Postagem em destaque

Costa do Marfim: Indivíduo detido em Bouaké após roubar 10 milhões de francos CFA de uma empresa.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Serifo Nhamadjo será o presidente da República guineense interino.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Kumba Yalá, Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, segundo, terceiro e quarto candidatos mais votados nas eleições de 18 de Março
imagem RFI

Serifo Nhamadjo, vice-presidente do parlamento até ao golpe de Estado de 12 de abril, será o futuro presidente da República interino da Guiné-Bissau e Sori Djaló o presidente do Conselho Nacional de Transição, disse fonte partidária.
Daba Na Wana, porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau na semana passada, já tinha dito hoje à Lusa que enviou a proposta da nomeação daqueles dois ex-vice-presidentes da Assembleia Nacional Popular aos partidos políticos que formam o Conselho nacional de Transição.
Serifo Nhamadjo, do PAIGC (maior partido do país e no poder até há uma semana), concorreu as eleições presidenciais à revelia do partido.

fonte: JN


Gomes Júnior pode ser candidato à Presidência da Guiné-Bissau.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Gomes Júnior pode ser candidato à Presidência da Guiné-Bissau
Carlos Gomes Júnior

Carlos Gomes Júnior tem todo o direito a candidatar-se a umas próximas eleições e ser presidente ou primeiro-ministro da Guiné-Bissau, "desde que não traga tropa estrangeira", disse o Comando Militar que tomou o poder no país.

Em entrevista à Agência Lusa, o porta-voz do Comando Militar, Daba Na Walna, disse que não são os militares que irão impedir que o primeiro-ministro, que se encontra detido, venha a candidatar-se a um cargo político no futuro e adianta que os militares "não têm nada contra Carlos Gomes Júnior enquanto homem" e que só fizeram o golpe para "antecipar a sua aventura belicista".
"Caberá ao PAIGC dizer se quer que ele se mantenha como presidente ou não, se se candidatar e ganhar as eleições, se o povo o quiser, quem pode dizer ao contrário? Ninguém!", afirmou.
Daba Na Walna garantiu que Carlos Gomes Júnior, detido desde o golpe de Estado em 12 de abril, já recebeu a visita da Cruz Vermelha por três vezes, mas referiu que o presidente interino, Raimundo Pereira, também detido na mesma altura, "ainda não".
"Já foi autorizada (a visita a Raimundo Pereira), só soubemos muito tardiamente que ele era diabético", justificou.
Quanto a Carlos Gomes Júnior, também diabético, Daba Na Walna disse que o Comando Militar permitiu que fosse a família do primeiro-ministro a fazer a sua comida.

Não queremos que nada lhe aconteça, o nosso objetivo não é castigar. Carregaríamos uma pesada cruz de termos sido responsáveis pela sua morte. Não é nossa intenção castigar quem quer que seja, só fomos obrigados a agir assim para evitar o pior", disse.
Dabna Na Walna negou que Carlos Gomes Júnior tenha estado em algum momento em liberdade, depois de ter sido detido e garante que "o dia em que for libertado será de vez", o que vai acontecer quando da criação de um governo e de existir um ministro do Interior.
"Se houver um indivíduo que queira fazer um ajuste de contas vão dizer que foram os militares que o libertaram para o matar em casa", disse o porta-voz dos golpistas, acrescentando que a criação do Governo "é para breve, talvez na próxima semana".
Na longa entrevista à Agência Lusa, o homem que tem sido o rosto do golpe de Estado na Guiné-Bissau falou de tudo mas ficou hesitante em relação a perguntas sobre António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.
"Está retido num lugar de forma a não comprometer as operações", disse na Walna, acrescentando que Indjai "não está preso, mas também não está em liberdade para fazer o que gostaria" e que também não foi substituído.
Daba na Walna adiantou que estava à espera da condenação do golpe por parte da comunidade internacional mas acrescentou: "Qualquer um no meu lugar teria feito o mesmo".
Na Guiné-Bissau "há pessoas que são mais iguais, se forem tocadas todo o mundo ouve, outras podem morrer e ser torturadas que ninguém fala", disse.
Daba na Walna referiu que na próxima semana terá novo encontro com representantes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para afirmar que está a tentar que se cumpra a normalidade constitucional no país.
A nível pessoal afirmou que, a não ser que lhe fechem as portas, gostaria de continuar a dar aulas na Faculdade de Direito.
Quanto à tese é que já não sabe. "Com esta resolução, que foi aprovada, de interditar as pessoas que participaram no golpe de viajar para países lusófonos se calhar não tenho mais entrada em Portugal. Se isso acontecer a minha tese fica para todo o sempre adiada. Mas se me permitirem ir a Portugal gostaria de retomar os contactos com os meus orientadores", professores da Universidade de Lisboa.
O rosto do golpe é tenente coronel das Forças Armadas da Guiné, jurista e professor de Direito na Faculdade de Direito de Bissau.



Golpe na Guiné-Bissau foi organizado quando os militares souberam que o primeiro-ministro ia pedir a intervenção da ONU.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




O golpe de Estado de quinta-feira passada na  Guiné-Bissau "começou a ser trabalhado" três dias antes, no dia 09, quando  os militares souberam que o primeiro-ministro ia pedir uma intervenção da  ONU, disse hoje o porta-voz dos militares. 

Em entrevista à Agência Lusa, Daba Na Walna, até aqui o rosto do Comando  Militar que desencadeou o golpe, explicou que a ação militar foi "uma espécie  de antecipação" do que aconteceria, um "golpe de legítima defesa", para  impedir que forças estrangeiras "viessem esmagar as Forças Armadas da Guiné-Bissau".
Tudo girou à volta da presença de uma missão angolana em Bissau, a chamada  Missang, explicou o tenente-coronel ao explicar o golpe, que disse ter sido  objeto de muita discussão, acabando por prevalecer a decisão de se avançar.
O golpe, com a prisão do Presidente interino e do primeiro-ministro,  deu-se poucas horas depois de uma conferência de imprensa em que Kumba Ialá,  líder do maior partido da oposição e candidato presidencial, disse que não  iria haver campanha de ninguém para a segunda volta das eleições presidenciais,  marcadas para dia 29. 
A associação entre as ameaças de Kumba Ialá e o golpe que se seguiu  foi feita mas Daba Na Walna garante que foi apenas uma coincidência. "Se Kumba Ialá estivesse a par do que estava a acontecer seria muito  imprudente dizer isso publicamente. Foi mera coincidência. Kumba Ialá não  tinha conhecimento de nada e é bom que isso fique bem claro. Tentou fazer-se  essa colação entre políticos e Forças Armadas, não tivemos nada a ver com  isso", diz. 
A relação entre as Forças Armadas e a Missang vinha a deteriorar-se  nos últimos tempos mas azedou ainda mais quando o embaixador de Angola em  Bissau disse a António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças  Armadas, que tinha informações de que estava a ser preparado um golpe militar,  conta Daba Na Walna. E o golpe final terá sido, continua, após o conhecimento de uma carta  que o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, teria escrito ao secretário-geral  da ONU a pedir uma força das Nações Unidas.  
A carta foi divulgada na quarta-feira e apesar de assinada não foi escrita  em papel timbrado nem tem qualquer carimbo. "Se quiséssemos mentir e forçar  provas teríamos obrigado o primeiro-ministro a pôr o timbrado da primatura  (gabinete do primeiro-ministro). Tivemos a carta através de Carlos Pinto  Pereira (antigo assessor jurídico de Henrique Rosa quando este foi Presidente  interino e assessor jurídico de Carlos Gomes Júnior). Vimos que não era  timbrada mas entregámos porque estamos certos, se estivermos a mentir Deus  sabe", diz o militar. 
E o pior, diz também, é que a carta foi entregue ao ministro dos Negócios  Estrangeiros de Angola, Georges Chicoti. "Ainda que admitamos que a carta  pudesse ter algum sentido, o portador não devia ser o ministro das Relações  Exteriores de Angola, não somos um protetorado de Angola". 
Por isso, conclui: "Para nós era uma cabala a ser montada contra nós  e o objetivo da vinda estrangeira era simplesmente esmagar as Forças Armadas  da Guiné". 
     
  Fonte: Lusa

A guerra que nunca acaba.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



Dois cafés arrefeciam sobre a mesa. "Vocês sofrem comodamente", observa Carlos F., um alto funcionário europeu em Bissau. Depois, a moeda cai na ranhura. "Está bem, nós [a Europa] ajudamos". Eu permanecia calado.

"Isto [o golpe] foi disparatado e irreflectido, ou não?". Eu, nada. Queria, mais do que falar, ouvi-lo. "Ai, a guerra. Ah, isso já passa", foi o que Carlos respondeu à mulher, em Lisboa, quando esta lhe implorou que saísse da Guiné-Bissau. Nos seus três anos em Bissau, ganhou arcaboiço suficiente para perceber que não está em risco. "Matam-se entre eles e passados uns dias tudo está bem, a vida segue o seu curso normal". Inconformada, a mulher desliga. "E agora?", pergunta, enquanto grita para o empregado: "São mais dois cafés".
Carlos, as guerras nunca acabarão - arrisquei. A guerra existe para ser contínua.
fonte: Correio da Manhã

A Guiné e a CPLP.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



A Guiné-Bissau, antiga colónia portuguesa que proclamou unilateralmente a sua independência durante a guerra (Madina do Boé, 24 de Setembro de 1973), volta a ser notícia pelas piores razões.

Um golpe militar desencadeado com raro "sentido de oportunidade" entre as duas voltas da eleição presidencial conduziu à detenção do Presidente da República interino, do Primeiro-Ministro e do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Os militares golpistas deram aos partidos políticos um prazo para formar governo, sem políticos "indesejáveis".
Este episódio dá-nos a sensação de "déjà vu". A alternância na Guiné--Bissau tem obedecido à lógica do golpe de Estado: Luís Cabral, Kumba Yalá, Ansumane Mané e Nino Vieira foram derrubados pela força; os dois últimos foram mesmo assassinados. Além disso, o país tem sido apontado pela comunidade internacional como um narco-Estado emergente, devido à existência de fortes suspeitas de que alguns dos seus dirigentes se dedicam ao tráfico de droga. Entretanto, o povo assiste impotente e na penúria às investidas dos senhores da guerra.
O povo guineense dá sinais de não querer suportar mais este estado de coisas. Infelizmente, e ao contrário do que sucede em Cabo Verde – que tem sido um modelo de inspiração democrática no continente africano –, está a fazer a sua aprendizagem democrática da forma mais dolorosa. Mas sozinho nada poderá fazer. A comunidade internacional não o deve abandonar nesta hora difícil: longe vão os tempos em que a doutrina da não ingerência nos assuntos internos de outros Estados justificava o fechar os olhos às mais grosseiras violações dos direitos humanos.
Toda a comunidade internacional se deve envolver quando estão em causa crimes contra a paz e a humanidade, designadamente através de organizações internacionais como a ONU ou o TPI. Mas há quem tenha especiais deveres para com o povo guineense, por partilhar com ele uma História, uma Língua e uma Cultura. É preciso que a CPLP, cuja acção se tem pautado pelo excesso de discrição, se assuma como verdadeiro sujeito de Direito Internacional. A sua projecção pluricontinental e o peso estratégico dos Estados-membros não lhe deixam alternativa.
fonte: Correio da Manhã

Guiné-Bissau: Espaço aéreo e marítimo vai reabrir.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...




O espaço aéreo e marítimo da Guiné-Bissau vai ser reaberto, disse esta quinta-feira à Lusa o porta-voz do Comando Militar que tomou o poder no país na semana passada.
Daba Na Walna explicou que já foram dadas indicações para isso e que "não faz sentido" o espaço aéreo e marítimo continuar encerrado, esperando-se que as ordens sejam cumpridas ainda esta quinta-feira.
Questionado sobre se os voos da TAP, que são por norma realizados durante a noite, se podem fazer cumprir, o responsável garantiu que sim.
As fronteiras terrestres também já estão abertas, revelou, em entrevista à Agência Lusa.
fonte: Correio da Manha



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Impasse político-militar pode desencadear crise humanitária na Guiné-Bissau.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

epa03184134 A soldier disperses a group of demonstrators protesting against the current political situation in Guinea-Bissau, in the country's capital Bissau, 15 April 2012. Political leaders gathered for a third day of talks in Bissau, under direction from military leaders to find a solution to the country's crisis, brought on by soldiers seizing the interim president and prime minister less than 72 hours prior. On 12 April 2012 a group of Guinean military attacked the residence of Prime Minister and presidential candidate, Carlos Gomes Junior, and held various strategic points in the capital of Guinea-Bissau. The events preceded the beginning of the campaign for the second round of the presidential election scheduled for 29 April. EPA/ANDRE KOSTERS

Em entrevista à DW África, Marisé Castro, da Amnistia Internacional, chama a atenção para a deterioração da situação dos direitos humanos no país, caso a crise entre governo e golpistas não se resolva rapidamente.
Para a especialista em Guiné-Bissau junto à Amnistia Internacional, a fuga de cidadãos de Bissau por medo de represálias por parte do exército pode aumentar a pressão por comida e alojamento no interior do país e levar a uma crise humanitária.
DW África: Que avaliação a Amnistia Internacional faz da situação na Guiné- Bissau neste momento?
Marisé Castro: Nós estamos muito preocupados. Não só com a prisão do antigo primeiro-ministro e do presidente interino, de quem com certeza estamos a pedir pela libertação. Mas nós estamos muito preocupados porque achamos que há mais pessoas detidas e não sabemos quantas. Estamos a pedir que o Comando Militar publique uma lista de quem são, quantos e onde estão. O problema é que há um vazio político no país neste momento. E a comunidade internacional tem que dedicar mais esforços.
DW África: E como a comunidade internacional poderia exercer mais pressão?
MC: Acho que a comunidade internacional deve trabalhar de maneira mais conjunta. Estamos cientes do comunicado da CPLP, muito forte, muito importante, a CDEAO também, as Nações Unidas e muitos governos. Acho que precisamos da união de esforços entre todos eles para exercer essa pressão.
DW África: A comunidade internacional tem lançado apelos ao Comando Militar na Guiné-Bissau, mas até agora esse Comando mantém os políticos em sua custódia e outras pessoas também. O que a Amnistia Internacional tem feito, para além de lançar apelos?
MC: Estamos com a imprensa para também divulgar o que está a acontecer lá. E estamos a pressionar para que os governos atuem. Temos recebido respostas positivas, de pessoas dispostas a levar o tema a organizações regionais e às Nações Unidas, mas não há uma resposta concreta, porque a comunidade internacional também ainda está a pensar a sua estratégia.
DW África: Caso a situação não se resolva, consegue imaginar um quadro da situação na Guiné-Bissau?
MC: Acho que é uma situação um tanto insustentável. Se não houver uma solução rápida ao vazio que há, a situação dos direitos humanos poderia deteriorar-se mais. Não só os direitos civis e políticos, mas também os econômicos e sociais. Estamos a ouvir que já há pessoas a fugir de Bissau por medo. Então isso poderia criar uma situação de crise humanitária. Se as pessoas saem de Bissau e vão para o interior, vão pôr muita pressão no interior, na alimentação, acomodação, etc. E também estamos a ouvir que o Hospital Simão Mendes está a ter dificuldades: não tem água, não tem alimentação. Se não houver uma solução rápida para esta situação, vai haver uma degradação da situação dos direitos humanos, civis, políticos, econômicos e sociais.
Entrevista: Carla Fernandes
Edição: Francis França/António Rocha
fonte: DW

Acordo entre militares e partidos guineenses dissolve parlamento.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Um acordo entre os militares e alguns partidos, onde se inclui a principal força da oposição, o PRS de Kumba Ialá, foi assinado esta quarta-feira, uma semana depois do golpe militar
Os partidos políticos da oposição e o Comando Militar da Guiné-Bissau assinaram esta quarta-feira (18.04) um "acordo para a estabilização emanutenção da ordem constitucional", que prevê o regresso às casernas dos militares, após a posse do poder civil.

O acordo foi hoje assinado em Bissau por representantes de diversos partidos e pelos militares, que a 12 de abril protagonizaram um golpe de Estado, mas não indica quem será o Presidente de transição, o primeiro-ministro de transição ou quem vai integrar o Conselho Nacional de Transição.
  epa03150800 Former prime minister and presidential candidate, Carlos Gomes Junior reacts after casting his ballot in the presidential elections at a polling station in Bissau, Guinea-Bissau, 18 March 2012. The country of 1.5 million people are voting for a new president following the death of the Guinea-Bissau President Malam Bacai Sanha, on 09 January 2012. The country was obliged by law to hold elections within 90 days after the death of the former president. EPA/TANYA BINDRA +++(c) dpa - Bildfunk+++
Carlos Gomes Júnior continua detido
Eleições daqui a dois anos

Os partidos, segundo o acordo, aceitam a criação do Conselho Nacional de Transição, "um órgão de fiscalização e legislativo para gerir o processo de transição democrática". Fixa-se também "o período máximo de duração da
transição democrática em dois anos, que termina com a eleição simultânea de eleições presidenciais e legislativas, com base num recenseamento biométrico e de raiz e com a participação de eleitores guineenses na diáspora".
Constituição "respeitada parcialmente" 

Além de dissolver a Assembleia Nacional Popular e de os militares declararem "inequivocamente" a transferência do poder para os civis, o acordo hoje tornado público diz que a Constituição será respeitada parcialmente.

Salienta-se que o Comando Militar "declara extinta" a Assembleia e a destituição do Presidente interino e do Governo, e salienta-se que os partidos políticos declaram manter a organização do poder judicial, civil e militar e manter a chefia militar vigente.
O acordo, que foi lido por Artur Sanhá, antigo primeiro-ministro (governo PRS, atual segundo maior partido), assinala ainda o compromisso em ser levadas a cabo reformas profundas, nomeadamente no setor de defesa e segurança, lutar contra crimes económicos, o narcotráfico e os crimes organizados.
epa03184135 Guinea-Bissau officers leave from a meeting in the country's capital Bissau, Guinea-Bissau, 15 April 2012, in which political leaders from Guinea-Bissau gathered for a third day of talks, under direction from military leaders to find a solution to the country's crisis, brought on by soldiers seizing the interim president and prime minister less than 72 hours prior. On 12 April 2012 a group of Guinean military attacked the residence of Prime Minister and presidential candidate, Carlos Gomes Junior, and held various strategic points in the capital of Guinea-Bissau. The events preceded the beginning of the campaign for the second round of the presidential election scheduled for 29 April. EPA/ANDRE KOSTERS
Militares querem regressar às casernas logo que presidente interino seja nomeado
Ameaça angolana

Artur Sanhá começou por dizer que o Estado da Guiné-Bissau foi confrontado com um "substancial atentado à sua soberania com a demanda de interferência militar perpetrada pelo auto-demissionário primeiro-ministro", ao enviar carta ao secretário-geral da ONU a pedir uma força militar no país.

E acrescentou que a força angolana na Guiné-Bissau (Missang) se tinha vindo a armar e a engrossar os efetivos, sem conhecimento e consentimento das Forças Armadas da Guiné-Bissau. Foi esse "facto", indiciando um "claro atentado contra a soberania nacional e integridade territorial", que levou ao golpe militar a fazer o golpe de quinta-feira passada (12.04).

No evento em Bissau, o PAIGC, principal partido da Guiné-Bissau, no poder antes do golpe, foi chamado algumas vezes, mas não estava ninguém para assinar o acordo.

Autor: LUSA
Edição: Helena Ferro de Gouveia
fonte: DW

Breves notícias da Guiné-Bissau

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...


Comando Militar autoriza abertura de bancos.



Medicamentos não foram entregues ao primeiro-



ministro guineense – Mundo – Correio da Manhã.

O primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, continua sem tomar os medicamentos e vê a diabetes subir para níveis perigosos.
Fontes bem informadas em Bissau garantiram ao CM que o funcionário da Cruz Vermelha que disse à imprensa e à delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ter entregue os medicamentos a Gomes Júnior estaria a mentir. Avistou-se com o porta-voz do Comando Militar, Dagana Wasna, e voltou para trás.
Os medicamentos, sabe o CM, não foram entregues. O mesmo sucedeu com a comida, levada ao final da manhã de terça-feira pela advogada do primeiro-ministro, com a devida autorização dos militares, que insistem numa campanha de desinformação.
Na terça-feira à noite anunciaram uma reunião da CEDEAO com o primeiro-ministro detido, no dia seguinte admitiram não ter havido esse encontro.
Um ex-prisioneiro da cela onde Carlos Gomes Júnior e o presidente interino, Raimundo Pereira, se encontram detidos contou ao CM que o espaço é imundo, infestado de mosquitos e nele só cabe uma pessoa. Para que um se deite a dormir, o outro tem de estar sentado.
Em Bissau, o desespero toma conta da população. Os multibancos não têm dinheiro, o preço dos alimentos disparou, não há luz nem água. Um elemento da população disse ao CM que não conseguem aguentar mais 15 dias, período previsto para uma intervenção militar, nestas condições.
As aglomerações estão proibidas, sob ameaça de os militares dispararem, e o espancamento a que foi sujeita a cantora Dulce Neves, uma das mais populares do país, deixou as pessoas ainda mais revoltadas.
fonte: correiodamanha.pt

Comando Militar nega recondução de Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior.

Bissau,  (ANG) – O porta-voz do Comando Militar, Daaba na Walna afirmou que os militares vão devolver o poder aos órgãos democraticamente eleitos, mas, reiterou que o Presidente da República interino, Raimundo Pereira e o Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior, não serão reconduzidos nas suas funções.
Em declarações à comunicação social, Daba Na Walna revelou igualmente que, não haverá a segunda volta das eleições presidenciais marcadas pela CNE para o dia 29 do corrente.
Declarou que, Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior estão bem de saúde, e que uma delegação da Cruz Vermelha os visitou e comprovou isso.
Na Walna disse que serão liberados só quando as instituições da República retomarem o funcionamento.

Militares guineenses sob pressão excluem regresso de Gomes Júnior ao poder – Mundo – Notícias – RTP

Cresce a pressão movida por chancelarias e organizações internacionais e regionais ao autodesignado Comando Militar da Guiné-Bissau, a estrutura saída do Estado-Maior das Forças Armadas que reivindicou o golpe de Estado em curso há quase uma semana. Nações Unidas, União Africana e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) exigiram, uma após outra, o retorno à “ordem constitucional” e a libertação a breve trecho do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e do Presidente interino, Raimundo Pereira. Mas a instabilidade adensa-se. “Fora de questão”, insistem os golpistas, está o regresso de Gomes Júnior à liderança do poder executivo. Assim como a segunda volta das eleições presidenciais, inviabilizada pela ação armada.

Agora suspensa pelo Conselho da União Africana para a Paz e Segurança e debaixo de um apertado escrutínio internacional e regional, a Guiné-Bissau permanece – cinco dias após decapitação dos órgãos do poder político e da liderança do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) – mergulhada na indefinição.
Depois de uma delegação liderada pelo presidente da Comissão da CEDEAO, Desire Kadre Ouedraogo, ter deixado Bissau a afiançar que os militares estariam abertos a restabelecer a ordem constitucional, nada indicia que isso possa acontecer num horizonte próximo, ou que o Comando Militar venha a criar condições para a realização da segunda volta das eleições presidenciais. O que implicaria, de resto, a libertação do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, candidato à Presidência com o apoio do PAIGC, e do Chefe de Estado interino, Raimundo Pereira.
“Aquilo que a Comissão [da CEDEAO] pediu foi a libertação imediata e a Comissão disse que os militares aceitaram. Mas afinal, mais de 24 horas depois de a Comissão ter abandonado o país, ainda não há qualquer libertação. E mais: continua sem se saber do paradeiro. Enquanto que o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior já foi visto por algumas pessoas, incluindo elementos da Cruz Vermelha, Raimundo Pereira nunca foi visto e crescem os rumores acerca do estado de saúde”, assinalava esta quarta-feira, no Bom Dia Portugal, o correspondente da RTP em Bissau, Fernando Teixeira Gomes.
À ameaça de mais medidas sancionatórias da União Africana soma-se agora a expectativa em redor dos resultados de uma reunião que o Conselho de Segurança da ONU vai dedicar amanhã ao golpe de Estado na Guiné-Bissau. No passado sábado, ao cabo de uma longa reunião ministerial em Lisboa, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) redigiu uma resolução de 11 pontos a defender a criação de uma “força de interposição” dotada de um “mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas” e “em articulação com a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia”. Em Nova Iorque, a organização dos países lusófonos vai estar representada pelo ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chicoti.
“Fora de questão”
Outras movimentações diplomáticas ocorridas nas últimas horas tiveram origem em Pequim e Pretória. Do regime chinês saiu uma declaração de apoio aos “esforços da CPLP e da CEDEAO para mediar a questão” guineense e de condenação da “tomada do poder pela força”. Mas sem qualquer referência à fórmula de uma força de interposição, por necessidade de “mais informação”. Já o Governo sul-africano fez publicar uma nota na qual “deplora o golpe de Estado”: “O facto de o aparelho militar da Guiné-Bissau estar a tentar impor ao país o domínio dos militares através da imposição de um Governo de transição constitui uma preocupação particular para a África do Sul”.
Em entrevista à RTP África, o tenente-coronel Dabana Na Walna, que se tem assumido como porta-voz do Comando Militar, admitia ontem que “o golpe de Estado é uma solução inconstitucional”. Para contrapor que o mais recente afastamento pela força da liderança política do país teve como justificação “o direito à vida própria”. E reiterar a acusação de que haveria um alegado plano, com as chancelas de Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira, para um ataque de tropas angolanas às Forças Armadas da Guiné-Bissau.
“Não há razão que justifique um golpe de Estado. Mas pergunto: e há razão que justifique, num país que não está em guerra, que o Presidente ou o primeiro-ministro mande vir tropas estrangeiras, sem conhecimento do Conselho de Ministros, sem conhecimento da Assembleia Nacional, mas através de uma carta secreta que é trazida por um ministro dos Negócios Estrangeiros de outro país que tem interesses económicos na Guiné-Bissau?”, questionou-se Dabana Na Walna.
No programa Repórter África, o oficial guineense condicionou ainda a libertação do primeiro-ministro e do Presidente interino à criação de “condições de segurança”. Algo que foi transmitido à CEDEAO, indicou o porta-voz. “Como se sabe ainda não temos nenhum Governo. Se houver um Governo e houver um ministro interino e a situação voltar à calma, nessa altura o Carlos Gomes Júnior poderá voltar para sua casa e será garantida alguma segurança durante algum tempo razoável para que, depois disso, ele possa estar novamente como qualquer cidadão”, afirmou.
À Rádio Nacional da Guiné-Bissau, Dabana Na Walna disse que ficou “bem claro”, nas conversações com a delegação da CEDEAO, que “está fora de questão” a realização da segunda volta das eleições presidenciais. Tal como “está fora de questão o retorno de Carlos Gomes Júnior”. Acertado com a missão liderada por Ouedraogo, indicou o porta-voz do Comando Militar, terá ficado o envio de uma “equipa técnica” a Bissau com o propósito de “encontrar uma solução por via da Constituição”.
“Envolvimento direto e assumido”
Afastado de sucessivas rondas de negociações – até agora infrutíferas – entre os militares golpistas e forças políticas da Oposição, o PAIGC pronunciou-se na última noite com um comunicado a condenar “veementemente” o golpe de 12 de abril e a acusar diretamente o líder e candidato presidencial do Partido para a Renovação Social (PRS), Kumba Ialá, de “envolvimento direto e assumido” na operação armada.
O “bureau político” do maior partido guineense reservou ainda aos candidatos Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Afonso Té e Serifo Baldé, afastados à primeira volta das presidenciais, a acusação de “incitação e execução” do golpe de Estado. No documento, que resume a agenda de uma reunião ocorrida na véspera, o partido de Carlos Gomes Júnior queixa-se de uma “campanha de perseguição, intimidação e vandalização de residências e bens particulares, movida contra as autoridades legítimas e dirigentes do PAIGC, a mando do autodenominado Comando Militar”.
O PAIGC exigiu também a “reposição imediata da ordem constitucional e democrática” e a libertação “imediata e incondicional” do primeiro-ministro e do Presidente interino, fechando a porta a “toda a proposta ou solução extra-democrática e anticonstitucional”.
Na segunda-feira, Kumba Ialá reproduzira um comunicado dos cinco candidatos que contestaram o escrutínio que reprovava “firmemente a sublevação militar” e, ao mesmo tempo, acusava a CPLP de ter proferido “insultos” numa “demonstração de pura ignorância ou conveniência”, ao querer fazer dos adversários políticos de Gomes Júnior um “bode expiatório do golpe de Estado”. Isto depois de a presidência angolana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ter ameaçado quaisquer candidatos contestatários que estivessem “implicados” no golpe com processos no Tribunal Penal Internacional.
O grupo encabeçado pelo antigo Presidente da Guiné-Bissau sublinhou que a comunidade internacional, desde logo a CPLP, reagiu, no passado, com passividade aos “assassinatos de políticos eminentes”, casos de Nino Vieira, Tagmé Na Waié, Hélder Proença e Baciro Dabó. Ou a mortes mais recentes, nomeadamente de Iaia Dabó e Samba Djaló.
fonte: RTP

terça-feira, 17 de abril de 2012

União Africana suspende Guiné-Bissau por prazo indeterminado.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Comando militar proíbe manifestações na Guiné-Bissau


Órgão defensor da soberania dos Estados africanos decide tirar da Guiné-Bissau todo e qualquer direito de participação da organização enquanto a normalidade constitucional não retornar àquele país.
A União Africana (UA) suspendeu nesta terça-feira (17.04) a Guiné-Bissau na sequência do golpe de Estado perpetrado no país no último dia 12 de abril. Além disso, o órgão panafricano ameaçou os golpistas com a imposição de sanções.
O comando militar, que se responsabilizou pelo golpe há quase uma semana, decidiu por sua vez proibir qualquer manifestação na Guiné-Bissau, país lusófono minado pela instabilidade e pelo tráfico de drogas.
Lei da ação e reação
O Conselho de Segurança e Paz da UA optou pela suspensão imediata da Guiné Bissau de todas as instâncias do órgão "enquanto a ordem constitucional não for restabelecida", anunciou em Adis Abeba, sede da UA, Ramtane Lamamra, comissário africano.
A UA solicitou ainda aos dirigentes da África ocidental para lhe submeter uma decisão ou uma proposta de sanções contra os golpistas guineenses e seus apoiantes militares e civis.
O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados, António Guterres, se mostrou nesta terça-feira preocupado com a situação de guineenses em fuga para o interior da Guiné-Bissau. Questionado pela agência de notícias Lusa em Madrid sobre a situação nesse país recém palco de um golpe de Estado, Guterres escusou-se a fazer comentários sobre a situação política, manifestando-se, contudo, preocupado pelo impacto que a situação possa ter nos habitantes guineenses.
"Em situações confusas, a proteção é mais difícil e por isso temos especial preocupação com as condições de vida e de segurança interna dos deslocados", esclareceu.
O comissário disse desejar que a situação se estabilize rapidamente "para evitar que sofram consequências dramáticas e não venha a ser necessário que os guineenses tenham que sair do país", comentou. Ele espera que com o envolvimento da comunidade internacional, se criem condições para restabelecer a paz e a segurança no país.
Antonio Guterres preocupado com a situação dos guineenses refugiados
Antonio Guterres preocupado com a situação dos guineenses refugiados
Apelo ao comendo militar
Enquanto isso, o Presidente cessante de Timor-Leste, José Ramos-Horta, voltou a apelar aos militares da Guiné-Bissau para libertarem o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro e candidato às eleições presidenciais Carlos Gomes Júnior.
Segundo Ramos-Horta, o comando militar não terá vantagens mantendo os dois detidos, "porque não são uma ameaça". O Presidente cessante timorense salientou que com a libertação dos políticos guineenses, os militares "só têm a ganhar", nomeadamente a "boa vontade da comunidade internacional".
Lisboa agitada
O novo apelo de Ramos-Horte coincidiu com a realização de uma manifestação da comunidade guineense na capital portuguesa Lisboa, nesta terça-feira. Os manifestantes protestaram contra o golpe de Estado na Guiné-Bissau e objetivaram a entrega de uma carta à embaixada do país lusófono africano em Portugal, assim como a entrega do mesmo documento a outras instituições da comunidade internacional. A intenção é exigir a reposição da legalidade na Guiné Bissau.
eComando militar está no poder na Guiné-Bissau desde 12 de abril
Comando militar está no poder na Guiné-Bissau desde 12 de abril
O mesmo não se pode dizer no que concerne a Bissau, onde o comando militar apelou para que a população não se manifeste, advertindo que quem o fizer será sujeito a "repreensão severa". Num comunicado de dois parágrafos, os militares golpistas avisam às pessoas para que não realizem marchas, quer sejam contra ou a favor da deposição do Governo.
O apelo dos bispos
Os bispos da Igreja Católica da Guiné-Bissau repudiaram "esta opção militar e todas as formas de violência escolhidas" para resolver problemas do país. Eles pediram "respeito sagrado" pelas leis "e pelas instituições democraticamente eleitas".
Numa mensagem lida pelo bispo auxiliar de Bissau D. José Lampra Cá, os bispos dizem que o país está colocado perante um problema nacional de enorme gravidade e de consequências ainda imprevisíveis.
Na mensagem, os bispos também pedem aos guineenses para que formem corretamente a consciência moral para evitar problemas prejudiciais à convivência pacífica. Eles se refere a "busca desenfreada e ilegal de poder e riqueza", corrupção, "impunidade perante os crimes cometidos", "falta de transparência na gestão de bens públicos", "espiral de violência" e "desleixo generalizado no exercício da profissão".
Autor: António Rocha (com LUSA e AFP)
Edição : Bettina Riffel / Helena Ferro de Gouveia
fonte: DW 

O COMBOIO GIGANTE DESCARRILOU, HÁ MEDO E FUMO NEGRO.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



O mundo inteiro parou para escutar mais uma vez o tambor em sinal de protesto, ódios, vinganças, anúncio de guerras pelo poder e apropriação dos destinos de um Povo mal amado, vítima de maus-tratos, falta de cuidados políticos e institucionais dos seus líderes.
O tambor tocou arrebate e o povo saiu à rua em força para testemunhar mais um incidente, mais um igual a tantos outros, um golpe de Estado na Guiné-Bissau levado a cabo pelos militares alegando motivos políticos e de defesa territorial.
O comboio gigante não aguentou e descarrilou, está tombado na linha, visível à longa distância, há testemunhos de fumo negro vindo da casa das máquinas.
Espera-se a todo o momento a explosão no seu interior, a casa da máquina é onde se encontra a tripulação que dirige o comboio, este local encerra neste momento alguns mecânicos da equipa e o seu “piloto-chefe”.
Um homem cansado e impotente é feito principal prisioneiro desta situação que motivou o golpe de estado no País. É agora “recluso” numa situação desesperada, não podendo vir a rua gritar por socorro, reclamar a ajuda prometida dos “amigos” em caso de necessidade, eles ainda não deram sinais de vida nem por mar, terra ou ar.
Sinceramente penso que nunca a Guiné-Bissau esteve em situação tão perigosa como neste momento em que nos encontramos, parece uma relação de fogo e explosivo, uma aproximação em falso provocará uma explosão capaz de fazer correr muito sangue. Todo o cuidado é pouco porque temos duas aproximações neste momento no terreno das negociações que se preparam para intervir no território nacional Guineense ao abrigo dos acordos internacionais, CDEAO e CPLP.

Quando ouvimos falar de uma força de interposição imposta pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, partimos do principio de que estão duas forças no terreno com armas nas mãos, o que não é o caso, pelos vistos só um dos lados tem armas, do outro lado temos organizações políticas (oposição guineense) que a partida condenam o golpe militar. Alguns com assento parlamentar, outros são forças vivas no terreno que já iniciaram reuniões com a classe política e militar da Guiné-Bissau, com o fim determinados em encontrar uma saída para esta crise política /militar no País.
Penso que é preciso articularmos muito bem esta possibilidade de intervenção vinda do exterior, ela é precisa, mas a questão é saber-se o doseamento para cura e que não resulte em overdose “mortal” para muita gente ainda viva neste momento e que se encontra detido.
Evitar acrescentar lenha para fogueira, mas contribuir para apagar o fogo que começa a dar mostras de alastramento repentino sem tempo de reacção que possa valer a muitos  daqueles que se encontram em maus lençóis neste momento. É preciso articular tudo isto muito bem neste momento, há uma amplitude perigosa escondida neste momento, podemos desconhecer possíveis reacções de quem esteja interessado em fazer justiça pelas próprias mãos e, em reacção às decisões vindas do exterior. Francamente é preciso evitar baixas de vidas humanas que ainda podem vir a acontecer no terreno, procurar até ao limite por soluções pacíficas possíveis na prática, antecipando comportamentos com final infeliz.

Não querendo contrariar outras análises mais experimentadas que sustentam outras teses a serem levadas a cabo e consentidas pelas Nações Unidas. Penso na minha modesta opinião que deveríamos primeiro avançar para o terreno com mediadores políticos experimentados, partindo então para uma mediação política e não militar, colocando paralelamente no terreno uma força de estabilização com o objectivo político de restabelecimento da ordem e legalidade constitucional na Guiné-Bissau. Seriam os primeiros passos e só depois desta resposta no terreno, utilizar uma força de interposição se necessário, no entanto é importante analisar todas as possibilidades de entendimento com as organizações que estão no terreno (partidos políticos e organizações vivas), evitar entrar sem o contacto prévio com as figuras ainda com “autoridade” no País.
Uma entrada militar à força pode ser fatal e traduzir-se numa enorme baixa humana no território. Há personalidades políticas internacionais melhor posicionadas do que Angola neste momento para influenciar positivamente esta situação em que se encontra a Guiné-Bissau. Não Angola, única e simplesmente pelos últimos acontecimentos que deu no que deu em relação às desconfianças com a MISSANG, achamos por bem serem outros a chefiarem neste momento as conversações com Bissau.
Porque não o Dr. Ramos Horta que até já se ofereceu, ou um dos países vizinhos, temos ainda a possibilidade de evitar perdas de vidas humanas e avançar para uma solução política e material sem consequências ainda pior que já se podem antever.
É preciso não abandonar esta possibilidade de contacto prévio com as autoridades guineenses no terreno, seria um mau começo de conversa, porque ainda há Homens na Guiné-Bissau e com bom senso, não vamos meter todos no mesmo saco e partir do principio que não se fala com ninguém ou pior, que não há ninguém para valorizar no sentido da busca de solução. Entrar pela força das armas é um erro crasso, é preciso cuidado, só.

Durante muitos meses pedimos desesperadamente para que nada disto acontecesse, pedimos tolerância, solidariedade, fraternidade, sinceridade, diálogo, frontalidade, consciência da classe política e classe castrense em Bissau. Apelamos firmeza e carácter dos seus líderes, a honestidade, a capacidade de serviço para o Povo, debates públicos em torno das medidas a serem implementadas, a justiça social, para uma luta justa pela paz e desenvolvimento do nosso País, dito isto tudo valeu muito pouco pelos vistos e temos o país como está neste momento.

Mas a verdade é que o comboio gigante descarrilou e parou mesmo, o esforço de muitos de nós não adiantou nada, porque sabíamos que este comboio corria perigo, no entanto não convinha pará-lo, podíamos abastecer as máquinas em “andamento”, com o intuito de recuperarmos um tempo perdido ao longo de décadas. Vivemos no limite e sobre linhas que exigem muito cuidado, num território que chega para todos, num comboio com lugares sentados para todos os filhos da Guiné-Bissau e ainda, chegando para os amigos da terra ou vizinhos. Nunca afinal esta comunicação chegou onde deveria poisar para impedir que o travão fosse accionado na casa da máquina, o que veio a acontecer por alegadas desconfianças e acordos secretos entre uns que é preciso apurar a sua veracidade.
Estas eleições decorreram num clima de desconfiança perigosa entre as partes, acrescentando um tempo marcado pelo desaparecimento físico do Chefe de Estado, situação de impunidade e ausência de práticas Institucionais de justiça, corrupção e actividades ilícitas em que são suspeitos figuras públicas do Estado e do Governo. Digamos que estas eleições tinham tudo para ser polémicas, um governo acusado de corrupção, candidatos tornados independente há última hora, um clima “mafioso” e problemático no que concerne as suas conclusões pós-eleitorais (contagem dos votos).

Deu no que deu e estamos todos com esta batata quente nas mãos. Chamou-se a atenção para tudo que ficou dito atrás, pois uma frieza impediu que este calor humano vindo das profundas preocupações dos seus filhos chegassem aos ouvidos ou mente dos líderes políticos e militares, mas colocou todos paradoxalmente e de costas voltadas, sem o diálogo esperado. Tudo parou sem dúvida e o comboio descarrilou, há fogo diante de todos nós sem nada podermos fazer para recuperar seja o que for.
Os bombeiros vêm de fora e não se sabe se trazem combustível da melhor qualidade, que possa apagar sem demora que provoque o seu alastramento total para zonas não ardidas por enquanto.
Ao contrário do que as pessoas pensam, só pergunta quem sabe, o contrário é afirmação de ignorância. Há que saber fazer na primeira oportunidade que se tem, esta selecção é da mais importante na preparação desta “força de estabilização” para de seguida estarmos colocados no teatro das negociações rápidas, antes que seja tarde e com a única possibilidade de intervenção militar na Guiné-Bissau, o que seria pior do que qualquer uma das batalhas no terreno travadas na época colonial, acreditem!

Ainda vamos a tempo de pensar antes de agir…
A política de dente por dente e olho por olho, tanto uma como a outra é sinceramente muito má.

Caso venha a acontecer não me admira nada que na sociedade guineense estejamos a caminhar a passos largos para “UM PAÍS DE CEGOS E DESDENTADOS” isto é se continuarmos a cultivar a intolerância, o desamor, a ausência de sentimento de perdão, do amor ao próximo, a continuarem os assassinatos, mortes por encomenda e luta pelo poder sem olhar a meios. Há que cultivar a esperança de um mundo melhor para todos nós. Muitos não pensam assim, preferiram parar o comboio gigante, desligar o seu motor sem sabermos por quanto tempo mais iremos ficar a marcar passos, sem sairmos do sítio errado do costume, e repetindo como sempre a pior das opções práticas em conformidade com más políticas visando proveito próprio.

Tudo isto tem as suas repercussões práticas, qualquer atraso de desenvolvimento nunca foi fácil de recuperar, com ele temos sempre uma aritmética difícil de acertar nas contas, calculadas através de vários factores que afectam directa e indirectamente os avanços e os recuos de uma sociedade. Também se passará o mesmo com a Guiné-Bissau hoje, umas contas super-difíceis de concluir ou de tirar a prova dos nove. Basta lembrarmos de alguns aspectos da personalidade que fazem o nosso “perfil”: não aceitar bons conselhos por complexos talvez, este orgulho de inspiração complexada e de arrogância primária, afecta alguns dos nossos líderes. Há falta de humildade, amor-próprio, espírito de critica e auto-critica, sentido de temer a Deus, amar o próximo, amar a Guiné-Bissau acima de tudo, prestar serviço com sentido de responsabilidade quando chamado para ocupar cargos públicos, há falta de reconhecimento como sagrado à causa do Povo, ser honesto com tudo o que for do Estado ou do Povo, é sagrado!

Estamos perante o jogo do gato e do rato que parou por momentos, com os Gatos cá fora vigiando um cenário triste, com vários personagens presos e encurralados em buracos fortemente vigiados e invioláveis. Toda a inteligência felina está em estado de alerta e ao mesmo tempo desconfiados da sua real capacidade e mecanismo de defesa perante possível escalada dos amigos dos “ratos”, que neste momento estão reunidos planeando estratégias de desembarque por mar, terra ou ar. Por isso pode estar para chegar o pior momento na cidade de Bissau, já habituada a semelhante pressão mas que desta aposto que ninguém viu nunca, basta cair uma gota neste copo já cheio.

É interessante que até aqui parecíamos famílias unidas, cantando e dançando juntos ao som de tudo vai mal para uns ou para outros nem por isso, está-se bem, será?

O carácter da hipocrisia não tem dentes brancos neste momento porque estão sujos de sangue, ninguém se ri com eles sujos porque metem medo. As mãos outrora limpam também se transformaram em armas mortíferas, algumas delas vindas ainda dos últimos assassinatos em Bissau que vitimaram altas figuras do Estado da Guiné-Bissau. São mãos criminosas que foram capazes de estrangular, matar e permanecer impune diante dos olhos das instituições e das respectivas famílias.
Há que manter-se respeito pelo Estado de Direito, estes crimes não podem permanecer impunes porque agridem os princípios fundamentais do Estado como pessoa de bem.
Vem daí com certeza muita agressividade a partir de uma acumulação de situações idênticas que gozam de impunidade absolutas até hoje, ninguém se manifesta e tudo parece bem até que, tudo explode de repente. Tem sido assim e um dos motivos mais apontados é a corrupção e falta de transparência e de frontalidade na comunicação e resolução das políticas.
Quem nos dera podermos mudar de dia para noite, como no sonho, mas todos sabemos que esta evolução tem os seus custos, o próprio sol mudaria de cor na Guiné-Bissau como sinal de agradecimento se tal fosse possível.
Pergunto mais uma vez, porque falhamos sempre ou quase sempre. É urgente descobrir onde está o erro e reparar até a sua raiz tudo.

Sei que não é possível paz sem justiça e vice-versa, a Guiné-Bissau tem de tratar dos assuntos que mancham o seu bom nome com celeridade, estabelecer prioridades e avançar, vale a pena tratarmos disto como prioridade, toleramos melhor um assunto mal resolvido do que a ausência sequer de uma tentativa de resolução. Porque ninguém está acima da lei, os tribunais podem ser lentos, mas outra coisa é não haver sinais de vida no andamento das coisas, só.

Em anexo incluo esta resolução pintado de “fresco” que veio para ficar, não há mais tempo para brincar, após o nascimento estamos todos sujeitos a ser civilizados, o que se avalia pelo grau de adaptação do individuo na sociedade, usos e costumes que regem determinados padrões de comportamento. Quer dizer que por uns pagam os outros, isto é, quando por exemplo os nossos representantes agindo mal em defesa do património de um Estado por exemplo, é o pior que pode acontecer, serve como exemplo esta situação política na Guiné-Bissau, que fazer?
Vamos ler atentamente as “ordens” que agora recebemos e que ao mesmo tempo muitos de nós sabíamos evitar mas que agora é tarde. Resta-nos tentar cumprir sem deixar cair a dignidade de um Povo exemplar no comportamento cívico no mundo, que mais uma vez cumpriu o seu direito de voto sem pestanejar e, para ver tudo a ir por águas abaixo e a evoluir para uma situação muito difícil daqui por diante…
Vamos ler como digo e juntar a nossa individual reflexão:

VIII REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO DE MINISTROS
DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

                                                        Lisboa, 14 de Abril de 2012

Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau
O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Lisboa, no dia 14 de Abril de 2012, na sua VIII Reunião Extraordinária, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de 12 de Abril de 2012;
Recordando que o primado da paz, da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da justiça social são princípios fundadores da CPLP;
Tendo tomado conhecimento, com consternação, do golpe militar perpetrado na Guiné-Bissau, em flagrante violação daqueles princípios fundamentais;
Tendo em consideração a circunstância agravante do golpe militar ter ocorrido na véspera do início da campanha eleitoral para a 2ª volta que levaria à escolha do Presidente da República, num processo eleitoral cuja transparência foi reconhecida pelas instâncias nacionais e internacionais;
Tendo ouvido a exposição detalhada e informada do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades da República da Guiné-Bissau sobre a situação no país;
DECIDE:

1.      Condenar, com veemência, todas as acções de subversão ocorridas na Guiné-Bissau, exigindo a imediata reposição da ordem constitucional, da legalidade democrática e a conclusão do processo eleitoral;

2.      Instar todos os implicados a cessarem de imediato os actos violentos e ilegais, que são objecto de condenação por parte de toda a comunidade internacional;

3.      Exigir o estrito respeito e a preservação da integridade física de todos os titulares de cargos públicos e demais cidadãos que se encontram sob custódia dos militares sublevados, assim como a sua libertação imediata e incondicional, sublinhando que qualquer ato de violência será considerado intolerável e acarretará graves consequências para os seus perpetradores, implicando a responsabilização dos envolvidos, no plano do direito penal internacional;

4.      Afirmar, perante o povo guineense e a comunidade internacional que as únicas autoridades reconhecidas pela CPLP na Guiné-Bissau são as que resultam do exercício do voto popular, da legalidade institucional e dos imperativos da Constituição, repudiando quaisquer atos de entidades que possam vir a ser anunciadas na sequência do golpe militar;

5.      Apoiar o importante papel desempenhado pela MISSANG, no quadro do acordo celebrado, em prol da estabilização, pacificação e reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, reconhecido pela sociedade civil e pelas autoridades legítimas guineenses, bem como pela comunidade internacional;

6.      Manter uma estreita articulação com os Estados da Sub-Região da África Ocidental e com os seus parceiros regionais e internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia, com vista ao estabelecimento de uma parceria efectiva que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura da Guiné-Bissau;

7.      Tomar a iniciativa de, no quadro das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia, tendo em conta a experiência da MISSANG no terreno, constituir uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando:
a.       A defesa da paz e da segurança;
b.      A garantia da ordem constitucional;
c.       A protecção das instituições, das autoridades legítimas e das populações;
d.     A conclusão do processo eleitoral;
e.      A concretização da reforma do sector de defesa e segurança.

8.      Advertir todos os implicados na alteração da ordem constitucional na Guiné-Bissau, civis e militares, de que a persistência na ilegalidade conduzirá a que os Estados membros da CPLP proponham a aplicação de sanções individualizadas por parte das organizações internacionais e regionais pertinentes, nomeadamente:
a.      Proibição de viagens;
b.      Congelamento de activos;
c.       Responsabilização criminal.
9.      Reafirmar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, enquanto condição para o estabelecimento da paz e estabilidade duradoura no País;

10.  Reiterar que somente o pleno respeito pela ordem constitucional, pelo Estado de Direito, pelas autoridades democraticamente constituídas e pelo processo eleitoral em curso, garantirá que o povo guineense – a principal vítima da presente situação – alcance a paz e o desenvolvimento;

11.  Aprovar um “plano de acção imediata” visando a concretização das decisões enunciadas na presente resolução.

Lisboa, 14 de Abril de 2012
…/
Temos aqui meus caros compatriotas muita matéria que nos dão conta do estado de evolução e desenvolvimento político que nos aguarda como Estado de Direito, onde certas falhas são penalizadas como agora acontecendo com o nosso País nesta situação…
Estas regras são difíceis de lidar na presente conjuntura do Estado da Guiné-Bissau, estou convencido de que imperará o bom senso na escolha especial do arbitro para este jogo final de salvaguarda do País, no meio da desordem constitucional em que se encontra a Guiné-Bissau, que Deus abençoe este povo e o seu berço.

Eu se tudo dependesse de mim escolheria o Dr. Ramos Horta para chefiar esta mediação, pela experiência institucional, experiência humana, intelectual e política, para alem do seu estatuto de estadista reconhecido em toda a parte do mundo, só.
(seria bom partilharmos esta vontade, quem sabe…)

Meus caros a hora é difícil e de “surpresas”, espero que aconteça o melhor para todos nós, mas, tudo isto podia naturalmente ser evitado e nesta perspectiva muitos de nós temos estado ao longo de vários meses a deixar por escrito a sua opinião, que valeu o que valeu… Aqui vos deixo mais uma e com votos de uma boa reflexão.
Um abraço Guineense. Djarama.
Filomeno Pina.

Total de visualizações de página