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sexta-feira, 8 de maio de 2026

ANGOLA: VALA COMUM COM 500 RESTOS MORTAIS.

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Mais de 500 perfis humanos foram localizados numa vala comum no Cemitério do 14, em Luanda, no âmbito das investigações sobre os massacres ordenados por Agostinho Neto em 27 de Maio de 1977, anunciou hoje o ministro da Justiça de Angola, Marcy Lopes. Marcy Lopes, ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), disse à Televisão Pública de Angola (TPA) que a localização da vala comum resultou de cinco anos de buscas e pesquisas com recurso a diversos equipamentos tecnológicos. “Os restos mortais serão encaminhados para exames laboratoriais, com vista à confirmação das identidades e ao apoio às famílias no processo de reconhecimento dos seus entes queridos”, disse o governante, citado pela TPA. De acordo com informações da comissão, será divulgada uma lista na Unidade Central de Criminalística, em Luanda, bem como nas restantes províncias do país, para permitir aos familiares efectuar a recolha de amostras de ADN para testes de compatibilidade. A CIVICOP, criada em 2019, dedica-se a localizar ossadas, identificar vítimas e promover memoriais sobre conflitos políticos ocorridos entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002. Desde 2021 já foram exumados restos mortais de 316 vítimas em oito províncias, tendo sido emitidas 3.248 certidões de óbito, com cerca de 500 famílias com reclamações activas. O HOLOCAUSTO “MADE IN” MPLA Se Angola fosse, de facto, um país à procura de uma verdadeira reconciliação e um Estado de Direito, em Luanda teríamos um museu do holocausto de 27 de Maio de 1977. Mas não. O que temos é a veneração acéfala, mas oficial, ao genocida responsável pelos massacres (Agostinho Neto), considerado pelo MPLA como herói nacional. É mais ou menos como os alemães considerarem Hitler como um herói nacional. O Papa Francisco assinalou em 27 de Janeiro de 2021, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, alertando para o risco de voltar a acontecer. Fazendo nossas as palavras do Papa, o Folha 8 relembra os massacres de 27 de Maio de 1977, alertando igualmente para o risco de voltarem a acontecer. “Tenham atenção, vejam como começou esta estrada de morte, de extermínio, de brutalidade”, disse Francisco, no final da audiência geral, na biblioteca do Palácio Apostólico, realizada com transmissão online e sem fiéis devido à pandemia. O argentino chefe da Igreja Católica acrescentou que lembrar é uma expressão de humanidade e um sinal de civilização. Nós chamamos-lhe “Jornalismo com memória”. “Lembrar é condição para um futuro melhor de paz e fraternidade. Lembrar é necessário porque essas coisas podem acontecer novamente”, afirmou o Papa, alertando para a necessidade de se ter cuidado face as propostas ideológicas que ameaçam a humanidade. “Fico um pouco incomodado quando ouço cristãos recitando versículos da Bíblia como papagaios. Mas você já encontrou o Senhor com esse versículo? Não é apenas uma questão de memória, mas de coração”, acrescentou. O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é celebrado anualmente no dia 27 de Janeiro, no aniversário da libertação do Campo de Concentração e Extermínio Nazi de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas em 27 de Janeiro de 1945. Este dia foi proclamado como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto através da Resolução 60/7 adoptada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1 de Novembro de 2005. Esta data tem dois objectivos: em primeiro lugar, presta-se homenagem à memória das vítimas do Holocausto e, em segundo lugar, relembra-se a necessidade de combater o anti-semitismo, o racismo e quaisquer outras formas de intolerância que possam levar à violência. Massacres de 27 de Maio de 1977 Estávamos a 17 de Setembro de 2016. O então ministro da Defesa de Angola e vice-presidente do MPLA, general João Lourenço, denunciou tentativas de “denegrir” a imagem de Agostinho Neto, primeiro Presidente angolano. João Lourenço discursava em Mbanza Congo, província do Zaire, ao presidir ao acto solene das comemorações do dia do Herói Nacional, feriado alusivo precisamente ao nascimento do primeiro Presidente angolano. “A grandeza e a dimensão da figura de Agostinho Neto é de tal ordem gigante que, ao longo dos anos, todas as tentativas de denegrir a sua pessoa, a sua personalidade e obra realizada como líder político, poeta, estadista e humanista, falharam pura e simplesmente porque os factos estão aí para confirmar quão grande ele foi”, afirmou. João Lourenço nunca se referiu ao caso na sua intervenção, mas o bureau político do MPLA criticou em Julho de 2016, duramente, o lançamento em Portugal de um livro sobre o MPLA e o primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, queixando-se então de uma nova “campanha de desinformação”. Em causa estava (continua a estar e deverá estar sempre) o livro “Agostinho Neto – O Perfil de um Ditador – A História do MPLA em Carne Viva”, do historiador angolano Carlos Pacheco, lançado em Lisboa a 5 de Julho de 2016, visado no comunicado daquele órgão do Comité Central do partido no poder em Angola desde 1975. Carlos Pacheco disse na altura que a obra resulta de uma década de investigação histórica e que “desmistifica” a “glória” atribuída ao homem que conduziu os destinos do movimento que lutou pela libertação do jugo colonial português em Angola (1961/74). Contudo o livro tem sido fortemente criticado em Luanda, por parte de dirigentes e elementos afectos ao MPLA e da fundação com o seu nome. “A República de Angola está a ser vítima, mais uma vez, de uma campanha de desinformação, na qual são visadas, de forma repugnante, figuras muito importantes da Luta de Libertação Nacional, particularmente o saudoso camarada Presidente Agostinho Neto”, lê-se no comunicado do bureau político. Na intervenção em Mbanza Congo, João Lourenço, que falava em representação do seu chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, sublinhou que Agostinho Neto “será sempre recordado como lutador pela liberdade dos povos” e um “humanista profundo”. “Como atestam as populações mais carenciadas de Cabo Verde, a quem Agostinho Neto tratou gratuitamente, mesmo estando ele nas condições de preso politico. É assim como será sempre lembrado, por muitas que sejam as tentativas de denegrir”, afirmou o então ministro da Defesa e hoje Presidente da República. “Em contrapartida”, disse ainda João Lourenço, os “seus detractores não terão nunca uma única linha escrita na História, porque mergulhados nos seus recalcamentos e frustrações, não deixarão obra feita digna de respeito e admiração”. “Não terão por isso honras de seus povos e muito menos de outros povos e nações. A História encarregar-se-á de simplesmente ignorá-los, concentremos por isso nossas energias na edificação do nosso belo país”, disse João Lourenço. Sabendo o que dizia mas não dizendo o que sabe, João Lourenço alinhava (e alinha) na lavagem da imagem de Agostinho Neto numa altura em que, como sabe o regime, os angolanos começam cada vez mais a pensar com a cabeça e não tanto com a barriga… vazia. Terá João Lourenço alguma coisa a dizer aos angolanos sobre os acontecimentos ocorridos no dia 27 de Maio de 1977 e nos anos que se seguiram, quando dezenas de milhar de angolanos foram assassinados por ordem de Agostinho Neto? Agostinho Neto, então Presidente da República, deu o tiro de partida na corrida do terror, ao dispensar o poder judicial, em claro desrespeito pela Constituição que jurara e garantia aos arguidos o direito à defesa. Fê-lo ao declarar, perante as câmaras da televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos. Tal procedimento nem era uma novidade, pois, na história do MPLA tornara-se usual mandar matar os que se apontavam como “fraccionistas”. O que terá a dizer sobre isto o agora Presidente da República, general João Lourenço? Agostinho Neto deixou a Angola (mesmo que João Lourenço utilize toda a lixívia do mundo) o legado da máxima centralização de um poder incapaz de dialogar e de construir consensos, assim como de uma corrupção endémica. E os portugueses que nasceram e viveram em Angola, ainda hoje recordam o papel que teve na sua expulsão do país. Antes da independência declarava que os brancos que viviam em Angola há três gerações eram os “inimigos mais perigosos”. Em 1974, duvidava que os portugueses pudessem continuar em Angola. Em vésperas da independência convidava-os a sair do país. E já depois da independência, por altura da morte a tiro do embaixador de um país de Leste, cuja viatura não parara quando se procedia ao hastear da bandeira de Angola, dirigiu-se, pela televisão, aos camaradas, para lhes dizer que era preciso cuidado, pois nem todos os brancos eram portugueses. Desde 1977 que Angola, o Povo, aguarda pela justiça, mas com as mentes caducas no leme do país, essa magnanimidade de retratação mútua, para o sarar de feridas, não será possível, augurar uma Comissão da Verdade e Reconciliação, muito também, por não haver um líder em Angola. fonte: folha8

COOPERAÇÃO FRAUDULENTA ENTRE FRANÇA E ANGOLA.

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O site da Presidência angolana acaba de publicar informações afirmando que o presidente cessante, João Lourenço, conversou por telefone com o também presidente cessante Emmanuel Macron. A pergunta que se impõe é: quem se beneficia desta cooperação? Por Osvaldo Franque Buela (*) Orecente diálogo entre João Lourenço e Emmanuel Macron segue a velha tradição diplomática que brilha nos salões do Eliseu, ou por via telefone, mas que se apaga antes de chegar aos musseques de Luanda ou às terras de Cabinda, onde o petróleo flui dia e noite sem qualquer impacto no desenvolvimento local. Não está na hora de nós, angolanos e cabindenses, pararmos um pouco e, finalmente, nos perguntarmos por que razão esta cooperação, oficialmente destinada ao “desenvolvimento”, nunca beneficia o cidadão comum? Será que a realpolitik continuará para sempre acima da Ética? É sabido que a França procura, antes de tudo, estabilidade na África Central e o acesso privilegiado aos recursos energéticos através da TotalEnergies e em troca deste apoio diplomático, o poder de João Lourenço garante contratos bilionários. E como já se tornou costume, nesta troca de favores ao mais alto nível, as questões dos direitos humanos, da liberdade de imprensa e da justiça social são sacrificadas e o povo não é considerado como um parceiro no contrato mas é apenas o cenário. A França sabe perfeitamente que o desvio pelos Mecanismos do Estado é uma marca institucional deste regime, mas continua a avançar com fundos enquanto finge não ver nada. O regime já estabeleceu há muito tempo um sistema de desvio de toda a ajuda através de um canal bem disfarçado, o que faz com que os fundos provenientes da cooperação ou de investimentos estrangeiros passam por estruturas estatais controladas exclusivamente pela elite do MPLA. Sob o pretexto de “conteúdo local” ou parcerias público-privadas, os benefícios são capturados por empresas que pertencem a figuras próximas do poder. Uma máquina bem oleada onde ninguém fora deste circuito vê os fundos a serem alocados para estruturar projetos que podem impactar diretamente o povo. Se realmente a cooperação visasse realmente a emancipação (através do digital ou da educação, como defende por exemplo a Initiatives Panafricaines – IPAN, e outras associações ou organismos de supervisão) ela ameaçaria o controlo do partido. É por isso que projectos que promovem a autonomia real dos cidadãos são sistematicamente bloqueados ou esvaziados. Será que a França desconhece que a sua ajuda fortalece a repressão? Se a França realmente ignora isto, nós, o povo angolano e cabindense, através das nossas organizações de cidadania, sabemos que quando ela apoia as capacidades institucionais de Angola, acaba por reforçar indirectamente um aparelho de Estado que se tornou mais repressivo. O material e a formação técnica que coloca ao lado do regime servem, muitas vezes, para modernizar a vigilância e o controlo das populações, nomeadamente em Cabinda e nas zonas de maior contestação social. A miragem das grandes obras desta cooperação concentra-se em infra-estruturas de prestígio ou sectores extractivos que não geram empregos reais para a juventude angolana. A elite arrecada as comissões dos grandes contratos, enquanto o povo continua a sobreviver sem acesso básico a água, electricidade ou saúde digna. Conclusão: É Preciso Despertar. Não nos calaremos e continuaremos a dizer à França que a cooperação França-Angola continuará a ser um fracasso enquanto for um diálogo de elites para as elites. Enquanto Paris fechar os olhos ao desvio de recursos pelo clã no poder em troca de estabilidade petrolífera, o ressentimento do povo angolano e de Cabinda continuará a crescer. Uma verdadeira parceria não se assina entre dois presidentes, mas entre sociedades civis livres. Enquanto iniciativas de cidadania forem bloqueadas na alfândega, enquanto os dividendos do petróleo fluem livremente para contas offshore, a palavra “cooperação” não passará de um eufemismo para a espoliação. Assim será, e sempre que tivermos oportunidade, denunciaremos. folha8

domingo, 3 de maio de 2026

Dia do Trabalho na Guiné-Conacri: o SNE denuncia condições "sufocantes" para os professores.

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Por ocasião da celebração do dia 1º de maio de 2026, que marcou o 140º aniversário do Dia Internacional do Trabalhador, os trabalhadores guineenses foram mais uma vez chamados a refletir sobre suas condições de vida e de trabalho. Nesse contexto, o Sindicato Nacional dos Professores (SNE), liderado por seu secretário-geral, Michel Pépé Balamou, publicou um comunicado em seus canais de comunicação, destacando uma situação preocupante para os professores na Guiné. Nesta mensagem, o sindicato destaca o contraste entre o espírito festivo e a realidade no terreno: “Ao comemorarmos este 140º aniversário, a situação nas nossas salas de aula é desoladora. Apesar das promessas e dos memorandos de entendimento, as condições de vida e de trabalho dos professores na Guiné permanecem precárias, até mesmo indignas da nossa missão republicana.” O SNE (Sindicato Nacional dos Professores) denuncia, em particular, a erosão do poder de compra dos professores, agravada pela inflação e pelo elevado custo de vida. “Como podemos pedir a um educador que nutra as mentes das crianças da República quando ele próprio luta para alimentar a sua família?”, questiona o sindicato. Para além dos salários considerados insuficientes, os professores têm de lidar com difíceis condições de trabalho: salas de aula sobrelotadas, falta de material didático e infraestruturas inadequadas. “O professor guineense tornou-se um mágico, obrigado a produzir excelentes resultados com recursos escassos”, lamenta o texto. O SNE (Sindicato Nacional da Educação) reitera que suspendeu a convocação de greve para 1º de dezembro de 2025, em uma tentativa de apaziguamento e diálogo com as autoridades. O sindicato apresenta essa decisão como um ato de responsabilidade, não uma rendição. "A suspensão não é um fim. A vigilância do sindicato permanece", alerta o comunicado. Uma longa lista de reivindicações O sindicato também lista disfunções persistentes que, segundo eles, estão sufocando os trabalhadores do setor da educação: o congelamento de salários e o não pagamento de bônus e atrasados; a falta de transparência no processo de reclassificação; atrasos administrativos relativos a professores aposentados; a eliminação ou o não pagamento de bônus relacionados ao trabalho. A situação é considerada ainda mais crítica para os professores das comunidades locais, que enfrentam, em particular: a dificuldade em contratar funcionários terceirizados municipais, inclusive na zona especial de Conacri; vários meses de salários atrasados ​​para milhares de professores; disparidades nos bônus de incentivo dependendo da região; Descumprimento dos compromissos relacionados ao aumento do índice salarial. Diálogo e advertência ao governo Apesar dessas dificuldades, o SNE (Sindicato Nacional dos Professores) reafirma sua participação contínua nos comitês técnicos criados para tratar de questões prioritárias no setor da educação, em especial a regularização dos professores contratados e a revisão do estatuto especial dos professores. Contudo, o sindicato apela às autoridades para que passem das palavras à ação: “Investir nos professores é investir na estabilidade e no desenvolvimento da Guiné”. O SNE também insta o governo a garantir a neutralidade em relação às organizações sindicais e a respeitar os princípios da liberdade sindical consagrados em convenções internacionais. Michel Pépé Balamou apela à coesão e à mobilização dos professores, defendendo, ao mesmo tempo, uma reforma fundamental do sindicalismo no país. “A reconstrução dos sindicatos de professores na República da Guiné é um imperativo inegociável”, insiste. A mensagem conclui em tom combativo e mobilizador: “Pela dignidade dos professores, a luta continua. Unidade de ação – Luta – Vitória!” fonte: guinee360.com

1º de maio na Guiné-Conacri: O trabalhador privado do seu dinheiro, privado da sua celebração.

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Como todos os anos, o mundo celebra o dia 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador. Na Guiné, porém, esta comemoração ocorre num clima particularmente tenso, marcado por uma persistente crise de liquidez que pesa muito no dia a dia dos cidadãos. Há vários meses, o acesso a dinheiro tornou-se um verdadeiro problema, especialmente em Conacri. Nos bancos e nas casas de câmbio, os levantamentos estão agora limitados, dificultando o recebimento dos salários por muitos trabalhadores, que, no entanto, são depositados regularmente nas suas contas. Nesse contexto, a celebração do Dia Internacional do Trabalhador assume uma ressonância particular: o que o trabalhador guineense está realmente celebrando hoje? A pergunta merece ser feita. Para muitos funcionários públicos, a realidade é dura: receber um salário já não garante a liberdade de gastá-lo. Entre longas filas nos bancos e restrições de saque, acessar o próprio dinheiro pode, por vezes, parecer uma provação. Diante dessa situação, o governo, por meio do Ministério do Trabalho, anunciou o adiamento das festividades de 1º de maio para uma data posterior — uma decisão que, ao contrário do que se pensa, evidencia as dificuldades atuais. Por sua vez, o Sindicato Nacional dos Professores (SNE), liderado por seu secretário-geral, Michel Pépé Balamou, defende que este dia seja um momento de reflexão. O sindicato destaca a discrepância entre o espírito festivo e a realidade vivida pelos professores no dia a dia. Segundo o SNE, apesar dos compromissos assumidos e dos acordos firmados com as autoridades, as condições de vida e de trabalho dos professores não melhoraram significativamente. A organização denuncia, em particular, a erosão do poder de compra, agravada pela inflação e pelo alto custo de vida. Além do setor da educação, essa observação parece ser compartilhada por uma grande parcela dos trabalhadores guineenses. Entre as dificuldades de acesso a recursos financeiros e a deterioração das condições de vida, o 1º de maio surge menos como uma celebração do que como um lembrete dos desafios persistentes. Nesse contexto, o Dia Internacional do Trabalhador ressoa mais como um apelo à ação dirigido às autoridades, instando-as a apresentar soluções concretas para as reivindicações dos trabalhadores. fonte: guinee360.com/

GUINÉ-CONACRI: Aboubacar Sidiki Camara - “A Rússia continua sendo um parceiro privilegiado em termos de cooperação militar”.

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A Guiné deu mais um passo na modernização de seu exército. Em Conacri, um carregamento significativo de equipamentos militares russos foi entregue às forças de defesa e segurança, um símbolo de uma parceria estratégica que o Ministro da Defesa descreveu como mais crucial do que nunca para o fortalecimento das capacidades operacionais do país. A cerimônia ocorreu na sexta-feira, 1º de maio de 2026, na principal base aérea de Conacri, na presença do Presidente da Transição, Mamadi Doumbouya, do Alto Representante do Ministério da Defesa da Rússia, que também é enviado especial de Vladimir Putin, e do Embaixador da Rússia na Guiné. Em seu discurso, o Ministro da Defesa Nacional, Aboubacar Sidiki Camara, fez um panorama da história das relações bilaterais. “Em 2 de outubro de 1958, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas e de cooperação com a nossa jovem República, e também a apoiar todas as aspirações de emancipação da época. Desde então, a cooperação militar tem sido uma prioridade máxima nessas relações entre os dois países”, afirmou. Prosseguindo, o Ministro lembrou: “Vale a pena recordar que os primeiros equipamentos importantes para a Força Aérea, a Marinha, a artilharia, os veículos blindados e o armamento são fruto dessa cooperação, que tornou o exército guineense um dos mais temidos da sub-região”. Ainda hoje, décadas depois, a Guiné recebe cerca de dez bolsas de estudo militares por ano para a formação de especialistas em todos os ramos das Forças Armadas da Guiné. Ele também enfatizou a contínua aquisição de equipamentos militares russos: “Foi levando em consideração todas essas realidades históricas e a qualidade das relações em constante evolução entre nossos dois países que o comando militar estendeu a mão às forças armadas russas e que, por vontade de Sua Excelência o Sr. Vladimir Putin, esse equipamento chegou ao conhecimento de Sua Excelência o Presidente da República, Comandante Supremo das Forças Armadas, a fim de fortalecer as capacidades operacionais de nossas forças, que estão comprometidas com a paz e a segurança em nossos respectivos países, bem como no mundo. Nesta fase de recuperação econômica, com o horizonte de 6 de março de 2040, e o fortalecimento de nossa instituição de defesa diante de múltiplas ameaças, a Federação Russa permanece um parceiro privilegiado na cooperação militar”, afirmou Aboubacar Sidiki Camara. fonte: https://www.guinee360.com

CHINA APOSTA NOS PEQUENOS PAÍSES LUSÓFONOS.

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Um estudo académico aponta que a China tem vindo a consolidar a sua presença tecnológica e económica nos pequenos países lusófonos da África Ocidental, nomeadamente Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Um relatório, assinado por investigadores da Universidade de Georgetown e do grupo de reflexão The Digital Economist, destacou que estes Estados, “historicamente marcados pela fragilidade económica e política”, encontram na parceria com a China uma alternativa às “tradicionais ligações com o Ocidente”. “Estes pequenos países contam uma história grande e globalmente significativa sobre a melhor forma de prosseguir o desenvolvimento internacional nos mercados emergentes”, escrevem os autores, William Vogt (The Digital Economist), Guilan Massoud-Moghaddam e Robert Miles Chong (Universidade de Georgetown). Em declarações à Lusa, Vogt sublinhou que “a China está a construir relações mais estreitas com os países de língua portuguesa através da ligação cultural partilhada com Macau” e recordou que Pequim “tem também um historial de apoio a camaradas comunistas em alguns destes países durante os primeiros anos das respetivas independências”. Segundo o académico, a situação actual nestes países “alinha-se com algumas das prioridades de investimento directo estrangeiro de Pequim, nomeadamente a promoção das inovações tecnológicas avançadas da China”. Há, acrescenta, “uma convergência na promoção da disseminação de tecnologia avançada de vigilância e na introdução de componentes, ferramentas e infraestruturas essenciais para a sua plena implementação em novos mercados”. “Os países de língua portuguesa destacam-se neste contexto porque estão motivados a aplicar tais programas para reforçar a segurança, enquanto a China procura difundir as suas inovações tecnológicas de ponta no mercado global mais amplo”, afirmou Vogt, sublinhando que para Pequim isto tem o efeito adicional de consolidar relações económicas mais firmes e uma penetração de mercado já visível em alguns destes países. Segundo o estudo, na Guiné-Bissau, Pequim tem investido em agricultura, energia e telecomunicações, incluindo acordos com a Huawei e apoio à produção de caju. Na investigação recorda-se que “a combinação de 500 anos de subdesenvolvimento português e um tipo de socialismo estatal garantiu que o país nunca fosse capaz de aproveitar os seus recursos naturais e humanos”. Apesar da instabilidade política, a Guiné-Bissau aderiu à iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ em 2021, procurando reforçar a cooperação com a China. A iniciativa lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013, é descrita como uma estratégia global de infra-estrutura e desenvolvimento, que visa ligar a Ásia, Europa e África por meio de rotas terrestres e marítimas, fomentando o comércio, investimentos e a influência económica chinesa. Em Cabo Verde, os investimentos chineses concentram-se no turismo e nas tecnologias de informação e comunicação. Projectos como a instalação de cabos submarinos de fibra óptica pela gigante tecnológica Huawei são apontados como exemplos da aposta de Pequim em transformar o arquipélago num destino internacional e num ‘hub’ digital regional. “Cabo Verde é um país com intermediação financeira fraca e escassa diversidade de recursos naturais”, nota-se no estudo, sublinhando que o investimento externo direto tem sido uma “tábua de salvação” para a economia. Já em São Tomé e Príncipe, Pequim tem privilegiado o sector agrícola e o desenvolvimento portuário, com vista a explorar o potencial energético e marítimo do arquipélago. A decisão de cortar relações com Taiwan em 2016 abriu caminho a novos acordos bilaterais, incluindo projetos de TIC sustentáveis e apoio à investigação agronómica. No relatório descreve-se o arquipélago como “mais do que a terra do cacau e do café”, apontando-o como o “Qatar do Golfo da Guiné” pela sua posição estratégica. Para Vogt, o posicionamento global da China revela “uma provável compreensão das prioridades e dos caminhos de desenvolvimento enfrentados por estes países”, que podem ser atraídos pela abordagem de Pequim “enquanto potência não ocidental, sem o peso histórico dos abusos das políticas imperialistas ocidentais”. Hoje, acrescentou, “a China oferece benefícios socioeconómicos plausíveis a estes países através de produtos, programas e iniciativas considerados úteis para um desenvolvimento digital sustentável”, ao mesmo tempo que mantém “um historial de fornecer oportunidades para desenvolver outras indústrias lucrativas através de investimento e infraestruturas turísticas”.

“BASTANTE LAMENTÁVEL” ATAQUE A IMIGRANTES NA ÁFRICA DO SUL.

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A ministra do Trabalho de Moçambique considerou “bastante lamentável” a situação de ataques a imigrantes na África do Sul e espera que se resolva “muito rapidamente”. Ivete Alane, ministra do Trabalho, Género e Acção Social de Moçambique, diz que “é uma situação lamentável, bastante lamentável e estamos todos muito tristes com o que temos estado a assistir”. A governante avançou que tem estado em contacto diário com a representação de trabalho moçambicana na África do Sul e, até este momento, não há notícias oficiais de trabalhadores de Moçambique afectados. “É nossa expectativa que a situação se resolva muito rapidamente e nós vamos continuar a acompanhar o processo e a garantir que os nossos trabalhadores não fiquem afetados por esta situação que se vive na África do Sul”, referiu Ivete Alane. A ministra do Trabalho apelou para uma convivência pacífica, lembrando que hoje em dia se vive num mundo em que as pessoas se movimentam e que estrangeiros “existem em toda a parte”. “Não importa onde estamos, em que país é que estamos, temos de promover um mundo de paz”, concluiu. A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando migrantes, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, Este do país. Na quinta-feira, a embaixadora moçambicana na África do Sul, Maria Gustavo, pediu aos moçambicanos calma face à situação. A responsável apelou aos moçambicanos que tenham sido vítimas da situação que contactem uma representação consular nacional próxima para “esclarecer o que terá acontecido”, que se distanciem das manifestações em curso e de locais de risco e que acompanhem as informações partilhadas pelos líderes comunitários naquele país ou comuniquem diretamente à embaixada moçambicana, caso haja problemas. O Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), líder da oposição, pediu, no mesmo dia, ações conjuntas entre os governos moçambicano e sul-africano, apontando falhas na ação consular e diplomática. Na quarta-feira, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) criticou o silêncio do executivo e propôs a criação de uma comissão parlamentar para abordar o problema com as autoridades sul-africanas. Também na terça-feira, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou a uma intervenção urgente junto do Governo sul-africano, manifestando preocupação com a segurança dos moçambicanos naquele país. A África do Sul tem registado episódios recorrentes de violência xenófoba, com destaque para os incidentes de 2019, que causaram a morte de pelo menos 18 estrangeiros, segundo a Human Rights Watch. folha8

ANGOLA: LEILÃO DE MAIS 74 DIAMANTES ESPECIAIS.

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A Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes de Angola (Sodiam) anunciou hoje que vai leiloar 74 pedras especiais de diamantes, com peso igual ou superior a 10,8 quilates, entre 23 de Fevereiro e 4 de Março. Segundo a Sodiam, as sessões de visualização irão decorrer a partir da próxima segunda-feira até 3 de Março nos seus escritórios, em Luanda, e o processo de licitação que será feito de forma electrónica, apenas, encerra em 4 de Março às 10:00 locais. A empresa refere, em comunicado, que o leilão será direccionado a clientes registados na sua base de dados e que tenham experiência na comercialização de pedras especiais, sendo que os lotes irão incluir um total de 74 pedras. As pedras especiais foram produzidas nas minas de Luele (37), Catoca (14), Mussende (08), Kaixepa (05), Chitotolo (05), Lulo (02) e nas minas do Cuilo Kwenda, Somiluana e Furi com uma cada. Este será o décimo sexto leilão electrónico de diamantes brutos organizado pela Sodiam desde 2019 e é organizado em colaboração com a empresa Trans Atlantic Gem Sales. Em 2025, a Sodiam exportou cerca de 17,8 milhões de quilates em bruto por um valor de cerca de 1,8 milhões de dólares, posicionando Angola como o terceiro maior produtor mundial de diamantes brutos em termos de valor, lê-se ainda no comunicado. A Sodiam promove a comercialização e transformação de diamantes, capitalizando o seu rendimento em activos que – diz – “geram futuro brilhante para as comunidades”. Também afirma quer visa “tornar-se uma empresa de referência mundial no suprimento de diamantes naturais, com ética e responsabilidade” Quanto aos seus valores, salienta na Ética a aposta “nas transacções, através da transparência, previsibilidade, equilíbrio entre a necessidade de intervenção pública e dos actores do mercado”, comprometendo-se na adopção de “medidas de natureza estratégica necessárias para garantir a estabilidade e atractividade dos preços dos diamantes angolanos”. Quanto à Fiabilidade diz que trabalha “para assegurar a fiabilidade dos dados e informação sobre a actividade de comercialização de diamantes em Angola”. A Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes de Angola (Sodiam E.P.) é a empresa pública angolana responsável por controlar e supervisionar a negociação, compra, venda e exportação de diamantes em Angola. A companhia actua em estreita cooperação institucional com outras entidades relevantes à Indústria de diamantes com as seguintes funções principais: Actuar como canal único da comercialização; Gestor de reservas estratégicas de diamantes do Estado; Comprador e revendedor de diamantes brutos da produção em pequena escala (artesanal ou semi-industrial); Assegurar o abastecimento de diamantes das fábricas de lapidação. Em Angola, a empresa tem a sede em Luanda, um Polo de Desenvolvimento Diamantífero (PDDS) e um centro de treinamento em avaliação e lapidação de diamantes (CEFOLAD), em Saurimo. A função de Órgão Público de Comercialização visa garantir e uniformizar as questões metodológicas, de segurança, transparência, transação e certificação dos diamantes, além de facilitar o cumprimento das obrigações do Estado no âmbito das premissas do Sistema de Certificação do Processo Kimberley. A empresa procura, com as suas operações: Actuar como Órgão Público de Comercialização; Gestor de reservas estratégicas dos diamantes do Estado; Promotor do fomento da actividade de lapidação de diamantes; Comprador e revendedor de diamantes brutos da produção em pequena escala (artesanal ou semi-industrial); Promotor e organizador dos diferentes modelos de venda de diamantes no mercado internacional. A empresa tem os escritórios de representação na Bélgica (SODIAM ANTWERP BVBA) e explora oportunidades mercados de Israel, Dubai, Shangai e Macau. fonte: folha8

CONGO BRAZAVILLE: Novo código de mineração para acelerar a industrialização do setor de mineração de minério sólido.

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Aprovado pelas duas casas do Parlamento em 8 e 10 de abril de 2026, respectivamente, o novo código de mineração da República do Congo representa um avanço na otimização das receitas da mineração e na gestão sustentável dos recursos minerais. O setor de mineração congolês era regido por um código datado de 11 de abril de 2005. Este código havia sido adotado para atrair investimentos maciços no setor de minerais sólidos e aprimorar o conhecimento sobre o solo e o subsolo congoleses. O Congo possui diversos minerais procurados no mercado global, incluindo ferro, potássio, fosfatos, cassiterita, coltan (columbita-tantalita), elementos de terras raras, diamantes brutos, ouro, quartzo e estanho. No entanto, esse rico potencial permanece insuficientemente explorado, e sua exploração acarreta enormes problemas ambientais, sociais e de segurança. Do ponto de vista econômico, o setor de minerais sólidos contribui pouco para o orçamento do Estado, que enfrenta dificuldades para conter o contrabando de metais preciosos (ouro, diamantes brutos e coltan), bem como de metais pesados ​​(em particular, cobre), que são exportados ilegalmente. Essas deficiências, prejudiciais ao Estado e às comunidades locais, levaram o governo a empreender uma reforma profunda do código de mineração de 2005, a fim de adaptá-lo aos desenvolvimentos do setor em níveis nacional, sub-regional e internacional. Desenvolvido com o apoio do Banco Mundial desde 2016, o novo código de mineração, recém-adotado, é resultado do trabalho realizado por um grupo de especialistas congoleses, com a assistência do escritório de advocacia Emery Mukendi Wafwana & Associates, entre 2016 e 2018. O projeto concilia a atratividade do investimento e a gestão estratégica dos recursos minerais com mecanismos inovadores, como o controle aprimorado da exploração e exportação de minerais, a exigência de processamento local de substâncias minerais ou fósseis em produtos semiacabados ou acabados antes de qualquer exportação, a criação da empresa nacional de mineração de produtos sólidos, o estabelecimento de um fundo de mineração e a prioridade dada ao conteúdo local, incluindo a obrigação de cada empresa de mineração realizar projetos sociais estruturantes, estabelecer provisões financeiras (para reposição de depósitos, proteção ambiental e recuperação de áreas degradadas), recuperar progressivamente as áreas exploradas antes do fechamento e assinar contratos financiados por um fundo de desenvolvimento comunitário. Este código mineiro também consagra o sistema de partilha de produção, confere grande importância ao cadastro mineiro, reforça o papel central do centro de pesquisa geológica e mineira, converte as autorizações de mineração de pequena escala em licenças, cria licenças para a exploração e aproveitamento de rejeitos de mineração, adapta o regime tributário e aduaneiro para produtos mineiros de forma a beneficiar a economia nacional sem desencorajar os investidores, mantendo, contudo, as normas de controle cambial, reitera a obrigatoriedade de as empresas mineiras contratarem seguros e reforça as sanções por infrações e fraudes relacionadas com o cumprimento das normas administrativas e fiscais, a mineração ilegal, a proteção ambiental e a adesão às práticas mineiras universalmente aceites. O Estado optou pelo princípio da adaptação, em vez da não retroatividade, para o processamento dos títulos e contratos mineiros em vigor à data da entrada em vigor desta nova lei mineira. Isto significa que as empresas mineiras detentoras destes títulos e contratos têm um prazo definido para os adaptar às disposições do novo código através de alterações a serem acordadas com o Estado. A implementação deste novo código visa promover uma transformação estratégica do setor de minerais sólidos, fortalecer a soberania nacional e estabelecer uma governança mineira moderna, rigorosa e voltada para o futuro. Jean-Romuald MAMBOU

VOTAÇÃO SOBRE A "LEI SONKO" NO SENEGAL: Aguardando a decisão do Conselho Constitucional…

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Uma lei bastante controversa foi aprovada em 28 de abril no Senegal pela Assembleia Nacional, amplamente vista como uma medida feita sob medida para o primeiro-ministro Ousmane Sonko, a fim de garantir sua elegibilidade para a próxima eleição presidencial. Vale lembrar que o ex-líder do partido Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade (PASTEF) e opositor ferrenho do regime do ex-presidente Macky Sall foi impedido de concorrer à presidência em 2024 após uma condenação judicial que o tornou inelegível. Essa condenação ainda pesa sobre ele, especialmente porque a Suprema Corte rejeitou seu recurso para anular a sentença em julho de 2025. Essa votação parece uma vitória parcial para Ousmane Sonko. Um veredicto final, que não impediu o ex-prefeito de Ziguinchor de assumir o cargo de primeiro-ministro, mas que resultou em sua inelegibilidade para o cargo por cinco anos, além das outras penalidades que lhe foram impostas. É essa espada de Dâmocles pairando sobre a cabeça do homem conhecido por ter sido mentor do presidente Bassirou Diomaye Faye em tempos recentes que a votação desta lei, que gerou um acalorado debate no Senegal, visa remover. Isso se verifica tanto dentro da oposição quanto entre uma parcela da maioria presidencial. Tal fato é ainda mais provável considerando que essas queixas não impediram a aprovação tranquila do projeto de lei, apresentado por meio de um procedimento de urgência, na Assembleia Nacional, onde foi adotado sem dificuldades na última terça-feira, com 128 votos a favor, 11 contra e duas abstenções. Como poderia ser diferente, se sabemos que as eleições legislativas antecipadas de novembro de 2024, realizadas após a eleição do presidente Bassirou Diomaye Faye para suceder Macky Sall, resultaram em um parlamento dominado pelo PASTEF, que conquistou 130 das 165 cadeiras em disputa? Independentemente dos motivos apresentados, esta votação representa uma vitória significativa para Ousmane Sonko, que estava ansioso e não escondia sua ambição de se tornar o sucessor do chefe de Estado, a quem impulsionou para a corrida pelo cargo mais alto do país devido à sua condenação que o desqualificava. Ele tem ainda mais motivos para comemorar, já que esta reforma eleitoral tende a garantir sua elegibilidade para a próxima eleição, aguardando a decisão final do Conselho Constitucional sobre o assunto. Porque se há uma questão que gera debate nesta nova lei eleitoral, é o princípio da retroatividade. E a oposição prometeu levar o assunto ao Supremo Tribunal. Enquanto isso, o presidente Bassirou Diomaye Faye tem motivos para se preocupar. Esta discussão renovada sobre a possibilidade de seu primeiro-ministro concorrer à próxima eleição presidencial corre o risco de exacerbar as tensões dentro do partido governista, intensificando a rivalidade entre as duas principais figuras do Poder Executivo. Se o PASTEF não tomar cuidado, essa luta pelo poder poderá ter sérias consequências para a coesão do partido. A aprovação desta lei, para grande desgosto da Coligação Presidencial de Diomaye, que partilhava das mesmas queixas da oposição, pode ser vista como prova tangível do domínio dos apoiantes do Primeiro-Ministro no Parlamento. Em qualquer caso, se a PASTEF não tiver cuidado, esta luta pelo poder que se desenrola nos bastidores, tendo em vista as eleições presidenciais de 2029, poderá ter sérias consequências para a coesão partidária, caso o Chefe de Estado e o seu Primeiro-Ministro trabalhem para se neutralizarem mutuamente. Além disso, Ousmane Sonko deve ter cuidado para não ser acusado hoje das mesmas queixas que lançou contra Macky Sall quando este era líder da oposição — nomeadamente, de manipular as instituições para benefício próprio. Em última análise, espera-se que, quando chegar a altura, o Conselho Constitucional faça jus à sua reputação e defenda a lei unicamente no interesse do povo senegalês. Porque, no fundo, a questão fundamental desta lei é se beneficia verdadeiramente o Senegal ou se foi concebida para servir os interesses de um único indivíduo. fonte: lePayy.bf

segunda-feira, 27 de abril de 2026

ATAQUES TERRORISTAS NO MALI: Solidariedade com o Mali.

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Os ataques coordenados contra Kati, Sévaré, Kidal e outros locais estratégicos não devem ser descartados como apenas mais um episódio na trágica rotina de um conflito que assola o Mali há mais de uma década. Pelo contrário, revelam uma estratégia meticulosamente planejada e executada com cinismo, que desfaz a noção de que grupos armados desorganizados sejam o único meio de expressão desses terroristas. O que ocorreu no último fim de semana em diversas cidades malianas demonstrou, na verdade, uma capacidade de planejamento, sincronização e mobilização que confirma a existência de convergência operacional entre atores com agendas distintas. Esse modus operandi visa unicamente semear o terror. De um lado, o JNIM, engajado em uma estratégia de desestabilização do Estado e imposição de uma ordem ideológica pela força. Do outro, a Frente de Libertação de Azawad (FLA), enraizada em uma antiga reivindicação territorial e identitária. A coordenação das suas ações em múltiplos teatros de operações demonstra claramente que não se trata de uma mera coligação oportunista, muito menos de uma fusão ideológica destes grupos, mas sim de uma cumplicidade tática dirigida contra um Estado e a sua população. A multiplicação das frentes, a sobrecarga das capacidades das forças de defesa do Mali e a criação de um clima de pânico generalizado constituem uma estratégia devastadora e mortal, implementada impiedosamente e sem a mínima consideração pelo custo humano. Para além dos alvos estritamente militares, estes ataques fazem parte de uma lógica de terror que consiste em atacar os arredores de Bamako, alcançar Kati, perturbar Sévaré e invadir Kidal, quase simultaneamente, com o objetivo de enviar uma mensagem clara aos malianos: que nenhuma área do país está verdadeiramente segura. Nenhuma reivindicação territorial, nenhuma ideologia religiosa, nenhum discurso de marginalização pode conferir qualquer legitimidade a tais ações, especialmente quando ocorrem em áreas povoadas, como foi o caso no último sábado. Este modus operandi visa unicamente semear o terror, abrindo múltiplas frentes para desorientar o exército maliano, imobilizando-o no sul para poder manobrar no norte, particularmente em torno de Kidal, e explorando sistematicamente todas as fragilidades até o ponto de manter todo o país como refém. Diante dessa ofensiva total, o exército maliano lançou contra-ataques e operações de varredura para retomar o controle das áreas afetadas. No entanto, permanecem questões legítimas sobre a capacidade dos atacantes de ditar o ritmo e criar um vácuo que foi rapidamente preenchido pelo medo ao longo do sábado. Como grupos sob pressão no Mali, mas também em Burkina Faso e Níger, conseguiram organizar ataques de tal magnitude? Como puderam atacar áreas tão sensíveis quase simultaneamente? Eles decidiram se coordenar, movidos por uma estratégia de sobrevivência. Parte da resposta reside, sem dúvida, em sua adaptabilidade. Encurralados, não abandonaram suas atividades desestabilizadoras; pelo contrário, decidiram se coordenar, movidos por uma estratégia de sobrevivência, para atacar com mais força e indiscriminadamente. Mas isso não basta para explicar tudo. Se tais ataques podem ocorrer em plena luz do dia em áreas consideradas seguras, é porque provavelmente existem vulnerabilidades que precisam ser rapidamente identificadas e solucionadas. Isso não significa negar os esforços das forças malianas para garantir a segurança do país, nem minimizar os sacrifícios feitos pelas autoridades para neutralizar os grupos armados, cuja responsabilidade continua sendo enorme nesses eventos. No entanto, devemos ter a coragem de reconhecer que, além das operações militares, a guerra também se trava na capacidade de antecipar e prevenir esse tipo de ataque, que visa minar o moral da população e semear a dúvida, mesmo entre os mais resilientes. É por meio de respostas vigorosas, proporcionais ao perigo representado por esses grupos armados, que a estratégia adotada até agora para expulsar os inimigos do Mali de seu território poderá ser mais eficaz, em benefício dos malianos e do resto do mundo. fonte: lepays.bf
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Aqui estão os principais momentos da situação de segurança no Mali desde 2012, após os ataques coordenados realizados neste fim de semana por jihadistas e pela rebelião tuaregue contra a junta militar governante, particularmente em Kidal, Kati e Gao. O Norte sob Controle Jihadista Desde a sua independência da França em 1960, o Mali tem vivenciado diversas rebeliões dos tuaregues, um povo nômade de origem berbere do Saara, que se insurgiram contra a dominação das populações negras sedentárias do Sul. Em março de 2012, os militares depuseram o presidente Amadou Toumani Touré, acusando-o de "incompetência" no combate à rebelião separatista tuaregue e a grupos islamistas no Norte. A rebelião e grupos ligados à Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM) tomaram o controle de importantes cidades do Norte. Os rebeldes tuaregues foram posteriormente expulsos pelos jihadistas. Intervenção Francesa Os jihadistas foram parcialmente expulsos pela Operação Serval, lançada pela França em 2013, que foi substituída em 2014 pela Operação Barkhane, a operação anti-jihadista no Sahel, também sob comando francês. O exército francês estabeleceu presença no Mali por quase uma década. A Missão Multidimensional Integrada de Estabilização das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) também foi mobilizada, substituindo a AFISMA (a força pan-africana). Acordo de Paz Em 11 de agosto de 2013, Ibrahim Boubacar Keïta, conhecido como "IBK", foi eleito presidente. Um acordo de paz foi assinado em 2015 entre o governo e os grupos separatistas no norte. No entanto, o país continuou assolado pela violência de grupos jihadistas, agravada por conflitos intercomunitários. Golpes de Estado e a Saída da França "IBK", reeleito em 2018, foi deposto por um golpe militar em 18 de agosto de 2020. Um presidente de transição foi nomeado, mas também foi deposto em um segundo golpe em 24 de maio de 2021. O general Assimi Goïta tornou-se chefe da junta e gradualmente abandonou suas promessas de uma transição democrática. A junta pressionou a França a retirar suas tropas em 2022, bem como a missão da ONU, enquanto o Mali garantiu os serviços do grupo paramilitar russo Wagner. Ressurgimento da Atividade Separatista no Norte Após oito anos de relativa calma, as hostilidades recomeçaram no norte em agosto de 2023 entre grupos armados predominantemente tuaregues e o exército. Em setembro, os separatistas lançaram uma ofensiva na cidade guarnição de Bourem, que o exército alegou ter repelido. Ambos os lados relataram dezenas de mortes. Essa retomada da atividade dos separatistas tuaregues coincide com uma série de ataques atribuídos principalmente ao Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), afiliado à Al-Qaeda. O exército retoma Kidal A ofensiva do exército, apoiada por combatentes do Grupo Wagner (posteriormente substituído pelo Afrika Korps), culmina em novembro de 2023 com a captura de Kidal, pondo fim a mais de uma década de controle rebelde sobre a cidade. Em janeiro de 2024, a junta anuncia o "término imediato" do acordo de paz assinado em 2015. Pesadas perdas para o exército Em julho de 2024, o exército do Mali e seus aliados russos sofrem seu maior revés em anos, sofrendo pesadas perdas após combates contra rebeldes separatistas em Tinzaouatene (norte) e um ataque de jihadistas. Em setembro, o JNIM reivindicou a autoria de um duplo ataque de proporções sem precedentes contra o aeroporto militar de Bamako, a capital, e contra a escola da gendarmaria, que deixou mais de 70 mortos e 200 feridos, segundo fontes de segurança. Força unificada antijihadista com Níger e Burkina Faso Níger, Burkina Faso e Mali, todos liderados por figuras militares e unidos em uma confederação, a Aliança dos Estados do Sahel (AES), anunciaram no início de 2025 a formação de uma força unificada de 5.000 homens contra "grupos terroristas". Bloqueio jihadista A partir de setembro de 2025, os jihadistas do JNIM adotaram uma estratégia de estrangulamento da economia do Mali, impondo bloqueios a diversas cidades e comboios de combustível. Autor: AFP

Real Madrid: Será este o fim da temporada para Mbappé?

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O final da temporada promete ser particularmente difícil para Kylian Mbappé. Coletivamente, o Real Madrid caminha para mais uma temporada sem um título importante, o segundo ano consecutivo sem conquistas, período que coincide com a presença do atacante francês na capital espanhola. Muito criticado nas últimas semanas, principalmente por alguns torcedores do Real Madrid, o ex-jogador do Paris Saint-Germain tem sido alvo de críticas por seu comportamento em campo. Essa situação alimenta um certo desconforto em torno do seu caso. Lesionado durante a partida contra o Real Betis no último fim de semana, Mbappé estaria sofrendo de uma leve distensão muscular. No entanto, alguns observadores do Real Madrid permanecem céticos e chegam a sugerir que a lesão possa estar sendo exagerada para protegê-lo de futuras competições internacionais, principalmente a Copa do Mundo. Essa hipótese foi levantada pelo jornalista Tomás Roncero. Mas outra declaração está causando ainda mais alvoroço na Espanha. Josep Pedrerol, o renomado apresentador do programa El Chiringuito e conhecido por sua proximidade com Florentino Pérez, fez uma declaração bombástica. Segundo ele, a partida contra o Betis pode muito bem ser o último jogo de Mbappé nesta temporada pelo Real Madrid. "Acho que ele não jogará mais nesta temporada por causa da lesão", afirmou. Se confirmada, essa declaração adicionaria ainda mais tensão a um final de temporada já turbulento para o clube madrilenho e seu astro francês. Autor: Babacar Sene

Morte do Ministro da Defesa do Mali: A perda de um pilar do regime em meio a uma ofensiva de segurança.

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A morte de Sadio Camara, ocorrida durante os ataques coordenados de 25 de abril de 2026, gerou incerteza nos mais altos escalões do governo de transição do Mali. Além do choque, o aparato de segurança do regime ficou fragilizado. Como Ministro da Defesa e figura central no establishment militar, ele ocupava uma posição estratégica na condução das operações e nas decisões de segurança. Sua ausência deixa um vácuo em uma cadeia de comando já pressionada, em um momento em que o país enfrenta uma ofensiva jihadista em larga escala. Essa morte também ocorre em meio a tensões persistentes, mesmo com as autoridades afirmando ter a situação sob controle. Internamente, porém, a questão da continuidade e da coordenação das operações militares é agora urgente. No curto prazo, o governo tenta manter uma postura firme, com a imposição de um toque de recolher e o anúncio de um funeral de Estado. Resta saber como o aparato de segurança, do qual Sadio Camara era um dos principais pilares, será reorganizado. Autora: Laïka Nzanguila BA

Eleições Presidenciais de 2029: Diomaye Faye dá um passo firme rumo ao confronto com Ousmane Sonko.

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Há uma boa chance de que as duas figuras mais poderosas do governo se enfrentem nas próximas eleições presidenciais, marcadas para 2029. Enquanto Ousmane Sonko pode ser oficialmente reintegrado ao cargo graças a uma lei proposta pelos deputados do Pastef na Assembleia Nacional (onde detêm ampla maioria), o presidente Diomaye Faye está preparando o terreno para uma possível nova candidatura. De fato, por meio de sua coligação Diomaye Presidente, o chefe de Estado lançou uma campanha para ampliar sua base de apoio. Neste fim de semana, a região de Saint-Louis, a quarta maior do Senegal em termos de eleitorado, foi escolhida. Segundo informações exclusivas do Seneweb, vários membros da coligação Diomaye Presidente da cidade tricentenária se reuniram para estabelecer o escritório regional. O objetivo principal: consolidar a estrutura vencedora das eleições presidenciais de 2024. Mas, com as eleições presidenciais de 2029 a apenas três anos de distância, não há dúvida de que o chefe de Estado quer construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Autor: Mouhamed CAMARA fonte: seneweb.com

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Futuro chefe da ONU: Quem são os quatro candidatos para suceder Guterres?

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Os quatro candidatos declarados para suceder o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, serão questionados publicamente esta semana, uma etapa preliminar antes da nomeação da pessoa que liderará a organização em meio a uma crise. A chilena Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, a costarriquenha Rebeca Grynspan e o senegalês Macky Sall responderão a perguntas durante três horas, na terça e quarta-feira, dos 193 Estados-membros e representantes da sociedade civil. Esta é apenas a segunda vez que a ONU realiza esta "grande audiência oral", criada em 2016 para promover maior transparência. Muitos países defendem que uma mulher lidere a ONU pela primeira vez, e a América Latina reivindica a posição com base em uma tradição de rodízio geográfico, que nem sempre é respeitada. Mas são os membros do Conselho de Segurança — na prática, os cinco membros permanentes com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França) — que realmente detêm o futuro dos candidatos em suas mãos. O próximo Secretário-Geral deve estar alinhado com os "valores e interesses americanos", alertou o embaixador dos EUA, Mike Waltz. Os quatro candidatos oficiais até o momento para a liderança da ONU em 1º de janeiro de 2027 enfatizam a necessidade de reconstruir a confiança em uma organização que foi duramente atingida e está à beira de uma crise financeira. Michelle Bachelet fonte: seneweb.com

A recepção na RDC da primeira onda de migrantes expulsos dos EUA: E quanto à ética em tudo isso?

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Poucas semanas após a sua assinatura, o acordo migratório entre Washington e Kinshasa entrou em vigor. Melhor ainda, já teve impacto no terreno. De fato, quinze migrantes deportados dos Estados Unidos — sete mulheres e oito homens — chegaram à capital congolesa, Kinshasa, na noite de 16 para 17 de abril. Espera-se que esta primeira onda de migrantes do Peru e do Equador, que se encontravam em situação irregular, dê origem a outras. Prevê-se em breve uma nova onda em solo congolês; a operação prevê a chegada de cinquenta a cem migrantes por mês com destino ao antigo Zaire. Isto significa que a República Democrática do Congo (RDC) se juntou à pequena lista de países africanos que assinaram acordos com os Estados Unidos para receber migrantes, como o Gana, o Ruanda, os Camarões e a Suazilândia. A questão que se coloca é: e a ética de tudo isto? Como sabemos, alguns países, incluindo o nosso, rejeitaram categoricamente o pedido do 47.º Presidente dos Estados Unidos para transformar estes países numa espécie de depósito de migrantes. Certamente, a RDC é uma nação soberana, mas aceitar tal acordo beira a indecência. Além disso, as reações foram imediatas. Embora tenha afirmado que não gastaria um único centavo nessa operação, o regime de Félix Tshisekedi foi alvo de uma enxurrada de críticas. De fato, muitos congoleses, incluindo algumas figuras proeminentes, denunciaram veementemente o acordo entre Kinshasa e Washington. E é compreensível a sua frustração. Se a RDC tem recursos para lidar com migrantes deportados dos EUA, deveria primeiro cuidar dos seus próprios refugiados que, sem saber para onde ir, buscaram refúgio em outros países. Por trás das razões humanitárias invocadas por Kinshasa para justificar o acolhimento desses migrantes em seu território, escondem-se agendas ocultas. E só Deus sabe quantas são. Agora que cruzou o Rubicão, o que fará a RDC com essas almas errantes? Qual será o destino final desses migrantes que o presidente Donald Trump expulsou do país? Os próximos dias dirão. Entretanto, pode-se afirmar que, ao concordar em acolher esses migrantes em seu território, o governo congolês está contribuindo para fortalecer a política migratória altamente controversa do iconoclasta presidente Donald Trump. E isso é mais do que deplorável para um país que alega estar comprometido com o respeito aos direitos humanos. De fato, por trás das razões humanitárias invocadas por Kinshasa para justificar o acolhimento desses migrantes em seu território, escondem-se interesses financeiros (apesar das negativas de Kinshasa), mas não só isso. Porque, como sabemos, Fashi não abriu as fronteiras de seu país para migrantes deportados dos EUA por pura bondade. Ele busca, em troca, apoio de segurança e, certamente, benefícios financeiros de Washington. Sabemos que, desde que recuperaram suas forças, os rebeldes do M23 têm tirado o sono do ocupante do Palácio de Mármore. E o maior desejo de Tshisekedi é ver os EUA aniquilarem esses rebeldes. Ele alcançará seu objetivo? Teremos que esperar para ver. Dabadi ZOUMBARA

SERMÃO DO PAPA LEÃO XIV EM ANGOLA: Uma cauterização em uma perna de pau?

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Após João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009, o Papa Leão XIV chegou a Angola em 18 de abril de 2026, a terceira etapa de sua intensa viagem apostólica pela África. Ao sair do Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, em Luanda, o pontífice saudou a multidão no papamóvel, compartilhando sua alegria por encontrar um povo profundamente religioso, mas ainda marcado pelas cicatrizes de uma guerra civil particularmente sangrenta. Dirigindo-se aos seus fiéis e ao Presidente João Lourenço, Leão XIV evitou a tentação de um discurso convencional. Ele falou diretamente sobre os males que impedem o desenvolvimento econômico e social do país: a injustiça social, a corrupção sistêmica e a vergonhosa apropriação indevida da riqueza nacional por uma minoria predatória, enquanto um terço da população vive abaixo da linha da pobreza. O Papa Leão XIV propõe uma abordagem simples, porém exigente, em três frentes. Foi, portanto, um diagnóstico inequívoco, abordando diretamente aquilo sobre o qual muitos angolanos se calam por medo da repressão, que o Papa ousou articular diante de uma multidão numerosa, atenta e que aplaudia. Apesar do fim da guerra civil, Angola permanece presa às suas divisões, marcadas por desigualdades gritantes, o desvio persistente de recursos e a desilusão de uma juventude que anseia por um futuro melhor. Soma-se a isso a proliferação de movimentos religiosos concorrentes, revelando um vazio que as instituições ainda lutam para preencher. Diante desses males, o Papa Leão XIV propõe uma abordagem simples, porém exigente, em três frentes, fundada na justiça, na reconciliação e na coragem política. Ele apela para que não se tema a dissidência, para que se ouça os jovens, para que se honre os mais velhos — em suma, para que se governe de forma diferente. A mensagem é clara, mas essas palavras ainda precisam encontrar ouvidos receptivos e, sobretudo, uma vontade política pronta para agir. Contudo, a reação do governo angolano, quase caricaturalmente dissonante com as preocupações populares, lança uma sombra sobre o verdadeiro impacto das palavras do Papa. Essas palavras correm o risco de simplesmente deslizar pelas paredes lisas de um sistema político em grande parte imune a qualquer questionamento. Diante dos apelos por boa governança dirigidos aos líderes angolanos, o presidente João Lourenço respondeu com um discurso abstrato, esquivando-se de questões substantivas em favor de uma retórica de soberania e manobras diplomáticas, muito distantes das preocupações imediatas de seus concidadãos. Deveríamos, portanto, concluir que esta viagem apostólica foi inútil? A tentação existe, dado o contraste entre a franqueza do Papa e a reação decididamente distante do presidente Lourenço. Poderíamos até nos perguntar se os pronunciamentos papais, feitos no sábado em Luanda, depois em Muxima e Saurimo, são apenas um paliativo para um problema maior. As sementes da justiça social semeadas por Leão XIV dificilmente encontrarão terreno fértil em um sistema governado por um partido ultradominante que não se mostra inclinado à introspecção. O Papa pode não ter falado aos líderes de hoje, mas sim aos cidadãos de amanhã. Contudo, seria prematuro descartar a importância desses apelos. A história demonstra que palavras proféticas nem sempre produzem efeitos imediatos, especialmente sob regimes acostumados à inércia e à opacidade, e que seu impacto é duradouro. Assim, o Papa pode não ter falado aos líderes de hoje, mas sim aos cidadãos de amanhã. É com essa esperança que ele partirá de Luanda em 21 de abril para continuar sua jornada na Guiné Equatorial. Lá, mais uma vez, para além dos rituais e das multidões, será posta à prova a capacidade dos pronunciamentos papais de alterar o status quo neste país fechado, impermeável a qualquer pressão externa e profundamente resistente a qualquer ruptura da ordem estabelecida. fonte: O País

domingo, 19 de abril de 2026

O Tribunal Constitucional anunciou nesta quinta-feira, 16 de abril, em Cotonou, os resultados provisórios das eleições presidenciais de 12 de abril. A dupla Romuald Wadagni e Mariam Chabi Talata foi declarada vencedora no primeiro turno, confirmando as tendências anunciadas pela Comissão Eleitoral Nacional Autônoma.

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O Tribunal Constitucional validou os resultados da eleição presidencial realizada em 12 de abril de 2026, após analisar os relatórios oficiais e as observações iniciais. O Supremo Tribunal confirmou os resultados divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional Autônoma (CENA), confirmando uma vitória expressiva da dupla Wadagni-Talata e abrindo caminho para o segundo turno do processo eleitoral. De acordo com os dados oficiais, a dupla formada por Romuald Wadagni e sua vice, Mariam Chabi Talata, venceu com ampla margem, obtendo 94,27% dos votos. Essa expressiva votação garante a vitória no primeiro turno, em conformidade com as disposições do Código Eleitoral. Confirma também as tendências divulgadas pela CENA, com apenas pequenos ajustes feitos pelo Tribunal. A chapa de oposição, liderada por Paul Hounkpè e Rock Judicaël Hounwanou, obteve 5,73% dos votos. Essa margem significativa reflete um equilíbrio de poder amplamente favorável ao campo majoritário, em uma eleição que exigiu apenas um turno para definir os candidatos. A participação eleitoral, entretanto, é estimada em 63,55% do eleitorado. Essa taxa demonstra uma mobilização significativa dos eleitores, embora possam ser observadas disparidades dependendo da área geográfica. O Tribunal Constitucional enfatiza que esses números são baseados em dados nacionais consolidados, após a centralização dos resultados das diversas seções eleitorais. Embora esses resultados confirmem o desfecho da eleição, eles permanecem provisórios. De acordo com a legislação vigente, os candidatos têm cinco dias a partir do anúncio dos resultados para apresentar eventuais recursos. Esses recursos, se apresentados, serão examinados pelo Tribunal Constitucional, que tomará a decisão final. Esse mecanismo de recurso é uma garantia essencial do processo democrático, permitindo que as partes interessadas expressem suas observações sobre a condução da eleição ou a regularidade das operações eleitorais. Após essa fase contenciosa, o Tribunal anunciará os resultados finais. Essa etapa final confirmará oficialmente a eleição de Romuald Wadagni para o cargo mais alto e abrirá caminho para sua posse como Presidente da República do Benim. Com isso, encerra-se o ciclo eleitoral iniciado há várias semanas. Ao anunciar esses resultados provisórios, o Tribunal Constitucional reforça a credibilidade do processo eleitoral em um contexto político marcado por altas expectativas em relação à governança e à continuidade da ação pública. fonte: https://lanation.bj/

VISITA DO PAPA A CAMARÕES: Será que "São Paulo" ouvirá o sermão de Sua Santidade?

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O Papa Leão XIV continua sua viagem pela África. Após visitar a Argélia de 13 a 15 de abril, o chefe da Igreja Católica seguiu para Camarões, onde foi recebido em 15 de abril em Yaoundé. De acordo com sua agenda, ele deverá se encontrar com o Chefe de Estado e os bispos da cidade no mesmo dia. Em seguida, viajará para Bamenda, epicentro da crise anglófona, onde pregará a paz durante uma missa. Outra missa também está prevista no Estádio Japoma, em Douala, e uma última em Yaoundé, onde concluirá sua visita ao país. Camarões é claramente uma terra predileta dos papas, pode-se dizer. De fato, esta é a quarta vez que um pontífice visita o país. A visita do Papa Leão XIV a Camarões ocorre em meio a um clima político tenso. Todas essas visitas, que começaram em 1985 com João Paulo II, aconteceram durante a presidência de Paul Biya. Isso demonstra quantos papas o ocupante do Palácio de Etoudi, com seus 43 anos no poder, viu chegar e partir. A visita do Papa Leão XIV, sem dúvida, representa um vislumbre de esperança para milhares de camaroneses e um verdadeiro momento de comunhão entre os filhos e filhas desta nação. Neste país predominantemente católico, sua chegada ajudará a esquecer, em certa medida, alguns problemas internos e fortalecerá a fé de muitos fiéis, alguns dos quais poderão até mesmo realizar o sonho de uma vida inteira, celebrando a missa com a mais alta autoridade da Igreja Católica. A visita do sucessor do Papa Francisco ocorre em meio a um clima político tenso, no qual o presidente nonagenário acaba de garantir um oitavo mandato após uma eleição fraudulenta que resultou na prisão de opositores políticos e no exílio forçado de outros. Paralelamente a essa crise política, o tecido social continua a se deteriorar, particularmente na região anglófona, onde a crise está enraizada há quase uma década. Isso ressalta o fato de que os camaroneses hoje, mais do que nunca, precisam de paz e reconciliação. O conflito entre as forças governamentais e os grupos separatistas armados na região Noroeste, aliado às diversas manobras do Presidente Biya para perpetuar-se no poder, causou imensos danos. Por todas estas razões, a visita do Papa não poderia ter sido mais oportuna. De facto, esta visita era muito aguardada neste país da África Central. Representa uma das raras oportunidades de dizer algumas verdades duras ao Chefe de Estado, que raramente proporciona tal espaço. "Estamos a aproveitar a visita do Papa para dizer que as coisas não andam bem nos Camarões." Esta declaração, feita por um jornalista camaronês, é, portanto, totalmente precisa. Resume muito bem todas as iniciativas de certos atores da sociedade civil, partidos políticos da oposição e até mesmo do episcopado, que se mobilizaram alguns dias antes para enviar mensagens por ocasião desta visita papal. Será preciso mais do que uma visita papal para amolecer o coração do presidente Biya em relação aos seus oponentes. Para eles, esta visita do Santo Padre é uma oportunidade de ouro para apresentar suas reivindicações a Paulo Biya, que, como sabemos, não é muito receptivo a esse tipo de pedido. Essa abordagem é ainda mais compreensível, visto que, além do Papa, os camaroneses não veem ninguém mais que possa ter autoridade moral sobre o seu presidente. Memorandos foram, portanto, assinados e entregues aos arcebispos para que possam interceder junto à autoridade papal em nome dos presos políticos e exilados, bem como de todos os detidos em conexão com a crise anglófona. Isso demonstra que o pontífice não terá falta de assuntos para discutir com seu convidado, caso deseje abordar as questões controversas. Mas será que "São Paulo" sequer ouvirá o sermão de Sua Santidade? Isso está longe de ser certo. Como prova, essas inúmeras visitas papais, de João Paulo II a Bento XVI, todas anteriores a Leão XIV, não alteraram em nada as políticas de Biya em Camarões. Ele manteve o sistema que estabeleceu ao longo dos anos como modo de governar o país. Isso sugere que será preciso mais do que uma visita papal para amolecer o coração de Biya em relação aos seus oponentes, que continuam profundamente perturbados. fonte: "Le Pays"

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