral guineense seja concluido
Penso que Portugal e Angola têm um papel muito importante. Mas é fundamental que estes dois países não apenas atuem sobre os atuais dirigentes da Guiné-Bissau mas os dirigentes que estão, neste momento, de fato, com o poder nas mãos, mas sobre os países da África Ocidental, países que têm um papel relevante, como o Senegal, Gâmbia, Nigéria e outros como a Guiné Conacri ou a Guiné-Equatorial. Nós podíamos, de fato, ter aqui um conjunto de parceiros sobre os quais devíamos atuar diretamente. Portanto, disso não há dúvida.
Julgo que, apesar de tudo, o papel de Portugal, por um lado, pode ser muito facilitado se tiver esta cobertura da UE. E por isso nos empenhamos tanto em que não só a Comissão mas também o Parlamento Europeu tivesse uma posição claríssima sobre este assunto, porque é evidente que um país como Portugal terá uma capacidade de pressão maior sobre os países da África Ocidental, que têm uma palavra a dizer nesta questão, se vier com a cobertura, a legitimidade da União Europeia.
O novo governo interino da Guiné-Bissau colhe o apoio da CEDEAO mas é contestado por outras organizações internacionais como a CPLP e a ONU
E o mesmo vale para Angola, no que diz respeito à União Africana. Então, no fundo, são uma espécie de catalizadores destes esforços.
Mas a situação é extremamente complexa, há que reconhecê-lo, por isso é que existe também este último considerando da resolução que é extremamente importante (e sobre o qual eu tenho insistido a propósito de outros casos de emergência humanitária). Mesmo quando há uma situação política extremamente adversa e que merece ser verdadeiramente censurada e até boicotada, nós não devemos suspender a ajuda humanitária nem a ajuda direta às populações, porque esses cortes não contribuem, de maneira nenhuma, para facilitar a situação, no próprio terreno político. E portanto, não deve ser a população que deve ser refém deste tipo de golpismo e de instabilidade política. E por isso, o trabalho humanitário e de desenvolvimento deve continuar, mesmo neste quadro político irregular.

Autora: Helena Ferro de Gouveia
Edição: Glória Sousa / António Rocha
fonte: DW


A Missang e a vitória da inteligência.

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A Palavra do Director
Filomeno Manaças
A Missang e a vitória da inteligência

 1.O regresso dos efectivos da missão militar angolana na Guiné-Bissau é agora um facto consumado. Todas as tropas e equipamento que estavam em território guineense, no âmbito do acordo firmado com as autoridades daquele país antes do golpe de Estado, estão em solo pátrio.
Muito antes mesmo do golpe de Estado militar na Guiné-Bissau as autoridades angolanas já haviam decidido a retirada unilateral dos efectivos da MISSANG, face ao clima de animosidade que se instalou, fomentada por sectores políticos e militares guineenses. A declaração nesse sentido produzida pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chicoti, corroborada por um comunicado do Executivo sobre a questão não deixava dúvidas em relação à decisão de Angola se manter distante das convulsões políticas que se adivinhavam na Guiné-Bissau e que punham em causa a continuidade da cooperação entretanto encetada ao nível dos sectores da defesa e da segurança.
O golpe de Estado de 12 de Abril na Guiné-Bissau veio criar uma situação de impedimento à saída de facto da MISSANG, entretanto formalmente já anunciada, e passou a constituir um novo desafio para os efectivos da missão, já que as forças golpistas utilizaram como um dos pretextos para a tomada do poder a presença dos militares angolanos, distorcendo intencionalmente os objectivos do protocolo assinado entre os ministros da Defesa dos dois países, complementar ao acordo firmado pelos dois Governos e ratificado pelos respectivos Parlamentos.
O novo desafio para a MISSANG e para Angola passou a ser a gestão do clima de animosidade e de provocações que se instalou, com o claro propósito de criar uma situação de insustentabilidade que levasse os efectivos angolanos a terem de reagir. A série de peripécias que se seguiu ao golpe de Estado protagonizado pelos militares guineenses em 12 de Abril, em que não faltaram tentativas para criar pretextos para incidentes com o efectivo angolano, de modo a justificar a intenção mal disfarçada dos golpistas em quererem apoderar-se do seu equipamento, permite afirmar que as autoridades angolanas souberam conduzir com elevada maturidade a situação de crise criada pelas forças golpistas e abortar os desenvolvimentos que as mesmas tinham projectado.
O regresso incólume dos militares é, pois, mais uma vitória da diplomacia angolana que, com paciência, inteligência e determinação, soube evitar as tentativas de envolvimento da MISSANG em escaramuças inúteis na Guiné-Bissau, ela que foi para o território guineense com o propósito nobre de ajudar na reestruturação das forças armadas, com o objectivo desta melhor servir o desenvolvimento económico e da democracia naquele país irmão.
Em todo este processo a intervenção do Presidente José Eduardo dos Santos não pode ser ignorada, pela forma determinada como Angola soube defender e reafirmar as suas posições junto dos países membros da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO), pelo apoio incondicional que granjeou de imediato no seio da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e pelas tomadas de posição de condenação inequívoca do golpe de Estado por parte da União Africana, da União Europeia e do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
2. A Cimeira Extraordinária da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que Luanda acolheu nos dias 31 de Maio e 1 de Junho, trouxe a público uma nova proposta de reflexão sobre o futuro a longo prazo da organização, mais concretamente sobre a evolução que deve seguir. “Nota Conceptual” é a designação do documento sobre o assunto, na qual o Presidente José Eduardo dos Santos propõe uma reflexão alargada ao mais alto nível sobre a visão e os objectivos estratégicos da SADC num horizonte de 50 anos. O conceito sobre a elaboração da “Visão 2050” da SADC traduz a preocupação em alicerçar melhor os pressupostos para o desenvolvimento da comunidade, numa perspectiva comparativa com os principais acontecimentos políticos, económicos e sociais que marcam actualmente o continente africano e o mundo em geral. Sem dúvida uma proposta que visa tornar mais sólidas as bases de desenvolvimento da Comunidade assente sobretudo na estabilidade da África Austral e particularmente de cada um dos países que integram a organização. 

fonte: Jornal de Angola

CPLP estuda em Luanda equivalência de diplomas.

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Ministros reflectem sobre o desenvolvimento de parcerias para troca de informações de políticas sobre tecnologias
Fotografia: Kindala Manuel
A ministra angolana do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia defendeu ontem, em Luanda, o aumento da cooperação entre instituições responsáveis pelo reconhecimento de graus académicos no espaço dos oito países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Cândida Teixeira, que falava na abertura de uma reunião de peritos da CPLP, sugeriu maior interacção entre as instituições de Ensino Superior, institutos, centros de investigação científica dos países-membros e a participação em financiamento de projectos conjuntos sob orientação do secretariado do centro para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Os ministros do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia da CPLP concertam hoje, em Luanda, posições para a definição de instrumentos específicos para o desenvolvimento desses sectores nos países-membros. 
Os representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste vão ainda debater assuntos relacionados com o reforço da cooperação dos sectores que dirigem e avaliar o grau de cumprimento das políticas de Ciência e Tecnologia dos países-membros. Cândida Teixeira pediu ainda aos peritos para avaliarem o nível de participação dos países-membros no Centro de Excelência em Ciências Básicas de Nível II para a formação avançada de cientistas de países de língua portuguesa recentemente criado sob a égide da UNESCO. 
A ministra angolana do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia sugeriu uma reflexão sobre o desenvolvimento de parcerias que visam o estreitamento de relações para o conhecimento e troca de informações relativas às políticas de Ensino Superior e de Ciência e Tecnologia e Inovação na comunidade.

Centro de excelência


A reunião que ontem terminou analisou a proposta de criação de um plano estratégico de cooperação para o Ensino Superior, Ciência e Tecnologia da CPLP, o estado de cooperação entre as entidades responsáveis pela avaliação e acreditação de instituições, cursos de ensino superior e reconhecimento de diplomas em cada país-membro. Os especialistas analisaram ainda a criação em Angola do Centro de Excelência em Ciências Básicas de Nível II, sob a égide da UNESCO, para a formação académica superior na África subsariana. Os peritos analisaram também as áreas de cooperação intra-comunitária, como as alterações climáticas e a observação da Terra, agricultura e segurança alimentar, ciências biológicas e saúde energias renováveis.

fonte; Jornal de Angola

A África vista pelo Ocidente é tema de teatro na Alemanha.

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Cena da peça "Lua Africana"

O teatro alemão Krefeld- Mönchenglabach inicou a série "Teatro além da Europa" há dois anos. Após o Irão, chegou a vez de África. Está representada na peça “African Moon” ou “Lua Africana”, do autor Gabriel Gbadamosi.
Não há negros na peça "Lua Africana". Esta não é uma história sobre África, mas sobre brancos que vão para África. Ela conta quais são os preconceitos que levam na bagagem e como estes mudam, passado algum tempo.

Nem sequer a música é africana, mas da autoria de afro-americanos com uma visão ocidental sobre o continente. É o caso da cantautora Tracy Chapman.

Um dos protagonistas chama-se Martin, um alemão com negócios obscuros em África, que durante a peça retrara a realidade que encontra: “aqui se casas e tens um filho, de repente, tens a resposanbilidade por 20 crianças e as suas famílias. O menino no pátio com moscas nos olhos. Quem precisa de dinheiro, pede-te emprestado. Aqui, o Martin insignificante da província alemã tornou-se num grande homem, muito respeitado!"
Cena da peça "Lua Africana"
Cena da peça "Lua Africana"
Na peça Martin dá a crianças africanas medicamentos falsificados, porque precisa do dinheiro. O homem de negócios queria enriquecer para valer mais aos olhos dos africanos. Por causa dos medicamentos as crianças adoecem. A doença chama-se “African Moon” ou “Lua Africana”. Mas o título da peça também alude aos lugares comuns do imaginário africano na Europa, como o pôr-de-sol e o safari.

Sucedem-se outros europeus como a ingénua Dora e um jornalista apostado em fazer o bem em África.

Uma história real

Gabriel Gbadamosi, autor da peça, é filho de pai nigeriano e mãe irlandesa. Vive em Londre com a família. Como repórter, especializado em economia e corrupção, viajou por toda a África. Esta experiência é incorporada na peça.

O autor explica que "a segurança e a distribuição de medicamentos são problemas sérios em África. Na Nigéria, 80% dos comprimidos são falsificados e agravam as doenças. Em todo o continente, o número correspondente é de 50 a 80%. Os medicamentos falsos são produzidos na China e na Indonésia. É um problema enorme e por isso escolhi-o como tema da minha peça".
Gabriel Gbadamosi é o autor da peça "Lua Africana"
Gabriel Gbadamosi é o autor da peça "Lua Africana"
A série “Teatro além da Europa” em  Krefeld-Mönchengladbach é uma ideia do director Matthias Gehrt. Durante vinte anos o encenador trabalhou em teatros de todo o mundo, em Lagos, na Nigéria, no México e no Sri Lanka.

As pessoas que conheceu na profissão são a base do projeto invulgar que desenvolveu nas cidades de Krefeld e Mönchengladbach. E os temas que assim chegam à província alemã também não são evidentes. "Granizo sobre Zamfara", por exemplo, é uma peça africana de Sefi Atta que fala da lapidação.

Para a concretização deste projeto, Matthias Gehrt explica que “dá muito trabalho organizar a vinda de autores de fora da Europa, que têm uma cultura totalmente diferente da nossa. Mas nós queremos o confronto com a estética e a tradição dos outros. Este choque das culturas, este encontro intercultural para o público dá-se na sala do teatro”.

O diretor de teatro conta que já surgiram inumeros mal-entendidos, “porque não é apenas uma língua diferente, são outras culturas”, explica. No entanto, “o desafio é aliciante: atores alemães interpretam literatura não europeia para um público alemão", conclui Matthias Gehrt.

Autores: Dorothea Marcus / Cristina Krippahl
Edição: Glória Sousa / António Rocha
fonte: DW

sábado, 9 de junho de 2012

ARTIGO DE OPINIÃO: A INDIFERENÇA DE UM POVO PELOS SEUS LÍDERES..

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

O Povo da Guiné-Bissau, de tão civilizado do ponto de vista da sua tolerância, à má liderança dos seus líderes, tem mantido um comportamento cívico exemplar, de um lutador que nunca lança a toalha ao chão. Sempre que é chamado às urnas, interrompe a vida para respirar a “liberdade” e sua justiça nas escolhas, exercendo humildemente o poder do voto, como um povo maduro, resistente, forte, capaz, independente, revolucionário, livre, corajoso, respeitador, ordeiro, tolerante e de brandos costumes, para mais uma vez, ver frustradas as suas expectativas, adiadas as suas escolhas, sempre pelos mesmos fracos da política nacional, que provaram não ter capacidades para levantar o País do estado em que se encontra física, cultural e socialmente. Um Povo que normalmente tem participado nas eleições livres, mas que logo a seguir vê frustradas e a morrer, toda uma esperança de mudança para uma vida melhor e mais digna, uma realidade muito triste, que persiste colada aos destinos dos Guineenses, desde a independência política do País.
Um povo sóbrio que sabe bem o que quer, sabe também até onde pode confiar ou desconfiar dos seus lideres, mas estando nas mãos de fracos cuidadores dos destinos da Nação, e por isso já espera quase nada destes homens, que apenas sabem tratar de si próprios, crescerem à custa do Povo. Há décadas à frente dos destinos do País, estes líderes mostraram muito pouco sucesso nas governações até hoje, com poucos resultados práticos. Temos um Povo cansado, frustrado, que se foi distanciando e procurando tomar conta de si, no quotidiano do trabalho duro. Um Povo que vive com desprezo quase total pelos líderes, que não se orgulha dos políticos que tem, mas que labuta de sol a sol para matar a fome com a dignidade possível, num País transformado num fracasso, pelas más políticas, corrupção, impunidade e desconfiança acentuada nas Instituições. Guiné-Bissau, Terra de Sabura (boa), hoje transformada num território afectivo onde encontramos algumas tristezas e lutos de difícil resolução, mas que com esperança, acreditamos ainda, que não há mal que não acabe, haverá sempre caminho novo, uma esperança nova, como também pessoas novas e renovadas para continuar este País dos antigos (dos nossos avós) sem pestanejar e com fé no progresso e nas vitórias.
Tantas vezes que o País esperou, desesperou, tem tantas frustrações acumuladas, que hoje não sabe em quem confiar, olha com indiferença para alguns líderes políticos e militares. Compreende, mas não aceita, de tanta desgraça derivada da má política e dos sucessivos conflitos entre a classe militar e a política, adoptou uma postura curiosa, como quem olha para uma montra e, com dinheiro no bolso, não quer comprar. Assim olha para alguns políticos e militares, sem os apreciar positivamente no que fazem ou projectam para o País. Não se importava de meter alguns no mesmo barco e mandá-los para “Angola” ou para outro sito qualquer. Está cansadíssimo de enganos propositados, corrupção e mentiras, por isso hoje já vive como se não prestasse atenção ao que se passa no País e sua política. O que é sinceramente uma pena, esta falta de qualidade humana e intelectual constatada na classe política, uma falta de carisma e competência dos escolhidos por influência tendenciosa para liderar, que se repetem na elite do poder, sendo constantemente preteridos os melhores, por culpa desta realidade mafiosa desgastante, persistente obstáculo que veio para durar, mas que pelos vistos parece já tem os dias contados, para o bem de todos nós.   
Por estas e por outras razões se instalou a desconfiança em relação aos líderes, vamos reconhecendo um Povo que faz a sua vida sem olhar para o lado ou à espera de ajuda que seria bem-vinda, porque perdeu a esperança e não acredita mais em promessas dos políticos. Hoje, mais do que nunca, habituado a “desenrascar” pela vida, como se os líderes e suas “ordens” não existissem mais, pois este Povo está farto de ver repetirem-se os mesmo erros de palmatória, por isso, como última alternativa segue o seu destino trazido na ponta da língua ou na da palma da mão, confia nas suas pernas e braços, não confia mais em fantasmas vindo da boca de políticos, que mais parecem perder o juízo cada vez que abrem a boca com promessas. Muitas vezes foram enganados, já não esperam mais e sabem de cor o destino natural dos percursos de vida a tomar, para não morrer à fome, pensamos ser este um dos motivos na luta da sobrevivência deste Povo, que conduziu ao descrédito vivido hoje em relação aos líderes Guineenses.
No dia a dia segue um trajecto como programa para matar a fome, cada dia que passa acredita menos nos políticos e militares Guineenses. Nas suas cabeças a revolução morreu ontem, só os “reaccionários” estão no velório a fingir que choram pelos símbolos de outrora com significados vitais da luta, como um Povo habituado a vencer sempre, hoje quase pedinte de tudo, tudo esperam que venha de fora para dentro, mas porquê, perguntámos.
Quem somos afinal, porque querem transformar o Povo numa massa de gente desacreditada no mundo. Não pode ser e é preciso um corte radical com os maus, estarmos ligados à esperança, com projectos credíveis, com resultados objectivos diante dos olhos. Vamos tratar de vida porque ninguém vive duzentos anos, vamos acreditar que vencemos toda esta crise com raízes profundas no tempo, passou da infância para um estado adulto de fracassos acumulados e frustrações, são mais de trinta anos de pára arranca, na casa das “máquinas” não se vê uma viva alma para explicar porque falhamos sempre, e porquê, se fomos sempre um Povo lutador e senhor do seu nariz, alguém acredita nisto como sendo nosso destino, penso que ninguém de bom senso acredita nesta morte anunciada, havemos de provar com persistência e firmeza que somos capazes.·
Somos um Povo em vias de desenvolvimento tecnológico, sabemos bem deste nosso “rótulo”, porque os políticos, de tantas vezes que falharam não inspiram confiança, e este povo convenceu-se que consegue viver sem maus lideres, porque estes não fazem falta, dizendo de boca cheia que  para chatear, já basta uma vida difícil de suportar, o que quer é viver, trabalhar em paz, porque sabe que são como crianças abandonadas, manipulados por oportunistas nacionais e estrangeiros, entregues à sua sorte.
Somos um Povo que quase dispensa grande parte dos seus líderes, acredito que se pudesse, hoje metia-os quase todos no mesmo barco e exportava-os para um “curso” de formação intensivo numa "tribo” de verdadeiros nativos da terra, quem sabe num lugar com função terapêutica a partir de regras para estimular amor e respeito à Mãe-Terra. Um curso com um programa especial a começar pelo celibato, ausência de dinheiro vivo e de cartões de crédito, proibição de roupas de marca, manutenção da vida feita pelos próprios, sem ar condicionado nas “casotas”, sem nada de topo de gama, onde fosse proibido falar qualquer língua viva, somente permitido o uso de mímica e expressão gestual, e assim, talvez aprendessem a parar para pensar e aprendam a pôr-se na pele do Povo, daqueles que dizem saber representar e, só os “lixam”, talvez os "recuperados" da obsessão pelo poder ou dos vícios de vida e dinheiro fácil, fosse visível depois num bom resultado final esperado. Um resultado que traduzisse a consciência do profundo respeito pela vida humana, seus valores universais que se deve ter consciente quando se é líder e não só, o que parece não distinguirem alguns trapalhões desta elite de governantes desde a independência.
Neste “estágio” fantástico, os que conseguissem chegar ao fim do “curso”, eram os renovados filhos da terra, estariam de regresso à casa, depois de um juramento em que se comprometem de facto a permanecer "alérgicos" às riquezas do Povo e nunca mais ser líder diante dos nossos destinos. Só depois seguiam viagem, penso e sem me rir tanto, que era capaz de valer a pena este esforço para ajudar alguns maus lideres no País, e sem comentários, há, há, há, e esta hem!
Mas temos um Povo grandioso que se habituou a golpes e contra-golpes de Estado, vai fazendo a sua vida pensando na família, no seu sustento do dia a dia. Esta gente rija que se levanta com o sol e trabalha o dia inteiro ganha a vida com suor e trabalho. Merecia maior respeito e protecção, porque tudo que tem é honesto e digno, fruto do suor que lhe sai do corpo, enquanto alguns, do poder, roubam, esbanjam, transferem para suas contas pessoais no estrangeiro, e se vendem aos senhores mais ricos, com preços de saldo em quase tudo, sem olhar o rosto da Mãe-Terra que é constantemente prejudicada.
Hoje e infelizmente, bateu-nos à porta mais uma desgraça, o País em situação de conflito político/militar. Uma teimosia compulsiva que assume o pior diagnóstico de situação vivida no País e no estrangeiro, mais uma vez uma repetição que afasta a nossa imagem do modelo progressista das sociedades modernas, independentemente dos motivos ou razões apresentadas, uma vez que presume-se num diálogo racional que nada pode levar a um desfecho desta natureza Institucional (golpe de estado).
Devemos acreditar em nós, melhorar a auto-estima a partir dos melhores exemplos na nossa sociedade, porque temos mulheres e homens com carisma e bom comportamento, pessoas de bem e capazes de fazer melhor, temos alguns exemplos espalhados no mundo e dentro do território nacional. Aqui deixo um belo exemplo de um Homem bom, que nos deixou há bem pouco tempo, subindo um degrau acima de nós todos.
O nosso falecido Presidente Malam Bacai Sanha, distinguido com o Prémio da Fundação Chrans Montana, atribuído em Março deste ano. O seu nome figurando entre personalidades como Yasér Araffat, Nelson Mandela, e outros, é uma prova provada e mais do que evidente, óbvia, perante qualquer sentido de interpretação humana possível, reconhecemos sempre um Homem de Paz.
Estamos perante um símbolo gigante, de que poucos deram conta aquando da sua passagem terrena, apenas alguns o sabiam, sentiram, o quanto o nosso falecido Presidente Malam Bacai Sanha, que Deus tem, afinal lutou com todos os "fantasmas" da mentalidade malvada do guineense, para evitar confrontos desnecessários, "guerrinhas" pelo poder e outras manobras menos dignas para a nossa imagem de Estado de Direito.
Enquanto que com o seu "peso" e estatura de grande Combatente da Liberdade da Pátria, honrando princípios de carácter, que dignificaram o nosso bom-nome. E logo que tombou toda a gente reparou, que rapidamente emergiu o que afinal sempre “calcou” debaixo dos pés.
Afinal, tudo o que era tão mau, lhe coube debaixo dos pés. Este homem conseguiu em silêncio quase absoluto, travar, desviar a podridão de algumas mentes, enquanto assumiu como prioridade o avanço do desenvolvimento do País, para posteriormente passarmos a cobranças difíceis em cede própria, mas com o grande comboio sempre em andamento.
Ninguém tem dúvidas desta grandeza de alma e coração de um estadista, que em plena "rua" envergava sempre que preciso, palavras de reconciliação, no meio da discórdia e com um único objectivo, Paz para a Guiné-Bissau.
Somente um homem com conhecimento dos verdadeiros princípios de orientação de Amílcar Cabral, permanecem firmes e fiéis aos seus objectivos traçados desde a luta de libertação e, Malam Bacai Sanha foi um deles, lutou até ao último segundo de combate pela Vida/Guiné-Bissau (somos todos testemunhas disso).
Este prémio não é mais do que uma certeza de que temos valores que ecoam além fronteira, apreciados pelos vizinhos e internacionalmente. Temos aqui uma referência que fez história, é verdade que somos capazes e quem não pensa assim, não sabe sequer o que sabe acerca da Guiné-Bissau.
Chegou a hora de pararmos com inveja mesquinha, chegou a hora de pararmos com o culto da mediocridade, e de nivelar por baixo, chegou a hora de pararmos este ciclo de escolhas e preferência alienadas e reaccionárias. Devemos pautar por uma nova conduta, optar pela Meritocracia na Sociedade Guineense, implementar no terreno um desenvolvimento sustentado, assumir de uma vez por todas pelo uso de liberdade de expressão sem represálias, mas com responsabilidade dos seus actores, justiça e reconciliação entre os Guineenses, Justiça e prática do perdão entre nós, objectivamente cultivarmos a unidade como padrão positivo na luta pelo progresso social, acabando com os complexos e alienação cultural ou outros pré-conceitos igualmente maus.
Todos juntos devemos cultivar uma postura flexível no meio de nós. Uma solidariedade positiva e capaz de isolar uma inter-dependência que leva normalmente a que não haja progressos colectivos ou a que não se cultive uma capacidade de escolher com isenção o melhor para nós.
Há um mês atrás publiquei neste site – www.didinho.com – um artigo de opinião com o título: “Uma reposição obsessiva, é simplesmente impossível”, hoje devo acrescentar que em Dialéctica nada permanece inalterável, estático, eterno ou permanente no seu estado (mental ou físico) de origem. A natureza humana é na sua essência uma estrutura permanente e dinâmica, que mantém um movimento dialéctico e vital. Presume-se não fazer sentido pormos a hipótese de voltar à "estaca" zero, neste processo que levou ao golpe de Estado na Guiné-Bissau. Um "filme" que não sendo possível mais fazê-lo retroceder na sua fita de origem, a única possibilidade inteligente é tentarmos saltar para o comboio em andamento e, não tentar travar ou empurrar no sentido contrário em que se encontra posicionado a cabeça em relação à sua cauda...
Repare que é muito mais fácil neste momento apanharmos este comboio no ponto a que já chegou, na estação nova da presente conjuntura e situação do País, do que, querer ver o comboio voltar para trás, para parar no sítio de onde foi "desviado" do seu destino anterior, acarretando todas as consequências de uma possível resistência militar por parte das nossas forças armadas, que poderá provocar um banho de sangue sem vitórias absolutas para nenhuma das partes em conflito, guerra é guerra não é festa.
Neste xadrez, há quem não tenha nada a perder, porque o próprio está centrado apenas na "recuperação " dos seus bens materiais na Guiné-Bissau. Pouco lhe importa o que pode vir a acontecer de muito mau se houver uma guerra, isto é, só pensam em recuperar tudo o que até aqui juntaram, embora estando alguns desses bens materiais sendo postos em causa neste momento e de viva voz na praça de Bissau.
Para alguns é uma situação de vida ou de morte (político, económico, ou até fisicamente), mas, há que lembrar que nem todos trazem a corda ao pescoço ou nos pés, para estes inocentes, não é uma situação de vida ou de morte. Porque não temos todos que assumir um mesmo destino, ou partilhar este em particular, só.
Daí que volto a repetir-me, "Uma Reposição Obsessiva, é Simplesmente Impossível" e, convido o leitor a reler as palavras gastas deste artigo de opinião, que com muito gosto, deixo um enorme abraço Guineense e de reflexão por minhas palavras.
Penso que a situação que se vive na Guiné-Bissau, é em si muito perigosa, requer cuidados redobrados, embora tendo que anotar o valor subjectivo do hábito de reacção deste Povo, habituado a golpes de Estado, uma realidade que pode influenciar a percepção de um observador pouco experimentado na sua conclusão. A título de exemplo, imaginemos um golpe de Estado pela primeira vez num País, o ambiente que se iria viver era completamente imprevisível, com a variável do medo, pânico, agitação que seria naturalmente superior (elevado), comparado com um País como a Guiné-Bissau (com uma experiência elevada nesta matéria) que já viveu esta realidade mais do que uma vez.
Por isso para evitarmos um falso diagnóstico desta situação de ansiedade que se vive no meio ambiente, devemos manter no terreno observadores experimentados do ponto de vista de conhecimento do meio social e cultural Guineense, evitando assim um falso diagnóstico da situação concreta vivida pela população, com o objectivo profiláctico mais adequado a situação e suas diferenças.
Tendo em conta que certos índices de ansiedade ou de perigo típicos evidenciados numa situação de golpe de Estado, variam nas suas reacções, tendo em conta o número de vezes que o País em causa se vê perante este confronto, podendo ser confundida a descontracção observada no quotidiano das populações, chama atenção esta variável que deve ser isolada e considerada, numa análise global da reacção da sociedade guineense numa situação pós Golpe de Estado, uma vez que as populações já convivem com esta situação como peixe na água, podemos confundir a sua descontracção com uma ausência de perigo no meio ambiente.  
Num País como o nosso, podemos esperar uma reacção de pânico muito inferior àquela que registaríamos numa população que nunca viveu uma experiência do género. Países que nunca viveram esta realidade, não seriam comparáveis à Guiné-Bissau que já viveu muitas situações idênticas de golpe de Estado, digamos que já está “calonisado”, daí que o Povo quase que reage com naturalidade, e normalmente no dia seguinte já se vêem pessoas a tratar de vida como se nada fosse, vivendo com “descontracção”, cada um fazendo a sua vida sem receios evidentes ou à “vista” desarmada, mas, quem conhece a sociedade Guineense, saberá tirar elações fiéis ao seu estado de espírito íntimo e real. Não basta só dizer que tudo já passou, não há mais o perigo de voltar a acontecer, há que pensar, investigar e analisar todos os focos de instabilidade social no País.

Portanto, a aparente calma no País pode não corresponder a uma ausência de “perigos” no ambiente social, principalmente em Bissau, um palco inevitável dos confrontos em todas as vezes que houve golpe de Estado no País.

No mundo actual assistimos a guerras que nos provam da nossa incapacidade de resolução por via da palavra (racionalidade), olhamos à volta e registamos cenários tristes com incontáveis cadáveres de civis inocentes vitimas dos “senhores” da guerra. Há e com muita evidencia na comunicação social, imagens que provam a crueldade, agressividade, violência, medos, terrorismo, criminalidade, abuso de direito, crimes e mau senso, situações descontrolados entre lideres que supostamente deveriam ter capacidades especiais dum ser humano equilibrado, gente com formação cultural e política suficientes para dirigir com justiça e isenção os destinos do Povo, mas, que muitas vezes temos alguns psicopatas no poder, os piores filhos, de mau carácter a mandar em gente boa e são na maior parte das vezes e, sacrificando o Povo.
Temos acompanhado a situação na Síria, um povo selvaticamente sacrificado com toda a crueldade que se possa imaginar, velhos, crianças, gente inocente a morrerem. Vemos estas imagens chocantes na comunicação social e, como se não bastasse, pouco utilizamos esta realidade actual, para reflectir, evitando o semelhante no nosso País.

Não podemos continuar a pensar que o que é mau só acontece aos outros, não, trata-se daquilo que somos capazes de fazer uns aos outros, por isso é frontal para nós a guerra que se vive em certos pontos do planeta, com seres humanos barbaramente assassinadas, uma realidade obviamente cruel, fatal e profundamente injusta como acontecimento social no mundo. Mas nós na Guiné-Bissau conhecemos uma certa realidade no que concerne aos crimes cometidos e que continuam impunes no País, e mais, a nossa experiência de golpes de Estado, devemos saber prevenir e bem, evitando o pior.
Por isso há que evitar uma paz podre, afastar políticos menos bem preparados ou sem sensibilidade para apreender das necessidades do colectivo (Povo) os elementos essenciais para uma análise eficaz das suas conclusões tiradas.
Queremos políticos que não estão centrados só no seu umbigo, no seu egocentrismo maquiavélico e "barato", os maus políticos à frente dos nossos destinos, exercendo mal o poder sobre todos nós, queremos os melhores na linha da frente, com gente capaz e com provas dadas.
Porque havendo um perfil criminoso num líder, os riscos que se correm são sempre de uma imprevisibilidade muito grande, podendo verificar nos patamares da vida social, como um crime económico contra o Estado, contra a vida humana, com corrupção ou tráfico de influência que acaba sempre por perverter o aparelho de Estado.
Sendo que devemos abrir bem os olhos, estar atentos, fazendo uma profilaxia e funcionando como um sistema de prevenção primária nos crimes desta natureza e, outros que neste momento é urgente um controle na Guiné-Bissau, no sentido de evitarmos mais conflitos (para não avançarmos inconscientemente para uma guerra), corrupção e tudo que for mau para este Povo.
É preciso isolar a loucura e com a "outra" parte de nós, a melhor parte, pensarmos positivo, ter auto-controle nas nossas decisões, assumirmos os erros e avançar com menor probabilidade de repetir os mesmos erros, só.
Sobretudo substituir os lideres quando não dão conta do “recado”, não permitir a sua continuidade no cargo que ocupam, dar a oportunidade a outros, e assim sucessivamente até se confirmar um que seja de facto melhor, bom no exercício da sua liderança e produção profissional. Este Povo sofredor merece melhor destino, um bom amparo e protecção dos seus líderes e não uma falsa orientação sem proveito próprio das suas próprias riquezas materiais.

Vamos aprendendo a distinguir as pessoas pela sua competência, sensibilidade, amor-próprio e conhecimento científico e sabedoria. Ainda temos um bom exemplo para reavaliação no terreno, desta interacção triangular entre os nossos militares, a missão Angolana e o Parlamento da G-B. Aguardamos todos por um final feliz no futuro próximo das relações entre os dois Países. Devemos continuar em estreita colaboração nas várias áreas do desenvolvimento científico e tecnológico, torna-se necessário uma ultrapassagem rápida de certos obstáculos entre Países soberanos, as diplomacias têm muito trabalho a fazer e, acabar com certos complexos mafiosos em certos líderes ou pré-conceitos que não servem os interesses superiores dos nossos dois Estados.

O último defeito de alguns líderes angolanos na sua visão ou "Angolanidade" é quererem ser maiores do que a própria Angola do Povo, eventualmente inspirados num sentir megalómano a partir do seu poder económico e financeiro evidente ou em potência. Mas, esquecendo que o dinheiro foi feito para contar, que não compra tudo, sobretudo o que não está a venda.

Este enorme País irmão da Guiné-Bissau, Angola, um imenso território físico com uma riqueza cultural e material incomensurável, melhor dito, é maior do que o próprio pensamento, sendo que, os dois Países irmãos merecem cuidados a triplicar, tanto na ponta dos lápis dos seus lideres, como na capacidade de reflexão e dos comportamentos políticos com que visam traçar, projectar, administrar os destinos do Povo enquanto legítimos herdeiros das suas riquezas naturais do solo e subsolo (os donos da terra).

Contudo, é bom que políticos como o Dr. Jorge Chicoty, não subestimem Países pequenos no “tamanho”, mas de uma grandiosidade como realidade histórica, cultural e política, igualmente gigantes no contexto nacional e internacional, porque à partida não se devem comparar “coisas” diferentes, porque estaremos a praticar uma descriminação, o que naturalmente fica muito mal numa visão global e portanto deve ser evitado, só.

É preciso parar e repensar certas políticas, abandonar imaginação “elástica” que chegou a poisar em terreno alheio (Guiné-Bissau), trazendo nos bolsos "recados" de padrinhos, régua e esquadro para uma nova "medição" em terreno alheio, na casa dos outros, naquilo que é do Povo Guineense. Não pode ser, haja respeito e pudor, estes políticos de ambos os lados, que tomem muito cuidado porque prestam um mau serviço muitas vezes, pensando que só eles sabem dos seus próprios esquemas mafiosos. É preciso usar a experiência com conhecimento de certas condutas intrínsecas a cada País, sem “branquear” na essência uma realidade histórica, dos usos e costumes de um Povo.
Os que preferiram mascarar ajudando padrinhos mal intencionados em relação a nossa Terra, usando “cores” a não condizer com os rostos  nativos, mas com cara destapada mais parecem, lobos com pêlo de cordeiro, que fiquem sabendo que o Povo sabe quem é amigo e está atento.
Sabemos distinguir entre feios, porcos e maus, o bom filho da Guiné, honesto e sério, embora vítimas desta nova emboscada para tirarem o que é por direito natural, do Povo.

Aconselhamos que fiquem longe todos aqueles que não são amigos da Guiné-Bissau. Avisamos os “alienados” que estes dois Povos unidos há séculos por laços culturais e materiais, jamais se separam por políticas tendenciosas dos seus actores, aqueles que servem os interesses capitalistas e neocolonizadoras, levadas a cabo para servirem os seus patrões que sobrevoam como aves de rapina em tudo o que é nosso.

Avisamos os políticos para não saírem para a rua com a lição de casa mal estudada, porque outros nem sequer dão conta quando pisam em terreno alheio, na casa dos outros ou como convidados.
Também nós fazemos as nossas regras que são igualmente para se cumprirem, regras de boas maneiras, pedimos que sejam convidados com respeito e de boas maneiras, porque senão, a porta da rua é serventia da casa meus senhores.
Têm de limpar os pés antes de entrar, comportar como gente “civilizada” e não tratando os outro com uma falsa e alienada superioridade.
Nem as super potências alguma vez nos trataram mal com a sua diplomacia, quanto mais, estes políticos da última hora e feitos à pressa, digo: “é preciso ter calma, não dar o corpo pela alma…” (Pedro Abrunhosa)!

Angola é linda, tu como político Angolano deves imitar essa beleza e orgulhar-te do teu povo, não entres na terra dos outros para arranjar confusão, sarilhos, Angola é vossa, a Guiné-Bissau é nossa, e os dois Países são irmãos, cuidado que traz dois enormes corações para cuidar, seja racional e com bons sentimentos, é uma ordem do Povo. Pense nisto Sr. Dr. Jorge Chicoty.

Alguns políticos precisam de estudar melhor a história dos dois Países, porque esta Angola não tem memória curta, é uma relação muito antiga que está em causa, o sangue Guineense derramado no solo Angolano, pode até ter secado, desaparecido por conveniência é que não, e nunca, está na memória dos bons filhos da Guiné e de Angola, os resultados das más políticas não hão-de separar os laços históricos que unem os nossos Povos. A Instituição fica, e os homens passam (infelizmente alguns só muito tarde), é esta uma das esperanças do Povo
Perguntamos, estas mentes ditos “politizados”, estão a favor de quem ou de que interesses, alguém sabe? Eu não meus amigos…

Nós desconfiamos que submersos neste mar salgado, já cheirou a Crude, e também um suor que nos provoca nojo, reconhecemos alguns que vêm atrás deste fóssil (crude) que de onde sai deixa sempre um imenso buraco negro, que nunca ninguém pensou nos prejuízos para a natureza enquanto hipnotizados pelos resultados do grande capital, e mais, alguns parecem dispostos a matar para roubar este sangue-negro, será?

Cuidado porque este perfume pode virar “isca”, todo o seu odor, de repente cheirar a sangue é muito mau sinal entre famílias, e não deve acontecer porque irá manchar um relacionamento de irmandade entre Povos, o que devemos evitar com toda a sabedoria e acção consertada entre dois Países soberanos.

Haja maturidade histórica e cultural na ponta da língua, na ponta do lápis, na cabeça fria, com sapiência dos seus actores políticos em defesa do Povo, queremos ser liderados por melhores políticos, e não fracos políticos narcisistas por baixo de roupagens de “estilos” que não têm que ver com os nossos “trajes” de interesses da Nação. Não, em primeiro e último lugar defendemos o nosso património, a cada momento que o País precise, sempre e com toda a competência técnica e humana possíveis.

Chegou a hora de não adiarmos mais os destinos da evolução e do desenvolvimento científico e tecnológico sustentados, chegou a hora de isolar os erros, analisar e evitar repetir os mesmos fracassos que nos conduziram a este impasse no desenvolvimento do Estado.
Viva a Guiné-Bissau livre, democrático e progressista.
Djarama. Filomeno Pina.


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