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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

GUINÉ-BISSAU: RAMIRO NAKA RECOMENDA NOVA GERAÇÃO A APOSTAREM NA MÚSICA TRADICIONAL PARA CONQUISTAR O MERCADO.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

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O conceituado músico internacional, Ramiro Naka, pediu aos jovens artistas da nova geração a apostarem na música tradicional para assim conquistarem o mercado internacional. O cantor pediu igualmente aos jovens no sentido de se organizarem em grupo através de orquestras e tentar tirar o proveito da cultura guineense.
Durante a entrevista concedido a’O Democrata o cantor, que outrora fora considerado o rosto da cultura da Guiné-Bissau, contou a sua visão sobre a música guineense, comparou as gerações de músicos e revelou a história do seu percurso na vida, além da música, dos desafios que enfrentara .
Lembrou que praticara o atletismo só para conseguir um lugar onde pudesse ganhar algo para comer, porque ao mesmo tempo que corria para os leões de Portugal, a noite ia sempre tocar nas discotecas. O artista falou dos seus primeiros momentos no conceituado grupo musical “N´Kassa Cobra”, bem como dos momentos difíceis e menos bons.
Ramiro Naka defendeu que não se pode esperar muita coisa do Estado para desenvolver a Cultura guineense, visto que o próprio Estado depara-se com vários outros problemas sociais prioritários.
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O Democrata (OD): Ramiro Naka, o senhor é um dos rostos da música e da cultura musical da Guiné-Bissau no exterior. Pode fazer-nos um pequeno resumo da sua carreira musical?
Ramiro Naka (RN): Não sou um dos rostos… eu faço parte daquela família humilde da arte que é uma das grandes riqueza da Guiné-Bissau. Então é com muito grado que sempre estou disponível para representar este país em quaisquer circunstâncias. É por isso que poucas pessoas conseguiram compreender o porque organizei o festival no período do conflito na Guiné-Bissau, bem como o movimento artístico e a manifestações nos períodos difíceis.
Confesso que tenho uma dívida moral com este país. Porque sou Gomes Dias Ramiro Naka, nasci em Sonaco. O meu pai era funcionário naquele sector da Região de Gabú, por isso tive a oportunidade de viajar pelas diferentes zonas da região. No entanto, isso permitiu-me conhecer de perto a cultura deste povo. Eu sinto uma obrigação de trabalhar para a divulgação da minha cultura no mundo fora.
Para falar do percurso de uma artista de 60 anos de idade, que desde aos 15, já andava a cantar, portanto sem contar com as passagens inconscientes. Para mim todo o homem é artista e agora o que conta é aquele que tiver mais sorte e a oportunidade de continuar a desenvolver a sua arte. Por isso mesmo, eu não me considero um artista de nível superior e no meu entender a sorte esteve do meu lado e a oportunidade que soube muito bem aproveitar.
Saí de Sonaco e passei por várias grandes cidades do país e até que vim parar em Bissau. Aqui, naquela altura, era da orquestra musical, Cobiana Jazz, do qual todos os jovens da minha idade queriam fazer parte para cantar. Eu tinha um colega de nome Cipis e o Malafi já falecidos e juntamente com outros tentamos fazer o nosso grupo musical que denominamos de “Panterra Guineus”, onde fazia parte outros músicos. Então foi a partir deste momento que nos convidaram para formar o grupo musical “N’kassa Cobra”.
OD: Qual é a diferença entre Ramiro de salão de luxo, ou seja, da Orquestra “Nkassa Cobra”e de Ramiro de hoje?
RN: Não existe nenhuma diferença o Ramiro do Salão de Luxo e o de hoje, porque sou a mesma pessoa e mesmo artista. O certo é que a vida tem várias etapas que cada pessoa passa. Quando eu fui para “N’Kassa Cobra”, era quem cumpunha as músicas do meu anterior grupo “Panterra Guineus”.
Até eu dava instruções aos meus colegas como deveriam cantar ou tocar a guitarra, mas isso é a coragem de Ramiro e a paixão que tinha na viola, ou melhor, na música em geral. Tocávamos aquelas “notas dublos” da maneira inconsciente. Portanto, de acordo com a sua pergunta, o que faz a diefernça é que houve uma evolução. Antes de entrar no mundo da música de uma forma séria, já tínha descobrido a melodia da minha voz através das cantigas que cantavámos no fanado. O primeiro concurso de cantiga de fanado fora gravado na rádio e aí mostravamos uma verdadeira paxão pela música.
OD: O que é que essa geração tinha de diferente, em relação a música de então e a da geração de hoje?
RN: A diferença que temos é a união. A nossa geração era mais unida e faziamos tudo por amor e sentiamos uma paixão pela música. A nossa geração tinha uma ideologia clara que é preciso a união para fazer funcionar as coisas. Para nós o conjunto é muito importante e davamos tudo para mantermo-nos unidos no conjunto, o que para nós era uma escola. Agora a nova geração é a escola da rua, por isso estão tão perdidos. A geração actual, como toda gente sabe, todos querem fazer sózinhos e sem nenhum enquadramento.
OD: Pode contar-nos a experiência do festival do Estádio Lino Correia que se transformou numa concorrência entre Ramiro Naka de N’Kassa Cobra e Mama Djombo?
RN: Quero lembrar que o grupo “N’Kassa Cobra” não era rival de Mama Djombo e nem de Kapa Negra, porque a orquestra N´Kassa Cobra lançou-se depois das outras. A nossa competição naquele tempo era muito bonita, aliás, lembro-me que era uma competição de bairro contra bairro. Infelizmente o Nkassa Cobra não conseguiu ganhar nenhum festival, mas teve grande presença que foi sentida por todos.
O que era interessante naquela época é que era uma competição com certa harmonia, mas agora é diferente. Estamos numa situação que nem mesmo os artistas se compreendem. E como se sabe antigamente não tocavamos por dinheiro e nem tínhamos televisão – filmar e depois passar ao público. Nós tocávamos pela vontade e o prazer. Tínhamos o gosto de praticar ou fazer aquilo que gostavamos e sabíamos fazer.
OD: Diz-se que a geração de Justino, Manecas e entre outros nasceu por vossa causa, ou seja, é uma geração que se inspirou no vosso talento. É verdade que é assim?
RN: Sim, é verdade e eles têm consciência disso. Eles próprios têm muito respeito por nós e eu também tenho muito respeito por eles. Eu lembro-me que nós e mais colegas de outras orquestras imitavamos o grupo “Cobiana Jazz” até consiguirmos criar o nosso próprio grupo musical. Manecas e Justino, brincamos até agora disso, aliás, recordo que o Manecas na altura, não podia carregar uma viola. Estes acabaram por criar um grupo denominado “Africa Livre” e ali tinha espaço para cada um fazer aquilo que sabia para ajudar o grupo.
OD: Há quem diga que a cultura guineense estava muito bem representada naquela altura. Algumas vozes alegam que a nossa cultura está ameaçada de extinção. Quer fazer um comentário sobre isso?
RN: Sim, a nossa cultura estava muito bem representada naquela altura. A cultura guineese não está ameaçada de extinção, porque os artistas continuam a trabalhar para levar a boa imagem do país no mundo fora. A arte é um dos grandes valores que a Guiné tem, portanto é a única coisa estável que existe neste país. Mas temos que ter a consciência que a instabilidade política nacional, financeira e comercial prejudicam muito e muito a arte.
Não pode imaginar que um país que vive há 40 anos numa instabilidade política, económica e financeira, como serão os trabalhos dos artistas. Por isso é que nenhum artista consegue ter uma estrutura muito bem organizada no nosso país. É por causa dessa situação que a competição interna entre os artista se torna mais renhida e até ao extremo, porque os mais novos poderão pensar que os mais velhos impedem-lhes de ganhar ou obter mais sucessos.
Essa é a razão que me levou a pensar numa reforma na minha carreira, portanto aproveito essa ocasião para aconselhar os artistas da minha idade a deixarem de tocar nos locais públicos, de forma a deixar os espaços para os mais jovens. Imagina que os emigrantes em França que ganham mensalmente dois mil euros, não compram o meu disco. Os dos Estados Unidos de América também têm dificuldade em comprar o meu disco.
Quem comprará o meu disco aqui na Guiné-Bissau e com toda essa dificuldade financeira? E por isso é que eu aconselho os mais jovens para apostarem no trabalho de grupo, ou seja, que voltem a organizar-se em orquestras e ali poderão obter mais sucesso na carreira.
OD: Lembra-se de alguns nomes sonantes dos músicos de diferentes grupos?
RN: Eu lembro-me ainda de vários nomes sonantes de toda essa família de artistas, porque é a nossa vida. E lembro-me ainda dos grandes momentos. Uma vez ia ver o grupo “Cobiana Jazz” e o Rui Neves, que era um dos patrões desse grupo, deitou-nos um balde de água. Recordo também de Gonçalo que foi um dos criadores da orquestra “Mama Djombo” e do Taborda.
Gonçalo era uma pessoa de grande experiência neste sector naquela altura. Ele (Gonçalo) fora convidado pela sua tia de nome Obiara para o grupo “Chave de Ouro” ou Kassa Djass, então foi assim que o Gonçalo me convidou e eu vim com o Pukurusso e o falecido Zeca Garcia. Convidaram-nos um dia para apresentarmo-nos no concerto de grupo “Kapa Negra”. Isso era uma grande oportunidade para nós, porque aquele grupo já se tinha afirmado junto do público. Uma coisa também que eu queria lembrar aqui é que o senhor Adriano Ferreira (Atchutchi) antes de se ingressar no Mama Djombo deu voltas a Bissau para ver os grupos e até foi ter connosco, no “N’Kassa Cobra”, porque tinhamos valores com futuro para afirmarmo-nos no mundo da música.
O Atchutchi tinha ideias ou então canções para fazer impulsionar o N´Kassa Cobra, mas viu que o grupo era muito indisciplinado, razão pela qual acabou por ir parar ao Mama Djombo e a grande verdade é que conseguiu inserir-se e muito bem naquele grupo.
OD: Quantos albuns o Ramiro Naka já editou no mercado?
RN: Quero esclarecer uma coisa que acho muito interessante. Não faço discos para a competição. Fiz o último disco em 2008/2009, intitulado “Gumbé Plus Crioulo”. A partir dali não fiz mais nada, porque não tenho mais novidades para cantar. Só agora, nos dois últimos anos é que consegui uma outra ideia e tive que afinar a viola.
É importante termos em mente que sózinho é muito dificil conseguirmos andar, por isso é que na música se conta com “Manager” que é alguém que orienta o músico nos seus trabalhos. Estou aqui para concentrar-me no meu trabalho, é que, tendo em conta a minha idade, estarei um pouco limitado agora.
Vocês sabem que fui professor na escola central, portanto não vou cansar-me de falar com os mais novos nesta área, porque é a única coisa que eu posso oferecer. Tenho uma dívida moral com esta terra e com a minha cultura. Aliás, uma das razões que me levou a comprar este espaço é para fazer um filme com o cineasta Flora Gomes para contar a história da minha terra e ganhar muito dinheiro.
OD: Qual é exactamente o número de discos produzidos por Ramiro Naka?
RN: Relativamente aos números de discos editados, tenho muitos discos e vou lembrar-lhe de alguns, como “Matchu Lelé”, depois “Fanta Mané”, tenho ainda “Nbá Luta”. São muitos os discos que editei no mercado. Também lembro-me do disco “Tchon Tchoman” que é um disco produzido pelo produtor do grande músico Bob Marley. Por isso mesmo é que essa música de Tchon Tchoman e de “Chofer Latch” ganharam muita proporção no mercado. Na altura eu estava no momento e razão pela qual trabalharam comigo e puseram o trabalho no mercado mundial, por isso ganhou muita fama.
Considero a música “Tchon Tchoman” como um património de todos os guineenses. É uma música que projectou a imagem da Guiné para o mundo fora. Não porque é a música do Ramiro, mas muita gente pode testemunhar o que estou a dizer, tanto os que estavam na Guiné bem como os que se encontravam no exterior, quando a música foi editada no mercado.
Lembro-me que gravei algumas músicas com “Saba Minhanba”, como também gravei outras músicas com alguns artistas.
OD: Saba Minhamba era visto como o opositor do regime do Presidente Luís Cabral naquela altura. Pode falar-nos um pouco de Saba Minhamba?
RN: Naqueles tempos, bastava pensar diferente para ser considerado logo de opositor. E como defendemos na altura que a Democracia era a troca de ideias, fomos considerados de opositores ao regime.
A verdade é que na altura estávamos a desmascarar aquilo que se passava na Guiné-Bissau através das grandes composições musicais de Jorge Medina, tais como: Kin kon bida, rabu di Padja, entre outros.
Isso não era nada fácil naquela altura, mas acreditávamos que estávamos a fazer o nosso trabalho em prol do povo guineense. Como sabem, vocês actualmente têm um papel muito importante a desempenhar nesta sociedade no sentido de formar e informar a sociedade.
OD: No conjunto das músicas editadas por Ramiro Naka, qual é a música que mais marcou a sua carreira, ou seja, que o projectou para o mercado internacional?
RN: Confesso que é difícil dizer… porque, como sabe, um pai gosta de todos os seus filhos. Em cada passagem da minha vida tive períodos diferentes que me marcara. No entanto, as coisas mais marcantes aconteceram quando era mais novo e tudo aquilo que fizemos naquela época marcou-me muito.
É por isso que fizemos uma música “Nené Tuti/Naka – Lembra tempu di Nkassa Cobra”. E produzimos quatro volumes, mas apenas saiu um. O período que mais me marcou foi o início da minha carreira musical. Não é agora que tenho meios para comprar uma guitarra ou instrumentos musicais. Naquele período em que estávamos a iniciar a carreira, era muito difícil. Era um momento em que lutávamos para erguermo-nos e conseguir uma afirmação no mundo da música.
Tive que trabalhar ali na estação de venda de combustíveis para poder comprar uma viola e foi o meu pai que me tirou dali. Em França eu tive que tocar no metro para pedir caridade para comer e comprar os instrumentos musicais.
OD: “Tchon Tchoman”é a música mais conhecida de Ramiro Naka. Confirma que é a música que levou o Ramiro ao mercado internacional?
RN: A música “Tchon Tchoman” de facto é a mais conhecida, mas todas as minhas músicas são importantes para mim. Mas é muito importante a promoção das músicas dos cantores nacionais nos órgãos da comunicação social, por isso acho que esse é o vosso trabalho: ajudar na duvulgação da cultura guineense. Aliás, as pessoas da minha geração preferem as músicas antigas e, sobretudo àquelas do tempo de N´Kassa Cobra.
OD: Como vê a música hoje na Guiné-Bissau? Há quem diga que as músicas hoje fazem muito barulho e não se toca nada.
RN: A música da Guiné está bem. A verdade é que não se toca nada, porque não têm orquestras para tocar e fazer vibrar o público. O grande problema é a nova geração que eu considero a geração do barulho, porque tentam fazer aquilo que ouvem, vindo de fora.
Outro problema é que alguns músicos tentam imitar outros artistas de fora, sem no entanto, preocupar-se em mostrar ou explorar aquilo que têm dentro para transmitir ao mundo. A música que me deu de comer, ou seja, que salvou o Ramiro Naka é aquela música que intitulei de “Ndulé – Ndulé”.
Eu fiz essa canção com a minha filha e até participamos num festival em Itália para apresentar essa música. Para os ocidentais, o ‘Gumbé’ é orginal, por isso gostam do nosso estilo. Mas outras músicas como aquelas tocadas pelo “Kassav”, eles já se habituaram a ouvi-las, por isso preferem o estilo mais africano.
OD: Como veterano e músico reconhecido internacionalmente que conselho dá aos mais novos?
RN: Aconselho-os para apostarem na música tradicional, porque também com a música tradicional, ou melhor, a música da Guiné-Bissau se pode conquistar o mercado europeu. As outras músicas que os jovens de hoje tocam, e a verdade é que se tocam muito nas discotecas, corre-se o risco de ver o disco ser comprado pelos frequentadores das discotecas e apenas para dançarem.
Naqueles tempos sentia-me muito triste, porque as minhas músicas não tocavam nas discotecas e nem os guineenses ouviam-nas. Mais tarde percebi que tinha uma sorte e que os ‘brancos’ gostavam muito das músicas tradicionais que eu tocava, sobretudo a mistura de ‘Gumbé Plus Crioulo’. Consegui afirmar-me internacionalmente e ganhar a minha vida junto dos brancos e sem fazer barrulho, apenas apostando nos ritmos tradicionais africanos. Acho que os jovens da nova geração ainda podem aproveitar muito a nossa cultura e em particular os ritmos africanos para compor músicas e apresentá-las ao mundo.
OD: O país conta já com 42 anos da independência e até agora os homens da cultura continuam a enfrentar enormes dificuldades nos seus trabalhos. Não acha que é urgente definir uma política da cultura na Guiné-Bissau?
RN: É necessário definir uma política de artistas, ou melhor, da cultura sem a intervenção de Estado. Devemos voltar a trabalhar em conjunto através das orquestras como nos tempos passados e para isso não é preciso a intervenção do Estado. Naquela época faziamos tudo sozinhos, mas conseguimos projectar a boa imagem da cultura dos guineenses e do próprio país ao mundo.
É por isso que criamos um espaço cultural denominado de “Naka Espaço Cultural”. E através da ‘Fundação Naka’ podemos disponibilizar o espaço para apoiar os cantores que queiram utilizá-lo para os concertos.
Cada artista que se interessar em fazer parte da organização, terá que cumprir com as obrigações que é de pagar as quotas fixadas para o fundo da organização. Podemos dispensar os equipamentos para o ensaio aos inscritos e que cumpram com as suas obrigações e até mesmo podemos dispensar material para gravar.
Para nós não é o Estado quem vai arrumar todo o problema dos artistas, ou então, resolver toda as dificuldades que os homens da cultura enfrentam. O Estado está na fase da aprendizagem da democracia e, aliás, como se sabe, o nosso Estado é como uma criança que está a tentar erguer-se para aprender a dar os primeiros passos. O Estado depara-se com problemas de fome para se auto-sustentar, portanto será que podemos esperar deste alguma coisa?! Nós é que temos que nos levantar para lutar e defender a nossa cultura, bem como trabalhar com suor para projectar a cultura guineense para o mundo fora.
OD: Havia muitas bandas músicas depois da independência, mas agora apenas há uma única banda musical que é o Tabanka Djazz. Como é que explica isso?
RN: Porque naquela altura havia mínimas condições para trabalhar em grupo e fazer um bom trabalho. Agora a situação é difícil e as pessoas estão sem salários para garantir a sobrevivência.
Quanto a nós, vamos tentar voltar às bandas através da iniciativa “Naka – Nkassa Cobra”. Para fazer uma banda é preciso ter um espaço apropriado para ensaios e acima de tudo são precisas certas condições.
Uma orquestra é como uma empresa e cada artista é chefe da empresa. É preciso termos a capacidade técnica de trabalho e financeira para não contrairmos dívidas com os empregados. Sem essas condições técnicas e financeiras é dificil fazer uma banda funcionar, porque a raça crioula é muito inteligente e ninguém deixa para outro. Se se começar com uma iniciativa de banda por exemplo, começa-se logo a pensar em quem vai guardar o dinheiro do grupo.
OD: Essa situação não aconteceu com a N´Kassa Cobra, Mama Djombo e outros. Será que essa geração não seria capaz de organizar-se em grupo?
RN: Essa geração não é capaz de fazer isso, porque são inteligentes todos e mais, toda gente quer ganhar dinheiro rapidamente. É trabalhar com eles e mostrar a vantagem de trabalhar em grupo. É preciso trabalhar com a nova geração bem como aconselhá-los a prosseguir com a formação para terem uma profissão, quando deixarem de cantar.
Quando eu era jovem e um amigo norte-americano me perguntou o que é que fazia, além de cantar,pediu-me para ser dançarino, porque entende que tenho físico para ser dançarino. Eu não queria dançar, mas foi a partir dali que tomei a iniciativa de ir para Sporting Clube de Portugal.
Ingressei no Sporting como atleta e corria 100 metros em doze segundos. Ficaram impressionados comigo porque naquela altura o record de mundo (1976) de 100 metros era de onze segundos. Corri pelo Sporting e consegui o record de doze segundos e até peguntaram-me do meu Clube na Guiné. Eu tinha que correr pelo Sporting a fim de ajudar na minha sobrivivência e com isso ganhava alguma coisa, inlcuindo a senha para a cantina e transportes e a noite eu ia tocar.
OD: Toda gente que cantava aqui no país pela independência de repente saiu daqui para Portugal. Voltaram com outra imagem. O que vos levou a jun-tarem-se em “Saba Miniamba” em Lisboa?
RN: A nostalgia e a saudade… porque éramos de grupos diferentes como se sabe. Eu pertencia ao agrupamento N’Kassa Kobra, Sidónio País era de Kapa Negra, Medina de Mama Djombo. Então, havia uma necessidade, na época, porque a Guiné-Bissau não tinha nenhuma representação em termos da música em Lisboa, só tinha senhor Bana. E todos os filhos de Guiné identificavam-se como cabo-verdianos.
Temos filhos de origem cabo-verdiana que nasceram aqui com todo respeito e com muita honra e somos irmãos, mas os guineenses precisavam de manter a sua própria identidade. Foi nessa circunstância que “Saba Miniamba” foi-me buscar para organizarmo-nos num grupo, para criticar as más políticas dos governantes, assim como defender a imagem do país em Portugal.
OD: Quando se deu o golpe do Estado em 14 de Novembro de 1980 já estava em Paris, pensava na altura que a vitória tinha sido conseguida?
RN: Era uma esperança…a Guiné merecia ter uma outra cara. Na altura pensamos que já estávamos em boas mãos. É por isso que no fim da história ficamos com muita tristeza, tudo por culpa dessa humilhação política à uma nação. Também como estou na família de arte não conheci muito dos nossos políticos.
OD: Como é que vê a participação dos grandes artistas nas campanhas eleitorais, apoiando os políticos?
RN: Creio que não posso julgá-los, porque têm fome. Se alguém me solicitasse para fazer campanha eleitoral faria algumas exigências. Diria ao político que, como já tem casas e quer ser Presidente da República, então pediria a chave de uma casa e só depois disso é que faria a campanha eleitoral pelo político.
OD: Qual é o critério para ser músico na Guiné-Bissau?
RN: Basta ter umas calças bonitas e poemas. Houve um rapaz que me diz que quer cantar, porque tem duas poesias. Mas não tive tempo para lhe explicar que no Kobiana Djaz, havia muitas pessoas que não estavam no anonimato, mas que escreviam para os outros elementos do grupo como Zé Calos e Aliu Bari cantarem. Na verdade, tive muita sorte. Para ser artista, precisas ter pessoas que trabalham com seriedade em diferentes áreas que compõem a vida musical. Uma pessoa que consegue gerir a sua família, pode ser-lhe confiada um grupo. Mas aqui há gentes que nem sabem gerir a sua família e dirigem grupos até mesmo o governo.
OD: Ramiro qual é o futuro da música guineense no mundo?
RN: O futuro da música guineense está nas mãos dos jovens.
OD: Já pensou em fazer algo para transformar o país ou pelo menos cidade de Cacheu numa rota da cultura?
RN: É muito difícil, porque eu já tomei uma iniciativa para construir uma casa da cultura aqui em Bissau e outra no Ilhéu do Rei. Acho que cada um músico deve formar um pequeno conjunto ou associações musicais nos seus bairros, mas com uma estrutura. O Estado tem fome, dentro do estado há pessoas que não conseguem gerir as suas casas e por conseguinte não podem gerir a cultura, isto é uma realidade. Cada vez que mudamos de governo, entra uma equipa que tem fome, por isso, as vezes penso que a solução seria manter a equipa que já roubou.
OD: Não acha que era bom Ramiro Naka, Zé Manel, Atchutchi e outros veteranos juntarem-se em prol do desenvolvimento da nossa cultura?
RN: Não iria funcionar, porque não se pode misturar o Benfica e o Sporting, de um dia para outro, claro não funcionaria. O que pode funcionar é o Benfica organizar-se bem e o Sporting preocupar-se-ia em se organizar melhor que o Benfica!
OD: Acha que a música nacional pode chegar a topo mundial onde está a Kizomba hoje?
RN: Não… porque mesmo o nosso país faz a promoção da música Kizomba. E Angola paga para divulgar a Kizomba e nós aqui que nem conseguimos pagar aos nossos empregados. Tenho um cinvite do Brasil para levar quatro, cinco até seis artistas. A cultura deveria dar-me somente os bilhetes, mas não pode.
OD: O que é que Naka faz além da música actualmente?
RN: Quando estou cansado de fazer música ou de ensaiar, pinto. Se não for a pintura faço cinema ou teatro. Ainda gosto muito de escrever. Estamos a produzir muitos livros, também a minha actividade matinal é o desporto, ou seja, a primeira coisa que faço ao levantar-me, mas o estúdio consome uma boa parte do meu tempo.
Por: Assana Sambú/Sene Camará
Fotos: Marcelo N’Canha Na Ritche
#odemocratagb.com

Obama em Paris sem temer terror.

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Fotografia: AFP

O Presidente norte-americano, que confirmou ontem, na Malásia, a presença na Conferência do Clima de Paris, que decorre entre o próximo dia 30 e 11 de Dezembro, pediu aos outros líderes mundiais que também participem para mostrar que não têm medo.

“Não temos medo”, disse Barack Obama, que salientou ser  importante que “cada país, cada líder, dê o sinal que a crueldade de um punhado de assassinos não impede o mundo de realizar negociações vitais”.
O Presidente norte-americano referiu que, “além de perseguir os terroristas”, de serem precisos “serviços de inteligência eficazes”, “ataques com mísseis” e “impedir os meios de financiamento, a melhor forma de lutar contra o Estado Islâmico é dizer: “não temos medo”.
A cimeira de Paris destina-se a conseguir um acordo internacional para redução das emissões de gases do efeito de estufa e travar o aquecimento global. Barack Obama declarou que “o clima de receio que se instaurou após os atentados” do dia 13 em Paris não pode paralisar as discussões sobre clima.
“Não vamos sucumbir ao medo, que é o principal poder que os terroristas têm sobre nós”, disse.
#jornaldeangola.sapo.ao

Novo presidente argentino pode melhorar relação com Brasil e Mercosul.

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O oposicionista Mauricio Macri, que venceu as eleições deste domingo, chegou a afirmar que sua primeira viagem ao exterior seria ao Brasil.
O candidato opositor à Presidência argentina Maurício Macri
O candidato opositor à Presidência argentina Maurício Macri(Agustin Marcarian/VEJA)

A chegada de Mauricio Macri à presidência da Argentina deve reconstruir as relações políticas e econômicas com o Brasil, além de oxigenar um Mercosul estagnado, em boa parte pelas barreiras comerciais criadas pelos Kirchner nos últimos anos. Eleito neste domingo, ele chegou a afirmar, há duas semanas, que caso ganhasse a disputa, sua primeira viagem ao exterior seria ao Brasil. A posse de Madri está marcada para 10 de dezembro. 

Apesar da distância ideológica que o separa do Partido dos Trabalhadores (PT), Macri aposta em uma parceria mais sólida com o Brasil. "Estamos abertos para trabalhar pela aproximação dos dois países, e acreditamos que a Argentina terá vocação de diálogo e buscará soluções com o Brasil", afirmou Fulvio Pompeo, assessor para relações externas de Marci, durante um almoço oferecido pelo Palácio do Planalto aos principais integrantes da equipe internacional do candidato argentino na embaixada brasileira no início do mês. 

O professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, Rodrigo Stumpf González, é otimista em relação à abertura na economia argentina e mudança na relação com o Mercosul. "Um governo argentino com uma perspectiva de economia mais aberta ao mercado internacional pode ser benéfico para as empresas brasileiras". 

A estagnação econômica, o desemprego e a necessidade de sustentação política do governo brasileiro e a exigência argentina de mostrar resultados econômicos positivos, controlar a inflação e deixar o câmbio subir, deve aproximar mais as duas nações. "Embora os governos brasileiro e argentino possam ficar ideologicamente em lados opostos após a eleição de Macri, ambos possuem necessidades maiores que os levariam a se associar", explica o professor Marcus Vinicius de Freitas. 

A relação bilateral entre Argentina e Brasil arrefeceu durante o primeiro governo de Dilma Rousseff, que começou um ano antes do segundo mandato de Cristina Kirchner. "A Argentina optou por buscar uma aliança estratégica com China e Rússia no segundo mandato de Cristina, avançando em acordos envolvendo satélites e energia nuclear e dando abertura para investimentos chineses - benefícios que nunca ofereceu para o Brasil", afirma o analista político argentino Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Unión para la Nueva Mayoría. O governo argentino também tem se aproximado da Venezuela. Na última Assembleia Geral da ONU, Cristina se encontrou com somente dois líderes mundiais: o presidente chinês Xi Jinping e Nicolás Maduro. 

Macri deve trilhar um caminho diferente. Há pouco mais de uma semana, o novo presidente afirmou que se opõe a políticos que buscam seguidas reeleições, uma crítica velada ao presidente da Bolívia, Evo Morales, que tenta prolongar os limites do seu mandato. Também criticou a prisão do líder de oposição venezuelano Leopoldo López pelo governo de Maduro. "Isso não é o que faz um governo democrático", afirmou Macri, indicando que poderia se distanciar de líderes esquerdistas sul-americanos. 

"A aliança com a China e a Rússia pode ser abandonada como eixo da política externa argentina, dando lugar a EUA, UE e o Brasil", diz Rosendo Fraga. 

#veja.com (Da redação)

O Presidente senegalês Macky Sall promete apoio ao Mali.

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O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita (à direita) e presidente do Senegal, Macky Sall (à esquerda) chegaram ao hotel Radisson Blu em Bamako em 22 de novembro de 2015, dois dias depois de um ataque mortal reivindicado pelo grupo Al-Murabitoun, uma afiliada da Al-Qaeda. FOTO | AFP.

O Presidente do Senegal, Macky Sall prometeu ajuda para perseguir terroristas islâmicos em seus esconderijos no Mali.

"O Senegal, a CEDEAO e todos os povos amantes da paz e nações estarão no Mali", disse ele em 22 de Novembro de 2015.

Ele é o atual presidente do bloco Oeste Africano, CEDEAO.

O Presidente Sall prometeu ajuda durante sua visita à capital do Mali Bamako.

A visita do líder foi para consolar o povo do Mali e o governo após os ataques terroristas da última sexta-feira ao hotel Radisson Blu em Bamko que deixou quase 30 mortos entre eles um de nacionalidade senegalesa.

O líder senegalês descreveu o incidente como "desprezível e lamentável".

"Estamos todos prontos para ficar no Mali para luta contra os inimigos da paz", disse ele à chegada no aeroporto de Bamako.

"O Senegal está ligada ao Mali pelo sangue, destino e geografia e por isso vamos fazer o possível para manter os apoios ao Mali e ao seu povo", acrescentou o presidente Sall.

Respondendo, o presidente maliano Ibrahima Keita elogiou o espírito pan-Africano do líder senegalês e expressou satisfação de apoio e solidariedade do governo e do povo do Senegal e do bloco regional.

"Eu também estou convencido de que ataques terroristas não conseguirão estabelecer-se e nem nos separar", disse Keita.

#africareview.com


sábado, 21 de novembro de 2015

OPINIÃO: FILOMENO PINA - À TERCEIRA FOI DE VEZ – SERÁ?

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                                                          Filomeno Pina - Nô Djagra

(Partido no poder na Guiné-Bissau expulsa ex-primeiro-ministro Baciro Djá)

                                                       Baciro Djá

Dr. Baciro Djá, um militante activo do PAIGC, que assumiu há pouco mais de dezoito meses, uma postura critica dentro da sua organização politica. Dantes era silencioso, mas ultimamente, de voz discordante a mal-amado, viu-se obrigado a pedir a sua demissão do Governo do Eng.º Domingos Simões Pereira, tendo sido mais tarde convidado a formar outro Governo pelo Chefe de Estado, Dr. José Mário Vaz, que no acto seguinte, por decisão do STJ, este Governo também caiu após quarenta e oito horas de ter tomado posse…

Mas aqui importa salientar a sua - Postura de Democrata - um líder não agarrado ao poder, que assumiu cargos na política nacional sabendo sempre afastar-se em conformidade com os momentos em causa.
Terá sido na primeira vez, que em conflito de gestão com o Eng.º DSP, ele pediu a sua demissão e abandonou este Governo, por considerar não haver confiança política do chefe do Governo na sua pessoa. Mais tarde foi convidado a formar novo Governo, que também caiu e, no mesmo instante acatou as “ordens/decisão” do STJ, tudo isto são factos.

Se outros membros do Governo, indiciados ou ouvidos pelo Ministério Público, todos eles pedissem sua demissão, para enfrentar a justiça, talvez ainda hoje tínhamos Governo de Eng.º Domingos Simões Pereira, não acontecendo, isso  permitiu a queda dos bons e maus lideres ao mesmo tempo, porque todos no mesmo saco, ninguém se mexeu até poisarem no fundo do poço na “mukur-mukur” de falsidades!?

De salientar também que o Camarada Baciro Djá soube demonstrar que é um - Democrata - coisa que na Guiné-Bissau muitos não o saberão sequer, imitar semelhante postura.
Como disse, havendo líderes indiciados ou ouvidos pelo Ministério Público, nenhum deles pediu a sua demissão para enfrentar o Tribunal, o que seria digno de se ver, mas longe disso, continuaram como “estátuas”, a não se mexerem nos lugares! Podendo até ser enxovalhados na praça pública, mas, nunca largam o “osso/poder“, persistem até a última gota de hipótese de continuidade no poder, isto temos constatado no País, infelizmente! Esperado outro comportamento social e político (um pedido de demissão para enfrentar a justiça), talvez ainda hoje tínhamos o Governo e o seu executivo em funções.

O Dr. Baciro Djá foi sempre diferente como homem político neste aspecto - NÃO É AGARRADO AO PODER, penso!

Serão sinais de Democracia pedagógica no PAIGC ou simplesmente um excesso de “zelo”, esta expulsão do Dr. Baciro Djá, que também pode ser vista como um exagero com implícita tendência de raiz, num conflito dentro da organização partidária desde o início do Governo de DSP. Momentos em que terá sido visto como um alvo desobediente e, por isso foi abatido, i. é, depois de várias insistências na mira telescópica, só o terceiro tiro foi certeiro!

Acertaram em cheio no nome deste militante - mas será que ressuscita novamente – ou cansado como aparenta passará à história, para escrever seu caderno de apontamentos políticos dos últimos anos como líder, dando relevo os podres da Casa, será?

Sim, porque de menino das alianças no Partido, este jovem da terceira geração do PAIGC, chegou a “padre-activista” (sem ofensa), não esquecendo portanto, que no confessionário deste Partido, terá ele como bom líder do Partido no terreno, ouvido com certeza muitos pecados "mortais", pecados por omissão e outros, agendados talvez só para segundas núpcias…

Posto isto perguntamos, será que o Dr. Baciro Djá vai perdoar o “pai” (PAIGC) ou o seu complexo de “édipo-político” falará alto desta vez!?

A questão é: se este líder vai partir para guerra em defesa da sua militância conquistada no PAIGC ou se conformara com a decisão de expulsão?

Penso que ficando de fora do PAIGC, ele mais cedo ou mais tarde acabará noutra família política, visto que é um conhecedor nato dos meandros da política Guineense, o que como líder, fará “explodir” sua imagem de político na praça pública, é só uma questão de tempo...

A política de tiro no pé ou balde de água fria é para continuar, então aguardemos os próximos acontecimentos e, provavelmente para já com o início dos trabalhos no Parlamento, vamos aguardar.

Abraços e bom trabalho a todos…

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Djarama. Filomeno Pina.


BOA E MÁ CORRUPÇÃO NA VISÃO DO EX-PRESIDENTE DE CABO VERDE PEDRO PIRES.

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A corrupção é um fenómeno mundial e transversal e não um exclusivo do continente africano, afirmou hoje o ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires, defendendo também que, em África, é errado confundir um regime autoritário com um ditatorial.

Considerando a experiência de Pedro Pires, até mesmo como observador em eleições supostamente livres e transparentes em Angola, atente-se no que ele diz, nomeadamente a bem dos amigos.
Em entrevista telefónica a partir de Acra, capital do Gana, onde assistiu hoje à entrega do Prémio Mo Ibrahim de Boa Governação a Hifikepunye Pohamba, antigo chefe de Estado da Namíbia, Pedro Pires – distinguido em 2011 -, admitiu, porém, que África perde anualmente 50.000 milhões de dólares com “actos ilícitos”.
“A corrupção não é um fenómeno africano. Às vezes, tem-se a impressão [de] que se quer atribuir só aos africanos o título de corruptos. A corrupção é hoje um fenómeno mundial e há algumas corrupções que me chocam, como entender o debate que se faz agora à volta da FIFA e de determinadas federações de atletismo”, exemplificou.
Só algumas corrupções é que chocam? Pois. Todos, sobretudo os africanos, sabem o que isso significa. Há, portanto, boas e más corrupções. Tudo depende de se saber quem as faz e quem delas beneficia.
Para Pedro Pires, antigo primeiro-ministro (1975/91) e ex-Presidente (2001/11), o fenómeno da corrupção é “transversal” e “abrange e chega a todo o lado”, pelo que, para o combater, é necessário também uma participação global.
“Hoje, em África, debate-se a questão dos chamados Fluxos Financeiros Ilícitos (FFI). África perde 50 mil milhões de dólares por ano em práticas que estão muito próximas da corrupção, como a subavaliação dos preços, a fuga ao fisco ou as isenções para se conseguir cada vez maiores lucros, e as transferências fraudulentas”, sustentou.
Pedro Pires alertou, por outro lado, para que “não se confunda” um regime autoritário com um ditatorial, que são questões “diferentes”.
São? Vejamos. “A boa governação não se limita aos resultados económicos, porque há, de facto, regimes autoritários que conseguem um bom índice de crescimento económico. Essa ligação entre a democracia e o desenvolvimento não é automática. Há que ver isso com alguma objectividade e perspicácia”, sustentou.
Sobre o premiado, o antigo chefe de Estado cabo-verdiano, também presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC) e do Instituto Pedro Pires (IPP), instituições cabo-verdianas, considerou que a distinção atribuída em Março a Pohamba (2005/15) é “justa”, tendo em conta que o prémio está condicionado a premissas “muito criteriosas”.
Pedro Pires salientou que o júri inclui personalidades europeias de renome, como os antigos presidentes da Finlândia, Marti Athisaari, e irlandesa, Mary Robinson, bem como antigo secretário-geral da extinta Organização da Unidade Africana (OUA, actual União Africana, UA), Salim Ahmed Salim, pelo que a escolha tem de ser “justa”.
Questionado pela Lusa sobre por que razão o prémio – criado em 2007 pelo milionário sudanês Mo Ibrahim para distinguir a boa governação em África e reconhecer os líderes africanos que tenham dado provas de excelência na liderança política – não tem sido atribuído todos os anos, Pedro Pires desdramatizou.
“É normal. Se o prémio fosse atribuído todos os anos isso é que significaria que não havia uma escolha criteriosa e nem a inteligência necessária para credibilizá-lo. Nem todos os anos há presidentes ou chefes de governo africanos que terminam o seu mandato e é normal que o prémio não seja atribuído todos os anos”, respondeu.
“Mas também é normal que não se atribua o prémio a todos aqueles que terminam o mandato como chefes de Estado em África. Isso só demonstra o rigor, a seriedade e a forma como a questão é tratada. Não é que não haja mérito, mas há critérios, há exigências”, acrescentou.
O prémio atribuído pela Fundação Mo Ibrahim, no valor de cinco milhões de dólares, é aberto a ex-chefes de Estado ou de Governo de países africanos que tenham deixado de exercer funções nos últimos três anos e dado provas de liderança exemplar.
É claro que, com estes critérios, José Eduardo dos Santos nunca receberá o prémio. Desde logo, independentemente de outras análises, teria de ter deixado de exercer funções nos últimos três anos. E, como se sabe, para além de estar no cargo há 36 anos, por lá se quer manter toda a vida.
Pedro Pires foi o último galardoado, em 2011, tendo-se sucedido vários anos sem que o júri tivesse encontrado uma personalidade com mérito para receber o prémio, cuja primeira edição, em 2007, distinguiu o ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano, seguido, em 2008, pelo antigo líder do Botsuana Festus Gontebanye Mogae.
#http://jornalf8.net/

Foto e nome do senegalês morto por terroristas no Mali.

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A identidade da vítima Senegalesa é conhecida. Esta seria de Assane Sall. Ele morreu ontem durante um ataque ao Hotel Radisson Blu em Bamako. Assane, de acordo com o testemunho de Dr. Alboury Ndiaye, um de seus amigos, ou seja, em sua conta no Facebook declarou que ele era um homem humilde, trabalhador, devoto e muito correto. A cidade Icotaf 3 de Pikine perdeu com a sua morte, um de seus filhos ilustres, um quadro competente e um homem modelo de família, lê-se no Facebook no mural de seu amigo.



#seneweb.com

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

GUINÉ-BISSAU: BREVE NOTÍCIAS.

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PAIGC expulsa ex-primeiro-ministro Baciro Djá por «desrespeitar estatutos do partido»

Baciro Djá foi nomeado líder de um governo que durou apenas 48 horas

«por desrespeito dos estatutos do partido ao ter aceitado tomar posse como primeiro-ministro, no passado mês de agosto».

A expulsão do terceiro vice-presidente do PAIGC foi decidida pelo Conselho Nacional de Jurisdição.

Além de Baciro Djá, foram suspensos, por um período de quatro anos, os dirigentes Rui Diã de Sousa, Aristides Ocante da Silva e Respício Silva, considerados culpados pelo PAIGC de «desrespeito pelos estatutos, quando, em agosto, assumiram cargos ministeriais num executivo não reconhecido pelo partido».

Depois de exonerar Domingos Simões Pereira e respetivos membros do seu executivo, a 12 de agosto, o presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, nomeou Baciro Djá novo primeiro-ministro.

Na altura, o partido liderado por Simões Pereira contestou a decisão, argumentando que a escolha não respeitou os estatutos da força política que obrigam que «o nome a ser indicado é o do presidente do PAIGC» ou, em caso de impedimento, «de um dirigente proposto pelo bureau político (órgão de decisão)».

Baciro Djá foi nomeado líder de um governo que durou apenas 48 horas até ser declarado «inconstitucional» pelo Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau.

República Popular da China oferece equipamentos agrícolas no valor de dois milhões de dólares

O Governo da República Popular da China ofereceu um conjunto de equipamentos agrícolas, nomeadamente máquinas e aparelhos de ar condicionado, orçados em cerca de dois milhões de dólares.

Durante a entrega dos equipamentos, a secretária de Estado da Cooperação, Suzi Barbosa, assinalou que «esta doação insere-se no quadro da cooperação técnica e económica, assinado entre os dois governos, a 4 de novembro de 2013, em Bissau».

«A pedido do executivo guineense, a China vai ainda enviar 10 técnicos para dar formação na área de manutenção dos edifícios construídos pela China na Guiné-Bissau», anunciou Suzi Barbosa.

Em jeito de conclusão, a secretária de Estado da Cooperação agradeceu o «nobre gesto do governo chinês».

Quinhentos efetivos das Forças Armadas passam à reforma até final do ano

Pelo menos 500 efetivos das Forças Armadas da Guiné-Bissau vão ser reformados até ao final do ano, anunciou, esta segunda-feira, a ministra da Defesa Nacional.

Adiatu Djaló Nandigna acrescentou ainda que «a desmobilização deverá abranger as patentes mais altas das hierarquias militares».

Em jeito de conclusão, a ministra da Defesa Nacional assinalou que, atualmente, a Guiné-Bissau «conta com cerca de 4.200 militares nos diferentes ramos das Forças Armadas» e que «perto de 2.000 estão disponíveis para passar à reforma».

#abola.pt

Polícia invade hotel no Mali; todos os reféns foram retirados.

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Policial malinês acompanha um dos reféns libertados no hotel Radisson Blu (Foto: Harouna Traore/AP)

Leia e Veja AQUI.

18 mortos no Mali após o cerco de reféns, uma semana depois da carnificina de Paris.

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As forças especiais invadiram um hotel de luxo no Mali nesta sexta-feira depois que homens armados tomaram hóspedes e funcionários em uma crise dos reféns, que deixou pelo menos 18 pessoas mortas, uma semana depois do tumulto jihadista em Paris.

Muitos dos 170 reféns inicialmente presos pelos supostos islamitas na invasão do hotel Radisson Blu na capital do Mali, Bamako, os reféns eram estrangeiros e um deputado da assembleia regional belga que foi citado constar entre os mortos.

Cerca de nove horas após o ataque, que começou com uma saraivada de disparos de armas automáticas, ministro de Segurança do país disse que não havia mais reféns depois que as forças especiais do Mali apoiadas por tropas americanas e francesas invadiram o prédio.

"Eles têm actualmente mais reféns em suas mãos e as forças estão em processo de rastreá-los," disse o ministro da Segurança Salif Traoré, em entrevista coletiva.

Dois atacantes

Uma fonte de segurança estrangeira disse que 18 corpos foram recuperados, enquanto uma fonte militar do Mali disse que dois atacantes haviam sido mortos, mas não ficou claro se eles estavam entre os 18.

Não houve confirmação imediata de qualquer ligação com os ataques devastadores de Paris na sexta-feira passada, que deixou 130 pessoas mortas, mas o Mali tem estado no centro das operações militares francesas contra os islâmicos no norte da África.

O norte do país caiu sob o controle dos rebeldes tuaregues e grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda em meados de 2012, antes de serem repelidos por por uma operação francesa que começou no início de 2013.

Os mais poderosos grupos jihadistas ativos no Mali estão alinhados com a Al-Qaeda, em vez de Estado Islâmico, que emergiu recentemente como líder global do extremismo islâmico violento.

As pessoas que morreram

O Conselho de Segurança da ONU vai também votar mais tarde, na sexta-feira, uma resolução redigida aos países francófonos que autoriza a "tomar todas as medidas necessárias" para lutar contra o grupo EI, disse a missão francesa.

Enquanto o drama se desenrolava em Bamako, os ministros da UE concordaram em uma reunião de emergência em Bruxelas, para apertar os controlos nas fronteiras após o massacre de Paris que foi orquestrado por um jihadista do Estado Islâmico procurado e que tinha viajado entre a Síria e França.

Promotores em França confirmaram que três pessoas tinham morrido em uma casa em um subúrbio usado como esconderijo por supostos organizadores de ataques a Paris incluindo o líder Abdelhamid Abaaoud, ele e sua prima.

Abaaoud, um belga de origem marroquina, e o primo Hasna Aitboulahcen foram mortos em um assalto por polícia anti-terror na quarta-feira. A identidade do terceiro corpo não foi divulgado. (AFP)

#africareview.com

Brasil: Negócios da Petrobras em Angola e EUA financiaram eleição de Lula em 2006.

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Negócios da Petrobras em Angola e EUA financiaram eleição de Lula em 2006
Em abril do ano passado, um funcionário de carreira da Petrobras, com trinta anos de casa, procurou a Polícia Federal oferecendo-se para ajudar nas investigações do petrolão, o maior esquema de corrupção da história do Brasil. Ele narrou seis casos que classificou de "má gestão proposital" - ou seja, negócios feitos com a intenção de produzir propinas. 
A maior parte das quatro horas de depoimento espontâneo foi dedicada à atuação de Nestor Cerveró à frente da diretoria internacional da empresa. A decisão de explorar petróleo em Angola, contou o funcionário, foi planejada para dar "prejuízo intencional". E deu. Segundo ele, foram 700 milhões de dólares jogados para o alto, com sobras para os corruptos.
O depoente voluntário recomendou aos procuradores que rastreassem os sinais da entrada no Brasil de dinheiro originário do exterior. À informação do colaborador, cujo nome as autoridades preservam, faltavam evidências sólidas. Em abril de 2014, a Lava-Jato era ainda uma operação restrita à ação de doleiros. 
Um ano e meio depois, o próprio Nestor Cerveró, quem diria, um dos engenheiros da "má gestão proposital", aparece como a melhor oportunidade de confirmar as ousadas operações de "prejuízo intencional" com o objetivo de obter propinas para os diretores corruptos da Petrobras e seus padrinhos políticos. São histórias que invertem o ditado segundo o qual "a ocasião faz o ladrão". No maior escândalo de corrupção da história brasileira, o ladrão cuidava de providenciar a ocasião.
Preso desde janeiro sob a acusação de embolsar dinheiro sujo do petrolão, Cerveró já foi sentenciado duas vezes pelo juiz Sergio Moro. Numa delas, a cinco anos de reclusão, por comprar um apartamento com recursos desviados da estatal. Na outra, a doze anos e três meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A perspectiva de uma longa temporada atrás das grades reavivou a memória do ex-­diretor, apadrinhado por caciques do PT e do PMDB. 
Cerveró negocia agora um acordo de delação premiada, na tentativa de reduzir a sua pena. As histórias narradas por ele ao Ministério Público já preenchem pelo menos 25 anexos e encerram uma lógica comum: a Diretoria Internacional da Petrobras foi usada de forma sistemática com o objetivo de levantar recursos para campanhas eleitorais - com destaque para a campanha de Lula à reeleição, em 2006. Naquele ano, segundo Cerveró, a Petrobras pagou 300 milhões de dólares ao governo de Luanda pelo direito de explorar um campo petrolífero em águas profundas nas costas de Angola. 
Cerveró disse ter ouvido de Manuel Domingos Vicente - então presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a estatal angolana do petróleo - que até 50 milhões de reais oriundos de propinas produzidas pelo negócio foram mandados de volta para o Brasil com o objetivo de irrigar os cofres da campanha de Lula. Cerveró fez registrar em um dos anexos: "Manoel Vicente foi explícito em afirmar que desses US$ 300 milhões pagos pela Petrobras à Sonangol retornaram ao Brasil como propina para financiamento da campanha presidencial do PT valores entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões".
Segundo Cerveró, a negociação foi conduzida por integrantes das cúpulas dos dois governos. O delator apontou como negociador do lado brasileiro Antonio Palocci, que ocupava o Ministério da Fazenda e era membro do Conselho de Administração da Petrobras. Quando da assinatura do contrato, Palocci já havia sido demitido do cargo de ministro devido ao escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. 
A Petrobras pagou cerca de 500 milhões de dólares e gastou mais 200 milhões de dólares para explorar quatro blocos de petróleo em Angola. A empresa perfurou poços secos e teve gigantesco prejuízo com a operação em Angola, mas, como explicou Cerveró, isso pouco importou, pois o objetivo era cozinhar os números e deles arrancar propinas para financiar a campanha presidencial de Lula.
O mesmo método teria, segundo Cerveró, sido aplicado na compra da sucateada Refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. O objetivo igualmente era montar um propinoduto para a campanha à reeleição do então presidente.
#Fonte: Veja

BRASIL: ‘Igualdade racial se tornou uma pauta de todos nós’, diz a ministra.

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NOVO CASO DE EBOLA CONFIRMADO NA LIBÉRIA.

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Verificando a temperatura no hospital do governo em Kenema, Serra Leoa, em 16 de agosto de 2014. Um novo caso de Ebola foi confirmada na Libéria. FOTO | ARQUIVO

A Organização Mundial da Saúde confirmou nesta quarta-feira que um novo caso do vírus mortal Ebola veio à tona na Libéria, que foi declarada livre de Ebola em setembro. "Há um caso confirmado", disse o porta-voz da OMS Tarik Jasarevic, sem fornecer mais detalhes.

#africareview.com

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