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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Festa da lusofonia.

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Os músicos Yuri da Cunha e Aline Frazão constam entre os cantores de países de expressão portuguesa que animarão o concerto musical “Conexão Lusófona”, a ter lugar a 12 de Maio. O espectáculo, enquadrado na Semana Cultural da CPLP, decorrerá entre os dias 5 e 16 deste mês em Lisboa.
Além dos cantores angolanos, animarão o evento os cabo-verdianos Tito Paris e Sara Tavares, Manecas Costa, da Guiné-Bissau, Costa Neto de Moçambique, Tubias Vaiana de São Tomé e Príncipe, Susana Félix, do anfitrião, Júlio Pereira de Portugal, o grupo brasileiro radicado em Portugal “Couple Coffe”, entre outros.
Para comemorar da Semana Cultural da CPLP, estão marcadas várias outras iniciativas culturais de vários Estados-membros que integram a organização, “com um forte apelo à participação de todos quantos se identificam com a língua portuguesa e a cultura dos povos da CPLP”, segundo a organização.
Tendo como pano de fundo Lisboa, a quinta edição da Semana Cultural vai ser ainda assinalada, no dia 5 de Maio, com o “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”, fixado pelo Conselho de Ministros da CPLP, em Julho de 2009.
Segundo aquele organismo lusófono, as comemorações centram-se em Lisboa, mas se estenderão por alguns países de língua portuguesa e cidades além-CPLP, como Bucareste (Roménia) e Nova Iorque (Estados Unidos). Do vasto programa consta a inauguração de um centro de documentação, lançamento de livros e uma sessão de autógrafos de autores residentes em Portugal e originários dos países da CPLP, no pavilhão da Câmara Municipal de Lisboa presente na 82ª edição da Feira do Livro da capital lusa, que decorre desde o dia 24 de Abril e 13 de Maio do corrente ano.
Em Luanda, a efeméride será marcada por um ciclo de palestras, sessões de leitura, entre outras actividades. As sessões subdivididas em vários painéis terão como palco a União dos Escritores Angolanos e serão orientadas por distintas individualidades, entre as quais, professores universitários, escritores e diplomatas.

Fonte: OPAIS.NET

Publicada a receita que tornou o vírus da gripe das aves transmissível entre mamíferos.

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Quatro mutações genéticas separam o mundo de uma pandemia provocada pelo perigoso vírus da gripe das aves? Não se sabe. Mas a equipa de Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, conseguiu adaptar a “antena” do vírus H5N1 para infectar as células de mamíferos, de modo a ser potencialmente transmissível entre pessoas.
A receita, que permitiu criar em laboratório um H5N1, foi publicada nesta quarta-feira na revista Nature, depois de uma polémica de meses sobre se devia ou não ser divulgada.
A equipa diz que pode ajudar a antecipar ocorrências de vírus na natureza com potencial pandémico.
O H5N1 já infectou 602 pessoas desde 1996, quando foi descoberto.
Estes doentes contraíram a gripe em contacto muito próximo com as aves — o hospedeiro natural deste vírus.
Apesar de não terem transmitido o H5N1 a outras pessoas, 355 dos doentes morreram, o que equivale a 60% de mortes. Um número brutal quando comparado com a gripe suína H1N1, que em 2009 fez as parangonas noticiosas, mas causou a morte a muito menos doentes: 0,01%.
Várias equipas já tinham tentado perceber como é que o vírus pode transmitir-se entre pessoas. Kawaoka deu o passo decisivo e em Agosto de 2011 apresentou o estudo à Nature. A demora da publicação deveuse à polémica gerada: temia-se que o trabalho fosse usado para produzir armas biológicas. Só depois de se avaliarem os prós e contras da divulgação desta investigação é que o Governo dos EUA deixou sair o artigo.
QUATRO MUTAÇÕES
Os vírus são uma cápsula de proteínas que protege um pedaço de material genético. Ligam-se às células para injectarem este material usando uma proteína específica, uma espécie de “antena” que reconhece a célula certa. Depois, a maquinaria celular faz o resto do trabalho: multiplica o material genético do vírus, produz as suas proteínas e, de um momento para o outro, novos vírus ficam prontos para atacarem outras células.
No caso da gripe, a “antena” do vírus é a hemaglutinina, ou HA, que pode ter variações como H1 e H2. A H5 do vírus da gripe das aves é perfeita para infectar o tecido respiratório delas, mas nos humanos não infecta as células das vias respiratórias superiores. E é esta característica que torna o vírus transmissível entre pessoas. Mas teme-se que ocorram mutações na natureza que façam com que o vírus se adapte aos humanos.
Ora, a equipa de Kawaoka conseguiu isso no laboratório. Provocou mutações aleatórias na região da proteína H5 que está em contacto com os receptores, ou portas de entrada, das células. “Antes de iniciarmos a experiência, sabíamos que a especificidade do receptor era importante”, disse Kawaoka à Nature. “Mas não sabíamos o que mais era necessário.” Uma das 2,1 milhões de proteínas resultantes das experiências tinha duas mutações, que a tornaram específica para as células das vias respiratórias superiores. Depois, os cientistas fabricaram um novo vírus H5N1, que inclui o gene que comanda a produção da nova H5 e ainda mais sete genes do vírus H1N1 da gripe suína. Com o novo vírus, infectaram furões, o modelo preferido para estudar a gripe. Ao fim de algum tempo, gerou-se um H5N1 com mais duas mutações na H5, que o tornou facilmente transmissível entre os furões através de gotículas aéreas.
Embora o novo vírus não seja letal nos furões, ninguém sabe se aparecerá na natureza. A vantagem, diz Kawaoka, é que se identificaram os mecanismos pelos quais o vírus passou a ser transmissível em mamíferos, o que ajudará a perceber se a próxima pandemia está a chegar.
Sobre a possibilidade de o artigo poder ter sido censurado e, caso isso tivesse acontecido, a informação só chegar a alguns investigadores, o editor da revista Nature, Philip Campbell, numa conversa com a BBC News, questionou essa opção: “Se vamos pela via da censura, como é que se decide quais os investigadores que recebem informação sensível? E como é que se pode assegurar, de uma forma realista, que uma vez que a informação chegue ao ambiente universitário, não vá mais longe?”

fonte: OPAIS.NET

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"Só pode haver reconciliação, se os que participaram nos massacres são responsabilizados", defende vítima do 27 de maio de Angola.

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Agostinho Neto, ex-presidente de Angola

José Reis, presidente da Associação 27 de Maio, defende que Angola deve abrir os ficheiros para desvendar o paradeiro dos corpos dos assassinados. Saiba porque ele acha que os massacres foram um grande ajuste de contas.
O 27 de maio de 1977 é um processo complexo, que poderá não conhecer desfecho, admite José Eduardo Reis, 58 anos, nascido em Luanda, na altura um jovem universitário que fazia o curso de Medicina em Angola. A viver em Portugal, agora da reforma, ele é uma das vítimas da operação policial a seguir ao 27 de maio de 1977. A repressão destinava-se a sufocar o movimento a favor de Nito Alves, na altura Ministro do Interior e dissente do MPLA. Os chamados "fraccionistas" foram brutalmente perseguidos pelo presidente Agostinho Neto (na foto) e os seus seguidores dentro do MPLA.
Até hoje José Reis procura saber as razões por que fora preso e torturado. Conta que no dia 27 de maio não participou das manifestações e nem sequer saiu de casa: "Houve uma rebelião qualquer da qual não participei. Estava em casa. A cidade acordou aos tiros. Sei que morreu muita gente nesse dia, mas concretamente o que se passou, quem comandou, quem esteve à frente, isso não sei".
Três dias depois, explica, foi preso. "Os agentes não identificados chegaram à casa de madrugada, levaram-me para as instalações da polícia política DISA, eu mais um grupo de dez ou onze pessoas. Depois fomos encaminhados para a antiga cadeia da PIDE, a cadeia de São Paulo, onde estive vários meses até ser transferido para um campo chamado 'de recuperação' onde estive outros tantos meses. Ao fim de quase três anos fui posto em liberdade sem culpa formada, sem nada".
Três anos preso sem qualquer explicação
José Reis veio a conhecer a liberdade em Setembro de 1979, já quando José Eduardo dos Santos era Presidente da República, sem qualquer explicação. "Ninguém me disse por que é que me prenderam nem tão pouco por que é que me libertaram. Não fui apresentado a nenhum tribunal. Só fui sujeito a interrogatórios dos mais brutais por parte da polícia política".
José Reis diz que foi torturado: "Enquanto estive em São Paulo fui torturado fisicamente, porque torturado psicologicamente fui durante esse tempo todo".

Soldados cubanos em Angola - em 1977 os cubanos lutaram a favor do MPLA de Agostinho Neto e contra os apoiantes de Nito Alves
Soldados cubanos em Angola - em 1977 os cubanos lutaram a favor do MPLA de Agostinho Neto e contra os apoiantes de Nito Alves.

Ajuste de contas
Lembra de alguns nomes entre os principais responsáveis pela repressão: "Fui espancado, por exemplo, pelo capitão Carlos Jorge, que era uma das figuras principais da repressão. Foi ele que comandou todas as operações sobre mim". José Reis fala de milhares de pessoas que estavam presas. "Na cadeia onde eu estava havia muita gente presa. O motivo que os levou à cadeia só quem as prendeu é que pode dizer. Eu, pessoalmente, acho que aquilo foi um grande ajuste de contas que o MPLA aproveitou para fazer com o passado".
O passado tem a ver com o alegado golpe de Estado, encabeçado por Nito Alves e José Van Dúnem, que José Reis discorda ter existido. "No meu ponto de vista não existiu golpe de Estado, pelo menos da parte de quem foi acusado de o ter dado". Acrescenta que "houve uma manifestação mais ou menos conturbada na manhã de 27 de maio, mas aquilo não era um golpe de Estado. Não se dá um golpe de Estado assim. Pelo menos não é assim que vem escrito nos livros".
O exílio em Portugal
José Reis deixou Angola e nunca recebeu alguma ajuda ou compensação pelos danos que lhe foram causados. "Também nunca pedi nada a ninguém. Limitei-me ao fim de três meses depois de ter sido posto em liberdade de pedir os meus documentos e vir-me embora para Portugal".
Acabou por refazer a vida em Portugal. Tal como José Reis, muitas outras vítimas do 27 de maio ainda em vida convivem diariamente com este passado amargo. Alguns refugiaram-se no silêncio da história e recusam falar das barbaridades por que passaram. Outros, porque já não têm esperança de um dia serem compensados pela justiça ou reaverem os corpos dos seus familiares.
Passados 35 anos, perante o número de pessoas que desapareceram, José Reis tem dificuldade em aceitar com simplicidade a palavra reconciliação quando se fala em concreto do 27 de maio de 1977: "Reconciliação não pode ser um processo feito só assim, é uma coisa muito complicada. Vamos abraçar-nos todos e fica tudo apagado? Não!" Lembra que há responsáveis e que é preciso apurar responsabilidades. Por outro lado, pede, "é preciso que sejam entregues às famílias as certidões de óbito e os restos mortais das pessoas que desapareceram".
Responsabilizar os responsáveis
Insiste na responsabilização daqueles que participaram nos massacres: "Só assim se pode pensar em reconciliação".
Já passaram 35 anos desde os acontecimentos e José Reis lamenta o facto do Estado angolano não ter assumido a obrigação de entregar às famílias as certidões de óbito. "Isso nunca o fez. Penso é que as pessoas têm o direito e o dever de reclamar por esse direito, de pelo menos saberem o que é que aconteceu aos seus familiares".
O atual presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, não foi perseguido apesar de ter estudado na União Soviética
O atual presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, não foi perseguido apesar de ter estudado na União Soviética
Falando também na qualidade de presidente da Associaçao 27 de Maio, José Reis evoca o medo e a autocensura, mas também o trauma, que fazem com que muitas vítimas tenham preferido ficar no silêncio.
Apesar disso e da complexidade deste caso, José Reis espera que um dia seja possível conhecer a verdade dos factos. Pede que seja publicado o verdadeiro conteúdo do relatório da comissão de inquérito criada em finais de 1976 pelo MPLA, e dirigida na altura por José Eduardo dos Santos, para a estudar se houve ou não fraccionismo no MPLA.
Texto: João Carlos
Edição: Johannes Beck
fonte: DW

terça-feira, 8 de maio de 2012

ARTIGO DE OPINIÃO: PENSAR E AGIR PARA SAIRMOS DA CRISE.

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Devo dizer que preocupo-me com a reacção "pós-golpe militar", estamos em negociações há várias semanas, há progressos mas poucos, é bom lembrar que a situação "invertida" quer queiramos quer não, nunca mais será a mesma. Qualquer desejo primário de voltar a ver "tudo na mesma" como se fosse possível uma réplica em relação ao passado, o que aconteceu no dia 12 de Abril, é simplesmente impossível, acreditem!
Esta obsessão perigosa de voltar a por tudo na mesma para alguns, pode vir a perigar situações humanas no terreno. É bom que políticos estejam em estado de alerta máximo, em relação a estas variáveis com prioridades demasiado óbvias, mas que estamos a descurar ou a não valorizar como devíamos...
Não podemos estar a caminhar para uma guerra inconscientemente, para alguns, para esses "masoquistas" ou políticos egocêntricos, devem começar a olhar para fora das suas ideias pessoais, para fora de si próprios e reavaliar sem complexos pessoais, tudo à sua volta, e serem coerentes, hábeis, práticos e persistentes em relação ao erro humano, permitir corrigir suas ideias, por conclusões colectivas de melhoramento desta situação na Guiné-Bissau.
Há necessidade de negociar quanto antes, aspectos com conotações partidária neste momento difíceis de ultrapassar por imposições pessoais dos líderes. Há que fazer política com linguística diferente, tolerância e racionalidade diferenciada a cada passo dado, precisa-se. Há pessoas que estão neste momento "dentro" das nossas reflexões a acompanhar, fazendo sínteses para fora (é trabalho deles) do país, nós os Guineenses é que temos de interpretar rapidamente as nossas prioridades, não o que nos separam, sem medo de diluirmos nesta unidade de pensamento urgente para sair da crise, descobrirmos este denominador comum neste momento e concluirmos vitoriosamente unidos para sair deste marasmo.
Os vários organismos internacionais e os seus representantes de cada País, já não mudam os seus discursos e imposições, é uma redundância neste momento. Devemos estar atentos a este facto e avançar no que temos a fazer, sem dúvida e concluir, formar o aparelho para funcionar pelo tempo acordado "1/ANO", avançar muito rapidamente no processo. Os políticos Guineenses deveriam colocar-se numa postura mais tolerante, evitar radicalizar os discursos, ter um comportamento político hábil e, negociar entre Guineenses, porque tudo está nas nossas mãos.
Para muitos estrangeiros estas dificuldades não passam de "teses para um negócio futuro na Guiné-Bissau", verdadeiramente só pensam neles, este conflito só atrapalha os seus projectos de negócios, mas a situação nós é insustentável, começam a estar muito difícil no terreno para as nossas populações, não é para menos pensarmos melhor no que se tem feito até aqui, repensar atitudes e convicções de partidos, movimentos, etc. tirarmos uma conclusão, o "blá-blá" começa a ter os dias contados, chega de conversa que seja "repetição", acreditem meus camaradas, só.
O nosso único desejo é que tudo, mas tudo corra bem melhor do que qualquer previsão até aqui, lidas em vários órgãos de comunicação social, enfim, surpreendermos tudo e todos, na capacidade de sairmos de mãos dadas desta crise, porque já BASTA!
É tempo de investir num nome, numa personalidade irracional identificável com a causa da Guiné-Bissau, unirmos à volta desta realidade possível e por um ano sDq.
Avançar já para uma paz possível entre nós...
Bem-haja, djarama. Filomeno Pina.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

ARTIGO DE OPINIÃO: UMA REPOSIÇÃO OBSESSIVA, É SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL.

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Uma reposição obsessiva ou restabelecida ao milímetro pela suposta constitucionalidade falhada no País, não irá ser possível, penso. Visto que também há muitos que pensam que este processo partiu de uma “inconstitucionalidade”, perante um acumulo de frustrações, que não vale a pena continuarmos a chorar sobre o leite derramado, é um facto, em vez de avançarmos para sairmos desta crise. Há que assumir a impotência e os fracassos no terreno, reconhecer o estado de maturidade política da nossa democracia na Nação.
Tivemos dois dirigentes do mais alto cargo da magistratura guineense, detidos por longos dias, em reclusão, e nas mãos de interrogatório da contra inteligência militar. Podemos imaginar alguma coisa deste facto, não estiveram numa festa, também não conhecemos o teor das conversas mantidas durante os interrogatórios, pois neste momento, apenas e só os militares conhecem as respostas dos detidos, suas justificações ou de qualquer outro conteúdos. Será que há condição psicológica humanamente para retomarem a curto prazo a acção política, penso que não, não são robots, são de carne e osso como nós. Passaram maus bocados como devemos calcular, não é para menos, imagino até que nenhum deles teria tranquilidade suficiente neste momento para “retomar” a vida política. Até porque estão inseridos na família, que tem uma palavra a dizer, posteriormente na sociedade, onde desempenham papéis reconhecidos como cargos públicos.
Pergunto, não será de bom senso que a técnica jurídica, médica e psiquiátrica observe melhor estas variáveis? Mais, certeza absoluta que há mais coisas nos bastidores que o grande público não sabe, enfim, esperemos que tudo se esclareça da parte da Instituição militar ou em sede própria e, com celeridade. No entanto o País não pode parar completamente durante episódios do género, neste momento, deveríamos saber mais sobre tudo isto, mas parte importante está no segredo de alguns, só Deus sabe. Os motivos desta intervenção militar, independentemente da avaliação jurídica e constitucional que prevê aspectos técnicos da culpa, penso que não se deve manter TABU completo nisto. Tudo o resto está sobre investigação, mas alguma coisa deve ser frontalmente dita ao Povo, o resto em sede própria, o contrário disso, levanta suspeitas infindáveis, num mukur-mukur de muito mau gosto, só.

O estado da Nação é um discurso político para se ir fazendo, um debate político a suar para fora do parlamento, de modo que o Povo fique sabendo dos passos que o País dá, em democracia é o que se espera dos políticos. É para se ir fazendo ao longo do desenvolvimento do estado de saúde política da Nação, que deve ser desejado, assumidoe também reconhecido, a partir da frustração instalada, pela perda do antigo governo "abatido" pelo Comando Militar. Este é o momento ideal para sabermos mais acerca do Primeiro-ministro e do Presidente da República Interino, enquanto detidos por ordens da instituição militar.  
Na ausência desta identificação colectiva com o problema aqui referido ou referenciado, torna-se muito difícil tomarmos consciência de um novo rumo para o País, porque requer novos valores psicológico e de cultura de informação, na reprogramação da resolução da crise política e militar no País.
Temos neste momento uma realidade nova, muito diferente nos conteúdos, não se trata de mais um golpe de estado, mais um e ponto final parágrafo, não. Este tem características diferenciais e justificações políticas que aguardamos a sua revelação, tanto nos domínio da justiça social como militar, ao nível do controle territorial que cabe às nossas forças armadas o garante desta segurança física e psicológica do Povo. A Instituição militar da República não se confunde com a sua chefia, os líderes passam a Instituição fica, convém não misturarmos as duas coisas.
Certo é que se instalou repentinamente no aparelho mental de alguns políticos um obstáculo forte, um bloqueio do imaginário, a constatar mais na bancada do maior partido político na Guiné-Bissau e do antigo governo do PAIGC. Realidade que alguns não conseguem dissipar ou isolar neste momento, sem assumir consequentemente a síndrome obsessiva da reposição ao “milímetro” do poder caído na rua, em  circunstâncias que todos sabemos.
Resta um exercício mental, para alguns, que se deixaram arrastar para esta depressão. Imaginarmos que alguns "monstros" nos bastidores assombraram os percursos deste governo agora "abatido" energicamente no dia de todas as dúvidas, na capelinha do parlamento e fora dele. Também falharam para alguns, os palpites de "vitórias garantidas" pelos  murrus, yram's, analistas políticos ou, o cidadão comum. Uma surpresa para a maior parte de “iluminados” que veio para ficar, que é preciso digerir com segurança experimental diante dos nossos olhos, baseados em factos reais e não mais suposições/invenções que obrigam mais tarde a tira-teimas, que são autênticas perdas de tempo nesta caminhada já de si dificílima para todas as partes envolvidas.

Um dia que surpreendeu até uma força especializada no terreno (MISSANG), no dia “d”. que queremos hoje ver iluminado pelo D., mas de Deus, com paz duradoira, rumo ao desenvolvimento sustentado, num País fértil, mas com poucos projectos credíveis ou realistas e, a partir das necessidades do Povo.

Naturalmente que é um duro golpe para digerir, esta crise, nunca será fácil de ultrapassar,  este "luto político" do anterior governo, as suas realidades no terreno político estão frescas, a vitória na primeira volta e a ideia geral dos seus militantes em reivindicar este "troféu". Uma causa justa/injusta a defender com unhas e dentes, mas estão cansados de roer esta corda difícil de partir a meio (equilibrados), porque estão estes homens já sem unhas e palavras, com resistência à fadiga. Reunindo vezes sem conta, num puxa-puxa que se adivinha de que lado ficará a decisão mais querida, dando a reconhecer que aqui temos uma luta entre dois títulos, o do "passado e no futuro próximo" mas neste presente abstracto, que não existe portanto. Vemos uma luz no fundo do túnel, apenas para os positivos desta capacidade de raciocínio, aqueles que têm conseguido evitar a depressão causada pela perda de "condições" mentais e físicas para reflectir sobre esta realidade, sem consequências irreversíveis dos efeitos causados pelos remorsos, rancor e raiva de alguns, para com aqueles que têm de dialogar numa mesa redonda, neste momento ou, pelo resto da vida, como políticos que são.
Por estas e por outras razões, dos políticos exigimos, neste momento sério e difícil da vida dos cidadãos, que se entendam. Devemos levantar âncoras deste rio raso e atracar no Bom-Porto, em nome do Povo. O contrário seria uma desgraça. Por isso, é uma ordem em nome da consciência colectiva e do bom-nome, será por uma aspiração progressista de um desenvolvimento futuro que já é, HOJE!

Há uma desigualdade de circunstâncias e de condições entre as várias partes deste processo de paz e estabilidade na Guiné-Bissau: nos partidos políticos de oposição; no partido maioritário; nas forças vivas da sociedade; na classe castrense; e os observadores internacionais (CDEAO, PALOP, UA, UE. e alguns países/potência com interesses económicos no território nacional).

É uma caldeirada de "peixe" com alguns peixes identificados e outros ocultos, de águas diferentes, uns mais apetecíveis, outros nem tanto, por enquanto servimos a gosto.
Não se sabendo se alguns trazem veneno na espinal-medula, será? A ver vamos. É uma questão subliminar, podendo ser que resulte num único empurrão para a superfície do molho, que traga por arrastamento os interesses ocultos deste conflito, para a luz do dia, com a transparência verdadeira de um bom “caldo” que todos desejamos.
De peixes percebemos nós e bem, temos conhecimentos para dar e vender, aqui damos cartas nesta matéria, mas, quando há um que vem de outras águas, todo o cuidado é pouco, é preciso tempo e teste do veneno "letal". Há os que matam o proprietário do mar e ficam com um "contrato de pesca" para a eternidade. Abram os olhos por favor (nem todos são amigos da Guiné-Bissau), também há peixe envenenado no meio desta caldeirada.

Mais, não se sabe para quando ficará apurado este caldo e se será servido ou se ainda adiamos por mais umas semanas, pela desconfiança instalada na mistura de um ou outro "peixe", porque alguns são estranhos e aparentam de difícil cozedura, neste momento.

Posto isto, vamos indo e vamos vendo, atentos, porque vale a pena não falharmos mais, se conseguirmos coexistir à volta de um denominador comum, sem cor partidária, seria o ideal, todos à volta do arco íris, como a única Bandeira da Guiné-Bissau, a Mãe de todos nós, tenho a ideia que vai resultar, para ultrapassarmos esta crise sem receio de perdermos a nossa identidade ideológica/política. Não vamos fazer como a avestruz, enfiar a cabeça na areia, fingindo não-ver, ou permitindo que outros nos venham ensinar aquilo que sabemos melhor do que qualquer um estrangeiro nesta matéria, basta de guerrinhas estúpidas que não levam a lado nenhum (como diria a minha mãe que Deus tem).

Um desfecho bem sucedido aqui, alguns não o querem, por agora, (lembrem-se da guerra da UNITA/MPLA que se arrastou por muitos anos, fez-se acreditar que os intermediários ou conselheiros civis e militares (estrangeiros) de cada uma das partes, eram os mais amigos do Jonas Savimbe ou do Eduardo do Santos. Na verdade o povo Angolano é que perdeu os seus filhos, enquanto os outros vendiam armas, colhiam o marfim e enchiam-se de diamantes deste povo martirizados, durante muitas chuvas que até hoje, ainda não se lavaram deste ressentimento e luto de sangue, que muito marcou o Povo Angolano, quase sempre o único massacrado.
Netas batalhas, durante algum tempo, convém não esquecer que a Guiné-Bissau enviou para Angola os seus próprios filhos, militares que hoje são os Antigos Combatentes da Liberdade da Pátria (Comandos Abel Djassi), que lutaram ao lado do MPLA e muitos morreram, enfim, como também muitos guerrilheiros revolucionários Cubanos, também deram a vida no solo Guineense durante a guerra colonial. Pergunto, que exemplos retiram de tudo isto?
Vamos pensar alto, porque neste momento temos a MISSANG dentro do nosso território, não são inimigos, é preciso muitíssimo cuidado para não confundir esta missão no terreno com carácter de formação/instrução militar e apoio nas reformas previstas no sector militar. Tratando-se de uma classe militar bem treinada, obediente e acostumada a submeter à constituição do seu País, estarão com certeza a receber ordens superiores e a cumprir um acordo bilateral (Guiné-Bissau/Angola) por isso estão no nosso Pais, mais do que isso é preciso provas irrefutáveis, como factos comprovados à margem dos acordos estabelecidos. Qualquer outro meio de argumento deve aguardar pela tese a apresentar pelo comando militar, que tudo indica que têm argumentos de peso para justificarem o acto de intervenção militar, uma prova a apresentar no decorrer da avaliação e análise desta crise política/militar na Guné-Bissau.
As políticas poderão estar bem transcritas para o papel, no terreno a sua aplicação pode não ser a mais coerente com os suas alíneas, por falhas humanas ou comportamentos tendenciosos dos actores políticos, condicionados aos seus papeis na representação do Estado, há que separar a competência pessoal do dirigente político no exercício do cargo que ocupa num governo (experiência política e intelectual para o cargo), com os conteúdos técnicos implícitos nos acordos de cooperação vigentes entre as duas partes.

Aqui penso que HOUVE FALHA DE COMUNICAÇÃO ENTRE AS PARTES, por um lado, entre o Primeiro-ministro Guineense e o Parlamento, o que levou a este conflito, segundo o porta voz do comando militar, por outro, a falta notória de habilidade política, reflexão oportuna e gestão, do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, antecipando deste modo possível explosão de conflito entre a MISSANG e as FARP no terreno. Permitindo duvidar da intenção à posteriori, de qualquer tentativa de argumentação diferente, que não aquela que veio a vincular-se em Bissau, provocando o golpe de Estado pelos militares.

Importa salientar aqui a hipótese de erro de comunicação, sem contudo ajuizar em definitivo sobre o seu grau de influência, no desencadear do conflito que culminou num golpe de estado.
Provavelmente a MISSANG foi apanhada entre dois conflitos alicerçados em dificuldades de interacção, com raízes prolongadas no tempo e no espaço, versus problemas acumulados e por resolver (crimes, maus tratos, assassinatos, abusos de poder e outras impunidades), que se vão acumulando, sem o mínimo de iniciativa das Instituições, para permitir justiça perante o Povo, um estado da Nação que não pode escapar a situações de conflito desta natureza.

O que supostamente provocou uma reacção rápida dos nossos militares, numa tentativa necessária de controlo abrupto e eficaz do território nacional, só possível a partir de um golpe de estado. O que acabou por acontecer, esta infelicidade de chegarmos a este ponto, por falta de confiança politica, transparência entre as Instituições e seus lideres, sublinhando a ausência da liberdade de expressão política e cultural, provocando silêncios que só são contrariados fisicamente com um golpe militar, pergunto porquê?

Porque falhamos sempre, este tema merece ser debatido a nível nacional e na Diáspora, merecendo no final um relatório extenso e profundo, para posteriormente ser analisado por intelectuais da literatura, ciências sociais e política, uma avaliação multidisciplinar abrangente, isto é urgente, porque ninguém poderá mudar sem saber como ou para quê ou para onde!
É preciso objectivar os percursos no terreno, do global ao específico e vice-versa, é urgente sabermos sem equívocos o que queremos fazer com o País e connosco próprios, enquanto cidadãos, é preciso sabermos porque erramos sempre e pôr o dedo na ferida, de uma vez por todas, e resolver o que está mal, só.
Ninguém tem dúvidas neste momento que preferíamos mil vezes que os homens falassem sem receio de represálias, em voz própria, expondo suas ideias, e nada disto teria acontecido (golpe de estado), habituávamo-nos a combater as ideias e não o corpo físico (a pessoa), mais depressa caminhávamos rumo ao sucesso desejado e em defesa da justiça social para todos num País próspero, mas acanhado, que a cada passo, dá um tiro no pé, basta ou então, é melhor reequacionarmos a ideia de Estado ou de Republica da Guiné-Bissau, será que pode desaparecer do mapa, pergunto e não digo mais…, será?

Quem me dera estar profundamente enganado e surgir uma outra explicação mais convincente e mais óbvia para todos nós, que tentamos encontrar uma explicação para tudo isto, que viesse travar o grande comboio, hoje tombado na linha do imaginário deste “desenvolvimento”, que teima em ser uma ficção, diante dos nossos olhos.

Temos sido vítima de “chicoteadas de cavalo marinho”, intencionais, das mãos de políticos impreparados e pouco hábeis, que quase metiam duas forças militares em guerra aberta neste conflito, por causa de orientações obscuras, que nem sequer eram do conhecimento do Parlamento da Guiné-Bissau, ou do parlamento em Angola. Um erro do tamanho do céu, que podia ser evitado se tudo partisse de uma transparência no confronto de ideias políticas.

Um político Angolano, que há muitos anos esteve então do lado da UNITA, hoje o Povo Angolano evolui muito, ultrapassando divergências culturais e políticas no seu território, um País a caminhar para uma democracia cada vez mais sólida, mas que devia o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, estudar melhor os conflitos no terreno político e militar na Guiné-Bissau, utilizar a sua experiência de “sofrimento” e pressão psicológica provocada na guerra entre UNITA e MPLA, passados mais do que uma década, um conflito politico e militar com pesadas baixas, usar dessa experiência para discordar, ou até sugerir novas atitudes na análise dos factos se for preciso, e não o contrário, assumindo um comportamento de “homem de recado” numa atitude de assumpção pacífica e obediência cega, levando “informações” que deram no que deram, sem querer culpabilizar, mas apenas sublinhando que não houve um comportamento crítico e transparente na diplomacia política, neste caso representada por Dr. Jorge Chicote, mas sim uma atitude que se pode “confundir” com parcialidade, como terá sido conotado no meio castrense de Bissau.
Isto é, por dúvida se o próprio não teria já conhecimento do teor da carta do Primeiro-ministro Guineense, mesmo que verbal, da missiva dirigida a V. Excia. Sr. Presidente da Republica de Angola, Eng.º. José Eduardo dos Santos.
Sem querer ferir susceptibilidades, devo acrescentar que uma outra leitura deste comportamento, talvez pudesse reaproximar as duas partes com uma intermediação antecipada, sem arriscar nomes, seria então uma possibilidade de se evitar o que já era evidente, para quem estava a seguir os acontecimentos no terreno há muito tempo. Será por falta de experiência técnico-política ou de outro índole, alguma coisa falhou Sr. Dr. Jorge Chicote. O tempo o dirá e para lá caminhamos, só.

A história repete-se sem nos darmos conta, porque uns abutres andam a pairar por aí. Cuidado, a Guiné-Bissau está nas mãos de muitos de nós, sobretudo os filhos deste Povo, espalhados pelo mundo inteiro, Guineenses.

Um desfecho que provoque desunião a partir deste conflito seria fatal, porque é o que alguns aguardam como terreno propício para colherem frutos, em proveito próprio. O contrário seria impedirmos toda esta possibilidade, porque deixariam de poder tirar partido de uma cooperação a partir de um neocolonialismo subterrâneo. Portanto, vale a pena avançarmos nos debates internos ao nível dos partidos, o País não pode avançar para uma guerra, não há um nome pessoal nisto que o justifique, em momento nenhum.
Morreram  muitos nomes REVOLUCIONÁRIOS pela causa da Guiné-Bissau, na nossa memória vários lutos estão ainda por digerir, recordações do passado e presente de crimes inconfessáveis, até o próprio nome de AMÍLCAR CABRAL fazendo parte de uma lista, ainda e também por desvendar os porquês, e então que fazer, penso sinceramente que por nenhum guineense vivo e fora do "poleiro" governamental devemos permitir o País entrar em guerra, sem contudo e à posteriori avançar com análises e avaliações deste conflito militar, avançar de um modo célere e em sede própria. Todos os crimes não podem continuar impunes, há que saber perdoar, mas apenas e só depois de se conhecer o culpado, não somos um povo com medo de justiça e em contrapartida que tolera actos de barbárie e crimes hediondos.
Portanto pedimos nesta reflexão uma contribuição de todos, GUINEENSES UNI-VOS, com vida estamos todos graças a Deus, vamos combater a impunidade, porque vale a pena colaborar com a justiça e conquistar a igualdade de direitos entre os cidadãos, em todos os campos da nossa vida individual e colectiva.

Para alguns observadores estrangeiros deste processo, que por agora, mascarados de “amigos”, se nos uníssemos já à volta de um só nome e objectivo, Guiné-Bissau, entrariam em desespero e cairiam “de cu”, deixariam de ter o poder da manipulação, da chantagem política e económica, perderiam a "excitação" perversa por este País. O carácter endógeno deste falso amor nunca mais se confundiria com o verdadeiro amor que os seus filhos sentem pela terra Mãe, embora alguns, desavindos, por questões de interesse político e pessoal.

Este país, num canto de África, que luta pela unidade do seu Povo, paz, desenvolvimento possível no futuro, já hoje provoca reacções de “medo” e de impotência, nalguns amigos do exterior (países vizinhos), porque irão  cair todas as máscaras e negociatas obscuras, tudo isto terão os seus dias contados como obstáculos no nosso caminho, qualquer prolongamento deste conflito neste momento, seria um acto pouco inteligente de se oferecer o “ouro” ao bandido, acredite se quiser, mas ao menos vale a pena pensarmos nisto.

Volto a repetir, esta procissão vai no adro, que “Santo” o escolhido, ainda não se sabe, por isso vamos indo e vamos vendo, atentos na observação e análise dos factos e de argumentos.
Um abraço Guineense. Djarama.
Filomeno Pina.

domingo, 6 de maio de 2012

NAVIO DE GUERRA PORTUGUES VOLTA PARA PORTUGAL.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general António Indjai, encabeça a lista de individualidades alvo das sanções da União Europeia, que inclui outros cinco militares considerados responsáveis pelo golpe de Estado.

É, como muitas outras decisões similares, mais uma brincadeira que ninguém, sobretudo os visados, leva a sério.

Um dia depois de a UE ter aprovado sanções contra os líderes do golpe militar de 12 de Abril passado, a lista de seis pessoas que passam a ficar impedidas de entrar em território comunitário e cujos bens são congelados foi hoje publicada no Jornal Oficial da União Europeia e inclui ainda os generais Mamadu Ture 'N"Krumah', Augusto Mário Có, Estêvão na Mena, Ibraima ('Papa') Camará e o tenente-coronel Daba Na Waln.

Recordam-se que, em 2010, os EUA e essa mesma União Europeia avisaram as autoridades da Guiné-Bissau que o novo chefe das Forças Armadas não poderia estar implicado nos acontecimentos de 1 de Abril, como era o caso do major-general António Indjai?

E então qual foi o resultado? Perante este sério aviso, o governo de Carlos Gomes Júnior escolheu (e o presidente Balam Bacai Sanhá aceitou) para chefiar as Forças Armadas, nem mais nem menos do que... António Indjai.

Digna e sem meias medidas foi a posição do Governo de Cabo Verde que, embora sem o peso dos EUA, da UE e da CPLP, avisou que a nomeação de António Indjai como CEMGFA "trará consequências", como "o aumento do risco de cansaço" da comunidade internacional.

Farto do silêncio da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, que devia andar muito atarefada em abrir as portas da organização à Guiné-Equatorial, José Brito .então chefe da diplomacia de Cabo Verde, mostrou (mais uma vez) que Cabo Verde pensa pela sua própria cabeça.

José Brito disse no dia 1 de Junho de 2010 que Cabo Verde ia "trabalhar pela paz na Guiné-Bissau", o que não o impedia de dizer que é sério o risco de cansaço da comunidade internacional.

E como bem disse, "importa que os políticos guineenses entendam que há limites que não devem ser ultrapassados".

"Cabo Verde age de maneira autónoma da comunidade internacional e segue os esforços de paz e estabilidade. O papel de Cabo Verde vai ser o de facilitar o diálogo",reforçou José Brito.

"Por sua própria admissão, no dia 1 de Abril, o major-general António Indjai ordenou o sequestro e detenção do primeiro-ministro democraticamente eleito e do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, o qual foi legalmente nomeado",salientou na altura o governo norte-americano, acrescentando que, "além disso, Indjai ameaçou a vida do primeiro-ministro, bem como a dos corajosos cidadãos guineenses que se manifestaram contra a ilegal detenção".

Pois foi. Mas, na verdade, António Indjai lá continua de armas e bagagens, cantando e rindo.

Em 2010 também Portugal deu uns palpites sobre a situação. "Nós depositamos neste momento grande confiança no acompanhamento da situação guineense que está a ser feito no âmbito da CEDEAO, da CPLP, da UE e das Nações Unidas. Consideramos que a comunidade internacional, em particular através destas instituições e organizações, podem dar um contributo da maior importância para fortalecer aquelas que são frágeis instituições constitucionais do país", disse Cavaco Silva.

Uma das traduções destas afirmações diz que Cavaco Silva entende que António Indjai não deveria ser o chefe militar. O presidente português deixa, contudo, uma ambiguidade típica que lhe permite, um dia destes, receber em Lisboa o novo líder militar guineense. E se dúvidas existirem, poderá sempre dizer que nunca ninguém o ouviu dizer que era contra...

Havendo, como disse Cavaco Silva, "grande convergência de pontos de vista", porque carga de água o presidente português não falou na interferência dos militares nas questões políticas?

Cá para mim, Portugal continua a estar sempre do lado de quem está no poder, independentemente de serem ditadores civis ou militares. Sempre assim foi desde as independências das ex-colónias e, pelos vistos, sempre assim será.

Portugal continua a desempenhar o papel que mais lhe agrada, como seja o de meter o rabinho entre as pernas, cantando e rindo na vertiginosa aproximação aos países mais desenvolvidos do norte de... África.

Na sequência da nomeação de António Indjai, os EUA anunciaram que iam apoiar a reforma do sector de defesa e segurança e a União Europeia disse que ia rever os acordos de cooperação com a Guiné-Bissau. Viu-se.
  fonte: Pravda News


Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau na IX Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Sublinhando a feliz coincidência da IX Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP se realizar a 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP;
Validando os valores contidos na Declaração Constitutiva da CPLP e
Reafirmando que “(…) a língua Portuguesa constitui entre os respetivos povos um vínculo histórico e um património comum resultantes de uma convivência multisecular que deve ser valorizada (…)” e “ (…) um meio privilegiado de (…) projeção internacional dos seus valores culturais, numa perspetiva aberta e universalista”, o Conselho de Ministros aprovou uma Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau.
IX REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO DE MINISTROS DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA
Lisboa, 05 de Maio de 2012
Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau
O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido na sua IX Sessão Extraordinária, em Lisboa, no dia 5 de Maio de 2012, dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, e na sequência da Resolução adotada na VIII Reunião Extraordinária, do passado dia 14 de Abril, após escutar uma informação do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades da Guiné-Bissau,
DECIDE:
1. Reiterar a condenação veemente e sem reservas do golpe de Estado perpetrado pela liderança das Forças Armadas da Guiné-Bissau;
2. Exigir a reposição integral da ordem constitucional, abrangendo a restauração do funcionamento e da autoridade dos órgãos legítimos de poder, incluindo o Presidente da República interino e o Primeiro-Ministro, bem como a conclusão do processo eleitoral interrompido pelo golpe de Estado, cuja primeira volta foi considerada livre e transparente pela Comunidade Internacional, a CPLP reafirma que está, e estará, ao lado do povo guineense;
3. Reafirmar que as únicas autoridades da Guiné-Bissau reconhecidas pela CPLP são as que resultam da legitimidade constitucional e democrática e dar o seu apoio incondicional à posição expressa pelo Governo legítimo da Guiné-Bissau subsequente à Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, realizada em Dakar, no dia 3 de maio de 2012;
4. Expressar satisfação pelo fim da detenção do Presidente da República interino Raimundo Pereira e do Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, afirmando, no entanto, que ambos deverão poder exercer a plenitude dos seus direitos civis e políticos na Guiné-Bissau, exigindo a libertação dos demais detidos no âmbito do golpe de Estado e o fim de restrições às liberdades individuais;
5. Sublinhar a importância da constituição urgente do “Grupo de Contacto para a Crise na Guiné-Bissau”, referido no Relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, S/2012/280, de 30 de abril, sobre a situação na Guiné-Bissau, sob a coordenação das Nações Unidas, com representantes da UA, da CPLP e da CEDEAO, tendo em vista o estabelecimento de uma parceria abrangente que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura na Guiné-Bissau;
6. Sublinhar a necessidade de respeitar escrupulosamente as decisões das Nações Unidas, o Ato Constitutivo da União Africana (UA), o Protocolo relativo à criação do Conselho de Paz e Segurança da UA e o Capítulo VIII da Carta Africana da Democracia, Eleições e Governação, quanto ao acesso ao poder por meios não constitucionais. Qualquer outra via constituiria um desafio à autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas e uma flagrante violação do princípio de “tolerância zero” da UA e da CEDEAO, estabelecendo um perigoso precedente e com o qual a CPLP não se compromete;
7. Apelar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que imponha sanções direcionadas a militares e civis implicados no golpe de Estado e manifestar apoio às medidas restritivas, recentemente adotadas pela União Europeia, contra militares guineenses e às sanções previstas pela CEDEAO;
8. Reiterar o seu apoio ao pedido do Governo legítimo da Guiné-Bissau para a constituição de uma força de estabilização abrangente, mandatada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e incluindo contingentes de membros da CEDEAO, da CPLP e da União Africana;
9. Realçar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau e combater incondicionalmente a impunidade e a ameaça do narcotráfico na África Ocidental, devendo a resposta da Comunidade Internacional criar uma oportunidade decisiva para o efeito.
10. Alertar a Comunidade Internacional para a emergência de uma situação humanitária na Guiné-Bissau, nomeadamente com deslocados, refugiados e risco de epidemias e para a necessidade de serem tomadas medidas em conformidade.
Lisboa, 5 de Maio de 2012.

fonte: expresso.pt

sábado, 5 de maio de 2012

Guiné-Bissau: PAIGC acusa CEDEAO de golpe contra democracia.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

PAIGC rejeita busca parlamentar de solução para o golpe, exigindo retorno à legalidade existente antes do mesmo.



O PAIGC disse que a decisão da CEDEAO é um grande golpe contra a democracia na Guiné-Bissau e afirma que não vai participar em soluções extraconstitucionais.

O líder da bancada parlamentar do PAIGC, Rui Dian de Sousa, disse a propósito:

“Isso é um duro golpe à democracia e um aniquilamento ao PAIGC e às figuras democraticamente eleitas do PAIGC. Porque não podemos dar-nos ao luxo de fazer eleições e depois dizer que esta tudo mal, vamos para uma solução via Assembleia Nacional Popular para satisfazer uma meia dúzia de gatos-pingados, passe a expressão. Portanto, nós continuamos a denunciar essas decisões e achamos que a nossa bancada, se a solução for via Assembleia Nacional Popular, a nossa bancada não fara parte dessa solução.”

Enquanto isto o antigo presidente da Assembleia Nacional Popular, Francisco Benante, perspectivou um eventual debate no parlamento sobre o tal figurino imposto pela CEDEAO:

"Se o problema passar pela Assembleia, não haverá um debate confuso, haverá sempre um debate esclarecido", disse.

Entretanto, continua reunida em Bissau uma delegação da CEDEAO com o Comando Militar, mais cinco candidatos as eleições presidenciais passadas que contestaram os resultados eleitores, assim como o PAIGC, partidos da oposição movimento da sociedade civil e bispo de Bissau em mais uma tentativa para encontrar uma solução para a saída da crise.
O ministro brasileiro das Relações Exteriores António Patriota concedeu recentemente uma entrevista à nossa colega Carol Castiel onde abordou o interesse do seu país em ajudar a crise por que passa a Guiné Bissau.
fonte: VOA


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Guiné-Bissau: Uma crise com potenciais efeitos secundário.

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Ataque à casa do primeiro-ministro da Guiné-Bissau


O golpe de Estado na Guiné-Bissau, cuja solução permanece ainda em aberto, à medida que o tempo passa ameaça poder vir a ter as mais diversas repercussões inesperadas.
Subitamente, a preocupação com a coesão da CEDEAO/ECOWAS intromete-se na gestão regional do golpe de Estado na Guiné-Bissau (ver as declarações de Corsino Tolentino). Em nome do princípio da subsidiariedade, a CEDEAO/ECOWAS ambicionou e reclamou para si um papel que está ainda para se confirmar que o conseguirá desempenhar. Veremos se a crise na Guiné-Bissau não deixará cicatrizes regionais imprevistas.
A própria CPLP está ainda para se ver se também ela conseguirá cumprir o papel que inicialmente pensou desempenhar, e se o golpe de Estado na Guiné-Bissau não terá porventura repercussões indesejadas.
A nível bilateral, a aproximação gradual que se ensaiou no último ano entre Angola e a Costa do Marfim corre também riscos sérios de retrocesso se Alassane Ouattara não tiver cuidados redobrados. (Assunto, aliás, sobre o qual penso escrever com um pouco mais de detalhe.)
Tudo somado, há razões mais do que suficientes para abdicar da estratégia gradualista seguida até agora e assumir em seu lugar uma abordagem mais musculada.
fonte: Bloguista Paulo Gorjão

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cimeira extraordinária da CEDEAO em Dacar seguida com expectativa na Guiné-Bissau.

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Participantes da cimeira extraordinária da CEDEAO em Dacar a 3 de Maio de 2012
Participantes da cimeira extraordinária da CEDEAO em Dacar a 3 de Maio de 2012
AFP PHOTO / Seyllou

RFI
Reunidos esta Quinta-feira em Dacar designadamente para analisar a crise da Guiné-Bissau, os chefes de Estado da CEDEAO, Comunidade dos Estados da África Ocidental, mantiveram a decisão de impor sanções bem como de enviar uma força de manutenção da paz para o país, sem todavia especificar uma data.

Igualmente de acordo com o comunicado final da cimeira divulgado pelo Presidente em exercício da CEDEAO, o chefe de Estado da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, cabe ao Parlamento Guineense eleger o Presidente interino que deve ser "uma personalidade de consenso". Segundo o referido documento, os responsáveis que forem escolhidos para liderar o processo de transição não deveriam candidatar-se às eleições presidenciais que supostamente devem ser organizadas no prazo de um ano.
De referir que esta reunião que se realizou nomeadamente na presença dos dirigentes Guineenses depostos, o Presidente interino Raimundo Pereira e do Primeiro-ministro cessante Carlos Gomes Júnior, decorreu no preciso momento em que a União Europeia acaba, esta Quinta-Feira, de impor sanções a seis protagonistas do golpe militar de 12 de Abril, considerando-os responsáveis de ameaça à paz, segurança e estabilidade do país. Os responsáveis visados, cujos nomes deveriam ser conhecidos esta Sexta-Feira no Diário Oficial da União Europeia, serão proibidos de entrar em território Europeu e os seus bens serão congelados.
Entretanto, paralelamente a estas movimentações políticas, a população Guineense vai sentindo de forma cada vez mais aguda os efeitos da crise decorrente do golpe de 12 de Abril. A central eléctrica de Bissau, nomeadamente, está sem gasóleo há uma semana e, em consequência, a capital Guineense encontra actualmente dificuldades de abastecimento em energia, sendo igualmente previsíveis cortes no fornecimento de água canalizada.
Mussá Baldé, correspondente em Bissau

Rússia diz adeus ao Lada, o carro soviético.

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Carros da marca Lada chegam ao fimCarros da marca Lada chegam ao fim


Era um símbolo de prosperidade na era soviética, motivo de troça no estrangeiro e um caso de longevidade. A cortina de ferro caiu, mas a história de amor com o carro continuou... enquanto foi possível.


Era um símbolo de prosperidade na era soviética e um sonho para muitos os que viviam do lado de lá da cortina de ferro. Depois, tornou-se num fenómeno de longevidade, mantendo-se nas linhas de montagem durante 42 anos, dando mostras de uma espécie de saudosismo que muitos russos ainda sentem. Mas agora, a história de amor dos russos com o Lada, vai acabar.

A AvtoVAZ, fabricante do famoso veículo, anunciou o fim da produção do modelo clássico, levantando uma polémica no país. A AvtoVAZ vai passar a ser controlada pela aliança Renault-Nissan e pela Russian Technologies e produzirá o novo Lada Granta 2012, bem diferente do modelo clássico.

Muitos recusam perder o símbolo do tempo em que ainda acreditavam que a União Soviética podia ganhar a Guerra Fria, outros assinalam o declínio do setor automóvel russo no mercado nacional e global da era do capitalismo.

O Lada clássico detém o recorde mundial de permanência na linha de montagem: 42 anos. Mas maioria das unidades e blocos de detalhes do veículo foram projetados nos anos 60, começaram a ser vendidos em 1970, e continuaram a ser produzidos até hoje.

E, embora fosse motivo de troça no estrangeiro pelo seu preço baixo - havia até uma piada que dizia que para duplicar o valor do Lada, bastava atestar o depósito - , durante a Guerra Fria, o Lada era um sonho inatingível (ou quase) para muitos soviéticos, que estavam anos numa lista de espera até conseguirem adquirir um.

A cortina de ferro caiu, a Rússia começou a comprar carros estrangeiros, com um apelo estético muito maior, mas a história de amor com o Lada não morreu. A produção continuou, muitos russos recusavam-se a conduzir outro carro, e até houve exportação, sobretudo para a América Latina. Países como Cuba, Venezuela, Argentina, Costa Rica e Equador, importaram o Lada desde a década de 70. 

Mesmo nos anos 90, caracterizados pela recessão e queda da produção na Rússia, a exportação para a América Latina não parou, tendo até aumentado. 

A América Latina importava não só os modelos clássicos como também o lendário off-road Niva, uma espécie de SUV e o Lada-110, equipado com um motor de injeção eletrónica e um computador de bordo, considerado, na época, como um dos automóveis mais avançados.

Agora o Lada passará a pertencer apenas a alguns saudosistas e a colecionadores, aumentando, neste final de vida, o valor de um dos carros mais baratos de sempre.


fonte: TVI24



Missão na Guiné com fim pacífico.

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Rui Mangueira trabalha na Cidade da Praia
Fotografia: JA
Angola defende a realização da segunda volta das eleições presidenciais e rejeita que a presença de militares angolanos na Guiné-Bissau tenha sido a causa do golpe de Estado naquele país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, esclareceu ontem, na Cidade da Praia (Cabo Verde), o secretário de Estado das Relações Exteriores.
Rui Mangueira falava aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, a quem entregou uma carta do Chefe de Estado angolano e actual presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). 
O secretário de Estado defendeu que o Executivo subscreveu todas as posições das organizações internacionais que pediram o regresso à ordem constitucional. “A realização da segunda volta das eleições é um imperativo para a solução da crise na Guiné-Bissau”, referiu Rui Mangueira.
Rui Mangueira rejeitou que a presença de militares angolanos na Guiné-Bissau tenha sido a causa do golpe de Estado. O secretário de Estado esclareceu que “a missão angolana naquele país (MISSANG) teve apenas 270 homens e este número jamais poderia ameaçar as estruturas militares daquele país”. O secretário de Estado confirmou que a MISSANG deve retirar-se de Bissau nos próximos dias, como estipulou a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEDEAO), e lembrou que aquela missão resultou de um acordo tripartido entre Angola, o Governo da Guiné-Bissau e a CEDEAO, porque o processo de reestruturação do Exército daquele país exigia uma acção rápida. Na Cidade da Praia, Rui Mangueira chefiou uma delegação tripartida da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que entregou ao Presidente de Cabo Verde uma carta do presidente da SADC.

Eleições na União Africana


A candidatura da ministra do Interior da África do Sul, Nkozasana Dlamini Zuma, ao cargo de presidente da União Africana (UA) tem estado a movimentar a diplomacia da SADC.
Jorge Carlos Fonseca disse que o apoio de Cabo Verde a um candidato ao cargo de presidente da UA depende de vários critérios, entre os quais, a qualidade do currículo e a capacidade de liderança, que deve ser “lúcida, inteligente e forte”.
O Chefe de Estado cabo-verdiano afirmou, no entanto, “ver com bons olhos a candidatura de Nkozasana Zuma”, mas admitiu que ela terá que trabalhar com muita “sistematização, firmeza e lucidez por haver muitos interesses em jogo nessa eleição”.
O ministro da Segurança do Estado da África do Sul, Slyabonga Cwele, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Namíbia, Utoni Nujoma, integraram a delegação.

fonte: Jornal de Angola






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