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NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!... De acordo com informações da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN...

terça-feira, 17 de abril de 2012

O COMBOIO GIGANTE DESCARRILOU, HÁ MEDO E FUMO NEGRO.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...



O mundo inteiro parou para escutar mais uma vez o tambor em sinal de protesto, ódios, vinganças, anúncio de guerras pelo poder e apropriação dos destinos de um Povo mal amado, vítima de maus-tratos, falta de cuidados políticos e institucionais dos seus líderes.
O tambor tocou arrebate e o povo saiu à rua em força para testemunhar mais um incidente, mais um igual a tantos outros, um golpe de Estado na Guiné-Bissau levado a cabo pelos militares alegando motivos políticos e de defesa territorial.
O comboio gigante não aguentou e descarrilou, está tombado na linha, visível à longa distância, há testemunhos de fumo negro vindo da casa das máquinas.
Espera-se a todo o momento a explosão no seu interior, a casa da máquina é onde se encontra a tripulação que dirige o comboio, este local encerra neste momento alguns mecânicos da equipa e o seu “piloto-chefe”.
Um homem cansado e impotente é feito principal prisioneiro desta situação que motivou o golpe de estado no País. É agora “recluso” numa situação desesperada, não podendo vir a rua gritar por socorro, reclamar a ajuda prometida dos “amigos” em caso de necessidade, eles ainda não deram sinais de vida nem por mar, terra ou ar.
Sinceramente penso que nunca a Guiné-Bissau esteve em situação tão perigosa como neste momento em que nos encontramos, parece uma relação de fogo e explosivo, uma aproximação em falso provocará uma explosão capaz de fazer correr muito sangue. Todo o cuidado é pouco porque temos duas aproximações neste momento no terreno das negociações que se preparam para intervir no território nacional Guineense ao abrigo dos acordos internacionais, CDEAO e CPLP.

Quando ouvimos falar de uma força de interposição imposta pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, partimos do principio de que estão duas forças no terreno com armas nas mãos, o que não é o caso, pelos vistos só um dos lados tem armas, do outro lado temos organizações políticas (oposição guineense) que a partida condenam o golpe militar. Alguns com assento parlamentar, outros são forças vivas no terreno que já iniciaram reuniões com a classe política e militar da Guiné-Bissau, com o fim determinados em encontrar uma saída para esta crise política /militar no País.
Penso que é preciso articularmos muito bem esta possibilidade de intervenção vinda do exterior, ela é precisa, mas a questão é saber-se o doseamento para cura e que não resulte em overdose “mortal” para muita gente ainda viva neste momento e que se encontra detido.
Evitar acrescentar lenha para fogueira, mas contribuir para apagar o fogo que começa a dar mostras de alastramento repentino sem tempo de reacção que possa valer a muitos  daqueles que se encontram em maus lençóis neste momento. É preciso articular tudo isto muito bem neste momento, há uma amplitude perigosa escondida neste momento, podemos desconhecer possíveis reacções de quem esteja interessado em fazer justiça pelas próprias mãos e, em reacção às decisões vindas do exterior. Francamente é preciso evitar baixas de vidas humanas que ainda podem vir a acontecer no terreno, procurar até ao limite por soluções pacíficas possíveis na prática, antecipando comportamentos com final infeliz.

Não querendo contrariar outras análises mais experimentadas que sustentam outras teses a serem levadas a cabo e consentidas pelas Nações Unidas. Penso na minha modesta opinião que deveríamos primeiro avançar para o terreno com mediadores políticos experimentados, partindo então para uma mediação política e não militar, colocando paralelamente no terreno uma força de estabilização com o objectivo político de restabelecimento da ordem e legalidade constitucional na Guiné-Bissau. Seriam os primeiros passos e só depois desta resposta no terreno, utilizar uma força de interposição se necessário, no entanto é importante analisar todas as possibilidades de entendimento com as organizações que estão no terreno (partidos políticos e organizações vivas), evitar entrar sem o contacto prévio com as figuras ainda com “autoridade” no País.
Uma entrada militar à força pode ser fatal e traduzir-se numa enorme baixa humana no território. Há personalidades políticas internacionais melhor posicionadas do que Angola neste momento para influenciar positivamente esta situação em que se encontra a Guiné-Bissau. Não Angola, única e simplesmente pelos últimos acontecimentos que deu no que deu em relação às desconfianças com a MISSANG, achamos por bem serem outros a chefiarem neste momento as conversações com Bissau.
Porque não o Dr. Ramos Horta que até já se ofereceu, ou um dos países vizinhos, temos ainda a possibilidade de evitar perdas de vidas humanas e avançar para uma solução política e material sem consequências ainda pior que já se podem antever.
É preciso não abandonar esta possibilidade de contacto prévio com as autoridades guineenses no terreno, seria um mau começo de conversa, porque ainda há Homens na Guiné-Bissau e com bom senso, não vamos meter todos no mesmo saco e partir do principio que não se fala com ninguém ou pior, que não há ninguém para valorizar no sentido da busca de solução. Entrar pela força das armas é um erro crasso, é preciso cuidado, só.

Durante muitos meses pedimos desesperadamente para que nada disto acontecesse, pedimos tolerância, solidariedade, fraternidade, sinceridade, diálogo, frontalidade, consciência da classe política e classe castrense em Bissau. Apelamos firmeza e carácter dos seus líderes, a honestidade, a capacidade de serviço para o Povo, debates públicos em torno das medidas a serem implementadas, a justiça social, para uma luta justa pela paz e desenvolvimento do nosso País, dito isto tudo valeu muito pouco pelos vistos e temos o país como está neste momento.

Mas a verdade é que o comboio gigante descarrilou e parou mesmo, o esforço de muitos de nós não adiantou nada, porque sabíamos que este comboio corria perigo, no entanto não convinha pará-lo, podíamos abastecer as máquinas em “andamento”, com o intuito de recuperarmos um tempo perdido ao longo de décadas. Vivemos no limite e sobre linhas que exigem muito cuidado, num território que chega para todos, num comboio com lugares sentados para todos os filhos da Guiné-Bissau e ainda, chegando para os amigos da terra ou vizinhos. Nunca afinal esta comunicação chegou onde deveria poisar para impedir que o travão fosse accionado na casa da máquina, o que veio a acontecer por alegadas desconfianças e acordos secretos entre uns que é preciso apurar a sua veracidade.
Estas eleições decorreram num clima de desconfiança perigosa entre as partes, acrescentando um tempo marcado pelo desaparecimento físico do Chefe de Estado, situação de impunidade e ausência de práticas Institucionais de justiça, corrupção e actividades ilícitas em que são suspeitos figuras públicas do Estado e do Governo. Digamos que estas eleições tinham tudo para ser polémicas, um governo acusado de corrupção, candidatos tornados independente há última hora, um clima “mafioso” e problemático no que concerne as suas conclusões pós-eleitorais (contagem dos votos).

Deu no que deu e estamos todos com esta batata quente nas mãos. Chamou-se a atenção para tudo que ficou dito atrás, pois uma frieza impediu que este calor humano vindo das profundas preocupações dos seus filhos chegassem aos ouvidos ou mente dos líderes políticos e militares, mas colocou todos paradoxalmente e de costas voltadas, sem o diálogo esperado. Tudo parou sem dúvida e o comboio descarrilou, há fogo diante de todos nós sem nada podermos fazer para recuperar seja o que for.
Os bombeiros vêm de fora e não se sabe se trazem combustível da melhor qualidade, que possa apagar sem demora que provoque o seu alastramento total para zonas não ardidas por enquanto.
Ao contrário do que as pessoas pensam, só pergunta quem sabe, o contrário é afirmação de ignorância. Há que saber fazer na primeira oportunidade que se tem, esta selecção é da mais importante na preparação desta “força de estabilização” para de seguida estarmos colocados no teatro das negociações rápidas, antes que seja tarde e com a única possibilidade de intervenção militar na Guiné-Bissau, o que seria pior do que qualquer uma das batalhas no terreno travadas na época colonial, acreditem!

Ainda vamos a tempo de pensar antes de agir…
A política de dente por dente e olho por olho, tanto uma como a outra é sinceramente muito má.

Caso venha a acontecer não me admira nada que na sociedade guineense estejamos a caminhar a passos largos para “UM PAÍS DE CEGOS E DESDENTADOS” isto é se continuarmos a cultivar a intolerância, o desamor, a ausência de sentimento de perdão, do amor ao próximo, a continuarem os assassinatos, mortes por encomenda e luta pelo poder sem olhar a meios. Há que cultivar a esperança de um mundo melhor para todos nós. Muitos não pensam assim, preferiram parar o comboio gigante, desligar o seu motor sem sabermos por quanto tempo mais iremos ficar a marcar passos, sem sairmos do sítio errado do costume, e repetindo como sempre a pior das opções práticas em conformidade com más políticas visando proveito próprio.

Tudo isto tem as suas repercussões práticas, qualquer atraso de desenvolvimento nunca foi fácil de recuperar, com ele temos sempre uma aritmética difícil de acertar nas contas, calculadas através de vários factores que afectam directa e indirectamente os avanços e os recuos de uma sociedade. Também se passará o mesmo com a Guiné-Bissau hoje, umas contas super-difíceis de concluir ou de tirar a prova dos nove. Basta lembrarmos de alguns aspectos da personalidade que fazem o nosso “perfil”: não aceitar bons conselhos por complexos talvez, este orgulho de inspiração complexada e de arrogância primária, afecta alguns dos nossos líderes. Há falta de humildade, amor-próprio, espírito de critica e auto-critica, sentido de temer a Deus, amar o próximo, amar a Guiné-Bissau acima de tudo, prestar serviço com sentido de responsabilidade quando chamado para ocupar cargos públicos, há falta de reconhecimento como sagrado à causa do Povo, ser honesto com tudo o que for do Estado ou do Povo, é sagrado!

Estamos perante o jogo do gato e do rato que parou por momentos, com os Gatos cá fora vigiando um cenário triste, com vários personagens presos e encurralados em buracos fortemente vigiados e invioláveis. Toda a inteligência felina está em estado de alerta e ao mesmo tempo desconfiados da sua real capacidade e mecanismo de defesa perante possível escalada dos amigos dos “ratos”, que neste momento estão reunidos planeando estratégias de desembarque por mar, terra ou ar. Por isso pode estar para chegar o pior momento na cidade de Bissau, já habituada a semelhante pressão mas que desta aposto que ninguém viu nunca, basta cair uma gota neste copo já cheio.

É interessante que até aqui parecíamos famílias unidas, cantando e dançando juntos ao som de tudo vai mal para uns ou para outros nem por isso, está-se bem, será?

O carácter da hipocrisia não tem dentes brancos neste momento porque estão sujos de sangue, ninguém se ri com eles sujos porque metem medo. As mãos outrora limpam também se transformaram em armas mortíferas, algumas delas vindas ainda dos últimos assassinatos em Bissau que vitimaram altas figuras do Estado da Guiné-Bissau. São mãos criminosas que foram capazes de estrangular, matar e permanecer impune diante dos olhos das instituições e das respectivas famílias.
Há que manter-se respeito pelo Estado de Direito, estes crimes não podem permanecer impunes porque agridem os princípios fundamentais do Estado como pessoa de bem.
Vem daí com certeza muita agressividade a partir de uma acumulação de situações idênticas que gozam de impunidade absolutas até hoje, ninguém se manifesta e tudo parece bem até que, tudo explode de repente. Tem sido assim e um dos motivos mais apontados é a corrupção e falta de transparência e de frontalidade na comunicação e resolução das políticas.
Quem nos dera podermos mudar de dia para noite, como no sonho, mas todos sabemos que esta evolução tem os seus custos, o próprio sol mudaria de cor na Guiné-Bissau como sinal de agradecimento se tal fosse possível.
Pergunto mais uma vez, porque falhamos sempre ou quase sempre. É urgente descobrir onde está o erro e reparar até a sua raiz tudo.

Sei que não é possível paz sem justiça e vice-versa, a Guiné-Bissau tem de tratar dos assuntos que mancham o seu bom nome com celeridade, estabelecer prioridades e avançar, vale a pena tratarmos disto como prioridade, toleramos melhor um assunto mal resolvido do que a ausência sequer de uma tentativa de resolução. Porque ninguém está acima da lei, os tribunais podem ser lentos, mas outra coisa é não haver sinais de vida no andamento das coisas, só.

Em anexo incluo esta resolução pintado de “fresco” que veio para ficar, não há mais tempo para brincar, após o nascimento estamos todos sujeitos a ser civilizados, o que se avalia pelo grau de adaptação do individuo na sociedade, usos e costumes que regem determinados padrões de comportamento. Quer dizer que por uns pagam os outros, isto é, quando por exemplo os nossos representantes agindo mal em defesa do património de um Estado por exemplo, é o pior que pode acontecer, serve como exemplo esta situação política na Guiné-Bissau, que fazer?
Vamos ler atentamente as “ordens” que agora recebemos e que ao mesmo tempo muitos de nós sabíamos evitar mas que agora é tarde. Resta-nos tentar cumprir sem deixar cair a dignidade de um Povo exemplar no comportamento cívico no mundo, que mais uma vez cumpriu o seu direito de voto sem pestanejar e, para ver tudo a ir por águas abaixo e a evoluir para uma situação muito difícil daqui por diante…
Vamos ler como digo e juntar a nossa individual reflexão:

VIII REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO DE MINISTROS
DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

                                                        Lisboa, 14 de Abril de 2012

Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau
O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Lisboa, no dia 14 de Abril de 2012, na sua VIII Reunião Extraordinária, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de 12 de Abril de 2012;
Recordando que o primado da paz, da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da justiça social são princípios fundadores da CPLP;
Tendo tomado conhecimento, com consternação, do golpe militar perpetrado na Guiné-Bissau, em flagrante violação daqueles princípios fundamentais;
Tendo em consideração a circunstância agravante do golpe militar ter ocorrido na véspera do início da campanha eleitoral para a 2ª volta que levaria à escolha do Presidente da República, num processo eleitoral cuja transparência foi reconhecida pelas instâncias nacionais e internacionais;
Tendo ouvido a exposição detalhada e informada do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades da República da Guiné-Bissau sobre a situação no país;
DECIDE:

1.      Condenar, com veemência, todas as acções de subversão ocorridas na Guiné-Bissau, exigindo a imediata reposição da ordem constitucional, da legalidade democrática e a conclusão do processo eleitoral;

2.      Instar todos os implicados a cessarem de imediato os actos violentos e ilegais, que são objecto de condenação por parte de toda a comunidade internacional;

3.      Exigir o estrito respeito e a preservação da integridade física de todos os titulares de cargos públicos e demais cidadãos que se encontram sob custódia dos militares sublevados, assim como a sua libertação imediata e incondicional, sublinhando que qualquer ato de violência será considerado intolerável e acarretará graves consequências para os seus perpetradores, implicando a responsabilização dos envolvidos, no plano do direito penal internacional;

4.      Afirmar, perante o povo guineense e a comunidade internacional que as únicas autoridades reconhecidas pela CPLP na Guiné-Bissau são as que resultam do exercício do voto popular, da legalidade institucional e dos imperativos da Constituição, repudiando quaisquer atos de entidades que possam vir a ser anunciadas na sequência do golpe militar;

5.      Apoiar o importante papel desempenhado pela MISSANG, no quadro do acordo celebrado, em prol da estabilização, pacificação e reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, reconhecido pela sociedade civil e pelas autoridades legítimas guineenses, bem como pela comunidade internacional;

6.      Manter uma estreita articulação com os Estados da Sub-Região da África Ocidental e com os seus parceiros regionais e internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia, com vista ao estabelecimento de uma parceria efectiva que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura da Guiné-Bissau;

7.      Tomar a iniciativa de, no quadro das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia, tendo em conta a experiência da MISSANG no terreno, constituir uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando:
a.       A defesa da paz e da segurança;
b.      A garantia da ordem constitucional;
c.       A protecção das instituições, das autoridades legítimas e das populações;
d.     A conclusão do processo eleitoral;
e.      A concretização da reforma do sector de defesa e segurança.

8.      Advertir todos os implicados na alteração da ordem constitucional na Guiné-Bissau, civis e militares, de que a persistência na ilegalidade conduzirá a que os Estados membros da CPLP proponham a aplicação de sanções individualizadas por parte das organizações internacionais e regionais pertinentes, nomeadamente:
a.      Proibição de viagens;
b.      Congelamento de activos;
c.       Responsabilização criminal.
9.      Reafirmar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, enquanto condição para o estabelecimento da paz e estabilidade duradoura no País;

10.  Reiterar que somente o pleno respeito pela ordem constitucional, pelo Estado de Direito, pelas autoridades democraticamente constituídas e pelo processo eleitoral em curso, garantirá que o povo guineense – a principal vítima da presente situação – alcance a paz e o desenvolvimento;

11.  Aprovar um “plano de acção imediata” visando a concretização das decisões enunciadas na presente resolução.

Lisboa, 14 de Abril de 2012
…/
Temos aqui meus caros compatriotas muita matéria que nos dão conta do estado de evolução e desenvolvimento político que nos aguarda como Estado de Direito, onde certas falhas são penalizadas como agora acontecendo com o nosso País nesta situação…
Estas regras são difíceis de lidar na presente conjuntura do Estado da Guiné-Bissau, estou convencido de que imperará o bom senso na escolha especial do arbitro para este jogo final de salvaguarda do País, no meio da desordem constitucional em que se encontra a Guiné-Bissau, que Deus abençoe este povo e o seu berço.

Eu se tudo dependesse de mim escolheria o Dr. Ramos Horta para chefiar esta mediação, pela experiência institucional, experiência humana, intelectual e política, para alem do seu estatuto de estadista reconhecido em toda a parte do mundo, só.
(seria bom partilharmos esta vontade, quem sabe…)

Meus caros a hora é difícil e de “surpresas”, espero que aconteça o melhor para todos nós, mas, tudo isto podia naturalmente ser evitado e nesta perspectiva muitos de nós temos estado ao longo de vários meses a deixar por escrito a sua opinião, que valeu o que valeu… Aqui vos deixo mais uma e com votos de uma boa reflexão.
Um abraço Guineense. Djarama.
Filomeno Pina.

José Miguel Júdice: Ao dificultar a entrada de Angolanos em Portugal está a dar um tiro no Pé.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

É sempre interessante reflectir sobre alguns dos pilares da democracia como a justiça, a independência da magistratura, as condições de exercício da advocacia. Sobretudo quando o interlocutor já foi bastonário da ordem dos advogados. No caso, José Miguel Júdice, ex-bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses (2002-2004) e que esteve em Luanda a dar um curso de pós-graduação em arbitragem, a especialidade que lhe ocupa actualmente a vida (é presidente da Secção Portuguesa do Tribunal Europeu de Arbitragem), na Universidade Agostinho Neto. Júdice, que se dedica hoje por inteiro à sociedade de advogados que integra, a PLMJ – A.M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados, é também um homem influente. Júdice não é propriamente um político no activo, prima pela discrição mas é ouvido e respeitado. Um ‘outsider’ que sabe fazer valer a sua opinião. É professor universitário e pode-se ver nele um jornalista experiente, tendo sido um dos fundadores do jornal Semanário em 1983. É escutado pela imprensa, onde marca uma presença assídua. Conversámos sobre as ideias, bastante heterodoxas, que defendeu no passado a propósito da questão colonial, sobre a sua relação com Angola, o relacionamento entre Angola e Portugal, a actual situação portuguesa, a circulação de pessoas no espaço lusófono, a advocacia, o sistema judicial e, sobretudo, e muito, sobre o futuro. Uma frase sela esta sua vinda a Luanda: ‘Vou feliz’.

Nos tempos de Faculdade, ainda na era colonial e não se inserindo propriamente na esquerda, defendia uma posição diferente do regime e muito singular quanto à deslocação da capital de Portugal para Angola.
Pode relembrar essa posição e as circunstâncias de então?
O que nós defendíamos, eu e o meu grupo de amigos, era um sonho de juventude, pois já não existiam, na altura, quaisquer condições para que isso acontecesse, era que a capital de Portugal deveria vir para Angola.
Basicamente dizíamos que Portugal era um país colonial. Estávamos de acordo com a esquerda quanto ao facto de Portugal ser um país colonial.
Havia um pacto colonial mas não se podia fazer a guerra com base num pacto colonial. E nós dizíamos que o que valia a pena talvez tentar era manter o carácter multi-continental de Portugal mas, para isso, o centro giratório de Portugal deveria vir para Angola. Porque era óbvio naquela altura que Angola era o futuro. Daí que achássemos que Portugal se deveria passar a chamar Lusitânia e que o nome Portugal se deveria aplicar ao conjunto que englobaria a Lusitânia, Angola, Moçambique. A nossa ideia era que Portugal viesse a ser, no futuro, um país governado por pessoas nascidas em Angola. Comecei a defender esta ideia em 1969, tinha 19 anos, uma ideia que, na altura, já não tinha qualquer hipótese. Norton de Matos tinha defendido coisas semelhantes, nos anos 20, quando foi governador de Angola. O que é importante é que defendíamos que Portugal só conseguiria sobreviver se fosse um país do terceiro mundo, ainda hoje afirmo que o português é uma língua do sul. Se não fosse o Brasil, Angola e Moçambique o português era uma língua como o catalão, o holandês. Desse tempo em que eu defendia essas soluções românticas e inviáveis ficou-me um enorme fascínio por Angola, por todos os territórios coloniais portugueses.

Quando veio a Angola pela primeira vez?
Vim em 2002. Era então bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses e vim a uma reunião dos bastonários de língua portuguesa. Passei aqui uma semana maravilhosa. As condições eram difíceis, nada comparável com o que se passa hoje, houve uma evolução impressionante, mas o calor humano das pessoas, o sentido de humor, a energia que já se sentia no sentido de melhorar e mudar as coisas, a beleza da baía, a ilha, o Mussulo, a praia, as pessoas, a temperatura, tudo isso fez com que essa semana fosse maravilhosa. Infelizmente pela minha vida profissional agitadíssima, trabalho hoje mais do que trabalhava há 20 ou 30 anos, só voltei a Angola dez anos depois. E fui recebido com uma ternura, uma amizade, um carinho que não se esquece. Angola é, como o Brasil, muito acolhedor, mais que Portugal.
Portugal recebe bem os estrangeiros mas as pessoas não largam tudo para estar com eles, não vão jantar fora, se for necessário, três dias, têm a sua vida e aqui há realmente uma disponibilidade que tem a ver com os afectos, o que a uma pessoa como eu diz muito.

Nesta década, entre 2002 e 2012, qual é a sua percepção sobre a evolução do país?
Sabia o que se tinha passado, embora não tivesse vindo cá fui sempre acompanhando a realidade angolana.
Mas, apesar de eu saber qual tinha sido a evolução, foi uma surpresa enorme. Angola está-se a desenvolver económica e socialmente, está a receber o dividendo da paz. Sempre que há uma paz há como que uma energia positiva das pessoas, têm mais filhos, acreditam no futuro, investem, trabalham mais. O dividendo da paz está a funcionar em pleno, as potencialidades enormes de Angola estão outra vez a poder ser desenvolvidas com tranquilidade e sinto um grande progresso na formação das pessoas.
Tive hoje uma reunião com um alto quadro de um ministério que me impressionou por comparação com o equivalente em Portugal, isto é, se comparar este alto quadro com um alto quadro português. A preparação, a energia que nele se sente, a curiosidade enorme de saber o que se está a fazer em várias partes do mundo em relação às suas funções, sobretudo a maneira como se olham as coisas… infelizmente em Portugal vive-se um período de enorme crise de autoestima, as pessoas não estão a gostar delas próprias, estão pessimistas, estão deprimidas, não acreditam no futuro.
Se uma pessoa estiver deprimida trabalha menos, cansa-se mais, investe menos em termos de formação. Se uma pessoa estiver optimista toda a energia é positiva, o que faz bem ao corpo, faz bem ao organismo. Senti isso nesse quadro, senti em colegas com quem estive a conversar, senti nos advogados do escritório com que temos uma parceria aqui em Luanda, senti em amigos meus que estão cá a trabalhar com essa energia de fazer coisas e de sentir que as coisas podem ser feitas. Depois há pequenos sinais que são importantes, as ruas limpas, o poder-se andar na rua com mais facilidade, os restaurantes, a marginal que vai ficar uma beleza. Há problemas, mas não há crescimento sem problemas e quem me dera que, nós portugueses, nos confrontássemos com os problemas que Angola irá encontrar e que são fruto do seu próprio crescimento. É um país de futuro. Se Angola for capaz de manter a paz, de manter a serenidade, se houver equilíbrio, se houver investimento nas áreas sociais, vai ser daqui a 20 ou 30 anos uma das grandes potências mundiais. Não tenho dúvidas quanto a isso. É com alegria que constato isso.
Trabalho muito no Brasil, que é hoje uma das grandes potências mundiais e, para quem fala a língua portuguesa, é uma grande alegria chegar ao Brasil.
Como é uma grande alegria chegar aqui. Vou daqui feliz.

Volto novamente ao passado.
Desconfiava do federalismo porque achava que o federalismo tenderia sempre para uma desagregação.
Passado este tempo todo e estando a sobrelevar um activo que é a língua, como vê o espaço lusófono, não apenas do ponto de vista cultural mas também institucional e económico?
Eu não era anti-federalista. O que eu achava era que se não se fizesse a ‘revolução’ que era transformar Portugal em Lusitânia e deslocar a capital para Angola o federalismo era um caminho para a desagregação. Não constituía uma solução em si mesmo.
Quando vejo algumas pessoas em Portugal a considerar que há muito investimento angolano reajo dizendo: que bom haver tanto investimento angolano! O que isto significa é que, no fundo, o que eu defendia na minha juventude vai-se passar. No espaço de língua portuguesa, e esqueçamos por um pouco o Brasil, o país mais poderoso vai ser Angola. E se Angola investir em Portugal, em Moçambique, em S. Tomé, em Cabo Verde, e tem mais condições de o fazer que Portugal, ajudará a criar um sentido de comunidade de países independentes mas onde há interacções permanentes, onde há portugueses a trabalhar para empresas angolanas, angolanos a trabalhar para empresas moçambicanas, moçambicanos a trabalhar para empresas portuguesas.
Toda esta interacção solidifica o que temos em comum, que é a língua e também algumas tradições. Há uma entrevista famosa de Amílcar Cabral, dada em 1971, num momento em que Américo Tomaz realizava falsas eleições em que ele diz uma coisa que me impressionou: se o Presidente da República de Portugal fosse também o Presidente da República da Guiné eu até era capaz de admitir ser português porque era independente num quadro mais vasto. Não estou a ver Angola a ir governar Portugal, não estou a ver que se crie uma unidade política em que cada um dos países de língua portuguesa deixe de ser independente. Quando o rei D. João VI foi para o Brasil queria lá ficar, os portugueses é que o obrigaram a vir. A independência é a solução mas os laços são muito importantes. Afectivos e empresariais.
O que se fez nos últimos dez anos em vários sectores é muito importante, os investimentos angolanos em Portugal, o sistema bancário português que aqui se associou a angolanos, o que está a acontecer no mundo da advocacia também envolvendo parcerias...Esta colaboração, esta interacção é o nome do futuro. Temos muito interesse em trabalhar em conjunto uns com os outros, mantendo as nossas autonomias.

A CPLP tem sido muito alimentada por retórica…
Quando não há mais nada ao menos que haja retórica…
As relações bilaterais avançaram muito no plano económico mas, do ponto de vista das balanças comerciais, ainda são muito desequilibradas. São sustentáveis?
Acontece que a diversificação da economia angolana é um processo que está em curso. Trata-se de um processo mais lento que o implicado na exportação de petróleo. Angola vai passar por um período em que irá criar algumas barreiras para proteger a criação de actividades e de indústria no seu território. Quando a agricultura angolana estiver em pleno desenvolvimento, quando os bens de consumo forem produzidos aqui, a própria dimensão de Angola vai fazer com que alguns desses produtos voltem a ser exportados. A balança comercial com Portugal vai equilibrar-se no futuro.

Angola e Portugal estão inseridos em espaços económicos regionais. Isto está a ser tido devidamente em conta quando se abordam as relações bilaterais?
Ainda hoje estava a ler um artigo em que se diz que dois terços das exportações alemãs são dirigidos à Europa.
Os blocos regionais funcionam. Não tenhamos ilusões. Com o desenvolvimento que está em curso em África é absolutamente natural que, dentro de poucas décadas a maior parte do comércio de Angola seja com países da zona limítrofe e não com Portugal. Mas isso não impede a existência de laços fortes. A tendência é para posições mais equilibradas. Durante séculos a realidade não foi essa, Angola esteve bastante, senão mesmo, totalmente, subordinada à vontade, às intenções e à estratégia portuguesa.
Isto demora a corrigir. Há reacções, perfeitamente compreensíveis, de uma certa preocupação, de uma suspeição. Não me admira nada que assim aconteça. O tempo se encarregará de equilibrar as coisas. Aliás, o investimento angolano em Portugal é já hoje muito importante.

Mas não poderiam já ter sido dados alguns passos mais decididos em algumas áreas, como no plano fiscal, por exemplo no que respeita à dupla tributação?
Julgo que se está a trabalhar nesse sentido. Os Estados devem fazer tudo o que for adequado para beneficiar os cidadãos e as empresas dos dois países e estão a fazê-lo.

Há alguma mobilidade de capitais mas quanto à mobilidade de mão-deobra há muitos mais portugueses em Angola que angolanos em Portugal, sendo que a entrada de angolanos em Portugal é muito dificultada. Como vê esta situação?
É um absurdo. Compreendo que Angola e Portugal olhem para a deslocação de pessoas com alguma prudência. É normal. Mas gostaria de viver num mundo onde as pessoas se deslocassem sem problemas para todo o lado, mas esse mundo não existe.
Quando não há mais nada ao menos que haja retórica...
O Acordo de Schengen (uma convenção assinada entre países europeus relativa à livre circulação das pessoas e aos procedimentos e regras comuns quanto a vistos, à qual Portugal aderiu) coloca limitações a Portugal ou é Portugal que entende que o seu interesse é manter as actuais limitações à entrada de angolanos?
Não me parece ser um problema de Schengen. Acho que o problema assenta em reacções que me parecem inadequadas da parte de Portugal. É esta a minha convicção mas posso estar errado. Portugal não pode querer que haja aceitação de vistos para pessoas virem trabalhar para Angola sem ter a reciprocidade de vistos para pessoas irem trabalhar para Portugal.
É óbvio.

E porque não há da parte de sucessivos governos portugueses essa abertura?
Tem de lhes perguntar. Nunca discuti a questão com qualquer membro de qualquer governo mas, até onde eu posso imaginar, é uma reacção, quanto a mim errada, de protecção do mercado. Houve uma altura em que um larguíssimo número de brasileiros foi trabalhar para Portugal. O que foi muito positivo para Portugal pois abriu a porta a novos hábitos, novos estilos, a pessoas com muita vontade de trabalhar.

Quando não há mais nada ao menos que haja retórica…

Embora tivesse suscitado também algumas reacções negativas…
É evidente e, quanto a mim, erradas… A certa altura o Brasil começou a avançar e a melhorar e houve muitos brasileiros que voltaram. Conheço muitos angolanos, nascidos em Angola ou filhos de angolanos, que foram para Portugal a seguir à independência ou quando a guerra civil se desenvolveu, e muitos deles voltaram agora a Angola porque viram que as oportunidades profissionais eram maiores em Angola.

O que mostra que se justifica menos do que nunca que as autoridades portuguesas mantenham a sua posição…
É um absurdo total. Se alguém me perguntasse a opinião diria o que lhe estou a dizer. Portugal tem todo o interesse em criar uma interacção com os países de língua portuguesa em que o fluxo de pessoas seja sobrevalorizado. Deve haver políticas activas.
Exemplo disso são as universidades, que têm uma política activa de apoio a estudantes angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, são-tomenses… Outro exemplo é constituído pelos advogados. Os advogados angolanos podem inscrever-se e trabalhar em Portugal sem nenhum problema. Pelo menos era assim quando fui bastonário. Há em Portugal bastantes advogados angolanos e há advogados que exercem a sua actividade tanto em Portugal como em Angola. Isso é positivo. É claro que os meus colegas advogados portugueses às vezes reagiam contra esta possibilidade.
O que também é normal, as pessoas têm medo, o medo faz parte da vida.
A tentativa de proteger os mercados é perfeitamente compreensível. Só que o comércio internacional, a troca de mercadorias, a troca de capitais, a troca de pessoas é o que cria o progresso. Os Estados Unidos alcançaram o nível de desenvolvimento que alcançaram porque tiveram uma política muito activa a imigração.
O mesmo se pode dizer em relação ao Brasil. E também em relação a países como a França e a Alemanha.
A xenofobia é contrária à cultura europeia. Sou partidário da liberdade das pessoas se deslocarem para onde querem viver e ser felizes. Sei que é inviável mas, às vezes, as coisas que não são possíveis devem orientarnos. Não é possível 100 mas tentemos dez. Para Portugal é muito importante que haja empresas portuguesas em Angola. Se assim é qual a mensagem que se está a passar a Angola? É um absurdo, é o que se chama um tiro no próprio pé.

Esteve cá a dar um curso na Universidade Agostinho Neto. Qual é a avaliação que faz dos seus alunos angolanos?
Estive a dar um curso de pós-graduação durante uma semana sobre uma área muito especial e muito nova, que é o Direito da Arbitragem. Na minha sala os alunos eram 40 e não tendo nenhum deles qualquer experiência de arbitragem detectei uma enorme vontade de aprender. Em Portugal, às vezes, irrito-me quando dou aulas por os estudantes não darem valor ao curso, estão distraídos, falam para o lado. Aqui há participação. Este curso de pós-graduação demonstra que uma das grandes prioridades de Angola é a formação, sem a qual não há crescimento económico harmónico. Sei que se fizeram esforços enormes nesse sentido.
A advocacia Angola tem muita qualidade
E quanto ao nível de qualificações?
O escritório de que faço parte tem uma parceria com um escritório local com advogados angolanos. A qualidade daqueles rapazes e raparigas, que são doze, muitos dos quais estagiários, é excelente. Dão apoio a processos muito complexos, a assuntos muito sofisticados e estão com uma vontade e com uma energia notáveis. Um dos meus colegas que está na gestão do escritório, o que não é o meu caso, esteve cá e dizia-me que lhe apetecia ficar.
Sinto naqueles rapazes e raparigas uma energia que eu sentia quando nos anos de 1970 Portugal estava numa situação semelhante, estava tudo a começar. Em 1976, quando entrei no meu escritório, este era constituído por três advogados, fui o quarto. Hoje somos 220. Daqui a 20 anos Angola terá seguramente escritórios com 100 e 200 advogados, as necessidades das empresas vão impô-lo. Trata-se de uma oportunidade histórica para os advogados e a advocacia angolana, que tem muita qualidade, já trabalhei com vários advogados angolanos ao longo da minha vida. Vou daqui muito optimista.

Existe um sentimento em Angola de que a vinda de quadros para o país poderá retirar oportunidades aos angolanos. Não se trata de um sentimento incompatível com a sua visão da circulação das pessoas?
Acho essa reacção perfeitamente compreensível. Em primeiro lugar, é perfeitamente compreensível que uma profissão que, como profissão independente tem pouco mais de 10 anos (o primeiro bastonário foi eleito pelos seus pares em 1999, creio) se queira proteger. Assim como compreendo perfeitamente as regras internas da Ordem dos Advogados angolana, que dizem que estrangeiros ou que não se tenham formado em Angola não podem exercer a profissão de forma regular no país. Acho que daqui a 20 anos vai acontecer em Angola o que acontece em Portugal, onde, hoje em dia, qualquer angolano, qualquer moçambicano, qualquer brasileiro se pode instalar sem qualquer problema.
Mesmo que não tenha visto, pode exercer a advocacia. Havia um equívoco: para a pessoa ter o visto tinha de ter meios de rendimento, para ter meios de rendimento tinha de ser advogado.
Era a pescadinha de rabo na boca. Disse: vamos aceitá-los como advogados e depois vão tratar do visto já como advogados. Ora, não vieram milhares de estrangeiros trabalhar para Portugal. Mesmo que haja dificuldades em Angola não deve haver em Portugal.
Porque Angola encontra-se numa fase em que tudo está a começar. Há grandes advogados mas é preciso dar algum apoio aos mais novos. No meu escritório em Lisboa há vários advogados angolanos, que trabalham ao nosso lado em assuntos que podem ser de Direito angolano ou de Direito português. Há uma compreensível protecção do mercado, designadamente dos jovens advogados que estão a iniciar a sua vida. A exportação de advogados funciona mal em todo o lado, o facto de não ser do país não ter estudado a lei é uma limitação. Não vai haver grandes afluxos.
Em segundo lugar, quando houver uma advocacia angolana mais estruturada, mais organizada, mais forte, serão os próprios angolanos que poderão achar interesse em que venham para cá advogados de outros países. Não temos advogados angolanos no escritório só por solidariedade, para nós é bom tê-los lá. Terá de ser a Ordem dos Advogados angolanos a tomar essas decisões. Não tenho que opinar sobre o assunto mas se algum dia a Ordem dos Advogados angolanos autorizasse advogados estrangeiros deveria impor que eles estivessem aqui em parceria com os advogados angolanos.

Angola está num processo de consolidação de um regime democrático em que um dos aspectos fundamentais é sempre a separação de poderes. Qual a percepção que tem desse processo, da separação de poderes, do funcionamento do sistema judicial e das condições de exercício da advocacia.
Não trabalho no mercado angolano e, por outro lado, não estou na gestão do meu escritório, pelo que não posso acompanhar essas questões. Não tenho essa ligação. O meu conhecimento da matéria vem mais de contactos que tenho com colegas angolanos do meu escritório. A advocacia é livre e realço o papel muito importante de Manuel Gonçalves. Foi o primeiro bastonário e criou uma cultura de advocacia angolana livre que se mantém. Não há democracia se não houver uma advocacia livre e uma magistratura independente. O sistema judicial está num processo de melhoria de qualidade, de formação. Tive, há tempos, uma decisão de grande qualidade de um juiz angolano em relação a uma providência cautelar de uma arbitragem em que havia empresas angolanas e de um outro país que não era Portugal. É a única experiência que tenho. Portanto se me perguntar: o sistema judicial angolano já funciona com muita eficiência? Se calhar não funciona, como também o português não funciona, mas há que fazer esforços para melhorar. A qualidade
do ensino universitário é cada melhor, a qualidade da advocacia é cada vez melhor. O sistema judicial está sempre em processo mas a tendência é optimista. Luanda estava pensada para 500 mil pessoas e aqui vivem seis milhões. A pressão é grande, não só sobre a água, a electricidade, também o sistema judicial se ressente disso.

Está a dar um curso sobre arbitragem. Qual a tradição em Angola nesse domínio?
Não há uma grande tradição de arbitragem em Angola. O que é normal.
Em Portugal também é algo muito recente. Ao contrário do que acontece no Brasil, que cresceu imenso, é um dos grandes países da arbitragem a nível mundial. Actualmente só me dedico à arbitragem, particularmente à arbitragem a nível internacional. Angola tem uma lei adequada, que não suscita nenhum problema, embora possa naturalmente melhorar, o Estado está a celebrar muitos contratos de investimento em que submete o litígio à arbitragem e estimo que, nos próximos dez anos, a arbitragem vai aumentar muito em Angola.
Daí que a formação em arbitragem seja fundamental. A arbitragem é muito importante. Primeiro, porque em assuntos muito complicados é irrealista pedir a um juiz que tem dez mil processos que disponha de tempo para tratar de um assunto que envolvem questões técnicas, complexas, de ordem financeira, de técnica de construção, de comércio internacional. Segundo, porque é uma segurança para os investidores. É um tribunal em que cada uma das partes escolhe um árbitro e o árbitro presidente é escolhido por elas ou então pelo tribunal. Foram criados agora dois centros de arbitragem em Angola, em Luanda, e é muito positivo que isso aconteça. Sou da direcção da associação portuguesa de arbitragem e tenho sugerido que os advogados angolanos façam uma associação angolana de arbitragem, como existe no Brasil e em outros países do mundo.
Angola tem uma imprensa muito diversificada

Em Angola há cumprimento dos contratos?
Como disse, sei pouco. Mas nunca me chegou a Portugal uma mensagem do nosso parceiro, o Grupo Legal Angolano, o GLA, dizendo que o Estado não está a cumprir os contratos. E é muito importante que assim seja, porque se houver abusos, expropriações sem indemnizações, se houver incumprimento dos contratos e os tribunais não funcionarem o investimento diminui.
E Angola é, hoje em dia, um país exportador de capitais e vai ter cada vez mais necessidade de protecção jurídica no exterior. Não só na sua zona envolvente, como também em Portugal e noutros países.

É um analista político. Pergunto-lhe se o programa de ajustamento que está a ser seguido em Portugal reúne as condições necessárias e suficientes para retomar o crescimento?
A resposta politicamente correcta é dizer que sim. Neste momento é difícil ter medidas que fortaleçam o crescimento na situação em que se encontra o Estado português. As reformas vão produzir resultados mas demora algum tempo. Agora estamos a emagrecer, a perder gordura, mas podemos morrer da cura, podemos ficar fracos demais.
É preciso ter cuidado com isso, é preciso dar algumas vitaminas. Mas enquanto não pusermos o Estado em condições, enquanto não pusermos o sistema legal e regulatório a funcionar o crescimento vai ser muito difícil. Agora a aposta que o governo está a fazer, e o principal partido de oposição pensa o mesmo, é no cumprimento das regras da troika (as entidades que concederam um empréstimo de emergência a Portugal, abrangendo o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu), pois quem não tem dinheiro não tem vícios e, a seguir, tentar alavancar aí o crescimento. Não sei se vai haver um problema como aconteceu na Grécia, de movimentos de grande violência nas ruas, isso destruiria a possibilidade de crescimento da economia.

O processo de ajustamento não poderá criar algumas injustiças, não se deveria dar mais importância à desigualdade?
Claro que sim. E está-se a dar. A minha factura fiscal, e eu considerome um privilegiado, aumentou em menos de dois anos 25%, isto fora o IVA (imposto de transacções) e todas as deduções que podia fazer desapareceram. Houve uma punção do rendimento. Passei a pagar mais de 50% sobre o que ganho. A carga fiscal aumentou brutalmente. O que não significa que não haja grandes injustiças mas para as resolver é preciso reforçar o poder das classes médias.

Mas este processo não vai sacrificar as classes médias?
Inevitavelmente. Cometemos muitos erros durante 20 anos, o governo, os empresários, os cidadãos, os sindicatos, os professores…

Diz-me que é preciso ter cuidado com a cura. É visto como um pessimista. Qual o seu prognóstico?
Prognósticos, como disse o outro, só no fim do jogo…Sou um optimista preocupado, não sou um pessimista, senão não tinha feito o que fiz na vida. E estou preocupado. Andei a pregar no deserto anos a fio. Aceitei voltar a escrever nos jornais em 2006 e andei a escrever durante três anos com grande sacrifício alertando para a situação e que iria acabar mal. Avisei, como outros avisaram, para o que era óbvio. Mas os portugueses quando são colocados perante um desafio muito difícil ganham energia, sinto que o país está a reagir.

Que vitaminas introduziria?
O Estado devia tomar uma posição muito forte no plano da reestruturação do tecido empresarial português. E não o está a fazer. Nem os bancos. Tem de haver fusões.

E como é que isso poderia ser feito?
Criando algum capital de risco em empresas, obrigando-as antes a fundir-se, obrigando a que se criem empresas com alguma dimensão, no sector da construção, no turismo, na hotelaria… nos sectores que mais precisam.

O governo português deveria reduzir mais a factura fiscal, deveria ter reduzido nomeadamente a taxa social única (encargos que incidem sobre o trabalho) como pretendia o FMI?
Nesta altura não é possível fazê-lo.
Mas defendi isso anos a fio, e vão ter de fazê-lo. A fiscalidade portuguesa é perversa, há que mudá-la. Tem de deixar de haver tantos impostos sobre o trabalho e mais sobre o consumo.

Também faz parte do seu percurso de vida uma participação activa na actividade jornalista, é um homem ligado à imprensa. Leu seguramente os jornais. Como vê o panorama da comunicação social angolana?
Não foi uma surpresa. A Portugal chegam jornais angolanos. É uma imprensa muito diversificada, pluralista, realço o seu jornal e faço-o não para ser simpático mas porque me parece um projecto de jornalismo independente e esse é o caminho. Já em 2002 era assim. O que, na altura, isso sim, me surpreendeu.
Vi jornais a criticarem o governo.
Seguramente que ainda há um grande processo a percorrer.

Do ponto de vista do pluralismo ou no plano técnico?
Sobretudo do ponto de vista da formação profissional e técnica.
Porque a sociedade que integra, a PLMJ, lançou uma fundação cultural? É uma actividade de responsabilidade social. Começou em Portugal, apoiando jovens artistas. Depois quando começámos a apostar nas parcerias em países de língua portuguesa procurando dar uma grande força a jovens artistas de outros países. Fizemos uma exposição em Nova Iorque de jovens artistas angolanos. E agora foi criado um prémio que vai distinguir um jovem artista do espaço lusófono que não seja de Portugal. Portugal precisa de menos apoio e queremos apoiar artistas que estão a arrancar em mercados menos maduros.

Luís faria 
 
fonte: OPAIS.NET


Empresa norte-americana Cobalt é investigada por tráfico de influência em Angola.

NO BALUR I STA NA NO KUNCIMENTI, PA KILA, NO BALURIZA KUNCIMENTI!...

Manuel Vicente é ex-presidente do conselho de administração da petrolífera estatal angolana Sonangol

Angola

A Cobalt International Energy está a ser investigada pelas autoridades dos EUA por alegado envolvimento em casos de tráfico de influência no setor petrolífero. Manuel Vicente (foto) terá tido participação questionável.
A empresa norte-americana obteve licença para exploração de dois blocos petrolíferos sem concurso público, o que viola a legislação angolana.
Na base das investigações, está a participação considerada pouco transparente do atual ministro da economia de Angola e ex-presidente do conselho de administração da petrolífera Sonangol, Manuel Domingos Vicente, além do ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, General Hélder Manuel Vieira Dias Júnior "Kopelipa" e do ex-chefe das Comunicações da Presidência da República, General Leopoldino Fragoso do Nascimento.
Em entrevista à DW África, o ativista angolano Rafael Marques explica como a Cobalt obteve licença para explorar o Bloco 9 e o Bloco 21 sem passar pelos trâmites previstos por lei.
DW África: A concessão de blocos de petróleo em Angola tem sido feita através de concursos públicos. Porquê o caso da Cobalt foi diferente?

Rafael Marques - angolanischer Journalist, Blogger und Menschenrechtler 

Ort: Luanda, Angola 

Beschreibung: Der angolanische Journalist, Blogger und Menschenrechtler Rafael Marques. Er betreibt den Blog Maka Angola und hat zahlreiche Studien zu Menschenrechtsverletzungen in Angola veröffentlicht, unter andere zum Abbau von Diamanten in den Lundas im Ost-Angola (Buch "Diamantes de Sangue"). Sein Blog Maka Angola ist für den Preis Reporter ohne Grenzen der "The BOBs" 2012 nominiert. 
Fotograf: Maka Angola 

Eingereicht von Johannes Beck am 10.4.2012

Maka Angola ist die Webseite von Rafael Marques und die haben uns das Bild zur Verfügung gestellt, insofern sollte als Bildquelle die Seite "Maka Angola" angegeben werden
Foto: Elin Høyland 
 Rafael Marques
Rafael Marques: Isso aconteceu porque a Cobalt destinou 30% das ações para a Nazaki na formação do consórcio para exploração do bloco. A Nasaki é uma empresa privada angolana que pertence ao antigo diretor geral da Sonangol, [Domingos] Manuel Vicente, ao General Kopelipa e ao General Leopoldino Fragoso, que na altura era o chefe de Comunicações da Presidência da República.
E isso configura crime de corrupção ativa por parte da Cobalt. Porque, para facilitar o negócio, deu percentagem a dirigentes angolanos que tinham envolvimento direto no negócio, como é o caso do Manuel Vicente, que assinou o contrato pela Sonangol. E também do general Kopelipa, que é a pessoa mais influente junto do presidente. E todas as concessões petrolíferas tem de ser promulgadas pelo presidente da República.

DW África: Citou o facto de a Cobalt ter conseguido a permissão para explorar blocos petrolíferos sem concurso público. Esse tipo de decisão também contribuiu para a falta de transparência em questões relacionadas com a gestão dos bens do Estado angolano?
RM: Contribuiu, sim. É uma forma clara de corrupção, de acordo com a legislação angolana, que proíbe esse tipo de negociatas. Tem legislação bastante clara sobre isso.
Por outro lado, Manuel Vicente e Kopelipa, ao afirmarem ser os donos da Aquattro, que é a empresa que detinha 96% da Nasaki, apresentam uma justificação muito curiosa, de que tinham todo o direito de o fazer porque não eram gestores, eram apenas sócios. Mas a lei angolana também é bastante clara: proíbe que os dirigentes tenham participação em negócios com o Estado.
DW África: Quer dizer que tanto Angola como os Estados Unidos estão em apuros, já que o problema maior da Cobalt atualmente é o conflito com a lei norte-americana anti-corrupção, que considera crime oferecer ou pagar qualquer valor a funcionários estrangeiros para negócios lucrativos...
RM: Certamente será interessante saber como a Cobalt responderá perante a Justiça por esta violação da legislação americana – já que é por isso que está a ser formalmente investigada. Sobretudo agora, que tanto Manuel Vicente como o General Kopelipa anunciaram publicamente serem os detentores da empresa Aquattro, que é a dona da Nasaki.
DW África: Numa entrevista ao jornal norte-americano Financial Times, Manuel Vicente e o General Kopelipa disseram que, caso as operações da Cobalt em Angola não sejam mais possíveis por causa do incumprimento da lei norte-americana, haverá certamente entidades estrangeiras para lhe substituir. Pode comentar essa situação?
RM: Isso mostra o nível da arrogância e da falta de respeito que o General Kopelipa e Domingos Manuel Vicente têm. Para com a legislação angolana, para com a legislação norte-americana e para com a própria sociedade que dizem representar. Isso é gravíssimo.
DW África: A Cobalt está a ser investigada pelas autoridades norte-americanas, mas sua queixa foi feita em Angola à Procuradoria Geral da República. Como é que está o processo?
RM: Eu apresentei queixa e já se passaram os 60 dias que a Procuradoria Geral da República tinha para me notificar sobre o andamento. Ainda não fui notificado e gostaria de saber o que se está a passar com este caso. Porque é importante como cidadão angolano, e até de forma pedagógica, criar uma cultura de litígio, de utilização da legislação angolana para combater a corrupção dentro do nosso próprio país.
Entrevista: Carla Fernandes
Edição: Francis França/António Rocha

fonte: DW

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Guiné-Bissau: Ramos-Horta aceita convite para mediar crise no país.

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Ramos Horta - MANUEL DE ALMEIDA / LUSA
O Comando Militar na Guiné-Bissau telefonou ao Presidente de Timor-Leste a pedir-lhe para mediar a crise no país. A informação foi avançada esta segunda-feira em Díli aos jornalistas por José Ramos-Horta, que disse ter aceitado o convite.

O Chefe de Estado timorense, que se encontra em fim de mandato, ofereceu-se no sábado para mediar, no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a crise na Guiné-Bissau, escreve a Lusa.

Também esta segunda-feira representantes dos partidos políticos da oposição na Guiné-Bissau vão reunir-se na capital guineense, pelo terceiro dia consecutivo, com o objetivo de aprovar uma «Carta de Transição» para o país, no seguimento do golpe de militar de quinta-feira.

Na reunião de domingo, segundo admitiu o porta-voz dos partidos, Fernando Vaz, foi aprovada, por 16 votos contra sete, uma solução «não constitucional», que prevê a demissão do presidente interino, do governo e a dissolução do parlamento, sendo o poder entregue ao Conselho Nacional de Transição (CNT).

Na «Carta de Transição» ficará definido o número de pessoas que o CNT terá e a duração do período de transição, até à realização de eleições. Ao CNT competirá escolher um presidente e um primeiro-ministro de transição.

Um golpe militar na Guiné-Bissau depôs na quinta-feira o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que se encontram em parte incerta desde então.



fonte: TVI24



CPLP: Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau.

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O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Lisboa, no dia 14 de Abril de 2012, na sua VIII Reunião Extraordinária, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de 12 de Abril de 2012;

Recordando que o primado da paz, da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da justiça social são princípios fundadores da CPLP;

Tendo tomado conhecimento, com consternação, do golpe militar perpetrado na Guiné-Bissau, em flagrante violação daqueles princípios fundamentais;

Tendo em consideração a circunstância agravante do golpe militar ter ocorrido na véspera do início da campanha eleitoral para a 2ª volta que levaria à escolha do Presidente da República, num processo eleitoral cuja transparência foi reconhecida pelas instâncias nacionais e internacionais;

Tendo ouvido a exposição detalhada e informada do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades da República da Guiné-Bissau sobre a situação no país;

DECIDE:

1. Condenar, com veemência, todas as ações de subversão ocorridas na Guiné-Bissau, exigindo a imediata reposição da ordem constitucional, da legalidade democrática e a conclusão do processo eleitoral;

2. Instar todos os implicados a cessarem de imediato os atos violentos e ilegais, que são objeto de condenação por parte de toda a comunidade internacional;

3. Exigir o estrito respeito e a preservação da integridade física de todos os titulares de cargos públicos e demais cidadãos que se encontram sob custódia dos militares sublevados, assim como a sua libertação imediata e incondicional, sublinhando que qualquer ato de violência será considerado intolerável e acarretará graves consequências para os seus perpetradores, implicando a responsabilização dos envolvidos, no plano do direito penal internacional;

4. Afirmar, perante o povo guineense e a comunidade internacional que as únicas autoridades reconhecidas pela CPLP na Guiné-Bissau são as que resultam do exercício do voto popular, da legalidade institucional e dos imperativos da Constituição, repudiando quaisquer atos de entidades que possam vir a ser anunciadas na sequência do golpe militar;

5. Apoiar o importante papel desempenhado pela MISSANG, no quadro do acordo celebrado, em prol da estabilização, pacificação e reforma do setor de defesa e segurança da Guiné-Bissau, reconhecido pela sociedade civil e pelas autoridades legítimas guineenses, bem como pela comunidade internacional;

6. Manter uma estreita articulação com os Estados da Sub-Região da África Ocidental e com os seus parceiros regionais e internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia, com vista ao estabelecimento de uma parceria efetiva que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura da Guiné-Bissau;

7. Tomar a iniciativa de, no quadro das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia, tendo em conta a experiência da MISSANG no terreno, constituir uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando:

a. A defesa da paz e da segurança;
b. A garantia da ordem constitucional;
c. A proteção das instituições, das autoridades legítimas e das populações;
d. A conclusão do processo eleitoral;
e. A concretização da reforma do setor de defesa e segurança.

8. Advertir todos os implicados na alteração da ordem constitucional na Guiné-Bissau, civis e militares, de que a persistência na ilegalidade conduzirá a que os Estados membros da CPLP proponham a aplicação de sanções individualizadas por parte das organizações internacionais e regionais pertinentes, nomeadamente:
 
a. proibição de viagens;
b. congelamento de ativos;
c. responsabilização criminal.

9. Reafirmar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, enquanto condição para o estabelecimento da paz e estabilidade duradoura no País;

10. Reiterar que somente o pleno respeito pela ordem constitucional, pelo Estado de Direito, pelas autoridades democraticamente constituídas e pelo processo eleitoral em curso, garantirá que o povo guineense – a principal vítima da presente situação – alcance a paz e o desenvolvimento;
 
11. Aprovar um “plano de ação imediata” visando a concretização das decisões enunciadas na presente resolução.

Fonte: CPLP

Guiné-Bissau: militares e ex-oposição criam conselho de transição.

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Os militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau na última quinta-feira e 
líderes da ex-oposição decidiram neste domingo "dissolver todas as 
instituições" e criar um "Conselho Nacional de Transição", anunciou Fernando 
Vaz, porta-voz dos partidos políticos. Na semana passada, foram presos o 
presidente interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes 
Junior, candidato favorito para o segundo turno da eleição presidencial prevista 
para o dia 29 de abril. A composição do Conselho Nacional de Transição, o 
número de pessoas que farão parte e a duração de seu mandato serão 
decididos em uma nova reunião que será realizada na segunda-feira pelos 
partidos políticos. Estes apresentarão depois suas propostas aos golpistas, 
disse Vaz.Ontem, o principal partido da Guiné-Bissau, o PAIGC, havia rejeitado 
uma proposta dos chefes militares para a formação de um governo de 
transição. Além disso, a legenda, que tem dois terços dos assentos no 
Parlamento do país, chegou a pedir a soltura de Gomes Júnior. De acordo com 
o comando militar que tomou o poder, o chefe do Estado-Maior do Exército, o 
general Antonio Indjai, também foi detido. Além de ter efetuar as detenções, 
as forças armadas também controlam a capital. Na sexta-feira, os países 
membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram o golpe e  exigiram o 
retorno do governo civil. Segundo a embaixadora americana nas Nações Unidas  
Susan Rice, os 15 países do Conselho de Segurança "condenaram a ação militar 
e exigiram o restabelecimento imediato das autoridades civis".

Com informações das agências Reuters e AFP

domingo, 15 de abril de 2012

Comunidade internacional condena os recentes acontecimentos político-militares na Guiné-Bissau.

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Guiné-Bissau

Na quinta-feira, um grupo de militares guineenses atacou a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial e ocupou vários pontos estratégicos da capital. Ação que já suscitou diversas reações internacionais.
A ação foi justificada, em comunicado, por um autodenominado Comando Militar, cuja composição se desconhece, como um ato de defesa das Forças Armadas perante uma alegada agressão de militares angolanos, que teria sido autorizada por Carlos Gomes Júnior e pelo chefes de Estado interino, Raimundo Pereira.
União Africana
A União Africana (UA) condenou "veementemente" os recentes acontecimentos político-militares na Guiné-Bissau e avisou que não tolerará tomadas de poder pela força.

 
 Jean Ping, presidente da comissão da UA, lamentou os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau
Em comunicado emitido a partir da sede da organização, em Addis Abeba, o presidente da comissão da UA, Jean Ping, afirmou que o bloco continental "não aceitará nenhuma tomada de poder anticonstitucional e nenhuma intenção de prejudicar o processo democrático na Guiné-Bissau”.

Apelando aos militares guineenses que honrem "o seu compromisso de prestar serviço sob a autoridade das instituições constitucionalmente estabelecidas", a UA lamenta ainda que "estes acontecimentos ocorram mesmo antes do início da campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais", marcada para 29 de abril.
CEDEAO
Antes, uma outra organização africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), tinha condenado o que classificou como "tentativa de golpe de Estado" na Guiné-Bissau.
“A CEDEAO condena com toda força uma tal tentativa”, declarou em Abidjan, capital da Costa do Marfim (país que preside atualmente a CEDEAO) Daniel Duncan, ministro marfinense dos Negócios Estrangeiros.
Cabo Verde
O governo da Cidade da Praia apelou para o "bom senso" dos "intervenientes" na Guiné Bissau e expressou "preocupação" face aos acontecimentos de quinta-feira à noite em Bissau.


 
 O governo cabo-verdiano, liderado por José Maria Neves, está a acompanhar a situação na Guiné-Bissau com preocupação
Num comunicado, o executivo de José Maria Neves reitera que tem "acompanhado com preocupação" as informações e apela ao bom senso para que vidas humanas sejam preservadas.
Cabo Verde apelou ainda para o "retorno ao normal funcionamento das instituições legalmente constituídas, como garantia da estabilidade política nacional".
Portugal
Também o que se passa na Guiné-Bissau foi descrito como um "golpe de Estado" pelo Presidente da República português. Cavaco Silva e o governo já exortaram os autores do "golpe militar" no sentido da libertação dos políticos detidos.

O Presidente Cavaco Silva, ao condenar “o golpe de Estado na Guiné-Bissau na noite passada", apelou a uma posição "firme e determinada" da comunidade internacional.
O Presidente português disse ainda que cabe à comunidade internacional, ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), à União Africana (UA), à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tomarem as "medidas necessárias para o restabelecimento da ordem constitucional e para a criação das condições necessárias para que a segunda volta das eleições presidenciais tenha lugar, como está marcado, no próximo dia 29".

 
 Cavaco Silva, Presidente de Portugal, apelou à lidertação dos detidos no golpe militar guineense
Por seu turno, num comunicado, o ministério português dos Negócios Estrangeiros "rejeita todo e qualquer ato de violência e insta os autores do golpe militar a respeitar a integridade física das autoridades democráticas guineenses e a proceder à libertação dos que estão detidos", refere o documento, sublinhado que "qualquer sinal contrário a estes princípios, que integram também o direito humanitário internacional, será totalmente inaceitável para a comunidade internacional".
De acordo com o mesmo comunicado, Portugal vai defender uma posição firme junto da CPLP e vai promover a "atenção" do Conselho de Segurança da ONU sobre os acontecimentos que se registam na Guiné Bissau.
A Assembleia da República Portuguesa aprovou, esta sexta feira (13.04), por unanimidade um voto de condenação de "um novo golpe militar" na Guiné-Bissau, apelando a que seja "preservada a integridade física" dos responsáveis políticos guineenses e à reposição da "normalidade constitucional".

O Parlamento português sublinha ainda que espera "que a CPLP tome também uma posição rápida para contribuir para a reposição da normalidade constitucional", lembrando que a CEDEAO e o governo português já condenaram o ocorrido na Guiné-Bissau.
Joaquim Chissano
O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano exortou, esta sexta feira, a comunidade internacional para prestar uma assistência permanente de longo prazo à Guiné-Bissau visando ajudar o país a "autoeducar-se na cultura da paz e da democracia".

 
 Segundo o ex-Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, a Guiné-Bissau precisa de "autoeducar-se na cultura da paz"
Chissano lamentou, por outro lado, o recurso sistemático à violência para a resolução de diferendos, advogando a articulação da comunidade internacional na pacificação do país. Segundo Joaquim Chissano, “é preciso muito bom trabalho de mobilização para a promoção do relacionamento entre as forças armadas e o poder civil e isso vai pedir uma assistência internacional mais permanente, de longo termo, para que os guineenses se possam educar na cultura da paz e da democracia", enfatizou o ex-estadista moçambicano.
Joaquim Chissano apontou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Comunidade de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEA) e as Nações Unidas como entidades cruciais na estabilização da Guiné-Bissau.
EUA
Os Estados Unidos da América, através da embaixada em Dacar, no Senegal, reclamaram esta sexta-feira a reposição da "liderança legítima do poder civil" na Guiné-Bissau na sequência da intervenção militar de quinta-feira à noite. "Exortamos todas as partes a depôr as armas e a restaurar a liderança legítima do poder civil", apelou, em comunicado, a embaixada norte-americana no Senegal, que cobre também a Guiné-Bissau.
“É lamentável que os elementos do exército guineense tenham escolhido comprometer o processo democrático na Guiné-Bissau", criticou a embaixada, em texto citado pela agência noticiosa francesa AFP.
Autor: António Rocha (com a LUSA / AFP / EFE )
Edição: Glória Sousa
fonte: DW

Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira estão bem, dizem militares.

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Guiné-Bissau

A história repete-se. As movimentações militares da noite de quinta-feira (12.04) não foram inesperadas. O Presidente interino e o primeiro-ministro cessante estão detidos mas encontram-se bem.
O corresponde da Lusa em Bissau, Fernando Peixeiro, faz um pequeno filme dos acontecimentos: „A noite foi um pouco confusa, ao início da noite os militares saíram para as ruas, fecharam algumas ruas. Entre as 20 e as 21 horas ouviram-se tiros de metralhadora e de armas pesada. A zona onde residia o primeiro-ministro e o Presidente da República interino  esteve interditada. Havia pessoas em fuga, muita gente a tentar fugir do centro de Bissau”.
Ao início da noite de quinta-feira, em Bissau, as Forças Armadas ocuparam as instalações da Rádio Nacional e a sede do partido no poder, o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).
Várias rádios foram silenciadas e também a TGB, Televisão da Guiné-Bissau.  Em simultâneo  os militares guineenses detiveram o Presidente interino, Raimundo Pereira, e atacaram com armamento pesado a casa do primeiro-ministro cessante Carlos Gomes Júnior.

 
 Raimundo Pereira, presidente interino da Guiné-Bissau, encontra-se detido pelos militares
Segundo a agência Lusa, o porta-voz das Forças Armadas da Guiné-Bissau garantiu, ao final do dia desta sexta-feira, aos jornalistas na capital guineense que os dois políticos “estão bem”.
Motivações étnicas?
Há muito que os analistas previam um novo golpe de Estado na Guiné-Bissau, ou pelo menos o afastamento pelos militares de Carlos Gomes Júnior.
Embora se desconheça quem esteja por detrás dos militares em rebelião há contudo duas figuras possíveis que se cruzam na análise: uma é o ex-presidente Kumba Ialá outra o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, António Indjai.

 
 Golpe militar na Guiné-Bissau era esperado
Alix Pierre professor de jornalismo em Bissau pensa que “por detrás de tudo isto poderá estar um laço étnico entre os militares e Kumba Ialá. A etnia Balanta é maioritária e tudo o que se passa está relacionado com a etnia Balanta no poder. Mas eu não posso confirmar que Kumba Ialá esteja por detrás de tudo isto porque os militares  no comunicado não disseram nada de concreto”, afirma.
Recorde-se que horas antes das movimentações militares, Kumba Ialá disse recusar-se disputar a segunda volta por considerar que a primeira foi fraudulenta. Em conferência de imprensa o líder do PRS disse que nos próximos 15 dias iria "formar e reforçar" as estruturas de base do seu partido que "vai estar no terreno para ver quem avança para a campanha".
Questionado sobre se essa posição era uma ameaça afirmou: "nós já dissemos que não haverá campanha para ninguém, já afirmamos e repetimos várias vezes que não haverá campanha a nível nacional. Caso vier alguém a fazer campanha a responsabilidade será desse alguém e as consequências serão dessa pessoa, porque eles sabem que não há condições para que alguém faça campanha".

Uma paz há muito podre
Também o general Indjai, crítico da presença  da missão angolana na Guiné-Bissau, Missang, apoiada pelo primeiro-ministro, poderá estar por detrás deste golpe.


 
 É desconhecido ainda o paradeiro de Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro cessante guineense e candidato presidencial
Num comunicado divulgado esta sexta-feira, o autointitulado Comando Militar diz que “não ambiciona o poder”, mas alega ter sido forçado a agir para defender as Forças Armadas guineenses de uma suposta agressão que seria conduzida pelas Forças Armadas de Angola no âmbito da União Africana.
“Cadogo”, como é conhecido o primeiro-ministro cessante e candidato presidencial e o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, António Indjai, viviam uma “paz podre” desde o golpe militar de abril de 2010.
Nesta altura o general Indjai ameaçou de morte Gomes Júnior. Também não agradaria a Indjai a influência e o prestígio que Carlos Gomes Júnior goza junto de Angola e da comunidade internacional e o empenho deste em travar o poder dos militares que, há décadas, mantém o Estado guineense como refém. Para já instalou um vácuo de poder na Guiné-Bissau e o país faz jus a sua triste fama de ser um Estado muito perto de falhado.

Autora: Helena Ferro de Gouveia
Edição: Glória Sousa / António Rocha

fonte: DW

sábado, 14 de abril de 2012

António Aly Silva libertado na Guiné-Bissau.

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COMENTÁRIO MAIS VOTADO
"Nossa!! Esse jornalista é bem gatinho!!"
Anónimo
Hoje, 0h32m
Jornalista foi agredido aquando da detenção pelos militares

António Aly Silva libertado na Guiné-Bissau

O jornalista guineense Aly Silva, que fora detido esta sexta-feira pelos militares que protagonizaram o golpe de estado na Guiné-Bissau, foi libertado durante a tarde e disse à Lusa que esteve detido algumas horas e que não foi maltratado, embora tenha sido agredido aquando da detenção.

Aly Silva acrescentou que lhe foi retirado o computador, mas com a promessa de que será devolvido no sábado. O jornalista disse ainda que, com ele, foram libertadas outras pessoas, nomeadamente alguns guarda-costas do primeiro-ministro detido, Carlos Gomes Júnior, e a cantora Dulce Neves, que tinha sido detida esta sexta-feira.
Aly Silva acrescentou que lhe foi retirado o computador, mas com a promessa de que será devolvido no sábado. O jornalista disse ainda que, com ele, foram libertadas outras pessoas, nomeadamente alguns guarda-costas do primeiro-ministro detido, Carlos Gomes Júnior, e a cantora Dulce Neves, que tinha sido detida esta sexta-feira. 
A detenção de António Aly Silva foi preso na manhã desta sexta-feira por militares em Bissau, capital da Guiné, pouco depois de ter deixado um texto com o título "Apelo dramático à comunidade internacional". 
Tinha sido entretanto criada uma página no Facebook com o título "Onde está o jornalista António Aly Silva?".
Leia o texto do jornalista guineense, que já trabalhou em várias publicações portugueses, como o extinto semanário 'O Independente', no blogue Ditadura do Consenso, pouco antes de ser detido por militares:
"Mais de um milhão de guineenses estão reféns de militares... guineenses. Temos sido sacudidos e violentados, usurpam e tolhem-nos os nossos direitos, até o mais básico. Até quando mais a comunidade internacional vai tolerar que gente medíocre - alguma classe política, e militar faça refém todo um povo? A história endossará uma boa parte da responsabilidade à comunidade internacional.
Ajudem o povo da Guiné-Bissau; não os abandonem, agora, mais do que nunca. Tiveram todos os sinais de que uma insurreição era possível, ainda que desnecessária. Nada justifica o levantar das armas, é intolerável o disparo de armas pesadas numa cidade com mais de quatrocentas mil pessoas. É criminoso, acima de tudo. Tiveram tudo para estancar a hemorragia e a orgia de violência. Sabem há muito que este é um país que nasceu, cresceu e vive sob laivos de militarismo.
Agora, tudo está calmo. Não há tiros, nem feridos nas urgências e menos ainda corpos na morgue resultado de mais uma brutalidade da canalha. Não se sabe quem morreu - espero e desejo que ninguém tenha sido morto. Um país é o último, e único, refúgio seguro para o seu povo. Foi traumatizante ver mulheres e crianças a chorar; é triste ver homens e jovens a fugir de homens e jovens como eles. É desolador. Estou abatido, e, sobretudo cansado. Não tenho sequer forças para gritar.
Olho e registo tudo. Depois escrevo, na certeza de que alguém me vai ler e comungar dos mesmos sentimentos. O meu blogue, hoje, foi já acessado por mais de 50 mil pessoas. Ficará para a estatística. Teria preferido uma visita por dia, a ter de suportar cem mil pares de olhos tristes e enevoados: estão a matar-nos, estão a destruir as famílias, a tornar as crianças violentas.
O pior da Guiné-Bissau, meus caros...é o guineense!
Um abraço a todos,
António Aly Silva"

fonte: correiodamanha.pt

Imigrantes acompanham "com vergonha" situação no País.

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Imigrantes acompanham "com vergonha" situação no País
Fotografia © Vitor Rios/Global Imagens
 
A comunidade da Guiné-Bissau residente em Portugal está a acompanhar com "bastante preocupação" a situação na Guiné-Bissau. "Com muita vergonha", sublinham.
"Não é só preocupação é, também, muita vergonha do que se está a passar na Guiné-Bissau. Os militares não se devem meter na política, devem ficar nos quartéis, o primeiro-ministro estava a fazer um bom trabalho. Toda a comunidade fala de nós e pelas más razões", critica o imã Faty Fatijam.
Fatijan é o responsável pela mesquita da Comunidade Islâmica da Tapada das Mercês e Mem Martins, onde ontem se orou pela paz não só para a Guiné-Bissau como para os países envolventes em conflito. "A mesquita estava cheia", diz.
O imã da Tapada das Mercês tem estado em permanente contacto com a a mulher e os cinco filhos vivem mesmo no centro da capital guineense. "Está tudo calmo, mas não sabemos o que poderá acontecer. Vim de lá há quatro meses e a situação era estável". Tem 57 anos, dos quais 22 vividos em Portugal.
"Desde as oito horas da noite de ontem que não meti a minha cabeça na cama, a chorar. Tenho lá família. Estou sobretudo contra os militares". É a revolta de Badmba Sama, 50 anos, que vive em Portugal com a mulher e os dois filhos, mas tem os pais e irmãos na Guiné-Bissau.

fonte: DN.PT

Gomes Júnior e Raimundo Pereira presos em Mansoa.

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Gomes Júnior à entrada do Parlamento guineense, em 2009
Gomes Júnior à entrada do Parlamento guineense, em 2009 Fotografia © Luc Gnago-Reuters.
 
Golpistas querem Governo de "unidade nacional". Em Bissau, teme-se pela vida do ex-primeiro-ministro e candidato presidencial do PAIGC.
Os militares golpistas voltaram a transferir de prisão Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira, que estão agora no quartel de Mansoa, soube o DN junto de fontes em Bissau.
É neste quartel que se encontra também sob detenção desde dezembro de 2011 o almirante Bubo Na Tchuto, por suspeita de envolvimento numa tentativa de golpe de Estado.
Na capital guineense corre também a notícia da detenção do até agora chefe de estado-maior das forças armadas, general António Indjai, que teria sido afastado pelos golpistas, aparentemente liderados pelo número dois de Indjai, o general Mamadu Turé Kuruma.
Fontes próximas de Gomes Júnior referiram ao DN temer pela vida do ex-primeiro-ministro, principalmente porque este sofre de diabetes e, até há poucas horas, os militares estariam impedir a entrega dos medicamentos necessários a estas situações. Por outro lado, atendendo aos mais recentes desenvolvimentos internos, temem que os golpistas estejam dispostos "a algo mais desagradável" para tornarem irreversíveis as consequências da sua atuação.
Os dirigentes do golpe estiveram reunidos esta manhã com representantes de partidos da oposição ao Governo, dirigido pela PAIGC. O objetivo é a formação de um Governo de unidade, em que os militares ficariam com as pastas da Defesa e do Interior, escreve a AFP a partir de Bissau.
A presença do PAIGC nesse Governo estaria afastada, a não ser que uma alguma das figuras da oposição interna a Gomes Júnior aceitasse esse envolvimento.
Nos motivos do golpe, apesar da constante referência a um "acordo secreto" entre o Governo do PAIGC e Angola, com a finalidade de "eliminar as forças armadas guineenses por uma força estrangeira", o verdadeiro objetivo parece ser o de torpedear, de forma irreversível, o processo da segunda volta das presidenciais no país, em que Gomes Júnior surgia como claro favorito.
O segundo candidato mais votado, Kumba Ialá, anunciara após a divulgação dos resultados a intenção de não participar na votação previsto para 29 de abril. No dia anterior ao golpe, apelara ao boicote e lançara ameaças sobre quem fizesse campanha.

fonte: dn.pt

CPLP reunida para debater golpe de Estado na Guiné-Bissau.

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A fronteira com o Senegal foi encerrada após o golpe  
 
A fronteira com o Senegal foi encerrada após o golpe (Julien Tack/AFP).
Com a situação na Guiné-Bissau ainda mergulhada na incerteza, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúne-se hoje em Lisboa para discutir uma reacção ao golpe de Estado de quinta-feira à noite.
O secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, adiantou à Lusa que o principal objectivo do encontro será “o de continuar a persuadir todas as estruturas, no sentido da preservação da segurança e da integridade física das pessoas que estão sob custódia” – nomeadamente o primeiro-ministro e candidato à presidência, Carlos Gomes Júnior, e do chefe de Estado interino, Raimundo Pereira. Será igualmente prioritário criar “canais de comunicação para permitir a procura de uma solução negociada para a crise”.

Na Guiné-Bissau foi entretanto já esta manhã sinalizado que os líderes da oposição deverão discutir no Parlamento a criação de um governo de “unidade”, como proposto pelos militares que, após o golpe, exigiram assumir as pastas ministeriais da Defesa e do Interior. Esse governo não deverá ter representantes do PAIGC (partido pelo qual Carlos Gomes Júnior se candidatava às presidenciais e nas quais era dado como favorito para a segunda volta de 29 de Abril próximo), é avançado pela agência noticiosa francesa AFP.

Na véspera, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, defendeu que a CPLP deve adoptar uma postura firme face à intentona militar, a fim de garantir um “triunfo da legalidade”. “Não podemos condescender com um golpe militar que acontece a meio de um processo de eleição do Presidente da República”.

No terreno, a situação permanece calma mas confusa. Depois do recolher obrigatório imposto durante a noite pelo autodenominado “comando militar”, a manhã começou sem incidentes em Bissau: o comércio abriu e é pouco visível a presença de militares nas ruas, adiantam várias fontes. Correspondente daquela agência testemunhava que a vida “retomou o ritmo normal” esta manhã nos bairros populares do centro de Bissau, com “os militares pouco visíveis, com excepção dos edifícios públicos e na sede do partido no poder até à data do golpe”.

Num comunicado divulgado ontem à noite, os golpistas confirmaram ter detido o Presidente interino, o primeiro-ministro e vários membros do seu governo, bem como o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai. Na nota, assinada pelo “Estado Maior General das Forças Armadas”, os militares repudiam “qualquer ação que possa pôr em causa a instauração da ordem e tranquilidade” e referem que todas as estações de rádio privadas vão continuar encerradas.

O golpe de Estado coincidiu com a data prevista para o início da campanha para a segunda volta das presidenciais, mas os golpistas justificam a acção com um “acordo secreto” entre as autoridades nacionais e o Governo de Angola “para aniquilar as forças armadas da Guiné-Bissau”. No documento, os militares referiram não ter “qualquer ambição de poder”, e justificaram o golpe com a missão militar angolana (Missang) que está na Guiné-Bissau desde 2011 com um mandato de capacitação, e que inclui a reforma das forças armadas.

Mais tarde, os golpistas reuniram com partidos da oposição e propuseram a criação de um governo de unidade nacional, adiantaram à AFP membros das formações políticas que participaram na reunião. "Os militares pediram-nos para reflectir sobre um governo de união nacional e a sua composição, mas exigem os cargos de ministro da Defesa e do Interior", disse um dos responsáveis políticos que pediu anonimato.

fonte: publico.pt

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Acompanhe aqui a situação crítica na Guiné-Bissau.

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Brasil expressa grave preocupação com crise em Guiné-Bissau.

O governo brasileiro manifestou nesta quinta-feira a grave preocupação com os incidentes violentos ocorridos na capital da Guiné-Bissau. Em nota, o Brasil informou que será representado em reunião emergencial convocada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que será realizada nesta-sexta-feira, em Lisboa.
O documento expressou também que a representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas está em coordenação com os Embaixadores dos países da CPLP, em Nova York, com o objetivo de solicitar o exame da situação em Bissau pelo Conselho de Segurança da ONU.
Nesta quinta, militares que tentavam dar um golpe de Estado prenderam vários políticos e tomaram o controle da rádio nacional, enquanto outros soldados mobilizaram-se nas ruas da capital, onde foram escutados disparos de foguetes. Os militares também atacaram a residência do premiê em fim de mandato, Carlos Gomes Junior, que venceu o primeiro turno das eleições presidenciais no país. O paradeiro do político ainda é desconhecido.

Após ataque, candidato presidencial da Guiné-Bissau desaparece.

Carlos Gómez Júnior, vencedor no 1º turno das eleições presidenciais, desapareceu após ataque militar a sua casa
Foto: AFP

O paradeiro de Carlos Gómez Júnior, candidato vencedor no primeiro turno das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, é desconhecido, segundo fontes de segurança do país. Tiroteios e uma série de explosões foram escutadas na noite desta quinta-feira nos arredores da casa do candidato. As fonte assinalaram que não estava claro se Gómez Júnior, popularmente conhecido como "Cadogo", se encontrava no interior de sua casa no momento do ataque, ou se, alertado, deixou o domicílio.
Gómez Júnior, multimilionário e favorito da metrópole, Portugal, para o segundo turno, sempre encontrou a oposição dos setores militares protagonistas da guerra da Independência do país em 1974. Além disso, a existência de uma rede militar envolvida com o narcotráfico denunciada pelas Nações Unidas e outras instâncias internacionais esteve presente durante todo o processo eleitoral no qual a aparência de normalidade democrática se viu sob a ameaça de uma nova revolta do Exército.
As atuais eleições presidenciais foram convocadas para cobrir a vaga deixada por Malam Bacai Sanha, que morreu em Paris em janeiro deste ano e que por sua vez ocupou o cargo após o assassinato de João Bernardo Vieira em 2009, nas mãos de soldados leais ao chefe do Estado-Maior do Exército, general Tagmé Na Wai, morto um dia antes em um atentado com explosivos.
Fontes em Bissau consultadas pela Efe asseguraram que os militares desdobrados na cidade, agora em calma, rodearam alguma das principais embaixadas, supostamente para evitar que os dirigentes políticos do país possam buscar asilo.

Militares prendem políticos em tentativa de golpe em Guiné Bissau.

Vários políticos de Guiné Bissau foram presos na noite desta quinta-feira na capital do país por militares que tentavam dar um golpe de Estado, informou uma fonte militar. "Prendemos vários políticos", disse um oficial que pediu para não ser identificado. "Estão conosco no forte de Amura, sede do Estado Maior", completou, sem informar a identidade dos detidos. Mais cedo, um grupo de militares tomou o controle da rádio nacional, enquanto outros soldados mobilizaram-se nas ruas da capital, onde eram escutados disparos de foguetes.
Uma dezena de militares armados entrou na emissora e forçou a saída dos funcionários. Ao mesmo tempo, outros soldados mobilizaram-se pelas ruas de Bissau, ocupando a sede do partido no poder e a avenida da residência do primeiro-ministro em fim de mandato, Carlos Gomes Junior, em volta da qual foram lançados foguetes e disparos foram ouvidos. Os soldados atacaram a residência do premier, disseram testemunhas. "A residência foi atacada com granadas-foguete e fomos forçados a recuar," disse um policial que fazia a segurança do prédio. Segundo ele, Gomes estava em casa mais cedo, mas não pode confirmar seu paradeiro atual.
A oposição de Guiné Bissau, dirigida por Kumba Yala, que deve enfrentar Carlos Gomes Junior em 29 de abril no segundo turno da eleição presidencial, havia pedido o boicote desse pleito. Os cinco principais candidatos da oposição, entre eles Kumba Yala, pediram a seus militantes e simpatizantes "a não votar em 29 de abril" em nome da "justiça", durante coletiva de imprensa. "Qualquer um que se aventurar a fazer campanha assumirá a responsabilidade de tudo o que acontecer", ameaçou o ex-presidente Kumba Yala, que havia denunciado "fraudes massivas" no primeiro turno.
Na primeira etapa das eleições, ocorrida em 18 de março, Gomes Junior obteve 48,97%, enquanto Kumba Yala obteve 23,26%. A campanha eleitoral para o segundo turno deveria começar nesta sexta-feira e acabar em 27 de abril. Nos últimos dias, havia temores sobre atos de violência nesta ex-colônia portuguesa cuja história é marcada por vários golpes de Estado desde sua independência em 1974. O país também se tornou nos últimos anos rota fundamental do narcotráfico entre América do Sul e Europa.

Fonte: terra.com.br

 

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