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Costa do Marfim: Indivíduo detido em Bouaké após roubar 10 milhões de francos CFA de uma empresa.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Remessas dos angolanos em Portugal sobem 53,6%

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As remessas dos trabalhadores angolanos a residir em Portugal subiram 53,6%, para mais de um milhão de euros, em Abril, recuperando da queda registada durante o ano passado devido à pandemia de Covid-19, segundo dados oficiais. Refira-se, entretanto, que o número de portugueses com um património avaliado acima de um milhão de euros cresceu em 2020, à imagem do que aconteceu no resto do mundo. Há mais 19 mil portugueses que passaram a integrar o clube dos mais ricos.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, os emigrantes angolanos em Portugal enviaram 1,09 milhões de euros para o seu país, o que representa uma subida de 53,6% face aos 690 mil euros que tinham enviado em Abril do ano passado, já num contexto de pandemia de Covid-19.

Como tradicionalmente, os valores das remessas dos angolanos são muito significativos relativamente aos valores enviados pelos africanos dos países de língua portuguesa, que no total enviaram, em Abril, 3,58 milhões de euros, representando uma subida de 53,6% face aos 2,3 milhões enviados em Abril do ano passado.

Em sentido inverso, as remessas enviadas pelos portugueses a trabalhar em Angola subiu 1,1%, passando de 9,4 milhões, em Abril de 2020, para 9,5 milhões de euros, em Abril deste ano.

No total das remessas enviadas pelos trabalhadores portugueses nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), regista-se uma subida de 0,9%, com as verbas a aumentarem de 10,1 milhões para 10,2 milhões de euros.

A nível global, as remessas dos portugueses diminuíram 0,47%, descendo de 281,4 milhões de euros, em Abril de 2020, para 280,12 milhões, em Abril deste ano.

Em sentido inverso, os estrangeiros a trabalhar em Portugal enviaram 39,9 milhões de euros, o que representa uma subida de 24,3% face aos 32,1 milhões de euros enviados em Abril do ano passado.

Recorde-se que as remessas enviadas para os países da África subsaariana caíram 12,5% no ano passado, para 42 mil milhões de dólares (34,7 mil milhões de euros), mas excluindo a Nigéria, o valor das verbas enviadas pelos emigrantes subiu 2,3%.

De acordo com os números divulgados em Maio deste ano pelo Banco Mundial, no relatório sobre os fluxos de remessas, o dinheiro enviado pelos estrangeiros para os seus países de origem aumentou no ano passado para América Latina e Caraíbas (6,5%), para a Ásia (5,2%) e para o Médio Oriente e Norte de África (2,3%), tendo registado a maior queda na África subsaariana, que viu as verbas enviadas pelos emigrantes descerem 12,5%.

“O declínio foi quase inteiramente devido à quebra de 27,7% nas remessas para a Nigéria, que vale 40% do total da região”, lê-se no documento divulgado em Washington.

“Excluindo a Nigéria, as remessas para esta região aumentaram 2,3%”, com fortes subidas na Zâmbia (32%) e em Moçambique (16%), prevendo-se que este ano aumentem 2,6%, sustentadas pelas melhores perspectivas de crescimento nos países de elevados rendimentos”, acrescenta-se no documento.

Relativamente aos custos de enviar dinheiro, a África subsaariana mantém-se a região mais cara, com os emigrantes a terem de pagar, em média, 8,2% de taxas para um envio de 200 dólares, o que compara com a média de 6,5% a nível mundial, e é quase o triplo da meta dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (3%).

Lusófonos poderiam ser… o futuro

Os nove países de expressão oficial portuguesa seriam a décima maior economia do mundo, valendo 1,8 biliões de dólares, ficando abaixo do Canadá e acima da Coreia do Sul, numa lista liderada pelos Estados Unidos da América.

De acordo com a base de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a junção do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste daria uma riqueza de 1,8 biliões de dólares, equivalente a cerca de 1,5 biliões de euros.

Entre as economias lusófonas, o Brasil é, de longe, a maior, com um PIB avaliado em 1,4 biliões de dólares, o que compara com os 257 mil milhões de dólares de Portugal, a segunda maior economia lusófona, e com os 485 milhões de São Tomé e Príncipe, a mais pequena.

De acordo com as previsões do FMI, o valor destas economias vai crescer 9,1% no próximo ano, chegando ao final de 2022 com uma riqueza total de 2,014 biliões de dólares, equivalentes a 1,65 biliões de euros.

Acima da economia lusófona estão os Estados Unidos, com 22 biliões de dólares, a China, com 16 biliões, e depois Japão, Alemanha, Reino Unido, Índia, França, Itália e Canadá.

Em Setembro de 2018, quando o primeiro-ministro português, António Costa, se preparava para visitar Angola, o coordenador do Observatório da Emigração em Portugal recordou a necessidade de se facilitar a circulação de pessoas entre os países lusófonos.

“Acho que, no âmbito de reformulação da política imigratória portuguesa, é importante ter sistemas que facilitem a circulação entre os países lusófonos, ou, pelo menos, entre a maioria”, afirmou Rui Pena Pires em declarações à Lusa, recordando que esta foi uma promessa de campanha do PS.

“Também não vale a pena tentar começar logo com todos, mas era útil. E a iniciativa de Angola (em vigor desde 31 de Março de 2018, de facilitação de entradas, com vistos on-line) pode contribuir para o desenvolvimento de iniciativas bilaterais entre angolanos e portugueses”, afirmou Rui Pena Pires.

“Estou certo que isso [essa facilitação de circulação de pessoas dos países lusófonos] vai acontecer, mais tarde ou mais cedo, porque esse era aliás um dos objectivos do programa do Partido Socialista e do actual primeiro-ministro”, relembrou.

Contudo, desta visita de António Costa, a Luanda, que “se segue a um período de esfriamento nas relações entre Portugal e Angola”, Pena Pires esperava só “um desgelo” nas relações políticas.

“Se esta visita trouxesse um degelo já seria bom, o resto depois faz-se, já seria uma enorme vitória no campo das relações externas portuguesas, porque não é possível, quando as relações não estão no seu melhor, tratar com sucesso as pequenas grandes coisas, quase instrumentais”, afirmou.

Para Rui Pena Pires não há problemas particulares dos emigrantes portugueses em Angola, os das transferências de salários, algumas vezes em atraso, afectam qualquer emigrante de qualquer origem naquele país e resultam de questões económicas e não de problemas políticos ou de qualquer tensão.

Contudo, considerou, “se as relações [entre os dois países] ficarem desbloqueadas, depois já se pode tratar do resto por outros canais.”

De resto, aquilo que se espera sempre destas visitas políticas relativamente à emigração “é a garantia de segurança e de igualdade de direitos dos emigrantes portugueses face ao resto da população, e condições.

A emigração para Angola começou a crescer na viragem do século XX para o século XXI, antes disso não teve grande expressão. E é precisamente na mesma altura que começa o regresso dos emigrantes angolanos em Portugal ao seu país de origem, adiantava Pena Pires, ou seja, no período em que a situação política e económica começou a estabilizar.

“Temos um indicador bom que nos demonstra isso que é o das remessas dos emigrantes. E este é o período em que as remessas vindas de Angola começam a ultrapassar o valor das remessas dos angolanos em Portugal para o seu país de origem”, referiu.

Para se ter uma ideia, acrescenta, “no ano 2000 as remessas de Angola para Portugal eram de 11 milhões de euros e de angolanos no nosso país para Angola eram de 14 milhões. Em 2017, para Angola foram sensivelmente os mesmo valores de 2000 mas de emigrantes portugueses para Portugal vieram 245 milhões. O envio de remessas de angolanos para Angola estagnou e as de portugueses no mercado angolano para Portugal foram multiplicadas por mais de 20”.

Assim, defendia o responsável do Observatório, “se usarmos o indicador das remessas como um indicador indirecto da evolução da emigração, o que concluímos é que a de portugueses para Angola cresce de uma forma sustentada a partir de 2004, 2005 e 2006, início do processo de paz, e tem alguns picos, sobretudo em 2007 e 2008, com a abertura da primeira crise, e depois em 2012”. E só em 2016 regista a primeira quebra.

Portugueses europeus e portugueses africanos

Mas, diga-se, a culpa não é só dos portugueses de hoje que, ao contrário dos de ontem, procuram sacar tudo o que podem, começando o exemplo pelos governantes, passando pelos gestores e administradores públicos e restante casta.

A culpa também é nossa que colocamos os de ontem, muitos dos quais deixaram mesmo o cordão umbilical em Angola, ao mesmo nível dos de hoje, ou muitas vezes a um nível bem mais baixo.

Em Angola causa alguma estranheza o facto de, apesar da presença massiva de portugueses, eles nunca serem mencionados nos balanços do Serviço de Migração e Estrangeiros sobre a expulsão de expatriados.

E estranha-se porquê? Porque, mesmo considerando que esses cidadãos são súbditos de sua “majestade” António Costa, as vítimas dos serviços de migração são por regra africanos e, de quando em vez, uns chineses.

E Maio de 2009, o Semanário Angolense dizia que “aos outros imigrantes é exigido o cumprimento da lei, mas aos portugueses não”. E acrescentava: “Muitos até falsificam documentos e dizem-se naturais de Malange – maioritariamente “nasceram” em terras da Palanca Negra –, Huíla, Benguela, mesmo sem nunca lá terem estado”.

E o jornal concluía: “É urgente investigar e descobrir quem promove e protege essa invasão silenciosa de portugueses”.

É verdade que são aos milhares os portugueses africanos que agora nasceram de gestação espontânea, uma espécie de mercenários que nada têm em comum com muitos outros portugueses de outrora, esses sim africanos de alma, umbigo e coração.

Os novos descobridores vêm para a África rica (caso de uma parte de Angola) sacar tudo o que for possível e depois regressam à sua normal e tipificada forma de vida, voltando a ter a porta sempre fechada aos africanos.

Com a conivência consciente das autoridades angolanas, que não dos angolanos, Portugal aposta tudo o que tem (lata) e o que não tem (dignidade) nos muitos mercenários que têm as portas blindadas e sempre fechadas, remetendo para as catacumbas todos aqueles portugueses que sempre tiveram a porta aberta.

Como é que se vê a diferença? É simples

A grande diferença é que os portugueses europeus, os que agora aceleram na tentativa de chegar à cenoura na ponta da vara de Angola, sempre consideraram (quiçá com razão) que até prova em contrário todos os estranhos são culpados.

Já os portugueses africanos, os que deram luz ao mundo, os que choram ao ouvir Teta Lando, Elias Dia Kimuezo, Carlos Lamartine ou os N’Gola Ritmos, entenderam que até prova em contrário todos os estranhos são inocentes.

Em África, os portugueses africanos aprenderam a amar a diferença e com ela se multiplicaram. Aprenderam a ser solidários com o seu semelhante, fosse ele preto, castanho, amarelo ou vermelho. Aprenderam a fazer sua uma vivência que não estava nas suas raízes.

Na Europa, os portugueses aprenderam a desconfiar da diferença e a neutralizá-la sempre que possível. Aprenderam a ser individualistas mesquinhos e a só aceitar a diferença como exemplo raro das coisas do demónio.

Com o re(in)gresso de milhares de portugueses africanos ao enlatado Portugal europeu, a situação alterou-se apenas por breves momentos. Tão breves que hoje, 45 anos depois da debandada africana, quase se contam pelos dedos de uma mão os que ainda se assumem como portugueses africanos.

Isto é, muitos dos portugueses europeus que foram para África tornaram-se facilmente africanos. No entanto, ao re(in)gressarem às origens ressuscitaram a velha mesquinhez de um país virado para o umbigo, de um país de portas fechadas. Voltaram a ser apenas europeus.

Nessa mesma leva regressaram muitos portugueses africanos nascidos em África. Esses não re(in)gressaram em coisa alguma. Mantiveram-se fiéis às suas raízes mas, é claro, tiveram (e ainda têm) de sobreviver.

Apesar disso, só olham para o umbigo de vez em quando e as suas portas só estão meio fechadas.

Acresce que muitos destes acabaram por constituir vida em Portugal, muitos casando com portugueses europeus. Por força das circunstâncias, passaram a olhar mais vezes para o umbigo e a porta fechou-se quase completamente.

Chega-se assim aos filhos, nados e criados como “bons” tugas europeus. Estes só olham para o umbigo e trancaram a porta. Por muito que o pai, ou a mãe, lhes digam que até prova em contrário todos (brancos, pretos, amarelos, castanhos ou vermelhos) são inocentes, eles já pouco, ou nada, querem saber disso.

Por força das circunstâncias, os portugueses africanos diluíram-se no deserto europeu, foram colonizados e só resistem alguns malucos que, por força dos seus ideais, admitiram que o presente de Portugal poderia estar na Europa, mas sempre e desde sempre tiveram a certeza que o futuro estava em África.

Folha 8 com Lusa

Um Datacenter para estabelecer a soberania digital do Senegal.

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Diamniadio (Dakar) - terça-feira, 22 de junho de 2021- O Presidente da República, Macky Sall, inaugurou o primeiro datacenter Tier 3 no Estado do Senegal. Esta cerimónia centrada no tema da Soberania Digital foi uma oportunidade para destacar todas as conquistas do programa “Smart Senegal”, cuja implementação foi confiada à ADIE.

Graças à intensificação da transformação digital, o Estado do Senegal tem investido na construção de infraestrutura digital de última geração. Construído no âmbito do programa Smart Senegal, cuja implementação está a cargo da ADIE, o Diamniadio National Datacenter oferece os níveis de segurança, conectividade e hosting necessários para a consolidação da nossa soberania digital.

O comissionamento do Data Center Diamniadio confirmará o posicionamento do país como pólo tecnológico regional. Com efeito, de acordo com o Director-Geral da ADIE, o Estado do Senegal possui, com o Datacenter Diamniadio, uma das maiores infraestruturas de armazenamento e hosting de dados de África (Mais de 1000 m2 de salas técnicas e 1,4 MW de potência).

“Este Datacenter é o motor da transformação digital do Senegal: está ligado à fibra óptica do Estado que liga o território nacional em 6.000 km, mas também ao cabo submarino cuja chegada está prevista para o final de 2021 e que irá reforçar a capacidade da Internet de nosso país com mais de 100 Gb / s, expansível para 16 Tb / s; promove o funcionamento do balcão único dos Serviços do Senegal, que está presente em todos os departamentos e onde os cidadãos podem ter acesso a todos os serviços administrativos ”, explicou Cheikh Bakhoum.

A segurança e redução dos custos de alojamento de dados do Estado, mas também de empresas do sector privado, nomeadamente start-ups, são garantias oferecidas pelo Estado que instalou, nos limites desta infra-estrutura, dois espaços de 250 m2 respectivamente para a administração e o setor privado nacional e internacional.

“Além da administração que é a principal beneficiária deste Datacenter, convido o setor privado nacional e todos os atores do ecossistema digital a se apropriarem agora desta moderna infraestrutura tecnológica”, lançou o ministro da Economia Digital e Telecomunicações, Yankhoba Diatara.

Este Datacenter, a base da soberania digital do Senegal, deu ao Chefe de Estado a oportunidade de ampliar e galvanizar a experiência local, recebendo a contribuição de jovens engenheiros senegaleses. “Os nossos jovens engenheiros vão continuar a gerir este Datacenter nacional, símbolo da nossa soberania digital, com vista a estimular uma economia digital fecunda e geradora de empregos”, prometeu o Presidente Macky Sall.

Ele também instruiu o governo e todas as estruturas estaduais a hospedar, doravante, todos os dados e plataformas estaduais nessa infraestrutura compatível e a proceder com a rápida migração de dados hospedados no exterior ou em outro local da Administração em instalações que não cumpram os padrões internacionais.

Paralelamente a este evento, o Chefe do Estado procedeu à inauguração por videoconferência com as várias estruturas beneficiárias, outros projectos do programa Smart Senegal (Espaces Senegal Services, Estúdios de gravação universitária, Smart Classrooms do liceu Kennedy e do Talibou Dabo Centro, centros de comando das forças de defesa e segurança ...).

O programa Smart Senegal, realizado com o apoio técnico da Huawei, é financiado pelo Estado no âmbito da cooperação sino-senegalesa por um valor total de 150 milhões de dólares, ou 84 bilhões 488 milhões de francos CFA.

O programa tem cinco componentes necessários para a transformação digital do país: A chegada de um cabo submarino para fortalecer a banda larga, Konectel com wi-fi nos principais logradouros do país, Cidade Segura com implantação de câmeras de vigilância nas grandes cidades, Educação inteligente voltada para apoiar universidades e outros estabelecimentos de ensino; Espaços de Serviços do Senegal que são balcões únicos criados em 45 departamentos para aproximar os cidadãos da sua administração.

fonte: seneweb.com

Costa do Marfim: as consequências do divórcio entre Laurent e Simone Gbagbo.

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De volta à Costa do Marfim, o ex-presidente Laurent Gbagbo pediu o divórcio oficialmente, selando seu rompimento com Simone Ehivet Gbagbo. A separação deles corre o risco de criar agitação entre os partidários deste no histórico, especialmente dentro da Frente Popular da Costa do Marfim (FPI), onde a ex-primeira-dama é uma figura importante.

Acabado de retornar à Costa do Marfim, o ex-presidente Laurent Gbagbo pediu o divórcio de sua esposa, Simone, com quem formou um formidável tandem no poder por dez anos, até sua prisão em 2011. Uma ruptura familiar, política, mas também religiosa.
O comunicado de imprensa do advogado de Laurent Gbagbo saiu na segunda-feira. O ex-chefe de Estado "resolveu" pedir o divórcio em tribunal "por causa da recusa repetida durante anos por Dama Simone Ehivet de consentir em uma separação amigável". Eles estão casados ​​desde 1989 e tiveram duas filhas juntas.

O caso já fascinou os marfinenses e alimentou os debates antes do retorno de Laurent Gbagbo em 17 de junho, após dez anos de ausência. Simone Gbagbo iria ao aeroporto para receber o marido, absolvido em março pela justiça internacional? Todos sabiam que ele tinha que viajar com Nady Bamba, uma ex-jornalista de 47 anos, sua companheira desde o início dos anos 2000, a quem está unido por um casamento tradicional.

O casal que se separou após sua prisão

Simone Gbagbo foi para o aeroporto de Abidjan. Ela foi encontrar seu marido visivelmente sem entusiasmo, disse algumas palavras para ele no meio da multidão e saiu.

Eles não se viam há dez anos. Em 2011, eles foram presos após se recusarem a reconhecer a vitória presidencial de seu rival Alassane Ouattara. Uma crise que matou mais de 3.000 pessoas em ambos os lados.

Laurent Gbagbo foi enviado a Haia para ser julgado por crimes contra a humanidade. Ele foi finalmente absolvido em março. Simone Gbagbo foi condenada na Costa do Marfim em 2015 a 20 anos de prisão e, em seguida, anistiada em agosto de 2018, após sete anos de detenção.

"Gbagbo torna-se católico de novo"

Uma das primeiras saídas de Laurent Gbabgo em Abidjan aconteceu no domingo em um lugar muito simbólico: a Catedral de São Paulo em Abidjan. "Gbagbo torna-se católico de novo", é a manchete desta segunda-feira. Ou seja, ele não é mais um evangelista, aquele movimento religioso tão caro a Simone.

Se isso importa tanto, é porque Simone Gbagbo, 72 anos, não é apenas uma ex-primeira-dama, mas uma importante política. Se todos estão se perguntando qual será o papel que Laurent Gbagbo, de 76 anos, terá no futuro, a questão também se coloca para ela.
Ambos eram oponentes ferrenhos de Félix Houphouët-Boigny, o primeiro presidente do país, de 1960 a 1993 e lutaram por um sistema multipartidário. Eles se fortaleceram na militância, foram para a prisão. Em 1982, ela participou da criação da Frente Popular da Costa do Marfim (FPI) por Laurent Gbagbo. Ele ainda é o presidente e ela a segunda vice-presidente.

"Da tendência política, vamos cara a cara"

“A festa ainda não se reuniu para falar sobre a questão (do divórcio), mas tem certeza que terá repercussão”, admite uma fonte do FPI, uma formação já dividida.

Para Rodrigue Koné, analista do "Institute on Security Studies" (ISS), haverá "um sério conflito de liderança" e "não será fácil para Laurent Gbagbo". “Da tendência política, ficamos cara a cara”, disse ele. Simone Gbagbo conseguiu se estabelecer em como alterar o ego político de seu marido. “Ela falava em voz alta de que Laurent Gbagbo pensava baixinho”, segundo ela.

Apelidada de "Dama de Ferro", ela foi acusada de estar ligada a "esquadrões da morte" contra partidários de Alassane Ouattara, a quem sempre odiou. E foi ouvida pela justiça francesa a respeito do desaparecimento do jornalista franco-canadense Guy-André Kieffer em 2004 em Abidjan. “Ela é suspeita de ter usado uma linha até o fim, radical”, resume Rodrigue Koné.

“Ela tem uma força considerável”, acrescenta Rinaldo Depagne, analista do International Crisis Group (ICG). Vindo de uma origem muito popular, ela "abriu caminho para um mundo de pessoas e homens ricos".

Simone Gbagbo continua sendo apelidada de "mamãe" por seus apoiadores. Para Rinaldo Depagne, é sempre “muito ouvido”, mas “num círculo muito pequeno”. "Ele é a festa. Ele é o ídolo. Se fosse ela de volta do exílio, não teria havido esse fervor nas ruas."

fonte: seneweb.com

terça-feira, 15 de junho de 2021

BRASIL: Quadrilhas montam verdadeiros call centers para crimes na internet

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Relatório do FBI afirma que, nos EUA, 66% das vítimas de golpes cibernéticos têm mais de 60 anos.

Christopher Budd trabalha há 20 anos com segurança tecnológica e sua palestra do Age+Action 2021 foi um alerta sobre a crescente sofisticação de golpes on-line, principalmente contra idosos, “porque têm dinheiro e menos intimidade com a tecnologia”, explicou. Ele citou dados do relatório do FBI, o serviço de inteligência norte-americano, referentes ao ano de 2020 sobre fraudes na internet, mostrando que 66% das vítimas tinham mais de 60 anos. “O FBI monitora crimes cibernéticos há 20 anos. Essas quadrilhas montam estruturas semelhantes às de um call center, com centenas de pessoas utilizando scripts bem elaborados para enganar e tirar dinheiro dos outros”, disse.

Budd afirmou que uma das artimanhas mais frequentes é a da assistência tecnológica não solicitada: os golpistas simulam um problema no computador da vítima e, quando ela clica no que parece ser a solução, cai nas garras dos aproveitadores. E como isso acontece? Quase sempre a pessoa clicou antes em algum link malicioso que lhe foi enviado e que causa uma pane – por exemplo, a abertura de diversas janelas ao mesmo tempo, que ficam pipocando na tela e que “empurram” o usuário para uma suposta ajuda que, na verdade, é um truque.

“Os golpistas se valem de pressão para que você aja rapidamente, sem pensar muito ou consultar com alguém, por isso é fundamental redobrar a cautela. Trata-se de pôr em prática o mesmo cuidado que temos com a porta de nossa casa, que não abrimos para um estranho”, ensina. Os bandidos também podem usar telefonemas e mensagens, tentando se passar por instituições financeiras ou concessionárias de serviços. Reportagem recente do G1 mostra que bandidos têm utilizado uma pesquisa do Ministério da Saúde para tentar aplicar um golpe via WhatsApp. Budd lembra que e-mails são potencialmente inseguros e, caso desconheça sua procedência, o melhor é deletá-los.

Ele separa suas orientações em não técnicas e técnicas e diz que é importante confiar nos próprios instintos: “se algo parece estranho, interrompa”. Comecemos pelas não técnicas:

1) Trate qualquer oferta ou comunicação inesperada com desconfiança;

2) Não entre em pânico, nem se afobe para tomar uma decisão;

3) Não se sinta intimidado de dizer não e desligar; assim terá tempo de checar com a empresa que eles dizem representar;

4) Nunca dê informações pessoais ou financeiras, mesmo que, do outro lado da linha, alguém se identifique como sendo do seu banco ou de uma concessionária.

E as dicas técnicas:

1) Programe seu telefone para não receber chamadas de desconhecidos;

2) Mantenha o computador atualizado e rodando com um antivírus – há muitos de boa qualidade e de graça;

3) Não clique em links que lhe foram enviados. Em vez disso, vá aos websites digitando seu endereço eletrônico;

4) Verifique o website: o certificado é como uma carteira de motorista e é bem fácil de checar. Nos sites seguros, há um pequeno cadeado ao lado do endereço eletrônico. Clique nesse cadeado e selecione “certificado”: ali aparecerão as informações de validação.

Por último, se achar que caiu num truque, pare tudo o que está fazendo e feche o computador. Chame alguém em quem confie e, se fez algum pagamento, entre em contato com a instituição financeira.

fonte: globo.com

ANGOLA: Cheque na mão mataco no chão.

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O Presidente João Lourenço assinou um acordo entre Angola e um consórcio de bancos no valor de 910 milhões de dólares (751,4 milhões de euros) para financiar o projecto de abastecimento de água do Bita, em Luanda. Também determinou que as participações sociais detidas pelas extintas empresas públicas BOLAMA e CERVAL “passam para a titularidade do Estado”. A isso junta que a aprovação da quinta revisão do Programa de Financiamento Ampliado do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra a “confiança da comunidade financeira internacional”. É para rir ou chorar?

O Despacho Presidencial nº 90/21, de 11 de Junho, refere que fazem parte do consórcio de bancos o Standard Chartered Bank (Hong-Kong) Limited, na qualidade de líder e agente, e o BNB Paribas — Credit Agricole Corporative and Investiment Bank, entre outras instituições financeiras que subscreveram os termos do acordo.

Este financiamento é coberto de uma garantia do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) ao valor global de 500 milhões de dólares (412,8 milhões de euros).

O documento, que revoga o Decreto Presidencial 82/20, de 8 de Junho, autoriza a ministra das Finanças a assinar os acordos em nome de Angola.

O Projecto de Abastecimento de Água do Bita, a ser implementado no município de Belas, em Luanda, está avaliado em mais de um milhão de dólares, prevendo beneficiar mais de um milhão de pessoas, com a captação de água do rio Kwanza e a construção de uma conduta com seis quilómetros de extensão.

Em 16 de Julho de 2019, o então ministro das Finanças, Acher Mangueira, falava em 500 milhões de dólares para o Projecto de Água do Bita, financiado pelo Banco Mundial, vocacionado para o fornecimento de água potável à população da zona sul de Luanda, mais concretamente do Camama, Benfica I e II, Cabolombo e Rocha Pinto.

De acordo com o ministro, o financiamento pelo BM deste sistema de captação, de tratamento e distribuição de água, iria contribuir substancialmente para melhorar a qualidade de vida destas populações.

“O projecto Bita é consistente com os princípios de maximização de financiamento ao desenvolvimento, visando como fim único atrair a participação do sector privado”, frisou Archer Mangueia.

Noutra frente, João Lourenço, determinou que as participações sociais detidas pelas extintas empresas públicas BOLAMA e CERVAL “passam para a titularidade do Estado”, cabendo ao Ministério das Finanças o exercício da função de accionista.

Segundo o despacho presidencial n.º 94/21 de 11 de Junho, o destino das participações das extintas Empresa Regional de Massa e Bolacha (BOLAMA) e Empresa Nacional de Cervejas (CERVAL) surge no quadro da privatização do Banco de Comércio e Indústria (BCI).

O diploma legal, assinado por João Lourenço, refere que o decreto executivo conjunto que determinou a extinção da CERVAL não fez a indicação dos bens e direitos que o Estado pretende preservar para si.

A especificação sobre as referidas participações sociais surge igualmente, refere o despacho presidencial, pela “necessidade de se liquidar os activos integrantes da massa patrimonial” da extinta BOLAMA.

E da necessidade, sublinha-se no documento, de se “fazer a indicação do destino das participações sociais detidas pelas extintas empresas públicas no BCI”, banco angolano de capitais públicos, cujo processo de privatização em bolsa está em curso.

Já num outro despacho, o Presidente de Angola autoriza a privatização, mediante concurso público, de 16 unidades industriais localizadas na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, integradas no Programa de Privatizações (ProPriv).

Estão agora na rota das privatizações as empresas AngolaCabos (Indústria de Cabos de Fibra Ótica), ANGTOR (Indústria de Torneiras), INFER (Indústria de Puxadores, Dobradiças, Fechaduras e Cilindros), INDUGALV (Cromagem, Niquelagem e Zincagem), BOMBAGUA (Bombas de Água para a Irrigação), INDUPLASTIC (Indústria de Produtos Plásticos Sanitários/Domésticos).

A INDUMASSAS (Indústria de Massas Alimentares), NINHOFLEX (Indústria de Colchões de Espuma, de Molas e Travesseiros), INDUPAME (Indústria de Naves Industriais em Estrutura Metálica), BTMT (Indústria de Quadros Eléctricos), BETONAR (Indústria de Pré-Fabricados, Pré-Esforçados e Artefactos de Betão), INDUCABOS (Indústria de Cabos Eléctricos de Baixa e Média Tensão) serão igualmente privatizadas.

Constam ainda da lista das unidades industriais da ZEE a serem privatizadas, as empresas MATEELETRICA (Indústria de Interruptores, Tomadas, Caixa de Derivação e de Aparelhagem), INDULOUÇAS (Indústria de Sanita Convencional), INDUTUBOS (Indústria de Tubos e Acessórios) e a FUNDINAR (Fundição de Ligas Metálicas).

Esta é a terceira fase de privatizações das unidades industriais de ZEE, segundo anunciou, recentemente, o presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Patrício Vilar.

O programa do Governo ProPriv prevê a privatização de mais de 190 empresas e/ou activos do Estado angolano até 2022 nos sectores da banca, hotelaria e turismo, finanças, seguros, agricultura, telecomunicações, indústrias, petróleos, entre outros.

Ficou também a saber-se que o Governo vai abrir um concurso público para gestão da rede de hipermercados e supermercados Kero, cujo capital social é detido em 90% pelo Estado, refere um despacho presidencial hoje tornado público.

A cadeia de retalho era detida pelos generais Hélder Vieira Dias ‘Kopelipa’ e Leopoldino Fragoso do Nascimento ‘Dino’, elementos da Presidência da República, ao tempo do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, do ex-vice-Presidente Manuel Vicente e do ministro da Defesa, general João Lourenço.

O Despacho Presidencial 89/21, de 11 de Junho, publicado em Diário da República, refere que o concurso é aberto considerando que o Estado angolano passou a deter 90% do capital social do Grupo Zahara Comércio S.A., que deste modo passou a integrar o sector empresarial público, como empresa de domínio público.

Nesse sentido, o Presidente aprovou a cessão do direito de gestão da rede de hiper e supermercados Kero, delegando nos ministros das Finanças e Indústria e Comércio a condução e verificação da legalidade de todos os actos inerentes ao procedimento do concurso público.

Em Outubro de 2020, a Procuradoria-Geral da República anunciou que depois de constituídos arguidos, os generais procederam à entrega ao Estado de vários activos, entre os quais a cadeia de retalho Kero.

Aproveitando o balanço, quase parecendo um corredor de fundo e não o que tem sido até agora, um corredor que está no fundo do corredor, o Governo considerou que a aprovação da quinta revisão do Programa de Financiamento Ampliado do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra a “confiança da comunidade financeira internacional” nas reformas em curso no país.

“A aprovação da quinta revisão do Programa de Financiamento Ampliado apresenta-se como mais um dado muito relevante a registar no âmbito dos progressos que temos feito na gestão da economia do país e que demonstra a confiança da comunidade financeira internacional no programa de reformas que o executivo tem estado a desenvolver desde finais de 2017”, lê-se numa nota de imprensa divulgada em Luanda.

Na quarta-feira, o FMI aprovou a quinta revisão ao programa de ajustamento financeiro de Angola, permitindo o desembolso imediato de 772 milhões de dólares (633 milhões de euros), salientando a visão positiva das autoridades e o empenho nas políticas do programa.

“A decisão do conselho de administração do FMI permite um desembolso imediato de 772 milhões de dólares a Angola”, lê-se no comunicado do FMI, no qual se aponta que a economia angolana “está em transição para uma recuperação gradual de múltiplos choques, incluindo aqueles induzidos pela pandemia de Covid-19”.

No comunicado, o FMI acrescenta que “a visão política das autoridades continua sã, e continuam empenhados no programa económico apoiado pelo Programa de Financiamento Ampliado”.

Nesta avaliação, diz o Governo, “uma vez mais, o Conselho de Administração do FMI elogiou o executivo angolano pela sua forte resposta aos choques negativos causados pela covid-19 na economia e na população angolana, e em particular enalteceu o ajustamento fiscal prudente levado a cabo pelo executivo angolano em 2020 que envolveu ganhos no que respeita as receitas fiscais não petrolíferas e a diminuição de despesas não essenciais, ao mesmo tempo que preservou os gastos em despesas essenciais como a saúde, a educação e outros domínios do sector social”.

No comunicado de reacção à aprovação que permite a disponibilização imediata de 772 milhões de dólares, o gabinete da ministra das Finanças vinca que “o FMI faz notar que a economia angolana está no caminho certo para obter os mesmos ou melhores resultados fiscais em 2021” e destaca os “êxitos na reformulação do perfil do serviço da dívida pública de Angola”.

O Governo, conclui o comunicado, “reafirma o seu engajamento em aprofundar as reformas estruturais em curso no país, com o objectivo de restaurar os indicadores de sustentabilidade orçamental, melhorar a governação e acelerar o processo de diversificação da economia, de modo a atender as necessidades prementes da nossa população e mitigar os impactos de eventuais choques externos”.

O programa de ajustamento financeiro foi acertado com o FMI em Dezembro de 2018, num valor de 3,7 mil milhões de dólares, que foi em Setembro aumentado para cerca de 4,5 mil milhões de dólares (de 3 mil milhões de euros para 3,7 mil milhões de euros), dos quais cerca de 3 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros) já foram entregues, a que se junta o valor agora anunciado, totalizando 3,9 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros), e dura até final deste ano.

Folha 8 com Lusa

ANGOLA: Criminalidade reflecte o (mau) estado do país.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


O grupo parlamentar da UNITA, o maior partido da oposição que o MPLA ainda permite que exista em Angola, manifestou hoje “bastante preocupação” com o elevado índice de criminalidade em Angola, com destaque para a capital do país, Luanda.

Numa nota de imprensa, o grupo parlamentar da UNITA destaca entre as ocorrências criminais efectivos da Polícia Nacional que têm sido afectados no cumprimento da sua missão de garantir a segurança dos cidadãos.

“O grupo parlamentar da UNITA lamenta e condena o sucedido e junta-se à dor das famílias enlutadas, apresentando os seus sentimentos de profundo pesar”, salienta-se na nota.

As estruturas castrenses são instadas a melhorarem as condições de trabalho dos efectivos da corporação para a protecção das suas vidas.

“O grupo parlamentar da UNITA exorta a todos os cidadãos a respeitarem e protegerem o bem que é a vida e a dignidade da pessoa humana”, lê-se no documento.

No último fim-de-semana, foi partilhado nas redes sociais por um deputado o suposto rapto do seu filho, tendo sido abordado por um homem armado, que entrou no seu carro e o obrigou a arrancar.

Num outro vídeo, o mesmo deputado surge a anunciar o aparecimento do seu filho, depois de quatro horas do seu sequestro.

Uma outra informação dá conta da morte de um agente da Polícia Nacional, o segundo caso em menos de uma semana, no sábado, vítima de disparos numa troca de tiros, quando tentava frustrar o assalto a uma viatura de uma empresa, que transportava uma elevada quantia monetária.

Recorde-se que o comandante-geral da Polícia, Paulo de Almeida, admitiu no dia 26 de Outubro de 2018 que vários agentes policiais praticam “burlas, falsificações e extorsões a cidadãos”, prometendo combater as “batatas podres” no seio da corporação.

Ainda bem que, ao que parece, os chefes não armazenam “batatas podres”. Isto, é claro, se não forem generais a trabalhar na Casa de Segurança do Presidente da República… Ou será que há? Recorde-se que Paulo Gaspar de Almeida é arguido num processo que está a ser apreciado pelo Tribunal Supremo.

O comissário-chefe Paulo Gaspar de Almeida, foi constituído arguido (processo n.º 16/17-DNIAP) por esbulho violento de uma quinta de 12 hectares, em posse do camponês Armando Manuel, de 71 anos, há 40 anos. A disputa com o então segundo comandante-geral da Polícia Nacional remonta a 12 de Dezembro de 2016.

Um despacho do procurador-geral adjunto da República, Domingos Baxe, atesta que “existem nos autos indícios mais que suficientes que o participado Comissário-Chefe Paulo Gaspar de Almeida cometeu o crime de abuso de poder (…) razão pela qual deveria ter sido constituído arguido e ouvido em auto de interrogatório”.

Segundo Paulo de Almeida, que falava em Outubro de 2018 durante uma formatura dos efectivos da corporação no âmbito da “Operação Resgate”, pelo menos um efectivo da polícia angolana, em média, e “a coberto da farda”, envolve-se diariamente em acções criminais.

Paulo de Almeida lembrou que a operação policial iria estender-se a todo o país, visava essencialmente o “resgate do civismo, da ordem, da conduta sã e da dignidade”, pelo que “a ordem deve começar no seio da polícia”, reconhecendo que vários agentes praticam “burlas, falsificações e extorsões a cidadãos”.

Discursando perante milhares de efectivos da Polícia, em cerimónia que teve lugar no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais de Angola, em Luanda, e sem especificar números, Paulo de Almeida manifestou-se “preocupado” com número de agentes da polícia envolvidos no crime.

“Estou preocupado com o número de polícias envolvidos em acções criminais. Todas as semanas, para não dizer dias, registamos a participação de um ou outro agente da polícia envolvido em acções criminais. Isso tira-nos a autoridade”, lamentou.

“Retira a nossa capacidade, frustra a nossa acção. Quero aqui dizer que, em representação de toda a polícia do país, temos de combater essas batatas podres no nosso seio”, adiantou Paulo de Almeida.

O comissário-geral da Polícia assegurou mesmo a necessidade de “neutralizar agentes que, a coberto da farda, cometem diariamente crimes diversos”, apelando à “vigilância” aos agentes da polícia e à sociedade para que “denunciem essas práticas”.

Para Paulo de Almeida, se a Polícia Nacional tenciona impor a ordem é necessário, inicialmente, que os efectivos da corporação que tutela “sejam ordeiros e disciplinados para que a operação decorra sem máculas”.

“Não queremos realizar uma operação com essas manchas no nosso seio. É preciso que cada um seja o vigilante do outro, é preciso que cada um identifique e denuncie aqueles que estão com comportamentos marginais no nosso seio. É preciso ganhar e resgatar a confiança da população à polícia nacional”, exortou o oficial superior.

Durante a sua intervenção, o comandante geral da Polícia disse que há elementos da corporação que se dedicam à “burla e à falsificação”, considerando que os “batuqueiros e penteadores” serão “banidos da corporação”.

“Não é a extorsão ou o crime, que vos vai (efectivos da Polícia) dar glórias ou oportunidades. As grandes glórias vão sair do vosso empenho e desempenho”, realçou.

Ciente das dificuldades que a Polícia ainda enfrenta, como a carência de “infra-estruturas, de meios de locomoção e dificuldades técnicas e logísticas”, Paulo de Almeida admitiu que as dificuldades “não serão superáveis a curto prazo”.

“Mas a nossa firmeza e determinação vai fazer com que nós ultrapassemos isto. Sem esforço não haverá êxitos na nossa missão”, assegurou.

Ainda (e sempre) Cafunfo

O advogado do líder do Movimento do Protectorado Português Lunda Tchokwe (MPPLT), José Mateus “Zeca Mutchima”, denunciou hoje que o seu cliente “está preso ilegalmente”, após terem sido ultrapassados os 120 dias de prisão preventiva.

Segundo Salvador Freire, à luz do novo Código Penal angolano, Zeca Mutchima, detido em 8 de Fevereiro, “já cumpriu os 120 dias de prisão preventiva e neste momento está preso de forma ilegal”.

“Mais do que nunca o Zeca Mutchima já deveria estar em liberdade, mas, infelizmente, não sabemos por que questões ele continua detido. Insistimos que a Procuradoria já deveria mandar a sua soltura porque os prazos de prisão preventiva venceram”, afirmou hoje o advogado.

Salvador Freire referiu que o prazo de prisão preventiva terminou no dia 9 deste mês, considerando estar-se diante de uma “denegação de justiça”, o que se configura, referiu, em “um crime”.

Indiciado pelos crimes de “associação de malfeitores e rebelião armada”, na sequência os incidentes de 30 de Janeiro em Cafunfo, que resultaram em mortos e feridos, Zeca Mutchima está detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Luanda, desde 8 de Fevereiro passado.

Segundo a polícia angolana, cerca de 300 pessoas ligadas ao MPPLT, que há anos defende a autonomia daquela região rica em recursos minerais, tentaram invadir, na madrugada de 30 de Janeiro passado, uma esquadra policial de Cafunfo, província da Lunda Norte, e em defesa as foras de ordem e segurança atingiram mortalmente seis pessoas.

A versão policial é contrariada pelos dirigentes do MPPLT, partidos políticos na oposição, sociedade civil local e organizações internacionais que falam dezenas de mortos.

Zeca Mutchima é apontado pelas autoridades como cabecilha deste alegado “acto de rebelião” que para os cidadãos locais era uma “manifestação pacífica”.

Hoje, Salvador Freire voltou a lamentar igualmente a “ausência de informações concretas” do SIC sobre a permanência de Zeca Mutchima em Luanda, referindo que os agentes do SIC Luanda “também estão preocupadíssimos com a situação”.

“Porque acham que alguma coisa não está a andar bem a nível da província da Lunda Norte (palco dos incidentes de Cafunfo)”, frisou.

“Não sabemos se há ordens superiores ou não para que Zeca Mutchima continua detido, portanto isto é contra os princípios da dignidade da pessoa humana e efectivamente o Estado está a violar os direitos de Zeca Mutchima”, rematou Salvador Freire.

Folha 8 com Lusa

segunda-feira, 14 de junho de 2021

OPINIÃO: “Operação Caranguejo”. É preciso morder a pata…

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Quatro anos depois do famoso slogan “corrigir o que está mal”, as paredes da Casa de Segurança da Presidência da República foram sacudidas pela pandemia da “Operação Caranguejo” que culminou na detenção do Major Pedro Lussaty e a apreensão de milhões de dólares, euros, kwanzas, carros de luxo e outros bens. O caso acabou por trazer à tona a fragilidade da luta contra a corrupção em Angola, marcada pelo icebergue de esquemas fraudulentos.

Por José Marcos Mavungo (*)

Mal o Major Pedro Lussaty, da Casa de Segurança do Presidente da República foi detido no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, a notícia agitou o país, tendo relançado o debate sobre várias questões da actualidade, entre as quais a rotura do sistema de fiscalização nacional, a segurança aeroportuária do país e a delicada questão de mudanças em Angola. Toda a gente dizia tratar-se de um «esquema fraudulento». Consta que, no ano passado, vários oficiais pertencentes a este esquema foram aprisionados e aguardam por julgamento.

Nesta segunda-feira, 31 de Maio, a TPA exibiu uma série de quatro reportagens de investigação intituladas “O Banquete”, que mostrou ao pormenor toda a “Operação Caranguejo”. O trabalho de investigação do jornalista Cabingano Manuel apresenta relatos de esquemas fraudulentos e enriquecimento ilícito de Pedro Lussaty. Os números são surpreendentes: o arguido detinha na sua residência 19 malas com milhões de dólares, euros e ainda 21 caixas seladas com mais de meio bilião de kwanzas. Além disso, o Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) encontraram na residência de Pedro Lussaty várias marcas de automóveis na sua residência, mais de 30 carros, nomeadamente, Lexus, Volvo, BMW, Land Cruiser VX, Grand Cherokee, Mini Cooper, Mercedes-Benz, Nissan Patrol etc..

Foi preciso a detenção do major Pedro Lussaty, na segunda-feira, 17 de Maio de 2021, para uma fonte da Casa de Segurança da Presidência da República revelar à VoA que a operação integra “um esquema antigo em que estão envolvidos muitas altas patentes” das Forças Armadas Angolanas (FAA). Apesar de todas as leis e discursos de mudança e de perdão em Angola, quase sempre há algo que as contrarie, porque os “poderosos”, mais parvos do que Ícaro o fora, alteram as regras após o jogo ter começado.

A «malha corrupta e corruptora», como dirá o Padre Jacinto Pio Wacussanga, acabou assim por revelar a fragilidade das mudanças em curso, desde Setembro de 2017. Aparentemente, estamos em face a uma associação criminosa que funcionava a escassos metros da residência do Chefe de Estado. Mas, a grande questão colocada pela reportagem da TPA: «De que forma é que as caixas com selo do BNA foram parar nos apartamentos do Major Pedro Lussaty?».

Se por um lado, Pedro Lussaty podia recorrer ao saco azul da Presidência da Presidência, com o qual se fazem diversos pagamentos sem necessidade de justificativos, para colocar o dinheiro fora do sistema bancário, a verdade é que a classe política dominante não parece estar preocupada com a transparência, legalidade e eficácia. Também, muito dinheiro desviado passa pelos aeroportos do país. A este nível, pode-se falar de uma teia, estruturado em «ghetto despótico económico», um poderoso grupo fechado a que só têm acesso os magnatas do regime, envolvendo altas patentes militares e magnatas do país.

O processo dos marimbondos, que, com João Lourenço, assume agora a designação de Caranguejo é afinal um «icebergue», do qual apenas uma pequena parte emerge da superfície da água. A perversão do sistema herdado de José Eduardo dos Santos, não funcionava apenas a escassos metros da residência do Chefe de Estado; ele é sistémico, atinge todas as estruturas de governação do país.

Fiscalizar a legalidade e a eficácia dos gastos públicos e julgar infracções financeiras das altas patentes ligadas à estrutura de controlo da Casa de Segurança da Presidência da República é algo que deixa João Lourenço com os cabelos em pé, sobretudo por tratar-se do actual momento conturbado pelas eleições autárquicas que se avizinham. João Lourenço já “despediu” seis oficiais generais da Casa de Segurança do Presidente da República; e exigiu do general Francisco Furtado, novo Ministro do Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, “mudanças radicais” no cadastro de todos os órgãos de Defesa e Segurança Nacional.

O desvio de milhões no processo “Caranguejo” devia ter séries consequências políticas no “dito actual processo de mudanças”. Mas parece que João Lourenço não está ainda decidido a sepultar, mais uma vez, o antigo regime herdado de José Eduardo dos Santos. Assim como o seu predecessor, João Lourenço tem vindo a consolidar o seu poder, através de um sistema paralelo, no qual as instituições de importância sistémica como as Forças Armadas, a Polícia Nacional e os órgãos de segurança do estado funcionam em regime de excepção, como instituições informais acima da Lei e escapando em muitos aspectos ao Controlo do Executivo e do Tribunal de Contas.

Assim, mesmo se a Lei é clara (e.g. a Lei de Reunião e das Manifestações) a administração formal (Executivo, PGR, Tribunais de Comarca, Tribunal de Contas) emagrece, deixa o que não pode gerir e que não é da sua competência, não se enreda em emaranhadas teias de interesses ligados às instituições de segurança do estado – sobretudo quando se trata de ordens superiores ou de questões de saco azul da Presidência -, que não passam de burocracias ensebadas de odres corruptas, enriquecendo os muitos oportunistas, amigos de estimação e familiares de ocasião que deambulam ou comem na manjedoura das escadas do poder.

É assim que o Estado angolano ficou preso de tanto parasitismo que come a sociedade, sem que esta consiga mais alimento para tanto vício instituído.

Para travar a corrupção em Angola e evitar as consequências nefastas de esquemas fraudulentos e enriquecimento, que estão a revelar-se trágicas na vida das populações, é urgente a implementação de reformas coerentes e consistentes, animadas por consciências lúcidas, e visado uma ruptura radical com a governação de José Eduardo dos Santos. Ser ou não ser, eis a questão (To be, or not to be: that is the question), dizia William Shakespeare.

Parece ser uma opção difícil de ser encarada, por que, sem dúvida, é inevitável que assim seja. Jamais o país se viu confrontado com tanta crise – miséria, fome, doenças, corrupção, injustiças, crimes políticos, abusos de poder, tensões sociais e políticas. Significa que se deve questionar o sistema da governação do país, abordar os actuais dilemas e conflitos latentes (entre os quais «a repartição dos recursos», «a criminalização das manifestações» e «a questão de Cabinda»), o sistema de fiscalização dos actuais órgãos da governação, o papel dos órgãos de defesa e segurança no funcionamento da democracia e no desenvolvimento, do ponto de vista político-jurídico, social, económico e cultural, o que permitiria aprofundar e garantir uma paz duradoira e um desenvolvimento sustentável.

Há quase quatro anos que se fala do famoso slogan “corrigir o está mal, e melhorar o que está bem”; mas a falta de agilidade e de querer político para resolver os problemas do povo, como consequência de uma pandemia que, desde os anos 60, rebentou os alicerces da justiça social e fraternidade do país, não tem conduzido ao seu desbloqueamento.

Observe-se, quando um lobo se desloca cuidadosamente à volta de algum edifício cheio de víveres e acidentalmente tropeça, originando assim um grande ruído, morde a pata afim de aprender a evitar um erro semelhante. É, pois, urgente que, neste momento, se morda na pata.

Se nada for feito, a contestação do sistema, as manifestações continuarão a aumentar; porque as debilidades institucionais, evidenciadas por um elevado índice de corrupção e de injustiças, acabarão por ter um impacto determinante na estabilidade do país. E, ao que tudo indica, o impacto será desastroso.

Mas não tem de ser assim. Angola dispõem de potencialidades humanas e naturais para mudar o rumo. Além disso, depois de tantas guerras e fracassos nestas últimas seis décadas, das compulsões do que se aprendeu nesta experiência permitem ao angolano acreditar que será capaz de inventar instituições estáveis e fortes, capazes de resistir à paixões individualistas.

(*) Activista dos Direitos Humanos

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